sexta-feira, 24 de março de 2017

963 - Medicina tibetana e a passagem da luz

Certa vez visitei o Hospital de Medicina Tradicional, em Lhasa, onde as paredes são revestidas com 76 thangkas enormes - imagens que ilustram os processos pelos quais o corpo humano se supõe funcionar, e que são usados ​​como um auxílio no diagnóstico e tratamento. O chefe do hospital explicou o seu uso, que nestes dias é complementado por técnicas como raios-X e ultrassom. Apesar do fato de que eles não se encaixam com a nossa concepção ocidental de como o corpo funciona, foi surpreendente como muitas vezes o seu uso levou a um diagnóstico correto.
Um dia vou escrever um livro sobre eles - ou, pelo menos, vou terminá-lo já que foi iniciado. Nele, vou comparar o uso tibetano dos thangkas com a maneira pela qual o físico escocês Jame Clerk Maxwell diagnosticou corretamente a passagem das ondas eletromagnéticas (como ondas de luz ou ondas de rádio) através do espaço, apesar de usar um modelo que agora sabemos ser absurdo.
O modelo de Maxwell retratava o espaço como sendo preenchido com uma substância tênue, invisível e fluida, chamada de éter. Ele imaginou que o éter estaria cheio de vórtices de contra-rotação que agiriam como rodas de engrenagem para fazer passar uma perturbação ao longo do mesmo, e seu diagnóstico consistiu em escrever um conjunto de quatro equações para descrever este modelo em termos matemáticos.
Ainda hoje usamos essas equações. Elas são tão corretas quanto as medições podem provar, e até mesmo diante dos efeitos relativistas, ainda que Einstein só tenha desenvolvido suas teorias da relatividade algumas décadas mais tarde.
Mas, como sabemos agora, o éter não existe. O que só mostra que a correção de um diagnóstico não significa que a imagem que usamos para alcançá-lo também esteja correta. Meu único artigo publicado na filosofia expande essa ideia, mas não precisa de uma filosofia profunda para captar o ponto principal: modelos e imagens são uma grande ajuda para o pensamento, mas o fato de que eles funcionem não significa que devemos segui-los literalmente - na ciência, na medicina, ou mesmo pela vida inteira.
In: lenfisherscience.com, traduzido por PGCS

terça-feira, 21 de março de 2017

962 - Um corpo exposto ao vácuo espacial

A versão da NASA, após a realização de experiências relevantes, é que se você acabou exposto ao vácuo do espaço não vai explodir, como mostram nos filmes, mas:
  • Você tem de 9 a 11 segundos de consciência. 
  • A evaporação da água e a saída de ar dos pulmões deixam a boca e o nariz praticamente congelados; o resto do corpo arrefece, porém mais devagar. 
  • Em seguida, vem um período de paralisia, seguido de convulsões e mais paralisia. 
  • A formação de vapor d'água nos tecidos frouxos e no sangue venoso fazem com que o corpo fique com quase o dobro do tamanho. 
  • Caem o ritmo cardíaco e a pressão arterial, enquanto a evaporação da água faz subir a pressão venosa, fazendo cessar a circulação após cerca de 60 segundos. 
  • Final. 
Portanto, se alguma vez você for exposto ao vácuo do espaço não vai ter mais do que 5 ou 10 segundos para reagir e alguns segundos mais para que alguém livre você do problema.
¿Explota un brazo si lo expones al vacío?
No Acta Pulmonale:
492 - Sem a roupa espacial

sábado, 18 de março de 2017

961 - Sob a pele

Os sistemas do corpo humano representados como um mapa de metrô:

quarta-feira, 15 de março de 2017

960 - Maternidade, ao estilo russo



"Maternidade, ao estilo russo" dá uma olhada íntima às mães russas modernas e como elas estão criando seus filhos hoje. Ao pesquisar este livro, Tanja Maier entrevistou centenas de mães russas, vivendo em Moscou, em muitos cantos da Rússia e, literalmente, em todo o mundo. Este livro leva o leitor em uma viagem através de todos os aspectos sobre a criação de crianças, à maneira russa. Apesar de suas muitas abordagens individuais, existem alguns elementos unificadores da maternidade russa, colocando as mães russas modernas muito confortavelmente em algum lugar entre as mães tigres asiáticas e os estilos dos pais mais relaxados na América e Europa.

AS MATRIARCAS
Apesar de costumes tão estranhos quanto colocar os bebês para tomar uma brisa a 10 graus Celsius negativos na varanda, elas também foram tomadas pela febre Montessori ou dos partos na banheira. Oito tendências e tradições das mamães russas, entre as que foram descritas por Tanja Maier, uma americana que viveu na Rússia por quase uma década, estão neste artigo da Gazeta Russa que me foi enviado pelo colaborador Jaime Nogueira.

domingo, 12 de março de 2017

959 - Mortífero ar

Existem lugares no mundo onde a Mãe Natureza realmente pode matar. De tempestades mortais a erupções vulcânicas, há ameaças em toda parte.
E, de todas as zonas de perigo da Terra, qual é a mais mortal?
Ella Davies divide a Terra em seus quatro elementos (água, ar, terra e fogo) para descrever suas zonas de perigo.
AR
Uma série de "lagos assassinos" foram encontrados na África, mas não é a água que é a preocupação.
No lago Nyos, na República dos Camarões, e no Lago Kivu, na fronteira da República Democrática do Congo e do Ruanda, há um perigo invisível. Estes lagos sentam-se em áreas de atividade vulcânica onde o dióxido de carbono escapa de abaixo do solo.
Durante uma "erupção línica", o dióxido de carbono explode do fundo do lago para formar uma nuvem. Porque o gás é mais pesado que o ar, ele desce, afastando o oxigênio e sufocando qualquer vida na área. Depois de duas erupções na década de 1980, que mataram mais de 1.700 pessoas e 3.500 animais em Camarões, especialistas desenvolveram métodos para aliviar com segurança o Nyos de seu gás, usando tubos e sifões.
Um desastre em potencial foi revertido no lago Kivu, onde há também o gás metano que escapa da Terra. Um projeto foi estabelecido para usar o gás sifonado de modo a obter energia e levar eletricidade para milhões de pessoas. Mas não são apenas os gases que podem matar. O próprio ar pode provocar um castigo mortal quando os ventos se tornam brutais.
O Cabo Denison na Antártida é, em uma média anual, o lugar mais ventoso na Terra. Sem surpresa, é desabitado.
No entanto, as tempestades sazonais causam devastação em áreas povoadas em todo o mundo.
As tempestades mais fortes se formam sobre oceanos quentes ao norte e ao sul do equador. Aqui, os ventos alísios são impulsionados pela mudança de pressão e girados pelo efeito Coriolis, criando sistemas meteorológicos rotativos conhecidos como furacões, ciclones e tufões.
Quando se trata dessas tempestades, o Haiti é considerado a ilha mais vulnerável do Caribe. Não só se encontra em uma estrada de furacão, mas o país atingido pela pobreza carece de resiliência. Os assentamentos são construídos em planícies de inundação, as defesas naturais do país como florestas foram degradadas, e sua economia não é suficiente para financiar sistemas de alerta.
Isso explica por que as tempestades mais intensas não são necessariamente as mais mortíferas.
Jörn Birkmann é especialista em riscos de desastres naturais na Universidade de Stuttgart, na Alemanha. Ele diz que os ciclones são perigosos porque são difíceis de prever.
"É importante mencionar que as pistas ciclônicas mais prováveis ​​mudarão seu padrão espacial", diz ele. "Isso significa que os ciclones ocorrerão em algumas regiões que não viram ciclones antes ou apenas muito poucos. Portanto, estas regiões estão altamente em risco, já que as pessoas e as comunidades não têm ou têm muito pouco conhecimento sobre como se preparar para ciclones".
Birkmann faz parte da equipe que compila anualmente o Relatório Mundial dos Riscos, publicado pela Universidade das Nações Unidas. Que destaca os países mais vulneráveis ​​às catástrofes naturais, tendo em conta tanto a sua exposição como a sua resiliência, com a intenção de concentrar os esforços globais em sua proteção.
Em 2016, Vanuatu encabeçou a lista. Mais de um terço da população da ilha é afetada por desastres naturais a cada ano. Em 2015, um terremoto, uma erupção vulcânica e um severo ciclone incidiram na ilha em apenas algumas semanas e 11 pessoas foram oficialmente consideradas mortas.
Este número de mortes relativamente baixo é um testemunho dos esforços globais para proteger as pessoas de desastres naturais: tanto durante, com infra-estrutura melhorada, como depois, com melhores esforços de ajuda. Para comparação, as piores perdas de vidas devido a um ciclone aconteceram em novembro de 1970, quando Bangladesh foi atingido pelo ciclone Bhola. Quase 500 mil pessoas morreram.
Ler o artigo na íntegra: The places on Earth where nature is most likely to kill you, site BBC.

quinta-feira, 9 de março de 2017

958 - Cálculo/calcular

A origem dessas duas palavras está na palavra grega kalyx para seixos ou pedras pequenas. As manipulações de pedras pequenas em tábuas de contagem para fazer operações aritméticas conduziram aos significados matemáticos atuais de cálculo e calcular.
A raiz de cascalho ainda está presente no uso médico da palavra cálculo, o termo utilizado para designar formações pétreas de composições diversas (cálcio, colesterol, urato etc.) no organismo humano, em especial nas vias urinárias e biliares, e também nos animais, podendo causar enfermidades.
O nome para o elemento cálcio vem da mesma raiz. O prefixo "calci" geralmente está relacionado ao cálcio ou ao calcário de alguma forma.
VÍDEO
PEDRA NOS RINS c/ o Dr. Drauzio Varella
Ao contrário do que se pensa, não faz bem beber água em grande quantidade quando se tem uma crise de cólica renal por cálculo.

segunda-feira, 6 de março de 2017

sexta-feira, 3 de março de 2017

956 - A Coca-Cola do Japão

Lembra uma garrafa de leite, mas é só a Coca-Cola tentando parecer saudável ;-)
Débora Schach, 10/02/2017, Blue Bus
O rótulo branco já deixa claro que essa Coca-Cola não é como os demais refrigerantes da marca. A "Coca-Cola Plus", lançada no Japão, está sendo promovida como a versão "mais saudável" entre todas as variações da bebida. Ela contém 5 gramas de dextrina indigestível, também conhecida como fibra dietética, e nada de calorias nem açúcar. Segundo a fabricante, a "Coca-Cola Plus" ajuda a reduzir a absorção de gordura dos alimentos, desde que o consumo seja limitado a 1 garrafa por dia, durante as refeiçoes.
 Esta versão do refrigerante foi desenvolvida em resposta à preferência cada vez maior dos japoneses por comidas e bebidas saudáveis. E já que a Coca-Cola não pode exatamente chamar a "Coca-Cola Plus" de "saudável", está se referindo à novidade como "Tokuho Cola". No Japão, "Tokuho" é a abreviação de uma expressão que se refere à comida para um uso específico. Como, por exemplo, para a saúde.
Para completar, na página do produto – acredite –, a Coca-Cola usa inclusive a imagem de um médico, de jaleco branco e tudo, segurando uma garrafa da bebida.
 Não parece aqueles anúncios de antigamente em que médicos recomendavam o consumo de cigarros?

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

955 - Miniaturas de uma coleção médica e herbal do século XII

Maravilhosa série de miniaturas de um manuscrito do final do século XII que se pensava ser proveniente da Inglaterra ou do norte da França, outrora propriedade do mosteiro de Ourscamps, ao norte de Paris, e agora na coleção da Biblioteca Britânica. Descrições de plantas herbáceas (incluindo Cannabis), além de vários procedimentos médicos medievais, como a cauterização e a remoção de hemorroidas, também são mostrados. O manuscrito é o lar de mais de duzentas destas imagens, abaixo uma pequena amostra delas.
Jaime Nogueira

Miniatures from a 12th-century medical and herbal collection, The Public Domain Review

sábado, 25 de fevereiro de 2017

954 - A descoberta do oxigênio

"A sensação de que (o oxigênio puro) para os pulmões não foi sensivelmente diferente da do ar comum; Mas eu achava que meu peito se sentia particularmente leve e fácil por algum tempo depois. Quem pode dizer, mas que, com o tempo, este ar puro pode tornar-se um artigo de moda de luxo. Até agora, apenas dois ratos e eu tivemos o privilégio de respirar." ~ Joseph Priestley (1733-1804)
O laboratório no qual Priestley descobriu o oxigênio em Bowood House.
Em março de 1774, Joseph Priestley escreveu para várias pessoas o que diz respeito ao novo "ar" que tinha descoberto. Uma dessas cartas foi lida em voz alta para a Royal Society em um documento descrevendo o descobrimento, intitulado "An Account of Further Discoveries in Air" ("Uma Conta de Novos Descobrimentos no Ar", em português), que foi publicado na revista Philosophical Transactions of the Royal Society. Priestley chamou a nova substância de "ar deflogisticado", em que ele fez sua famosa experiência de focalizar os raios do sol sobre uma amostra de óxido de mercúrio. Ele foi o primeiro que testou em ratos, que surpreenderam-no sobrevivendo pelo bastante tempo numa armadilha cheia com o "ar", e depois sobre si mesmo, escrevendo que era "cinco ou seis vezes melhor do que ar comum para efeitos de respiração, inflamação e, creio, qualquer um outro uso para o ar atmosférico normal". Em 1778, o gás foi renomeado oxigênio (O2) por Lavoisier.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

952 - Depósito de bichas (1877)

Venda e aluguel de bichas, diretamente de 1877. Um raro achado publicitário que revela a história da medicina. Segundo nossas fontes:
Bicha ou sanguessuga é um verme anelídeo e hematófago provido de duas ventosas, muito utilizada como terapêutica médica no Brasil oitocentista, quando a medicina ainda dava os seus primeiros passos.
"As bichas ou sanguessugas eram conservadas em um grande vaso de vidro, com água, e não eram alimentadas senão de vez em quando, com açúcar ou leite, a fim de que permanecessem sempre esfomeadas, prontas para sugarem o sangue quando fossem aplicadas sobre a pele do paciente previamente besuntada com açúcar." - H. de Friburgo
Anúncio veiculado no jornal "O Estado de São Paulo" no dia 12 de outubro de 1877:
(matéria enviada por Jaime Nogueira)
239 - T-rex na Amazônia
532 - O barbeiro-cirurgião
597 - Métodos de sangria
598 - As coletoras de sanguessugas

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

951 - Reinventando o fogo para salvar vidas

Em muitos países do mundo ainda é comum utilizar a lenha, o carvão e outros combustíveis sólidos (esterco e resíduos de colheitas) para cozinhar, o que prejudica a qualidade do ar interior e exterior. Um novo estudo analisou o impacto dessas emissões na saúde humana e do clima, e concluiu que a eliminação progressiva deste tipo de cozimento evitaria a morte de 22,5 milhões de pessoas até 2100 e ajudaria a reduzir as temperaturas globais.
Fogões de carvão e madeira são essenciais para aquecer e cozinhar em muitas partes do mundo, Três bilhões de pessoas no mundo têm quase somente a madeira e o carvão para estas necessidades. A maioria delas vive em áreas rurais da Ásia, como a Índia e a China, da Indonésia e América Latina. Em algumas regiões da África sub-saariana a dependência ao carvão e à lenha é quase total.
O banimento seria impensável na atualidade. Simplesmente, em grande parte do mundo, não há a opção do gás natural, por exemplo. Mas há a lenha. Uma alternativa seria incentivar o uso de fogões de combustível sólido, que são mais limpos e mais eficientes, e que apresentam menor consumo de combustível e de emissão de fumaça.
Um exemplo destes fogões é o HomeStove, da BioLite, um fogão que consome metade do combustível, diminui as emissões de fumaça em 90 por cento ou mais e, por extensão, reduz os efeitos ambientais adversos e as mortes associadas à poluição dentro das casas e no exterior.
A cozinha aproveita o calor para produzir eletricidade
Reinventar el fuego para salvar vidas, El País

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

950 - A capacidade de errar do DNA

"A capacidade de errar um pouco é a verdadeira maravilha do DNA. Sem esse atributo especial, ainda seríamos bactérias anaeróbias e não haveria a música."
~ Antoine-Thomson d 'Abbadie
Quando se trata de cadeias de DNA, uma ínfima mudança de ordem pode incorrer em uma grande alteração no fenótipo. Chimpanzés e seres humanos diferem em apenas 1% de seus genótipos, mas estas diferenças se espalham por 80% de nossos cerca de 30 mil genes. Dessa maneira, existem duas espécies distintas.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

949 - Ondas cerebrais como opção de senha

Em New Scientist: Brainwaves could act as your password – but not if you’re drunk (Ondas cerebrais podem servir de senha - mas não, se você estiver bêbado).
As ondas cerebrais estão entre os indicadores biométricos que podem servir como uma opção de senha. A ideia é que uma pessoa poderia provar a sua identidade por meio da eletroencefalografia (EEG). Por exemplo, em vez de digitar uma senha no teclado, o computador poderia mostrar uma série de palavras na tela e medir a resposta do usuário no EEG. A assinatura eletroencefalográfica é única para cada pessoa e mais complexa do que qualquer senha, o que a torna muito difícil de ser violada.
De acordo com o pesquisador Tommy Chin, da empresa de consultoria de segurança cibernética Grimm, a precisão da assinatura eletroencefalográfica ronda os 94 por cento, embora a eletroencefalografia pode ser facilmente alterada por influências externas, tais como drogas, cafeína ou álcool, . "Por esta razão, verificar a identidade de uma pessoa pode ser um desafio se o usuário tiver bebido grandes quantidades de álcool ou café". Fome, estresse, exercícios físicos e fadiga mental também reduzem a confiabilidade das leituras, por isso, um sistema de identificação por EEG teria de considerar todos esses fatores.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

sábado, 4 de fevereiro de 2017

947 - Provérbios medicinais


Quem vai ao médico e ao boticário, em pouco tempo está nas mãos do vigário.
Quem usa e abusa do xarope, vai para a cova a galope.
Se tens sezão ou maleita, toma quinino e põe fora a receita.
Tomar remédios sem critério é ir direto ao cemitério.
O homem adoece, o médico trata, mas sempre diz que Deus é quem mata.
Entre os bons médicos não há nenhum que de três doentes cure um.
Não tenhas medo da homeopatia, pois nenhum mal faz a água fria.
Quem os remédios dispensa, está isento da doença.
Eis os remédios de verdade: asseio, ar puro e sobriedade.
Quem tem diarreia tome bismuto, que a tripa seca num minuto.
Para enxaqueca ou dor de dente, não há remédio: é ser paciente.
Quem for prudente não visite casa onde há doença em "ite".
X. Malmequer
Revista Careta, 13 de fevereiro de 1909 - edição 37
(texto transcrito com atualização ortográfica)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

946 - Em pé

♿ Um novo tipo de cadeira de rodas para ajudar as pessoas paraplégicas a ganharem mais independência.
♿ Desenvolvido por pesquisadores nos EUA, o protótipo tem como objetivo melhorar a mobilidade dos paraplégicos e de outros usuários de cadeira de rodas.
♿ Usando um sistema de apoio hidráulico e a transmissão por corrente, os usuários podem alterar a sua posição de sentado para... em pé!

domingo, 29 de janeiro de 2017

945 - O salve da arma

Em inglês: weapon salve.
O salve da arma era uma tentativa de curar uma ferida causada por uma arma branca com uma preparação herbal aplicada não à própria ferida, mas à lâmina da arma que a causou.
Essa crença em uma ação a distância era comum no século 17 entre os seguidores da medicina de Paracelso. Normalmente, o bálsamo incluía o sangue da ferida causada pela arma.
Uma forma de simpatia em que a arma e a ferida estavam unidas magicamente, já que uma causou a outra.
Fonte: Blog Professor Bruce M. Hood
- Eu suspeito de que parte do sucesso dessa prática devia-se ao fato de que os médicos, concentrando-se na arma, evitavam infectar o corpo ferido.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

944 - A promessa de novos analgésicos

Por milhares de anos, os seres humanos têm usado os extratos da papoula (uma flor da família das Papaveraceae) para o alívio da dor. Nos últimos 200 anos, o ópio e a mais refinada morfina e seus derivados têm sido o remédio para o alívio da dor, particularmente após a cirurgia. Mas os efeitos colaterais são temíveis. Enquanto nada melhor para o alívio da dor for encontrado, os cientistas estão trabalhando com os opioides para separar os efeitos analgésicos dos outros efeitos.
Os opioides tradicionais - incluindo a morfina, o potente fentanil sintético e o Vicodin - todos agem ligando-se aos receptores opioides no sistema nervoso. Estes receptores são de três tipos: μ (mu ou mi), κ (kappa) e δ (delta). É no receptor mu-opioide que os opioides fazem sua magia, ativando uma cascata de sinalização celular que desencadeia seus efeitos analgésicos. Na linguagem da neurociência, os opioides são "agonistas" dos receptores mu, ao contrário dos "antagonistas", que são compostos que se ligam a um receptor e o bloqueiam, impedindo a sinalização celular. Quando um opioide se liga com o receptor mu-opioide, ele reduz ao final a participação dos nervos que comunicam a dor. Isto, naturalmente, é o efeito desejado.
Infelizmente, isso não é tudo o que ele faz. Opioides também liberam o neurotransmissor dopamina, que causa euforia e pode levar ao vício. Compostos como este também inibem as células nervosas de disparar de uma forma mais geral, incluindo as regiões do cérebro que regulam a respiração - o que pode ser perigoso. Ao tomar excessivamente  de um opiáceo, você pode parar de respirar e morrer. Isso é o que é a overdose. O CDC estima que 91 americanos morrem diariamente de uma overdose de opioides. Os efeitos colaterais também vão de uma prisão de ventre e náuseas até o rápido desenvolvimento de uma tolerância de modo que serão necessárias doses progressivamente maiores para se obter o mesmo efeito.
Mas... e se pudéssemos refinar o ópio só para atuar nos receptores mu e não nos outros? Isso diminuiria a dor sem inibir a respiração? Várias novas formulações estão em andamento, incluindo a Oliceridina, que funciona ainda mais rápido do que a morfina e está agora em fase III de ensaios clínicos.
Fonte: America's long-overdue opioid revolution is finally here, Smithsonian magazine

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

943 - Na Trilha do Tempo (PNI)

"Deus não pode querer que Sua obra seja maculada, permitindo que se inocule no homem a linfa de um ser inferior, como é a vaca." Papa Pio VII
1771
 Registro da inoculação da vacina, pela primeira vez, na Inglaterra.
1778
 Publicação, por Edward Jenner, do seu trabalho sobre vacínia (varíola em bovinos).
1796
 A primeira vacina foi descoberta por Edward Jenner, que sistematizou os conhecimentos empíricos e criou a vacina, de forma a prevenir a varíola, a partir da pústula formada pelo vírus vaccinia nas tetas das vacas.
1804
 Chegada da vacina contra a varíola ao Brasil, por iniciativa do Barão de Barbacena. O Barão enviou escravos a Lisboa para que fossem imunizados à maneira jenneriana e, ao retornarem, continuavam a vacinação de braço a braço.
1808
 Criação da primeira organização nacional de Saúde Pública no Brasil e do cargo de Provedor-Mor de Saúde da Corte e do Estado do Brasil, caracterizando o início da história da Saúde Pública no País.
Extraído do Programa Nacional de Imunizações (PNI): 40 Anos.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

942 - A tecnologia e a profissão de radiologista

"Um dia eu tentei ver se eu poderia passar o dia inteiro sem falar com ninguém. E foi isso que aconteceu... Não falei com uma única pessoa." - Um radiologista
Como a radiologia foi a primeira especialidade médica a ser informatizada, o que aconteceu com ela - ao mesmo tempo chocante e, em retrospecto, totalmente previsível - é o nosso canário na mina de carvão digital, sua experiência oferece importantes lições para pacientes, clínicos e sistemas de saúde.
Quando os radiologistas tiram um selfie em grupo:
Ver também:
42 - Como se fosse fotografia

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

941 - Mesentério

Gente,
O mesentério sempre existiu. Mas, com a classificação proposta, ele vai melhorar muito a visibilidade.

sábado, 14 de janeiro de 2017

940 - Amendoim: uma mudança no jogo

por Roni Rabin
Amendoim - ou, pelo menos, manteiga de amendoim e amendoim em pó - estão de volta ao menu de bebês e crianças. Em uma reversão significativa dos conselhos anteriores, novas diretrizes nacionais de saúde estão exortando os pais a dar precocemente a seus filhos alimentos que contenham amendoim, começando muitas vezes quando eles são crianças, como uma maneira de ajudar a evitar alergias ao amendoim com risco de morte.
As novas diretrizes, emitidas pelo National Institute of Allergy and Infectious Diseases (Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas), recomenda dar a bebês puré contendo pó de amendoim aos 6 meses de idade, ou mesmo antes, se a criança está propensa a alergias. É seguro fazê-lo. Nunca se deve dar a um bebê amendoim inteiro ou pedaços de amendoim, dizem especialistas, porque há perigo de asfixia.
Se forem amplamente implementadas, as novas diretrizes têm potencial para reduzir drasticamente o número de crianças que desenvolvem uma das alergias alimentares mais comuns e mortais, disse o Dr. Anthony Fauci, diretor do instituto, que chamou a nova abordagem de "uma mudança no jogo".
As novas diretrizes poderiam marcar o fim das proibições de sanduíches com manteiga ou geleia de amendoim tão comuns em refeitórios escolares? "Se pudermos colocar isso em prática, durante um período de vários anos, eu não ficaria surpreso se visse uma diminuição dramática na incidência de alergias ao amendoim", diz Fauci.
As alergias a amendoim são responsáveis por mais mortes de anafilaxia, ou constrição das vias aéreas, do que qualquer outra alergia alimentar. Embora as mortes sejam raras, as crianças que desenvolvem uma alergia ao amendoim geralmente não conseguem superá-la e devem ser vigiadas para evitar o amendoim pelo resto de suas vidas.
Siga lendo: Feed Your Kids Peanuts, Early and Often, New Guidelines Urge, The New York Times

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

939 - Brasil em alerta para a febre amarela

A febre amarela (CID-10: A95) é provocada por um vírus transmitido pela picada de mosquitos infectados. No ciclo silvestre, em áreas florestais, o vetor da febre amarela é principalmente o mosquito do gênero Haemagogus. A maior preocupação das autoridades sanitárias é evitar o retorno da forma urbana da doença, feita por meio da transmissão do Aedes aegypti, cujo número de criadouros no País é considerado alto. O último caso registrado de febre amarela urbana no Brasil ocorreu no Acre, em 1942.
A infecção se instala quando uma pessoa que nunca tenha contraído a febre amarela ou tomado a vacina contra a doença é picada por um mosquito infectado.
As primeiras manifestações dessa doença são repentinas: febre alta, calafrios, cansaço, dor de cabeça, dor muscular, náuseas e vômitos por cerca de três dias. A forma mais grave da doença é rara e costuma aparecer após um breve período de bem-estar (até dois dias), quando podem ocorrer insuficiências hepática e renal, icterícia (olhos e pele amarelados), manifestações hemorrágicas e cansaço intenso. A maioria dos infectados se recupera bem e adquire imunização permanente contra a febre amarela.
As mortes de duas pessoas e de vários macacos contaminados pela febre amarela puseram o país em alerta e fizeram o Ministério da Saúde reforçar a orientação sobre a importância da vacinação. A vacina contra a febre amarela é ofertada no Calendário Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) e deve ser dada a qualquer pessoa que reside ou vai viajar para regiões silvestres, rurais ou de mata.

domingo, 8 de janeiro de 2017

938 - Tricorder médico

É um dispositivo portátil para escaneamento que pode ser utilizado por qualquer pessoa, servindo para autodiagnosticar condições médicas, em questão de segundos, e coletar sinais vitais básicos.
Um pensamento comum em relação aos tricorders é o de que eles serão aparelhos de propósito geral (multifuncionais), como o canivete suíço, sendo capazes de medir a pressão sanguínea, a temperatura corporal e o fluxo sanguíneo de uma forma não invasiva.
Tal gênero de dispositivo é capaz de analisar o estado pessoal de saúde depois de analisar os dados coletados, tanto na forma de um dispositivo individual (sem qualquer tipo de conexão), quanto um que esteja ligado a bancos de dados médicos através de uma conexão com a internet.
A ideia de um tricorder médico veio de um dispositivo imaginário da série televisiva de ficção científica ''Star Trek'', dos anos 1960.
Funções de um tricorder médico
Há um consenso que esse gênero de dispositivo seja capaz de fazer o seguinte:
  • Diagnosticar doenças.
  • Tomar medidas pessoais do estado clínico, como a frequência cardíaca.
  • Monitorar o estado clínico de um indivíduo.
  • Resumir o estado de saúde de uma pessoas.
  • Confirmar, de maneira rápida, se um pessoa é saudável ou não. Essa função deve operar de forma similar às lâmpadas indicadoras de mau funcionamento de um automóvel.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

937 - Wilhelm Röntgen

Wilhelm Conrad Röntgen (Lennep, 27 de março de 1845 — Munique, 10 de fevereiro de 1923)
Foi um físico alemão que, em 8 de novembro de 1895, produziu a radiação electromagnética nos comprimentos de onda correspondentes aos atualmente chamados raios X.
Em 28 de dezembro, ele anunciou na Universidade de Würzburg, através do artigo "Ein neue Art von Strahlen" (Sobre uma nova espécie de Raios), ter feito uma fotografia de raios X da mão de sua esposa (imagem ao lado).
Em janeiro, ele já era famoso. Ao longo de 1896, cerca de 50 livros e 1000 artigos apareceram sobre o assunto. E uma revista dedicada ao assunto foi fundada em maio de 1896.
Até os dias atuais, nenhuma das suas conclusões foi considerada falsa. Atualmente, Röntgen é considerado o pai da radiologia, a especialidade médica que se utiliza de imagens para o diagnóstico das doenças.
Ver também:
11 - Abreu, inventor da abreugrafia
42 - Como se fosse fotografia
464 - Werner Forssmann
A primeira fotografia de raios X nos EUA foi feita pelo Dr. Henry Louis Smith, um professor de física e astronomia da Davidson College. Mostrou a localização de uma bala na mão de um cadáver, usando uma exposição de 15 minutos. Imediatamente depois que ele ouviu pela primeira vez a descoberta de Röntgen na Alemanha, Smith pegou a mão do cadáver e disparou uma bala nela, para essa experiência. Em fevereiro de 1896, ele publicou essa fotografia de raios X no Charlotte Observer.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

936 - Isto me surpreendeu

Trigo, arroz e milho... têm genomas mais complexos do que nós, seres humanos.
http://b-gat.es/2h7PZSl

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

935 - Já existe uma vacina eficaz contra uma variante do Ebola

Uma vacina experimental (VSVD-ZEBOV) contra o vírus Ebola mostrou ser 100 por cento eficaz, de acordo com um estudo publicado em The Lancet, nesta quinta-feira.
Esses resultados oferecem a esperança de proteção contra a doença que atingiu a África Ocidental em 2014, matando mais de 11 mil pessoas.
A vacina foi administrada em pessoas na Guiné que estiveram em contato com doentes de Ebola. Poucos meses após os primeiros testes, a Organização Mundial de Saúde disse que os resultados preliminares foram "extremamente promissores".
De um total de 5.837 pessoas que receberam vacina nenhuma apresentou o Ebola depois de 10 dias ou mais, de acordo com o estudo. Entre as que não receberam a vacina imediatamente, houve 23 casos.

sábado, 24 de dezembro de 2016

933 - Papai Noel Baseado em Evidências

por Luis Cláudio Correia (*)
Publicado In: Medicina Baseada em Evidências, 24/12/2015
Papai Noel existe? Essa é uma pergunta comum nesta época do ano. Considerando que este Blog se propõe a discutir a veracidade dos fatos sob o paradigma científico, precisamos abordar esta importante questão, a qual impactará na vida de milhares de famílias nas próximas horas.
Partimos inicialmente do Princípio da Hipótese Nula, o qual afirma que todo fenômeno é inexistente até que se prove o contrário (prova científica). Esta é a justificativa para eventualmente nos questionarmos sobre a existência de Papai Noel. Ou seja, duvidar faz parte do pensamento científico. Mas não podemos parar por aqui, temos que evoluir nosso pensamento.
Devemos evoluir e nos perguntar se a presente questão se adequa ao Princípio da Plausibilidade Extrema. Este princípio se aplica a situações de exceção, onde o fenômeno é tão plausível, que dispensamos comprovação científica. Por exemplo, na prática clínica ter uma boa relação médico-paciente, saber ouvir e conversar com nosso cliente, representa uma habilidade que deve ser utilizada, mesmo sem um ensaio clínico randomizado demonstrando que a boa relação é benéfica. É extremamente plausível que um médico atencioso faz bem ao seu paciente e por isso aplicamos (ou devemos aplicar) essa abordagem mesmo na ausência de evidência científica.
A existência de Papai Noel é extremamente plausível. Isto porque esta existência só se materializa se formos capazes de acreditar. Se acreditarmos, Papai Noel existirá, se não acreditarmos, ele desaparecerá (ou não aparecerá). É um perfeito exemplo do Princípio da Plausibilidade Extrema, que deve ser aplicado apenas a situações especiais, onde dispensamos a necessidade de demonstração e ficamos como a verdade, simplesmente porque aquela verdade é indubitável. Há também plausibilidade extrema do benefício em se acreditar em Papai Noel. Óbvio que esta crença faz bem para a alma, portanto devemos nutri-la. E não faz bem apenas para crianças, para adultos também. Nós todos devemos acreditar em Papai Noel.
É tão plausível que ao imaginarmos um ensaio clínico randomizado para provar esta questão, percebemos que o resultado deste seria previsível. Imaginem que vamos randomizar famílias, metade para acreditar em Papai Noel e metade para não acreditar. É óbvio que nas famílias que acreditarem, as árvores acordarão repletas de presentes, enquanto nas famílias randomizadas para não acreditar, as árvores estarão vazias, se é que nestas casas haveria árvores de natal. É tão óbvio que seria anti-ético fazer esse estudo.
Poderíamos então fazer um estudo observacional. Observem como o Natal de famílias crentes em Papai Noel é mais mágico do que o Natal de famílias descrentes. Percebam que todo esse pensamento é baseado em uma sequência lógica que respeita dos princípios da medicina baseada em evidências. Mas para aqueles que ainda permanecem com o Princípio da Hipótese Nula a despeito de meus argumentos, vamos fazer um teste: amanhã, ao acordar, se houver presentes na árvore, estará provado que Papai Noel passou em sua casa.
Na verdade, todo mundo acredita em Papai Noel, mesmo aqueles que fingem não acreditar.
Feliz Natal a todos.
(*) Luis Cláudio Correia é Professor Livre Docente em Cardiologia, Doutor em Medicina e Saúde e Professor Adjunto da Escola Bahiana de Medicina

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

932 - A pulseira que neutraliza os tremores do Parkinson

O Parkinson é uma doença que afeta o sistema nervoso, causando falta de coordenação e tremores. Nos casos mais comuns, a enfermidade é reconhecida pelos tremores nos braços e pernas, o que faz com que o portador necessite da assistência de outras pessoas para realizar as tarefas mais simples do quotidiano.
A ciência tenta ajudar os portadores desta enfermidade de várias maneiras, embora a mais importante e prioritária continue sendo a busca da cura. Enquanto não se chega a esse ponto, há invenções que tentam tornar mais fácil a vida dos enfermos, como esta pulseira que lhes permite escrever e, até mesmo, desenhar.
É um projeto da Microsoft Research para o programa BBC2 The Life Big Fix. Liderados por Haiyan Zhang, diretor de inovação do programa, seus pesquisadores criaram uma pulseira ou bracelete que contrabalança os tremores das mãos. O dispositivo se baseia no funcionamento de pequenos motores que emitem microvibrações contrárias aos movimentos involuntários do braço. Assim, compensando seus  tremores na medida do possível, é que as pessoas afetadas pelo Parkinson podem voltar a escrever.
A primeira pessoa a usá-la foi Emma Lawton, uma ilustradora e escritora de 33 anos, que tem o diagnóstico de mal de Parkinson desde os 29. Graças a esta pulseira, não muito maior do que um SmartWatch, ela pôde voltar a escrever com boa qualidade.
É um conceito, ainda não é um produto final a ser vendido. A ideia e seu desenvolvimento está nas mãos da Microsoft, a qual poderá torná-la disponível a qualquer empresa do mercado.

sábado, 17 de dezembro de 2016

931 - Cientistas imaginários influentes, nestes tempos de fatos imaginários influentes

Por que falsificar dados quando você pode falsificar um cientista?
Inventar nomes e currículos é um dos mais recentes truques em Ciência.
Essa é a manchete de um artigo na revista Nautilus, escrito por Adam Marcus e Ivan Oransky. Aqui está parte do artigo:
 ... O fato é que o avanço profissional para cientistas de todo o mundo está se tornando um desafio cada vez maior em uma era de financiamento para a investigação científica cada vez mais escasso e, com isso, apertando a competição por pontos no corpo de pesquisadores. Para ter sucesso no ambiente de publicar-ou-perecer da academia, a maioria dos cientistas tranca-se no laboratório e joga dentro das regras. Alguns, porém, abrem uma escotilha....
[Uma] da maior parte das novas fraudes de hoje é incrivelmente simples: invente novas pessoas.
Jesús Ángel Lemus é um médico veterinário espanhol que perdeu 13 trabalhos por retratação devido à falta de veracidade em seus dados. Essa conduta não é tão incomum - mesmo 13 retrações não coloca Lemus entre os 30 maiores pesquisadores por retrações. O que torna Lemus interessante é que ele parece ter criado um coautor fictício para cinco de seus artigos, um "big Xavier" (cujas vagas filiações, ironicamente, fizeram dele um grande homem no campus da Universidade de Castilla -La Mancha ). É difícil entender por que o fato de aumentar o número de autores seja também uma forma de aumentar a aparente credibilidade de um estudo, especialmente se eles acontecem em uma prestigiada instituição.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

930 - Artrite reumatoide. Cartilha para pacientes

Le déjeuner des canotiers (O almoço dos barqueiros), 1880, Renoir
Pierre-Auguste Renoir (1841-1919), um dos mais célebres pintores de todos os tempos e um dos mais importantes nomes do movimento impressionista, sofreu com as manifestações da artrite reumatoide durante grande parte de sua vida. A doença do pintor se iniciou por volta dos 50 anos, tornou-se agressiva a partir de 1903, quando ele tinha cerca de 60 anos, e levou-o à quase completa incapacidade após os 70 anos. Embora as deformidades que a artrite reumatoide impingiu a Renoir tenham sido incapacitantes, o pintor nunca deixou de pintar ou apresentou queda na qualidade de suas obras em função da doença. Sua obra é uma prova de imensurável magnitude da capacidade de superar a dor e a limitação física.
A Sociedade Brasileira de Reumatologia usou uma reprodução deste quadro do pintor impressionista francês Renoir como ilustração da capa de Artrite Reumatoide. Cartilha para pacientes.  

domingo, 11 de dezembro de 2016

929 - NICOLELIS. Palestra e lançamento de livro



Jornal GGN - Miguel Nicolelis, neurocientista brasileiro e líder do projeto "Andar de Novo", fará uma palestra gratuita na próxima segunda-feira (12), no Instituto Sedes Sapientae (Rua Ministro Godoi, 1484, Perdizes), em São Paulo - SP.
"A sociedade tem que entender que ciência é essencial, que a ciência é dela, e é uma forma de defender a soberania da sua cultura e do seu país. Se não dominarmos a indústria do conhecimento de ponta do século 21, quem vai pagar o preço é a sociedade brasileira. De várias maneiras: custo alto para tudo, saúde, energia, comida", afirma o cientista, que irá contar a experiência de realizar um projeto científico na periferia de uma capital do nordeste brasileiro.
Na abertura da Copa do Mundo de 2014, o paraplégico Juliano Pinto (foto) apresentou o exoesqueleto construído pelo projeto de Nicolelis. "Tenho esperança de tentar aproveitar essa tecnologia para tratar múltiplas doenças neurológicas", afirma o cientista.
Para ele, a soberania do Brasil está diretamente ligada com o desenvolvimento tecnológico, que inclui avanços na área espacial, energética, eletrônica, robótica, nanotecnológica e biotecnológica.
Nicolelis é professor titular da Duke University (EUA) e criou o projeto do Campus do Cérebro no Rio Grande do Norte.
Na palestra, que terá a mediação da jornalista Eleonora de Lucena, ele irá autografar seu livro "Made In Macaíba" (A história da criação de uma utopia científico-social no ex-império dos Tapuias.)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

928 - As 7 Bruxas da Menopausa


Comichona, Maliciosa, Suarenta, Dorminhoca, Inchada, Esquecida e Psíquica.

(Bits and Pieces)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

927 - O amor nos tempos do smartphone



Se você, às vezes, é tentado a perguntar: "Qual é a relação entre o smartphone com multitarefas e a intimidade romântica?". Então, podemos lhe recomendar que leia este paper, na Psychological Reports, de 5 de agosto de 2016, intitulado: Intimacy and Smartphone Multitasking — A New Oxymoron?
"Esta pesquisa sugere que o smartphone com a função multitarefas tem uma associação negativa com as interações cara a cara. As pessoas ficam atentas aos custos de seus smartphones durante essas interações."
A imagem (ao lado) é amplamente atribuída ao renomado artista Bansky, do Reino Unido, e eu só criei o título da postagem.

Que é oxímoro?

Ver também:
O amor nos tempos da gripe 1 e 2.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

926 - Uma cadeira especial para uma cadela especial

Esta é Bella. A cadela foi diagnosticada como tendo megaesôfago congênito, logo após haver sido encontrada quando tinha 4 meses de idade.
Isto significa que o seu esôfago é dilatado. Mas o órgão não tem a mobilidade muscular necessária para engolir os alimentos enquanto Bella está na posição horizontal.
Bem, esta é sua Bailey Chair, a cadeira especial para cães com megaesôfago em que ela precisa se sentar, enquanto come e por 10 minutos depois que come. Ela come alimentos macios próprios para cães, porém misturados com um pouco de água.
Ela está agora com sete meses de idade e vai indo muito bem!

terça-feira, 29 de novembro de 2016

925 - Microcefalia e outras complicações pelo vírus Zika iniciadas após o nascimento da criança

O Center for Disease Control and Prevention, o CDC, em colaboração com pesquisadores dos Estados Unidos e do Brasil, investigou a primeira série de recém-nascidos com evidência laboratorial de infecção congênita pelo vírus Zika em que foi documentada o início da microcefalia após o nascimento.
Um relatório, publicado na semana passada (dia 22), no Morbidity and Mortality Weekly Report, do CDC, descreve 13 lactentes no Brasil com a infecção congênita pelo vírus Zika, que não tinham microcefalia ao nascimento e que, posteriormente, experimentaram um retardo no crescimento da cabeça. Entre essas crianças, 11 mais tarde desenvolveram microcefalias que foram acompanhadas por complicações neurológicas significativas. Embora a microcefalia não estivesse presente no momento do nascimento, as crianças tinham outras lesões consistentes com a síndrome de Zika, congênita.
O estudo revelou que, entre os filhos de mães expostas ao vírus Zika durante a gravidez, a ausência de microcefalia ao nascimento não descarta a infecção congênita pelo vírus Zika nem a presença de anormalidades cerebrais relacionadas ao vírus.
Os resultados do estudo também destacaram a importância das recentes orientações do CDC sobre as avaliações médicas-  iniciais e continuadas - das crianças com possível infecção congênita pelo vírus Zika congênita e o uso da neuroimagem precoce para recém-nascidos que foram expostos ao vírus Zika no período pré-natal.
Notas relacionadas:
803 - MS confirma relação entre vírus zika e microcefalia
824 - Parceria Brasil–EUA para a vacina contra o vírus Zika
829 - Microcefalia. Perguntas e respostas

sábado, 26 de novembro de 2016

924 - ORL, a especialidade médica filha da luz

Discurso de Abertura
Sebastião Diógenes Pinheiro
Presidente de honra
"Gostaríamos de saudar os componentes da mesa no nome do presidente da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cervicofacial - Dr. Sady Selaimen Costa, que por ordenação estatutária é o presidente executivo do 45º Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cervicofacial; saudar todos os palestrantes no nome do Dr. Michael Paparella, que muito nos honra com a sua presença; saudar todos os congressistas no nome do presidente da Sociedade Cearense de Otorrinolaringologia e Endoscopia Peroral - Dr. André Alencar Araripe Nunes; saudar o Dr. Jorge Alberto Spinosa e os demais colegas da Colômbia, o país convidado; e uma saudação especial a todos os expositores, amigos solidários na realização dos nossos eventos.
Prezados colegas e familiares.
Pedimos vênia para principiar a nossa mensagem informando que os ilustres congressistas estão na Terra da Luz, como tradicionalmente é conhecido o Ceará, porque foi a pioneira província do Brasil Império a abolir a escravidão negra, fato histórico memorável acontecido em 25 de março de 1884 - portanto, quatro anos de o Brasil fazê-lo.
Recorrendo a um raciocínio por analogia, ousamos afirmar-lhes, para orgulho de nossa gente, que os senhores e senhoras, figuras solares da otorrinolaringologia nacional e internacional, encontram-se, por sua vez, na Cidade Luz, assim, o proclamamos Fortaleza neste período luminoso, de 25 a 28 de novembro de 2015, porque tem a fortuna de sediar o  - considerado o maior evento científico brasileiro da especialidade em importância e em número de participantes.
A Otorrinolaringologia (ORL) é uma especialidade médica filha da luz, desde a luz que alumia os nossos campos de atuação àquela que resplandece da sabedoria dos otorrinolaringologistas que exercem a profissão nos seus mais diversos aspectos: no ensino na graduação médica; na pós-graduação latu sensu stricto sensu; na especialização; na pesquisa científica; e nas atividades médicas assistenciais clínicas e cirúrgicas. Trata-se de uma das mais antigas e complexas especialidades médicas, cuja atuação compreende o estudo, o diagnóstico, o tratamento e a prevenção das doenças que afetam órgãos sensoriais, tais como a olfação, a gustação, o equilíbrio e a audição, bem como, os organismos da respiração, da deglutição e da fase efetora da linguagem falada. Destaca-se, ainda, o grande avanço na medicina do sono e na cirurgia craniomaxilofacial, alcançando, nestas últimas décadas, o estado de arte na cirurgia estética da face."
[...]
Inicial do discurso de abertura do 45º Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cervicofacial, em Fortaleza, proferido por Sebastião Diógenes Pinheiro (foto), presidente de honra do Congresso. Este trecho foi transcrito das páginas 272-273 de Semeando Cultura, uma antologia da Sobrames-CE que tem entre os autores o médico otorrinolaringologista Sebastião Diógenes. Notar que o orador/escritor, após se referir ao Ceará como Terra da Luz e à Fortaleza como Cidade Luz, com grande propriedade descreve a sua mui amada ORL como "uma especialidade médica filha da luz". Navegando à vol d'oiseau sobre os extensos campos da luminosa especialidade que abraçou.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

923 - Queimaduras por raios

Ser atingido por um raio não é divertido. Além de saber que você irritou o todo-poderoso Zeus, você pode sofrer as consequências de queimaduras terríveis (mesmo tendo a sorte de ter escapado de uma parada cardíaca).
Essas queimaduras (lightning flowers ou, menos romanticamente, figura de Lichtenberg) deixam estranhas figuras na pele que lembram samambaias. São causadas pela passagem da corrente elétrica de um raio por vasos cutâneos e podem durar de algumas horas a meses. Há sempre um ponto central a partir do qual a queimadura se propagou para os locais mais distantes. Braços, costas, pescoço, peito ou ombros são as regiões do corpo em que essas lesões são mais observadas.
Elas podem ser indicadores úteis. Se os paramédicos trazem o seu corpo inconsciente, e o médico vê essa estranha tatuagem, ele vai saber imediatamente que você precisa de tratamento para os efeitos da queda de um raio.
N.B. Nem toda queimadura por raio produz exatamente o resultado descrito nesta postagem.
No Acta:
82 - Descargas atmosféricas
577 - Um câncer curado por raio
687 - Raios em domicílio
Ver também: The Sullivan Show

domingo, 20 de novembro de 2016

922 - "O homem que matou um bilhão de pessoas"

Thomas Midgley Junior (18 de maio de 1889 — 2 de novembro de 1944), engenheiro mecânico e químico estadunidense.
Midgely foi uma figura chave na equipe de químicos, liderados por Charles Kettering, que desenvolveu o chumbo tetraetila, um aditivo à gasolina, bem como alguns dos clorofluorocarbonos (CFCs).
Ao longo de sua carreira, foi concedida a Midgely mais de uma centena de patentes. Apesar de elogiado por suas contribuições científicas (Priestley Medal, 1941), os impactos ambientais negativos de algumas das inovações de Midgley mancharam seu legado, a ponto de ser conhecido, na cultura popular, como "O homem que matou 1 bilhão de pessoas".
Midgley morreu três décadas antes dos efeitos do CFC na camada de ozônio da atmosfera se tornarem amplamente conhecidos.
Outro efeito negativo do trabalho Midgely foi a liberação de grandes quantidades de chumbo na atmosfera, como resultado da combustão em larga escala de gasolina com chumbo em todo o mundo. Altos níveis de chumbo na atmosfera tem sido associada com sérios problemas de saúde, uma vez que o chumbo se acumula no corpo humano (estima-se que um estadunidense tenha em seu sangue hoje 625 vezes mais chumbo do que uma pessoa que tenha vivido antes de 1923 - data do início da adição de chumbo à gasolina).
J.R McNeill, um historiador do ambiente, observou que Midgley "teve mais impacto na atmosfera do que qualquer outro organismo na história da Terra".
Em 1940, com a idade de 51, Midgley contraiu poliomielite, que o deixou gravemente incapacitado. Isso o levou a inventar um elaborado sistema de cordas e roldanas para ajudar os outros a levantá-lo da cama. Este sistema foi a provável causa de sua própria morte, ao enredá-lo em suas cordas e matá-lo por estrangulamento, com a idade de 55 anos. O chumbo tetraetila e os CFCs foram colocados na ilegalidade, mas não há nenhuma informação de que o invento que o matou foi depois banido.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

921 - O recorde da longevidade

Ninguém viveu mais tempo do que Jeanne Calment, nascida na França e que morreu em 1997 com a idade de 122 anos e 164 dias.
Dado o número crescente de pessoas que rompem a barreira de 100 anos, e considerando-se o aumento constante da expectativa (ou esperança) de vida, os cientistas pensavam que o seu recorde de longevidade seria quebrado de forma relativamente rápida. Isso simplesmente não aconteceu.
Há uma grande diferença, ao que parece, entre a expectativa de vida, que é o número médio de anos que um grupo de indivíduos nascidos no mesmo ano consegue viver, e a idade máxima alcançável por um dos membros do grupo.
Em um estudo publicado na Nature, o geneticista molecular Jan Vijg e sua equipe no Albert Einstein College of Medicine, no Bronx, sugerem que vida humana tem um limite natural, e que nós provavelmente nunca excederemos o valor máximo acima registrado.
Hitting a wall: Reported age of death of supercentenarians. (Image: Dong et al., 2016/Nature)
Ler mais: Why the-human lifespan ends at 122, GIZMODO
Ler também: Os supercentenários, EntreMentes

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

920 - Um sangue novo para as baterias

A chave para a produção de melhores baterias recarregáveis estaria no sangue.
Na hemoglobina - a metaloproteína que capta o oxigênio nos pulmões e transporta-o pelo sistema circulatório para todo o corpo.
Pois bem, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Yale acaba de encontrar que a biomolécula tem um novo papel a cumprir. Desta vez, nas baterias de lítio.
Ler o artigo no Computer Hoy.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

919 - Fibrose cística. Manifestações pulmonares

A fibrose cística (FC), também chamada de mucoviscidose, é uma doença genética autossômica recessiva. Embora predomine na população caucasiana, com incidência de 1:3.000 nascidos vivos, pode estar presente em todos os grupos étnicos. No Brasil, a incidência ainda é ignorada, contudo estudos regionais mostram dados estatísticos variáveis que sugerem uma incidência em torno de 1:7.000 no país como um todo. A vida média dos pacientes com FC tem aumentado nos últimos anos, alcançando a terceira década, resultado do diagnóstico precoce e do tratamento especializado instituído nas fases iniciais da doença.
A FC é uma doença multissistêmica, sendo o acometimento pulmonar responsável pela maior morbimortalidade dos pacientes. O acúmulo de muco nas vias aéreas inferiores é uma das características-chave da fisiopatogenia da doença pulmonar, assim como a presença de reação inflamatória predominantemente neutrofílica e infecção bacteriana. As alterações pulmonares iniciam nas vias aéreas menores e são progressivas, evoluindo para o surgimento de bronquiectasias, fibrose pulmonar e cor pulmonale. Os principais componentes do muco viscoso das vias aéreas dos pacientes com fibrose cística são a mucina e o pus derivado do DNA (ácido ribonucleico) intracelular liberado pela degranulação dos neutrófilos.
Diagnóstico clínico
A tosse crônica, a esteatorreia e o suor salgado são os sintomas clássicos da FC. Entretanto, a gravidade e a frequência dos sintomas são muito variáveis e podem ser diferentes conforme a faixa etária, mas a maioria dos pacientes apresenta-se sintomática nos primeiros anos de vida. Ao nascer, 10%-18% dos pacientes podem apresentar íleo meconial.
O sintoma respiratório mais frequente é a tosse persistente, inicialmente seca e aos poucos produtiva, com a eliminação de escarro de mucoide a francamente purulento. A radiografia de tórax pode inicialmente apresentar sinais de hiperinsuflação e espessamento brônquico, mas, com o decorrer do tempo, podem surgir atelectasias segmentares ou lobares. O achado de bronquiectasias é mais tardio. As exacerbações da doença pulmonar caracterizam-se por aumento da tosse, dispneia, mal-estar, anorexia e perda de peso. Insuficiência respiratória e cor pulmonale são eventos finais.
Sinusopatia crônica está presente em quase 100% dos pacientes. Polipose nasal recidivante ocorre em cerca de 20% dos casos e pode ser a primeira manifestação da doença.
Distensão abdominal, evacuações com gordura e baixo ganho de peso são sinais e sintomas fortemente sugestivos de má-absorção intestinal que, na maioria dos casos, deve-se à insuficiência pancreática exócrina.
No sistema reprodutor, observam-se puberdade tardia, azoospermia em até 95% dos homens e infertilidade em 20% das mulheres.
Diagnóstico laboratorial
O diagnóstico da FC é clínico, podendo ser confirmado pela detecção de níveis elevados de cloreto e sódio no suor ou por estudo genético com a identificação de 2 mutações para fibrose cística. O teste mais fidedigno é a análise iônica quantitativa do suor estimulado por pilocarpina. Consideram-se positivos os valores de cloreto e sódio no suor; 60 mEq/l, em pelo menos 2 aferições.
Os exames da função pulmonar, como a espirometria, mostram distúrbio ventilatório obstrutivo. Considera-se o volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) o melhor parâmetro da função pulmonar para a monitorização da doença respiratória.
Tratamento
O tratamento das manifestações pulmonares de pacientes com fibrose cística deve incluir um programa de fisioterapia respiratória, hidratação, tratamento precoce das infecções respiratórias e fluidificação de secreções.
Alfadornase: é uma solução purificada de desoxirribonuclease recombinante humana para uso inalatório, que reduz a viscosidade do muco por hidrólise do DNA extracelular, derivado do núcleo de neutrófilos degenerados, presente no muco dos pacientes com fibrose cística e um dos responsáveis pelo aumento da sua viscosidade. A dose recomendada para a maioria dos portadores de fibrose cística é uma ampola de 2,5 mg, 1 vez ao dia, utilizando nebulizador recomendado para alfadornase. Alguns pacientes, especialmente os de mais idade e com maior comprometimento pulmonar, podem se beneficiar com a administração 2 vezes ao dia. Recomenda-se que alfadornase seja nebulizada pelo menos 30 minutos antes da fisioterapia respiratória. Deve-se ter especial cuidado com os nebulizadores utilizados, sendo importante sua limpeza e desinfecção, de acordo com recomendações técnicas vigentes. Considerar também a possibilidade de instilação de alfadornase diretamente nas vias aéreas inferiores através de fibrobroncoscopia na presença de alterações radiológicas causadas por obstrução ou impactação mucoide das vias aéreas. O tratamento é contínuo, sem duração previamente definida. Espera-se melhora da função pulmonar desde o primeiro mês de tratamento1 e que haja redução das exacerbações pulmonares ao longo do tempo. Os possíveis benefícios esperados com o tratamento são melhora do VEF1, da qualidade de vida, da hiperinsuflação pulmonar e diminuição da frequência das exacerbações respiratórias.
(Portaria SAS/MS nº 224, de 10/05/10, retificada em 27/08/10)
O Sistema Único de Saúde (SUS) incorporou recentemente a Tobramicina inalatória no combate às infecções respiratórias que acometem esses doentes. a nova tecnologia traz vários benefícios em relação aos dados de funcionamento do pulmão, como o ganho de 12% na função pulmonar aferida pelo VEF1 e a redução nas colônias de bactérias que causam essas infecções. Outro dado importante é a redução de 26% nas internações desses pacientes.
No SUS também são disponibilizados aos pacientes de FC: acompanhamento médico regular, suporte dietético, utilização de enzimas pancreáticas, suplementação vitamínica (vitaminas A, D, E, K) e fisioterapia respiratória.
534 - A doença do beijo salgado
745 - Fibrose cística

terça-feira, 8 de novembro de 2016

918 - "Vem a meu jardim"

O cirurgião italiano Gianfranco Fineschi (1923-2010) conseguiu combinar a ciência com o humanismo e a cultura.
Na cidade de Cavriglia, criou o Roseto Botanico Carla Fineschi, com 6.400 espécies de rosas, em memória de sua esposa. O criador do "Louvre das Rosas" considerava-se um romântico sensível a este gênero de flores. Com elas conversava, mantinha diálogos de amor e conhecia os sentimentos de cada uma delas.
Basta ver o dístico que colocou na entrada da sua fantástica coleção. Uma frase de Sheridan:
"Vem a meu jardim. Eu quero que as minhas rosas te vejam".
Fineschi alcançou a fama internacional neste domínio. Em agosto de 2000, Le Monde lhe dedicou uma página inteira.

sábado, 5 de novembro de 2016

917 - Carbono, a base da vida

Em estado puro e dependendo de como estão dispostos seus átomos, este elemento pode formar tanto o mineral mais duro que ocorre na natureza, o diamante, como um dos mais brandos, o grafite. Organizados em hexágonos e formando lâminas, os átomos de carbono dão lugar ao grafeno, um material do qual vocês certamente ouviram falar, nestes últimos anos, por causa de suas "incríveis" propriedades mecânicas e elétricas.
Mas, como se fosse pouco, o carbono é o elemento fundamental para a vida.
As propriedades químicas do carbono permitem a este elemento unir-se a uma grande quantidade de átomos distintos para formar moléculas enormes e complexas. De fato, a química do carbono é tão variada que é capaz de formar mais compostos químicos do que o resto dos elementos da tabela periódica juntos. Por isso não é de estranhar que exista a química orgânica, um ramo da química dedicado ao estudo dos compostos formados pelo carbono
Não há dúvida de que o carbono quaternário com a sua sociabilidade levou as coisas longe demais. PGCS
Na gravura acima - Não são moléculas curtindo o período da pagodeira. Elas pertencem à classe dos nanoputians, moléculas orgânicas cujas fórmulas estruturais lembram seres humanos. Elas são especialmente sintetizadas para que apresentem essas características antropomórficas.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

916 - Alerta contra a sífilis

Todos os tipos de sífilis – adulto, em gestantes e congênita (em bebês) – são de notificação
obrigatória no país há cinco anos.
No Brasil, de 2014 para 2015, a sífilis adquirida teve um aumento de 32,7%, a sífilis em gestantes, de 20,9%, e a congênita, de 19%.
A penicilina benzatina é o medicamento seguro e eficaz no combate à sífilis.
Este antibiótico (com problema de desabastecimento no mundo) é essencial para o controle da transmissão vertical da sífilis (para o bebê), como reconhece a Assembleia Mundial da Saúde.
Neste ano, a campanha de combate à doença no Brasil tem como foco as gestantes, sensibilizando-as para que, no início da gestação, realizem o teste diagnóstico para a sífilis (VDRL) e sejam imediatamente tratadas se a doença for confirmada.
Para evitar a reinfecção da mulher pelo parceiro sexual, este também deverá ser tratado.

domingo, 30 de outubro de 2016

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

914 - Adaptar-se ou morrer

Este vídeo da Harvard Medical School mostra uma experiência criativa de como as bactérias evoluem e se tornam resistentes aos antibióticos. Isso, relacionado ao uso excessivo de antibióticos nas últimas décadas, é um problema real para muitas pessoas e para a saúde pública .
A placa de Petri gigantesca em que tem lugar a demonstração mede 1,20 x 0,60 metros e está dividida em bandas ou faixas. Em cada uma destas há um meio de cultura, o polissacarídio agar, que serve de alimento para as bactérias.
A placa da experiência é simétrica. As faixas externas não têm antibióticos e as faixas internas têm 1, 10, 100 e 1000 unidades do antibiótico. Isso faz com que seja progressivamente difícil para as bactérias passar das faixas externas para a central.
Inicialmente, a faixa com 1 unidade de antibiótico é mortal para as bactérias, mas isso não é problema para elas que podem jogar para sempre.
Além de resistirem ao teste do antibiótico as bactérias competem entre si pelo consumo do meio de cultura; são as mutações aleatórias, a seleção natural com a sobrevivência do mais apto" em ação.
"Adaptar-se ou morrer", o título desta nota.
A sequência completa aqui mostrada em dois minutos levou quase duas semanas de gravação.
Nesta experiência, foram testadas com doses entre 1 e 1000 unidades do antibiótico, mas em outros ensaios desenvolveram-se  bactérias capazes de suportar 100.000 vezes a dose inicial . Os cientistas também descobriram que nem sempre as bactérias mais resistentes são as primeiras a chegar nas fases seguintes: alguns grupos permanecem "escondidos", atrás daqueles que abrem o caminho, mas, em seguida, provam ser mais capazes de alcançar a próxima etapa.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

913 - Alvará da nomeação de doutores

Eu o Principe Regente faco saber aos que o presente alvará com forca de lei virem, : que tendo nomeado fysico mór, e cirurgião mór do reino, estados, e dominios ultra-marinos, por decretos de vinte e sete de fevereiro de mil oitocentos e oito aos doutores Manoel Vieira da Silva, e José Correia Picanco. 
– Alvará da nomeação do físico mór e do cirurgião mór do Reino de Portugal em 1809 [archive.org]
N. do E.
Coloquialmente, o médico é frequentemente referido como doutor. Antigamente, o médico era também referido como físico ou facultativo, distinguindo-se então do cirurgião que constituía uma profissão distinta.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

912 - O Conhecimento

Para obter a licença os motoristas de táxi de Londres devem passar por um exame de memória punitivo que inclui 25.000 ruas e todos os negócios importantes com respeito a elas. "The Knowledge" (O Conhecimento) já foi chamado o teste mais difícil de qualquer outro tipo no mundo, exigindo milhares de horas de estudo e uma série de exames orais progressivamente difíceis que levam, em média, quatro anos para ser concluído.
O guia para potenciais taxistas diz:
Para atingir o padrão exigido para ser licenciada como um motorista de táxi "All London" você vai precisar de um conhecimento profundo, principalmente, da área dentro de um raio de seis milhas de Charing Cross. Você precisa saber: todas as ruas; conjuntos habitacionais; parques e espaços abertos; escritórios e departamentos governamentais; centros financeiros e comerciais; instalações diplomáticas; prefeituras; cartórios; hospitais; templos e locais de adoração; estádios de esportes e centros de lazer; escritórios de companhias aéreas; estações; hotéis; clubes; teatros; cinemas; museus; galerias de arte; escolas; faculdades e universidades; delegacias de polícia e sedes de empresas; tribunais civis, penais e cortes de apelação; prisões; e outros locais de interesse para os turistas. Na verdade, você precisa saber de qualquer lugar que um passageiro de táxi possa pedir para ser levado.
Curiosamente, os taxistas de Londres possuem um hipocampo que a nenhum motorista comum é dado possuir.
 (Hugo J. Spiers, "Will Self and His Inner Seahorse", in Sebastian Groes, ed., Memory in the Twenty-First Century, 2016.)
Hipocampo
É uma estrutura localizada nos lobos temporais do cérebro humano, considerada a principal sede da memória e importante componente do sistema límbico. Além disso é relacionado com a navegação espacial. Seu nome deriva de seu formato arqueado apresentado em secções coronais do cérebro humano, se assemelhando a um cavalo-marinho (do grego: hippos = cavalo, kampi = curva).

terça-feira, 18 de outubro de 2016

911 - Algumas curiosidades médico-literárias

O médico reumatologista e escritor Pedro Nava parafusava os móveis de sua casa a fim de que ninguém os tirasse do lugar.
Guimarães Rosa, médico recém-formado, trabalhou em lugarejos que não constavam no mapa. Cavalgava a noite inteira para atender a pacientes que viviam em longínquas fazendas. As consultas eram pagas com bolo, pudim, galinha e ovos. Sentia-se culpado quando os pacientes morriam. Acabou abandonando a profissão. "Não tinha vocação. Quase desmaiava ao ver sangue", conta Agnes, a filha mais nova.
Em 2002, o médico sanitarista Moacyr Scliar esteve envolvido em uma polêmica com o escritor canadense Yann Martel, cujo romance "A Vida de Pi", vencedor do prêmio Man Booker, foi acusado de ser um plágio da sua novela "Max e os Felinos". Martel admitiu ter lido uma resenha sobre o livro de Scliar, em que encontrou uma "faísca de vida" para desenvolver a metáfora de um náufrago que tem de conviver com uma fera. Ao final, o escritor gaúcho disse que a mídia extrapolou ao tratar do caso, e que ele nunca teve o intuito de processar o escritor canadense,
José Carlos Ryoki de Alpoim Inoue deixou a medicina para se dedicar à carreira de escritor e já publicou mais de mil e cem livros, tornando-se recordista mundial. A altíssima produtividade não visava figurar no Guinness Book, mas somente garantir seu sustento. Ryoki chegou a dominar 95 por cento do mercado de pocket books no Brasil.
Curiosidades médico-literárias ou curiosidades médicas-literárias?
O correto é "médico-literárias". Excetuando o adjetivo composto "surdo-mudo" - qual apresenta flexão nos dois elementos - apenas o último elemento dos adjetivos compostos deve ser flexionado.

sábado, 15 de outubro de 2016

910 - O mapa da situação

O dr. Sten Grillner é pesquisador do Departamento de Neurociências do Instituto Karolinska, na Suécia. Estudando como o cérebro processa informações e controla os olhos. Grillner e outros pesquisadores confirmaram que uma área chamada quadrigemina corpora, que fica situada no mesencéfalo de todos nós, vertebrados, é a responsável por isso.
O estudo foi realizado em lampreias, um peixe pequeno pouco evoluído e que está próximo da forma dos primeiros vertebrados.
A quadrigemina corpora contém uma rede complexa de neurônios que controlam os movimentos da cabeça e dos olhos. Informações de diferentes partes chegam e são ali organizadas para criar um mapa do que está ocorrendo.
É o mapa da situação.
Fonte
Uråldrigt område i hjärnan styr ögonrörelser (Antiga área do cérebro controla os movimentos dos olhos). Publicado a 16 de setembro de 2016 em eLife online (doi: 10.7554/eLife.16472)

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

909 - Um assunto de vida e morte


https://plus.google.com/+RobGordon/posts/eHFvczuGHk5

domingo, 9 de outubro de 2016

908 - Diagnóstico das hepatites virais

As hepatites virais agudas e crônicas são doenças provocadas por diferentes agentes etiológicos, com tropismo primário pelo tecido hepático, apresentando características epidemiológicas, clínicas e laboratoriais semelhantes, porém com importantes particularidades.
As hepatites virais são causadas por cinco vírus: o vírus da hepatite A (HAV, do inglês hepatitis A virus), o vírus da hepatite B (HBV, do inglês hepatitis B virus), o vírus da hepatite C (HCV, do inglês hepatitis C virus), o vírus da hepatite D (HDV, do inglês hepatitis D virus) e o vírus da hepatite E (HEV, do inglês hepatitis E virus) (LEMON, 1997). A doença tem um amplo espectro clínico, que varia desde formas assintomáticas, anictéricas e ictéricas típicas, até a insuficiência hepática aguda grave (fulminante). A maioria das hepatites virais agudas é assintomática, independentemente do tipo de vírus. Quando apresentam sintomatologia, são caracterizadas por fadiga, mal-estar, náuseas, dor abdominal, anorexia e icterícia. A hepatite crônica, em geral, cursa de forma assintomática. As manifestações clínicas aparecem quando a doença está em estágio avançado, com relato de fadiga, ou, ainda, cirrose. O diagnóstico inclui a realização de exames em ambiente laboratorial e testes rápidos, a fim de caracterizar a doença e sua gravidade (BRASIL, 2009a).
A distribuição das hepatites virais é universal, sendo que a magnitude dos diferentes tipos varia de região para região. No Brasil, também há grande variação regional na prevalência de cada hepatite (PEREIRA; XIMENES; MOREIRA, 2010).
Manual Técnico para o Diagnóstico das Hepatites Virais

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

907 - O Prêmio Nobel de Medicina de 2016

De acordo com o anúncio feito nesta segunda-feira (3), o cientista japonês Yoshinori Ohsumi foi laureado com o Prêmio Nobel de Medicina de 2016 por sua descoberta do mecanismo de autofagia, processo pelo qual as células "digerem" partes de si mesmas.
"As descobertas de Ohsumi levaram a um novo paradigma em nosso entendimento de como a célula recicla seu conteúdo", declarou a Assembleia do Nobel do Instituto Karolinska, na Suécia,
Em organismos de seres desnutridos, a autofagia é uma das estratégias de sobrevivência e permite que as células redistribuam os nutrientes para conseguir executar as atividades mais essenciais à vida.
O conceito de autofagia já tinha sido descoberto em 1960, quando cientistas observaram que as células eram capazes de destruir seus próprios componentes e transportá-los para uma unidade subcelular chamada de lisossomo.
(Kyodo/Reuters)
O Nobel de Medicina é oferecido desde 1901, e o pesquisador mais jovem a receber o prêmio foi Frederick G. Banting, que tinha 32 anos em 1923 e descobriu a insulina

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

906 - Quanto seu filho crescerá

Deixem-me citar o titulo de um artigo publicado na Collier's em 1952: "Você pode saber agora QUANTO SEU FILHO CRESCERÁ". No artigo aparecem claramente duas tabelas: uma para meninos, outra para meninas, mostrando qual a percentagem do que virá a ser a altura final que uma criança irá atingindo em cada ano de vida. "Para determinar a altura de seu filho na maturidade", diz a legenda, "verifique a medida atual contra a tabela acima".
O engraçado é que o próprio artigo - se você continuar a ler - dirá qual a fraqueza fatal da tabela. Nem todas as crianças crescem do mesmo modo. Umas começam aos poucos e depois disparam; outras disparam antes e vão freando depois; outras, ainda, seguem um processo muito regular.
A tabela (você adivinhou!) baseia-se em médias, tiradas de um grande númerode medidas. Para as alturas totais - ou médias de 100 jovens, tiradas ao acaso, sem dúvida será bastante acurada, mas um pai está interessado apenas numa única altura, uma só vez, e essa é uma finalidade para a qual a tabela não tem o mínimo valor.
Se você quiser saber a futura altura de seu garoto, sua adivinhação será provavelmente melhor, verificando a altura dos avós. O método não e cientifico nem preciso, mas tem a mesma exatidão (inexistente) das tais médias.
Extraido de: COMO MENTIR COM ESTATÍSTICAS (HOW TO LIE WITH STATISTICS) por Darrel Huff

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

905 - Poluição do ar: emergência sanitária mundial

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulga dados alarmantes sobre a poluição do mundo.
Noventa e dois por cento de todas as pessoas da população do planeta vivem em lugares onde a poluição do ar está fora dos padrões de segurança. Seis milhões e meio de pessoas no mundo morrem a cada ano (12 por cento de todas as mortes)  por doenças relacionadas com a poluição do ar: infarto, AVC, câncer pulmonar e outras doenças respiratórias.
Um estudo patrocinado pela OMS recolheu amostras do ar em mais de três mil lugares pelo globo. Noventa por cento dessas mortes acontecem sobretudo nas regiões mais pobres. Quem lidera esse ranking é o Turcomenistão com 108 mortes por 100 mil habitantes. Depois vêm o Afeganistão, o Egito, a China e a Índia.
No Brasil, a média foi de 14 mortes por 100 mil habitantes.
A OMS fala em emergência sanitária e recomenda investir em formas de energias limpas e transportes ecológicos.