segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

693 - A vitamina C e o zinco na prevenção do resfriado comum

"A primeira coisa que muitas pessoas vão tentar na prevenção do resfriado comum é complementar a dieta com vitaminas C e D", diz Michael Allan, da Universidade de Alberta, no Canadá, que recentemente analisou os dados disponíveis na literatura médica para os remédios mais populares. "Mas a evidência é terrível para elas." Dosagens altas de vitamina C mostram-se capazes de proteger levemente de adoecer as pessoas que se submetem a grande esforço físico, como corredores de maratona, mas para uma pessoa comum reduzem o risco em apenas 3 por cento.
"Se um adulto apresenta dois resfriados por ano, ele só vai evitar um resfriado a cada 15 anos", diz Allan. Pastilhas de zinco pode ter uma sustentação mais firme. Baseado em três ensaios clínicos, Allan diz que crianças que tomam suplementos regulares de zinco sofrem aproximadamente 1 a 1,5 menos resfriados por ano, em média – em comparação com o de seis a oito, que é normal para as crianças em idade escolar. Há também alguma evidência de que o zinco pode reduzir a duração de um resfriado por um dia ou mais. Dado que ele tem um gosto adstringente desagradável, e precisa ser tomado durante todo o ano para o benefício integral, Allan não tem certeza se o recomendaria para uso geral.
166 - Alhos e bugalhos | 220 - Doenças respiratórias no Brasil. Pesquisa por entrevistas | 604 - Google Flu Trends

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

692 - Um asilo lunático

figura 1 - TALA
O Trans-Allegheny Lunatic Asylum (figura 1), em West Virginia, construído entre 1858 e 1881, é o maior edifício de alvenaria de pedra cortada a mão da América do Norte e é, supostamente, o segundo maior do mundo (depois do Kremlin).
Ele foi projetado pelo renomado arquiteto Richard Andrews, seguindo o plano de Kirkbride, que pedia alas para longas caminhadas dispostas em uma formação escalonada, garantindo que cada uma das estruturas de ligação recebesse em abundância luz solar e ar fresco com fins terapêuticos.
O hospital original, projetado para abrigar 250 pacientes, foi aberto para internações em 1864 e atingiu o seu auge na década de 1950, com 2.400 pacientes em condições de superlotação e geralmente pobres.
Mudanças no tratamento da doença mental e a deterioração física das instalações forçaram seu fechamento em 1994, causando um efeito devastador sobre a economia local, a partir do qual ainda não se recuperou.
Passeios diários (ghost tours) neste antigo sanatório mental são oferecidos durante todo o ano. Reservas aqui.

Lista dos motivos para a admissão no TALA (figura 2).
É uma fonte em potencial de nomes para bandas de Heavy Metal Rock.
figura 2
483 - Lunático

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

691 - As principais causas de morte no Brasil

A doença isquêmica do coração, o derrame (AVC) e a pneumonia são as principais causas de morte no Brasil e respondem por 32 por cento dos óbitos registrados em 2013. Os dados fazem parte de um estudo sobre a mortalidade em 188 países, publicado (18/12/13) no periódico The Lancet.
Paulo Lotufo, professor da Universidade de São Paulo e um dos autores do estudo, avalia como positiva a queda da mortalidade geral no país, com declínio em praticamente todas as causas. Mas o que compromete o perfil brasileiro, segundo ele, é a presença de fatores externos como a violência e os acidentes de trânsito entre as principais causas de morte.
De acordo com o relatório, violência e ferimentos provocados por acidentes de trânsito estão no topo da lista de causas de morte entre brasileiros com idade entre 15 e 49 anos, resultando em 72.373 vítimas em 2013.
Confira abaixo as principais causas de morte no Brasil, acompanhadas do número de óbitos, em 1990 e em 2013:
Ano 1990
1. Doença isquêmica do coração (135.781)
2. Derrame (94.588)
3. Pneumonia (61.366)
4. Complicações neonatais decorrentes de parto prematuro (42.646)
5. Ferimentos em acidentes de trânsito (41.166)
6. Doenças diarreicas (36.947)
7. Violência (35.859)
8. Doença pulmonar obstrutiva crônica (34.007)
9. Diabetes (23.024)
10. Anomalias congênitas (17.076)
Ano 2013
1. Doença isquêmica do coração (182.560)
2. Derrame (143.771)
3. Pneumonia (70.074)
4. Doença pulmonar obstrutiva crônica (62.961)
5. Diabetes (56.018)
6. Violência (50.306)
7. Doença de Alzheimer (47.776)
8. Ferimentos em acidentes de trânsito (46.311)
9. Doença crônica dos rins (31.873)
10. Câncer de pulmão (29.043)
Expectativa de vida
O levantamento aponta que a expectativa de vida em 2013 para mulheres brasileiras foi 78,4 anos e, para os homens, 71,6 anos. Em 1990, a expectativa de vida para mulheres que viviam no país era 73 anos e, para os homens, 65,5 anos.
Fonte: EBC

sábado, 20 de dezembro de 2014

690 - O que acontece quando você come demais

Jantar de Ação de Graças: peru, recheio, purê de batatas, um pouco mais de peru, molho cranberry, ainda mais peru? Uhhh ... [Peru atravessa a tela.]  Ainda tem espaço para essa torta? Por enquanto, folgue a calça, estire-se no sofá e vamos saber por que você se sente tão cheio após uma grande refeição. [Reações à introdução] Parte da razão é física. Seu estômago pode esticar até o volume de cerca de um litro - que é o tamanho de um burrito. Quando você ingere uma grande refeição, você enche o seu estômago além dos limites, Apertando os outros órgãos vizinhos, dá uma sensação de abdome repleto. Seu estômago e seus intestinos também se enchem de gases quando você come, aumentando essa sensação de enchimento. Cada vez que você engole, um pouco de ar vai junto – ainda mais se você estiver bebendo refrigerante ou cerveja. Dentro de seu estômago, o gás faz a bebida efervescente ocupar mais espaço do que o líquido que entrou. Felizmente, seu corpo tem uma boa maneira (sic) para se livrar do excesso de gases no estômago: [Arroto]. Para algumas pessoas, outro resultado desconfortável de uma grande refeição é a azia. O estômago produz ácido clorídrico para quebrar a comida. Mais comida para quebrar significa mais ácido, que pode irritar a mucosa do estômago e refluir para o esôfago, dando uma sensação de queimação. Antiácidos usam bases (lembre-se: o oposto de um ácido é uma base) como o bicarbonato de cálcio para neutralizar o ácido. Essa reação produz mais dióxido de carbono, o que pode aumentar a sensação de enchimento, Pelo menos até o próximo arroto. A outra parte da sensação de plenitude é mental. Quando você comeu o suficiente moléculas mensageiras do corpo, hormônios, avisam o seu cérebro que é hora de parar. Bro! Bro! .... É hora de parar! Quando você come uma refeição de alto teor calórico, as células de seus intestinos secretam um hormônio chamado peptídio tirosina-tirosina ou PYY. PYT, não! Essa é uma canção de Michael Jackson! Quando o PYY atinge o cérebro, liga-se a receptores que lhe dão a sensação de que você está cheio, ou até mesmo um pouco enjoado. Alguns hormônios reagem mais intensamente a refeições ricas em gorduras, hidratos de carbono ou proteínas, mas todos eles têm a mesma finalidade: fazer você colocar o garfo ao lado do prato! Então, da próxima vez que a sua mãe perguntar se você quer outra porção, tire um minuto para ouvir o que seu corpo está tentando lhe dizer. Não se importa realmente? Então, não se surpreenda se você não estiver se sentindo bem depois. Agora, clique no botão de se inscrever e confira nossos outros vídeos sobre a alimentação, se você tem estômago para isso.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

689 - Vendas de maços de cigarros per capita nos Estados Unidos

Número anual de maços per capita por Estado
Período: 1970 – 2012

domingo, 14 de dezembro de 2014

688 - Henna com PPD

Esta notícia saiu em 2008 no NY Times, mas merece ser recontada.
As tatuagens de Henna são amplamente disponíveis e geralmente inofensivas. Mas certos tipos podem causar uma potente reação alérgica.
A Henna é uma tintura vegetal que pode ser marrom, vermelha ou verde, a qual, aplicada na pele, desaparece em questão de dias. Mas, para produzir uma cor mais escura, alguns tatuadores adicionam um produto químico chamado parafenilenodiamina ou PPD.
A Food and Drug Administration diz que o único uso legal para PPD em cosméticos é como tintura de cabelo.
Esta fotografia, publicada na edição de 6 de agosto do The New England Journal of Medicine, mostra as mãos cheias de bolhas de uma mulher do Kuwait, de 19 anos, que aplicara a tatuagem temporária para ir a um casamento, oito dias antes.
Ela foi tratada com corticosteroides tópicos.
"As bolhas duraram uma semana", disse Colby C. Evans, dermatologista do Texas e coautor do artigo. "Mas deixaram uma pigmentação escura que levará seis meses ou mais para desaparecer".
Henna sem PPD é mais seguro?
"Houve alguns casos de alergia a Henna em si, porém raros", disse Evans. "Já a alergia ao PPD é extremamente comum".
N. do E.
Não confundir o PPD - parafenilenodiamina (adicionado à henna) com o PPD - protein purified derivative que é usado em testes para a detecção da infecção tuberculosa.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

687 - Raios em domicílio

1 Na Austrália, cerca de 30 pessoas por ano sofrem lesões por descargas de raios quando falam ao telefone fixo.
Ray McDonnell sabia desses perigos. Mas deu pouca atenção a uma tempestade elétrica ao pegar o telefone que tocava na hora do jantar. Ele foi imediatamente eletrocutado. Quando recuperou os sentidos, sentiu um cheiro de queimado muito forte e constatou que apresentava queimaduras no pescoço, braço, peito e... no ouvido.
A corrente elétrica de um raio que é recebido diretamente é de 30 mil amperes, em média. Conduzida através de cabos de telefone é muito menor, mas pode chegar a centenas de amperes. O problema é que, neste último caso, a corrente elétrica penetra no corpo humano através de uma parte muito sensível, o ouvido.
Lightning Phone, por Damien Hansen
Leitura complementar
Ruídos acústicos e trovoadas. In: Orientação ao Consumidor, Telstra
2 Em 30 de junho de 1960, um temporal atingiu Columbia, Missouri, e fez o tempo não só ficar parado, mas ir para trás.
O Columbia Missourian informou que o Sr. C. W. Brenton olhou para o relógio elétrico às 19h55 e ficou surpreso ao ver que o relógio estava andando para trás.
Durante a tempestade, raios haviam entrado em sua casa pelos fios da eletricidade e fundido alguns da fiação do relógio. Isto aparentemente inverteu o campo magnético do motor, fazendo com que os ponteiros passassem a se mover no sentido contrário.
Peter Viemeister, The Lightning Book, 1961
Português no lar
"A domicílio" ou "em domicílio"? Tire sua dúvida aqui.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

684 - Para a alegria da vida

O mamilo do guitarrista
A fissura do mamilo, também conhecido como mamilo do corredor (foto), do ciclista, do surfista, do halterofilista, do guitarrista etc. é uma condição que pode ser causada pela fricção repetida de uma camisa (T-shirt) ou de outra roupa da parte superior do corpo (inclusive do interior de um emblema) contra os mamilos durante um período prolongado de exercício.
Resultam disso: dor, secura ou irritação, sangramento em um ou ambos os mamilos.
(A patologia também pode acontecer em mulheres que amamentam.)
Hoax
Em 1974, a médica britânica Elaine Murphy, leu uma carta no British Medical Journal (BMJ) sobre o "mamilo do guitarrista", e pensou que a correspondência fosse uma piada, Então, escreveu uma carta para o BMJ e enviou-a com a assinatura do marido.
Para sua surpresa, o jornal a publicou:
Sir,
Embora eu nunca tenha visto o mamilo do guitarrista, como relatado pelo Dr. P. Curtis (27 de abril, p 226), uma vez me deparei com um caso de cello scrotum (escroto de violoncelista) causado pela irritação do corpo do violoncelo. O paciente em questão era um músico profissional e tocava esse instrumento em práticas, ensaios e concertos durante várias horas por dia.
JM Murphy 
A condição foi referenciada em outras revistas médicas nos anos que se seguiram. Quando foi mencionada novamente no BMJ, em 2008, o casal Murphy admitiu a farsa.
"Qualquer pessoa que já assistiu a um violoncelo sendo tocado iria perceber a impossibilidade física de nosso comunicado", escreveu Murphy, à época um membro da Câmara dos Lordes.
"Podemos ter que solicitar agora uma retratação formal ou correção", disse um porta-voz da revista. "Uma vez que essas coisas entram na literatura científica, elas ficam lá para sempre. Mas tudo isto contribui para a alegria da vida".
Occupational hazards, Futility Closet

sábado, 29 de novembro de 2014

683 - O desfibrilador voador

Um estudante holandês de 23 anos apresentou um protótipo de um drone ambulância, um desfibrilador voador capaz de chegar a uma vítima de ataque cardíaco dentro daqueles preciosos minutos em que uma vida pode ser salva.
Desenvolvido pelo estudante de graduação de engenharia Alec Momont, ele pode voar em velocidades de até 100 quilômetros por hora. Pintado em amarelo (cor característica dos serviços de emergência na União Europeia - UE) e impulsionado por seis hélices, o drone ambulância pode transportar uma carga de quatro quilogramas - neste caso, um desfibrilador.
"Cerca de 800 mil pessoas sofrem uma parada cardíaca na UE a cada ano e apenas 8 por cento delas sobrevivem. E a principal razão para isso é o tempo de resposta relativamente longo dos serviços de emergência - de cerca de 10 minutos, enquanto a morte cerebral pode ocorrer entre quatro e seis minutos", diz Momont. "O drone ambulância pode fazer um desfibrilador chegar a um paciente situado em uma área de 12 quilômetros quadrados dentro de um minuto, aumentando a sua chance de sobrevivência de 8 para 80 por cento."
Nerdoholic

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

682 - De mal a pior



Um curativo que combina com a pele?
Não, não chega nem perto.
É de uma linha de curativos que fazem o corte parecer pior do que realmente é.
Macabro, não? Mas, por alguma estranha razão, as crianças estão gostando deles.

domingo, 23 de novembro de 2014

681 - Lambendo o perigo

Da esquerda para a direita: MRSA, gripe, catapora, E. coli, e HIV.
A artista Wei Li fez estes picolés com formas de conhecidos microrganismos patogênicos. Mas são perfeitamente seguros, pois são feitos de água com açúcar. Assim como os picolés comuns.
Li explica que quer criar uma experiência sensorial confusa (sic) nas pessoas.
"Antes de prová-los com a língua", diz ela, "você deve saboreá-los mentalmente". E só então "enfrentar o perigo" com suas lambidas.
Ela usou uma impressora 3D para criar os moldes para os picolés.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

680 - O que pode estar ampliando o alcance das doenças tropicais?

Você acha que as doenças tropicais só ocorrem nos países em desenvolvimento?
Mude de ideia.
Diante do que a Organização Mundial da Saúde (OMS) vem divulgando sobre estas doenças:
Malária
Dengue
Encefalites
Peste bubônica
Cólera.
Segundo a OMS, devido ao aquecimento global, elas estão se espalhando para as regiões temperadas do planeta.
É que os concomitantes aumentos da temperatura e da umidade em nosso planeta, fenômenos associados ao aquecimento global, estão fazendo proliferar os insetos e os roedores que espalham estas doenças.
N. do E.
Há outros fatores que auxiliam na propagação global dessas doenças, tais como o crescimento populacional, a urbanização descontrolada, as limitações dos sistemas de saúde e os grandes fluxos migratórios.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

679 - Bebidas açucaradas e envelhecimento celular

O consumo de refrigerantes açucarados pode estar ligado ao envelhecimento acelerado do DNA
Bebidas gaseificadas ricas em açúcar (tipo "cola") têm estado sob o fogo de militantes da saúde por contribuírem para a obesidade e o diabetes tipo 2, mas surge agora o primeiro estudo a sugerir uma ligação dessas bebidas com o envelhecimento das pessoas.
O estudo, publicado no American Journal of Public Health, solicitou informações a 5.309 adultos saudáveis ​​com idade entre 20 e 65 anos sobre o seu consumo de refrigerantes e examinou o DNA de células brancas do sangue de todos eles.
A associação entre o consumo de bebidas açucaradas e o nível de envelhecimento celular mostrou-se alarmante.
A equipe da pesquisa descobriu que os telômeros (tampões de proteção do DNA nas extremidades dos cromossomos e que funcionam como relógios biológicos) eram menores em pessoas que consumiam habitualmente essas bebidas. As pessoas que relataram beber uma garrafa de 350 ml de refrigerante por dia tinham, em média, um DNA característico de células 4,6 anos mais velhas.
No entanto, é importante observar que esta pesquisa ainda está em estágio preliminar. Necessitam-se de mais estudos para demonstrar cabalmente se existe uma relação de causa-efeito entre o consumo de bebidas açucaradas e o envelhecimento celular.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

678 - A história de Íris

Nossa história é sobre uma garota chamada Íris.
Íris é muito sensível. Tão sensível, que sempre está em lágrimas. Ela chora quando está triste, quando está feliz e até quando algumas coisas chegam perto dela.
Ela possui glândulas lacrimais especiais para gerar novas lágrimas, e tubos especiais chamados punctas lacrimais, para drenar lágrimas antigas.
Ela chora tanto, que perde 296 ml de lágrimas por dia. Trinta e oito litros por ano! Na verdade, se analisarmos de perto, veremos que ela chora um pouquinho o tempo todo.
As lágrimas basais que Íris produz constantemente formam uma fina cobertura de três camadas, que a cobrem e a protegem da poeira e dos ciscos. Bem próximo à Íris, fica a camada de muco, que mantém tudo ligado a ela. Em cima dessa camada, fica a camada aquosa, que mantém Íris hidratada, expulsa bactérias invasoras e protege sua pele, ou a córnea, de lesões. Por fim, temos a camada de lipídeos, uma película externa oleosa, que mantém a superfície lisa para que a Íris enxergue através dela, e evita que as demais camadas evaporem.
Geralmente, Íris passa o dia sem realmente perceber as lágrimas basais, fazendo seu trabalho. Essa é meio que a função delas. Mas, um dia, ela encontra um garoto chamado Cebola. Íris fica imediatamente apaixonada.
Cebola estava lindo em sua jaqueta roxa e brilhante, e tinha um cheiro incrível!
Então, Íris convida Cebola para jantar em sua casa, mas quando Cebola entra e tira a jaqueta, algo terrível acontece. Quando Cebola tira a jaqueta, uma reação química acontece, convertendo os sulfóxidos, que o fazem ter um cheiro tão bom, em ácido sulfênico, que, então, torna-se uma substância desagradável com um nome extenso: sulfóxido de tiopropanal.
O gás atormenta Íris e, de repente, ela não consegue evitar e começa a chorar descontroladamente. Essas lágrimas de reflexo são diferentes das lágrimas basais, às quais Íris está acostumada. Por serem feitas para remover substâncias prejudiciais ou partículas, elas são liberadas em quantidades bem maiores, e sua camada aquosa também contém mais anticorpos para deter quaisquer microrganismos que possam tentar entrar.
Tanto Íris quanto Cebola ficam arrasados. Eles sabem que não podem levar adiante seu relacionamento, já que Íris vai se machucar e chorar toda vez que Cebola tirar sua jaqueta. Então, eles decidem se separar.
Quando Cebola sai pela porta, Íris para de chorar. E imediatamente recomeça. Só que, agora, ela não está chorando lágrimas de reflexo, mas lágrimas de emoção. Quando alguém fica triste ou feliz demais, parece uma perda de controle, o que pode ser perigoso. Então, as lágrimas de emoção são enviadas para estabilizar o humor o mais rápido possível, junto com outras reações físicas, tais como frequência cardíaca aumentada e respiração mais lenta. Mas os cientistas ainda não têm absoluta certeza sobre como ou por que as lágrimas em si são úteis. Talvez sejam um mecanismo social para conseguir empatia ou mostrar submissão. Mas alguns estudos também descobriram que lágrimas de emoção contêm níveis mais altos de hormônios do estresse, como ACTH e encefalina, uma endorfina e analgésico natural. Neste caso, as lágrimas de emoção também estão, diretamente, acalmando Íris, bem como sinalizando seu estado emocional aos outros.
Lamento que as coisas não tenham dado certo com o Cebola, Íris. Mas não se preocupe. Contanto que você tenha todos os três tipos de lágrima, trabalhando para manter você equilibrada e saudável, as coisas vão melhorar.
Você vai ver.
Traduzido por PGCS

terça-feira, 11 de novembro de 2014

677 - A solução à brasileira

Pesquisadores do Reino Unido mantêm-se na liderança das pesquisas sobre piolhos pubianos ("chatos").
Em 2006, foram Nicola Armstrong e Janet Wilson, do Departamento de Medicina Geniturinária, em Leeds, que se destacaram com este trabalho: Did the "Brazilian" kill the pubic louse? No qual apontavam uma relação entre o desaparecimento do habitat primário (pelos pubianos) do parasita e o número de casos de infestações por Pthirus pubis descritos por profissionais médicos. A DEPILAÇÃO À BRASILEIRA
Agora, um estudo de acompanhamento realizado por Shamik Dholakia, Jonathan Buckler, John Paul Jeans, Andrew Pillai, Natasha Eagles e Shruti Dholakia no Hospital Geral Milton Keynes, em Buckinghamshire, Reino Unido, com base em 3850 questionários preenchidos durante um período de dez anos, não só confirma a diminuição da incidência de infestações por piolhos pubianos como liga a mudança fortemente às práticas de remoção dos pelos pubianos.
No relatório "Pubic Lice: An Endangered Species?" (Os Piolhos Púbicos: Uma Espécie em Extinção?), publicado recentemente em Sexually Transmitted Diseases 41 (6): 388-391, eles afirmam com firmeza:
Resultados: Observou-se uma correlação significativa e forte entre a queda de infestações por piolhos pubianos e o aumento na remoção dos pelos pubianos.
Conclusões: O aumento da incidência de depilação, pela destruição do habitat natural do parasita,pode levar a padrões atípicos de infestações por piolhos pubianos ou à sua erradicação completa.
No entanto, eles ainda veem algum futuro para a espécie. Nos padrões atípicos de infestações em que os piolhos púbicos podem colonizar outros habitats, como os pelos do peito e das sobrancelhas.

561 - O uso do mercúrio contra a pediculose na Renascença

sábado, 8 de novembro de 2014

676 - PPD. As recomendações do MS em caso de falta do teste

O teste da tuberculina, também chamado de PPD (Derivado Proteico Purificado), usado para diagnosticar tuberculose latente, ou seja, antes dos sintomas da doença aparecerem, vai deixar de ser fabricado. O Ministério da Saúde divulgou NOTA INFORMATIVA para programas estaduais e municipais indicando as condutas a serem adotadas na falta do teste.
Segundo o Ministério da Saúde, o país ainda está abastecido do PPD, e a falta deste produto não vai comprometer o Programa Nacional de Tuberculose. A pasta afirma que está em contato com a Organização Mundial da Saúde para buscar alternativas para o problema.
Em 2013, a incidência de tuberculose foi 35 casos por 100 mil habitantes, 21,17% menor do que em 2003, quando esta taxa era 44,4 por 100 mil. O número de casos novos teve redução de 10,5%, passando de 78.606, em 2003, para 70.372 casos novos registrados em 2013.
Considerado importante problema de saúde pública, a tuberculose é uma doença causada pelo bacilo de Koch (Mycobacterium tuberculosis), que afeta vários órgãos do corpo, mas principalmente os pulmões. É transmitida pelo ar, quando o paciente tosse ou espirra. Os principais sintomas são tosse prolongada, geralmente mais de três semanas, com ou sem catarro, cansaço, emagrecimento, febre noturna e suor noturno.
09/11/2014 - Atualizando...
O problema ocorre porque o laboratório produtor do PPD (com sede na Dinamarca) foi vendido e interrompeu a fabricação.
Há dinheiro para comprar, mas não há quem venda. Agora, é discutir o que fazer, como substituir", diz Margareth Dalcolmo, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e integrante do comitê técnico que assessora o Ministério da Saúde.
Nos Estados Unidos, o PPD foi substituído pelo Igra (ensaios de detecção de interferon gama em sangue, na sigla em inglês), exame mais caro, o que dificulta a compra em larga escala. Esse exame está disponível em laboratórios privados. É caro. Há a sugestão de que testes Igra sejam incorporados ao Programa de Controle da Tuberculose, mas isso depende de estudos econômicos.
Outra sugestão é que a tecnologia de produção do PPD seja transferida para algum laboratório brasileiro.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

675 - As vacinas funcionam!

Não obstante os comprovados benefícios das vacinas, muitas pessoas desconhecem como elas funcionam e inclusive desconfiam de sua ação. As vacinas sempre são mais seguras do que as enfermidades infecciosas que elas protegem. Contra algumas dessas enfermidades não há sequer tratamento efetivo, e as vacinas são a única opção para lutar contra elas.
As vacinas salvam milhões de vidas.
Vídeo
Vacinas e vacinações 
por Carlos Vogt,  10/10/2014 - Editorial da Com Ciência 
(revista eletrônica de jornalismo científico)
Certamente, as vacinas mudaram a qualidade e a expectativa de vida das populações ao longo de uma história que se inicia no final do século XVIII e que se desenvolve, por sucessivas e importantes descobertas, para a melhoria da saúde pública e o bem-estar social.
Essa história tem início em 14 de maio de 1796, quando o médico inglês Edward Jenner dá o primeiro passo para a imunização de um menino de 8 anos à varíola, e com isso descobre a vacina.
A história da vacina está, assim, ligada à história da luta contra a varíola e o próprio nome do procedimento, da técnica e da tecnologia de imunização está, na origem e definitivamente, ligado às formas de manifestação da doença nas vacas e nos humanos: na publicação em que nasce o termo "vacina", a expressão usada por Jenner é, em latim, "varíola vaccinae", "varíola da vaca". Da designação de um produto específico, o termo, por metonímia, passa a designar, genericamente, o procedimento para todos os casos de sua aplicação.
A consagração do nome e do procedimento iria se dar em outubro de 1885, quando Louis Pasteur comunicou à Academia de Ciências, na França, a descoberta do imunizante contra a raiva, dando-lhe, em homenagem a Jenner, o nome de vacina.
A partir daí, o final do século XIX e o século XX inteiro iriam conhecer, num processo dinâmico de inovações, que se estende e se aprofunda neste início do novo século, uma sequência impressionante de descobertas que foram consolidando a importância do papel das vacinas para a saúde das populações do globo.
Assim o caso da vacina tríplice, da BCG, da febre amarela, da Sabin, da hepatite B, da gripe e de tantas outras pesquisas e descobertas que se vislumbram e que estão em curso, como é o caso da vacina da dengue.
Contra a varíola, eu, como os de minha geração, experimentamos várias das técnicas de vacinação aplicadas às escolas públicas nos anos 1940 e 1950. Escarificação e broca eram as minhas mais temidas, sendo que a última, que consistia em girar um tubo capilar cortado com a vacina sobre a pele era a campeã de meus temores. Nunca fiquei com a marca que a maior parte de meus amigos e colegas herdaram das vacinações. E disso, não sei porque tive inveja, quando menino. Depois perdi, hoje não tenho mais, mas guardo, na lembrança, o sentimento de necessidade e revolta que os rituais de vacinação provocavam e que foram, com o tempo, sendo cada vez mais incorporados aos hábitos e costumes das sociedades contemporâneas.

domingo, 2 de novembro de 2014

674 - O pulmão de aço

Inventado nos Estados Unidos em 1928, o pulmão de aço estava entre as primeiras máquinas do suporte à vida. Consiste basicamente de uma câmara hermética conectada a uma bomba de ar.
A máquina foi originalmente concebida para ajudar as vítimas da inalação de gases. Mais tarde, os pulmões de aço se tornariam famosos por manter vivos os pacientes de poliomielite. Em casos graves, quando a doença paralisava os músculos respiratórios, o pulmão de aço assegurava a respiração dos pacientes.
O pulmão de aço ajuda o paciente a respirar por meio de pressões negativas. As quais sugam o ar para fora fora da câmara da máquina, fazendo com que os pulmões do paciente expandam, e este possa respirar.
Muitos pacientes de pólio se recuperavam depois de passar algum período no pulmão de aço. Outros, porém, passavam o resto de suas vidas na máquina. Para estes pacientes, a máquina salvava a vida, mas a um preço elevado do ponto de vista da qualidade de vida.
Ainda hoje, há pacientes que usam pulmões de aço para respirar. São casos pouco frequentes. Graças às vacinas, que praticamente eliminaram os casos de pólio, e aos atuais aparelhos de ventilação mecânica cujas vantagens operacionais e de resultados são inegáveis.
Website recomendado:
http://www.sciencemuseum.org.uk/broughttolife/themes/treatments/iron_lung.aspx
19/12/2014 - Atualizando...
Esta nota (674) foi republicada em 18/12/2014 no Jornal GGN.
10/02/2016 - Atualizando...
Martha Mason, a mulher que passou mais de 6O anos imobilizada em um pulmão de aço

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

673 - Micróbios em ponto de cruz



No site Etsy, Alicia Watkins "vende vírus e bactérias" em ponto de cruz. Já feitos ou em telas para que você os faça.
Ponto de cruz, para quem não sabe, é uma técnica de bordado.

Tudo em tricô
420 - Doença

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

672 - Carvão mineral aumentou emissões de gás carbônico no mundo

A relação entre o consumo de energia e as emissões de CO2 mundiais piorou nos últimos dez anos, de acordo com o boletim "Energia no Mundo".
Com o crescimento de 28% na demanda mundial de energia, entre 2003 e 2013, e maior uso relativo de carvão mineral em relação ao petróleo e gás, as emissões de gases do efeito estufa passaram de 2,33 tCO2/tep em 2003 para os atuais 2,37 tCO2/tep. (*)
Quanto ao consumo mundial de petróleo, o boletim aponta que em 2013 foram consumidos 91,3 milhões de barris por dia (Mbbl/d), equivalente a 31 vezes o consumo do Brasil no mesmo ano. Já o consumo de gás natural mundial foi de 3.348 bilhões de metros cúbicos (Gm³), volume 89 vezes maior que o consumido no Brasil.
No carvão mineral, o consumo mundial foi de 3.827 Mtep no ano passado, o que equivale a 232 vezes o consumo do Brasil.
 O boletim Energia no Mundo é produzido anualmente pelo Núcleo de Estudos Estratégicos de Energia do Ministério de Minas e Energia, e apresenta gráficos e dados sobre as matrizes energética e elétrica de 89 países. O documento também traz indicadores sobre a produção e o consumo de energia nesses países e suas relações com o PIB, população, emissões de CO2, entre outros.
N. do E.
(*) tep = tonelada equivalente de petróleo. Em 2013, o Brasil emitiu 1,55 tCO2/tep (este indicador é 37% menor do que o indicador mundial).
A extração e o transporte do carvão mineral, sem o cumprimento das medidas de controle recomendadas, causam o adoecimento pela pneumoconiose dos trabalhadores do carvão.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

670 - O metal pesado que abalou um império

Macio, flexível e maravilhosamente onipresente, o chumbo foi muito usado pelos antigos romanos para fazer moedas, canos, panelas e jarras para vinho. Era ainda utilizado na fabricação de tintas e pós faciais. E o resultado disso tudo foi "a morte por envenenamento lento do maior império que o mundo já conheceu".
Dois terços dos imperadores romanos – de Calígula a Nero – mostravam sintomas de envenenamento pelo chumbo. Análises de ossos retirados de cemitérios romanos da época acusaram depósitos de chumbo que mediam três vezes o padrão da Organização Mundial de Saúde para o envenenamento grave pelo metal.
Em muitos aspectos, o chumbo é uma má notícia para o corpo humano: ele danifica os rins e o coração, prejudica a produção das hemácias e inibe o crescimento das células ósseas. Além disso, afetando a regulação do crescimento dos neurônios e da formação das sinapses, interrompe o processo cognitivo.
Alguns historiadores acreditam que o veneno comprometia não apenas o cérebro dos imperadores romanos, mas de todos em Roma. De repente, Calígula declarando sua própria divindade, nomeando seu cavalo para o Senado e ordenando seus soldados que marchassem para o oceano ("para lutar contra o deus do mar") fazem um pouco mais de sentido.

sábado, 18 de outubro de 2014

669 - DIA DO MÉDICO. Pensamentos

Uma curta coletânea de pensamentos sobre o médico
O bom médico conhece bem os guidelines, mas o ótimo médico sabe quando não utilizá-los. ~ J. W. Hurst
Nunca vá a um médico que deixa as plantas morrerem no consultório. ~ Erma Bombeck, As plantinhas do consultório
A natureza é o mestre do médico, já que ela é mais antiga do que ele e ela existe dentro e fora do homem. ~ Paracelso
Não é suficiente dizer aos enfermos: "Coragem! Isto passará". Tais palavras devem vir animadas pelo coração, para que elas cheguem até à alma e o coração de quem sofre. ~ Esquirol, médico francês
Nosso médico nunca operaria, a menos que fosse necessário. Ele era assim. Se ele não precisasse de dinheiro, ele nunca encostaria a mão em você. ~ Herb Shriner
Um paciente deve pagar a consulta que o médico cobra para ajudar o médico a viver. Deve comprar todos os remédios recomendados para ajudar o farmacêutico a viver. E deve jogar fora todos esses remédios adquiridos para ele mesmo viver. ~ Anônimo
Nós médicos deveríamos aprender com os farmacêuticos a ler a escrita de nossos colegas. ~ Paulo Gurgel

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

668 - Gaiolas para bebês

O sol é fundamental para a saúde e o funcionamento do corpo. Por meio dos raios do tipo ultravioleta B, nosso organismo obtém a vitamina D e, com ela, melhora a absorção do cálcio, fortalecendo os ossos, e o desempenho do sistema ecológico. A exposição solar é responsável por cerca de 90% da aquisição de vitamina D pelo homem, e os alimentos (como leite, gema de ovo, manteiga, peixes de água fria e óleo de fígado de bacalhau) respondem pelos outros 10%.
Gaiolas, do tipo mostrado acima, já foram usadas para que os bebês recebessem luz solar e ar fresco nos apartamentos (1937).
Ver também:
591 - Rússia, 1977

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

667 - O Diatomista

The Diatomist ( O Diatomista) é um documentário sobre Klaus Kemp, mestre da arte vitoriana do arranjo de diatomáceas.
As diatomáceas são algas unicelulares que criam carapaças de vidro (sílica amorfa) em torno de si. Microscopistas da era vitoriana organizavam-nas em padrões complexos, invisíveis a olho nu, mas espetaculares quando vistos sob ampliação óptica.
Klaus Kemp tem dedicado toda a sua vida a compreender e aperfeiçoar os arranjos de diatomáceas. É atualmente reconhecido como o último grande praticante dessa bela combinação de arte e ciência.
Slideshow 
221 - PNEUMOCONIOSE DIATOMÍTICA
22/10/2014 - Atualizando...
As "diatomáceas das lagoas" também estão presentes no soneto "Budismo Moderno". Augusto dos Anjos valia-se do "cientificismo" como recurso lírico.
19/12/2014 - Atualizando...
Esta nota (667) foi republicada em 14/12/2014 no Jornal GGN.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

666 - A morte por explosão no espaço sideral

Este é um dos mitos criado por Hollywood. Muitas vezes, os cineastas não estão realmente preocupados com os fatos. Eles costumam tomar liberdades com a realidade a fim de fazer uma cena parecer mais interessante.
Dos filmes, sabemos que no instante em que um ser humano é exposto ao espaço sem uma roupa de proteção, ele é um caso perdido. Muito provavelmente, vai explodir em um espetáculo de sangue e vísceras (dependendo da classificação do filme).
É certo que a exposição ao espaço vai certamente matá-lo.  Mas não de uma maneira tão visceral assim. Exposto ao espaço, um ser humano poderá sobreviver por cerca de meio minuto sem dano permanente. Não vai ser agradável, mas a morte não será instantânea. Provavelmente, irá morrer de asfixia por falta de oxigênio.
N. do T.
A película que trata este assunto corretamente, segundo o Microsiervos, é "2001: Uma Odisseia no Espaço".
492 - Sem a roupa espacial

terça-feira, 7 de outubro de 2014

665 - It's Payback Time

O mundo deles está com os dias contados. Uma misteriosa substância azul está levando-o à destruição catastrófica.
O que está por trás de tudo isso?
É um vídeo do STAND UP TO CANCER, que promoverá em 15 cidades da Grã-Bretanha, no dia 11 de outubro, uma marcha de sensibilização para a arrecadação de fundos para a luta contra o câncer.
N. do E.
Payback time, em Economia, refere-se ao período de tempo necessário para recuperar os fundos gastos em um investimento ou para que este alcance o ponto de equilíbrio . Por exemplo, um investimento de 1.000 dólares, que retorne a 500 por ano, teria um payback time ou período de retorno de dois anos. O valor do dinheiro no tempo não é levado em conta. O período de retorno mede quanto tempo leva para algo "pagar a si próprio".

sábado, 4 de outubro de 2014

664 - A doença do chapeleiro maluco

A expressão "louco como um chapeleiro" é provavelmente uma referência ao envenenamento por mercúrio.
E a chamada "doença do chapeleiro maluco" já foi também comum entre os modistas. É que, nos séculos 18 e 19, estes profissionais inalavam fumos de compostos à base de mercúrio, durante a fabricação de chapéus de feltro, e adoeciam devido à toxicidade mercurial.
The Mad Hatter, personagem de "Alice no País das Maravilhas", foi, presume-se, inspirado em um excêntrico comerciante de móveis chamado Theophilus Carter. Mas Carter não foi vítima da "doença do chapeleiro maluco".
Embora Lewis Carroll, o consagrado autor de "Alice...", ao que tudo indica, estivesse familiarizado com a alta prevalência da demência entre os chapeleiros.
Lewis Carrol no Acta
267 - O uso do narguilé
Mercúrio no Acta
305 - Um ano com Mercúrio! | 561 - O uso do mercúrio contra a pediculose na Renascença | 569 - A guerra dos químicos
28/11/2014 - Atualizando...
Esta nota (664) foi publicada no LN Online, em 26/11/14, acrescida por 5 comentários.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

663 - Exatidão x Precisão

Exatidão (= acurácia) consiste no grau de conformidade de um valor medido ou calculado em relação à sua definição ou com respeito a uma referência padrão.
Precisão é o grau de variação de resultados de uma medição. Não é o mesmo que exatidão, que se refere à conformidade com o valor real. A precisão tem como base o desvio-padrão de uma série de repetições da mesma análise.



A exatidão do instrumento pode ser alterada. Já a precisão, por ser uma característica do instrumento, não pode ser alterada.

domingo, 28 de setembro de 2014

662 - Fahrenheit 451

É um romance distópico de ficção científica, escrito por Ray Bradbury (1920-2012) (1) (2) e publicado pela primeira vez em 1953.
O romance apresenta um futuro onde todos os livros são proibidos, opiniões próprias são consideradas antissociais e hedonistas, e o pensamento crítico é suprimido. O personagem central, Guy Montag, trabalha como "bombeiro" (que significa "queimador de livro", na história). E o número 451 é a temperatura (em graus Fahrenheit) da queima do papel, equivalente a 233 graus Celsius.
Curiosidade Em sua primeira edição, duzentos exemplares foram numerados, assinados pelo autor e encadernados em amianto "para salvá-los dos bombeiros" (retratados no romance). Estes exemplares são atualmente leiloados no eBay como raridades e seus adquirentes são aconselhados a mantê-los em sacos plásticos hermeticamente fechados.
Poderá também gostar de ler
A toalha de mesa de Carlos Magno

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

661 - A fortiori

A fortiori (pronuncia-se "a forcióri") é o início de uma expressão latina – a fortiori ratione – que significa "por causa de uma razão mais forte", ou seja, "com muito mais razão".
Poderá também gostar de ver
144 - O placebo: agradando de mais?
292 - O efeito placebo 2.0
387 - Placebo: agradarei
409 - Estudo duplo-cego
510 - Respondedores excepcionais

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

660 - O colar de âmbar

Algumas mães acreditam que o colar de âmbar traz boas energias ao bebê e tem efeitos medicinais. A top model Gisele Bündchen foi uma das mamães que se renderam a essa crendice.
Mas o colar de âmbar não passa de uma bijuteria. Não há evidências científicas de que tenha quaisquer propriedades medicinais.
E é bom ficarem atentas, pois o colar pode causar acidentes com a criança, inclusive o seu enforcamento. Além disso, em caso de soltura das contas, há sempre o risco de serem ingeridas ou introduzidas em orifícios naturais (nariz, ouvidos) pela criança.
Que é âmbar
Uma resina de cor amarela proveniente de algumas espécies de árvores.
Pequenas janelas coloridas para o passado |  Um pesadelo dividido |  Vade retro

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

659 - A guerra dos químicos

Em meados da década de 1920, o governo estadunidense foi ao auge da sagacidade para combater o consumo de bebidas alcoólicas.
As estritas leis de proibição da época tinham provado serem fúteis, pois os americanos ainda estavam bebendo. Eles apenas o faziam às escondidas, frequentando bares clandestinos e comprando álcool nos sindicatos do crime. As gangues roubavam grandes quantidades de álcool industrial (que era usado em outras finalidades como, por exemplo, na esterilização de instrumentos) e o redestilava para remover as impurezas, antes de colocá-lo no mercado como bebida alcoólica.
Em seu esforço para ganhar a luta, o Bureau of Prohibition veio com uma ideia chocante:
E se for envenenado o abastecimento de álcool industrial? 
Em 1926, o governo federal comprou essa ideia, emitindo normas que exigiam que os fabricantes produzissem um álcool industrial mais letal. As novas fórmulas incluíam o acréscimo de sais de mercúrio, benzeno e querosene, e os resultados foram de arrepiar. As mortes relacionadas ao álcool dispararam, com os funcionários do próprio governo atribuindo mais de mil mortes ao programa apenas em seu primeiro ano.
As pessoas ficaram indignadas. "O governo dos Estados Unidos deveria ser cobrado pela responsabilidade moral por essas mortes", disse o médico legista nova-iorquino Charles Norris, um dos inimigos declarados da medida.
Mas o governo manteve-se firme em sua posição, mesmo quando a contagem de corpos continuava a crescer. Em Nova York, 400 pessoas morreram no primeiro ano. Cerca de 700 morreram no ano seguinte, e o padrão foi replicado em várias cidades do país. No entanto, os proibicionistas continuaram a defender a lei.
Foram precisos mais de 10.000 mortes e uma reação pública furiosa para o governo acabar a sua "guerra dos químicos". Aconteceu por volta de 1933, quando as normas – daquilo que Norris apelidara de "nossa experiência nacional em extermínio" – foram silenciosamente eliminadas e o programa foi oficialmente extinto.
Ver também
O beijo da temperança, blog EntreMentes

terça-feira, 16 de setembro de 2014

sábado, 13 de setembro de 2014

657 - Sorrir ou não?

Muito tempo atrás, eu li que era preciso algo como 43 músculos para franzir a testa, mas apenas 17 músculos para sorrir.
Ergo, deveríamos apenas sorrir (porque seria mais fácil).
Numa aula de anatomia na Faculdade, foi que eu percebi que esses números poderiam não estar certos. Tanto quanto eu aprendi, existem apenas 36 músculos chamados de músculos da expressão facial, e eles não estão todos envolvidos em sorrir e franzir a testa.
Na ilustração ao lado, os músculos de franzir a testa e os músculos de sorrir apresentam-se em quantitativos diferentes e enfrentam-se com um escore de 50 x 13.
Já neste fórum em que fiz uma "revisão sistemática", eu encontrei os seguintes resultados: 33 x 13, 100 x 10, 64 x 50, 317 x 20, 43 x 17, 37 x 1, 35 x 4, 65 x 15 e 72 x 14.
Afinal,
Quantos músculos são responsáveis ​​por sorrir e por franzir a testa?
Eu poderia arriscar um palpite, mas vou transferir a responsabilidade de responder para o Dr. David H. Song, cirurgião plástico e professor associado da Universidade de Chicago:
"Contando apenas os músculos que fazem contribuições significativas, concluo que sorrir usa um músculo a mais do que franzir o cenho (são 12 contra 11). Isso não significa, necessariamente, que o ato de sorrir seja mais difícil de realizar. Talvez seja, talvez não seja. Eu suponho que seria preferível comparar suas massas musculares: "músculos sorridentes" versus "músculos carrancudos" – para obter uma estimativa aproximada do consumo de energia (assumindo que todos os músculos consomem energia na mesma taxa por unidade de massa)." – The Straight Dope
Facial Fitness Pao
Atualize-se aqui sobre este interessante dispositivo de exercício facial inventado no Japão: クリスティアーノ・ロナウドがイメージキャラクターのMTG新商品 FACIAL FITNESS PAO(フェイシャルフィットネス パオ)のCMです。 「世界一の笑顔へ、もっと鍛えよう。1日2回、1回30秒からの集中ト
Tudo o que você tem a fazer é colocá-lo na boca e sair com ele por aí. Agitando-o um par de horas por dia, em pouco tempo você terá adquirido um sorriso, digamos, muscular.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

656 - Insônia


"EU NÃO DORMIREI ATÉ ENCONTRAR UMA CURA PARA MINHA INSÔNIA."

Rir também com: 620 - Sucedâneo

domingo, 7 de setembro de 2014

655 - O papel do estado na pesquisa de novos medicamentos

Silio Boccanera — Os grandes laboratórios farmacêuticos alegam pesquisar muito por novas drogas e medicamentos. Mas você diz em seu livro (*) que muito trabalho é feito pelo Estado. Como no caso dos Estados Unidos ajudando Institutos Nacionais de Saúde (NIH, na sigla em inglês). Fale sobre isso. 

Mariana Mazzucato — O que é legal sobre a indústria farmacêutica é que a divisão de produtos é muito clara. Alguns medicamentos são“me-too”, variações sutis de outros existentes, e alguns são realmente inovadores e revolucionários. Estes são novas entidades moleculares que têm prioridade de aprovação. E três quartos dessas novas entidades, com prioridade de aprovação, ou seja, dos medicamentos realmente revolucionários, são financiados pelo Estado através dos NIH. Grandes laboratórios farmacêuticos ainda são importantes, mas não para a parte revolucionária da pesquisa. Eles se concentram muito no desenvolvimento do “P&D” (pesquisa e desenvolvimento) e se concentram muito também em comprar de volta suas próprias ações. Tanto a Pfizer quanto a Amgen gastam muito de suas receitas líquidas na compra de suas próprias ações para valorizar seus preços. Isso volta à questão do curto prazo.
(*) “O Estado Empreendedor”, ainda sem versão no Brasil.
Trecho de uma entrevista concedida pela economista Marina Mazzucato (foto), da Universidade de Sussex na Inglaterra, ao jornalista Silio Boccanera, para o programa Milênio, da Globo News.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

654 - Água de Juventa

Juventa, segundo a concepção do
pintor francês Gaston Bussière
(1862-1929)
Para a mitologia romana, Juventa foi uma ninfa que Júpiter (Zeus, na mitologia grega) transformou numa fonte que rejuvenescia as pessoas, daí a origem da palavra juventude.
"A metáfora da água de Juventa traz em si o simbolismo da água viva. Era à fonte de Juventa que os mortos desciam, nela eram banhados e dela subiam vivos. Juventa era a deusa da juventude, sobretudo da adolescência." (Machado de Assis, na nota 27 de seu romance "Memórias póstumas de Brás Cubas").
Num de seus livros (de contos), Coelho Neto usou o título "Água de Juventa".
O mito do elixir da longa vida
Antigos sábios viam propriedades regenerativas na pérola do orvalho e na seiva vegetal. Na Bíblia há referência a uma "água da vida". Entre os antigos romanos, a ambrósia desempenharia o papel do elixir. E os alquimistas acreditavam que ele seria o ouro potável, a "água dos filósofos".
O mito da fonte da juventude
Os espanhóis pensavam estar situada nas Ilhas das Baamas. No século XVI, o explorador espanhol Ponce de Léon a procurou em Bimini, depois de conseguir do rei espanhol armas e homens para essa busca que deu com os burros n'água.
Ao que parece esse elixir é um gene oculto que, influenciado pelo estilo de vida, promove a longevidade e melhora a qualidade de vida das pessoas.
Referências
Infopédia, CiênciaHoje

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

653 - Doenças na criança por contato com animais

Conheça algumas doenças que eventualmente podem ocorrer em contato com os animais, sobretudo, se a criança estiver com baixa imunidade.
Arranhadura de gato
É causada por uma bactéria que vive normalmente na boca de animais, principalmente de felinos, e que podem ser transmitidas por arranhadura ou lambida sobre uma pele machucada. ► Caracteriza-se por um aumento de gânglio (íngua) perto da região por onde entrou a bactéria, com ou sem febre. Em crianças o gânglio acometido pode ser aquele que fica perto da orelha (pré-auricular), ou do pescoço.
Toxoplasmose
Doença transmitida pelas fezes de felinos ou pela ingestão de carnes mal passadas. “As grávidas podem passar o agente para o feto causando a doença, que é congênita. Por isso, é importante fazer o teste de sorologia durante a gravidez para que, diante de um resultado positivo, o médico possa agir e proteger o feto”, alerta doutor Takanori. ► Pode evoluir com febre, mal estar, dores musculares, com evolução, às vezes prolongada, de muitos dias. A febre pode vir acompanhada do aumento de gânglios no pescoço. Mas, pode acontecer de o paciente não apresentar nenhum sintoma, por isso, muita gente se surpreende com o resultado positivo ao fazer o exame.
Psitacose
A bactéria é transmitida por pássaros, por meio das fezes ou das secreções, sobretudo, durante a higienização de gaiolas. ► Caracteriza-se por apresentar tosse seca e irritante, de longa duração, às vezes, por mais de mês, acompanhada ou não de febre e que pode evoluir para pneumonia.
Doenças causadas por giárdia e salmonela
A Giardia é um protozoário (parente de ameba) e a Salmonela é uma bactéria. Ambos vivem no intestino de praticamente todos os animais e são eliminadas pelas fezes. Ao entrarem em contato com estes animais e levarem a mão à boca, as pessoas podem se contaminar. ► Trata-se das principais causas de diarreia causada pelo contato com animais.
Toxacaríase
É causada por um verme (o toxocara) que a criança pode contrair também em contato com as fezes dos gatos ou cachorros. Existem dois tipos: a chamada Larva Migrans Cutânea (bicho geográfico) e a Larva Migrans Visceral. ► Na forma cutânea, a larva causa sintomas locais: túneis na pele que coçam bastante. A forma visceral é mais grave, pois a larva penetra no organismo e causa tosse, chiado, febre e danos oculares.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

652 - Fazendo os seres humanos menores

Um recurso notável da engenharia humana é a possibilidade de fazer os seres humanos menores. Nossas pegadas ecológicas (1) (2) são, em parte, relacionadas com o o tamanho que temos. Nós precisamos de uma certa quantidade de alimentos e nutrientes para manter cada quilo de massa corporal. Isso significa que, ceteris paribus, quanto maior se é, mais comida e mais energia são requeridas. De fato, a taxa metabólica basal (que determina a quantidade de energia necessária em repouso) relaciona-se linearmente com massa e comprimento (Mifflin et al.,1990). Assim como a necessidade de comer mais, as pessoas maiores também consomem mais energia em formas menos óbvias. Por exemplo, um carro consome mais combustível por quilômetro para transportar uma pessoa mais pesada do que uma pessoa mais leve; mais tecido é necessário para vestir as pessoas grandes do que as pequenas; as pessoas mais pesadas desgastam sapatos, tapetes e móveis mais rapidamente do que as pessoas mais leves, e assim por diante.
Uma maneira de reduzir a pegada ecológica, então, seria a de reduzir o tamanho. Como o peso aumenta com o cubo de comprimento, até mesmo uma pequena redução na altura, por exemplo, e mantendo-se as outras características iguais, pode produzir um efeito significativo no tamanho. (Para reduzir o tamanho, pode-se também tentar reduzir o peso ou o peso e a altura, mas para manter a discussão simples, vamos usar apenas o exemplo de altura). Reduzir a altura em 15 centímetros significaria uma redução de massa de 23% para os homens e de 25% para as mulheres, com as correspondentes reduções de suas taxas metabólicas (15% / 18%), uma vez que menos tecidos significam também menos necessidades de nutrientes e de energia.
Como poderia tal redução ser alcançada?
A altura é determinada, em parte, por fatores genéticos e, em parte, através da dieta e do estresse. Enquanto o controle genético é poligenético, com muitos genes contribuindo para a altura total, o próprio processo de crescimento é, em grande parte, controlado pelo hormônio somatotropina (hormônio de crescimento humano). Diante disso, existem várias maneiras pelas quais poderíamos reduzir a altura adulta em seres humanos.
Uma maneira é através do diagnóstico genético pré-implantacional (PGD, em inglês). Enquanto modificações genéticas para controlar a altura são bastante complexas, e além dos conhecimentos técnicos atuais, no entanto, parece possível usar-se o PGD para selecionar as crianças menores. Isto não significaria intervir no material genético dos embriões por métodos inusitados. Seria simplesmente repensar os critérios de seleção de embriões para os implantes.
Outro método de interferir na altura é usar um tratamento hormonal para afetar os níveis de somatotropina ou para provocar o fechamento da placa epifisária mais cedo do que o normal. Isto, por vezes, ocorre acidentalmente através de overdoses da vitamina A (Rothenberg et al., 2007). Tratamentos hormonais são utilizados para a redução do crescimento em crianças excessivamente altas (Bramswig et al., 1988; Grüters et al., 1989) . Atualmente, a somatostatina (um inibidor do hormônio do crescimento) está sendo estudada como uma alternativa mais segura (Hindmarsh et al., 1995) .
Finalmente, uma forma mais especulativa e controversa de reduzir a altura adulta é reduzir o peso ao nascer. Existe uma correlação entre o peso e a altura adulta (Sorensen et al. de 1999), de acordo com a qual o peso ao nascer, encontrando-se no limite inferior da distribuição normal tende a resultar em ser o adulto ≈ 5 centímetros mais baixo. Quanto à altura ao nascer, tem um efeito ainda mais forte sobre a altura do adulto. A altura ao nascer encontrando-se no limite inferior da distribuição normal de altura tende a produzir uma altura adulta ≈ 15 centímetros mais curta. O imprinting genômico (também conhecido como imprinting parental, onde alguns genes se expressam em apenas um alelo, enquanto o outro é inativado) também afeta o tamanho como resultado de competição evolutiva entre genes paternal e maternalmente impressos (Burt e Trivers 2006). e drogas ou nutrientes, ora reduzindo a expressão de genes paternalmente impressos, ora aumentando a expressão de genes maternalmente impressos, poderiam regular o tamanho de nascimento.
Extraído do trabalho Human engineering and climate change, publicado em 2012 na revista "Ethics, Policy and the Environment", em que os autores. S Matthew Liao (professor de Bioética da Universidade de Nova Iorque), Anders Sandberg e Rebecca Roache (bolsistas da Universidade de Oxford) põem em debate a redução do tamanho dos seres humanos como uma das medidas para se lidar com as mudanças climáticas.
Compensação
Este invento (figura), patenteado pelo marceneiro Henry Addison, que é particularmente útil para as pessoas de baixa estatura quando estão em jogos de futebol e corridas de cavalos:
A Step Up, Futility Closet

terça-feira, 26 de agosto de 2014

651 - A gravidez em 6 segundos, segundo Vine

Os vídeos Vine têm apenas 6 segundos de duração. VIA
Você grava pressionando a superfície do seu smartphone e, em seguida, liberando-a quando você deseja que o aplicativo pare a gravação. Pressionando e soltando rapidamente, várias vezes, você pode gravar um longo acontecimento em segmentos.
Ian Padgham desenvolveu este novo meio de comunicação em forma de arte. Ele mostrou sua habilidade em casa, neste vídeo de sua esposa Claire Pasquier durante seus nove meses de gravidez. Todo mês ele gravava 2 frames.
Ele deverá ter a mesma abordagem do seu filho ao crescer. Afinal, as crianças crescem tão rapidamente.
Para não dizer que eu não falei de... gravidez de alta duração

sábado, 23 de agosto de 2014

650 - Pessoas ruivas precisam de anestesia extra?

Os anestesiologistas, com base na vida prática, já suspeitavam de que os ruivos precisam de mais anestésicos para serem anestesiados.
Pesquisadores da Universidade de Louisville confirmaram esta suspeita. Numa experiência em que 20 mulheres foram anestesiadas com o gás desflurano por motivos diversos.
Eles escolheram apenas mulheres para excluir a possibilidade de o gênero interferir nos resultados do estudo. Os pesquisadores também escolheram mulheres cujos ciclos menstruais estivessem em sincronia, uma vez que as variações nos níveis dos hormônios poderiam desempenhar algum papel na susceptibilidade à anestesia.
No estudo, dez mulheres eram ruivas e as dez outras, que formavam o grupo controle, apresentavam os cabelos escuros.
Após a anestesia entrar em ação, os pesquisadores iniciaram a aplicação de choques elétricos em cada mulher, usando uma tensão que uma pessoa consciente descreveria como "intolerável". Se ela podia sentir dor, os anestesiologistas aumentavam a dose de desflurano e os pesquisadores continuavam a administrar choques até não obter mais resposta a eles.
Esta experiência ("um pouco cruel, mas para o bem da ciência") resultou na conclusão de que as ruivas, com relação às não ruivas, necessitavam de mais 20 por cento do anestésico desflurano para serem anestesiadas.
Acredita-se que isso tenha a ver com um fator genético comum a todas as pessoas de cabelos vermelhos, que, além de lhes fornecer a cor natural dos cabelos, torna as pessoas ruivas particularmente sensíveis à dor, e, portanto, mais difíceis de fazê-las "dormir" com a anestesia.
Arquivo
124 - Rutilismo e dor

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

649 - O Dia de Sobrecarga da Terra

De uma forma simples, a pegada ecológica define-se pela quantidade de dióxido de carbono que produzimos (através do consumo de combustíveis fósseis), mas inclui também parâmetros como a desflorestação e a perda de biodiversidade. O dióxido de carbono é o principal gás responsável pelo efeito estufa e pelo aquecimento global e muitos cientistas estão alarmados com o degelo acelerado que se verifica nos polos, em especial no circulo ártico — a tundra do Alasca, norte do Canadá e Sibéria. Se a terra rica em biomassa que se encontra congelada nestas vastas regiões descongelar, quantidades gigantescas de metano – um gás com efeito de estufa vinte vezes superior ao dióxido de carbono – serão liberadas para a atmosfera do planeta.
Ninguém sabe, ainda, quando se dará esse ponto de viragem.
Nas contas feitas pela Global Footprint Network (GFN), ontem (19 de agosto), ultrapassamos a capacidade regenerativa do planeta Terra. Quer dizer: já gastamos até o limite máximo disponível para este ano e, no resto do mesmo, vamos usar o "cheque especial". Em 2000, o primeiro ano em que esses cálculos foram feitos, "furamos o orçamento" apenas em primeiro de outubro.
A cada ano, o Earth Overshoot Day (Dia de Sobrecarga da Terra) chega mais cedo.

domingo, 17 de agosto de 2014

648 - O mel como arma

65 a.C. – Os soldados de Pompeu, o Grande, estavam exaustos. As legiões romanas haviam marchado em torno da margem sul do Mar Negro e lutado contra Mitrídates VI, o governante do Ponto. Então, algo mágico aconteceu: As tropas romanas descobriram estoques de favos de mel espalhados pelo caminho e se lançaram sobre essas guloseimas pegajosas como ursos famintos.
Dentro de pouco tempo, as tropas começaram a cambalear às cegas e a cair no chão. E os partidários de Mitrídates, que haviam plantado os favos de mel ao longo da rota dos soldados, prontamente apareceram e massacraram seus inimigos incapacitados.
Pompeu perdeu três esquadrões nas escaramuças, uma derrota que ele poderia ter evitado se tivesse estudado a história militar da região. Num livro publicado quase 400 anos antes, o general grego Xenofonte relatou que os seus homens, depois de banquetearem-se com o mel silvestre da região, "acabaram todos nocauteados".
Somente em 1891, é que os cientistas descobriram a causa do "mel louco": rododendros (ao lado, a imagem de uma das espécies). As abelhas que frequentam as flores dessas plantas sugam, não só o néctar, como também a graianotoxina, um veneno que perturba o funcionamento das células nervosas.
Os sintomas da ingestão da toxina pelo ser humano são: náuseas, dor de cabeça, tonturas, perda do controle muscular, e inconsciência, podendo assemelhar-se a uma intoxicação pelo álcool.
Mas Mitrídates não precisava saber disso para usar o mel como arma. Seus soldados venceram a batalha, atrasando (embora não impedindo) a transformação do reino do Ponto em uma província romana.
Quanto aos romanos, nunca mais cometeriam esse erro em particular. Décadas mais tarde, o escritor Plínio, o Velho, ainda advertia das "qualidades perniciosas do mel dourado do Mar Negro".
Extraído de 4 Toxic Moments in History, Neatorama

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

647 - Os animais e as crises de alergia

Dificuldade para respirar, espirros incessantes e coceiras são alguns dos sintomas que podem indicar que a convivência entre o animal de estimação e seu filho ia muito bem até a chegada de uma alergia. “Cuidado apenas para não radicalizar e, ao primeiro espirro, culpar o animal, pondera doutor Pedro Takanori”, infectologista pediátrico.
Os sintomas alérgicos podem se confundir com quadros gripais de repetição, muito frequentes nos pequenos. Por isso, na dúvida, visite o pediatra para que ele investigue o histórico de alergia da criança e da família. Assim, se julgar necessário, fará testes de alergia para constatar ou descartar o problema”, pondera Antonio Carlos Pastorino, médico pediatra alergista e imunologista.
A recomendação de procurar o pediatra deve ser enfatizada, pois são muitos os aspectos que compõem a tendência à alergia e também o seu diagnóstico, a começar pela genética.
Doutor Pastorino explica que se a criança tem pai ou mãe alérgicos terá duas vezes mais chance de desenvolver o problema. Quando os dois são alérgicos, a chance quadruplica. Mesmo assim, em uma família em que os pais são alérgicos, durante algum período, a criança pode conviver muito bem com animais. Mas em um dado momento, se apresenta sintomas ao entrar em contato com cães, gatos ou poeira, significa que o pequeno já passou pela fase de sensibilização aos alérgenos (agentes causadores de alergia) e estes já estão provocando sintomas. A partir daí, pode-se desenvolver uma doença alérgica. Ainda assim, os fatores genéticos não isentam uma criança sem histórico familiar de apresentar alergia.
Entenda a tendência à alergia
Trocando em miúdos, a tendência à alergia é obtida pelo equilíbrio ou não do resultado das "balanças" de imunidade que existem no nosso organismo: “uma delas se refere às células que conferem imunidade e a outra que deixa o organismo suscetível a desenvolver alergia. Há ainda a 'balança' reguladora, que confere tolerância aos possíveis alérgenos. Ao nascer, e mesmo dentro do útero materno, o bebê tem uma tendência à alergia, mas que vai se modificando aos poucos, à medida em que a criança entra em contato com o mundo fora do útero em que enfrenta vírus, fungos e bactérias. Aos poucos, esses 'vilões' promovem um equilíbrio entre as balanças. Assim ocorre com a maioria das crianças, que se torna normal”, detalha doutor Pastorino.
Mas, no decorrer da vida, essas balanças continuam variando conforme a idade, exposição aos agentes alérgicos, quantidade e tempo de exposição e à influência dos fatores genéticos e ambientais como a poluição.
No Ambulatório de Imunologia do Instituto da Criança, doutor Pastorino atende cerca de 300 pacientes asmáticos graves. Do total, 95% tem rinite como doença associada. Ao aplicar o teste de alergia nessas crianças foi detectado que 90% delas tinham alergia aos ácaros, bichinhos com os quais convivemos diariamente no colchão, travesseiro, na escola, carpete etc. Menos de 10% apresentou alergia aos gatos e cachorros.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

646 - Anatomia e fisiologia da laringe

Vídeo da fonoaudióloga Ana Beatriz Ferrari dos Santos em que a palestrante dá interessantes dicas mnemônicas sobre as ações dos nervos e músculos que comandam e executam os complexos movimentos da laringe inclusive das pregas vocais.
"Cria-se uma frase sem sentido, bem louca, porque assim a gente consegue decorá-la. Pode ter certeza que funciona" – ABFS
+ mnemotécnica no Acta
398 - Nervos cranianos

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

645 - Em homenagem a uma criança morta

Liang Yaoyi de Shenzhen, da província de Guangdong, China, morreu no dia 6 de junho de um câncer no cérebro. Ele tinha 11 anos e queria ser médico quando crescesse. Não teve essa chance.
Mas Yaoyi cumpriu o seu sonho de salvar vidas. Antes de morrer, ele pediu que seus órgãos fossem doados para pessoas que estivessem precisando deles.
A foto mostra o exato momento em que os médicos, após realizada a captação de seus órgãos, se curvavam para homenageá-lo.

Imagem: veio daqui

No prazo de oito horas, seus rins e fígado estariam transplantados.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

644 - Efeitos reprodutivos de usar um kilt

Homens da Escócia,
Há fatos para vocês refletirem neste novo estudo médico:
Real men wear kilts’.. The anecdotal evidence that wearing a Scottish kilt has influence on reproductive potential: how much is true?  (Homens de verdade usam kilts. A evidência anedótica de que usando um kilt escocês tem influência sobre o potencial reprodutivo: quanto é verdade?) Erwin JO Kompanje [possivelmente na foto ao lado], Scottish Medical Journal , vol. 58, n º 1, fevereiro de 2013.
Conclusão
"Com base na literatura sobre a temperatura escrotal, espermatogênese e fertilidade, a hipótese de que homens que usam regularmente um kilt durante os anos em que desejam procriar terão, como grupo, índices significativamente melhores de qualidade do esperma e uma maior fertilidade"

sábado, 2 de agosto de 2014

643 - Cuspidores de fogo

Engolidores/cuspidores de fogo praticam uma atividade circense potencialmente perigosa.
Dentre os riscos dessa prática para a saúde, encontram-se as lesões inalatórias por hidrocarbonetos – que evoluem para as pneumonias químicas.
Depois de pesquisar materiais atóxicos e supostamente seguros, um destes profissionais apresenta a sua descoberta: amido de milho.
No Acta
23 - Pneumonias por produtos do petróleo
462 - Pneumonia química ameaça sobreviventes do incêndio

quarta-feira, 30 de julho de 2014

642 - O cigarro no mundo

Na desigual geografia do vício, onde se fuma mais hoje é nos países pobres.
O fumo mata 6,3 milhões de pessoas por ano. As estimativas são de que, durante o século XXI, ele causará 1 bilhão de mortes.
 Nesse panorama trágico, a situação brasileira não é das piores. A cada novo inquérito cai o número de fumantes em nosso país. Os mais recentes mostram que 15 a 17 por cento dos brasileiros com mais de 15 anos fumam. Fumamos menos do que os americanos, alemães, italianos, franceses, dinamarqueses ou holandeses. Na Europa, apenas os suecos fumam menos do que nós: 12 por cento.
Do artigo O cigarro no mundo, de Drauzio Varella, no CartaCapital

domingo, 27 de julho de 2014

641 - Como montar o quarto da criança alérgica

Alergia, principalmente a respiratória, é uma das doenças crônicas mais comuns entre as crianças. Atualmente, 20% dos pequenos sofrem de rinite ou asma logo nos primeiros anos de vida. A chance de desenvolver o problema duplica se um dos pais é alérgico e quase quadruplica se ambos são.
“O que acontece é que, normalmente, diante dos sintomas e até do diagnóstico, os pais se preocupam somente com os medicamentos, quando deveriam atentar também para o ambiente em que os filhos vivem e reduzir a exposição da criança aos alérgenos”, destaca Magda Carneiro-Sampaio, imuno-alergologista e presidente do Conselho Diretor do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas.
E é no quarto, onde as crianças passam grande parte do tempo, que mora o problema. “Especialmente na cama há calor e umidade, condição propícia para a proliferação e convívio de ácaros, responsáveis por 90% dos casos de alergias respiratórias. Tecidos grossos, poltronas, pelúcias e carpetes também facilitam a deposição desse alérgeno”, explica doutor Antonio Carlos Pastorino, pediatra, imunologista e alergista.
Para as famílias cujos filhos já foram diagnosticados alérgicos e até mesmo para as grávidas que estão montando o quarto do futuro bebê, os especialistas relacionam os itens da receita para um quarto clean e sem contraindicações, tanto para crianças saudáveis como para as alérgicas.
- Antes da chegada do pequeno, analise os cômodos e elimine focos de infiltração e umidade para evitar o mofo, outro alérgeno em potencial.
- O quarto mais ensolarado deve ser o quarto do bebê. Posicione a cama de modo que receba luz solar. Ácaros vivem muito bem em temperaturas próximas a 36ºC, mas quando ultrapassa os 50ºC, eles morrem. Então, expor colchão e travesseiro ao sol é recomendado para eliminar pelo menos os que estiverem na superfície. Quando isso não for possível, utilize capas antialérgicas para colchão e travesseiro. Elas são feitas de um tecido especial, com poros milimétricos, que impedem que os ácaros escapem.
- O ideal é que o travesseiro seja trocado uma vez ao ano. Evite os de pena, pois ela é alérgena.
- Magda recomenda que os lençóis sejam trocados duas vezes por semana, o cobertor ideal é o tipo japonês, ou futton, e os felpudos estão proibidos. Escolha o travesseiro de espuma e troque-o anualmente para evitar acúmulo de microrganismos que a fronha não barra. Os de pena devem ser evitados, pois o pelo também é um alérgeno perigoso. “A cama é quente e abafada, características que propiciam a proliferação de ácaros e fungos, por isso deve receber atenção especial. Se a criança dorme com muita frequência no quarto dos pais esse cuidado deve ser extensivo à cama do casal”, salienta Magda.
- Um quarto arejado diariamente por, no mínimo, duas horas diárias, é imprescindível para a saúde das vias aéreas. “Famílias adeptas ao ar condicionado devem deixar o ar circular abrindo as janelas. Também é importante limpar os filtros periodicamente”, afirma Magda;
- Diariamente, descamamos cerca de 1g de pele por dia. Por terem a pele mais seca, alérgicos podem descamar até dez vezes mais. Ácaros, por sua vez, se alimentam de restos de pele, portanto, doutor Pastorino não recomenda bater o lençol no quarto. Além disso, hidrate bem a pele da criança.
- Ao se movimentar na cama, os ácaros recirculam para o ar. O mesmo ocorre ao varrer os cômodos. Por isso, o ideal é usar rodo e pano úmido para higienização dos ambientes domésticos.
- Não use produtos de limpeza muito perfumados. Eles favorecem a irritação das vias aéreas das crianças com rinite.
- Evite acumular livros e outros objetos que acumulem pó e mofo.
- Para aparar o sol da janela, prefira persianas inteiriças às cortinas e as persianas modulares. As inteiriças são mais fáceis de limpar;
- Evite prateleiras acima do berço. Normalmente, seu uso inclui bichos de pelúcia e outros objetos que atraem poeira. Para guardar esses objetos, de preferência aqueles de plástico ou material de fácil limpeza, doutor Pastorino recomenda um baú de plástico, que seja fácil de higienizar.
- Carpetes devem ser evitados do contato com a criança alérgica. A melhor opção, neste caso, são os pisos lisos de madeira ou de vinil.
- “Em relação às tarefas domésticas, é preferível que os pequenos alérgicos auxiliam apenas na arrumação da cama e evitem participar da limpeza. O contato com produtos químicos pode agravar o quadro”, conclui doutora Magda.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

640 - Por que os médicos estavam tão preocupados com o "rosto da bicicleta"?

Houve um tempo em que o principal perigo associado a bicicleta não tinha nada a ver com ser atropelado por um carro.Em vez disso, alguns médicos do final do século 19 advertiam que - especialmente para as mulheres - usar a bicicleta poderia levar a supostas condições médicas.
Uma delas, o "rosto da bicicleta".
"O excesso de esforço, a posição vertical da roda e o esforço inconsciente para manter o equilíbrio tendem a produzir um fatigado e exausto 'rosto de bicicleta '", observou o Literary Digest, em 1895. Passando a descrever essa condição como: "um rosto normalmente corado, mas às vezes pálido, muitas vezes com os lábios mais ou menos definidos e o início de sombras escuras (olheiras) sob os olhos, e sempre com uma expressão de cansaço."
Em outra publicação, dizia-se que a condição "era caracterizada por uma mandíbula dura, apertada e abaulamento dos olhos".
É difícil encontrar a primeira menção a essa "condição". Em um artigo de 1897, no National Review, de Londres, o médico britânico A. Shadwell alegou ter sido o primeiro a empregar a expressão, alguns anos antes. Quando também advertiu sobre os perigos de andar de bicicleta, especialmente para as mulheres, descrevendo o ciclismo "como uma mania que tem sido praticada por pessoas impróprias para qualquer esforço".
Obviamente, o "rosto de bicicleta" não é uma coisa real. Isso traz à tona uma questão interessante.
Por que os médicos estavam tão preocupados com o "rosto da bicicleta"?
Em 1890, na Europa e nos EUA, as bicicletas eram vistas por muitos como um instrumento do feminismo. Com as roupas que permitiam a muitas mulheres se envolveram em atividades físicas, as bicicletas lhe davam um aumento da mobilidade.
Como o Munsey's Magazine publicou em 1896:
"Para os homens, a bicicleta no começo era apenas um brinquedo novo, uma outra máquina adicionado à longa lista de dispositivos que eles dominavam em seu trabalho e lazer. Para as mulheres, era um cavalo sobre o qual cavalgavam em um novo mundo."
Tudo isso provocou uma reação de muitos médicos (masculinos) e espectadores, que alegavam várias razões para dissuadir as mulheres de andar de bicicleta. Em geral, eles argumentavam que andar de bicicleta era uma atividade desgastante demais, inadequada para as mulheres, e que - não só levaria ao rosto da bicicleta, como também causaria exaustão, insônia, palpitações cardíacas, dores de cabeça e depressão.
No final da década de 1890, no entanto, muitos médicos começaram a questionar publicamente a idéia do "rosto da bicicleta", observando que as pessoas poderiam se concentrar em andar ou dirigir qualquer tipo de veículo sem causar dano duradouro facial.
Em 1897, o Phrenological Journal, citando a médica Sarah Stevenson Hackett, de Chicago, encerrou a questão:
"[O ciclismo] não é prejudicial a qualquer parte da anatomia humana, uma vez que melhora a saúde geral. Eu tenho conscientemente recomendando o ciclismo, nos últimos cinco anos", disse ela. "A expressão facial de ansiedade e dor é vista apenas entre os iniciantes, e é devido à insegurança dos amadores. Assim que um ciclista se torna eficiente, ele pode dosar a sua força muscular e adquirir uma perfeita confiança em sua capacidade de equilibrar-se e em seu poder de locomoção, esta expressão deixa de existir" 
The 19th-century health scare that told women to worry about "bicycle face" by Joseph Stromberg. In: Vox. Traduzido por PGCS.
N. do T.
Em Semiologia, a palavra facies expressa o aspecto geral do rosto do paciente, onde se espelham sinais sugestivos de determinadas doenças ou situações clínicas. Na tradução deste artigo, poderia ter usado a expressão alternativa "facies do ciclista".
Correspondência
[...] Quanto ao facies de bicicleta, penso que comigo se deu o contrário. Aprendi a andar de bicicleta, após os 20 anos. Eu fora impedida na infância, pois minha irmã oito anos mais velha caíra espetacularmente e a bicicleta foi retirada de minha casa para não mais voltar. Contudo, nunca aceitei o fato de não saber andar de bicicleta. Pois, já grandinha, comprei uma e fui aprender a usá-la em uma extenso corredor na lateral de minha casa. Aprendi e depois arrisquei passeios mais interessantes. Meu facies era de pura felicidade quando senti que dominava aquele potro aparentemente selvagem no início de meu aprendizado. Posso garantir, portanto, que os cientistas do passado estavam errados e talvez muito mais preocupados com a presença do selim entre as coxas das donzelas do que com o suposto quadro de depressão, ansiedade, dentes cerrados etc.
Celina, Presidente da Sobrames-CE