quinta-feira, 11 de outubro de 2018

1066 - A ciência precisa de uma solução para a tentação dos resultados positivos

Há alguns anos, os cientistas da empresa de biotecnologia Amgen tentaram replicar 53 estudos de referência que defendiam novas abordagens para o tratamento de cânceres usando moléculas existentes e novas. Eles conseguiram replicar as descobertas da pesquisa original apenas 11% das vezes.
A ciência tem um problema de reprodutibilidade. E as ramificações são generalizadas.
Esses 53 artigos foram publicados em periódicos de alto nível, e os 21 publicados nos periódicos de maior impacto foram citados em média 231 vezes em trabalhos subsequentes.
Em 2011, os produtos farmacêuticos da Bayer relataram um trabalho semelhante de reprodução. Dos 67 projetos que realizaram para reexecutar experimentos (dos quais 47 envolveram câncer), apenas cerca de 25% terminaram com resultados alinhados com os achados originais.
Acontece que a maioria das empresas farmacêuticas realiza regularmente esses tipos de programas de validação internos. Eles parecem céticos sobre as descobertas da literatura publicada. Dado que seu valioso tempo e seu investimento de bilhões de dólares em recursos de pesquisa dependem diretamente do sucesso dos projetos, suas preocupações parecem justificadas.
Infelizmente, não somos todos tão cuidadosos. Mais e mais dados mostram que deveríamos sê-lo.
Em 2015, os pesquisadores relataram sua replicação de 100 experimentos publicados em 2008 em três importantes periódicos de psicologia. Os estudos de psicologia geralmente não geram muito dinheiro ou produtos comercializáveis, portanto, as empresas não se concentram em verificar sua robustez. No entanto, neste experimento, os resultados da pesquisa foram igualmente questionáveis. As descobertas das réplicas coincidiram com os estudos originais de um terço a metade das vezes, dependendo dos critérios usados ​​para definir "similar".
Há várias razões para esta crise. Os próprios cientistas são um pouco culpados. A pesquisa é difícil e raramente perfeita. Uma melhor compreensão da metodologia e as falhas inerentes podem produzir um trabalho mais reprodutível.
O ambiente de pesquisa e seus incentivos agravam o problema . Os acadêmicos são recompensados ​​profissionalmente quando publicam em um periódico de alto nível. Essas revistas são mais propensas a publicar um trabalho novo e sensacionalista. Isso é o que os financiadores querem também . Isso significa que há um incentivo, quase invisível, para alcançar novos e excitantes resultados em experimentos.
Alguns pesquisadores podem ficar tentados a garantir que obtenham "resultados novos e empolgantes". Isso é fraude . Por mais que queiramos acreditar, isso nunca acontece. Claramente, os resultados fabricados não serão replicáveis ​​em experimentos de acompanhamento.
Mas a fraude é rara. O que acontece com muito mais frequência é muito mais sutil. Os cientistas são mais propensos a tentar publicar resultados positivos do que negativos. Eles são levados a conduzir experimentos de forma a aumentar a probabilidade de obter resultados positivos. Eles, às vezes, medem muitos resultados e relatam apenas os que apresentaram resultados maiores. Às vezes, eles mudam as coisas apenas o suficiente para obter uma medida crucial de probabilidade - o valor p - até 0,05 e reivindicar significância. Isso é conhecido como p-hacking.
Siga lendo em: Science Needs a Solution for the Temptation of Positive Results, NY Times

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

1065 - Mortes em armazéns de grãos no Brasil

As silenciosas mortes de brasileiros soterrados em silos
Um levantamento inédito feito pela BBC News Brasil revela que, desde 2009, ao menos 106 pessoas morreram em silos de grãos no país, a grande maioria por soterramento.
Cada vez mais comuns nas paisagens rurais do país, silos são grandes estruturas metálicas usadas para armazenar grãos, evitando que estraguem e permitindo que vendedores ganhem tempo para negociá-los.
Foram contabilizados apenas casos noticiados pela imprensa – o que, segundo especialistas, indica que as ocorrências sejam ainda mais numerosas, pois nem todas as mortes são divulgadas.
O ano com mais acidentes fatais foi 2017, quando houve 24 mortes, alta de 140% em relação ao ano anterior. Em 2018, houve 13 ocorrências até julho – sinal de que as mortes devem se manter no mesmo patamar de 2017, considerando-se o histórico de distribuição das ocorrências ao longo do ano.

Os Estados que tiveram mais casos são os mesmos que lideram o ranking de produção de grãos: Mato Grosso (28), Paraná (20), Rio Grande do Sul (16) e Goiás (9). Houve mortes em 13 Estados distintos, em todas as regiões do país.
Em geral, soterramentos em silos matam em instantes. O trabalhador é asfixiado ao afundar nos grãos e não consegue subir à superfície, como se fosse sugado por uma areia movediça. Quando é envolto pelos grãos, o trabalhador raramente sobrevive.
Em alguns casos, o trabalhador cai nos grãos e é soterrado após passar mal com gases tóxicos produzidos por sua fermentação. Há ainda casos em que as mortes são causadas unicamente pela inalação desses gases.
O cumprimento da norma 33 do Ministério do Trabalho, que rege as atividades em ambientes confinados – categoria que inclui o trabalho em armazéns de grãos, reduziria drasticamente o problema.
A norma contém quase uma centena de orientações para prevenir acidentes nesses espaços, entre as quais proibir o acesso de pessoas não treinadas, testar com frequência os equipamentos de segurança e realizar simulações de salvamento. No entanto, os auditores do ministério responsáveis por fiscalizar os silos são em número insuficiente – e essa carência se agravou com os cortes orçamentários dos últimos anos.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

1064 - Cabine de amamentação

Tive uma ótima ideia: uma cabine de amamentação. Como vocês sabem, tem gente que se incomoda com a amamentação em público, e pensei na cabine como uma solução para o aborrecimento por que essas pessoas injustamente incomodadas passam.
Funciona assim: a cabine é tipo um banheiro público, um container de plástico com as paredes opacas. Aí, caso uma mãe tenha que amamentar em público, o processo é simples: você pega a pessoa incomodada e tranca-a lá dentro, enquanto a mãe estiver amamentando (ou talvez um pouco mais para ver se ela aprende a conviver em sociedade).
Startups, a ideia está disponível aí, podem me contatar.
Empreendedorismo a gente vê por aqui.
Yuri Portugal Serrão Ramos
Ler também:
788 - Uma resposta à altura do insulto
798 - O protesto das mães lactantes

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

1063 - Um monumento ao rato de laboratório




Esta escultura, do artista Andrew Kharkevich, encontra-se perto do Instituto de Citologia e Genética da Rússia, em Novosibirsk, a terceira cidade mais populosa do país e a cidade mais populosa da Sibéria. Destina-se a homenagear os animais de laboratório que foram sacrificados nas pesquisas científicas.
O monumento feito de bronze mostra um rato de jaleco e óculos tecendo a dupla hélice do DNA com agulhas.
Mantendo as características anatômicas de um rato, o escultor optou pelo meio termo entre um personagem de desenho animado e um rato da vida real.
Lembra um pouco a Sra. Frisby, o que pode ser intencional, quem sabe.

Também na Rússia: Um monumento ao enema.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

1062 - Os cartões McBee no Hospital de Messejana

Os cartões perfurados McBee eram um sistema de classificação de dados desenvolvido antes dos computadores. Inventado em 1896, eles estiveram em uso comum até a década de 1980. Esses cartões tinham orifícios perfurados em intervalos regulares ao redor das bordas, e você podia escrever mais informações no meio do cartão. Cada buraco correspondia a uma determinada categoria de dados predeterminada pelo usuário. Para indicar que o cartão pertencia a uma categoria específica, você estendia um buraco até a borda do cartão, criando um entalhe.
Depois de alinhar todos os cartões, você inseria um longo estilete no buraco que representava a categoria desejada. Ao ser levantado o conjunto dos cartões, aqueles que não pertenciam à categoria ficavam suspensos no estilete, enquanto os cartões que pertenciam à categoria, como tinham o entalhe naquele ponto, destacavam-se do estilete e eram recuperados. O estreitamento adicional dos resultados poderia ser realizado usando o estilete em orifícios que representavam outras categorias.
Este conjunto de cartões perfurados foi usado no Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas pelos Drs. Joseph Bell, Robert Huebner, Robert Chanock e Albert Kapikian para armazenar, analisar e agrupar dados. Eles realizaram muitos estudos epidemiológicos em hospitais, orfanatos e prisões sobre vírus como gripe e hepatite, no final dos anos 50 e início dos anos 60.
MEMÓRIA
Ao assumir a chefia da Seção de Documentação Estatística (equivalente a um Serviço de Arquivo Médico e Estatística) do Hospital de Messejana, tomei conhecimento da existência desses cartões perfurados McBee. Impressos na cor amarela, eram adaptados às peculiaridades de um sanatório para o diagnóstico e o tratamento da tuberculose. E havia, na Seção, uma tesoura especial que uma funcionária manuseava para picotar as fichas, além do já citado estilete, claro.
Com a transformação do sanatório em um hospital dedicado à cardiologia e à pneumologia, bem como às cirurgias que são realizadas nestas especialidades, as fichas de McBee se tornaram obsoletas. E tivemos de implantar um novo sistema em que dispúnhamos de quatro modelos de fichas para o armazenamento de dados (Diagnóstico, Cirurgia, Médico e Óbito).
Adiante, no fim da década de 1980, a começar pela Seção de Documentação Científica, o armazenamento de dados no Hospital de Messejana entrou na era digital. Contando com a colaboração de um dedicado funcionário da própria Seção, o Haroldo, diversos programas de informática foram criados para armazenar e processar os dados de interesse da administração e do corpo clínico do Hospital. ~ Paulo Gurgel

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

1061 - Mundo dos raros

"Quando meu primeiro filho nasceu [com mucopolissacaridose do tipo 6, doença metabólica causada por erro inato do metabolismo], não tinha informação, não existia nada que pudesse nos ajudar como pais a saber exatamente com o que a gente estava lidando. Não havia diagnóstico preciso e não havia tratamento", conta Regina Próspero. Regina é uma das entrevistadas do documentário “Mundo dos Raros”, lançado em fevereiro no YouTube, com depoimentos de quem sofre tanto por doenças raras quanto pela jornada na busca de informações e tratamentos.
No mundo, em torno de 560 milhões de pessoas são portadoras de alguma doença rara, uma categoria que abrange mais de 8 mil tipos, normalmente crônicas, progressivas, incapacitantes e sem cura — não há tratamento específico para 95% delas. No Brasil, são consideradas raras as doenças que atingem um máximo de 65 pessoas a cada 100 mil habitantes (Radis 149).
"No dia em que descobri que tinha hepatite autoimune, me lembro de descer do consultório, sentar na praça e ficar sem conseguir pensar em nada do que iria fazer dali por diante", relata Andrea Soares. Mas, seis anos depois do diagnóstico, foi ela quem idealizou e ajudou a produzir o documentário, "para incluir pela arte os 15 milhões de raros que vivem em exclusão no país". "Queria mostrar que a gente existe", diz ela à Radis. O vídeo foi dirigido por Sergio Spina e produzido pela NaVeia Filmes.
Nos depoimentos, são especialmente frequentes as falas que apontam o problema da falta de informação. "Há uma grande dificuldade de encontrar caminhos. Se a doença é rara para mim, é para você, para o médico, para todo mundo", observa Andrea. A escolha por disponibilizar o filme no YouTube também parte da intenção de derrubar as barreiras de acesso: "Assim, podemos chegar a mais gente e fazer com que as pessoas com doenças raras se sintam olhadas como pessoas e não como portadoras de determinada doença".
O filme tenta aproximar a sociedade desse universo: mostra como levam a vida tentando se adaptar às novas condições, a se inserirem no mundo dos "não" doentes, a serem reconhecidos e respeitados. A psicóloga Angélica Rente levanta a questão: "Como não deixar que as diferenças se sobreponham tanto e as pessoas vivendo nessa circunstância deixam de pertencer?". A resposta, para ela, é a empatia. "Empatia não é um sentimento, mas uma qualidade de ação. Podemos viver mais coletivamente, de maneira mais comunitária".
Bruno Domingues
Revista Radis, nº. 190, julho de 2018
Assista em mundodosraros.com

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

1060 - Antitabagismo e ética médica

Conferência magistral do Prof. Dr. MARIO RIGATTO (da UFRGS), no "IX Outubro Médico".
Entidade promotora: Centro Médico Cearense
Local: Centro de Convenções, em Fortaleza-CE
Ano: 1993
Composição da mesa: Médicos pneumologistas Dr. Paulo Gurgel Carlos da Silva (presidente) e Dra. Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg (secretária)

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

1059 - De que é feita a poeira doméstica?

"No começo era o Pó, no fim será o Pó e no meio é o Pó, Pó, Pó!" ~ Catherynne M. Valente, "In the Cities of Coin and Spice"
O vídeo TED-Ed "The universe in a grain of dust" (O universo em um grão de poeira), de Michael Marder, expõe os componentes usuais que compõem a poeira doméstica. Isto inclui desde as geralmente mencionadas células da pele (humana e de animais) até partículas do espaço exterior.
Toda vez que uma estrela explode em uma galáxia distante, os gases superaquecidos vaporizam o que estiver ao redor; até que a poeira resultante assente e comece a flutuar entre planetas e galáxias. Este pó extraterrestre contém partículas estelares e é a matéria-prima com a qual futuros corpos celestes serão formados. Todos os anos, dezenas de milhares de toneladas dessa poeira cósmica caem na Terra, misturando-se com os minerais terrestres. Esta mistura de substâncias químicas, minerais e partículas intergalácticas acaba depositada nas superfícies das casas.
Aos restos de pele e cabelo e poeira intergaláctica, não faltam os habituais ácaros, pólen, produtos químicos e partículas contaminantes, fibras e roupas --- dependendo da geologia local podem ser carbono particulado, quartzo ou cinza vulcânica: "a combinação resultante para cada lugar pode ser tão única quanto uma impressão digital".

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

1058 - Os óculos bifocais de Ben

A habilidade de focar claramente objetos e lugares próximos diminui com a idade. Isso é conhecido como presbiopia, e explica porque as pessoas mais velhas tendem a segurar objetos afastados dos olhos. Óculos bifocais incorporam duas lentes para cada olho. A parte inferior de cada lente corrige a presbiopia, colocando os objetos próximos em foco.
Benjamin Franklin (1706-1790) é considerado o inventor das lentes bifocais, ainda que ninguém saiba ao certo quem as projetou ou quando foram fabricadas. Ben e outras poucas pessoas usaram lentes bifocais desde a década de 1760, e a primeira menção feita por ele a respeito de seus "óculos duplos" está numa carta de 21 de agosto de 1784.
Nessa carta, ele escreveu da França para um amigo descrevendo a solução das lentes bifocais para o problema de carregar dois pares de óculos para ver objetos a distâncias diferentes, com o comentário de que "tenho apenas que mover meus olhos para cima e para baixo, quando quero ver longe ou perto".
Com certeza, Benjamin Franklin foi o responsável pela divulgação das lentes bifocais e, como o homem da ciência - e com a visão fraca -, ele, sem dúvida, compreendia os princípios por trás de seu funcionamento. A lente dos óculos bifocais de Ben consistia em dois pedaços distintos de vidro, cada um com um poder de focagem diferente. Mas, já no fim do século XIX, Louis de Wecker (1832-1906) criou a maneira de fundir as duas lentes numa só. O termo "bifocal" foi, na verdade, criado por John Isaac Hawkins (1772-1854), em 1826, para diferenciar dos óculos inventados por ele e que incorporavam três lentes.
As lentes "trifocais" de Hawkins solucionaram um problema enfrentado por idosos que usavam lentes bifocais: ainda que objetos próximos e distantes estivessem em foco, a visão de média distância ficava comprometida. Hoje, os óculos dispõe de uma variedade muito maior de distâncias focais, e não apenas de duas ou três. Estas lentes "multifocais" foram vistas pela primeira vez na década de 1950 e permitiram uma transição suave de uma distância focal a outra.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

1057 - Mnemônicos em Biologia

MNEMONICS, Mnemonics Neatly Eliminate Man’s Only Nemesis: Insufficient Cerebral Storage. (Mnemônicos ordenadamente eliminam o único adversário do homem: armazenamento cerebral insuficiente.). In: Um mnemônico para a palavra mnemônico, blog EM
Um mnemônico é um recurso auxiliar da memória. São frases utilizadas para memorizar listas ou fórmulas e baseiam-se em formas simples de memorizar construções maiores, utilizando-se do princípio de que a mente humana tem mais facilidade de memorizar dados quando estes são associados a informação pessoal, espacial ou de caráter relativamente importante, do que dados organizados de forma não sugestiva (para o indivíduo) ou sem significado aparente. Essas frases costumam ser chamadas de macetes. WIKI
Níveis de Organização Biológica: Átomo, Molécula, Organela, Célula, Tecido, Órgão, Sistema, Organismo, População, Comunidade, Ecossistema, Biosfera.
Exemplo: "Antônio Marcos Organizou Cuidadosamente Todo Os Seus Óculos, Pratos, Copos E Balões".
Fases da divisão celular: Prófase, Metáfase, Anáfase e Telófase
Exemplo: "ProMeta a Ana Telefonar". In; Mitose, blog EM
Bases do DNA: Adenina - Timina, Guanina - Citosina
Exemplo: "Agnaldo Timóteo e Gal Costa".
Fases de Desenvolvimento do Embrião: Morulação, Blastulação, Gastrulação, Neurulação e Organogênese
Exemplo: "Meu Belo Gato Não Obedece".
Divisão dos Seres Vivos: Reino - Filo - Classe - Ordem - Família - Gênero - Espécie
Exemplo: "Rita Foi Comer Ontem, Faltou Galinha no Espeto".
Ordem das plantas: Briófitas - Pteridófitas - Gimnospermas - Angiospermas
Exemplo: "Brincando Pelado Gozei Animado".
Arquivos:
398 - Nervos cranianos
646 - Anatomia e fisiologia da laringe

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

1056 - O médico ninja

Sinopse
A história de um médico ninja que percorre as ruas de uma cidade vacinando os filhos dos pais que são hostis a vacinas.
Ele usa uma zarabatana.
Arquivos
675 - As vacinas funcionam! VÍDEO
733 - As vacinas funcionam!
999 - Recusa de vacinas: causas e consequências

quinta-feira, 26 de julho de 2018

1055 - Cigarros dissuasivos: o próximo passo

Vários países aprovaram leis que exigem que os fabricantes de cigarros mostrem imagens chocantes em suas embalagens.
https://www.improbable.com/2018/04/27/unsettling-cigarettes-study/
Para levar as coisas um passo adiante, por que não tornar os cigarros mais desagradáveis?
Esta foi a questão abordada por uma equipe de pesquisa conjunta da Austrália e Nova Zelândia, em 2015. Destarte, um conjunto de modelos de cigarros potencialmente desagradáveis ​​foi testado experimentalmente, dos quais o mais eficaz foi o seguinte:
O cigarro com o gráfico minutos de vida perdidos foi marcadamente o menos atraente para os consumidores e, por conseguinte, menos escolhido do que todos os outros testados.
Veja: "Dissuasive cigarette sticks: the next step in standardised (‘plain’) packaging?" (Cigarros dissuasivos: o próximo passo na embalagem padronizada), in Tobacco Control , volume 25, edição 6.
http://tobaccocontrol.bmj.com/content/25/6/699
E: Notícias de um novo estudo da The Lancet: "cada unidade [de álcool] acima das diretrizes está levando, em média, cerca de 15 minutos de vida, quase o mesmo que um cigarro".
https://www.theguardian.com/science/2018/apr/12/one-extra-glass-of-wine-will-shorten-your-life-by-30-minutes

quinta-feira, 19 de julho de 2018

1054 - Melioidose no Ceará (2)

A melioidose é uma doença infecciosa, potencialmente letal, cujo agente etiológico é a bactéria Burkholderia pseudomallei, encontrada em solo e água contaminados.
A doença é pouco conhecida no Brasil e se manifesta de forma semelhante a muitas outras doenças infecciosas, o que dificulta seu diagnóstico. A doença possui uma alta taxa de letalidade e exige o diagnóstico precoce e início de tratamento imediato como redutores desse risco.
Epidemiologia e distribuição geográfica
O maior número de casos de melioidose é relatado na Tailândia, Malásia, Cingapura e Norte da Austrália. Fora do Sudeste Asiático e da Austrália, casos foram relatados em países da América Latina inclusive Brasil, países da África e do Oriente Médio.
Mundialmente, há estimativas que no ano de 2015 tenham ocorrido 165 mil casos (intervalo de confiança de 68 a 412 mil casos), com uma taxa de incidência de cinco casos para cada 100 mil habitantes de áreas de risco. Ainda em 2015, segundo a mesma estimativa, ocorreram 89 mil casos de óbitos por melioidose (intervalo de confiança de 36 mil a 227 mil óbitos).
No Brasil, os primeiros casos foram identificados em março de 2003, no município de Tejuçuoca, estado do Ceará, quando um surto ocorreu com quatro crianças irmãs. Esse surto apresentou alta letalidade e três crianças evoluíram para óbito em consequência de sepse e pneumonia grave, num intervalo de apenas sete dias. A investigação epidemiológica identificou o fato de que a provável infecção ocorreu por exposição à água durante banho numa barragem.
Desde então, novos casos da doença vêm sendo detectados no Ceará, onde, até junho de 2016, 29 casos foram confirmados em 17 diferentes municípios. Além do Ceará, há registro isolado da doença nos Estados de Mato Grosso e Alagoas.
Agente etiológico, habitat e reservatório
A Burkholderia pseudomallei, um bacilo Gram-negativo, móvel, anaeróbio facultativo, não formador de esporos e que pertence à família Pseudomonadaceae. A bactéria B. pseudomallei é intrinsecamente resistente aos agentes antimicrobianos comumente utilizados em infecções comunitárias. A letalidade da melioidose pode ser superior a 70% quando o tratamento não é específico e precoce.
Além dos seres humanos, muitas espécies animais são suscetíveis à melioidose, incluindo: ovelhas, cabras, suínos, equinos, cães, gatos e bovinos.
Os seres humanos e os animais adquirem a infecção por inoculação por meio da pele ou mucosas, inalação de partículas aerossolizadas do solo e água, ingestão de água ou alimentos contaminados com terra. A inoculação em pele é a principal forma de contaminação nos trabalhadores rurais dos países em desenvolvimento, porém a inalação da bactéria durante fenômenos climáticos extremos também deve ser considerada. A transmissão pessoa a pessoa é extremamente rara com poucos casos descritos.
Incubação, susceptibilidade e imunidade
O período entre a exposição à bactéria que causa a doença e o surgimento de sintomas, ou seja, de incubação, pode ser de um dia até muitos anos após a exposição.
Não há evidências de que a infecção por B. pseudomallei garanta imunidade duradoura.
Manifestações clínicas
A melioidose é uma infecção difícil de diagnosticar, porque tem manifestações clínicas muito diversificadas, sendo considerada uma "imitadora espetacular" de outras infecções já consagradas na literatura médica. A infecção pode ser aguda ou crônica e localizada ou disseminada, mas uma forma da doença pode progredir para a outra.
A pneumonia (RX de tórax, ao lado) é a forma de manifestação mais comum da melioidose e pode ocorrer em metade de todos os casos. O acometimento pulmonar pode se apresentar desde um quadro indiferenciado de pneumonia com febre alta, cefaleia, mialgia generalizada, dor torácica, associada ou não à tosse seca, até pneumonia necrotizante fulminante e choque séptico. Uma vez instalado o choque séptico, a letalidade é bastante elevada e os pacientes podem evoluir para óbito dentro de 48 horas após a hospitalização. A presença de derrame pleural não é comum, embora efusão e empiema possam ocorrer, especialmente quando há comprometimento de lobos pulmonares inferiores.
A melioidose deve ter diagnóstico diferencial com todas as formas de tuberculose, principalmente quando não há resposta ao tratamento tuberculostático iniciado empiricamente ou em pacientes com culturas negativas para micobactéria, repetidas várias vezes e que continuam com a sintomatologia.
Outras formas de apresentação clínica: abscessos superficiais e profundos em qualquer órgão; linfadenite; infecção osteoarticular (osteomielite, artrite séptica); infecção geniturinária;infecção do SN (abscesso cerebral, meningoencefalite) etc.
Diagnóstico
O diagnóstico é laboratorial e realizado através do isolamento da Burkholderia pseudomallei por meio de cultura microbiológica obtida de sangue, escarro, urina, secreções de feridas ou abscessos, líquor, lavado brônquico ou outros espécimes clínicos disponíveis. Exames de biologia molecular como a Reação em Cadeia Polimerase (PCR) também são utilizados para confirmação diagnóstica. Ainda deverão ser realizados exames complementares para o acompanhamento clínico do paciente.
Tratamento
Apesar de ser uma infecção adquirida na comunidade, a melioidose não responde aos antibióticos que são comumente utilizados nessas situações. Quando há suspeição diagnóstica ou diagnóstico microbiológico da doença, o paciente deve ser tratado com medicação específica. O tipo de infecção e o curso do tratamento terão impacto sobre os resultados em longo prazo. O tratamento geralmente é iniciado por via intravenosa com terapia antimicrobiana durante 10-14 dias, seguido de 3 a 6 meses de terapia antimicrobiana oral na tentativa de prevenir recidiva. O tratamento deve ser o mais precoce possível para reduzir a elevada letalidade da doença. Ressalta-se a importância da coleta de espécimes clínicos para a realização de exames microbiológicos antes da antibioticoterapia.
O manejo clínico do paciente está descrito nas páginas 23 - 25 do Guia de Vigilância da Melioidose da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará.
Webgrafia
https://www.cdc.gov/melioidosis/index.html
http://erj.ersjournals.com/content/22/3/542
http://www.sbmt.org.br/portal/wp-content/uploads/2017/09/MELIODOSE-Guia-de-Vigil%C3%A2ncia_2017.pdf
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC104685/
http://revistapesquisa.fapesp.br/2016/01/12/doenca-infecciosa-melioidose-e-mais-difundida-do-que-se-pensava/
http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/regional/online/doenca-rara-e-com-alta-letalidade-registra-dois-casos-no-ceara-1.1752851
http://blogdopg.blogspot.com/2010/12/melioidose-no-ceara.html?showComment=1531635096439#c8947539768631346584
A B. pseudomallei é um agente potencial de bioterrorismo motivo pelo qual houve um aumento importante no interesse e compreensão da biologia básica do microrganismo e investimento em pesquisas nas últimas décadas.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

1053 - Uma adaptação evolutiva no ser humano para o mergulho

Quanto tempo você consegue prender a respiração?
Os povos Bajau da Indonésia são às vezes chamados de "Nômades do Mar", porque passam muito tempo no oceano caçando criaturas marinhas (peixes, polvos e crustáceos). Mergulhadores Bajau podem passar até 13 minutos debaixo d'água - sem equipamento de mergulho! Tempo esse que rivaliza com o tempo das lontras marinhas que podem ficar submersas até 13 minutos de cada vez,
Melissa Ilardo, uma americana da Universidade de Copenhague, foi à Indonésia para descobrir o que torna os mergulhadores de Bajau tão bons em permanecer embaixo d'água.
Ela pegou amostras genéticas e realizou exames de ultrassonografia, que mostraram que os Bajau tinha baços cerca de 50% maiores do que aqueles vistos em outros indivíduos que não compartilham o estilo de vida aquático dos Bajau na mesma área de Indonésia..
Os baços são importantes no mergulho porque liberam oxigênio no sangue quando o corpo está sob estresse ou quando a pessoa prende a respiração embaixo d'água.
Os baços eram maiores no povo Bajau, independentemente de serem mergulhadores regulares ou não, e uma análise mais aprofundada de seu DNA revelou o motivo.
Comparando os genomas dos Bajau com os de duas populações diferentes, os chineses de Saluan e Han, ela encontrou 25 sites que diferiram significativamente. Entre eles estava um site de um gene conhecido como PDE10A, que foi determinado como estando ligado ao tamanho maior do baço nos Bajau. Em camundongos, o PDE10A é conhecido por regular um hormônio da tireoide que controla o tamanho do baço, apoiando a ideia de que "nos Bajau o tamanho do baço poderia ter evoluído para sustentar seus mergulhos longos e frequentes".
Mais pesquisas são necessárias para entender como o hormônio da tireoide afeta o tamanho do baço humano.
https://www.yahoo.com/news/first-genetic-adaptation-diving-discovered-sea-nomads-162702663.html
https://boingboing.net/2018/04/20/a-genetic-adaptation-allows-in.html
http://www.neatorama.com/2018/04/21/A-Human-Genetic-Adaptation-for-Diving/

quinta-feira, 5 de julho de 2018

1052 - Medicamentos vencidos

Afinal, Podemos Tomar Medicamentos Vencidos? Descubra Aqui
Esta é uma boa notícia que vai fazer muitas pessoas economizarem dinheiro: você vai poder usar diversos medicamentos com prazo de validade vencido, e até mesmo por anos! De acordo com um relatório publicado no Jornal da Associação Médica Americana (AMA), certos tipos de medicamentos podem manter grande parte de sua funcionalidade por até 40 anos.
Por que os remédios têm prazo de validade?
De acordo com a Harvard Health Letter, publicação da Universidade Harvard, a data de validade é uma exigência legal imposta em 1979 pela Food and Drug Administration (FDA), órgão federal que controla medicamentos e alimentos nos Estados Unidos. Segundo a FDA, a data deve ser até quando "o fabricante puder garantir a potência e a segurança total do medicamento". Pesquisas mostram que 90% de mais de 100 tipos de medicamentos, tanto vendidos sem prescrição como com prescrição, podem ser usados até 15 anos depois de supostamente terem expirado.
Um relatório do importante site Medscape afirma que as datas de validade não indicam quanto tempo a medicação “é realmente 'boa' ou segura de usar”, e, de fato, muitas autoridades médicas afirmam que não há problema em tomar diversos remédios com prazo de validade expirado.
E qual o prazo mais seguro?
O estudo da AMA foi realizado por 15 anos, e os pesquisadores analisaram diversos medicamentos com 14 ingredientes ativos distintos vencidos entre 28 e até 40 anos. Os resultados revelaram que a maioria dos ingredientes ativos ainda eram pelo menos 90% eficazes, o que é considerado a potência mínima aceitável. As únicas drogas que caíram abaixo desse limiar foram aspirina, fenacetina (analgésico) e anfetamina (para transtorno do déficit de atenção e narcolepsia).
Francis Flahery, ex-diretor do programa de testes do FDA, declarou que “as datas de vencimento colocadas pelos fabricantes normalmente não influenciam se o medicamento é utilizável por mais tempo.” Ele também ressaltou que essas datas eram tipicamente usadas para “marketing”, e não por razões científicas. Afinal, não é rentável ter produtos em uma prateleira por 10 anos, pois os fabricantes querem rotatividade para gerar mais lucro.
Exceções importantes
Esses medicamentos devem ser evitados caso a data de validade esteja expirada:
• Insulina
• Antibióticos líquidos
• Nitroglicerina
• Tetraciclina
Como tomar a decisão correta
"Dado que os americanos gastam atualmente mais de 300 bilhões de dólares por ano em medicamentos prescritos", afirma o relatório da AMA, "ampliar as datas de expiração poderia gerar enormes economias nos gastos com saúde".
Se você está pensando em tomar um medicamento vencido, deve primeiro considerar o que é e por que precisa tomar. Se estiver listado na lista de exceções acima, ou se você precisa de 100% de sua eficácia, então descarte e compre novos medicamentos. Em caso de dúvidas, é sempre bom consultar as informações com um farmacêutico ou médico. E vale lembrar que esse estudo foi realizado apenas nos Estados Unidos, ou seja, os resultados ainda não chegaram a outros países, como o Brasil.
http://www.tudoporemail.com.br/content.aspx?emailid=11431
Ler também:
900 - Datas de validade nos alimentos não significam quase nada

quinta-feira, 28 de junho de 2018

1051 - Aqui Somos SUS

logo todo somos SUSO Aqui Somos SUS é uma estratégia de comunicação para fortalecer a imagem do Sistema Único de Saúde junto à sociedade. Ela consiste na utilização de um selo especial em diversas iniciativas, produtos e serviços oferecidos no âmbito do Sistema Único de Saúde, de forma a destacar seu caráter de saúde pública, nem sempre percebido com facilidade pela população.
 A ação é voltada tanto ao público interno da Fiocruz (suas Unidades, projetos e programas interinstitucionais, trabalhadores da saúde, estudantes e colaboradores) quanto ao público externo (unidades de atenção à saúde do SUS, veículos de comunicação, programa de pesquisa e ensino em saúde e demais instituições afins).
 O selo foi elaborado de modo a não interferir na compreensão das mensagens das peças gráficas onde será aplicado. O uso e adesão desse material é livre e gratuito e a Fiocruz estimula sua adoção e aplicação por todas as entidades que integram o SUS, não havendo a necessidade de créditos na sua aplicação. O uso do selo, porém, não substitui a aplicacação da marca dos SUS na condição de assinatura institucional.
Convidamos todas as instâncias do SUS a fazer parte dessa iniciativa!
portal.fiocruz.br
Em Nova Acta:
825 - SUS é a maior obra da história do Brasil

quinta-feira, 21 de junho de 2018

1050 - A morte de um matemático francês




François Édouard Anatole Lucas (Amiens, 4 de abril de 1842 — Paris, 3 de outubro de 1891) foi um matemático francês.
Seu trabalho de quatro volumes, o Récréations mathématiques (1882-94), tornou-se um clássico em matemática recreativa. Édouard Lucas é lembrado principalmente por sua invenção do jogo da Torre de Hanói, um quebra-cabeça que apareceu em 1883, sob o nome de M. Claus.
(Note-se que Claus é um anagrama de Lucas!)
Édouard Lucas também é lembrado por sua morte acidental. O acidente foi provocado por um garçom que, ao derrubar um prato, feriu-o involuntariamente no pescoço. Como consequência desse ferimento, Lucas morreu vários dias após de erisipela, uma infecção bacteriana cutânea.
A erisipela (do grego ἐρυσίπελας, "pele vermelha") é habitualmente causada pelo Streptococcus pyogenes (β-hemolítico, do grupo A).
Fonte: http://pballew.blogspot.com.br/2018/04/on-this-day-in-math-april-4.html#links

quinta-feira, 14 de junho de 2018

1049 - O Desafio STOP Infeção Hospitalar!

O Desafio Gulbenkian terminou. Olhando para o trabalho realizado em 19 hospitais, conclui-se que os resultados ultrapassaram as expectativas
O objetivo da Fundação Gulbenkian e do Ministério da Saúde era reduzir para metade as infeções adquiridas em meio hospitalar. Três anos depois, surgem os resultados do trabalho realizado em 19 hospitais e a certeza de que as expectativas criadas à volta do Desafio STOP Infeção Hospitalar! foram claramente ultrapassadas.
O ponto de partida não era motivo de orgulho: em 2014, morriam sete vezes mais pessoas com infeções adquiridas nos hospitais do que em acidentes de viação e o tempo de internamento de doentes com infeções hospitalares era cinco vezes superior ao dos restantes. Portugal registava quase o dobro das infeções hospitalares do que a média dos países europeus, com custos estimados em 300 a 400 milhões de euros ao ano.
Sendo impossível atacar todas as frentes, foram selecionados 19 hospitais e identificadas as quatro infeções cujo combate era prioritário: a associada à algaliação; a relacionada com o cateter vascular central; a proveniente da intubação; e a associada à ferida operatória.
Três anos passados, os resultados do Desafio estão à vista: registaram-se reduções de mais de 50 por cento nas quatro tipologias de infeção, garante, satisfeito, Jorge Soares, que entre 2015 e 2018 dirigiu o Programa Gulbenkian Inovar em Saúde. Por seu lado, Paulo Sousa, da Comissão Executiva do Desafio, acredita que, "se forem criadas as condições necessárias, o sucesso da disseminação destas metodologias e práticas aos outros hospitais será uma realidade, com ganhos clínicos, económicos e sociais bastante relevantes".

quinta-feira, 7 de junho de 2018

1048 - Intoxicação por ingestão intencional de sanitizantes à base de álcool por pacientes hospitalizados

Além de causar o fogo ocasional, os sanitizantes de mão à base de álcool nos hospitais apresentam outro problema. Eles são uma fonte útil de álcool (gelificado) para aqueles pacientes que anseiam por intoxicação.
Existem várias investigações formais publicadas sobre o assunto. Veja, por exemplo:
Consumo de desinfetantes à base de álcool por pacientes hospitalizados. The Medical Journal of Australia - 2011
Intoxicação de paciente hospitalizado com higienizador de mãos à base de isopropanol. N Engl J Med - 2007
Ingestão intencional de desinfetante para mãos à base de etanol por paciente hospitalizado com alcoolismoMayo Clin Proc - 2007
(https://www.improbable.com/2018/03/26/deterring-hospital-patients-from-drinking-from-hand-sanitizers-dr-weiners-solution/)

quinta-feira, 31 de maio de 2018

1047 - Limair Sanatorium

Na virada do século 20, um engenheiro veterano de aquecimento e ventilação chamado T.C. Northcott construiu o que representava o primeiro edifício climatizado dos Estados Unidos no topo da cúpula de Cave Hill, em Luray, Virgínia . O edifício, conhecido como Limair Sanatorium, marcou o ponto culminante de uma obsessão de 20 anos de Northcott com o ar da caverna, que ele acreditava que poderia proporcionar benefícios restauradores milagrosos para aqueles que sofriam de doenças respiratórias.
As Cavernas de Luray foram descobertas e abertas ao público para passeios 22 anos antes, mas, quando o Northcott as arrendou no início de 1901, a má administração tinha levado os proprietários a uma série de problemas financeiros. De acordo com o historiador Bill Huffman, essas condições provavelmente contribuíram para a sua disposição de construir o Limair, o que implicou a perfuração até as cavernas para acessar o "ar de lima", que Northcott acreditava estar desinfetado após passar por quilômetros de câmaras de pedra calcária. "Caso contrário, (o empreendimento) provavelmente não teria acontecido", diz Huffman.
"Sr. Northcott (...) dedicou muitos anos ao problema de estabelecer uma instituição que combinasse as vantagens da luz solar e dos belos arredores com um suprimento de ar ao mesmo tempo volumoso e puro ", escreveu o Dr. Guy L. Hunner, cirurgião da John Hopkins University Medical School. Hunner visitou o Limair Sanatorium de Northcott enquanto viajava no Vale Shenandoah em 1901. "Depois de investigar as cavernas de Nova Iorque, Ohio e Virgínia, ele se fixou nos privilégios das Cavernas de Luray como um sítio que compreendia o maior número de saudáveis ​​e atraentes características."
Além de sua localização diretamente acima das cavernas, no sítio se desfrutavam as vistas panorâmicas das Montanhas Blue Ridge - a Cordilheira Massanutten, a oeste e a leste, do que é agora o Parque Nacional Shenandoah. Northcott perfurou diretamente na colina 60 pés de rocha até o teto de uma câmara proeminente agora conhecida como Morrison's Hall. Instalando um eixo de ventilação de cinco pés de diâmetro, ele efetivamente conectou o porão do sanatório às cavernas. Equipado com um ventilador alimentado por uma máquina a vapor de cinco cavalos de potência, o sistema permitiu que a Northcott bombeasse o ar da caverna nas instalações 24 horas por dia.
Não só isso, ele projetou o prédio para que o sistema substituisse completamente cada molécula de ar no prédio a cada cinco minutos no ponto", diz o engenheiro de instalações da Luray Caverns Chad Painter.
Assim, os convalescentes poderiam respirar um suprimento contínuo de "ar de lima", enquanto desfrutavam de abundante luz solar e vistas prodigiosas. "A ideia era que as pessoas vivessem aqui quase como se não estivessem doentes", diz Huffman. Havia janelas em todos os lugares. Havia atividades (recreacionais) e até danças. Havia comida excelente. A visão de Northcott era que, se um paciente iria melhorar, essa pessoa não deveria se sentir em quarentena do mundo e sim como parte dele.
A Northcott passou por grandes comprimentos para manter a temperatura em um perpétuo até 70 graus (21). Durante os verões, isso significava ar-condicionado, embora não da forma como concebemos o processo hoje. "O ar extraído das cavernas é de cerca de 54 (12) graus, quando forçado no prédio, esfria os cômodos até certo ponto, o conforto pode exigir, por mais intenso que seja o calor que prevalece no exterior", observou Hunner. No inverno, o ar comparativamente baral foi dado um impulso passando por uma série de câmaras com bobinas cheias de vapor. A umidade foi regulada por uma série de condensadores durante todo o ano. (revisar este parágrafo) (incluir gravura)
A fé de Northcott no ar da caverna derivou de uma crença de que, como a água que passa por um aquífero, o ar ficava limpo por um processo de filtração natural. "Encurralado nas cavernas, o ar era desinfetado pelo calcário através das rochas e do solo poroso", explica Huffman. "Ele falava sobre o ar como se fosse uma mistura entre água benta e vinho fino".
Embora pareça estranho agora, em seu tempo o entusiasmo da Northcott foi bastante convincente para inspirar profissionais médicos respeitados como Hunner para prosseguir a validação científica. Voltando ao Limair em 1902, um Hunner educado, porém cético, veio preparado para realizar uma série de experimentos. "Na minha primeira visita (...) eu vi demonstrados o volume notável com que o ar entra e sai de cada quarto e o fato de que o ar está praticamente isento de poeira atmosférica", escreveu. "Observando esse fato, fiquei interessado na condição bacteriológica e decidiu visitar Luray novamente, guarnecido com meios de cultura e placas estéreis".
Em dezembro, o médico passou quatro dias estudando o ar nas cavernas, sanatório, paisagens circundantes e casas vizinhas. Suas descobertas foram notáveis. Ele realizou inúmeros testes para culturas bacteriológicas. Ele testou cada quarto no sanatório e a placa mais contaminada produziu apenas nove colônias. O lar de um agricultor vizinho mostrou 143 colônias, e o escritório de um médico local mostrou 92. Com a comparação, Hunner testou o ar na sala de operações ginecológica do John Hopkins e encontrou 65 colônias. O ar ambiente fora de sua casa em Washington DC, enquanto isso, testou mais de 450.
"Mas, apesar da pureza bacteriológica do ar no Limair Sanatorium, estou certo de que muitos irão protestar contra a respiração das emanações poluídas e mofadas de uma fonte nunca penetrada pelos raios do sol. (...) Devo confessar que essa foi a minha primeira impressão e o mesmo preconceito foi expressado por muitos amigos com quem conversei ", escreveu Hunner. Argumentando a evidência experimental, as qualidades desinfectantes da lima e apontando para o fato de que "não encontramos matéria orgânica nas cavernas submetidas à decomposição", Hunner posteriormente confessou-se um convertido.
"Para a febre dos fenos, a asma e todas as afecções brônquicas, as condições (em Limair)são ideais", concluiu.
No final, apesar de seu testemunho entusiasmado, publicado em uma edição de 1904 da Popular Science Monthly, os colegas de Hunner não queriam reconhecer suas descobertas. Para o bem ou o mal, a sua opinião nunca ganhou força na comunidade médica e foi descartada como uma nota histórica curiosa. Limair continuou a operar silenciosamente nas colinas da Virgínia até fechar em abril de 1940. Depois disso, foi transformado em um elegante local de reuniões e convenções, no estilo sulista em tijolos, embora um com um sistema de refrigeração não convencional e ainda funcional.
https://www.atlasobscura.com/articles/limair-sanatorium-luray-caverns-air-conditioning
Notas relacionadas no Nova Acta
16 - A Era dos Sanatórios. Slideshow
49 - Sanatório de Messejana. Uma história que foi contada
70 - Saskatoon San. Concerto ao ar livre
219 - O sanatório voador
476 - Quando se tratava a tuberculose com a respiração das vacas
530 - A caverna da tuberculose

quinta-feira, 24 de maio de 2018

1046 - Fumante passivo (3)

O tabagismo passivo é a inalação de fumaça, o chamado fumo de segunda mão (secondhand smoke), por pessoas que não sejam fumantes "ativos". Ocorre quando a fumaça do tabaco permeia qualquer ambiente, causando a sua inalação por pessoas dentro desse ambiente. Os riscos para a saúde do fumo de segunda mão são uma questão de consenso científico e têm sido uma grande motivação para as leis antifumo em locais de trabalho e lugares públicos internos, incluindo restaurantes, bares e discotecas, bem como em alguns espaços públicos abertos.
O secondhand smoke não é bem o que a imagem abaixo mostra.
Fumante passivo (1)
Fumante passivo (2)

quinta-feira, 17 de maio de 2018

1045 - Interrompida a queda da mortalidade infantil no Brasil

Na faixa de crianças entre um mês e quatro anos, o número de óbitos em 2016 aumentou 11% no Brasil em relação a 2015, após 13 anos de queda. Apenas Rio Grande do Sul, Sergipe, Paraíba e Distrito Federal tiveram redução da mortalidade nesta faixa etária. Em alguns locais, como Roraima, o número de óbitos mais do que dobrou.
Esses dados acenderam um alerta no Ministério da Saúde, onde já se admite que os números de 2017 poderão ser ainda piores.
A recessão econômica, refletida na escassez de recursos públicos, e os cortes em determinados programas sociais do país (Rede Cegonha, PNAE, Bolsa Família, Mais Médicos etc) são apontados como fatores determinantes para o aumento mortalidade infantil.
É o tema de uma reportagem de Ligia Guimarães e Catherine Vieira em Valor Econômico.
Gráfico - Os dados brutos do MS, consolidados pelo Observatório da Criança e do Adolescente da Fundação Abrinq, indicam uma piora na taxa: para 12,7 mortos em mil nascidos vivos, em 2016; em 2015, foi 12,4.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

1044 - Enfisema mediastinal após orgia de sax

Para o Editor:
Recentemente, cuidamos de um homem de 24 anos, admitido no setor de emergência com sintomas de desconforto no tórax subesternal, falta de ar, dificuldade de deglutição e mudança na fala. O paciente afirmou estar bem até a noite anterior, quando passou a apresentar estes sintomas após tocar saxofone durante três horas.
Sua história médica não apresentou destaques. O paciente não era fumante e não possuía história de distúrbios respiratórios. No exame físico, foram percebidos uma crepitação no pescoço e um ruído mediastinal que variava com o ciclo cardíaco. O RX de tórax mostrou a presença de ar no pescoço e no mediastino, bem como no pericárdio. Não havia pneumotórax. Estudos de laboratório foram normais. O paciente foi internado para observação e oxigenoterapia. Seus sintomas melhoraram em dois dias, um RX de tórax subsequente foi normal, e ele recebeu alta hospitalar.
O risco de pneumonia de hipersensibilidade associada com o saxofone já foi relatado. No entanto, não encontramos relatos de barotraumas relacionados com o saxofone. Uma revisão dos problemas médicos apresentados por músicos tampouco menciona o potencial de barotrauma por outros instrumentos de sopro. Observou-se apenas que a alta pressão intratorácica provocada por oboé ou por trombeta pode prejudicar o retorno venoso. Comentários sobre barotrauma e enfisema mediastinal não mencionaram instrumentos de sopro, embora outras causas incomuns de barotrauma tenham sido relatadas.
Desejamos chamar a atenção de outros médicos para o risco potencial aparentemente associado a alguns instrumentos de sopro. Na ausência de diretrizes claras na literatura médica, fizemos algumas recomendações específicas para o nosso paciente, como a de praticar o "sax seguro" no futuro.
Richard W. Snyder, MD, Henry S. Mishel, MD, G. Chris Christensen, III, DO
Abington Pulmonary Associates, Ltd., Abington, PA 19001
N Engl J Med 1990; 323:758-759September 13, 1990DOI: 10.1056/NEJM199009133231116
8 Referências
http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJM199009133231116#t=article
91 - Soprando em si (pneumoparótida em tocador de tuba)

quinta-feira, 3 de maio de 2018

1043 - Linus Pauling e as vitaminas

Depois de ultrapassar os quarenta anos de idade, em 1941, Linus Carl Pauling descobriu que estava afetado por uma forma grave da doença de Bright, uma enfermidade renal potencialmente mortal, considerada incurável pela medicina da época. Com a ajuda do doutor Thomas Addis, de Stanford, Pauling conseguiu controlar a doença seguindo uma dieta pobre em proteínas e sem sal, algo fora do comum para a época. Addis também receitava a todos os seus pacientes maiores consumos de vitaminas e sais minerais e Pauling não foi uma exceção.
Em finais da década de 1950, Pauling investigou a ação das enzimas sobre as funções cerebrais. Pensava que as doenças mentais poderiam ser causadas, em parte, por disfunções enzimáticas. Quando em 1965 leu "A terapia de niacina em psiquiatria", publicação de Abram Hoffer, deu-se conta de que as vitaminas podiam ter importantes efeitos bioquímicos no organismo, para além dos relacionados com a prevenção de doenças provocadas por deficiência vitamínica. Em 1968, Pauling publicou na revista Science o seu mais importante artigo nesta área: "Psiquiatria ortomolecular [....]", em que inventou a palavra ortomolecular para descrever o conceito de controlo da concentração dos compostos presentes no corpo humano, no sentido de prevenir e tratar doenças. As ideias aí apresentadas constituíram a base da Medicina Ortomolecular, fortemente criticada pelos profissionais da medicina tradicional.
Nos anos seguintes, as investigações de Pauling sobre a vitamina C foram fonte de controvérsias, e alguns consideraram-nas fruto de charlatanismo. Em 1966, Irwin Stone desenvolveu o conceito de cura à base de altas doses de vitamina C. Depois deste desenvolvimento, Pauling começou a tomar vários gramas da vitamina (3 gramas por dia, segundo algumas fontes) para prevenir os resfriados. Entusiasmado com os resultados, interessou-se pela literatura sobre o tema e, em 1970, publicou "Vitamin C and the Common Cold" ("A vitamina C e o resfriado comum"). No ano seguinte, Pauling iniciou uma extensa colaboração com o oncologista britânico Ewan Cameron, trabalhando sobre o uso da vitamina C por via intravenosa ou por via oral em doentes de câncer em fase terminal.
Cameron e Pauling escreveram vários artigos e um livro de divulgação chamado "A vitamina C e o câncer", descrevendo as suas observações. Ainda que os resultados parecessem ser favoráveis, a campanha de publicidade negativa de que foi alvo, minou-lhe a credibilidade e as suas investigações durante muitos anos.
Desde as suas campanhas na luta contra os testes nucleares, na década de 1950, até às suas investigações em Biologia Ortomolecular, Pauling sempre esteve na corda bamba. Em 1985, Pauling ficou sem apoio, tanto financeiro institucional, como dos seus colegas. Não obstante, Pauling colaborou com o médico Abram Hoffer no desenvolvimento de uma dieta que incluía a vitamina C em altas doses, como um tratamento complementar contra o câncer.
A ideia que Pauling promoveu, de elevar as doses de vitamina C de forma prolongada para prevenir várias doenças, sempre foram causa de controvérsia (QuackWatch, Plos, WebMD), não impedindo, no entanto, que estudos posteriores voltassem a abordar o tema.
Em 1973, Linus Pauling fundou, juntamente com dois colegas seus, o Instituto de Medicina Ortomolecular, em Menlo Park. Neste instituto, cujo nome foi alterado, em seguida, para Instituto Linus Pauling de Ciência e Medicina, Pauling continuou a dirigir investigações sobre a vitamina C, mas também manteve o seu interesse em trabalhos de química e física teórica, até à sua morte em 1994. Durante os seus últimos anos de vida, interessou-se particularmente no possível papel que a vitamina C teria na prevenção da arteriosclerose, tendo publicado três artigos sobre o uso da vitamina C e da lisina, usadas para o alívio da angina de peito. Em 1996, dois anos depois da sua morte, o instituto mudou as suas instalações para Corvallis (Oregon), para fazer parte da Universidade Estadual do Oregon. No instituto realizam-se investigações sobre micronutrientes, fitonutrientes e outras maneiras de prevenir e tratar doenças através da dieta humana. WIKIPÉDIA
As vitaminas no Nova Acta
32 - Os bebedores de limão
202 - O orgasmo feminino
479 - Agnotologia
582 - O ácido fólico na gravidez
591 - Rússia, 1977
668 - Gaiolas para bebês
693 - A vitamina C e o zinco na prevenção do resfriado comum

quinta-feira, 26 de abril de 2018

1042 - Eletricidade e álcool não combinam

Algumas vezes acontece que uma solução para um problema acaba criando um novo problema.
Como exemplo, aqui está um caso em que a solução era um gel à base de álcool a 70% em um dispensador montado na parede de um hospital. O gel destinava-se a resolver os chamados problemas nosocomiais associados à fraca higiene das mãos nos hospitais.
Infelizmente, um profissional de saúde precisou de retirar uma roupa de isolamento de poliéster a 100%, pouco depois de usar o desinfetante, e isso causou uma centelha de eletricidade estática (de pelo menos 3000 volts), que então incendiou o gel em suas mãos e braços.
O relatório do incidente levou à remoção temporária dos dispensadores de mão à base de álcool em alguns hospitais, inclusive naqueles em que os profissionais de saúde foram encontrados repetidamente a lamber os dedos enquanto revisavam os gráficos hospitalares.
(https://www.improbable.com/2018/02/15/a-flash-fire-caused-by-a-hospital-hand-sanitizer/)
Sanitizante - tipo particular de desinfetante que reduz o numero de contaminantes bacterianos em níveis relativamente seguros.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

1041 - Febre amarela

Áreas de risco na América do Sul, CDC
O vírus da febre amarela, flavivírus, é transmitido ao ser humano pela picada de mosquitos infectados. O nome "febre amarela" vem da insuficiência hepática que causa icterícia, nome dado à cor amarelada da pele e do branco dos olhos.
A doença é diagnosticada com base nos sintomas, achados físicos, exames laboratoriais, e a possibilidade de exposição a mosquitos infectados. Muitos dos casos de febre amarela são leves, porém a doença pode ser grave e representar ameaça à vida.
Os sintomas de infecção grave são febre alta, calafrios, dor de cabeça, dores musculares, vômito e dor nas costas. Após um curto período de recuperação, a infecção pode levar a choque, sangramento e insuficiência renal e hepática. Infecções graves por febre amarela podem ser fatais. Os índices caso-fatalidade da doença grave variam de 15% a mais de 50%.
Existem dois tipos de febre amarela causados por dois ciclos diferentes de infecção:
- A febre amarela silvestre: é disseminada por mosquitos infectados em matas tropicais (por mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes). A transmissão ocorre quando o indivíduo é picado por mosquitos que se infectaram após alimentarem-se do sangue de macacos portadores do vírus. A febre amarela silvestre é rara e ocorre principalmente entre os indivíduos que habitam ou trabalham nas matas tropicais.
- A febre amarela urbana: é disseminada por mosquitos que foram infectados a partir de outras pessoas. O Aedes aegypti é a espécie de mosquito que geralmente transmite a febre amarela de um ser humano para outro. Esses mosquitos se adaptaram à vida urbana e sua larva cresce em pneus abandonados, vasos de flores, tambores e recipientes de armazenamento de água localizados perto das moradias humanas. A febre amarela urbana é a causa da maioria dos surtos e epidemias de febre amarela.
Não há tratamento específico para a febre amarela e os cuidados estão baseados nos sintomas. As etapas para prevenção da febre amarela incluem o uso de repelentes, roupa de proteção e vacinação.
Fontes
1.Center for Disease Control and Prevention. [Internet] Disponível em: https://www.cdc.gov/yellowfever/
2. Sanofi Pasteur.  [Internet] Disponível em: http://www.sanofipasteur.com.br/node/16902
3. Bio-Manguinhos. [Internet] Disponível em: https://www.bio.fiocruz.br/index.php/febre-amarela-sintomas-transmissao-e-prevencao
4. Nova Acta. [Internet] Disponível em: 441 e 969
Vídeo
Dr. Drauzio tira as principais dúvidas sobre o assunto e relata como pegou a doença no Amazonas (ele escreveu depois o livro "O médico doente").

domingo, 8 de abril de 2018

1040 - Sistema Braille

Hoje, 8 de abril, celebramos o Dia Nacional do Sistema Braille.
A data é dedicada à reflexão sobre a importância de mecanismos que favoreçam o desenvolvimento das pessoas cegas ou com baixa visão. O sistema Braille de escrita e leitura foi criado há cerca de 200 anos na França. Chegou ao Brasil por meio de José Álvares de Azevedo, que aprendeu a técnica ainda criança e se dedicou a disseminá-la, com apoio do Instituto de Cegos, hoje Instituto Benjamin Constant, no Rio de Janeiro.
"Una sociedad inclusiva es buena para todos. Cuando creamos un ambiente más favorable para alguien con alguna necesidad, estamos haciendo la vida más agradable para todo el mundo,"

quinta-feira, 29 de março de 2018

1039 - Aspectos médicos da crucificação

Crucificação vista a partir da cruz, por J. Tissot.
Atualmente no Brooklyn Museum, em NY
Diversas teorias já tentaram explicar, através de conhecimentos médicos dos séculos XIX e XX, as circunstâncias da morte de Jesus na cruz. Foram elas propostas por vários tipos de profissionais: médicos, historiadores e, até mesmo, místicos.
A maior parte das teorias propostas por médicos concluíram que Jesus suportou um enorme sofrimento e muita dor na cruz antes de sua morte. Em 2006, o clínico geral John Scotson revisou quarenta publicações sobre a causa da morte de Jesus em que as teorias variaram de ruptura cardíaca a embolismo pulmonar.
Em 1847, baseando-se em João 19:34, o médico William Stroud propôs a "teoria da ruptura cardíaca" como a causa mortis de Jesus. A "teoria da asfixia" tem sido objeto de diversos experimentos que simularam a crucificação em voluntários saudáveis e muitos médicos concordam que ela causa um profundo comprometimento na capacidade respiratória da vítima. Um efeito da asfixia por exaustão é que a vítima da crucificação sente uma progressiva dificuldade para obter fôlego suficiente para falar, o que foi apresentado como uma possível explicação para os relatos de que as últimas palavras de Jesus teriam sido apenas curtas exclamações.
A "teoria do colapso cardiovascular" é a explicação moderna prevalente e sugere que Jesus morreu por causa de um estado de choque. De acordo com esta teoria, a flagelação e a fixação na cruz com pregos deixaram Jesus fraco e desidratado, levando-o finalmente ao colapso cardiovascular.
No Journal of the American Medical Association (JAMA), o médico William Edwards e seus colegas defenderam uma combinação das teorias do colapso cardiovascular (via choque hipovolêmico) e da asfixia por exaustão, assumindo que a "água" que verteu do ferimento no flanco de Jesus, descrito em João 19:34, seria o líquido pericárdico.
Em seu livro "A Crucificação de Jesus", o médico e patologista Frederick Zugibe apresentou um conjunto de teorias tentando explicar a colocação dos pregos, as dores e a morte de Jesus em grande nível de detalhe. Zugibe realizou diversos experimentos com voluntários para testar suas teorias, cujos resultados variaram com a existência de um suporte para os pés.
Pierre Barbet, um médico francês e cirurgião-chefe no Hospital de São José, em Paris, também apresentou teorias detalhadas sobre a morte de Jesus. Ele lançou a hipótese de que Jesus teria que relaxar seus músculos para conseguir fôlego suficiente para dizer suas palavras finais por conta da asfixia por exaustão. Outra hipótese proposta por ele foi que uma pessoa crucificada teria que se utilizar de seus pés, perfurados por pregos, para conseguir erguer seu corpo o suficiente para conseguir fôlego para falar.
Num artigo para a Catholic Medical Association, Phillip Bishop e o fisiologista Brian Church sugeriram uma nova teoria baseada no "trauma de suspensão".
Em 2003, os historiadores F.P. Retief e L. Cilliers revisaram a história e a patologia da crucificação como esta era realizada pelos romanos e sugeriram que a causa da morte se dava por uma combinação de fatores. Eles também afirmaram que os soldados romanos de guarda eram proibidos de deixar o local enquanto o condenado não estivesse morto.
Extraído de: Crucificação de Jesus/WIKIPÉDIA

sábado, 17 de março de 2018

1037 - O efeito Doppler

É um fenômeno físico observado nas ondas quando emitidas por um objeto que está em movimento com relação a um observador. Foi-lhe atribuído este nome em homenagem a Johann Christian Andreas Doppler (29 de novembro de 1803 - 17 de março de 1853), que o descreveu teoricamente pela primeira vez em 1842.
Quem foi Christian Doppler
Físico austríaco que descreveu como a frequência observada de ondas sonoras é afetada pelo movimento relativo da fonte e do detector. Em 1845, para testar sua hipótese, Doppler usou dois conjuntos de trompetistas: um conjunto estacionário em uma estação de trem e um outro movendo-se em um trem aberto, todos segurando a mesma nota. À medida que o trem passava pela estação, era óbvio que a frequência das notas dos dois grupos não coincidia. As ondas sonoras teriam uma frequência mais alta se a fonte se movesse em direção ao observador e uma freqüência mais baixa se a fonte estivesse se afastando do observador.
Edwin Hubble usou o efeito Doppler da luz de estrelas distantes para determinar que o universo está se expandindo. E, na medicina, a ecocardiografia utiliza-se deste efeito para medir a direção e velocidade do fluxo sanguíneo.
Um efeito interessante predito por Lord Rayleigh no seu livro clássico sobre o som: se a fonte está se movendo com o dobro da velocidade do som, uma música emitida por esta fonte seria ouvida no tom e compasso certos, mas de trás para a frente.

quinta-feira, 8 de março de 2018

1036 - Nise da Silveira, uma psiquiatra rebelde

Nise da Silveira
Retrato por Pedro Celso Cruz
Psiquiatra brasileira e aluna de Carl Jung, Nise da Silveira (Maceió, 15 de fevereiro de 1905 — Rio de Janeiro, 30 de outubro de 1999) ficou conhecida pela contribuição à luta antimanicomial e por ter implementado a terapia ocupacional e as artes no tratamento das doenças psiquiátricas.
Ela se formou em 1926 - era a única mulher em uma turma com 157 alunos. Casou-se à época com o sanitarista Mário Magalhães da Silveira, seu colega de turma na faculdade, com quem viveu até o falecimento de Mário em 1986. O casal não teve filhos, por um acordo entre ambos, que queriam dedicar-se intensamente à carreira médica.
Foi presa durante o Estado Novo, acusada de envolvimento com o comunismo, e dividiu a cela no presídio da Frei Caneca com Olga Benário, militante do movimento no Brasil. Naquele presídio também se encontrava preso Graciliano Ramos, e ela se tornou uma das personagens de seu livro "Memórias do Cárcere".
Reintegrada ao serviço público, iniciou seu trabalho no Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II, no Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro, onde retomou sua luta contra as técnicas psiquiátricas que considerava agressivas aos pacientes. Por sua discordância com os métodos adotados nas enfermarias, recusando-se a aplicar eletrochoques em pacientes, Nise da Silveira foi transferida para o trabalho com terapia ocupacional, atividade então menosprezada pelos médicos.
Em 1946, fundou naquela instituição a "Seção de Terapêutica Ocupacional". No lugar das tradicionais tarefas de limpeza e manutenção que os pacientes exerciam sob o título de terapia ocupacional, ela criou ateliês de pintura e modelagem. Com a intenção de possibilitar aos doentes reatar seus vínculos com a realidade, e assim revolucionando a psiquiatria praticada no país.
Nise criticou, discutiu e revolucionou o tratamento psiquiátrico e as condições dos manicômios no Brasil.
Em 1952, ela fundou o Museu de Imagens do Inconsciente, no Rio de Janeiro, um centro de estudo e pesquisa destinado à preservação dos trabalhos produzidos nos estúdios de modelagem e pintura que criou na instituição, valorizando-os como documentos que abriam novas possibilidades para uma compreensão mais profunda do universo interior do esquizofrênico.
Sua pesquisa em terapia ocupacional e o entendimento do processo psiquiátrico por meio das imagens do inconsciente deram origem a diversas exibições, filmes, documentários, audiovisuais, cursos, simpósios, publicações e conferências.
Em reconhecimento a seu trabalho, Nise foi agraciada com diversas condecorações, títulos e prêmios em diferentes áreas do conhecimento.

quinta-feira, 1 de março de 2018

1035 - Frenologia e cranioscopia



O médico alemão Johann Spurzheim foi assistente de Franz Joseph Gall, que desenvolveu a frenologia, uma teoria comumente aceita no século 19 e início do século 20, que reivindicava ser possível determinar o caráter, as características da personalidade e o grau de criminalidade pela forma da cabeça.
Com o que aprendeu durante os anos em que conviveu com o mestre, Spurzheim elaborou a cranioscopia.
O dispositivo aqui retratado era usado para estudar as características do crânio para a frenologia.
Cabinet of curiosites, via Pat's blog.
859 - O destino da frenologia

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

1034 - Óculos de inversão

O filme documenta um experimento clássico realizado em 1950 por Ivo Kohler e Theodor Erismann na Universidade de Innsbruck, na Áustria. Erismann é a pessoa mais velha do filme, e Kohler, seu assistente de pesquisa, neste filme, é a pessoa que usa os óculos de inversão (inversion goggles).
(As legendas são todas em alemão.)
Experiments show we quickly adjust to seeing everything upside-down, The Guardian
Ver também:
A bicicleta invertida

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

1033 - Quanto álcool o corpo humano consegue suportar?

Não existe um preciso limite letal para a presença de álcool no organismo humano. A tolerância é muito variável de indivíduo para indivíduo. O recorde francês de alcoolemia nas estradas foi medido em 2005 pela polícia da região do Ain: um homem de 37 anos que apresentava uma taxa de álcool no sangue de 10 gramas por litro. Na Europa, o recorde pertence a um polonês, de 30 anos, com uma taxa de alcoolemia de 13,74 gramas por litro de sangue.
Em entrevista, o médico francês Philip Batel, especialista em adicções, falou para Cécile Thibert, do Le Figaro Santé, sobre essas desigualdades da embriaguez.
Figaro Santé – Existe um limite que não pode ser superado, ou o corpo humano pode se adaptar a alcoolemias muito elevadas?
Philip Batel – “Não existe um limite letal de álcool, a tolerância é muito variável segundo os indivíduos. Essa desigualdade da embriaguez é devida a vários fatores. O sexo da pessoa, para começar. As mulheres são muito mais sensíveis que os homens aos efeitos tóxicos, principalmente porque elas são, em geral, menores e mais leves, e possuem mais tecidos gordurosos do que os homens. O álcool se difunde mais facilmente através desse tipo de tecidos.
Existe igualmente o fator genético. Certas pessoas são capazes de tolerar, de modo provisório, alcoolemias muito elevadas. O hábito também é um fator importante. Uma pessoa dependente do álcool habituada a beber todos os dias irá tolerar mais uma importante quantidade de álcool do que uma pessoa que bebe apenas ocasionalmente. O fato de a pessoa consumir também outros produto tóxicos além do álcool – penso sobretudo à cocaína e as anfetaminas – engendra também um aumento considerável da tolerância. Mais a pessoa possui uma tolerância elevada, mais o seu cérebro será capaz de produzir modificações neuronais que lhe permitem resistir ao álcool.
FS – Mas uma boa tolerância significa que os efeitos deletérios do álcool no organismo serão menores?
Não, ao contrário. A tolerância é o reflexo de um sofrimento cerebral. Mais uma pessoa possui uma tolerância elevada, mais o seu cérebro sofre modificações neuronais que lhe permitem resistir ao álcool. Quando o cérebro esgota suas forças e não consegue mais resistir à intoxicação alcoólica aguda, todo o corpo entra no estado de coma. Isso corresponde a uma perda de consciência provocada pelo efeito do álcool no sistema nervoso. Isso se manifesta de diferentes formas, indo desde uma grande sonolência a um coma profundo no qual o reflexo de deglutição desaparece. Estimamos que com 1,5 grama de álcool no sangue, cerca de 30% da população entrará em coma etílico. O risco de coma etílico é particularmente importante quando uma quantidade de álcool situada entre 2 e 4 gramas por litro de sangue é consumida rapidamente.
FS – A embriaguez pode ser mortal?
Sim, indiretamente. A morte mais frequentemente acontece por causa de um sufocamento provocado por vômitos ou pela posição da língua no interior da boca. Tomar grandes quantidades de álcool em pouco tempo pode igualmente provocar complicações metabólicas graves, tais como a hipoglicemia ou uma hepatite aguda, embora isso aconteça mais raramente.
Na França, o álcool é responsável pela morte de 28% das pessoas que perecem em acidentes estradais. Isso faz dele a primeira causa de acidentes, mais que a velocidade excessiva e o uso do telefone celular ao volante.
Le Figaro / brasil247

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

1032 - O tardio reconhecimento a Mendel

Mendel, 1862


Em 1865, o monge austríaco e botânico Gregor Mendel, que descobriu as leis da genética, aos 42 anos, leu o seu primeiro artigo científico à Sociedade Brünn para o estudo das Ciências Naturais, na Morávia. Publicado em 1866, nele Mendel descrevia suas investigações com plantas de ervilha. Embora tenha enviado 40 reimpressões de seu artigo a biólogos proeminentes em toda a Europa, incluindo Darwin, apenas um interessou-se o suficiente para responder. A maioria das reimpressões, incluindo a de Darwin, foram descobertas mais tarde com as páginas sem cortes, o que significa que nunca foram lidas. Felizmente, 18 anos após a morte de Mendel, três botânicos em três países diferentes pesquisando as leis da hereditariedade, na primavera de 1900, perceberam que Mendel os tinha encontrado primeiro. E Mendel foi finalmente reconhecido como o pioneiro no campo que ficou conhecido como genética.
Mendel's first scientific paper, TIS - Science Events in February, 8

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

1031 - A interconectividade da vida

"A capacidade de errar ligeiramente é a verdadeira maravilha do DNA. Sem esse atributo especial, seríamos ainda bactérias anaeróbias e a música não existiria..." ~ Lewis Thomas, "The Medusa and the Snail: More Notes of a Biology Watcher" (*)
O estadunidense Lewis Thomas (25 de novembro de 1913 - 3 de dezembro de 1993) era médico, poeta, etimologista, ensaísta, administrador, educador, conselheiro de política e pesquisador. Tornou-se também conhecido por seus ensaios reflexivos sobre uma ampla gama de tópicos em biologia.
 Em seu livro para leigos "Lives of a Cell", ele divulgou que o que se vê no microscópio é semelhante a como os seres humanos vivem, e deu ênfase à interconectividade da vida. Thomas causou impacto ao sugerir que um mecanismo de vigilância imunológica nos protege contra os possíveis estragos causados por células mutantes, uma ideia mais tarde desenvolvida por MacFarlane Burnett. Ele também propôs que os vírus tenham desempenhado um papel importante na evolução das espécies por sua capacidade de mover partes de DNA de um indivíduo para outro / de uma espécie para outra.
(*) Em 950 - A capacidade de errar do DNA, Nova Acta, esta citação foi atribuída a Antoine-Thomson d 'Abbadie. A esclarecer a autoria.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

1030 - Acidentes com fogos de artifício no Brasil

Considerada uma das maiores celebrações do País, as festas juninas não são apenas sinônimo de diversão, mas também de aumento do risco de queimaduras e acidentes com fogos de artifício. De acordo com levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM), além de mortes – aproximadamente 10 a cada ano –, o manuseio inadequado desse tipo de explosivo tem levado à internação, em média, 500 pessoas por ano. Queimaduras, lesões com lacerações e cortes, amputação de membros, lesões auditivas, de córnea ou perda da visão são alguns dos principais perigos nesta época do ano.
Segundo dados do Ministério da Saúde, de 2008 a 2016, 4.577 pessoas foram internadas para tratamento por acidentes com fogos de artifício, com destaque para os estados da Bahia (961 hospitalizações), São Paulo (850) e Minas Gerais (640). No mesmo período, 133 pessoas foram internadas devido a esses acidentes no estado do Ceará.
Clique aqui para ver os números de internações, de 2008 a 2016, por queima de fogos de artifício no Brasil, por estado e ano de atendimento. Fonte: SIH/SUS
“Em média, são registradas cerca de 85 internações no Brasil somente no mês de junho. Se considerarmos que em algumas regiões as festas juninas têm início nas quermesses de maio e vão até julho, podemos verificar que um terço de todas as hospitalizações do ano acontecem apenas neste período de 90 dias”, explica Pedro Nader, coordenador da Comissão de Cirurgia Plástica do CFM, que mantém um núcleo de queimaduras.
Nader acrescenta que, em caso de acidente, as pessoas devem procurar o serviço de saúde mais próximo, para atendimento médico adequado. “Se possível, lave o ferimento com água corrente, evite tocar na área queimada e não use nenhuma substância sobre a lesão – como manteiga, creme dental, clara de ovo e pomadas”, recomenda.
Jornal do CFM, n.º 269, julho de 2017

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

1029 - Cresce a incidência de câncer no mundo

Estima-se que, somente entre os anos de 2016 e 2017, 600 mil novos casos de câncer afetarão a população brasileira. Os tumores pediátricos respondem por, aproximadamente, 3% desses casos – o que atinge crianças e adolescentes até os 19 anos. Dos 600 mil novos casos, entre a população masculina é esperada a incidência de 295.200 novos casos e, entre a feminina, 300.800.
Os dados são da publicação bienal do Instituto Nacional de Câncer (Inca), Estimativa 2016, que aponta que 60% dos pacientes no Brasil são diagnosticados em estágio avançado da doença.
Com tratamento de alta complexidade, o câncer de pele não-melanoma é o mais frequente na população brasileira, sendo seguido, entre os homens, pelos cânceres de próstata, pulmão, intestino, estômago e cavidade oral. Entre as mulheres, os tipos de cânceres mais frequentes são de mama, intestino, colo de útero, pulmão e estômago. De acordo com o World Cancer Research Fund International (WCRF), a incidência de câncer no mundo cresceu em 20% na última década.
O rol de especialidades e áreas de atuação médica foi ampliado: oncologia clínica e cirurgia oncológica são as duas novas especialidades, enquanto oncologia pediátrica tornou-se área de atuação reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). É o que estabelece a Resolução CFM nº 2.162/2017, já em vigor.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

1028 - Uma balança inercial revela flutuações rápidas de massa em células de mamíferos

RESUMO - A regulação do tamanho, volume e massa nas células vivas é fisiologicamente importante e a desregulação desses parâmetros dá origem a doenças. A massa celular é amplamente determinada pela quantidade de água, proteínas, lipídios, carboidratos e ácidos nucleicos presentes em uma célula e está fortemente ligada ao metabolismo, à proliferação e à expressão gênica.
Crédito: Martin Oeggerli / Universidad de Basilea
Tecnologias emergiram nos últimos anos que possibilitam rastrear as massas de células suspensas simples e células aderentes. No entanto, não era possível rastrear células aderentes individuais em condições fisiológicas com resoluções de massa e tempo necessárias para observar a rápida dinâmica celular.
Aqui, apresentamos uma "picobalança" inercial que mede a massa total de células aderentes simples ou múltiplas em condições de cultura durante dias com resolução de tempo de milissegundo e sensibilidade de massa de picograma. Usando nossa técnica, observamos que a massa de células vivas de mamíferos flutua intrinsecamente por cerca de um a quatro por cento em intervalos de tempo de segundos ao longo do ciclo celular.
As experiências ligam essas flutuações de massa aos processos celulares básicos de síntese de ATP e transporte de água. Além disso, mostramos que o crescimento e a progressão do ciclo celular são detidas em células infectadas com vírus vaccinia, mas as flutuações de massa continuam até a morte celular. Nossas medidas sugerem que todas as células vivas apresentam flutuações de massa rápidas e sutis ao longo do ciclo celular.
Como o nosso equilíbrio celular é fácil de manusear e compatível com microscopia de fluorescência, antecipamos que nossa abordagem contribuirá para a compreensão da regulação da massa celular em vários estados celulares e em prazos, o que é importante em áreas como fisiologia, pesquisa sobre câncer, diferenciação de células-tronco e descoberta de drogas.
doi : 10.1038 / nature24288
As melhores imagens científicas de 2017, LA CRONICA.com
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12/01/2018 - 200 K
NOVA ACTA ALCANÇA A MARCA DE 200 MIL ACESSOS.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

1027 - Alguém já pegou o resfriado comum no espaço?

As agências espaciais, como a NASA, são extremamente cautelosas com qualquer doença antes de enviar os astronautas para o espaço. Qualquer problema de saúde - da gripe suína para a gripe comum - pode ser desastroso para todos os membros da tripulação, pois a microgravidade enfraquece o sistema imunológico, tornando a doença muito mais proeminente. O resfriado comum, por exemplo, com o congestionamento que causa nas vias aéreas, pode fazer com que os ouvidos fiquem bloqueados, especialmente durante as mudanças de pressão que ocorrem numa caminhada espacial.
Como prevenção, os astronautas são mantidos em quarentena antes de se deslocarem para o espaço. Além disso, para verificar se há problemas pré-existentes, os astronautas devem ser submetidos a um exame físico completo. Isso inclui swabs e outros testes de laboratório na semana que antecede o lançamento. Após o exame inicial e sete dias antes da decolagem, o contato dos astronautas com outras pessoas é limitado. Esta etapa do processo de quarentena é rigorosa e até mesmo o médico da equipe que acompanha os testes permanece isolado com a equipe. E qualquer pessoa que adoeça durante este período é proibida de trabalhar com os membros da tripulação.
No entanto, apesar de testes tão rigorosos, houve astronautas que ficaram doentes no espaço. Wally Schirra (foto acima), da Apollo 7, teve um resfriado no meio de sua missão. Outros astronautas, como Frank Borman, da missão Apollo 8, Hans Schlegel e outros astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional, também ficaram doentes, mas isso se deveu principalmente a seus corpos tentando se adaptar à microgravidade.
Has anyone ever caught the common cold in space?, Space Answers

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

1026 - Por que os medicamentos apresentam estranhos nomes?

Você deve ter notado que cada medicamento de marca tem um segundo nome - por exemplo, Prozac ® (fluoxetina). Este segundo nome, fluoxetina, é o nome do princípio ativo, que é também o de sua forma genérica. E, acredite ou não, estes segundos nomes ​​são apelidos realmente convenientes. É muito mais fácil dizer fluoxetina do que dizer ( RS )-N-metil-3-fenil-3-[4 - (trifluorometil) fenoxi]-propan-1-amina.
Cada nome de um princípio ativo tem duas partes principais. A metade de trás do nome, o sufixo, é o mesmo para todas as drogas de uma determinada classe. Por exemplo, há toda uma série de medicamentos para a redução do colesterol que terminam em -statina: atorvastatina, fluvastatina, rosuvastatina, sinvastatina e vários outros.
Alguns outros sufixos de classe incluem:
 -oxetina para uma classe de antidepressivos, como a fluoxetina;
-sartana para uma classe de drogas que baixam a pressão arterial, como a losartana;
-afil para uma classe de drogas para a disfunção erétil, como o sildenafil (Viagra);
-lucaste para uma classe de medicamentos anti-asmáticos, como o montelucaste (Singulair);
-azepam para uma classe de medicamentos anti-ansiedade, como o diazepam (Valium);
-coxib para uma classe de analgésicos anti-inflamatórios, como o celecoxib (Celebrex);
-dronato para uma classe de drogas que evitam a perda de cálcio, tais como o alendronato;
-formina para uma classe de medicamentos para diabetes, como a metformina (Glucophage), e
-prazol para uma classe de redutores de ácido do estômago, como omeprazol;
-conazol para uma classe de anti-fúngicos;
-vir dos antivirais, com um número de subclasses, incluindo -amivir para uma classe que inclui o zanamivir, medicamento anti-gripe (Relenza); -ciclovir para uma classe que trata do herpes (tal como famciclovir (Famvir)), e -navir para anti-retrovirais para o tratamento de HIV, tais como indinavir (Crixivan)
Então, de onde é que esses sufixos vêm? Costumavam vir do nome químico completo, mas agora eles estão, por vezes, tendo a origem em determinados termos descritivos.
Quanto ao prefixo (que identifica a droga entre as demais de sua classe), pode ser escolhido pelo laboratório que desenvolveu a droga (embora sujeito às regras e à aprovação do USANC). Então, é aguardar que os médicos, os pacientes e os departamentos de marketing a tornem bem sucedida. Ou não. Mas se for, você pode apostar que todos vão chamá-la pelo nome de marca.
How do prescription drugs get such crazy names? por James Harbeck, THE WEEK