quinta-feira, 3 de outubro de 2019

1117 - A Seção de Documentação Científica do Hospital de Messejana

Período 1965-1977
No início de 1965, em uma sala situada no pavimento térreo do recentemente reformado Pavilhão Central, foi instalada a Seção de Documentação Científica (SDC), para dar continuidade aos trabalhos do Serviço de Arquivo Médico e Estatística (SAME) do então Sanatório de Messejana.
Chefes da SDC:
Dr. Abner Cavalcante Brasil
Dr. Francisco Sampaio de Oliveira
Dr. Amaury Teófilo Brasil
Dr. Abner Cavalcante Brasil (2.ª vez)
Depois dos trabalhos realizados pelo Dr. Pope Figueiredo, no Sanatório Santa Maria, da Prefeitura do Rio de Janeiro, e publicados em revistas especializadas, o Sanatório de Messejana passou a usar um sistema de fichas de dados objetivando a tuberculose. Essas fichas eram chamadas de cartões McBee.[link]
Na última gestão deste período, uma parte dos prontuários foi transformada em slides pelo fotógrafo Milton Nascimento, ao tempo que se planejou a futura microfilmagem.
Fonte: "Sanatório de Messejana: uma história a ser contada", do tisiopneumologista Dr. Carlos Alberto Studart Gomes que, por 39 anos, dirigiu esta instituição. [link]
Período 1978-1994
Chefe da SDC: Dr. Paulo Gurgel Carlos da Silva
Em 1977, quando cheguei ao Hospital de Messejana, então dirigido pelo Dr. Carlos Alberto Studart Gomes, a SDC ocupava a casa que, no período dessa instituição como Sanatório, fora o local de repouso dos médicos plantonistas.
Designado pelo Dr. Carlos Studart para auxiliar o Dr. Abner Brasil na SDC, com o afastamento do colega Abner para exercer o cargo de Secretário de Saúde do Piauí, em 1998, assumi a chefia da Seção.
Como estava previsto, iniciou-se a execução da microfilmagem, através da firma Gustavo Silva, de mais alguns lotes de prontuários do Hospital de Messejana. Contando com a anuência do Dr. Carlos Studart, estabeleci que, inicialmente, seriam microfilmados os prontuários: 1) de pacientes falecidos; 2) de pacientes que não tinham sido atendidos no Hospital de Messejana nos últimos cinco anos. Máquinas leitoras foram instaladas em vários pontos do Hospital de Messejana e uma máquina copiadora permaneceu à disposição dos interessados na SDC.
A experiência com a microfilmagem de prontuários e radiografias, que não vinha alcançando bons resultados, foi encerrada alguns anos após por falta de recursos financeiros específicos.
Crescendo o problema da falta de espaço para o arquivamento da documentação médica, optei por implantar o prontuário de ambulatório, que tinha dimensões reduzidas. Este modelo de prontuário era exclusivamente utilizado no atendimento de pacientes externos que não haviam passado por alguma internação no Hospital de Messejana.
Adiante, houve a necessidade de construir uma SDC mais ampla. Durante a administração do Dr. Jorge Matos, que sucedeu a Dr. Carlos Studart, um  novo prédio foi construído, em comunicação com as Unidades de Pacientes Externos e de Emergência. Tivemos alguma dificuldade para torná-lo aceitável pelos funcionários do setor, pois a climatização não constava do projeto.
Por determinação da Administração Central do INPS, passamos a usar na SDC, em substituição aos cartões McBee, as fichas de Médico Assistente, Diagnóstico, Operação e Óbito para coletar dados dos pacientes que recebiam alta hospitalar.
Finalmente, entramos na era de processamento de dados. Havia um computador CP 500, que se encontrava ocioso no Centro Cirúrgico, e para o qual o anestesiologista Henrique Torres, a nosso pedido montou o programa CID para receber os dados da Classificação Internacional de Doenças..
Foi pela Documentação Científica que, de fato, o processamento de dados entrou no Hospital de Messejana. Com a chegada do funcionário Haroldo de Castro Araújo, em 1989, quando a SDC já reunia uma estrutura mais adequada na área da informática, diversos programas foram implantados.
Ressalte-se que alguns deles, trinta anos depois, ainda continuam sendo operacionais.
A partir de 1990, quando esta instituição passou a integrar a rede de hospitais da Secretaria de Saúde do Ceará, a SDC, em parceria com o setor de Contas Médicas e a firma Hospidados, implantaram a AI
Em 1992, a SDC teve o nome mudado para Centro de Arquivo Médico e Estatística (CAME) pela SESA-CE.
Período 1995-2019
Chefes da SDC:
Dr. Abelardo Soares de Aguiar  [link]
Dr. Leandro Cruz Demétrio de Souza
Dra. Ana Lúcia Araújo Nocrato
Em 20/09/2019, atendendo a um convite da colega Ana Lúcia Araújo Nocrato, visitei a Unidade de Documentação Científica (UNDOC, nome atual da SDC). Uma oportunidade para rever antigos funcionários do setor, como o Marcos Aurélio, o João Soares e o José Marcelo, e conhecer os novos funcionários. Haroldo Araújo, que atualmente é o chefe das Contas Médicas, foi lá para me abraçar. E fui levado para uma sessão de fotos próximo a uma placa da qual consta o meu nome.
Foto: este ex-chefe da SDC, entre Marcos Aurélio e Ana Nocrato, coordenadores administrativo e médico da UNDOC - Unidade de Documentação Científica
Percorrendo as instalações pude observar algumas mudanças: a abertura de uma saída de emergência (indispensável em situação de incêndio) com a porta dando para uma rampa; modernas estantes com seções móveis para os prontuários, em substituição às fixas que antes existiam, e a criação de um jardim (de onde veio o capim santo para o chá que me foi servido com sequilhos).
Fui informado de que o arquivamento de uma grande parte dos prontuários encontra-se terceirizado (fora do Hospital). Numa prova de que um arquivo de documentos hospitalares está sempre a enfrentar o problema da falta de espaço para cumprir sua missão.
Auxiliares (de 1978 até hoje):
Eronita, Leda, Antônio Medeiros, Antônio Serpa, Tarcísio, Erialdo, Clécio, Helena, Francisco Tertulino (Chiquinho), Fco. José (MS), Ana, Malveira, Haroldo de Castro Araújo (programador, chefe das Contas), Lúcia de Fátima (Farm.), Pedro, Dilma Bastos (Enf.ª, nora de Zivaldo) [link], Regina Cleide Ximenes (Enf.ª),  Evandro (analista de sistema), João Soares, Marcos Aurélio, Eduardina (Dudu), Leônia Solon.

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

1116 - Ouvido de tuberculoso

Ter ouvido de tuberculoso é um ditado popular muito comum no Brasil, (1) usado para se referir a alguém que escuta muito bem, ou seja, que tem uma audição bastante apurada.
Ao contrário do que muitos pensam, a tuberculose não aumenta a audição dos doentes, mas pode fazer o contrário. Em alguns casos, como a meningite tuberculosa, a pessoa corre o risco de perder a capacidade de ouvir. (2)
Origem da expressão "ouvido de tuberculoso"
Existem duas prováveis origens para a expressão ouvido de tuberculoso, sendo que ambas datam da primeira metade do século XX (por volta da década de 1940). Pelo fato de a tuberculose ser uma doença letal e muito contagiosa, por vários anos os seus portadores buscavam o sigilo absoluto sobre o assunto. (3) Por receio de ouvir comentários suspeitos de pessoas próximas, criou-se a ideia de que os tuberculosos estão sempre atentos aos cochichos e conversas alheias.
Por este motivo é comum falar que os fofoqueiros - pessoas intrometidas e que ficam constantemente atentas às conversas das outras pessoas - têm ouvido de tuberculoso.
Outra explicação para a origem desta expressão popular é que antigamente, devido a pouca eficácia dos tratamentos para a doença, os tuberculosos eram isolados, seja em casa ou nos sanatórios. Por este motivo, acabavam por estar em locais mais silenciosos e sossegados, ou seja, sem muito barulho. Assim, estavam sempre atentos aos mais ínfimos ruídos.
N. do E.
(1) Estranho. Atuando como tisiopneumologista há 48 anos eu nunca testemunhei alguém utilizar-se desta expressão ou ditado.
(2) Além de ser uma das sequelas da meningite tuberculosa, a perda ou diminuição da audição poderia ser causada pelo uso prolongado da estreptomicina. Injeções diárias deste antibiótico (que pode ocasionar a surdez por seus efeitos ototóxicos) eram aplicadas por três meses em pacientes tuberculosos que seguiam o esquema SM+INH+PAS.
(3) A propósito, ler: O CHIQUINHO DA CADEIA NA VIDA DO COMPOSITOR LAURO MAIA.

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

1115 - Everest, a prova física dos pulmões

As imagens dos engarrafanentos dos alpinistas - ou deveriam ser chamados de turistas? - a poucos metros do cume do Everest já foram suficientemente divulgadas pelo mundo. Os onze mortos em uma recente temporada, juntamente com os controles frouxos sobre os que praticam essa escalada extrema, nos lembram que subir essa montanha significa atingir o limite, não apenas da sobrevivência, mas do razoável.
O corpo no limite
Ao extraordinário esforço de subir a encosta de uma montanha acidentada, precisamos acrescentar as condições ambientais que afetarão o funcionamento do nosso corpo.
A mais de 5.000 metros, a atmosfera que nos protege é extremamente fina. A pressão atmosférica no topo é reduzida para menos de um terço daquela que teríamos ao nível do mar. A temperatura pode estar em torno de -20 ° C e cair para -60 ° C. Ao frio e à pressão muito baixa, acrescentem-se ainda a redução do oxigênio, a baixa umidade e o vento. As condições de sobrevivência são terríveis. Tudo isso sem considerar o risco de uma queda onde o resgate pode ser impossível.
Acima de 8.000 metros, portanto, estaremos na "zona da morte".
O ar em contato com o sangue
Respirar é um processo muito preciso que envolve uma série de princípios físicos fundamentais. O ar deve estar quase em contato direto com o sangue para que o oxigênio entre e o dióxido de carbono saia. Isso ocorre nos pulmões, em estruturas muito pequenas chamadas alvéolos. Suas paredes devem ser muito finas, mas ao mesmo tempo rígidas o suficiente para manter sua forma durante a respiração.
Isso é conseguido pelo corpo humano através do surfactante pulmonar, um complexo de lipídios e proteínas cuja síntese é essencial para evitar o colapso dos alvéolos. Ao nascer, por exemplo, um bebê prematuro não será capaz de produzi-lo em quantidade suficiente, o que dificulta a respiração e obriga os profissionais de saúde a intervir.
Além disso, para o suprimento adequado de oxigênio às células, é necessária uma grande quantidade de minúsculos transportadores no sangue, os glóbulos vermelhos, para transpotá-lo aos pulmões. O organismo, naturalmente, aumenta o número de glóbulos vermelhos no sangue de quem vive em local de altitude elevada para compensar a deficiência de oxigênio no ambiente. Daí o treinamento de atletas profissionais em locais montanhosos e a permanência de alpinistas em campos de base com altitudes crescentes ao escalar.
A redução de oxigênio nos tecidos (hipóxia tecidual) estimula a produção de um hormônio no rim, a eritropoietina, que favorece a formação de glóbulos vermelhos.
Por outro lado, para que o ar entre nos pulmões, estes devem criar uma pressão interna negativa. É o que precisamos fazer, por exemplo, quando chupamos um canudinho para que o refrigerante suba através dele. Se a pressão do ar externo for muito baixa, será muito mais difícil reduzir a pressão dentro dos pulmões para forçar a entrada de ar.
As pressões dos gases dissolvidos no sangue devem atender a condições precisas para que todo o processo funcione bem. Ao nível do mar, o sangue contém oxigênio a uma pressão três vezes maior do que poderíamos ter no Everest. Neste último, o aporte de oxigênio feito pelos pulmões torna-se muito menor, o que pode levar nosso corpo a uma situação de hipóxia, uma deficiência de oxigênio no sangue que afetará drasticamente as funções de nossas células.
A menor pressão atmosférica com a consequente menor disponibilidade de oxigênio não serão os únicos fatores que levarão o corpo do alpinista ao limite da sobrevivência. Excesso de esforços físicos, temperatura muito baixa e diminuição da umidade atmosférica também exercerão efeitos adversos sobre o corpo. [...]
El Everest, un turismo que pone a prueba la física de nuestros pulmones, Grandes Medíos
Poderá também gostar de ver
Superlotação no pico do Everest, Blog EM

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

1114 - Oscar, o gato que previa mortes

Oscar era um gato que vivia no Centro de Enfermagem e Reabilitação Steere House, em Providence, Rhode Island, EUA.
Ele chamou a atenção do público em 2007, quando foi apresentado em um artigo pelo geriatra David Dosa, no New England Journal of Medicine (JAMA). Oscar parecia ter um talento incomum para prever quando os pacientes do lar de idosos morreriam, enroscando-se ao lado deles durante suas horas finais.
Sua precisão, observada em 25 casos, levou a equipe do Centro a ligar para os membros das famílias daqueles que o gato Oscar escolhia. Isso geralmente significava que eles teriam menos de quatro horas de vida.
Hipóteses para essa habilidade incluem:
  • o gato responder a odores liberados por quem está prestes a morrer;
  • ser um comportamento aprendido ao perceber a quietude e a falta de movimento no quarto;
  • não ter a capacidade de prever a morte de pessoas, tratando-se de mais um caso de viés de confirmação.
O viés de confirmação é a tendência de buscar, interpretar, favorecer e recordar informações de modo a confirmar suas crenças ou hipóteses pré-existentes. É um tipo de viés cognitivo e um erro sistemático do raciocínio indutivo . As pessoas exibem esse viés quando se reúnem ou se lembram de informações seletivamente ou quando as interpretam de maneira parcial . O efeito é mais forte para questões emocionalmente carregadas e para crenças profundamente arraigadas. WIKIPÉDIA
De acordo com o Dr. David Dosa (que, em 2010, ainda escreveu um livro sobre o assunto), muitos membros da família se consolavam com a atitude de Oscar. Eles apreciavam o companheirismo do gato a um ente querido que estava morrendo.

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

1113 - Alerta sobre o Álcool

"É interessante que a espécie humana tenha uma reserva da enzima necessária para tornar o álcool inofensivo ao corpo - como se a natureza nos fizesse para beber álcool. Ao contrário dos animais, para os quais o álcool é um veneno".
- BUPA News, 1982, citado por Richard Gordon, Great Medical Mysteries, 2014

Metabolismo do Álcool: Uma Atualização


Beber pesadamente coloca as pessoas em risco de muitas consequências adversas à saúde, incluindo alcoolismo, danos ao fígado e vários tipos de câncer. Mas algumas pessoas parecem estar em maior risco do que outras para desenvolver esses problemas. Por que algumas pessoas bebem mais que outras? E por que algumas pessoas que bebem desenvolvem problemas, enquanto outras não?
Pesquisas mostram que o uso de álcool e problemas relacionados ao álcool são influenciados por variações individuais no metabolismo do álcool, ou a maneira pela qual o álcool é quebrado e eliminado pelo corpo. O metabolismo do álcool é controlado por fatores genéticos, como variações nas enzimas que destroem o álcool; e fatores ambientais, como a quantidade de álcool que um indivíduo consome e sua nutrição geral. Diferenças no metabolismo do álcool podem colocar algumas pessoas em maior risco de problemas com álcool, enquanto outras podem estar pelo menos um pouco protegidas dos efeitos nocivos do álcool.
Este Alerta sobre o Álcool descreve o processo básico envolvido na quebra do álcool, incluindo como subprodutos tóxicos do metabolismo do álcool podem levar a problemas como doença hepática alcoólica, câncer e pancreatite. Este Alerta também descreve populações que podem estar em risco particular de problemas resultantes do metabolismo do álcool, bem como pessoas que podem ser geneticamente "protegidas" desses efeitos adversos.

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

1112 - O sangue do caranguejo

Meghan Owings arranca um caranguejo-ferradura de um tanque e dobra sua concha em forma de capacete ao meio para revelar uma membrana branca e macia. Owings insere uma agulha e extrai um pouco de sangue. "Veja como é azul", diz ela, segurando a seringa ante a luz. É realmente. O líquido brilha cerúleo no tubo.
O custo do sangue de caranguejo é cotado em até US $ 15.000 por litro.
Seu sangue azul é usado para detectar bactérias Gram-negativas perigosas, como E. coli, em drogas injetáveis, como insulina, dispositivos médicos implantáveis, como próteses de joelho, e instrumentos hospitalares, como bisturis. Os componentes desse sangue de caranguejo têm uma propriedade única e inestimável para encontrar a infecção, e isso impulsionou uma demanda insaciável. Todos os anos, a indústria de testes médicos pega meio milhão de caranguejos-ferradura para extrair sangue.
Mas essa demanda não pode subir para sempre. Há uma crescente preocupação entre os cientistas de que o sangramento desses caranguejos pela indústria biomédica possa estar colocando em risco uma espécie que existe desde os tempos dos dinossauros. Atualmente, não há cotas sobre quantos caranguejos podem ser sangrados (os laboratórios biomédicos drenam um terço do sangue do caranguejos e os colocam de volta na água, vivos). Mas ninguém sabe realmente o que acontece com os caranguejos quando voltam para o mar. Eles sobrevivem? Eles continuam sendo como antes?
Cientistas como Owings e Win Watson, que ensina neurobiologia animal e fisiologia na Universidade de New Hampshire, estão tentando chegar ao fundo da questão. Eles estão preocupados com essas criaturas, desde a quantidade de tempo que os caranguejos passam fora da água enquanto estão em trânsito até as temperaturas extremas que experimentam largados em um convés de barco quente ou em um contêiner na traseira de um caminhão.
O potencial
O sangue de caranguejo-ferradura é um detetive de E. coli. Os cientistas usam a substância preciosa - especificamente, o agente de coagulação do sangue de caranguejo - para fazer uma mistura chamada Lisado de Amebócito de Limulus (LAL). LAL é usado para detectar bactérias Gram-negativas como Escherichia coli (E. coli), que podem causar estragos em seres humanos.
Basicamente, você pode dividir as bactérias do mundo em dois grupos com base em um teste desenvolvido por Christian Gram, um médico dinamarquês do final do século XIX. As duas classes diferem fisiologicamente, especialmente na composição de suas paredes celulares. Bactérias gram-negativas como E. coli contêm um tipo de açúcar (uma endotoxina) em suas paredes celulares, enquanto que os tipos Gram-positivos como Staphylococcus (da infecção por estafilococos) não. (O "positivo" e "negativo" referem-se a como os microorganismos reagem a um teste de coloração que Gram inventou.)
Para fazer o suficiente para o teste de LAL, a indústria biomédica agora sangra cerca de 500.000 caranguejos por ano. Os mercados farmacêuticos globais devem crescer até 8% no próximo ano . O mercado de dispositivos médicos nas Américas deverá crescer cerca de 25% até 2020 . A demanda por caranguejos só vai crescer.
O problema
Quando uma espécie é impactada na terra, é fácil ver os efeitos. Quando os efeitos adversos ocorrem debaixo d'água, nós não sabemos realmente sobre isso - ou realmente não nos importamos. É por isso que costumávamos despejar lixo e produtos químicos tóxicos na água. O que acontece debaixo d'água permanece debaixo d'água. Como tal, os cientistas não sabem exatamente o que os testes biomédicos fazem aos caranguejos-ferradura. Mas eles sabem o suficiente para se preocupar.
A União Internacional para a Conservação da Natureza, que estabelece padrões globais para a extinção de espécies, criou um subcomitê de caranguejo-ferradura em 2012 para monitorar o problema. O grupo decidiu no ano passado que o caranguejo-ferradura americano é "vulnerável" à extinção - um nível de perigo maior comparado com a última avaliação da Lista Vermelha em 1996. "vulnerável" é apenas um degrau abaixo de "ameaçado". Além disso, o relatório disse que as populações de caranguejos podem cair 30% nos próximos 40 anos.
 Extraído de: The Bood of the Crab, de Caren Chesler. Data: 23/08/2019
Grato a Jaime Nogueira pela sugestão deste artigo da Popular Mechanics, aqui condensado.

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

1111 - Quanto café você deve beber?

O café é mais do que apenas uma bebida, é uma paixão. Ou um vício. Milhões de pessoas em todo o mundo não podem começar o dia sem uma xícara de café e, para muitas, apenas uma xícara não é suficiente. O fascínio é compreensível: o café é aromático, rico em sabor e faz o sangue fluir. Ele também tem muitos benefícios para a saúde, mas como a maioria das outras coisas, se consumido em excesso pode causar danos à saúde.
Mas quanto é demais? Esta é exatamente a pergunta que a professora Elena Hyppönen e o Dr. Ang Zhou, da Universidade da Austrália do Sul, decidiram responder por meio de um estudo de análise prospectiva.
Segundo eles, o ponto em que a cafeína começa a afetá-lo adversamente é a sexta xícara, já que a probabilidade de doenças cardíacas parece aumentar em até 22% entre pessoas que bebem seis xícaras ou mais de café diariamente.
Uma xícara pode ser uma medida confusa, então, para elucidar, o que eles querem dizer com uma "xícara" é uma bebida que contém cerca de 70 a 140 miligramas de cafeína. Isso é importante para entender, porque o "copo" que você pede no café mais próximo pode conter muito mais cafeína do que isso, dependendo do tamanho e da potência. Além disso, o café não é a única maneira de ingerir cafeína, como pode ser encontrado no chá e refrigerantes.
Quanta cafeína sua bebida contém?
• Uma xícara de café fresco (coado) contém cerca de 140 mg de cafeína
• Uma xícara de café instantâneo contém cerca de 100 mg de cafeína
• Uma xícara de café expresso contém cerca de 65 mg de cafeína
• Uma xícara de chá preto contém cerca de 47 mg de cafeína
• Uma xícara de chá verde contém cerca de 35 mg de cafeína
• Uma xícara de chá branco contém cerca de 25 mg de cafeína
• Uma garrafa de 600ml de refrigerante contém cerca de 45 mg de cafeína
• Uma lata de bebida energética contém cerca de 77 mg de cafeína
Qual é o veredito? 
O café não é bom para a maioria das pessoas, é ótimo. Se você mantiver sua dose diária de café entre 1-5 xícaras, ou 70-400 miligramas de cafeína por dia, você vai ficar perfeitamente bem e será capaz de colher os muitos benefícios de saúde que o café proporciona. Apenas lembre-se de incluir outras bebidas que possam conter cafeína, como refrigerantes, neste cálculo.
https://doi.org/10.1093/ajcn/nqy297
http://www.tudoporemail.com.br/content.aspx?emailid=14034

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

1110 - Itens que ajudam na segurança do trânsito

  • Cada redução de 5 km/h na velocidade média representa uma diminuição de 30% nos traumas fatais.
  • Cadeirinhas infantis podem reduzir 70% dos óbitos em crianças e 89% em bebês.
  • Capacetes podem prevenir 70% dos traumatismos cranianos e 65% dos traumatismos da face.
  • O encosto da cabeça deve ser ajustado para cada passageiro porque faz parte do sistema de segurança junto com o cinto.
  • Utilizar o celular ao dirigir aumenta em 4x o risco de colisão ou atropelamento.
Fonte: OMS

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

1109 - Pesquisadores resgatam história da tuberculose no Cariri



Professores e acadêmicos da Universidade Regional do Cariri (Urca), iniciaram, neste semestre, um projeto de pesquisa cujo objetivo é desvendar como eram tratados os pacientes internados no antigo Hospital Manuel de Abreu (foto atual), em Crato, que funcionou por cerca de quatro décadas.
Ao todo, quatro professores e quatro estudantes das áreas de História, Enfermagem e Artes Visuais, pretendem produzir, até a metade do ano que vem, um livro e um documentário, que mostrem, principalmente, como era feito o tratamento dos pacientes tuberculosos na região do Cariri. Três visitas já foram feitas à antiga unidade de saúde, e a equipe encontrou documentos diversos abandonados que auxiliarão os trabalhos da pesquisa.

07/08/2019

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

1108 - Diagnóstico duvidoso (pré-diabetes)

Uma guerra contra "pré-diabetes" criou milhões de novos pacientes e uma oportunidade tentadora para a indústria farmacêutica. Mas quão real é esta condição?
A doença crônica mais comum após a obesidade, que atinge 84 milhões de americanos e mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo, nasceu como um slogan de relações públicas. Em 2001, o chefe de RP da American Diabetes Association (ADA) se aproximou de Richard Kahn, então chefe do departamento científico e médico do grupo, para ajudar com um problema complicado, lembra Kahn. A ADA precisava de um argumento para persuadir os médicos complacentes e o público a levar a sério uma pequena elevação na glicose no sangue, o que poderia sinalizar um risco elevado de diabetes tipo 2. Aumentar o alarme não foi fácil, dado o nome obscuro da condição, tolerância à glicose diminuída, e a falta de sintomas.
Kahn convidou meia dúzia de líderes do pensamento em diabetes para fazer um brainstorming em uma lanchonete do National Institutes of Health em Bethesda, Maryland. Cercados por funcionários federais famintos, muitos desfrutando dos tipos de alimentos gordurosos e bebidas açucaradas ligados à epidemia de diabetes, chegaram a um termo pouco utilizado que parecia adequado para assustar pacientes e médicos em ação: pré-diabetes.
"Voltamos ao escritório da ADA logo após o almoço e começamos a mudança. Em um período de tempo relativamente curto, eliminamos a 'glicemia de jejum prejudicada' e 'a tolerância à glicose diminuída' e os substituímos por "pré-diabetes" em toda a nossa literatura ", diz Kahn. Logo, o termo foi consagrado nos padrões de atendimento do grupo de Arlington, Virgínia - amplamente considerado como a bíblia do diabetes. A ADA e os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) em Atlanta declararam guerra contra pré-diabetes, com Ann Albright, chefe do departamento de prevenção do diabetes do CDC, membro do conselho da ADA de 2005 a 2009, liderando a acusação. Os dois grupos classificaram o pré-diabetes como o primeiro passo no caminho para o diabetes, que pode levar a amputações, cegueira e ataques cardíacos.
Siga lendo este artigo: Dubious diagnosis.
Charles Piller
Science, 8 de março de 2019
Vol. 363, edição 6431, páginas 1026-1031
DOI: 10.1126 / science.363.6431.1026

quinta-feira, 25 de julho de 2019

1107 - Esqueleto gráfico

O artista gráfico estadunidense Aaron Kuehn criou este esqueleto graficamente com a representação dos ossos do corpo humano por seus nomes.
Segundo o autor
Aqui está, atualizado e reconstruído em uma representação estática bidimensional a nossa locomoção de longa distância! Os ossos componentes, normalmente construídos com tecidos mineralizados rígidos, foram inteiramente substituídos por 676 glifos livres e fundidos, formando juntos um diagrama esqueletal.

quinta-feira, 18 de julho de 2019

1106 - Os "pulmões" de Botticelli

A pintura "Primavera" ou "Alegria da Primavera", de Sandro Botticelli (1445-1510), é uma obra mundialmente famosa, até hoje envolvida em muitas controvérsias relacionadas com o seu conteúdo e significado. É uma têmpera sobre madeira se que encontra na Galeria Uffizi, em Florença, desde 1919.
Na obra, o cenário dos acontecimentos é um bosque com árvores dando frutos alaranjados. Há algumas entradas de luz, mas duas delas, atrás da personagem central, chamam a atenção por suas formas. Guardam estas semelhanças com pulmões.
Sabemos que Botticelli teve lições de anatomia em Bolonha, foi influenciado pelos livros de Mondino dei Liuzzi e Girolamo Manfredi e, seguramente, entrou em contato com os desenhos do amigo Leonardo da Vinci.
Estudos também já identificaram a representação de detalhes da anatomia pulmonar em "O Nascimento de Vênus", outra pintura famosa de Botticelli.
Detalhe de "Primavera" (1/6 do quadro)

quinta-feira, 11 de julho de 2019

1105 - Placebo: ter ou não ter, eis a questão

Resultados preliminares de um projeto randomizado.
RESUMO
Um experimento foi realizado para saber se a mera posse de um creme analgésico placebo afetaria a intensidade da dor percebida em um teste laboratorial de percepção da dor. Os participantes saudáveis ​​leram uma explicação médica da dor destinada a induzir o desejo de buscar alívio da dor e em seguida foram informados de que um creme placebo era um fármaco analgésico eficaz. Metade dos participantes foram aleatoriamente designados para receber o creme como um presente inesperado, enquanto a outra metade não recebeu o creme. Posteriormente, todos os participantes realizaram o teste pressor a frio. (*) Descobrimos que os participantes que receberam o creme, mas não o usaram, relataram níveis mais baixos de intensidade da dor durante o teste do que aqueles que não receberam o creme. Nossos achados constituem evidências iniciais de que a simples posse de um analgésico placebo pode reduzir a intensidade da dor. O estudo representa a primeira tentativa de investigar o papel da mera posse na compreensão da analgesia pelo placebo.
Wai-lanYeung, V., Geers, A. e Kam, SM Curr Psychol (2019) 38: 194. https://doi.org/10.1007/s12144-017-9601-0
(*) É um teste cardiovascular (em inglês, cold test pressor) realizado por imersão da mão em um recipiente de água gelada, geralmente por um minuto, e medindo as mudanças na pressão sanguínea e na frequência cardíaca.
Links internos
32 - Os bebedores de limão
144 - O placebo: agradando demais?
292 - O efeito placebo 2.0
387 - Placebo: agradarei
409 - Estudo duplo-cego
510 - Respondedores excepcionais
661 - A fortiori
708 - Placebo x placebo
769 - Paracetamol inibe a dor, mas também as emoções

quinta-feira, 4 de julho de 2019

1104 - "Posta Pneumatica"

Em 1933, a Itália emitiu o primeiro selo postal do mundo retratando Galileu.
Galileo Galilei (1564–1642) fez sua aparição neste selo para uso em sistemas postais pneumáticos (daí a expressão "Posta Pneumatica" no selo).
A Itália foi a única a emitir selos especificamente para seus sistemas postais pneumáticos (outros países, em vez disso, usaram selos postais normais). Neste selo de 1933, e em sua versão modificada com valor de face e cor diferentes, que foi lançada em 1945, o retrato do homenageado baseou-se no que foi pintado por Justus Sustermans em 1636, quando Galileu tinha 72 anos.
https://zapatopi.net/blog/?post=200501012500.stamp_nook_posta_pneumatica
O correio pneumático é um sistema de envio de cartas por meio de tubos de ar pressurizado. Foi criado pelo engenheiro escocês William Murdoch, na primeira década do século XIX e, mais tarde, foi aperfeiçoado pela London Pneumatic Dispatch Company. Sistemas postais pneumáticos foram instalados em várias cidades europeias, notadamente Londres, Paris, Praga e Roma.
187 - Filatelia Médica
345 - O selo antituberculose
1051 - Aqui somos SUS

quinta-feira, 27 de junho de 2019

1103 - O processo de banimento do amianto no Brasil

O Brasil levou mais de três décadas para concluir o processo de banimento do amianto, mineral que causa câncer. Após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em 2017, e um período de adaptação da indústria de exploração, as minas brasileiras de amianto pararam de extrair o mineral em 1º de fevereiro de 2019. No entanto, políticos estão empenhados em derrubar a decisão do Supremo e reativar a indústria do amianto. A estratégia é tentar desconstruir as evidências médicas e científicas do risco à vida que o amianto representa. 
Histórico
No Brasil, o alerta sobre os riscos do amianto são repetidos desde o início da década de 1990. Porém, em outros países, os estudos sobre o potencial cancerígeno são de 1955. A Organização Mundial de Saúde (OMS) reconhece o risco cancerígeno do amianto e recomenda o seu banimento.
"O amianto foi usado em mais de três mil tipos de produtos. Telhas, tubulações, divisórias, foros, pisos, revestimentos, caixas de água e outros materiais da construção civil. O segundo setor com bastante utilização foi a indústria automobilística, nas pastilhas de freio, discos de embreagens, revestimentos e juntas”, disse a auditora fiscal do trabalho Fernanda Giannasi, autora do recém-lançado livro A Eternidade - A construção social do banimento do amianto.
Conhecido como mineral mágico ou a seda mineral por conta da sua capacidade de isolamento térmico e maleabilidade, o amianto foi usado na indústria têxtil e em roupas especiais para bombeiros. Também foi usado em eletrodomésticos, como torradeiras e ferro de passar roupa. Há registros também da presença de amianto em brinquedos, filtros de cigarro e absorvente íntimo.
A nota técnica da Fundação Jorge Duprat e Figueiredo (Fundacentro), divulgada nesta semana por conta do risco da volta da exploração do amianto, destaca que 120 milhões de pessoas em todo planeta estão expostas a contaminação pelo amianto, que se dá pela inalação das fibras do mineral suspensas no ar, daí o nome "poeira da morte".
Segundo estimativas, essa exposição ocupacional (de quem trabalha diretamente com o mineral) ou ambiental (de quem vive próximo de produtos com amianto) mata 200 mil pessoas por ano. No Brasil, a população tem contato com cerca de 7 milhões de toneladas de amianto.
Extraído de: De mineral mágico a poeira assassina: volta do amianto pode causar epidemia de câncer, por Juca Guimarães. In: Brasil de Fato

quinta-feira, 20 de junho de 2019

1102 - Correlação entre posse de armas de fogo e tamanho do pênis

Se alguém discute sobre as restrições de armas de fogo frequentemente se depara com a afirmação de que os donos compram suas armas para compensar terem pênis pequenos.
Embora a associação entre a posse de armas e o tamanho pequeno do pênis seja lembrada com frequência nas discussões sobre essas armas, até agora não houve o apoio de evidências científicas.
O presente estudo tenta preencher esta lacuna, comparando os dados sobre o tamanho do pênis com a posse de armas para confirmar que a relação reivindicada possa existir.
Para obter informações sobre a taxa de posse de armas por estado (nos Estados Unidos), a equipe de pesquisa usou dados de um estudo da Universidade de Columbia de 2015 que avaliou as taxas de posse de armas com base em uma pesquisa de 2013, fornecendo uma porcentagem de residentes de cada estado que possuem armas.
Para determinar o tamanho do pênis, a equipe de pesquisa utilizou os resultados de um estudo de 2010 por condomania.com, que se apresenta como "a primeira loja de preservativos da América". O estudo classificou os 50 estados em ordem decrescente de tamanho, com base nas vendas de preservativos para cada estado.
Plotar o tamanho do pênis como uma função da taxa de posse de armas revela claramente uma correlação, com a classificação do tamanho do pênis de um estado diminuindo à medida que aumenta a porcentagem de posse de armas. Observe que uma classificação baixa indica um tamanho de pênis maior, ficando entre o número 1 (maior - New Hampshire) e # 50 (menor - algum estado pobre que não é New Hampshire). Com base nos dados, um estado como o Alasca, com uma taxa de propriedade de armas de 61,7%, pode ser classificado como 61 em 50 (sobre isto ver nota explicativa 3 no artigo original), comparado a New Hampshire no topo do ranking com uma taxa de posse de armas de apenas 14,4%.
Deve-se notar que o estudo mostra apenas uma correlação e não um efeito causal. Ou seja, enquanto os dados mostram claramente que o tamanho pequeno do pênis e a posse de armas de fogo estão correlacionados, não se pode dizer com certeza que compensar o tamanho do pênis pequeno seja a motivação para possuir uma arma. Pesquisas adicionais podem ser úteis para apoiar essa relação causativa.
Extraído de: Study Confirms Gun Owners Have Smaller Penises, publicado em The Truth About Guns, site que reúne praticantes de caça nos EUA. O controlador do Nova Acta não endossa a metodologia utilizada no presente estudo, embora concorde com a ideia de que uma correlação não implique uma causalidade.
624 - Correlações espúrias
627 - Guia rápido para detetar a "Má Ciência"
1017 - Ronald Fisher. Teste e controvérsias

quinta-feira, 13 de junho de 2019

1101 - Você é assim tão flexível?


Dinneen Viggiano 
9 de dezembro de 2018 
O que você está vendo é um "raio X" de um indivíduo em uma posição extrema da coluna vertebral.
Não conheço o indivíduo nem o histórico médico dele.
Isso levanta a questão: você pode ser assim tão flexível? Vamos ver...
Contorcionistas, ginastas, dançarinos, iogues, todos esses atletas se destacam em seu esporte com excepcional flexibilidade espinhal. Mas a que custo?
Eu imagino que o "raio-x" deva pertencer a um contorcionista. A "radiografia" é datada do mesmo ano em que foi feito um estudo (o único de sua espécie) para pesquisar o que acontece com a coluna vertebral de cinco contorcionistas, de 20 a 49 anos de idade, de uma escola de circo da Mongólia. Um sistema de imagem de RM cilíndrico 3T (Philips Achieva) foi usado para avaliar as alterações patológicas em suas colunas. O estudo foi pequeno, mas os pesquisadores não tinham uma escolha maior. Fico feliz que alguém finalmente tenha estudado alguns desses atletas e agradeço esses resultados em pequena escala. Espero que inspire outros pesquisadores a continuar este trabalho.
Confira os resultados (links).
Can you be too flexible? Retrain Back Pain

quinta-feira, 6 de junho de 2019

1100 - O sono pode não ser necessário?

Para os seres humanos, recomenda-se ter pelo menos oito horas de sono por dia. Existem vários proponentes para o sono e sua importância em nossas vidas diárias, levando ao aumento da produtividade, melhor funcionamento cognitivo e um processo regulatório geral que ajuda nosso corpo a recuperar a energia que gasta ao longo do dia.
Mas, para outros animais, o sono pode não ser necessário. O sono é potencialmente caro para muitos animais, tornando-os vulneráveis ​​a predadores e roubando-lhes tempo à coleta de recursos ou ao acasalamento. Por essa razão, os cientistas há muito tempo presumiram que o sono ofertaria aos animais alguma vantagem vital e evolutiva - talvez como um meio de conservar energia ou de dar tempo ao cérebro para organizar as memórias. Em qualquer caso, nenhum animal verdadeiramente insone foi encontrado em estado selvagem.
Em novo estudo, pesquisadores observaram moscas da fruta (Drosophila melanogaster) no laboratório, quando notaram uma distribuição muito grande na duração do sono. A maioria dormia entre 300 e 600 minutos por dia, mas cerca de 6% das fêmeas dormiam menos de 72 minutos por dia, e três indivíduos particularmente inquietos dormiam por apenas 15, 14 ou 4 minutos por dia, respectivamente.
Essa falta de sono parecia não ter efeitos nocivos à saúde. Moscas sem sono viviam tão bem quanto outras moscas, relatam os pesquisadores na revista Science Advances, e até mesmo moscas com horários típicos de sono não foram incomodadas quando alojadas dentro de um tubo rotativo que as obrigou a perder cerca de 96% do seu tempo de sono.
doi:10.1126/science.aax0861

quinta-feira, 30 de maio de 2019

1099 - Ambroise Paré (1510-1590) – O cirurgião militar

A revolução no tratamento das feridas por armas de fogo começou com Ambroise Paré.
O que o intempestivo e revolucionário Paracelso fez pela medicina do seu tempo e o brilhante Vesalius pela anatomia renascentista. Paré, arriscamo-nos a afirmar, fez pelo renascimento da cirurgia militar e da cirurgia como um todo e como disciplina separada da medicina, devolvendo-lhe um estatuto e lugar determinantes para o seu desenvolvimento e prestigio no século século XVI. O seu exemplo e os seus tratados influenciaram inúmeras gerações de seus discípulos, não só pelos seus métodos científicos mas, e sobretudo, pelo seu exemplo de humanismo.
Ambroise Paré (1510-1590) não era médico e iniciou sua carreira como aprendiz de cirurgião-barbeiro na cidade de Laval, no interior da França. Ainda jovem transferiu-se para Paris e, aos 19 anos, conseguiu o que mais desejava – trabalhar no Hôtel-Dieu de Paris, considerado o mais antigo hospital da cidade e um dos melhores hospitais da época. Trabalhou quatro anos como auxiliar de cirurgia, vendo, observando e participando do tratamento de feridos. Demonstrou, desde o início, uma habilidade cirúrgica fora do comum e interesse em aprender. Capacitou-se de tal maneira na prática da cirurgia que foi indicado como cirurgião militar do exército francês, participando das campanhas da Itália de 1536 a 1545.
A sua primeira grande contribuição para o tratamento dos ferimentos por arma de fogo ocorreu quando contava 26 anos de idade. Até ao século XVI acreditava-se que as feridas produzidas por armas de fogo eram envenenadas, conforme ensinava Vigo, conceituado cirurgião e traumatologista italiano, e que as mesmas deviam ser cauterizadas com óleo fervente para combater a ação tóxica da pólvora.
Durante as campanhas da Itália, Paré passava grande parte do seu tempo nos campos de batalha, junto dos soldados e dos feridos, procurando não só estar mais próximo dos feridos como ajudar com mais celeridade a sua recuperação. Numa destas campanhas constatou e descreveu que não só não tinha qualquer uso como era prejudicial para a evolução e tratamento das feridas por arma de fogo o uso de óleo fervente.
"No ano do Senhor de 1536, Francisco, Rei de França, mandou um poderoso exército para lá dos Alpes. Eu era, no exército real, o cirurgião do Senhor de Montejan, general de infantaria. Os inimigos tinham tomado os desfiladeiros de Suza, o castelo de Villane e todos os demais caminhos, de modo que o exército do rei não era capaz de expulsá-los de suas fortificações senão pela luta. Houve neste embate, de ambos os lados, muitos soldados com ferimentos produzidos pelas armas mais diversas, sobretudo por bala. Na verdade, não estava muito versado, naquela época, em questões de cirurgia, nem estava acostumado a fazer curativos em ferimentos por arma de fogo. Lera que os ferimentos por arma de fogo estavam envenenados; portanto, para seu tratamento era útil queimá-los ou cauterizá-los com óleo fervente misturado com um pouco de teriaga. Mas ainda que não desse crédito ao remédio, quis, antes de correr o risco, ver se os outros cirurgiões que estavam comigo na tropa usavam qualquer outro curativo para esses ferimentos. Observei e verifiquei que todos usavam o curativo prescrito. Aconteceu que, certa vez, devido à multidão de feridos, faltou óleo. Então, porque ficassem alguns sem curativo, fui forçado, porque podia parecer que não queria fazer nada e não podia deixá-los sem tratamento, aplicar uma mistura feita de gema de ovos, óleo de rosas e terebentina. Durante aquela noite não pude dormir porque estava com o espírito conturbado e o curativo da véspera, que eu julgava impróprio, perturbava os meus pensamentos e temia que no dia seguinte iria encontrá-los mortos ou a ponto de morrer devido ao veneno da ferida que não tratara com óleo fervente. Portanto, acordei cedo e, fora de qualquer expectativa, notei que aqueles tratados sem o óleo estavam descansados, porque livre da violência de dor e suas feridas não estavam inflamadas nem tumefeitas; entretanto, os outros, queimados pelo óleo fervente, estavam febris, atormentados com muitas dores e tumefeitas as partes que cercavam as feridas. Depois de ter experimentado isto muitas vezes em diversos outros feridos, considerei muito a respeito que nem eu nem ninguém devíamos cauterizar qualquer ferido por arma de fogo". Transcrição do seu livro "La methode de traiter les playes faites par hacquebutes et autres bastons à feu".
A segunda importante contribuição de Paré no campo da cirurgia militar diz respeito à hemostasia dos vasos sanguíneos nas amputações de membros. Até então a conduta usada para controle de hemorragia consistia na cauterização com ferro incandescente, procedimento que, para além do sofrimento e dor que causava, ocasionava lesões de difícil cicatrização. O próprio Paré utilizou o método clássico até 1552, quando passou a usar pinças e ligar os vasos com fios, tal como hoje. Para se defender das críticas contra o novo método, considerado temerário, Paré citava Hipócrates, Galeno, Avicena e outros autores clássicos que, nos seus livros, recomendavam ligar as veias em lugar da cauterização com o ferro incandescente.
Em 1552 Paré tomou parte noutra expedição militar e Henrique II, rei da França, impressionado com sua habilidade cirúrgica, designou-o cirurgião ordinário do Rei, fato que lhe trouxe prestígio, acabando dois anos depois por ser admitido na Confraria de S. Cosme, que congregava os mais notáveis cirurgiões da França, sendo-lhe concedido o título de Mestre em Cirurgia, apesar da oposição de alguns membros do colegiado, que não admitiam que alguém que não soubesse latim pudesse pertencer à Confraria.
Paré teve uma vida de intensa atividade. Inventou novos instrumentos cirúrgicos, idealizou membros artificiais e o reimplante de dentes. Em 1564 publicou "Dix livres de la Chirurgie" e, em 1575, aos 65 anos de idade, reuniu todos os seus trabalhos sob o título "Les Oeuvres de M. Ambroise Paré, avec les figures et les portraits de l’Anatomie que des instruments de chirurgie et de plusieurs monstres".
Nas páginas dos seus livros Paré descreve suas experiências e repete a sua filosófica afirmação que descreve toda a sua personalidade e brilhantismo:
"Je le pansai, Dieu le guérit".
Extraído de: "As Primeiras Lesões por Armas de Fogo – novo paradigma para o cirurgião militar – Ambroise Paré"
Autores: Miguel Onofre Domingues e Madalena Esperança Pina
Rev. Port. Cir. no.23 Lisboa dez. 2012
http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1646-69182012000400013

quinta-feira, 23 de maio de 2019

1098 - As primeiras práticas cirúrgicas em lesões por armas de fogo

A descoberta da pólvora tem sido consensualmente aceita na comunidade científica como originária da China no século IX. Descoberta pelos alquimistas chineses na busca do elixir da imortalidade, a pólvora resultou de séculos de experimentação. A palavra chinesa para "pólvora" significa "fogo da Medicina", estando a primeira referência às propriedades incendiárias da pólvora descrita num texto "taoista" (真元妙道要略) de meados do século IX: "... aquecidos juntos, enxofre, realgar (derivado do ácido sulfúrico) e salitre com mel originaram chamas e fumo, de tal forma que as suas mãos e rostos foram queimados, e até mesmo toda a casa ardeu." (Fig. 1).
Quando os ingleses utilizaram pela primeira vez as armas de fogo (1346), na batalha de Créçy, Guy de Chauliac, ital. Guido De Cauliaco (1298-1368), foi um dos primeiros autores que fez anotações sobre o tratamento deste tipo de lesões.
Escreveu em 1363 a sua grande obra Chirurgia magna (titulo original: Inventorium sive collectorium in parte chirurgiciali medicin) considerado até ao século XVI o grande livro, e referência da cirurgia do seu tempo. No seu livro Chauliac seleccionou e compilou de todos os seus antecessores as técnicas e as práticas cirúrgicas consideradas mais importantes e de maior referência à época, comentando e acrescentando pormenores da sua prática clínica e experiência cirúrgica. Neste incluem-se textos de Galeno, Hipócrates, Aristóteles, Razi (Rhazes), Abul Kasim (Albucasis), Avicenna (Ibn Sina), entre outros autores.
Sobre este livro, Ambroise Paré afirmou: "Guy de Chuliac escreveu um livro imortal que estará sempre ligado ao destino e aprendizagem da escola cirúrgica francesa da sua época".
As feridas causadas por armas de fogo levantaram inicialmente grandes problemas aos cirurgiões militares, por se entender que os projéteis disparados causavam três efeitos distintos no corpo do ferido e que cada um deles necessitava de tratamento próprio. O projétil provocava uma ferida contusa, o efeito da explosão provocava uma queimadura e a pólvora provocava envenenamento. A grande destruição dos tecidos fornecia consequentemente um ótimo meio de crescimento bacteriano e os cirurgiões depararam-se com um novo tipo de ferida e gangrena desconhecidos.
Depois de Guy de Chauliac, Giovanni de Vigo (1450-1525), médico italiano, escreveu sobre o tratamento de ferimentos por arma de fogo, e defendia que todas as feridas por arma de fogo descritas pelo próprio como "contusas e queimadas", não necessitavam de cauterização com ferro em brasa mas sim azeite a ferver para combater a ação tóxica da pólvora, uma vez que era esta a razão principal da evolução catastrófica das feridas por arma de fogo; "as propriedades venenosas e tóxicas da pólvora".
Em seu grande livro, "Practica Copiosa in Arte Chirurgie", reúne uma serie de autores gregos e árabes, e caracteriza e descreve os ferimentos por arma de fogo afirmando que teriam de ser tratados com óleo a ferver ao invés de cauterizados com ferro em brasa. O prestígio de Vigo no meio médico europeu pode ser avaliado pelo facto de sua obra "Practica in chirurgia", publicada em 1514, ter alcançado 30 edições.
Este tipo de pensamento arrastou-se durante muito tempo até que um cirurgião mais atento, Bartolomeo Maggi (1477-1552), cirurgião militar e professor da Universidade de Bolonha, resolveu investigar e verificar que nada se passava assim. Disparou balas de arcabuzes sobre pólvora, enxofre e fatos de soldados e verificou que a bala não fazia arder nenhum destes elementos, o que facilmente comprovava que estas, por si só, não provocavam queimaduras. Verificou também que a ingestão de pólvora ou dos seus componentes não provocava qualquer envenenamento, acabando de vez com a ideia antiga de que a pólvora tinha esse efeito.
Extraído de: "As Primeiras Lesões por Armas de Fogo – novo paradigma para o cirurgião militar – Ambroise Paré"
Autores: Miguel Onofre Domingues e Madalena Esperança Pina
Rev. Port. Cir. no.23 Lisboa dez. 2012
http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1646-69182012000400013
A seguir: Ambroise Paré (1510-1590) – O cirurgião militar

quinta-feira, 16 de maio de 2019

1097 - Conselho para uma vida saudável

COMPRE UMA BICICLETA E CORTE OS CARBOIDRATOS
Crédito: Salvador Daqui 
https://twitter.com/FlaRobSal/status/1093473989354242048

quinta-feira, 9 de maio de 2019

1096 - O peixe que não desce redondo

"A Jackass and a Fish: A Case of Life-Threatening Intentional Ingestion of a Live Pet Catfish (Corydoras aeneus),” Linda B.L. Benoist, Ben van der Hoven, Annemarie C. de Vries, Bas Pullens, Erwin J.O. Kompanje, and Cornelis W. Moeliker, Acta Oto-Laryngologica Case Reports, vol. 4, no. 1, 2019.
https://doi.org/10.1080/23772484.2018.1555436
Os autores explicam:
Inspirados por "Jackass" (um programa de TV sobre cenas de auto-agressão), alguns amigos completaram uma festa com a ingestão de peixes vivos de um aquário. Depois que os peixes dourados desceram suavemente, um bagre Corydoras aeneus foi ingerido. Desconhecendo a morfologia e o comportamento antipredador dessa espécie, um homem saudável, mas alcoolizado, de 28 anos, teve uma surpresa. O bagre abriu e travou as espinhas de suas nadadeiras peitorais, alojando-se em sua hipofaringe. Após várias horas, ele se apresentou no pronto-socorro com disfonia e disfagia. O peixe teve que ser removido por endoscopia. A intubação e a internação na unidade de terapia intensiva foram necessárias devido ao edema laríngeo. Duas semanas após a intervenção, o paciente fez uma recuperação completa e doou o peixe para o Museu de História Natural de Roterdã. A publicidade gerada pela exibição pública do peixe não engolido enfatizou o aviso oficial do "Jackass": "não tente fazer nenhuma das cenas de ação que você está prestes a ver".
O estudo incluiu fotos e vídeos feitos no hospital . (O relatório publicado não inclui, infelizmente, algo mencionado explicitamente: um "vídeo caseiro de dois minutos" do homem engolindo o peixe, acompanhado de encorajamento dos amigos).
Entre as fontes de conhecimento citadas neste artigo, destaca-se: Cleese J, Crichton C. Um peixe chamado Wanda. Beverly Hills (CA): Produção da Metro-Goldwyn-Mayer; 1988.
"A Jackass and a Fish"—Doctors save the life of a Fish-Called-Wanda imitator, Improbable Research

quinta-feira, 2 de maio de 2019

1095 -Typhoid Mary

Mary Mallon (23 de setembro de 1869 - 11 de novembro de 1938), também conhecida como Typhoid Mary (Maria Tifoide), era uma cozinheira norte-americana de origem irlandesa. Ela foi a primeira pessoa nos Estados Unidos identificada como portadora assintomática do patógeno associado à febre tifoide.
Presume-se que ela tenha infectado 51 pessoas, das quais três morreram, ao longo de sua carreira como cozinheira. No entanto, devido ao uso de nomes falsos, mudanças frequentes do local de trabalho e à recusa em cooperar, o número real de infectados por ela não é conhecido. Alguns estimaram que ela pode ter causado 50 fatalidades.
Algumas dificuldades em torno de seu caso resultaram da negação veemente de Mary de seu possível papel, já que ela se recusava a reconhecer qualquer conexão entre estar trabalhando como cozinheira e os casos de febre tifoide. Ela afirmava que ela estava perfeitamente saudável, nunca teve febre tifoide e não podia ser a fonte.
Não havia então nenhuma política de saúde que fornecesse as diretrizes para se lidar com a situação de um portador assintomático de febre tifoide. As autoridades então determinaram que a quarentena permanente seria a única maneira de impedir que Mary causasse novos surtos da enfermidade.
Isolada à força, ela morreu após um total de quase três décadas de isolamento das consequências de uma doença cerebrovascular.
Gravura - Typhoid Mary em uma ilustração de jornal (1909). Observe os crânios que ela lança na frigideira.

quinta-feira, 25 de abril de 2019

1094 - Tatuagens de cicatrizes e marcas de nascença

"Quero ficar no teu corpo / Feito tatuagem / Que é pra te dar coragem / Pra seguir viagem / Quando a noite vem." ~ Chico Buarque
Algumas pessoas fazem tatuagens para encobrir cicatrizes de queimaduras e cortes, marcas de nascença, amputações e outros ferimentos. Outras usam tatuagens para incorporar a essas lesões uma forma de arte. É uma maneira de celebrar a história da pele e, muitas vezes, o senso de humor da própria pessoa.
O tatuador Eric Catalano fez este excelente trabalho em que deu "unhas" a um homem que perdeu partes de dois dedos.
Bored Panda tem uma galeria de 68 dessas tatuagens inteligentes incorporadas a anomalias corporais.
Pesquisa🔍
Resultados da busca da palavra tatuagem no blog Nova Acta.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

1093 - O cruzamento de espécies

Pergunta. Deixando de lado todas as miríades de objeções éticas, os chimpanzés e os humanos poderiam se cruzar com sucesso? – J. Goodall
Resposta. Ninguém sabe - ou se o fizerem, eles estão guardando para si mesmos, diz o Dr. Ian York, do Centro Médico da Universidade de Massachusetts. Vamos começar com uma questão relativamente simples: os humanos e os chimpanzés podem cruzar-se para produzir descendentes férteis? A resposta é um claro "não"; chimpanzés e humanos têm diferentes números de cromossomos (humanos 23 pares, chimpanzés 24), que quase (não completamente) significa que qualquer descendente hipotético seria estéril.
Membros de diferentes espécies podem, de fato, às vezes se cruzar. Os exemplos mais óbvios são cavalos e burros, que são espécies diferentes, têm números cromossômicos diferentes, mas podem se cruzar produzindo mulas.
Além disso, porém, diz o Dr. York, não há uma regra simples para determinar quais espécies podem se cruzar. Os seres humanos e os chimpanzés divergiram (na evolução) aproximadamente ao mesmo tempo que cavalos e burros (entre 5 e 10 milhões de anos atrás) e, muito grosseiramente, são tão semelhantes, geneticamente, quanto cavalos e burros. Mas isso não garante nada; é um assunto caso a caso. Algumas espécies que são mais semelhantes que humanos a chimpanzés não podem se cruzar.
"Em princípio, é perfeitamente possível que os chimpanzés e os humanos possam se cruzar. Em princípio, é inteiramente possível que eles não consigam. A menos que a experiência seja feita, não saberemos." – The Hook
Ler também: Humanzee (um hipotético híbrido humano/chimpanzé). Uma tentativa fracassada de criar tal híbrido foi feita por Ilya Ivanovich Ivanov, na década de 1920.

quinta-feira, 11 de abril de 2019

1092 - Ressonância Magnética com Gás Hiperpolarizado

Uma nova técnica desenvolvida por Talissa Altes, MD, usa imagens de ressonância magnética com gás hiperpolarizado (hélio-3) para avaliar os resultados de um tratamento da fibrose cística.
Uma doença letal
A fibrose cística [1] [2] [3] [4] é uma doença respiratória que causa densos acúmulos de muco nos espaços aéreos dos pulmões. Isso dificulta a respiração e leva a uma infecção potencialmente fatal, matando muitos pacientes antes que eles atinjam os 50 anos de idade.
Não há cura, mas há tratamento.
O problema com o tratamento é não haver uma maneira consistente de determinar se o medicamento está efetivamente funcionando de pessoa para pessoa.
Até agora.
A descoberta da imagem com hélio
Altes, do Departamento de Radiologia da Universidade de Virgínia, EUA, foi o principal autor do novo estudo que desenvolveu a ideia de usar imagens com hélio para testar a eficácia de uma droga na fibrose cística.
A técnica foi cunhada de Ressonância Magnética com Gás Hiperpolarizado e é essencialmente isto: hélio (especificamente hélio-3) sendo usado como um agente de contraste dentro dos pulmões na ressonância magnética. Um pulmão saudável aparecerá completamente branco quando o hélio estiver presente e livre para vaguear, de acordo com Altes.
Em um pulmão doentio, onde a ventilação sofre bloqueios, o hélio não poderá circular livremente. Essas áreas bloqueadas aparecerão escuras na imagem.
Basicamente, é um teste com corante. Ao comparar as áreas brancas com as escuras das imagens por hélio, o radiologista poderá dizer se e quão bem a droga para a fibrose cística está funcionando de paciente para paciente.
Mais branco = tratamento mais eficaz. Menos branco = tratamento menos eficaz.
Helium imaging used to measure cystic fibrosis treatment, Zephyr

quinta-feira, 4 de abril de 2019

1091 - A tributação progressiva sobre o cigarro: um dos fatores que levaram à redução de fumantes no Brasil

Questionado sobre a criação, por parte do ministério da Justiça, de um grupo de trabalho para avaliar a redução da impostos de cigarros fabricados no Brasil, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que precisava estudar a portaria, mas afirmou que estava preocupado com possíveis impactos como um aumento no consumo.
A instituição deste grupo de trabalho foi publicada no Diário Oficial da União de 26 de agosto. Segundo o documento, a ideia é realizar estudos sobre a tributação atual e analisar propostas de mudanças com o objetivo de "diminuir o consumo de cigarros estrangeiros de baixa qualidade, o contrabando e os riscos à saúde dele decorrentes".
Em audiência pública na CCJ (comissão de Constituição e Justiça) do Senado, o ministro da Justiça disse que não há nenhuma posição tomada. Segundo ele, quase metade do mercado brasileiro é dominado pelo cigarro paraguaio, de baixa qualidade. "O controle de qualidade é inferior ao do cigarro brasileiro. Existe um problema de saúde pública, então é preferível, sem elevação de consumo, que este mercado fosse preenchido pelo cigarro brasileiro submetido a maiores controles".
O aumento progressivo de impostos sobre o cigarro foi adotado no Brasil entre 2011 e 2016. Desde então, especialistas na área da saúde apontam a política como um dos fatores que levaram à redução de fumantes no país. Em 2011, a taxa de fumantes no Brasil era de 14,8%. Em 2017, passou a para 10,1%.
Representantes da indústria do tabaco, no entanto, têm pressionado para rever os valores, sob o argumento de que a medida tem estimulado o contrabando de cigarros ilegais no Brasil. O anúncio da criação de um grupo de trabalho para analisar uma possível redução nos impostos sobre esses produtos, assim, indica um aceno do governo à demanda dos fabricantes.
"Meu governo é isso aí, taoquei?!"
A ACT Promoção da Saúde, ONG que atua na área de controle do tabaco e prevenção de doenças crônicas, diz "discordar firmemente" da proposta. A organização cita dados do estudo Atlas do Tabaco, que mostram que o preço mínimo de cigarros hoje no Brasil ainda é baixo - equivalente a praticamente a metade do que é praticado em outros países. A entidade lembra ainda que o aumento de impostos sobre o cigarro é uma das ações recomendadas na Convenção para o Controle do Tabaco, tratado assinado por 181 países e do qual o Brasil é signatário.

quinta-feira, 28 de março de 2019

1090 - Primeiro aniversário da Faculdade Rodolfo Teófilo

A Faculdade Rodolfo Teófilo (FRT) é a única escola superior particular no Ceará que começou suas atividades já com um hospital próprio, o Hospital Haroldo Juaçaba, do Instituto do Câncer do Ceará (ICC). São quatro cursos de graduação na área da saúde ofertados: Enfermagem, Fisioterapia, Gestão Hospitalar e Serviço Social. Os alunos desde o início do curso podem realizar estágios dentro do próprio ICC.
A comemoração do primeiro ano de funcionamento da faculdade aconteceu na noite de 12 de março de 2019, em sua sede da Avenida do Imperador. Essa programação foi aberta com a apresentação do Coral do ICC, sendo seguida pelas palestras do Prof. Dr. Marcus Vale, que discorreu sobre a vida e obra do farmacêutico e escritor Rodolfo Teófilo, e do Prof. Dr. Milton Sousa, abordando o tema: Inovação, oportunidades e horizontes.
Transcrito do Blog do Marcelo Gurgel

quinta-feira, 21 de março de 2019

1089 - Eritrócito ao capilar

Microscopia eletrônica de varredura (MEV) colorida de um eritrócito (glóbulo vermelho) espremendo-se em um capilar. É aqui que acontece a liberação de oxigênio para os tecidos circundantes.
Ampliação: 9000 X
https://t.co/wSYVebsVZr
Crédito THOMAS DEERINCK, NCMIR / SCIENCE PHOTO LIBRARY

quinta-feira, 14 de março de 2019

1088 - Atenção às mulheres com gestação de anencéfalos

A Constituição Federal de 1988 estabeleceu o primado dos direitos e garantias fundamentais e reconheceu a universalidade do direito à saúde e o dever do Estado de garantir e oferecer meios e acesso para o exercício desse direito.
 A anencefalia é uma malformação incompatível com a vida. Dados de literatura relatam que entre 75% a 80% dos fetos com anencefalia são natimortos, ou seja, morrem ainda no útero. O restante morre dentro de horas ou poucos dias após o parto. O prolongamento dessa gestação pode afetar o bem-estar físico e mental da mulher e até mesmo colocar a sua vida em risco.
Nos dias 11 e 12 de abril de 2012, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou procedente a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 54, proposta pela Confederação Nacional dos Trabalhadores da Saúde, e decidiu, definitivamente, que a mulher com gestação de anencéfalo poderá manter ou interromper a gestação, se assim o desejar, na rede pública ou no serviço privado de saúde. Portanto, não é mais necessária qualquer autorização judicial para a realização do procedimento.
De acordo com essa decisão definitiva do STF, a proibição do aborto prevista no atual Código Penal brasileiro não se aplica ao caso de fetos anencéfalos, em síntese: (i) porque a causa da morte fetal decorre, unicamente, de sua própria malformação incurável, sendo incabível alegar-se violação à vida do feto, não sendo possível, sequer, falar-se em aborto em termos jurídicos; (ii) porque não se pode interpretar a lei penal descriminalizadora de modo restritivo, desconsiderando-se a realidade e o fato de que, em 1940, quando redigido o Código Penal, era impossível prever as anomalias fetais, ao passo que, atualmente, a anencefalia é diagnosticável com 100% de certeza por ultrassonografia; (iii) porque obrigar a mulher a manter a gestação de anencéfalo, contra sua vontade, é submetê-la à tortura psicológica, violando sua saúde física e mental e afrontando seus direitos fundamentais, protegidos pela Constituição Federal, como: dignidade da pessoa humana, saúde, privacidade, liberdade e autonomia da vontade.
Essa decisão do STF tem efeito em todo território nacional: a mulher que desejar interromper a gestação de anencéfalo e o/a(s) médico/a(s) que realizar(em) o procedimento não estarão praticando aborto, portanto, não estarão praticando nenhum crime. E, se as mulheres optarem pela interrupção da gestação ou antecipação terapêutica do parto nesses casos, os hospitais têm o dever de realizar o procedimento, dando toda a assistência à mulher.
Introdução de Atenção às mulheres com gestação de anencéfalos - Norma Técnica do Ministério da Saúde (2014)

quinta-feira, 7 de março de 2019

1087 - Um experimento em microbiologia para 500 anos

Em algum lugar da Universidade de Edimburgo, há uma caixa de carvalho contendo 400 frascos selados de vidro - bem, agora são alguns menos - que contêm esporos secos de B. subtilis e Chroococcidiopsis sp.
(A) Bacillus subtilis, uma bactéria Gram-positiva. (B) A estrutura de um esporo bacteriano típico. As múltiplas camadas do esporo servem para proteger o genoma, que está alojado no núcleo parcialmente desidratado. (C) Chroococcidiopsis sp., uma cianobactéria extrema tolerante à dessecação.
A 500-year experiment, por Charles Cockell
No Museu de História Natural de Londres há réplicas dessa caixa e do seu conteúdo. Eles são o material de um experimento sobre a sobrevivência a longo prazo das bactérias. Tão longo é esse prazo que o experimento, que começou em 2014, não terminará até 30 de junho de 2514. Sim, é uma experiência que durará 500 anos . Então, não digam agora que os cientistas não são pacientes. A ideia é que a cada dois anos, durante os primeiros 24 anos do experimento, seis frascos sejam retirados de cada uma das caixas, eles sejam abertos, os esporos sejam reidratados e sua capacidade de germinar seja observada. Três dos frascos estão em uma caixa de papelão simples, os outros três em uma caixa de chumbo para protegê-los da radiação ambiente. A partir daí, o processo é repetido a cada 25 anos até atingir 2514. Nas observações realizadas em 2014 e 2016 não foi encontrado que a capacidade de germinação dos esporos tenha sido reduzida; Os resultados de 2018 ainda não foram publicados, mas presume-se que não haja muita diferença. O maior problema desta experiência é arranjar alguém que, dentro de vários séculos,, seja capaz de saber o que fazer com as amostras que estão nas caixas, assumindo-se que a civilização e a ciência continuem a existir, e que as caixas não estejam perdidas em um porão qualquer, é claro.
As experiências mais longas da história até agora:
A Campainha Oxford, que funciona com duas pilhas secas desde 1840. Desconhece-se a exata composição dessas pilhas que fornecem eletricidade para que a campainha funcione há 176 anos.
O Relógio Beverly, situado no Departamento de Física da Universidade de Otago, em Dunedin, Nova Zelândia. Acionado por variações de temperatura e pressão atmosférica, o relógio funciona desde que foi construído em 1864.
A Gota de Piche, na Universidade de Queensland, na Austrália, um experimento que teve início em 1927. Desde que o piche começou a fluir através de um funil já gotejou em nove ocasiões: a primeira, em 1938 (onze anos depois), e a última, em julho de 2013.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

1086 - Expectoração de um molde do brônquio direito

Um homem de 36 anos foi internado na unidade de terapia intensiva com uma exacerbação aguda de insuficiência cardíaca crônica. Sua história clínica incluía insuficiência cardíaca com fração de ejeção de 20%, substituição valvular aórtica (bioprótese) para estenose aórtica bicúspide, implante de stent endovascular de aneurisma aórtico e colocação de marca-passo permanente para bloqueio cardíaco completo.
Um dispositivo de assistência ventricular foi colocado para o tratamento da agudização da insuficiência cardíaca e uma infusão contínua de heparina foi iniciada para a anticoagulação sistêmica. Durante a semana seguinte, o paciente apresentou episódios de hemoptise de pequeno volume, aumentando o desconforto respiratório e necessitando do uso de oxigênio suplementar (até 20 litros administrados por meio de uma cânula nasal de alto fluxo).
Por ocasião de uma crise intensa de tosse, o paciente expectorou espontaneamente um molde intacto da árvore brônquica direita. A árvore brônquica direita consiste de três ramos segmentares no lobo superior (setas azuis), dois ramos segmentares no lobo médio (setas brancas) e cinco ramos segmentares no lobo inferior (setas pretas).
O paciente foi subsequentemente entubado e a broncoscopia flexível revelou uma pequena quantidade de sangue nos ramos basilares do lobo inferior direito. Extubado dois dias depois, não teve mais episódios de hemoptise.
Uma semana após a extubação, ele morreu de complicações da insuficiência cardíaca (sobrecarga de volume e débito cardíaco hipossuficiente).
Cast of the right bronchial tree
N Engl J Med 2018; 379:2151
DOI: 10.1056/NEJMicm1806493
Gavitt A. Woodard, MD
 Georg M. Wieselthaler, MD 
Universidade da Califórnia, São Francisco - CA
Ver também... 
Minha resposta no blog EM a esta pergunta: Árvore em brotamento?

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

1085 - Nuvens marrons e CFC

Veerabhadran Ramanathan (24 de novembro de 1944), cientista atmosférico indiano que, em 1999, descobriu a"Asian Brown Cloud" (foto WIKI) - camadas errantes de poluição do ar tão amplas quanto um continente e mais profunda que o Grand Canyon. As partículas escuras nessas nuvens marrons podem reduzir a chuva, secar a superfície do planeta, resfriar os trópicos e reduzir a luz solar - escurecimento global.
Em 1975, Ramanathan foi o primeiro a demonstrar que os CFCs são os principais gases do efeito estufa. Seus cálculos mostraram que cada molécula de CFC na atmosfera contribui mais para o efeito estufa do que 10.000 moléculas de dióxido de carbono.
Arquivo
76 - "Bombinhas" sem CFC
922 - "O homem que matou um bilhão de pessoas"

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

1084 - Doença de Chagas oral

Uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) padronizou uma técnica de análise capaz de detectar a presença do material genético do parasito causador da doença de Chagas em alimentos à base de açaí. O método pode contribuir para a investigação dos casos de transmissão por via oral, que atualmente representam quase 70% dos registros de infecção aguda no Brasil – forma da doença que pode ser fatal. Os resultados, obtidos a partir de uma colaboração entre pesquisadores do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz) e do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), foram publicados na revista científica Parasites and Vectors.
Segundo o Ministério da Saúde, entre 2007 e 2016, o Brasil registrou, em média, 200 casos agudos de doença de Chagas por ano. Destes, 69% foram causados por transmissão oral, derivada da contaminação de bebidas e comidas. Embora casos de infecção já tenham sido ligados ao consumo de outros alimentos, o açaí é o item mais frequentemente associado a essa rota de transmissão do T. cruzi. Entre as notificações registradas de 2007 a 2016, cerca de 95% ocorreram na região Norte, com 85% no estado do Pará, onde o consumo do suco fresco de açaí é um item tradicional da cultura alimentar.
Pesquisas apontam que o aquecimento acima de 45 ºC e a pasteurização são medidas eficazes para matar o T. cruzi. Por outro lado, o simples congelamento dos frutos pode não ser suficiente. Um estudo mostrou que o parasito continuava infectivo após 26 horas de contato com a polpa de açaí congelada. Para evitar a contaminação, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomenda uma série de medidas, que vão desde cuidados como retirar galhos, troncos e demais folhagens do cacho de açaí no momento da colheita até a seleção, lavagem e desinfecção dos frutos antes do preparo na etapa de processamento.
A maioria dos pacientes não apresenta sintomas na fase aguda da doença de Chagas. Quando acontecem, as manifestações mais comuns são febre por mais de sete dias, dor de cabeça, fraqueza intensa, inchaço no rosto e nas pernas. Principalmente nos casos de transmissão oral, dor de estômago, vômitos e diarreia são frequentes. Em até 5% dos casos, a infecção aguda por via oral pode levar à morte. O tratamento indicado para a forma aguda da infecção inclui medicamento específico contra o T. cruzi e, na maioria dos casos, é eficaz para curar o agravo. Entre os pacientes não tratados, um terço desenvolve a forma crônica da doença, na qual problemas cardíacos ou digestivos podem se manifestar cerca de 20 a 30 anos depois da infecção.
Extraído de: Método detecta parasito da doença de Chagas em açaí, Portal Fiocruz

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

1083 - Coração materno

Mãe morre no parto e seu coração é doado a um rapaz (de camisa preta). Veja a reação do bebê diante do rapaz.
Campanha CCTV
"Se non è vero, è ben trovato."

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

1082 - Para onde vai a gordura que você perde?

Como parte de um estudo sobre esse assunto em particular, cientistas da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, formularam uma questão muito simples aos profissionais de saúde: quando alguém perde peso, para onde vai a gordura? Dos 150 nutricionistas, médicos e personal trainers entrevistados, apenas três deles responderam à questão corretamente.
Ao escrever para o site The Conversation, os cientistas-assistentes Ruben Meerman e Andrew Brown, professor e chefe de biotecnologia e ciências biomoleculares da universidade, explicaram os resultados da pesquisa – e assim como os profissionais de saúde que foram questionados, você pode se surpreender com o que eles relataram.
Eles escreveram: "o equívoco mais comum, de longe, é que a gordura é convertida em energia. O problema com essa teoria é que ela viola a lei da conservação da matéria, da qual obedecem todas as reações químicas". Outros entrevistados acreditavam que a gordura era convertida em músculo, o que, segundo eles explicaram, "é impossível". Outra teoria era que ela deixa o corpo através do cólon, que também foi provado estar incorreto.
Então qual a resposta? 
 "A gordura é convertida em água e dióxido de carbono. Você exala o dióxido de carbono e a água se mistura na sua circulação até se perder na urina ou no suor. Se você perder 10 quilos de gordura, precisamente 8,4 kg sairão pelos pulmões e os 1,6 kg restantes se transformarão em água. Em outras palavras, quase todo o peso que perdemos é exalado."
Enquanto isso pode surpreender as pessoas, quase tudo o que comemos volta pelos pulmões. Por exemplo, todos os carboidratos que você digere e quase todas as gorduras são convertidos em água e dióxido de carbono. O mesmo vale para a proteína e o álcool, além de uma pequena quantidade da primeira, que é transformada em ureia e outros sólidos, e excretada na forma de urina.
Os cientistas apontaram que o único alimento que chega não digerido ao cólon é a fibra dietética, como o milho. O resto é absorvido pela corrente sanguínea e pelos órgãos.
When we lose weight, where does it go?
http://www.tudoporemail.com.br/content.aspx?emailid=11394
PÔR IMAGEM

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

1080 - O cigarro de palha


"Meu cigarro de palha 
Meu cavalo ligeiro
Minha rede de malha
Meu cachorro trigueiro."
(Luiz Gonzaga)
Todos os produtos do tabaco quando inalados são prejudiciais à saúde. Esta regra também se aplica ao cigarro de palha, o cigarro enrolado manualmente.
Um cigarro de palha equivale a 2-3 cigarros de papel. Como ele não tem filtro, maior quantidade de fumaça é tragada ao ser consumido.
A maioria das marcas do cigarro artesanalmente fabricado não segue padrões de qualidade nem de controle sanitário durante sua produção. Um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial apontou que existem no Brasil pelo menos 18 fabricantes irregulares (12 só em Minas Gerais). Estes cigarros são geralmente feitos em locais improvisados, com equipamentos precários e sem registro na Anvisa.
Na lista da Anvisa, apenas 13 empresas no país possuem a devida autorização.
(https://globoplay.globo.com/v/7140767/programa/)
Imagem: http://guilkato.blogspot.com/2009/04/cigarro-de-palha.html

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

1079 - A eletroterapia piscatória

Se você estivesse sofrendo de hemorroidas, você consideraria a possibilidade de aplicar na área afetada choques elétricos de 350 volts fornecidos por um peixe elétrico?
Por mais improváveis que pareçam, tais práticas eram conhecidas no tempo dos antigos romanos - precedendo as modernas máquinas TENS por cerca de 2 mil anos.
Plínio e Plutarco reconheciam o efeito entorpecedor da eletricidade pela aplicação do peixe torpedo ao corpo. Scribonius Largus defendeu o uso da eletroterapia piscatória para o alívio da dor associada a gota, dor de cabeça, artrite e hemorroidas.
Diversos bagres possuem órgãos eletrogênicos bem desenvolvidos que os tornam capazes de fornecer corrente elétrica, incluindo o grande bagre do Nilo.
Foto: Malapterurus electricus
https://www.improbable.com/2018/07/26/shocking-fish-therapy-for-hemorrhoids-and-other-ailments/
https://en.wikipedia.org/wiki/Electric_catfish

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

1078 - Unidades do Sistema Internacional

As unidades de base do Sistema Internacional (SI) são seis: metro (comprimento), quilograma (massa), segundo (tempo), ampere (corrente elétrica), Kelvin (temperatura), mole (quantidade de substância) e candela (intensidade luminosa).
No SI há também as unidades derivadas, que são formadas por potências, produtos ou quocientes das unidades de base. Exemplos: hertz, Newton, pascal, joule, watt, coulomb, volt, ohm, graus Celsius e lúmen, entre outras.
E há ainda as unidades não SI que nunca foram sancionadas pela Conferência Geral sobre Pesos e Medidas, a CGPM, mas que continuam sendo usadas em todo o mundo. O caso do milímetro de mercúrio (mmHg) na medicina, por exemplo. (*)
Esfigmomanômetro ou tensiômetro - o dispositivo tradicional que mede a pressão arterial usando mercúrio em um manômetro. As pressões são nele registradas em "milímetros de mercúrio" - uma unidade não-SI.
Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/International_System_of_Units
(*) O número indicado na embalagem das meias Kendall® ao lado desta sigla (mmHg) significa o quanto as meias têm de "pressão" ao nível do tornozelo. As meias de compressão Kendall® possuem compressão graduada, que garante uma maior compressão no tornozelo e um decréscimo gradual até a altura da coxa, facilitando a circulação sanguínea. | O manovacuômetro, que é utilizado para medir as pressões respiratórias máximas, fornece os resultados em milímetros de mercúrio.
Arquivo
321 - Velcro
437 - A termometria clínica
882 - Anvisa propõe proibir termômetros (e tensiômetros) com mercúrio no país