segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

927 - O amor nos tempos do smartphone



Se você, às vezes, é tentado a perguntar: "Qual é a relação entre o smartphone com multitarefas e a intimidade romântica?". Então, podemos lhe recomendar que leia este paper, na Psychological Reports, de 5 de agosto de 2016, intitulado: Intimacy and Smartphone Multitasking — A New Oxymoron?
"Esta pesquisa sugere que o smartphone com a função multitarefas tem uma associação negativa com as interações cara a cara. As pessoas ficam atentas aos custos de seus smartphones durante essas interações."
A imagem (ao lado) é amplamente atribuída ao renomado artista Bansky, do Reino Unido, e eu só criei o título da postagem.

Que é oxímoro?

Ver também:
O amor nos tempos da gripe 1 e 2.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

926 - Uma cadeira especial para uma cadela especial

Esta é Bella. A cadela foi diagnosticada como tendo megaesôfago congênito, logo após haver sido encontrada quando tinha 4 meses de idade.
Isto significa que o seu esôfago é dilatado. Mas o órgão não tem a mobilidade muscular necessária para engolir os alimentos enquanto Bella está na posição horizontal.
Bem, esta é sua Bailey Chair, a cadeira especial para cães com megaesôfago em que ela precisa se sentar, enquanto come e por 10 minutos depois que come. Ela come alimentos macios próprios para cães, porém misturados com um pouco de água.
Ela está agora com sete meses de idade e vai indo muito bem!

terça-feira, 29 de novembro de 2016

925 - Microcefalia e outras complicações pelo vírus Zika iniciadas após o nascimento da criança

O Center for Disease Control and Prevention, o CDC, em colaboração com pesquisadores dos Estados Unidos e do Brasil, investigou a primeira série de recém-nascidos com evidência laboratorial de infecção congênita pelo vírus Zika em que foi documentada o início da microcefalia após o nascimento.
Um relatório, publicado na semana passada (dia 22), no Morbidity and Mortality Weekly Report, do CDC, descreve 13 lactentes no Brasil com a infecção congênita pelo vírus Zika, que não tinham microcefalia ao nascimento e que, posteriormente, experimentaram um retardo no crescimento da cabeça. Entre essas crianças, 11 mais tarde desenvolveram microcefalias que foram acompanhadas por complicações neurológicas significativas. Embora a microcefalia não estivesse presente no momento do nascimento, as crianças tinham outras lesões consistentes com a síndrome de Zika, congênita.
O estudo revelou que, entre os filhos de mães expostas ao vírus Zika durante a gravidez, a ausência de microcefalia ao nascimento não descarta a infecção congênita pelo vírus Zika nem a presença de anormalidades cerebrais relacionadas ao vírus.
Os resultados do estudo também destacaram a importância das recentes orientações do CDC sobre as avaliações médicas-  iniciais e continuadas - das crianças com possível infecção congênita pelo vírus Zika congênita e o uso da neuroimagem precoce para recém-nascidos que foram expostos ao vírus Zika no período pré-natal.
Notas relacionadas:
803 - MS confirma relação entre vírus zika e microcefalia
824 - Parceria Brasil–EUA para a vacina contra o vírus Zika
829 - Microcefalia. Perguntas e respostas

sábado, 26 de novembro de 2016

924 - ORL, a especialidade médica filha da luz

Discurso de Abertura
Sebastião Diógenes Pinheiro
Presidente de honra
"Gostaríamos de saudar os componentes da mesa no nome do presidente da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cervicofacial - Dr. Sady Selaimen Costa, que por ordenação estatutária é o presidente executivo do 45º Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cervicofacial; saudar todos os palestrantes no nome do Dr. Michael Paparella, que muito nos honra com a sua presença; saudar todos os congressistas no nome do presidente da Sociedade Cearense de Otorrinolaringologia e Endoscopia Peroral - Dr. André Alencar Araripe Nunes; saudar o Dr. Jorge Alberto Spinosa e os demais colegas da Colômbia, o país convidado; e uma saudação especial a todos os expositores, amigos solidários na realização dos nossos eventos.
Prezados colegas e familiares.
Pedimos vênia para principiar a nossa mensagem informando que os ilustres congressistas estão na Terra da Luz, como tradicionalmente é conhecido o Ceará, porque foi a pioneira província do Brasil Império a abolir a escravidão negra, fato histórico memorável acontecido em 25 de março de 1884 - portanto, quatro anos de o Brasil fazê-lo.
Recorrendo a um raciocínio por analogia, ousamos afirmar-lhes, para orgulho de nossa gente, que os senhores e senhoras, figuras solares da otorrinolaringologia nacional e internacional, encontram-se, por sua vez, na Cidade Luz, assim, o proclamamos Fortaleza neste período luminoso, de 25 a 28 de novembro de 2015, porque tem a fortuna de sediar o  - considerado o maior evento científico brasileiro da especialidade em importância e em número de participantes.
A Otorrinolaringologia (ORL) é uma especialidade médica filha da luz, desde a luz que alumia os nossos campos de atuação àquela que resplandece da sabedoria dos otorrinolaringologistas que exercem a profissão nos seus mais diversos aspectos: no ensino na graduação médica; na pós-graduação latu sensu stricto sensu; na especialização; na pesquisa científica; e nas atividades médicas assistenciais clínicas e cirúrgicas. Trata-se de uma das mais antigas e complexas especialidades médicas, cuja atuação compreende o estudo, o diagnóstico, o tratamento e a prevenção das doenças que afetam órgãos sensoriais, tais como a olfação, a gustação, o equilíbrio e a audição, bem como, os organismos da respiração, da deglutição e da fase efetora da linguagem falada. Destaca-se, ainda, o grande avanço na medicina do sono e na cirurgia craniomaxilofacial, alcançando, nestas últimas décadas, o estado de arte na cirurgia estética da face."
[...]
Inicial do discurso de abertura do 45º Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cervicofacial, em Fortaleza, proferido por Sebastião Diógenes Pinheiro (foto), presidente de honra do Congresso. Este trecho foi transcrito das páginas 272-273 de Semeando Cultura, uma antologia da Sobrames-CE que tem entre os autores o médico otorrinolaringologista Sebastião Diógenes. Notar que o orador/escritor, após se referir ao Ceará como Terra da Luz e à Fortaleza como Cidade Luz, com grande propriedade descreve a sua mui amada ORL como "uma especialidade médica filha da luz". Navegando à vol d'oiseau sobre os extensos campos da luminosa especialidade que abraçou.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

923 - Queimaduras por raios

Ser atingido por um raio não é divertido. Além de saber que você irritou o todo-poderoso Zeus, você pode sofrer as consequências de queimaduras terríveis (mesmo tendo a sorte de ter escapado de uma parada cardíaca).
Essas queimaduras (lightning flowers ou, menos romanticamente, figura de Lichtenberg) deixam estranhas figuras na pele que lembram samambaias. São causadas pela passagem da corrente elétrica de um raio por vasos cutâneos e podem durar de algumas horas a meses. Há sempre um ponto central a partir do qual a queimadura se propagou para os locais mais distantes. Braços, costas, pescoço, peito ou ombros são as regiões do corpo em que essas lesões são mais observadas.
Elas podem ser indicadores úteis. Se os paramédicos trazem o seu corpo inconsciente, e o médico vê essa estranha tatuagem, ele vai saber imediatamente que você precisa de tratamento para os efeitos da queda de um raio.
N.B. Nem toda queimadura por raio produz exatamente o resultado descrito nesta postagem.
No Acta:
82 - Descargas atmosféricas
577 - Um câncer curado por raio
687 - Raios em domicílio
Ver também: The Sullivan Show

domingo, 20 de novembro de 2016

922 - "O homem que matou um bilhão de pessoas"

Thomas Midgley Junior (18 de maio de 1889 — 2 de novembro de 1944), engenheiro mecânico e químico estadunidense.
Midgely foi uma figura chave na equipe de químicos, liderados por Charles Kettering, que desenvolveu o chumbo tetraetila, um aditivo à gasolina, bem como alguns dos clorofluorocarbonos (CFCs).
Ao longo de sua carreira, foi concedida a Midgely mais de uma centena de patentes. Apesar de elogiado por suas contribuições científicas (Priestley Medal, 1941), os impactos ambientais negativos de algumas das inovações de Midgley mancharam seu legado, a ponto de ser conhecido, na cultura popular, como "O homem que matou 1 bilhão de pessoas".
Midgley morreu três décadas antes dos efeitos do CFC na camada de ozônio da atmosfera se tornarem amplamente conhecidos.
Outro efeito negativo do trabalho Midgely foi a liberação de grandes quantidades de chumbo na atmosfera, como resultado da combustão em larga escala de gasolina com chumbo em todo o mundo. Altos níveis de chumbo na atmosfera tem sido associada com sérios problemas de saúde, uma vez que o chumbo se acumula no corpo humano (estima-se que um estadunidense tenha em seu sangue hoje 625 vezes mais chumbo do que uma pessoa que tenha vivido antes de 1923 - data do início da adição de chumbo à gasolina).
J.R McNeill, um historiador do ambiente, observou que Midgley "teve mais impacto na atmosfera do que qualquer outro organismo na história da Terra".
Em 1940, com a idade de 51, Midgley contraiu poliomielite, que o deixou gravemente incapacitado. Isso o levou a inventar um elaborado sistema de cordas e roldanas para ajudar os outros a levantá-lo da cama. Este sistema foi a provável causa de sua própria morte, ao enredá-lo em suas cordas e matá-lo por estrangulamento, com a idade de 55 anos. O chumbo tetraetila e os CFCs foram colocados na ilegalidade, mas não há nenhuma informação de que o invento que o matou foi depois banido.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

921 - O recorde da longevidade

Ninguém viveu mais tempo do que Jeanne Calment, nascida na França e que morreu em 1997 com a idade de 122 anos e 164 dias.
Dado o número crescente de pessoas que rompem a barreira de 100 anos, e considerando-se o aumento constante da expectativa (ou esperança) de vida, os cientistas pensavam que o seu recorde de longevidade seria quebrado de forma relativamente rápida. Isso simplesmente não aconteceu.
Há uma grande diferença, ao que parece, entre a expectativa de vida, que é o número médio de anos que um grupo de indivíduos nascidos no mesmo ano consegue viver, e a idade máxima alcançável por um dos membros do grupo.
Em um estudo publicado na Nature, o geneticista molecular Jan Vijg e sua equipe no Albert Einstein College of Medicine, no Bronx, sugerem que vida humana tem um limite natural, e que nós provavelmente nunca excederemos o valor máximo acima registrado.
Hitting a wall: Reported age of death of supercentenarians. (Image: Dong et al., 2016/Nature)
Ler mais: Why the-human lifespan ends at 122, GIZMODO
Ler também: Os supercentenários, EntreMentes

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

920 - Um sangue novo para as baterias

A chave para a produção de melhores baterias recarregáveis estaria no sangue.
Na hemoglobina - a metaloproteína que capta o oxigênio nos pulmões e transporta-o pelo sistema circulatório para todo o corpo.
Pois bem, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Yale acaba de encontrar que a biomolécula tem um novo papel a cumprir. Desta vez, nas baterias de lítio.
Ler o artigo no Computer Hoy.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

919 - Fibrose cística. Manifestações pulmonares

A fibrose cística (FC), também chamada de mucoviscidose, é uma doença genética autossômica recessiva. Embora predomine na população caucasiana, com incidência de 1:3.000 nascidos vivos, pode estar presente em todos os grupos étnicos. No Brasil, a incidência ainda é ignorada, contudo estudos regionais mostram dados estatísticos variáveis que sugerem uma incidência em torno de 1:7.000 no país como um todo. A vida média dos pacientes com FC tem aumentado nos últimos anos, alcançando a terceira década, resultado do diagnóstico precoce e do tratamento especializado instituído nas fases iniciais da doença.
A FC é uma doença multissistêmica, sendo o acometimento pulmonar responsável pela maior morbimortalidade dos pacientes. O acúmulo de muco nas vias aéreas inferiores é uma das características-chave da fisiopatogenia da doença pulmonar, assim como a presença de reação inflamatória predominantemente neutrofílica e infecção bacteriana. As alterações pulmonares iniciam nas vias aéreas menores e são progressivas, evoluindo para o surgimento de bronquiectasias, fibrose pulmonar e cor pulmonale. Os principais componentes do muco viscoso das vias aéreas dos pacientes com fibrose cística são a mucina e o pus derivado do DNA (ácido ribonucleico) intracelular liberado pela degranulação dos neutrófilos.
Diagnóstico clínico
A tosse crônica, a esteatorreia e o suor salgado são os sintomas clássicos da FC. Entretanto, a gravidade e a frequência dos sintomas são muito variáveis e podem ser diferentes conforme a faixa etária, mas a maioria dos pacientes apresenta-se sintomática nos primeiros anos de vida. Ao nascer, 10%-18% dos pacientes podem apresentar íleo meconial.
O sintoma respiratório mais frequente é a tosse persistente, inicialmente seca e aos poucos produtiva, com a eliminação de escarro de mucoide a francamente purulento. A radiografia de tórax pode inicialmente apresentar sinais de hiperinsuflação e espessamento brônquico, mas, com o decorrer do tempo, podem surgir atelectasias segmentares ou lobares. O achado de bronquiectasias é mais tardio. As exacerbações da doença pulmonar caracterizam-se por aumento da tosse, dispneia, mal-estar, anorexia e perda de peso. Insuficiência respiratória e cor pulmonale são eventos finais.
Sinusopatia crônica está presente em quase 100% dos pacientes. Polipose nasal recidivante ocorre em cerca de 20% dos casos e pode ser a primeira manifestação da doença.
Distensão abdominal, evacuações com gordura e baixo ganho de peso são sinais e sintomas fortemente sugestivos de má-absorção intestinal que, na maioria dos casos, deve-se à insuficiência pancreática exócrina.
No sistema reprodutor, observam-se puberdade tardia, azoospermia em até 95% dos homens e infertilidade em 20% das mulheres.
Diagnóstico laboratorial
O diagnóstico da FC é clínico, podendo ser confirmado pela detecção de níveis elevados de cloreto e sódio no suor ou por estudo genético com a identificação de 2 mutações para fibrose cística. O teste mais fidedigno é a análise iônica quantitativa do suor estimulado por pilocarpina. Consideram-se positivos os valores de cloreto e sódio no suor; 60 mEq/l, em pelo menos 2 aferições.
Os exames da função pulmonar, como a espirometria, mostram distúrbio ventilatório obstrutivo. Considera-se o volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) o melhor parâmetro da função pulmonar para a monitorização da doença respiratória.
Tratamento
O tratamento das manifestações pulmonares de pacientes com fibrose cística deve incluir um programa de fisioterapia respiratória, hidratação, tratamento precoce das infecções respiratórias e fluidificação de secreções.
Alfadornase: é uma solução purificada de desoxirribonuclease recombinante humana para uso inalatório, que reduz a viscosidade do muco por hidrólise do DNA extracelular, derivado do núcleo de neutrófilos degenerados, presente no muco dos pacientes com fibrose cística e um dos responsáveis pelo aumento da sua viscosidade. A dose recomendada para a maioria dos portadores de fibrose cística é uma ampola de 2,5 mg, 1 vez ao dia, utilizando nebulizador recomendado para alfadornase. Alguns pacientes, especialmente os de mais idade e com maior comprometimento pulmonar, podem se beneficiar com a administração 2 vezes ao dia. Recomenda-se que alfadornase seja nebulizada pelo menos 30 minutos antes da fisioterapia respiratória. Deve-se ter especial cuidado com os nebulizadores utilizados, sendo importante sua limpeza e desinfecção, de acordo com recomendações técnicas vigentes. Considerar também a possibilidade de instilação de alfadornase diretamente nas vias aéreas inferiores através de fibrobroncoscopia na presença de alterações radiológicas causadas por obstrução ou impactação mucoide das vias aéreas. O tratamento é contínuo, sem duração previamente definida. Espera-se melhora da função pulmonar desde o primeiro mês de tratamento1 e que haja redução das exacerbações pulmonares ao longo do tempo. Os possíveis benefícios esperados com o tratamento são melhora do VEF1, da qualidade de vida, da hiperinsuflação pulmonar e diminuição da frequência das exacerbações respiratórias.
(Portaria SAS/MS nº 224, de 10/05/10, retificada em 27/08/10)
O Sistema Único de Saúde (SUS) incorporou recentemente a Tobramicina inalatória no combate às infecções respiratórias que acometem esses doentes. a nova tecnologia traz vários benefícios em relação aos dados de funcionamento do pulmão, como o ganho de 12% na função pulmonar aferida pelo VEF1 e a redução nas colônias de bactérias que causam essas infecções. Outro dado importante é a redução de 26% nas internações desses pacientes.
No SUS também são disponibilizados aos pacientes de FC: acompanhamento médico regular, suporte dietético, utilização de enzimas pancreáticas, suplementação vitamínica (vitaminas A, D, E, K) e fisioterapia respiratória.
534 - A doença do beijo salgado
745 - Fibrose cística

terça-feira, 8 de novembro de 2016

918 - "Vem a meu jardim"

O cirurgião italiano Gianfranco Fineschi (1923-2010) conseguiu combinar a ciência com o humanismo e a cultura.
Na cidade de Cavriglia, criou o Roseto Botanico Carla Fineschi, com 6.400 espécies de rosas, em memória de sua esposa. O criador do "Louvre das Rosas" considerava-se um romântico sensível a este gênero de flores. Com elas conversava, mantinha diálogos de amor e conhecia os sentimentos de cada uma delas.
Basta ver o dístico que colocou na entrada da sua fantástica coleção. Uma frase de Sheridan:
"Vem a meu jardim. Eu quero que as minhas rosas te vejam".
Fineschi alcançou a fama internacional neste domínio. Em agosto de 2000, Le Monde lhe dedicou uma página inteira.

sábado, 5 de novembro de 2016

917 - Carbono, a base da vida

Em estado puro e dependendo de como estão dispostos seus átomos, este elemento pode formar tanto o mineral mais duro que ocorre na natureza, o diamante, como um dos mais brandos, o grafite. Organizados em hexágonos e formando lâminas, os átomos de carbono dão lugar ao grafeno, um material do qual vocês certamente ouviram falar, nestes últimos anos, por causa de suas "incríveis" propriedades mecânicas e elétricas.
Mas, como se fosse pouco, o carbono é o elemento fundamental para a vida.
As propriedades químicas do carbono permitem a este elemento unir-se a uma grande quantidade de átomos distintos para formar moléculas enormes e complexas. De fato, a química do carbono é tão variada que é capaz de formar mais compostos químicos do que o resto dos elementos da tabela periódica juntos. Por isso não é de estranhar que exista a química orgânica, um ramo da química dedicado ao estudo dos compostos formados pelo carbono
Não há dúvida de que o carbono quaternário com a sua sociabilidade levou as coisas longe demais. PGCS
Na gravura acima - Não são moléculas curtindo o período da pagodeira. Elas pertencem à classe dos nanoputians, moléculas orgânicas cujas fórmulas estruturais lembram seres humanos. Elas são especialmente sintetizadas para que apresentem essas características antropomórficas.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

916 - Alerta contra a sífilis

Todos os tipos de sífilis – adulto, em gestantes e congênita (em bebês) – são de notificação
obrigatória no país há cinco anos.
No Brasil, de 2014 para 2015, a sífilis adquirida teve um aumento de 32,7%, a sífilis em gestantes, de 20,9%, e a congênita, de 19%.
A penicilina benzatina é o medicamento seguro e eficaz no combate à sífilis.
Este antibiótico (com problema de desabastecimento no mundo) é essencial para o controle da transmissão vertical da sífilis (para o bebê), como reconhece a Assembleia Mundial da Saúde.
Neste ano, a campanha de combate à doença no Brasil tem como foco as gestantes, sensibilizando-as para que, no início da gestação, realizem o teste diagnóstico para a sífilis (VDRL) e sejam imediatamente tratadas se a doença for confirmada.
Para evitar a reinfecção da mulher pelo parceiro sexual, este também deverá ser tratado.

domingo, 30 de outubro de 2016

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

914 - Adaptar-se ou morrer

Este vídeo da Harvard Medical School mostra uma experiência criativa de como as bactérias evoluem e se tornam resistentes aos antibióticos. Isso, relacionado ao uso excessivo de antibióticos nas últimas décadas, é um problema real para muitas pessoas e para a saúde pública .
A placa de Petri gigantesca em que tem lugar a demonstração mede 1,20 x 0,60 metros e está dividida em bandas ou faixas. Em cada uma destas há um meio de cultura, o polissacarídio agar, que serve de alimento para as bactérias.
A placa da experiência é simétrica. As faixas externas não têm antibióticos e as faixas internas têm 1, 10, 100 e 1000 unidades do antibiótico. Isso faz com que seja progressivamente difícil para as bactérias passar das faixas externas para a central.
Inicialmente, a faixa com 1 unidade de antibiótico é mortal para as bactérias, mas isso não é problema para elas que podem jogar para sempre.
Além de resistirem ao teste do antibiótico as bactérias competem entre si pelo consumo do meio de cultura; são as mutações aleatórias, a seleção natural com a sobrevivência do mais apto" em ação.
"Adaptar-se ou morrer", o título desta nota.
A sequência completa aqui mostrada em dois minutos levou quase duas semanas de gravação.
Nesta experiência, foram testadas com doses entre 1 e 1000 unidades do antibiótico, mas em outros ensaios desenvolveram-se  bactérias capazes de suportar 100.000 vezes a dose inicial . Os cientistas também descobriram que nem sempre as bactérias mais resistentes são as primeiras a chegar nas fases seguintes: alguns grupos permanecem "escondidos", atrás daqueles que abrem o caminho, mas, em seguida, provam ser mais capazes de alcançar a próxima etapa.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

913 - Alvará da nomeação de doutores

Eu o Principe Regente faco saber aos que o presente alvará com forca de lei virem, : que tendo nomeado fysico mór, e cirurgião mór do reino, estados, e dominios ultra-marinos, por decretos de vinte e sete de fevereiro de mil oitocentos e oito aos doutores Manoel Vieira da Silva, e José Correia Picanco. 
– Alvará da nomeação do físico mór e do cirurgião mór do Reino de Portugal em 1809 [archive.org]
N. do E.
Coloquialmente, o médico é frequentemente referido como doutor. Antigamente, o médico era também referido como físico ou facultativo, distinguindo-se então do cirurgião que constituía uma profissão distinta.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

912 - O Conhecimento

Para obter a licença os motoristas de táxi de Londres devem passar por um exame de memória punitivo que inclui 25.000 ruas e todos os negócios importantes com respeito a elas. "The Knowledge" (O Conhecimento) já foi chamado o teste mais difícil de qualquer outro tipo no mundo, exigindo milhares de horas de estudo e uma série de exames orais progressivamente difíceis que levam, em média, quatro anos para ser concluído.
O guia para potenciais taxistas diz:
Para atingir o padrão exigido para ser licenciada como um motorista de táxi "All London" você vai precisar de um conhecimento profundo, principalmente, da área dentro de um raio de seis milhas de Charing Cross. Você precisa saber: todas as ruas; conjuntos habitacionais; parques e espaços abertos; escritórios e departamentos governamentais; centros financeiros e comerciais; instalações diplomáticas; prefeituras; cartórios; hospitais; templos e locais de adoração; estádios de esportes e centros de lazer; escritórios de companhias aéreas; estações; hotéis; clubes; teatros; cinemas; museus; galerias de arte; escolas; faculdades e universidades; delegacias de polícia e sedes de empresas; tribunais civis, penais e cortes de apelação; prisões; e outros locais de interesse para os turistas. Na verdade, você precisa saber de qualquer lugar que um passageiro de táxi possa pedir para ser levado.
Curiosamente, os taxistas de Londres possuem um hipocampo que a nenhum motorista comum é dado possuir.
 (Hugo J. Spiers, "Will Self and His Inner Seahorse", in Sebastian Groes, ed., Memory in the Twenty-First Century, 2016.)
Hipocampo
É uma estrutura localizada nos lobos temporais do cérebro humano, considerada a principal sede da memória e importante componente do sistema límbico. Além disso é relacionado com a navegação espacial. Seu nome deriva de seu formato arqueado apresentado em secções coronais do cérebro humano, se assemelhando a um cavalo-marinho (do grego: hippos = cavalo, kampi = curva).

terça-feira, 18 de outubro de 2016

911 - Algumas curiosidades médico-literárias

O médico reumatologista e escritor Pedro Nava parafusava os móveis de sua casa a fim de que ninguém os tirasse do lugar.
Guimarães Rosa, médico recém-formado, trabalhou em lugarejos que não constavam no mapa. Cavalgava a noite inteira para atender a pacientes que viviam em longínquas fazendas. As consultas eram pagas com bolo, pudim, galinha e ovos. Sentia-se culpado quando os pacientes morriam. Acabou abandonando a profissão. "Não tinha vocação. Quase desmaiava ao ver sangue", conta Agnes, a filha mais nova.
Em 2002, o médico sanitarista Moacyr Scliar esteve envolvido em uma polêmica com o escritor canadense Yann Martel, cujo romance "A Vida de Pi", vencedor do prêmio Man Booker, foi acusado de ser um plágio da sua novela "Max e os Felinos". Martel admitiu ter lido uma resenha sobre o livro de Scliar, em que encontrou uma "faísca de vida" para desenvolver a metáfora de um náufrago que tem de conviver com uma fera. Ao final, o escritor gaúcho disse que a mídia extrapolou ao tratar do caso, e que ele nunca teve o intuito de processar o escritor canadense,
José Carlos Ryoki de Alpoim Inoue deixou a medicina para se dedicar à carreira de escritor e já publicou mais de mil e cem livros, tornando-se recordista mundial. A altíssima produtividade não visava figurar no Guinness Book, mas somente garantir seu sustento. Ryoki chegou a dominar 95 por cento do mercado de pocket books no Brasil.
Curiosidades médico-literárias ou curiosidades médicas-literárias?
O correto é "médico-literárias". Excetuando o adjetivo composto "surdo-mudo" - qual apresenta flexão nos dois elementos - apenas o último elemento dos adjetivos compostos deve ser flexionado.

sábado, 15 de outubro de 2016

910 - O mapa da situação

O dr. Sten Grillner é pesquisador do Departamento de Neurociências do Instituto Karolinska, na Suécia. Estudando como o cérebro processa informações e controla os olhos. Grillner e outros pesquisadores confirmaram que uma área chamada quadrigemina corpora, que fica situada no mesencéfalo de todos nós, vertebrados, é a responsável por isso.
O estudo foi realizado em lampreias, um peixe pequeno pouco evoluído e que está próximo da forma dos primeiros vertebrados.
A quadrigemina corpora contém uma rede complexa de neurônios que controlam os movimentos da cabeça e dos olhos. Informações de diferentes partes chegam e são ali organizadas para criar um mapa do que está ocorrendo.
É o mapa da situação.
Fonte
Uråldrigt område i hjärnan styr ögonrörelser (Antiga área do cérebro controla os movimentos dos olhos). Publicado a 16 de setembro de 2016 em eLife online (doi: 10.7554/eLife.16472)

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

909 - Um assunto de vida e morte


https://plus.google.com/+RobGordon/posts/eHFvczuGHk5

domingo, 9 de outubro de 2016

908 - Diagnóstico das hepatites virais

As hepatites virais agudas e crônicas são doenças provocadas por diferentes agentes etiológicos, com tropismo primário pelo tecido hepático, apresentando características epidemiológicas, clínicas e laboratoriais semelhantes, porém com importantes particularidades.
As hepatites virais são causadas por cinco vírus: o vírus da hepatite A (HAV, do inglês hepatitis A virus), o vírus da hepatite B (HBV, do inglês hepatitis B virus), o vírus da hepatite C (HCV, do inglês hepatitis C virus), o vírus da hepatite D (HDV, do inglês hepatitis D virus) e o vírus da hepatite E (HEV, do inglês hepatitis E virus) (LEMON, 1997). A doença tem um amplo espectro clínico, que varia desde formas assintomáticas, anictéricas e ictéricas típicas, até a insuficiência hepática aguda grave (fulminante). A maioria das hepatites virais agudas é assintomática, independentemente do tipo de vírus. Quando apresentam sintomatologia, são caracterizadas por fadiga, mal-estar, náuseas, dor abdominal, anorexia e icterícia. A hepatite crônica, em geral, cursa de forma assintomática. As manifestações clínicas aparecem quando a doença está em estágio avançado, com relato de fadiga, ou, ainda, cirrose. O diagnóstico inclui a realização de exames em ambiente laboratorial e testes rápidos, a fim de caracterizar a doença e sua gravidade (BRASIL, 2009a).
A distribuição das hepatites virais é universal, sendo que a magnitude dos diferentes tipos varia de região para região. No Brasil, também há grande variação regional na prevalência de cada hepatite (PEREIRA; XIMENES; MOREIRA, 2010).
Manual Técnico para o Diagnóstico das Hepatites Virais

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

907 - O Prêmio Nobel de Medicina de 2016

De acordo com o anúncio feito nesta segunda-feira (3), o cientista japonês Yoshinori Ohsumi foi laureado com o Prêmio Nobel de Medicina de 2016 por sua descoberta do mecanismo de autofagia, processo pelo qual as células "digerem" partes de si mesmas.
"As descobertas de Ohsumi levaram a um novo paradigma em nosso entendimento de como a célula recicla seu conteúdo", declarou a Assembleia do Nobel do Instituto Karolinska, na Suécia,
Em organismos de seres desnutridos, a autofagia é uma das estratégias de sobrevivência e permite que as células redistribuam os nutrientes para conseguir executar as atividades mais essenciais à vida.
O conceito de autofagia já tinha sido descoberto em 1960, quando cientistas observaram que as células eram capazes de destruir seus próprios componentes e transportá-los para uma unidade subcelular chamada de lisossomo.
(Kyodo/Reuters)
O Nobel de Medicina é oferecido desde 1901, e o pesquisador mais jovem a receber o prêmio foi Frederick G. Banting, que tinha 32 anos em 1923 e descobriu a insulina

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

906 - Quanto seu filho crescerá

Deixem-me citar o titulo de um artigo publicado na Collier's em 1952: "Você pode saber agora QUANTO SEU FILHO CRESCERÁ". No artigo aparecem claramente duas tabelas: uma para meninos, outra para meninas, mostrando qual a percentagem do que virá a ser a altura final que uma criança irá atingindo em cada ano de vida. "Para determinar a altura de seu filho na maturidade", diz a legenda, "verifique a medida atual contra a tabela acima".
O engraçado é que o próprio artigo - se você continuar a ler - dirá qual a fraqueza fatal da tabela. Nem todas as crianças crescem do mesmo modo. Umas começam aos poucos e depois disparam; outras disparam antes e vão freando depois; outras, ainda, seguem um processo muito regular.
A tabela (você adivinhou!) baseia-se em médias, tiradas de um grande númerode medidas. Para as alturas totais - ou médias de 100 jovens, tiradas ao acaso, sem dúvida será bastante acurada, mas um pai está interessado apenas numa única altura, uma só vez, e essa é uma finalidade para a qual a tabela não tem o mínimo valor.
Se você quiser saber a futura altura de seu garoto, sua adivinhação será provavelmente melhor, verificando a altura dos avós. O método não e cientifico nem preciso, mas tem a mesma exatidão (inexistente) das tais médias.
Extraido de: COMO MENTIR COM ESTATÍSTICAS (HOW TO LIE WITH STATISTICS) por Darrel Huff

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

905 - Poluição do ar: emergência sanitária mundial

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulga dados alarmantes sobre a poluição do mundo.
Noventa e dois por cento de todas as pessoas da população do planeta vivem em lugares onde a poluição do ar está fora dos padrões de segurança. Seis milhões e meio de pessoas no mundo morrem a cada ano (12 por cento de todas as mortes)  por doenças relacionadas com a poluição do ar: infarto, AVC, câncer pulmonar e outras doenças respiratórias.
Um estudo patrocinado pela OMS recolheu amostras do ar em mais de três mil lugares pelo globo. Noventa por cento dessas mortes acontecem sobretudo nas regiões mais pobres. Quem lidera esse ranking é o Turcomenistão com 108 mortes por 100 mil habitantes. Depois vêm o Afeganistão, o Egito, a China e a Índia.
No Brasil, a média foi de 14 mortes por 100 mil habitantes.
A OMS fala em emergência sanitária e recomenda investir em formas de energias limpas e transportes ecológicos.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

904 - O uso off label em prescrição médica

Os médicos têm o direito de prescrever medicamentos para finalidade terapêutica distinta para as quais tiveram aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No entanto, o uso da substância off label, como o procedimento é conhecido, deve ser uma exceção pontual e ter a responsabilidade por eventuais riscos assumida pelo profissional que o indicou. É o que assegura o Parecer CFM nº 02/2016 aprovado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), em fevereiro de 2016.
Os procedimentos off label são aqueles em que são utilizados materiais ou fármacos fora das indicações em bula ou protocolos, sendo que sua indicação e prescrição ocorre por inteira responsabilidade do médico que assiste os pacientes.
"O uso off label de medicamento ocorre por uma indicação médica pontual e específica, em desconformidade com a bula e sob risco e responsabilidade do profissional prescritor" pontua o relator do parecer, Dr. Emmanuel Fortes.
Segundo o parecer, aos Conselhos de Medicina compete julgar os insucessos sob a óptica do risco a que o médico submeteu o paciente. "Os médicos que assim procederem devem estar cientes da responsabilidade que assumem e do que lhes recai como penalidades a que poderá responder", alerta Dr. Fortes.
O conselheiro defende que o uso desse tipo de prescrição não pode estar regulamentado pelo CFM, pois a observação clínica pode apontar caminhos para o uso de produtos e substâncias que não estavam no seu plano original. "É na observação das respostas e de seus aspectos evolutivos que os médicos baseiam suas decisões terapêuticas. Faz parte da arte da medicina este acompanhamento. Criar regras evitaria o progresso natural da ciência".
Ler mais no JORNAL MEDICINA, de abril de 2016.

sábado, 24 de setembro de 2016

903 - O sabor do amido

Pesquisadores afirmam ter descoberto um sexto sabor que deriva de alimentos ricos em amido, como massas, batatas, pão e arroz
Acreditava-se que os seres humanos só poderiam detectar cinco diferentes sabores elementares: doce, salgado, azedo, amargo e, adicionado à lista de sete anos atrás, umami. Mas agora pesquisadores afirmam que somos capazes de detectar também o sabor do amido.
Juyun Lim, professora de Ciência e Tecnologia de Alimentos da Universidade Estadual do Oregon, conduziu a pesquisa que sugere que o nosso paladar pode detectar os carboidratos encontrados em alimentos como massas, batatas e pão.
"Toda alimentação tem uma importante fonte de hidratos de carbono complexos. A ideia de que não podemos provar o que estamos comendo não faz sentido", disse ela à New Scientist .
Para testar a teoria do sexto gosto, Dra. Lim e sua equipe dissolveram diferentes proporções de hidratos de carbono em soluções líquidas que foram dadas a 22 participantes, sendo estes em seguida solicitados a classificá-las quanto ao gosto.
"Eles descreveram um gosto de amido",disse Dra. Lim.
Anteriormente, muitos cientistas acreditavam que os seres humanos só poderiam provar o açúcar desses carboidratos após as enzimas da saliva quebrarem moléculas de amido em açúcares simples, deixando um sabor doce na boca.
No entanto, mesmo quando voluntários receberam um composto para bloquear a enzima da saliva, os receptores para o doce ainda eram capazes de sentir o sabor de amido – o que sugere que os seres humanos conseguem sentir o sabor do amido antes de a sustância ter sido dividida em açúcar.
Mas, como não foram identificados na língua humana os receptores específicos para o sabor do amido, este não pode ser considerado, até o momento, como um sabor elementar,
No Acta:
634 - Língua humana e carboidratos

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

902 - Carne e orações


Para escolher o local mais saudável para a construção de um hospital em Bagdá, no século IX, o médico Rasis pendurou pedaços de carne nos possíveis locais. Onde a carne ficou mais fresca por mais tempo foi o local que ele escolheu.

No século 12, São Bernardo de Claraval, chefe dos médicos da Igreja Católica Romana, proibiu os monges em seus hospitais de estudar textos médicos e de usar remédios, exceto orações.

Os hospitais foram uma grande inovação médica da Idade Média, cuja matriz era religiosa (pois assentava no principio cristão de assistência aos pobres, desamparados e doentes) e não exclusivamente científica. Apesar destes hospitais não se poderem comparar aos hospitais atuais, não se pode negar a importância que tiveram.

Alguns dos maiores hospitais europeus foram o Hôtel-Dieu em Paris, o Santo Spirito em Roma, o St. Thomas e o St. Bartholomew na Inglaterra etc.

Wikia

domingo, 18 de setembro de 2016

901 - O jardim das plantas venenosas

Trancadas por trás de portas de aço preto em Northumberland, Inglaterra, no jardim do Alnwick Castle, vicejam cerca de cem infames assassinos. Da beladona à cicuta, a única maneira de uma planta deitar raízes no local é se ela for venenosa para os seres humanos. Criado pela Duquesa de Northumberland, este é um jardim que você não vai querer visitar para cheirar as flores.
"ESTAS PLANTAS PODEM MATAR"
Algumas destas mesmíssimas plantas têm usos medicinais. Dosis sola facit venenum (só a dose faz o veneno), como disse o médico e alquimista suíço Paracelso.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

900 - Datas de validade nos alimentos não significam quase nada

A vida dos alimentos nas prateleiras parece que é um caso bem regulado, concreto, mas não é. Difere por região e tipo de alimento. No final, esses prazos não significam quase nada, o que leva a um desperdício de alimentos e a um pressuposto de segurança.
Para a maioria dos alimentos embalados, estas datas são geralmente deixadas ao critério do produtor de alimentos. Eles geralmente trabalham com empresas de terceiros, como The National Food Lab, que realizam testes para ver quanto tempo os alimentos levam para estragarem. Estas empresas deixam os alimentos em uma prateleira por dias, semanas, meses e criam um sistema de classificação para descrever a sua qualidade ao longo do tempo. Por vezes, é apenas um teste de gosto. Outras vezes, é sobre a aparência da comida, o que não tem nada a ver com o gosto ou o valor nutricional. Em qualquer caso, o teste não é particularmente científico ou indicativo da real segurança do alimento, e tudo isso é altamente subjetivo.
É impossível descobrir a data exata em que um alimento estragará
Nós gostamos de pensar que há uma data quantificável que vai nos dizer quando um alimento não serve mais, porém há muitas variáveis ​​para algo tão simples. Esse é o verdadeiro problema com datas de validade dos alimentos.
Quanto tempo a comida fica em um caminhão sendo transportada ou à espera de ser descarregada em um supermercado, quanto tempo ela fica exposta em gôndolas ou prateleiras do supermercado, quanto tempo ela fica no carrinho de compras, no carro e na despensa até ir para o freezer ou a geladeira. Etc.
Alimentos "vencidos" não é certo que vão deixá-lo doente. Significa apenas que a comida pode não ter o gosto tão bom. O que geralmente faz com que você fique doente são as bactérias patogênicas, como a Salmonella ou a E. coli, que podem viver em seu alimento antes de comprá-lo, ou mesmo persistirem depois de cozinhá-lo, se você não cozinhar o alimento corretamente. Não há nenhum rótulo ou linha do tempo que garante a sua comida estar livre das bactérias que podem deixá-lo doente. O crescimento bacteriano depende do tempo, da temperatura e do manuseio adequado dos alimentos – isso tudo é mais importante do que a data impressa. É também por isso que a comida tende a durar mais tempo no congelador da geladeira e no freezer. Não que eles matem todas as bactérias, mas porque podem atrasar ou impedir o crescimento bacteriano.
O que fazer para não depender das datas de validade
Então, se as datas são arbitrárias, o que se pode fazer? Bem, o teste do olfato ainda é a sua melhor opção. Se o alimenta cheira mal, ele vai ter gosto ruim. Seus olhos também podem dizer muito. Se a comida parece estragada, provavelmente o é. Da mesma forma, certas carnes, como o frango, tendem a obter uma textura viscosa e uma cor monótona quando estragam. Nós todos temos uma capacidade inata para dizer quando uma comida está podre ou estragada. Confie em seus sentidos.
Finalmente, a sua melhor aposta é a de armazenar os alimentos adequadamente para que eles realmente durem o tempo estimado. Certifique-se de que segue as regras básicas para descongelá-los. Mantenha os sentidos afiados para os sinais de deterioração e prepare seus alimentos corretamente para evitar a contaminação.
O fato é que as datas de validade, independentemente da linguagem que elas usam, pouco significam. Se valem um olhar quando você está no supermercado, porém elas são inúteis além desse ponto, e certamente não valem a confiança que a maioria de nós deposita nelas. Nós podemos fazer muito melhor com os nossos olhos e narizes.
Expiration Dates on Your Food Mean Nothing, por Thorin Klosowski. In: lifehacker

sábado, 10 de setembro de 2016

899 - Suicídio: Informando para prevenir



Cartilha orienta médicos sobre prevenção ao suicídio
Apresentação
Todos os anos são registrados cerca de dez mil suicídios no Brasil e mais de um milhão em todo o mundo.
Por sugestão da Comissão de Ações Sociais (CAS) do Conselho Federal de Medicina (CFM), essa silenciosa epidemia tornou-se uma das prioridades da Câmara Técnica de Psiquiatria da entidade que, com o apoio da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), lança esta cartilha, intitulada "Suicídio: informando para prevenir".
As entidades médicas acreditam em uma sociedade engajada na defesa pela vida e em gestores comprometidos com políticas públicas que realmente transformem esse cenário.
É possível prevenir o suicídio, desde que os profissionais de saúde, de todos os níveis de atenção, estejam aptos a reconhecer os seus fatores de risco.
Por isso há, neste trabalho, informações que podem ajudar a sociedade a desmitificar a cultura e o tabu em torno do tema e auxiliar os médicos a identificar, tratar e instruir seus pacientes.
Espera-se que esta contribuição ajude no enfrentamento deste grave problema de saúde pública.
Carlos Vital T. Corrêa Lima - Presidente do Conselho Federal de Medicina
Emmanuel Fortes S. Cavalcanti - Coordenador da Câmara Técnica de Psiquiatria

10 de setembro - Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio

CFM Publicações - Cartilha

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

898 - Alfabeto médico

Como seu médico aprende a escrever uma receita:
O médico e a caligrafia nem sempre caminham no mesmo sentido
428- Tenham um fantástico dia
Outros alfabetos de uso médico
505 - Um alfabeto epidemiológico | 570 - O alfabeto do cérebro

terça-feira, 6 de setembro de 2016

897 - Broncodilatadores

Os broncodilatadores são a pedra angular da terapia medicamentosa na DPOC. De acordo com a duração do efeito são classificados como broncodilatadores de curta ou longa duração de ação e quanto ao mecanismo de ação, em antimuscarínicos eβ2-agonistas. O tratamento regular com broncodilatadores de longa duração é mais eficaz e conveniente do que com os de curta duração de ação.
1. Broncodilatadores de curta duração de ação [6-8 horas]
1.1 β2-agonistas
- - - salbutamol
- - - fenoterol
- - - terbutalina
1.2 antimuscarínicos
- - - ipratrópio
2. Broncodilatadores de longa duração de ação
2.1  β2-agonistas (long-acting β2-agonists, LABA)
de 12 horas
- - - salmeterol
- - - formoterol
de 24 horas
- - - vilanterol
- - - olodaterol
- - - indacaterol
2.2 antimuscarínicos (long-acting muscarinic antagonists, LAMA)
de 24 horas:
- - - tiotrópio
3. metilxantinas
- - - teofilina
- - - roflumilaste

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

895 - Diretrizes da SBD, 2015-2016

Apresentação
A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) lança anualmente as Diretrizes com o objetivo de acompanhar os novos conhecimentos científicos na área de Diabetologia e entregar à sociedade médica o que há de mais atual no tema. Esse ano não foi diferente; escrita por profissionais com grande experiência clínica e conhecimento acadêmico, sob a coordenação editorial dos Drs. José Egidio Paulo de Oliveira e Sérgio Vencio, a obra está se tornando uma ferramenta cada vez mais importante para discutir temas relacionados ao diabetes, tanto no meio acadêmico como em hospitais e ambulatórios médicos, e conta com a difusão e o apoio da indústria, parceira a cada ano nessa ação educativa. Ao recebermos o reconhecimento de médicos e profissionais da saúde, quanto à qualidade e à atualidade da informação disponibilizada nas Diretrizes, nós, da SBD, temos a certeza de estarmos contribuindo com os objetivos da Sociedade de trazer o aperfeiçoamento profissional na assistência médica e tratamento do diabetes no Brasil.
Walter José Minicucci
Presidente da SBD – Gestão 2015-2016
Magnitude do problema
Uma epidemia de diabetes mellitus (DM) está em curso. Atualmente, estima-se que a população mundial com diabetes seja da ordem de 387 milhões e que alcance 471 milhões em 2035. Cerca de 80% desses indivíduos vivem em países em desenvolvimento, onde a epidemia tem maior intensidade e há crescente proporção de pessoas acometidas em grupos etários mais jovens, as quais coexistem com o problema que as doenças infecciosas ainda representam.

domingo, 28 de agosto de 2016

894 - A assimetria escrotal no homem e nas antigas esculturas


O Prêmio Ig Nobel 2002 de Medicina foi atribuído a Chris McManus, da University College London, por seu relatório científico, "Scrotal Asymmetry in Man and in Ancient Sculpture" (A Assimetria Escrotal no Homem e nas Antigas Esculturas).
(Este relatório foi publicado na revista Nature, de 5 de fevereiro de 1976, na página 426, sendo a reportagem de capa da edição.)
Mas...
Como algumas pessoas se preocupam mais com o tamanho do pênis do que com a assimetria dos testículos...
Para essas pessoas, Sarah Rense deitou e rolou sobre o seu assunto favorito, em um relatório publicado na Esquire, com o título: "The Real Reason Why Greek Statues Have Such Small Penises" (A Verdadeira Razão pela qual as Estátuas Gregas têm os Pênis Pequenos).
(http://www.improbable.com/2016/08/07/scrotal-asymmetry-in-man-and-in-ancient-sculpture-etc/)

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

893 - O Dossiê Abrasco. Impactos dos Agrotóxicos na Saúde


ALGUNS NÚMEROS SOBRE AGROTÓXICOS NO BRASIL 
64%
dos alimentos estão contaminados por agrotóxicos (Anvisa, 2013)
34.147
notificações de intoxicação por agrotóxico foram registradas de 2007 a 2014 (MS/DataSUS)
288%
de aumento do uso de agrotóxicos entre 2000 e 2012 (Sindag)
U$12 bi
foi o faturamento da indústria de agrotóxicos no Brasil em 2014 (Andef)
Depois de causar grande impacto em 2012, o Dossiê Abrasco sobre Agrotóxicos ganha nova edição. A publicação, com mais de 600 páginas, colorida e ilustrada, inclui a revisão do Dossiê de 2012 e uma quarta parte inédita. Este capítulo, concluído em outubro de 2014, foi dedicado a atualização de acontecimentos marcantes, estudos e decisões políticas, com informações que envolvem os agrotóxicos, as lutas pela redução dessas substâncias e pela superação do modelo de agricultura químico-dependente do agronegócio.
Abrasco: Associação Brasileira de Saúde Coletiva

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

892 - Acuidade auditiva e habilitação para conduzir veículos

Procedimentos para a prova da voz coloquial
1. A prova deverá realizar-se em local silencioso, onde não haja interferência de ruído de tráfego e que tenha pouca reverberação, com o examinador situado a uma distância de dois metros do candidato, em ambas as orelhas simultaneamente.
2. O examinador deverá assegurar-se de que, durante esta prova, as palavras sejam pronunciadas com calma e volume constante.
3. O examinador não deverá inspirar profundamente antes de pronunicar cada palavra, pois, do contrário, correrá o risco de que cada início de emissão seja muito forte.
4. As melhores palavras para esta prova são as dissílabas, tais como casa, dama, tronco.
5. O examinador deverá assegurar-se de que o candidato não veja os seus lábios, pois neste caso, os resultados poderão ser afetados pela sua capacidade de leitura labial.
Fonte: Anexo IV da Resolução nº 267 do Conselho Nacional do Trânsito (CONTRAN)
Ver também:
50 - Distúrbios do sono e habilitação para conduzir veículos

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

891 - Palestra. Asma e DPOC

Esteve em Fortaleza para proferir uma conferência sobre Asma e DPOC o Dr. Oliver Nascimento, médico assistente da Disciplina de Pneumologia Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
O evento aconteceu na noite de quarta-feira (17 de agosto), no Hotel Gran Marquise, contando com o comparecimento de pneumologistas, pediatras e alergologistas que atuam em nossa cidade.
Diretrizes brasileiras para o manejo da DPOC
Tópicos
Asma e DPOC: doenças inflamatórias. ► Estimativas para o Brasil: 20 milhões de casos de asma e 7 milhões de casos de DPOC. ► Subdiagnóstico da DPOC relacionada a vários fatores, principalmente à baixa utilização da espirometria. ► LABA + LAMA vs LABA + CI ► Relvar (GSK): fluticasona 200 mg (p/ asma) e 100 mg (p/DPOC) + vilanterol 25mg ► Ellipta: inalador de pó seco c/ contador e de baixa resistência interna (fluxo inspiratório: a partir de 40 L/min) ► Internações por asma no Brasil: redução de 400 mil em 2002 para 200 mil em 2011.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

890 - Os cigarros de cravo da Indonésia

Os kreteks são cigarros aromatizados e também conhecidos como cigarros de Bali, devido à origem na Indonésia.
Diferenciam-se do cigarro comum pela adição de 30-40% de cravo à mistura de tabaco. Quando esse cigarro é fumado, a queima do cravo produz um som característico ("crec-crec") que deu origem ao nome.
Os cigarros do tipo kreteks produzem teores de alcatrão, nicotina e monóxido de carbono maiores que os cigarros comuns. A queima do cravo também produz outros compostos tóxicos. Além disso, o eugenol, que é um composto presente no cravo, possui um efeito anestésico, que faz com que o fumante inale mais profundamente a fumaça. E, por isso, esses cigarros causam danos mais graves à saúde. Diversos estudos científicos têm demonstrado que a incidência de câncer é maior nos fumantes de kreteks do que nos fumantes de cigarros comuns.
Fumantes de kreteks têm também risco maior de desenvolver asma e infecções respiratórias do que fumantes de cigarros convencionais. Como o cravo contém uma grande quantidade de eugenol, que tem um efeito anestésico, os fumantes tendem a aspirar maior quantidade de fumaça.
Fonte: Anvisa
Referências Bibliográficas
1.HEALTH CANADA. Clove and Herbal Cigarettes. Disponível em: http://www.hc-sc.gc.ca/hecs-sesc/tobacco/prof/cessation_ program/other_opt_en.html#10. 2.MALSON, JL, et. all. (2003). Clove cigarette smoking: biochemical, physiological and subjective effects. Pharmacol Biochem Behav. 2003:74;739–745. 3.HEALTH CANADA. Clove and Herbal Cigarettes. Disponível em: http://www.hc-sc.gc.ca/hecs-sesc/tobacco/prof/cessation_program/other_opt_en.html#10 4.AMERICAN CANCER SOCITY. The Tobacco Atlas. Disponível em: http://www.tobaccoatlas.org/typesoftobacco.html 5.LAVOIE, E.J. (1989). Toxicity Studies on Clove Cigarrete Smoke and Constituens of Clove: Determination of the LD50 of Eugenol by intratracheal Instillation in Rats and Hamsters. . Archieves of Toxicology 63:1-6, 1989. 6.CLARK, G.C. (1989). "Comparasion of kretek (clove cigarette) smoke with that of American cigarrete smoke", Archives of Toxicology 63:1-6. Disponível em: http://www.gethealthyclarkcounty.org/tobacco/bidis-kreteks.html
Vídeo

domingo, 7 de agosto de 2016

887 - Informação incompleta: o caso do pênis mordido pelo burro

Alguns relatórios médicos publicados dão informações incompletas, induzindo a frustração nos leitores intelectualmente curiosos.
Este estudo recém-publicado exemplifica o problema:
Total phallic reconstruction using the radial artery based forearm free flap after traumatic penile amputation (Reconstrução fálica total usando a artéria radial  em amputação peniana).Marco Falcone, MD, Giulio Garaffa, MD, PhD, FRCS(Eng), Amr Raheem, MD, Nim A. Christopher, MPhil, FRCS(Urol), and David J. Ralph, FRCS(Urol), Journal of Sexual Medicine, vol. 13, 2016, pp. 1119-1124.
Os autores, radicados em Londres, Reino Unido, Turim, Itália, e Cairo, Egito, relacionam as causas de amputação de pênis:
acidentes de trânsito (n = 3),
lesão por explosão (n = 3)
auto-amputação devido a um episódio agudo de esquizofrenia (n = 2),
gangrena de Fournier (n = 1)
mordida de burro (n = 1)
O estudo não inclui nenhuma informação adicional sobre o burro.
(http://www.improbable.com/2016/06/21/incomplete-info-the-case-of-the-donkey-bitten-member/)

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

886 - A cor para desencorajar o vício de fumar

As cores podem evocar uma série de associações e algumas delas, aparentemente, têm o poder de impactar negativamente com o nosso humor. É o caso da tonalidade Pantone 448 C, também chamada de "couché opaca", que lembra a cor de um esgoto de verdade.
No entanto, esta tonalidade recebeu uma importante missão. Em todo o espectro do arco-íris, foi aquela escolhida para desencorajar o tabagismo. Um breve olhar para esta amostra irá convencê-lo das habilidades para a quebra de vícios. Não é para os fracos de coração, mas aqui está:
Nojenta, certo? Voltemos a 2012, quando o governo australiano contratou a agência de pesquisas GfK para criar um novo design de embalagem para os produtos do tabaco. Sendo que, em vez da meta habitual de uma empresa de marketing, eles tiveram que fazer exatamente o oposto. Cada caixa de cigarros tinha de parecer tão desagradável quanto possível.
Três meses após, com sete estudos envolvendo mais de 1000 fumantes regulares, eles finalmente determinaram a cor mais desagradável – para ser impressa, juntamente com as novas advertências ilustradas, nas caixas de cigarros. Também estiveram no pelotão de frente: o verde-limão, o branco, o bege, o cinza-escuro, e a mostarda-marrom, que ficou em segundo lugar parecendo inclusive muito apetitosa (chocolatey!).
Proclamado o vencedor (ou o perdedor, neste caso), o governo anunciou-o pelo nome de "olive green" (verde-oliva). Mas, depois de uma carta urgente da Australian Olive Association, mudou o apelido para "drab dark brown" (marrom-escuro apagado).
(Sem ressentimentos, azeitonas?)
Graças à conclusão desses estudos coloridos, outros países também estão adotando a tonalidade. Como a Irlanda, o Reino Unido e a França (que aprovou recentemente a sua lei da "embalagem simples", com representações que caracterizam a tonalidade).
Agora, o "apagado" talvez possa ter conseguido o melhor papel de sua vida.
A cor do ano da Pantone em 2013, 2014 e 2015.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

885 - Palestra. Tendências na prevenção e tratamento da alergia pelo leite de vaca

O que considerar na decisão terapêutica e seus impactos na indução da tolerância oral
Esteve em Fortaleza para proferir a conferência Distúrbios funcionais do tubo digestivo no lactente a Dra. Ariana Campos Yang, do Serviço de Imunologia Clínica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina Universidade de São Paulo.
O evento aconteceu na noite de quinta-feira (28 de julho), no restaurante Cabaña del Primo, e contou com a audiência de pediatras, alergologistas e gastroenterologistas de nossa cidade.
Tópicos
Manifestações clínicas: urticária, angioedema, protocolite, refluxo gastroesofágico, dermatite atópica, esofagite eosinofílica etc. ► Classificação: IgE mediada (antígeno até 2 horas antes) – mista – não IgE mediada (antígeno até dias antes) ► A partir da manifestação clínica: qual é o mecanismo? ► "Urticária que vai e volta não é alergia alimentar" ► Mantra: teste de alergia não faz diagnóstico de alergia ► Componentes alergênicos do LV: beta lactoglobulina (termolábil), alfa lactoalbumina (termolábil), caseína, albumina sérica bovina (também na carne) etc. ► Leite de vaca x leite de cabra (92%) x leite de égua (4%) ► Restrição em paciente sensibilizado (não alérgico) aumenta risco de anafilaxia ► O "boom" das AA: parto cesáreo, fórmulas de LV, outros alimentos ► Ambiente x genética x microbioma ► Importantes: lactobacilos e bifidobactérias ► Linfócito: reagir? tolerar? – toda tolerância é aprendida ► Medidas fisiológicas: parto normal, retirada do cáseo só após 48 horas, aleitamento materno, fórmulas infantis com proteína intacta ► Não retardar a introdução dos alimentos sólidos ► Escolha da fórmula: 1) ser tolerada, 2) favorecer microbiota, 3) nutrição adequada e 4) promover tolerância ► O leite materno é rico em prebióticos; lactentes que não estejam em aleitamento materno exclusivo devem receber suplementos prebióticos
Imunoterapia - A dessensibilização alimentar
Link para um artigo publicado no Correio Braziliense em que a alergologista Ariana Yang é entrevistada.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

884 - Bocejar é contagioso

O bocejo, essa inspiração longa, com a boca aberta, e acompanhada pelo ato de espreguiçar, é mesmo um mistério. Teorias diversas já foram criadas para explicar por que acontece. Como a que relaciona o reflexo em questão com os momentos de baixo metabolismo do corpo.
Mas...
Que diz a intuição?
O bocejo é causado por tédio, fadiga ou sonolência. Aliás, é uma forma que o organismo encontrou para driblar o sono.
Bebês, antes mesmo de deixarem o útero materno, já foram vistos bocejando...
E esse reflexo não é privativo da espécie humana. Cães, gatos, ratos, pássaros e até cobras bocejam, sabiam?
Além disso, bocejar é contagioso.
"The yawn wave"

terça-feira, 26 de julho de 2016

883 - Embolia gasosa por gás hélio. Relato de 2 casos

Washington, 28/06/1996 -- Um menino saudável, de 13 anos de idade, experimentou um efeito potencialmente fatal para um divertimento quando ele inalou gás hélio diretamente de um tanque pressurizado. Depois de inalar o gás em uma festa, o menino ficou inconsciente, e teve uma convulsão durante dez minutos. No setor de emergência em que foi atendido, os médicos descobriram que ele havia sofrido uma embolia gasosa cerebral – um acidente vascular cerebral temporário causado por bolhas de ar na corrente sanguínea –, além de danos nos pulmões pela expansão pulmonar rápida e descontrolada. "Normalmente, inalar hélio de balões não causa problemas", diz Bing Pao, MD, autor principal do estudo. "Mas inalar o gás a partir de um tanque pressurizado pode ser potencialmente letal." Após o diagnóstico, o menino foi transferido para uma câmara hiperbárica na Universidade da San Diego, na Califórnia. Ele passou por várias sessões na câmara – um equipamento pressurizado para tratar o mal dos mergulhadores – e saiu completamente recuperado. Nos últimos anos, crianças e adultos têm inalado o hélio de balões (bexigas) para produzir vozes agudas (como de personagens dos desenhos animados). No entanto, os tanques pressurizados de hélio só recentemente tornaram-se disponíveis para o público nas festas. "Este é o primeiro caso, tanto quanto sabemos, de alguém que sofreu de uma embolia gasosa cerebral por inalar hélio", observa Dr. Pao. "Mas há um potencial para problemas futuros, especialmente para adolescentes". Fonte: American College of Emergency Physicians
http://goo.gl/HVYSsv

Uma cantora mirim japonesa entrou em coma depois que uma brincadeira durante um programa de televisão deu errado. A menina de 12 anos, que integra o grupo pop 3B Junior, participava de um jogo que envolvia mudar a própria voz inalando gás hélio, no dia 28 de janeiro. Depois desta brincadeira, ela ficou inconsciente. Acredita-se que a cantora, cujo nome não foi revelado, tenha sofrido uma embolia gasosa, o que restringiu o fornecimento de sangue para o cérebro. Alguns dias após, a menina saiu do coma, segundo o jornal Japan Today. Mas, depois de acordar, os movimentos dela estão limitados e a cantora não consegue falar claramente. O canal de televisão que gravou o jogo do qual a cantora participava, a TV Asahi, pediu desculpas à família dela. Eles afirmaram que a lata do gás hélio inalado pela cantora tinha a inscrição "apenas para uso de adultos", mas os produtores não viram o alerta. Inalar o gás hélio de balões para modificar a voz é um truque conhecido. Mas, em alguns casos, pode ser muito perigoso. "Além da voz fina, outros efeitos potenciais do gás hélio são tontura, dor de cabeça e asfixia", segundo a Agência de Saúde Pública da Grã-Bretanha. "Se alguém apresentar estes sintomas, ao inalar gás hélio, o conselho é levar a pessoa para respirar ar fresco imediatamente. Se os sintomas persistirem, pode ser necessário administrar oxigênio, obtenha então ajuda médica imediatamente", acrescentou a agência.
http://goo.gl/5L6x6C

sábado, 23 de julho de 2016

882 - Anvisa propõe proibir termômetros com mercúrio no país

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, abriu consulta pública para discutir a proibição da fabricação, da importação e a venda de termômetros e tensiômetros com coluna de mercúrio no país.
Esses aparelhos têm uma coluna transparente, contendo mercúrio no interior, com a finalidade de aferir os valores de temperatura corporal (no caso do termômetro) e pressão arterial (no caso do tensiômetro).
De acordo com a Anvisa, a proposta de proibir o uso desses equipamentos no país faz parte do compromisso do Brasil em banir produtos com mercúrio até 2020. "A Anvisa, assim como outros órgãos da administração pública, está comprometida com a Convenção de Minamata, onde 140 países, incluído o Brasil, firmaram compromisso para o controle do uso e redução de emissões e liberações do mercúrio para a natureza. Um dos compromissos é o banimento de produtos que contém mercúrio até 2020. A proibição da substância é uma tendência mundial".
A agência destaca que no mercado já existem os termômetros e tensiômetros digitais, alternativos aos com a coluna de mercúrio. "Esses dispositivos [digitais] também possuem a sua precisão avaliada compulsoriamente pelo Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade e são ambientalmente mais sustentáveis". A proposta propõe ainda o fim do uso dos equipamentos nos serviços de saúde do país.
Os comentários e sugestões para a consulta pública podem ser enviados em até 60 dias pela internet ou por carta para o endereço: Agência Nacional de Vigilância Sanitária/Gerência-Geral de Tecnologia de Produtos para Saúde, SIA trecho 5, Área Especial 57, Brasília-DF, CEP 71.205-050. As contribuições internacionais deverão ser direcionadas a Agência Nacional de Vigilância Sanitária/Assessoria de Assuntos Internacionais (Aint), no mesmo endereço.
Minamata
É uma cidade japonesa que sofreu graves conseqüências devido à contaminação por mercúrio. Centenas de pessoas morreram e milhares tiveram anomalias que acabaram passando para as novas gerações.
Na década de 30, uma empresa se instalou na região, a Chisso. A empresa, que fabricava acetaldeído (usado na produção de material plástico), jogava seus resíduos com mercúrio na baía da cidade, contaminando os peixes. Como a doença leva anos para se desenvolver, somente em 1956 começaram a surgir os primeiros casos da doença.
Os hospitais recebiam pessoas com os mesmos sintomas: problemas no sistema nervoso e no cérebro, causando dormência nos membros, fraquezas musculares, deficiências visuais, dificuldades de fala, paralisia, deformidades levando até mesmo à morte.
No princípio, as autoridades acreditavam que se tratava de uma epidemia, mas os gatos começaram apresentar doenças com as mesmas semelhanças. Somente de dez anos depois os médicos descobriram a causa: o consumo de peixe contaminado por mercúrio, a base da alimentação daquela população. Fonte:Cetem

quarta-feira, 20 de julho de 2016

881 - A tecnologia FORA MOSQUITOS

A função anti-mosquito foi incorporada em alguns televisores da marca LG que estão sendo comercializados na Índia. Os modelos com esta tecnologia emitem frequências ultrassônicas que são inaudíveis para os seres humanos, porém afugentam os mosquitos.
Transmissor da malária, da zika e de outras enfermidades, o mosquito é o animal mais mortífero da Terra, causando a morte de 725 mil pessoas a cada ano. A mudança climática não faz senão incentivar a proliferação deles. e o desenvolvimento de ideias para combater os mosquitos inclui o uso do laser.
A mesma tecnologia para repelir mosquitos também está presente em outros produtos do ramo indiano da empresa sul-coreana, como aparelhos de ar condicionado e máquinas de lavar louça, conforme pode ser lido na LG Electronics Sells Mosquito-Repelling TV in India.
Embora funcione mesmo se a TV estiver desligada, a empresa avisa que o recurso não pretende ser um substituto para outros sistemas e medidas de controle de mosquitos.
No Acta:
136 - Vacinadores voadores
396 - Aedes transgênico
569 - Picadas de insetos
834 - A técnica do inseto estéril
860 - O painel mata-mosquito
Pensamento:
"Em um mundo melhor mosquito chuparia gordura em vez de sangue."
Sátira:
Poema sobre uma noite de amor

domingo, 17 de julho de 2016

880 - A redução do consumo de sal pelo brasileiro

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), os adultos não devem consumir mais do que 5g de cloreto de sódio (sal de cozinha) diariamente. Entretanto, o consumo diário médio do brasileiro é de 12 g, mais do que o dobro do recomendado.
O problema é que esse excesso de sódio no organismo pode provocar doenças como a hipertensão arterial, além de complicações cardiovasculares e renais.
Para conscientizar a população sobre os riscos desse consumo exagerado de sal, o Ministério da Saúde criou em 2011 um programa de cooperação para reduzir o sódio de alimentos em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (ABIA). Graças a essa iniciativa, desde o início do acordo até o final de 2015, mais de 14,9 toneladas de sódio já foram retirados dos produtos processados.
A meta é que, até 2020, 28,5 toneladas sejam retiradas da alimentação dos brasileiros.
O plano de redução tem quatro etapas, sendo que os dados de três dessas fases já estão sendo divulgados. Os alimentos das três etapas iniciais foram: pão de forma, bisnaguinha, macarrão instantâneo, bolos, snacks de milho, maionese, biscoitos, margarinas, cereais matinais, caldos e temperos.
No ano que vem serão divulgados os dados de redução de sódio para os seguintes produtos: empanados, hambúrgueres, linguiça, mortadela, presunto, queijo mussarela, requeijão, salsicha e sopas.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

879 - A revisão do Código de Ética Médica

Está aberta à participação dos médicos e das entidades da sociedade civil a revisão do atual Código de Ética Médica.
As contribuições para a revisão, que já podem ser enviadas e apresentadas por meio do hotsite www.rcem.cfm.org.br, são muito importantes para discutir e aperfeiçoar a prática profissional, frente às necessidades da sociedade brasileira e aos avanços científicos e tecnológicos.
Atualmente, o Código de Ética Médico, revisto e atualizado em 2009, é composto de um preâmbulo com seis incisos, além de 25 incisos de princípios fundamentais, 10 incisos de normas diceológicas (direitos profissionais), 118 artigos de normas deontológicas (deveres) e quatro incisos de disposições gerais.
A Linha do Tempo do Código
1867 - Gazeta Médica da Bahia publica uma tradução portuguesa do Código de Ética Médica da Associação Médica Americana.
1929 - O Boletim do Sindicato Médico Brasileiro publica o Código de Moral Médica, uma tradução do código de mesmo nome aprovado pelo VI Congresso Médico Latino Americano.
1931 - É aprovado no I Congresso Médico Sindicalista o Código de Deontologia Médica, que também estabeleceu a criação de um “Conselho de Disciplina Profissional”.
1945 - Surge o primeiro Código de Ética Médica oficialmente reconhecido pelo Governo brasileiro (Decreto-lei nº 7.955). Além de pôr em vigor o citado Código, o texto, aprovado no IV Congresso Médico Sindicalista, criou os Conselhos Federal e Regionais de Medicina.
1953 - É elaborado o Código de Ética da Associação Médica Brasileira, baseado no juramento de Hipócrates e na declaração de Genebra, adotada pela Organização Mundial de Saúde, e no Código Internacional de Ética Médica.
1965 - Já no âmbito dos Conselhos de Medicina, foi inspirado em códigos sueco, americano e inglês.
1984 - Com algumas modificações, entra em vigor um novo Código, agora Código de Deontologia Médica.
1988 - Como parte do processo de redemocratização, o novo Código resultou da 1ª Conferência Nacional de Ética Médica. O texto foi considerado bastante avançado para a época, por contemplar questões amplas no âmbito da medicina, da saúde e da sociedade.
2009 - Trouxe avanços que envolveram áreas importantes como conflitos de interesses, ensino médico, terminalidade da vida, novas tecnologias e autonomia profissional.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

878 - Carros estacionados ao sol ficam perigosamente quentes

Citações por especialistas
"As crianças morrem em carros com a temperatura tão baixa quanto 17 graus. Basicamente, o carro torna-se uma estufa. Em 21 graus, em um dia de sol, depois de meia hora, a temperatura no interior de um carro é de 40 graus. Depois de uma hora, pode chegar a 45 graus."
- Jan Null, professor adjunto na Universidade Estadual de San Francisco [http://noheatstroke.org/]
Quando as temperaturas exteriores variam entre 27 e 38 graus, a temperatura dentro de um carro estacionado ao sol pode rapidamente subir para entre 54 e 78 graus.
- Centro de Controle e Prevenção de Doenças
Em termos de calor, o aumento ao longo de um tempo, faz pouca diferença se as janelas de um carro estão fechadas ou parcialmente abertas. Em ambos os casos, a temperatura no interior de um carro pode subir de cerca de 40 graus, dentro de uma hora, até mesmo quando a temperatura exterior é apenas de 22 graus.
- American Academy of Pediatrics, estudo  de 2005
Mesmo em um dia relativamente frio, a temperatura no interior de um carro estacionado pode rapidamente subir a níveis perigosos se faz sol lá fora, afirmam pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Stanford. Eles esperam que essa descoberta acabe com o equívoco de que um carro estacionado pode ser um lugar seguro para uma criança ou um animal de estimação em clima ameno. "Há casos de crianças que morreram em dias amenos quanto 21 graus" disse a autora Catherine McLaren, MD instrutora em medicina de emergência. "Embora investigações anteriores tenham documentado os picos de temperatura dentro de um carro em dias extremamente quentes, esta é a primeira vez que alguém olha para os dias mais frios".
- Carros estacionados ficam perigosamente quentes, mesmo em dias frios, estudo da Universidade de Stanford de 2005
Aumento médio da temperatura no interior de uma veículo fechado, com o tempo

sexta-feira, 8 de julho de 2016

877 - A descoberta da praia

Édouard Manet
Até o século 18, a beira-mar não era um lugar que as pessoas fossem para relaxar. Nos tempos antigos, era onde você podia correr o risco de ser atacado por monstros marinhos como Cila e Caríbdis, piratas sanguinários ou mesmo pegar a varíola. Então, algo mudou. O historiador da Universidade de Sorbonne Alain Corbin explora esta história incomum no livro "The Lure of the Sea: The Discovery of  the Seaside in the Western World, 1750-1840" (O Fascínio do Mar: A Descoberta da Praia no Mundo Ocidental, 1750-1840), uma das fontes para um artigo fascinante na revista Smithsonian sobre a "invenção da praia":
Por volta de meados do século 18, de acordo com Corbin, as elites europeias começaram a divulgar as qualidades curativas do ar fresco, dos exercícios e dos banhos de mar. Especialmente na Grã-Bretanha, onde aristocratas e intelectuais estavam preocupados com a própria saúde. Eles viam os trabalhadores, nas fábricas e novas cidades industriais, com a destreza física reforçada através do trabalho. Em comparação com estes, as classes economicamente superiores pareciam frágeis e decadentes. A noção do "mar restaurador" nascia. Médicos prescreviam um mergulho em águas frias para revigorar e animar. O primeiro resort à beira-mar foi aberto na costa oriental da Inglaterra, na pequena cidade de Scarborough, perto de York. E outras comunidades costeiras surgiram para atender uma clientela cada vez maior de banhistas, que procuravam tratamento para uma série de condições: raquitismo, lepra, tuberculose, gota, impotência, problemas menstruais, melancolia e histeria. Em uma versão anterior da cultura de bem-estar de hoje, a prática de banhos de mar havia entrado para o mainstream.
Descrevendo esta reviravolta notável do "despertar irresistível de um desejo coletivo para a costa marítima", Corbin conclui que, em 1840, a praia passou a significar algo novo para os europeus. Tornou-se um lugar de consumo humano; um cobiçado "escape" da cidade e do trabalho penoso da vida moderna. A ascensão da indústria e do turismo facilitou este processo cultural e comercial. A viagem tornou-se acessível e fácil. e famílias da classe média buscavam a costa em números cada vez maiores. "On the beach" (na praia), no jargão dos marinheiros, em vez da conotação de desamparo (ser preso ou deixado para trás), agora transmitia a ideia de saúde e prazer. E o termo "vacation" (férias), antes utilizado para descrever uma ausência involuntária no trabalho, era a partir de então um interlúdio desejado. (PGCS)
Inventing the Beach: The Unnatural History of a Natural Place (Smithsonian)
The Lure of the Sea: The Discovery of the Seaside in the Western World, 1750-1840 (Amazon)

terça-feira, 5 de julho de 2016

876 - A ressonância magnética dos órgãos genitais masculinos e femininos durante o coito e a excitação sexual feminina

Autores: Willibrord Weijmar Schultz, professor associado de ginecologia, Pek van Andel, fisiologista, Ida Sabelis, antropóloga, Eduard Mooyaart, radiologista
Resumo
Objetivo: Para saber se a tomada de imagens dos órgãos genitais masculinos e femininos durante o coito é viável e para descobrir se as idéias anteriores e atuais sobre a anatomia durante a relação sexual e durante a excitação sexual feminina são baseadas em suposições ou em fatos.
Desenho: Estudo observacional.
Ambiente: Hospital Universitário, na Holanda.
Métodos: A ressonância magnética foi usada para estudar a resposta sexual feminina e masculina e a órgãos genitais femininos durante o coito. Treze experimentos foram realizados com oito casais e três mulheres solteiras.
Resultados: As imagens obtidas mostraram que durante o coito na posição do missionário o pênis tem a forma de um bumerangue e 1/3 do seu comprimento consiste na raiz do pênis. Durante a excitação sexual feminina sem penetração o útero foi levantado e a parede vaginal anterior foi alongada. O tamanho do útero não aumentou durante a excitação sexual.
Conclusão: Tomar imagens de ressonância magnética dos órgãos genitais masculinos e femininos durante o coito é viável e contribui para a compreensão da anatomia.
BMJ 1999 ; 319 doi: http://dx.doi.org/10.1136/bmj.319.7225.1596 (publicada em 18 de Dezembro de 1999)
O vídeo histórico dessa ressonância magnética já ultrapassou a marca de 4,5 milhões de visualizações no YouTube.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

874 - Exercício Kegel

Vamos combinar o seguinte:
Popeye e Brutus testam a força, Olívia, a elasticidade, e vocês leitores, a argúcia.
– Esta cena foi antes ou depois do espinafre?
– AE. Caso contrário Olívia apareceria faltando um braço no episódio subsequente.
N. do E.
Quando os braços de Olívia Palito são esticados, as pernas também respondem. Na verdade, isso tudo está sendo para Olívia um exercício Kegel (para fortalecer os músculos do assoalho pélvico).