domingo, 10 de dezembro de 2017

1023 - Os postulados de Koch

O Doodle Google de hoje homenageia Robert Koch (1843 -1910). Ele recebeu o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1905 pela descoberta da bactéria que causa a tuberculose. Mas, o mais importante: Koch foi o cientista que descobriu como estudar bactérias.
Ele primeiro isolou culturas de bactérias em fatias de batata, depois se tornou uma dos primeiros a adotar a placa de Petri (o Doodle Google de hoje inclui imagens de ambos). Koch também foi pioneiro no uso de ágar que, ainda hoje, mais de um século depois, é o meio usado para a maioria das culturas bacterianas. Sem o seu trabalho, não poderíamos estudar como as bactérias crescem, como combatê-las ou quais produtos químicos potencialmente úteis elas produzem.
Koch também lançou as bases para a bacteriologia moderna, descrevendo os quatro critérios para ligar uma doença a um patógeno.
  1. O organismo deve sempre estar presente, em todos os casos da doença. 
  2. O organismo deve ser isolado de um hospedeiro contendo a doença e cultivado em cultura pura. 
  3. As amostras do organismo retirado da cultura pura devem causar a mesma doença quando inoculadas em um animal saudável e suscetível no laboratório. 
  4. O organismo deve ser isolado do animal inoculado e deve ser identificado como o mesmo organismo do hospedeiro inicialmente doente. 
Ele usou estes postulados para descobrir as bactérias que causam o antraz (em 1876), a tuberculose (em 1882) e a cólera (em 1884). Utilizando-se dos métodos de Koch, outros cientistas encontraram as bactérias responsáveis por várias outras doenças, inaugurando em torno da virada do século XX o que foi chamado de Era de Ouro da Bacteriologia.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

1022 - A utilização de amianto no Brasil ofende postulados constitucionais, diz STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu na quarta-feira (29) a extração, industrialização, comercialização e distribuição de todos os tipos de amianto no país. Com isso, encerra-se um longo debate jurídico sobre este material, comum em telhados do Brasil e cujos fragmentos podem liberar no ambiente elementos cancerígenos, facilmente inaláveis.
No julgamento, os ministros do STF declararam inconstitucional o artigo de uma lei federal que autorizava o amianto do tipo crisotila - outro tipo, o anfibólio, já era proibido desde 1995. Os ministros já haviam se posicionado contra os interesses da indústria do amianto em agosto, mas agora a decisão tem efeito vinculante. Ou seja, tribunais são orientados a seguir posição da Corte quando confrontados com questionamentos semelhantes.
"A utilização do amianto ofende postulados constitucionais e, por isso, não pode ser objeto de normas autorizativas", declarou o ministro Celso de Mello, em referência aos artigos que protegem a saúde do cidadão e o meio ambiente.
Minaçu
O berço do amianto brasileiro é a cidade de Minaçu, norte de Goiás. Em tupi-guarani, açu significa grande. O nome da cidade de Minaçu vem a calhar, já que ali está a maior jazida de amianto da América Latina, em operação desde a década de 1960.
Toda a produção nacional tem origem no município e abastece fábricas brasileiras e também outros países . Só este ano, foram vendidas para o exterior 60 mil toneladas de amianto, por um valor de US$ 31 milhões.
Apesar da grandeza da mina, o amianto não está entre os principais produtos de exportação do Brasil. Este ano, ocupa a posição 251 do ranking de vendas ao exterior, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviço. Sua importância econômica é local, para Goiás e Minaçu.
Câncer
A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (Iarc, na sigla em inglês), ligada à Organização Mundial de Saúde (OMS), afirma que "todas as formas de amianto são cancerígenas". O principal câncer relacionado ao amianto é o mesotelioma, que acomete membranas que revestem órgãos como o pulmão. É uma doença rara, que pode demorar até 40 anos para se manifestar a partir da exposição ao amianto e que mata em cerca de um ano. O diagnóstico é muito difícil. Entre 1980 a 2010, ocorreram 3,7 mil mortes por mesotelioma no Brasil, segundo estudo do médico sanitarista Francisco Pedra, da Fiocruz.
 Além disso, a Iarc também relaciona o amianto a cânceres de pulmão, laringe e ovário. "Essa agência da OMS faz um levantamento de todos os artigos científicos existentes. Quando atesta que um agente é cancerígeno, é porque existem evidências científicas consistentes", aponta Ubirani Otero, epidemiologista do Instituto Nacional de Câncer (Inca), ligado ao Ministério da Saúde.
 Além de cânceres, o amianto também está relacionado à asbestose, uma doença que pode provocar enrijecimento no pulmão e insuficiência respiratória.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

1021 - O dedo de Morton

Muitas pessoas acham que têm pés estranhos: ou que seu dedão é muito pequeno ou que os outros dedos são muito grandes. Essas pessoas podem ter o chamado dedo de Morton.
Mais corretamente chamado de pé de Morton, a anomalia refere-se a um segundo dedo do pé que parece mais longo que o primeiro dedo (foto), porque o primeiro osso metatarsiano é curto em relação ao segundo. Foi descrito pela primeira vez pelo cirurgião ortopedista americano Dudley Joy Morton (1884-1960). É também chamado de pé grego porque os gregos antigos o achavam esteticamente atraente, incorporando-o em pinturas e esculturas. O David de Michelangelo é um dos exemplos.
O dedo de Morton acontece em cerca de 20% das pessoas no mundo e, segundo uma pesquisa no Brasil, em 33% dos brasileiros.
Por ser simplesmente uma variação na forma do pé, não requer nenhum tratamento a menos que o portador apresente sintomas. Este tipo de pé pode estar relacionado com o surgimento de algumas patologias, como: metatarsalgia, neuroma de Morton, fascite plantar, calosidades etc.
Tampouco existe prevenção para o dedo de Morton, pois esta é uma condição anatômica hereditária e que está ligada a alguns tipos de pé, como o grego e o céltico, de uma classificação baseada em etnias:
Fontes:
http://www.pessemdor.com.br/blog
www.news-medical.net/health
Curiosidade:
Você sabia que a Estátua da Liberdade em Nova Iorque tem os pés de Morton?
Ver também:
Nomenclatura para os dedos do pé e Quem fratura um dedo fatura um amigo.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

1020 - Estimativas da estatura

Estatura é definida como o tamanho ou a altura de um ser humano. Sua medida deve ser feita, preferencialmente, de forma direta através de um antropômetro.
É importante ressaltar que após os 40 anos de idade ocorre uma redução da estatura de 1,0 a 2,5 cm por década, decorrentes da redução dos discos intervertebrais, achatamento das vértebras e acentuação da cifose dorsal, lordose e escoliose.
Nem sempre o paciente encontra-se em condições de submeter-se ao procedimento direto como, por exemplo, os cadeirantes e os pacientes acamados. Desta forma, podemos lançar mão de fórmulas de estimativas da estatura.
Uma delas é a que utiliza a medida da envergadura para estimar a estatura, como já descrevemos anteriormente.
Outra é a que estima a estatura a partir da medida da altura do joelho, sobre a qual são aplicadas fórmulas que levam em consideração o gênero, a etnia e a faixa etária do paciente.
Chumlea WC, 1985 e 1994. In: CNNutro
87 - Altura x envergadura
965 - As principais dúvidas suscitadas pela postagem ALTURA x ENVERGADURA

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

1019 - Dia histórico na vida de Rosemberg

por Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg
Era o dia 15 de novembro de 1915. A Europa estava em guerra. No Brasil, um trem vindo de Santos chegava de mansinho à Estação da Luz, em São Paulo. Da janela, um garoto de apenas seis anos, trajando calças curtas, meias de cano longo e suspensório, contemplava maravilhado a arquitetura da bela estação quando sua mãe, Sisel, lhe fala em ídiche. Joe, chegamos!
O pai, Emanuel, não disfarçava a alegria do reencontro com sua mulher e seu filho, depois de um mês de separação. Tinha-os deixado em Buenos Aires e vindo para São Paulo, ganhar a vida. Finalmente, estava com tudo pronto para recebê-los e foi buscá-los no Porto de Santos, de onde tomaram aquele trem rumo à capital paulista.
O sol alto e forte banhava de intensa luz a provinciana cidade de 350 mil habitantes e, naquela manhã, uma grande parada militar se formava em frente à Estação, para comemorar o dia da Proclamação da República. Bandeiras verde-amarelas tremulavam nas mãos dos transeuntes que se apinhavam para ver e aplaudir os militares engalanados, cheios de medalhas, marchando garbosos ou desfilando em cima de cavalos. Emanuel Rosemberg logo se apressou para apanhar um coche e se dirigir à sua residência, pois a viagem de navio, na 3ª classe, tinha sido muito cansativa para sua mulher e seu filho.
No curto percurso da estação à nova morada, o garoto, pôde apreciar a cidade com seus tílburis de dois lugares, leves e elegantes; seus coches cobertos puxados a cavalos; seus bondes abertos de nove bancos puxando os “caras duras”; os poucos automóveis, os raros Ford Bigode que trafegavam; sua bela arquitetura, seus lampiões à gás e suas arborizadas praças com enormes bebedouros para os animais.
Apesar do calor, os homens de terno, palheta e bengala e as mulheres com seus vestidos compridos, sombrinhas e elegantes chapéus passeavam pelas praças e alamedas da cidade, naquele feriado de 15 de novembro.
Por fim, o táxi-coche para em frente à uma casa na rua José Paulino esquina com Ribeiro de Lima e logo começa a azáfama de descarregar as malas, baús e outros pertences.
E assim, passa-se o dia que haveria de se transformar em um marco na vida de José Rosemberg.
Chegando a São Paulo, em 1915, Rosemberg afeiçoou-se à cidade adotando-a como sua, transformando-a na terra de seus filhos, netos e bisnetos. Cresceu com ela e a viu transformar-se na maior metrópole da América do Sul.
Notas do Acta em que o Prof. José Rosemberg foi citado
19 - Algumas implicações literárias da tuberculose no Brasil
187 - Filatelia Médica
195 - Abstrações
323 - Aniversário da morte de José Rosemberg
345 - O selo antituberculose
477 - Nicotina - Droga Universal
500 - O romantismo na tuberculose

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

1018 - A birrefringência apresentada por cristais

Em 1669, o médico e físico dinamarquês Erasmus Bartholin (1625-1698) observou que as imagens vistas através do feldspato islandês (calcita) foram duplicadas e que, quando o cristal foi girado, uma imagem permaneceu estacionária enquanto a outra girava com a movimentação do cristal. Esse comportamento de dupla refração da luz (birrefringência) não poderia ser explicado pelas teorias ópticas da época criadas por Isaac Newton.
A birrefringência é a formação de dupla refração apresentada por certos cristais, a qual está intimamente relacionada com a velocidade e a direção de propagação da luz.
Sílica e silicose
Ao exame microscópico do tecido pulmonar sob a luz polarizada, pequenas partículas birrefringentes são frequentemente vistas em nódulos silicóticos. (Silva, PGC. Diagnóstico da silicose. Scribd, 2006. Slide 22). Sua presença ajuda a confirmar o diagnóstico, mas podem estar ausentes, e não são específicas da silicose. As partículas depositadas no tecido pulmonar são muito pequenas, o que dificulta sua caracterização por este tipo de iluminação. Além deste aspecto, a sílica (quartzo) apresenta fraca birrefringência, semelhante ao colágeno, exibindo uma aparência branca e irregular, de difícil visualização. Partículas fortemente birrefringentes, visualizadas em tecido com silicose, podem representar silicatos ou cristais com elevado conteúdo de cálcio. A certeza de tratar-se de sílica só é possível através da microscopia com o emprego de outros métodos, como a difração de raios X.
Níveis de birrefringência de alguns minerais
- fraca: quartzo, apatita
- moderada: augita, cianita
- forte: zircão, talco
- muito forte; calcita
- extrema: rutilo

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

1017 - Ronald Fisher. Teste e controvérsias

Sir Ronald Aylmer Fisher (17 de fevereiro de 1890 - 29 de julho de 1962) foi um estatístico, biólogo evolutivo e geneticista inglês.
É conhecido por suas contribuições para a estatística criando o teste de Fisher e a equação de Fisher. Anders Hald o chamou de "um gênio que, quase sozinho, criou as bases para a ciência estatística moderna", enquanto Richard Dawkins o chamou de "o maior dos sucessores de Darwin".
Fisher se opôs às conclusões de Richard Doll e AB Hill de que fumar causa câncer de pulmão. Ele comparou as correlações nos trabalhos de Doll e Hill com uma correlação entre a importação de maçãs e o aumento dos divórcios para mostrar que a correlação não implica causalidade.
Nesta controvérsia, sugeriu-se que o fato de Fisher ter sido consultor de firmas de tabaco punha em dúvida o valor de seus argumentos. Ele não estava acima de aceitar recompensa financeira por seus trabalhos, mas os motivos para o seu interesse eram, sem dúvida, outros: o seu desagrado e a sua desconfiança com as tendências puritanas de todos os tipos e, talvez, também pelo consolo pessoal que ele sempre encontrou no tabaco.
Depois de se retirar da Universidade de Cambridge em 1957, passou algum tempo como investigador sênior no CSIRO em Adelaide, na Austrália. Ele morreu de câncer de cólon em 1962.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

1016 - O uso do espaçador

 O spray, popularmente conhecido como "bombinha", é um dispositivo que fornece sob a forma de aerossol medicações usadas no tratamento de doenças respiratórias como a asma. Ele pode ser acoplado a espaçadores, dispositivos plásticos que tornam mais fácil a inalação e aumentam a quantidade de medicação que chega aos pulmões.
Veja, passo a passo, como utilizar o espaçador em crianças pequenas:
E veja como utilizá-lo em crianças maiores:
https://youtu.be/ENG_CwsOMLw
O pneumologista Renato Abi-Ramia, de Nova Friburgo, gravou este vídeo (mais completo) para ensinar os pacientes a utilizarem corretamente os inaladores, dando mais eficácia ao tratamento da asma e da DPOC.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

1014 - O site mesothelioma.net

Olá, Paulo,
Em seu Nova Acta eu vi você citar informações do RareDiseases.org em http://airblog-pg.blogspot.com.br/2010/04/69-doencas-raras.html. Eu espero que você considere fazer o mesmo com relação ao Mesothelioma.net. Por favor, veja: https://mesothelioma.net/ mesotelioma para obter informações mais específicas sobre o mesotelioma, uma forma rara de câncer.
Um pouco sobre mim: meu nome é Virgil Anderson, e eu sou um sobrevivente do câncer de mesotelioma. Eu fui tratado pela rede de assistência do Mesothelioma.net e espero que você possa me ajudar a que mais pacientes com este tipo de câncer encontrem esta informação. Se você ainda não sabe, o dia nacional da consciência sobre o mesotelioma é 26 de setembro. Agora é uma ótima ocasião para ajudar a divulgar esta informação.
Foi um prazer visitar o Nova Acta e eu ficaria honrado em ver esta informação aí divulgada. Agradeço antecipadamente o tempo concedido. Por favor, anote o endereço abaixo em que eu posso ser acessado.
Espero que você esteja gostando da semana e que Deus o abençoe.
Virgil
Virgil Anderson
304-931-0688
440 Louisiana St # 1212, Houston, TX 77002
virgilanderson@virgilemail.net

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

1013 - Estudo Salford em Asma

Apresentação oral por videoconferência
Dr. David Leather, MD
Transmissão local: Coco Bambu, em Fortaleza
Dia: 05/10/2017, às 19h30
Sobre a asma
A asma é uma doença pulmonar crônica que inflama e estreita as vias aéreas. A asma afeta 358 milhões de pessoas em todo o mundo. As causas da asma não são completamente compreendidas, mas provavelmente envolvem uma interação entre a composição genética de uma pessoa e o meio ambiente.
Sobre Relvar Ellipta®
Relvar Ellipta® está indicado no tratamento de manutenção da asma em que o uso diário de produtos em combinação, no caso, o furoato de fluticasona (corticosteroide inalatório) com o vilanterol (um long-acting beta 2 agonist, agonista seletivo do receptor beta 2 adrenérgico de ação prolongada) em um único inalador, o Ellipta, é apropriado: pacientes não adequadamente controlados com ICS (corticosteroide inalatório) e, quando necessário, com SABA (short-acting beta 2 agonist, agonista seletivo do receptor beta 2 adrenérgico de curta ação).
Sobre o Estudo Salford
O desfecho primário mostrou que os pacientes iniciados com Relvar Ellipta apresentaram o dobro das chances de conseguir uma melhora no controle da asma em comparação com os pacientes que continuaram com os cuidados habituais.
http://www.gsk.com/en-gb/media/press-releases/relvar-ellipta-significantly-improved-asthma-control-in-salford-lung-study-patients-compared-with-their-usual-care/
Grato ao Sr. Maurício, do GSK em Fortaleza, pelo convite que me fez para esta videoconferência. Bom haver estado com meus colegas pneumologistas Nilo e Mara.

sábado, 30 de setembro de 2017

1012 - I Fórum de cuidados paliativos

Público-alvo: médicos e equipe multiprofissional 
Local: Auditório do CREMEC. Avenida Antônio Sales, 485, J. Távora. 
Dia e horário: 30 de setembro de 2017, das 8h às 12h30
Inscrições pelo e-mail: cremec.eventos@gmail.com
ou pelo telefone (85) 3198-3723 (pela manhã) 
PROGRAMA 
► 8h-8h30: Abertura
Coordenador das Câmaras Técnicas do CREMEC: Dr. Alberto Farias Filho – 10 min
Coordenador Científico das Câmaras Técnicas do CREMEC: Dr. Roger Murilo Ribeiro Soares – 10 min
Presidente do CREMEC: Dr. Ivan de Araújo Moura Fé – 10 min
Coordenadora do I Fórum da Câmara Técnica de Cuidados Paliativos: Dra. Inês Tavares Vale e Melo
► 8h30-9h30: Dilemas Éticos, Técnicos e Legais relacionados à doença ameaçadora de vida
Palestrante: Rachel Duarte Moritz, Membro da Câmara Técnica de Medicina Paliativa do CFM.
► 9h30-12h30: Apresentações de Casos Clínicos:
Geriatria: Dra. Manuela Vasconcelos de Castro Sales, Membro da Câmara Técnica de Medicina Paliativa do CREMEC.
Pediatria: Dra. Cristiane Rodrigues de Sousa, Membro da Câmara Técnica de Medicina Paliativa do CREMEC.
Emergência: Dra. Inês Tavares Vale e Melo, Membro da Câmara Técnica de Medicina Paliativa do CREMEC/CFM.
UTI: Dra. Rachel Duarte Moritz, Membro da Câmara Técnica de Medicina Paliativa do CFM.
ORGANIZAÇÃO: CÂMARA TÉCNICA DE MEDICINA PALIATIVA DO CREMEC
Highlights 
 Vídeos: "O Médico" (c/ texto de Rubem Alves) e trecho do filme "Mar Adentro" (c/ Ramón Sampedro)
 "Viver é um direito, não uma obrigação."
 Taxas de óbitos hospitalares no Brasil: 3 - 5% na Clínica Médica, 1,5% na Clínica Cirúrgica e 25 - 30% na UTI
 Princípios da Bioética: autonomia, beneficência x maleficência, justiça (c/ proporcionalidade)
 Eutanásia (fazer morrer) x Ortotanásia (deixar morrer) x Distanásia (prolongar morrer)
 Pergunta surpresa, Escala de Demência e Escala de Performance Paliativa (PPS)
Para ler: Manual de Cuidados Paliativos

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

1011 - Transplantes de pulmão no Hospital de Messejana - até agora

Em junho de 2011, a equipe do cirurgião torácico Dr. Antero Gomes Neto realizou, no Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes, o primeiro transplante de pulmão do Ceará. Foi também o primeiro transplante deste órgão no Norte e Nordeste do Brasil.
Desde então, 40 pacientes receberam 41 transplantes  pulmonares (houve dois transplantes em um dos pacientes) no Estado do Ceará.
Em 2016, foram realizados 92 transplantes no Brasil. São Paulo ocupou o 1º lugar no ranking, com 51, e Rio Grande do Sul, o 2º lugar. com 35. Com a média anual de 6 transplantes de pulmão, o Ceará (leia-se: Hospital de Messejana) é o terceiro Estado que mais realiza transplantes de pulmão no País.
O perfil dos pacientes transplantados é representado principalmente por portadores de fibrose pulmonar difusa, DPOC, bronquiectasia e hipertensão arterial pulmonar.
Atualmente, três pneumopatas estão na relação dos pacientes que aguardam transplantes no Hospital de Messejana.
Eu (Paulo) e Antero. AS Dione Barros fotografou.
Antero Gomes Neto, MD. Cirurgião Torácico.
Chefe do Serviço de Cirurgia Torácica e Coordenador do Programa de Transplante de Pulmão do Hospital de Messejana (HM), Fortaleza-Ce, Brasil.
Professor de Cirurgia da Faculdade de Medicina - UFC.
Busca Lattes
Correspondência
Prezado amigo Paulo, bom dia!
Foi um prazer reencontrá-lo naquele agradável fim de tarde em que foi celebrada a homenagem dos 100 anos do Dr Carlos Alberto Studart Gomes.
Revimos amigos e fiquei muito impressionado com o discurso do Dr Gilmário Mourão Teixeira, patrimônio vivo da tisiopneumologia cearense.
Forte abraço.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

1010 - Movimento antivacina provoca riscos

O Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) conclamam a população, os médicos e demais profissionais de saúde a se contraporem ao movimento antivacina que surgiu nos países mais desenvolvidos e tem conseguido adeptos no Brasil. Para as duas entidades, a falta injustificada de vacinações pode aumentar morbidade e mortalidade de crianças, de adolescentes e da população adulta, "consolidando um retrocesso em termos de saúde pública".
Os relatos de que as vacinas trazem elementos tóxicos ou nocivos em sua composição, que são ineficazes e que podem ser substituídas por outros métodos, não possuem base técnica ou científica. Uma nota divulgada em junho pelas duas entidades reforçou a necessidade de que os médicos orientassem a população sobre a importância da imunização. "Não se vacinar ou impedir que as crianças e os adolescentes o façam podem causar enormes problemas para a saúde pública, como o surgimento de doenças graves ou o retorno de agravos de forma epidêmica, como a poliomielite, o sarampo, a rubéola, entre outros."
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a vacinação em massa evita entre 2 milhões e 3 milhões de mortes por ano e é responsável pela erradicação de várias doenças. A OMS argumenta ainda que, com a imunização, também se reduziu a mortalidade por sarampo em 74%.
No Brasil, estão disponibilizados, na rede pública, 26 tipos de vacinas para crianças e adultos. Graças à cobertura vacinal, iniciada na década de 1970, a varíola foi eliminada no País em 1973; a poliomielite, em 1989; e a transmissão autóctone de sarampo, em 2001. Segundo o Ministério da Saúde, o surto recente de febre amarela tem com uma de suas causas a baixa cobertura vacinal na região onde ocorreram as primeiras mortes, em Minas Gerais. Em 47% dos municípios com recomendação para a vacinação, a cobertura da vacina contra febre amarela era menor do que 50%.
Arquivos
675 - As vacinas funcionam! VÍDEO
733 - As vacinas funcionam!
999 - Recusa de vacinas: causas e consequências

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

1009 - Semente mágica: a transformação de água contaminada em potável

Em 2016, os jovens cientistas Letícia Pereira de Souza, 18, e João Gabriel Stefani Antunes, 15, naturais de São Paulo e estudantes em Fortaleza, ganharam o "Prêmio Impacto na Comunidade" da Google Science Fair.
Os estudantes concorreram com projetos de 107 países. A escolha do seu tema, Semente Mágica - Transformando água contaminada em água potável, foi motivada pelo desastre ecológico de Mariana (MG), no qual lama de rejeitos de mineração contaminaram 500 quilômetros do rio Doce. Um dos destaques revelados na pesquisa que eles realizaram foi o seu baixo custo: menos de 1 centavo para limpar um litro de água.
Resumo
O projeto Semente Mágica utilizou extratos da semente de Moringa oleífera para despoluir a água. Essa semente tem propriedades coagulantes que facilitam a purificação de diversos materiais orgânicos presentes na água poluída. Ela também reduz a quantidade de microrganismos presentes na solução, tornando a água potável. Pretendemos usar o projeto para levar água potável para comunidades que não têm acesso a ela, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. Segundo a ONU, a água poluída mata mais pessoas do que todas as formas de violência, incluindo as guerras. Queremos, portanto, usar uma alternativa simples e barata para resolver esse problema.
A Moringa oleífera é uma alternativa viável e efetiva para o tratamento de água?
Sim. Após realizados todos os testes, pudemos perceber que a semente é uma alternativa viável para o tratamento de água, especialmente para populações de baixa renda que não têm acesso a um tratamento especializado de água, pois a Moringa oleífera tem baixo custo e alta eficiência, sem trazer consigo os riscos dos coagulantes inorgânicos.
Devido ao fato de a semente ser utilizada triturada, uma alternativa eficaz para a distribuição para a população seria em pequenos sachês contendo a concentração ideal para um litro de água. Eles poderiam ser distribuídos para comunidades sem acesso à água tratada ou vítimas de desastres, as quais perderam momentaneamente o acesso a água de qualidade.
N. do E.
A ação da Moringa na limpeza de águas sujas já era do conhecimento de moradores da Região da Ibiapaba (CE), como pude constatar ao entrevistá-los localmente, na época em que eu lidava com o controle da silicose no Estado do Ceará.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

1008 - O "cloro" da piscina

É crença geral que os olhos ficam vermelhos numa piscina devido ao cloro. No entanto, a causa real é mais nojenta: o cloro é parcialmente responsável, sim, mas a causa maior é um produto da reação deste gás com o suor, a urina e (até mesmo) as fezes remanescentes na piscina. Este produto da reação do cloro com os fluidos corporais é a cloramina, a real causa da irritação ocular.
Mesmo o cheiro característico de "cloro" da piscina não é realmente dele, mas sim da cloramina. Quando cheira muito a "cloro" é porque há muitos fluidos corporais na água da piscina reagindo com o cloro, o que não não sobrando muitas moléculas de cloro para cumprir seu trabalho desinfetante. Então, se uma piscina cheira fortemente a "cloro" você deveria reconsiderar a ideia de nadar. E é por isso, também, que você tem sempre de tomar uma ducha antes de entrar na piscina. E, claro, não fazer xixi nela.
Vídeo Why Do Your Eyes Get Red in the Pool?
Blog EM

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

1007 - A poluição do ar mata 40 mil pessoas por ano no Reino Unido?

Os riscos para a saúde pública decorrentes da má qualidade do ar são considerados semelhantes aos da obesidade no Reino Unido, mas aumentar a conscientização pública sobre esse problema invisível tem sido difícil. Ninguém tem "morte por poluição do ar" registrada na declaração de óbito, dificultando a previsão do número de mortes por ano atribuíveis ao NO2 (dióxido de nitrogênio). Um relatório do Royal College of Physicians sugere que poderia ser em torno de 40 mil óbitos, uma estimativa sujeita a grandes margens de erro (discutidas com mais detalhes pelo estatístico Sir David Spiegelhalter, do WinstonCentre). O cálculo de um número exato não é essencial, pois esses casos extremos provavelmente serão a ponta do iceberg em termos de impactos na saúde e grupos vulneráveis, como crianças ou asmáticos, estão em maior risco.
Os efeitos da exposição a longo prazo a uma má qualidade do ar são notoriamente difíceis de provar e os impactos da exposição cumulativa ou a co-exposição a poluentes múltiplos do ar são amplamente desconhecidos. Os danos de quantificação com base em medidas de exposição podem ser problemáticos, com complicações adicionais decorrentes de diferentes exposições entre regiões, e até mesmo entre indivíduos na mesma rua. No entanto, um workshop realizado na Royal Society reuniu especialistas no campo da qualidade do ar, onde o consenso apoiou que, apesar da incerteza, a evidência existente era suficiente para tomar medidas para reduzir os efeitos negativos da má qualidade do ar.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

1006 - Semelhanças bioestruturais

Humor
"Algumas vezes o Criador planeja no DNA umas combinações estranhas de estruturas semelhantes em criaturas diversas e até de reinos diferentes, como se Ele estivesse brincando de Lego ou até cansado de inventar outras formas, ninguém jamais saberá seus desígnios." ~ Winston Graça
Nagapushpam, uma flor rara do Himalaia



RX de tórax normal

Graça, W. Outro Saco de Gatos. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2016. p. 203
ISBN 978-85-420-0825-8

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

1005 - Meia-idade

Conceitos
O período de vida compreendido entre a maturidade e a velhice, geralmente, entre os 40 e os 55 anos.
Na classificação etária proposta pela Organização Mundial da Saúde (OMS), são consideradas na meia-idade as pessoas com 45 a 59 anos. (https://revistas.pucsp.br/index.php/kairos/article/viewFile/18926/14090)
É quando você começa a se repetir e seu queixo segue o mesmo exemplo.
No Preblog: UMA IDADE DIFÍCIL

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

1004 - O Museu da Menstruação

Se você está, ou já esteve, ou alguma vez poderá estar envolvido com a reprodução humana, provavelmente aprenderá coisas interessantes visitando o Museu da Menstruação.
O museu atualmente funciona pelo sistema online, mas está procurando instalar-se fisicamente em uma casa na cidade de Nova Iorque, uma metrópole em que a reprodução humana, segundo se acredita, ocorre com alguma frequência.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

1003 - Richard Doll: um estudo de 50 anos

Sir William Richard Shaboe Doll (Londres, 28 de outubro de 1912 — Oxford, 24 de julho de 2005), epidemiologista inglês.
Nunca saberemos com certeza que nomes serão lembrados no futuro como referências no campo das ideias e da produção de conhecimento nas esferas da Epidemiologia e da Saúde Pública, mas além de John Snow, seguramente Richard Doll estará entre eles. Seus trabalhos sobre a associação entre tabagismo e câncer de pulmão são presença obrigatória nos livros texto de Epidemiologia e uma constante nas atividades de formação de profissionais de saúde e pesquisadores nestas áreas.
Finalizada a 2ª Guerra, ganhava força o debate entre trabalhadores e os dirigentes conservadores na Inglaterra para a criação do Sistema Nacional de Saúde a primeira experiência desta natureza no mundo capitalista. É no meio deste debate, que Doll é convidado por Bradford Hill – um dos grandes nomes da Bioestatística naquele período –, para ajudá-lo na análise da crescente elevação de casos de câncer de pulmão em homens que estavam sendo diagnosticados no país.
O que Doll, tanto como Hill, então acreditavam piamente que a causa daquele fenômeno era a crescente poluição urbana decorrente da ampliação da frota de automóveis circulando por Londres e demais grandes cidades inglesas. Esta convicção era tão marcada que seus estudos iniciais foram realizados analisando a distribuição do câncer de pulmão em guardas de trânsito, em comparação com aquela verificada entre os demais trabalhadores.
Para sua surpresa, a similitude de resultados em ambos grupos, levou-os a ampliar o espectro dos possíveis fatores de risco, o que acabou conduzindo aos clássicos resultados dos estudos revelando a associação daquela neoplasia com o hábito de fumar, hipótese então considerada inusitada e surpreendente. Na Inglaterra dos anos 40, cerca de 80% dos homens adultos eram fumantes, hábito de vida então considerado como sofisticado e de bom gosto. As contra-capas de importantes revistas médicas daquele período apresentavam propagandas da indústria do tabaco com pretensos diálogos, nas quais os personagens centrais eram profissionais de saúde, como médicos e enfermeiras, destacando suas preferências pelas diferentes marcas de cigarro, assim associadas à imagem de credibilidade e aceitabilidade social daqueles profissionais.
Com os trabalhos de Doll e a contundência de seus resultados, o tabagismo sofre um de seus primeiros grandes golpes e, em poucos anos, diminui a prevalência de fumantes nas camadas socais de maior escolaridade e renda na Inglaterra. Seu impacto geral para a saúde pública e nas atividades de promoção da saúde foi tão marcado que Doll recebe da realeza inglesa o grau de "Sir", sendo seu nome várias vezes sugerido posteriormente na indicação para Premio Nobel de Medicina, o que acabou nunca se materializando.
Extraído de "We Lost Richard Doll", por Sergio Koifman
http://dx.doi.org/10.1590/S1415-790X2005000300002
Ver também: Sir Richard Doll: A life's research, BBC News
No final da década de 1970, Richard Doll esteve em Fortaleza onde proferiu uma palestra para o corpo clínico do Hospital de Messejana.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

1002 - Plataformas de comunicação médico-médico e médico-paciente

Antes das mídias digitais, a comunicação escrita, desde os bilhetes, passando pelas cartas e alcançando os telegramas, serviam para a troca de informações entre as pessoas e, naturalmente, entre médicos e seus pacientes, e entre estes e seus pares. Muitos escritos resgatados compõem atualmente o acervo da história da medicina, vários tão revolucionários nos aspectos científicos que trouxeram lúmen a descobertas ou possibilitaram estudos para aprofundar teses que mais tarde foram validadas por notórios pesquisadores. Um desses exemplos está na obra do pai da psicanálise, o neurologista Sigmund Freud. Portanto, as trocas de informações não podem ser tratadas como deletérias, a não ser que impliquem em dano ao que se postula como correto, ético e científico.
A tecnologia continuou dando saltos qualitativos com o advento da telefonia, que encurtou distâncias e possibilitou comunicações instantâneas entre pessoas e como tal alcançou o médico e a medicina. Pacientes e médicos passaram a ter um instrumento de aproximação que permitiu orientações emergenciais e passagem de dados via verbal, dando ensejo aos médicos fornecer orientações seguras e salvadoras, quer a pacientes e seus familiares, quer a outros médicos ou equipes institucionais. Com o telefone veio o fax, que permitiu a remessa de documentos fac-símile, outra revolução, porque foi possível passar dados quase que em tempo real, também incorporado à prática médica com rapidez e segurança.
O advento das transmissões por rádio ampliou a abrangência das ações, expandindo as intervenções para fronteiras que antes sofriam os limites físicos da ausência das infraestruturas baseadas em cabos e fios. Os dados continuaram sendo transmitidos, com cada vez mais velocidade.
Chega então a era televisiva, que incrementa as comunicações com a transmissão de imagens e áudios. Daí para a rede mundial de computadores tivemos um salto formidável.
A Internet é apenas mais uma etapa nessa constante evolução dos seres humanos para encurtar distâncias e permitir que interajam em tempo real.
As mídias sociais se inserem nesse contexto evolutivo, e tem mais aspectos benéficos que maléficos quando aplicados dentro de rigorosos critérios de controle.
Extraído do PARECER CFM nº 14/2017, que teve como relator o Cons. Emmanuel Fortes S. Cavalcanti, e cuja conclusão foi a seguinte:
O WhatsApp e plataformas similares podem ser usados para comunicação entre médicos e seus pacientes, bem como entre médicos e médicos em caráter privativo para enviar dados ou tirar dúvidas com colegas, bem como em grupos fechados de especialistas ou do corpo clínico de uma instituição ou cátedra, com a ressalva de que todas as informações passadas tem absoluto caráter confidencial e não podem extrapolar os limites do próprio grupo, nem tampouco podem circular em grupos recreativos, mesmo que composto apenas por médicos, ressaltando a vedação explícita em substituir as consultas presenciais e aquelas para complementação diagnóstica ou evolutiva a critério do médico por quaisquer das plataformas existentes ou que venham a existir.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

1001 - Anvisa aprova o registro do primeiro medicamento à base de Cannabis sativa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do medicamento específico Mevatyl® (tetraidrocanabinol (THC), 27 mg/mL + canabidiol (CBD), 25 mg/mL), canabinoides obtidos a partir da Cannabis sativa, na forma farmacêutica de solução oral (spray). É o primeiro medicamento registrado no país à base de Cannabis sativa.
O novo medicamento Mevatyl®, registrado em outros países com o nome comercial Sativex®, é indicado para o tratamento sintomático da espasticidade moderada a grave relacionada à esclerose múltipla, sendo destinado a pacientes adultos não responsivos a outros medicamentos antiespásticos e que demonstram melhoria clinicamente significativa dos sintomas relacionados à espasticidade durante um período inicial de tratamento com o Mevatyl®. O medicamento é destinado ao uso em adição à medicação antiespástica atual do paciente e está aprovado em outros 28 países, incluindo Canadá, Estados Unidos, Alemanha, Dinamarca, Suécia, Suíça e Israel.
Mevatyl® não é indicado para o tratamento de epilepsia, pois o THC, uma de suas substâncias ativas, possui potencial de causar agravamento de crises epiléticas. O medicamento também não é recomendado para uso em crianças e adolescentes com menos de 18 anos de idade devido à ausência de dados de segurança e eficácia para pacientes nesta faixa etária.
Conforme dados de estudos clínicos realizados com Mevatyl® a ocorrência de dependência com o seu uso é improvável. Mevatyl® será comercializado com tarja preta em sua rotulagem e a sua dispensação ficará sujeita a prescrição médica por meio de notificação de receita A prevista na Portaria SVS/MS nº 344/1998 e de Termo de Consentimento Informado ao Paciente.
TVT - vídeo Maconha Medicinal
Curiosidade - Por que a maconha dá larica?, Super Interessante

quinta-feira, 13 de julho de 2017

1000 - NOVA ACTA

Chegamos hoje à milésima nota do blog Acta Pulmonale.
Esta é uma postagem que marca a mudança do nome do blog para Nova Acta. O endereço eletrônico continua sendo o mesmo (airblog-pg.blogspot.com.br), o que não modifica a forma de ser acessada a página principal.
As notas, que eram postadas a cada três dias, passarão a ser publicadas a cada sete dias.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

999 - Recusa de vacinas: causas e consequências

Revolta da Vacina - Charge publicada, em 1904, sobre o motim popular no Rio de Janeiro contra as medidas sanitárias de Oswaldo Cruz, que incluíam a obrigatoriedade da vacinação antivariólica. In: Com quem ficou a varíola?, EntreMentes
"No final do século XX, o CDC (Center for Disease Control and Prevention), órgão máximo da saúde pública dos Estados Unidos, publicou uma lista das dez maiores conquistas do país no campo da saúde pública entre 1900 e 1999. Em primeiro lugar estavam as imunizações. Conclusão semelhante com certeza seria verificada em qualquer outro país que publicasse esse tipo de avaliação. De fato, ao lado das melhorias sanitárias, em particular a oferta de água tratada, nada trouxe tantos avanços em benefícios da saúde humana quanto as vacinas. Estima-se que estas, isoladamente, sejam responsáveis nos últimos dois séculos por um aumento de cerca de 30 anos em nossa expectativa de vida.
E, no entanto, ainda há grupos de médicos e leigos que enchem a mídia, em particular a eletrônica, de informações negativas sobre as vacinas e de veementes apelos contra seu uso. Qual é a origem dessas informações? Algumas por má-fé (tríplice viral e autismo), outras por erros científicos (vacina da hepatite B e esclerose múltipla), por crenças religiosas ou filosóficas e ainda outras pelo simples desconhecimento dos fatos e dos dados abundantemente fornecidos por fontes científicas de seriedade indiscutível e, porque não, pela própria história da humanidade e da medicina em particular."
Encontra-se disponível na internet - para ler e baixar - o livro Recusa de vacinas: causas e consequências, de Guido Carlos Levi.Se ele servir para aumentar a confiança nas vacinas naqueles que já as utilizam e levantar algumas dúvidas naqueles que são contrários, já terá servido a seu objetivo, como diz o autor.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

998 - Fórum. DPOC em Foco

Na noite de terça-feira (4), médicos pneumologistas de Fortaleza reuniram-se no restaurante Cabana del Primo onde participaram do fórum "DPOC em Foco".
Vídeo-conferencistas: Dr. José Roberto Jardim, professor de pneumologia da Unifesp, e Dr. Paul Jones, professor de medicina respiratória do St. George’s, University of London
José Roberto Jardim tem como principais áreas de atuação: reabilitação pulmonar, DPOC, asma e fisiologia pulmonar; Paul Jones desenvolveu o St George's Respiratory Questionnaire, também conhecido como o SGRQ (publicado pela primeira vez em 1992), que se tornou a medida de referência do seu tipo em todo o mundo.
"É importante avaliar o paciente e identificar sua necessidade individual."
"Uma breve mas abrangente avaliação da vida do paciente pode ajudar a informar a melhor abordagem."
"É importante escutar o que o paciente está dizendo e dar-lhe tempo para responder as perguntas."
Lembretes
Anoro Ellipta: beta 2 agonista + antagonista muscarínico
- mecanismos de ação: umeclidínio (anticolinérgico) e vilanterol (LABA)
Relvar Ellipta: beta 2 agonista + corticosteróide
Avamys
Contato: Maurício (GSK)

terça-feira, 4 de julho de 2017

997 - "Um oceano de ar"

Ao fazer alguns cálculos muito fáceis, descobri que a causa atribuída por mim (ou seja, o peso da atmosfera) deveria por si só oferecer uma resistência maior do que quando tentamos produzir um vácuo."
 "Vivemos submersos no fundo de um oceano de ar." ~ Evangelista Torricelli (1608—1647), cientista italiano e inventor do barômetro.
Ver também: o higrômetro e o termômetro.

sábado, 1 de julho de 2017

996 - A escarradeira Hygéa

Para a médica pneumologista e blogueira Ana Margarida Rosemberg, 
autora da nota " As escarradeiras na luta contra a tuberculose".


As escarradeiras foram intensamente utilizadas no século XIX, quando se considerava "de bom-tom" o hábito de se expelir secreções em público. Fabricadas em porcelana, faiança fina, vidro ou metais nobres eram utilizadas nos espaços sociais das unidades domésticas, basicamente na sala e no gabinete de fumantes, e eram também deixadas à disposição das visitas, no chão, em geral aos pares, ladeando os sofás. Eram um equipamento habitual nas residências das pessoas de alto e médio poder aquisitivo.
Um anúncio de 1926, nos apresenta uma escarradeira de "limpeza automática sem intervenção manual" e que "cumpria as exigências dos regulamentos de saúde pública". Tinha o sugestivo nome de "Hygéa" (imagem ao lado). Na mitologia romana, Hygea ou Hygia era a deusa da saúde, limpeza e saneamento.
Nos atuais nosocômios ainda são fornecidas escarradeiras aos pacientes que delas necessitam. São feitas com aço inoxidável e dispõem de uma tampa que sobe ao ser manualmente acionada. Na visita médica, costumamos pedir aos pacientes que abram as escarradeiras para que possamos ver as características das secreções respiratórias coletadas.
Fontes
http://anamargarida-memorias.blogspot.com.br/2016/11/as-escarradeiras-na-luta-contra.html
http://www.propagandashistoricas.com.br/2013/09/escarradeira-hygea-1926.html
https://en.wikipedia.org/wiki/Hygieia

quarta-feira, 28 de junho de 2017

995 - Órgãos da anatomia humana recortados em papel

O artista do papel com sede em Toronto, Ali Harrison, da Light + Paper, cria elegantes recortes de órgãos e partes da anatomia humana, Algumas de suas obras são cortadas à mão e as mais complexa e intrincadas são cortadas a laser, o caso dos órgãos humanos.
Eles podem ser vistos em seu site e em sua conta no Instagram e estão à venda no Etsy.
No Acta:
192 - Esculturas virais
247 - Pulmão ou floresta?
419 - Pneumotórax catamenial
465 - Secções anatômicas de papel dobrado
589 - Armaduras para órgãos
667 - O diatomista
791 - Anatomia pneumática
985 - Esqueleto de mão em origami

domingo, 25 de junho de 2017

994 - Eva mitocondrial

Em 1986, pesquisadores da Universidade da Califórnia concluíram que todos os humanos eram descendentes de uma única mulher que viveu na África há cerca de 200 mil anos, que denominaram de Eva mitocondrial. Eles se basearam na análise do DNA retirado das mitocôndrias, que difere do DNA do núcleo da célula e é transmitido apenas pela linhagem feminina. Ele sofre mutações em rápidas proporções.
Comparando o DNA mitocondrial de mulheres de vários grupos étnicos, eles puderam estimar quanto tempo se passou para que cada grupo assumisse características distintas a partir de um ancestral comum. De fato, eles construíram uma árvore genealógica para o gênero humano, na base da qual estava a Eva mitocondrial, a grande ancestral de todos os humanos. Isto não significa que ela foi a única mulher existente em sua época, mas que foi a única que produziu uma linhagem direta de descendentes por linha feminina que persiste até a presente data.
Imagem - Através de deriva genética aleatória a linhagem feminina pode ser traçada chegando-se a uma única ancestral comum.
Descobertas recentes, contudo, revelaram que o DNA mitocondrial pode estar a sofrer mutações muito mais rápido do que se pensava anteriormente. Outros estudos mostram mutações cerca de 20 vezes mais rápido do que se esperava.
As mitocôndrias são organelas presentes no citoplasma das células de organismos superiores, imprescindíveis ao processo de respiração celular. Possuem um tamanho que varia de 0,5 a 1,0 μm de comprimento e são consideradas fábricas de energia, pois processam o oxigênio e a glicose convertendo-os em ATP. Estas organelas, diferentemente das outras, possuem carga genética própria conhecida como DNA mitocondrial (mtDNA). Este não é como o DNA nuclear que possui longas fitas, formadas por dupla hélice e que codificam cerca de 100.000 genes. O mtDNA representa apenas 1 a 2% do DNA celular, em duplo filamento circular, codificando apenas 37 genes. Possui genoma haplóide, por ser apenas de origem materna, não havendo recombinação, pois as mitocôndrias dos espermatozoides são destruídas pelo gameta feminino (óvulo) logo após a fecundação.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

993 - O teste de Marsh

Arsênico é talvez o veneno mais prolífico da história, e por várias razões: tem sido historicamente fácil de obter, é inodoro e insípido, pode ser introduzido calmamente, ao longo do tempo, em pequenas doses despretensiosas e, no final, os sintomas do envenenamento por ele imitam aqueles de algumas doenças comuns. Durante a maior parte da história, não havia maneira confiável de detectá-lo, e assim o arsênico era uma ameaça à espreita, com mortes comuns e sub-relatadas.
Sabia-se, a partir de processos químicos documentados do século XVIII, que o ácido arsênico reagia com o zinco para produzir o gás arsino e, em 1836, descobriu-se que o gás, quando aquecido a uma determinada faixa de temperatura, deixava uma película estável de arsênico metálico em um pedaço vidro ou porcelana - um indicador que veio a ser chamado de "espelho de arsênico". Era este o princípio do teste de James Marsh (1794 - 1846), que podia detectar com precisão pequenas quantidades de veneno no corpo humano e, para deleite dos promotores, era aplicável em cadáveres antigos.
Além disso, o "espelho revelador" fazia uma apresentação convenientemente clara e dramática na sala do tribunal.
Talvez o uso mais famoso do teste de Marsh tenha sido no julgamento de Marie Lafarge, em 1840, no qual esta foi acusada de envenenar seu marido. A jovem Marie tinha entrado em um casamento arranjado com Charles Lafarge acreditando que ele era um rico e culto empresário, mas, quando ela descobriu que ele, na verdade, era um "lascado", com hábitos sexuais ásperos e dívida substancial, passou a colocar arsênico na comida dele.
Os amigos mencionaram que a ouviram perguntar, casualmente, sobre as obrigações com o luto (Quanto tempo você teve que se vestir de preto?). Daí, quando Charles percebeu que a devoção de sua esposa para cozinhar em casa não era um gesto de amor, já era tarde demais.
A análise preliminar do estômago de Charles, com o procedimento de Marsh, não encontrou qualquer sinal de arsênico, mas agora era a vez da promotoria chamar Mateu Orfila, reitor da Faculdade de Medicina de Paris e principal toxicólogo da época, para o seu lado. Citando uma pesquisa do cientista que afirmava que o estômago podia ser capaz de expelir o veneno, eles disseram que os testes teriam de ser feitos em outros órgãos e tecidos de Lafarge para somente então se obter um resultado verdadeiramente definitivo.
A acusação levantou também o espectro de erro do usuário: era a primeira vez que os cientistas locais haviam realizado o notoriamente difícil teste de Marsh, em que precisavam de muita habilidade e familiaridade para acertar.
Neste ponto, nada mais restava do pobre Charles Lafarge, cujo corpo quando exumado se dizia semelhante a uma "espécie de pasta, em vez de carne". E, para superar o ônus da prova, foi o próprio Orfila que fez a análise final. Ele detectou com facilidade arsênico naquela pasta de órgãos, e Marie Lafarge foi condenada a trabalhos forçados.
Extraído de The Dramatic Courtroom Demo Designed to Expose Arsenic Murders, in Atlas Obscura.
Ilustração: Dois cientistas fazendo o teste de Marsh, 1856.SCIENCE HISTORY IMAGES/ALAMY
Ver também: 495 - O trono do conhecimento

segunda-feira, 19 de junho de 2017

992 - Medicamentos sujeitos a controle especial

A Vigilância Sanitária de Fortaleza publicou um manual com informações claras e diretas para a resolução das dúvidas mais comuns relacionadas à prescrição de substâncias e medicamentos sujeitos a controle especial.
Nele o prescritor encontra informações sobre:
  • os modelos de Receituários e Notificações de Receita;
  • a forma de aquisição dos talonários de Notificação de Receita;
  • o preenchimento correto das receitas e Notificações de Receita;
  • a lista de substâncias sujeitas a controle especial.
Esta é uma contribuição para a disseminação do conhecimento técnico e o fortalecimento de estratégias para a efetivação do controle e fiscalização de substâncias e medicamentos sujeitos a controle especial.
Link para o MANUAL.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

991 - Luz, mais luz


"Licht, mehr Licht." ~ atribuída a Goethe
Em 1993, uma manchete no National Enquirer zombou da National Science Foundation (Fundação Nacional da Ciência) por financiar o professor Jonathon Copeland, da Geórgia do Sul, em seus estudos com os vagalumes (*) em Bornéu.
 - Não é uma ideia brilhante.
O tabloide atribuía a frase acima a um representante republicano de Wisconsin.
Ironicamente, na mesma semana em que este artigo foi publicado, apareceu outro artigo na revista Time relatando que os médicos estavam usando a luciferase, a enzima responsável pela bioluminescência dos insetos lampirídeos, em testes de resistência a drogas por cepas do bacilo da tuberculose.
Vagalume ou vaga-lume?
Ler: https://dicionarioegramatica.com.br/tag/vagalume-ou-vaga-lume/
Os vagalumes, pela beleza e pelos fachos de luz que carregam e proporcionam deslumbramento em locais mais escuros onde a natureza ainda impera, não deveriam ter hífen. Os vagalumes vagam acima da nova ortografia luso-brasileira. Comentário de um leitor do blog Nova Ortografia, de Gabriel Perissé.
(*) Numa edição revista e ampliada desta nota talvez eu escolha a opção "pirilampos". N. do E.

terça-feira, 13 de junho de 2017

990 - Os métodos gráficos de Florence Nightingale

Florence Nightingale (12 de maio de 1820 - 13 de agosto de 1910) é lembrada como a mãe da moderna enfermagem. Mas poucos se recordam de que seu lugar na história (de acordo com a BBC, era provavelmente a pessoa mais famosa da Era Vitoriana, além da própria rainha Vitória) está relacionado, pelo menos em parte, ao uso que ela fazia da Estatística. Utilizando-se de métodos gráficos de representação visual para transmitir dramaticamente informações estatísticas complexas a um público amplo. Como, por exemplo, os gráficos setoriais (habitualmente conhecido como gráficos do tipo "pizza"), criados por William Playfair, e o Diagrama de Área Polar (gravura), de André-Michel Guerry.
Crédito da imagem: http://pballew.blogspot.com.br/2017/05/on-this-day-in-math-may-12.html#links
Estatística e religião
Pearson escreveu que as estatísticas foram mais do que um estudo para Florence, elas eram de fato sua religião.
"A dama da lâmpada" sustentava que o universo - inclusive a humanidade - evoluía de acordo com um plano divino. E que os homens deveriam esforçar-se para compreender este plano e orientar suas ações em consonância com ele. Mas, para entender os pensamentos de Deus, deveríamos estudar as estatísticas, pois estas são a medida de Seu propósito. Assim, o estudo da Estatística era para ela como um dever religioso.
K Pearson, A Vida, Cartas e Trabalhos por Francis Galton (1924)

sábado, 10 de junho de 2017

989 - Google já é o médico mais popular

As autoridades sanitárias não precisam esperar por relatórios médicos para detectar a ocorrência de epidemias ou surtos de doenças periódicas como a gripe: basta consultar os algoritmos do Google e identificar as palavras que estão sendo mais pesquisadas.
 O "Doutor Google" é a nova estrela na paisagem da saúde: 49% dos usuários espanhóis da Internet, com idades entre 16 e 74 anos, têm procurado informações sobre medicamentos ou doenças nos últimos três meses, segundo um estudo realizado pelo Eurostat. Uma década atrás, esta taxa apenas alcançava 19%.
Os temas mais consultados estão relacionados com lesões, doenças, nutrição e dicas para melhorar a saúde. Mas a Espanha não é o país que mais rastreia na Europa informações sobre questões médicas. Está em sétimo lugar, a uma distância considerável de Luxemburgo (71%), Dinamarca (65%) e Alemanha (63%).
Entre as razões para este aumento do uso do Google como um oráculo médico estão: a maior facilidade de acessar a Internet, a maior sensibilidade social para manter a boa saúde e as pessoas afetadas pelas doenças que não mais querem ser pacientes passivos.
Siga lendo em Economía Digital.
No Acta:
535 - Sugestões do Google para "pulmão"
604 - Google Flu Trends
744 - Um mundo mais acessível para todos

quarta-feira, 7 de junho de 2017

988 - O microscópio

Acredita-se que o microscópio tenha sido inventado em 1590, por Hans Janssen e seu filho Zacharias, dois holandeses fabricantes de óculos. Tudo indica, porém, que o primeiro a fazer observações microscópicas de materiais biológicos foi o o também holandês Antonie van Leeuwenhoek (1632 - 1723), em seu passatempo de ficar examinando a água de diversas fontes através de gotículas de vidro fundido. No entanto, vários predecessores e contemporâneos de Leeuwenhoek, notadamente Robert Hooke na Inglaterra e Jan Swammerdam na Holanda, já haviam construído microscópios compostos (com mais de uma lente) e estavam fazendo importantes descobertas com eles. Estes eram muito mais semelhantes aos microscópios em uso hoje. Assim, embora Leeuwenhoek seja às vezes chamado de "o inventor do microscópio", ele não o foi de fato.


A palavra microscópio
Do grego mikros, pequeno e skopein, ver.
Esta palavra foi cunhada por Johannes Faber, da cidade de Bamberg, na Alemanha, em 1625. Tendo se utilizado dela em uma carta que ele enviou a Frederico Cesi, fundador da Accademia Nazionale dei Lincei.
Com sede em Roma, esta academia é uma das sociedades científicas mais antigas do mundo e tomou seu nome de um animal reputado pela agudeza visual.
Tudo a ver, portanto.
Pensamento
Evitai de vos observar ao microscópio. Bons olhos, sem vidros, voltados para o que vos cerca é quanto basta. - Joaquim Nabuco

domingo, 4 de junho de 2017

987 - Um mistério nas revistas médicas

Por que há tão poucos artigos em revistas médicas sobre ferimentos causados por cancelas de estacionamento?
Tais ferimentos - que acontecem quando uma cancela de estacionamento encontra um corpo humano - são considerados bastante frequentes. No entanto, o PubMed, um banco de dados preeminente de estudos médicos, quase não inclui trabalhos científicos relacionados com estes acidentes. Por quê? Temos sido negligentes com eles? Ou, então, suas lesões são tão simples de serem tratadas que nenhum profissional médico julga que valha a pena escrever?
Este vídeo mostra um destes (ao que se presume muitos) acidentes:
O mistério de por que há tão poucos artigos nas revistas médicas se estende, também, à questão das lesões sofridas quando um motorista de automóvel tem uma relação fisicamente infeliz com uma máquina de coleta automática de bilhetes de estacionamento.
http://www.improbable.com/2017/05/03/medical-journals-mystery-what-about-those-parking-gate-injuries/
Ver também: Na batuta

quarta-feira, 31 de maio de 2017

986 - Fumar e morrer

O tabagismo é a principal causa evitável de morte nos Estados Unidos da América
O cigarro causa mais de 480.000 mortes por ano nos EUA. É quase uma em cada cinco mortes.
Fumar causa mais mortes a cada ano do que as seguintes causas combinadas:
  • Vírus da imunodeficiência humana (HIV)
  • Uso ilegal de drogas
  • Uso de álcool
  • Lesões por veículos motorizados
  • Incidentes relacionados a armas de fogo
Mais de 10 vezes mais cidadãos americanos morreram prematuramente do tabagismo do que morreram em todas as guerras travadas pelos EUA.
Fumar causa cerca de 90% (ou 9 em 10) de todas as mortes por câncer de pulmão.
Mais mulheres morrem por câncer de pulmão a cada ano do que por câncer de mama.
Fumar causa cerca de 80% (ou 8 em 10) de todas as mortes por doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).
O cigarro aumenta o risco de morte por todas as causas em homens e mulheres.
O risco de morrer por cigarro aumentou nos últimos 50 anos nos EUA.
Extraído de Health Effects of Cigarette Smoking, CDC
No Brasil, 23 pessoas morrem vítimas de doenças associadas ao cigarro a cada hora.
#cigarromata

segunda-feira, 29 de maio de 2017

985 - Esqueleto de mão em origami

Origami é a arte tradicional e secular japonesa de dobrar o papel, criando representações de determinados seres ou objetos com as dobras geométricas de uma peça de papel, sem cortá-la ou colá-la.
Encontrei na internet um esqueleto de mão feito em origami. O padrão original de dobras para ela foi criado por Jeremy Shafer.
Um excelente vídeo de Jo Nakashima mostra todas as etapas de como produzir esta peça.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

984 - I Fórum sobre Epidemia de Chikungunya no Ceará

CONVITE
Sr.(a) Doutor(a)
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Ceará, diante da gravidade que se apresenta com a epidemia de Chikungunya, vem, através da Câmara Técnica de Infectologia, coordenada pela Dra. Roberta Santos Luiz, convidar os médicos a participarem do I Fórum sobre Epidemia de Chikungunya no Ceará, que será realizado no dia 27 de maio de 2017, às 8h, no auditório do CREMEC.
As inscrições poderão ser realizadas pelos telefones (85) 988670606 ou (85)31983723, falar com Regina Yale, no horário das 8h às 13h.
Certos de contarmos com a presença de Vossa Senhoria, agradecemos antecipadamente.
Atenciosamente,
Cons. Lino Antonio Cavalcanti Holanda
Secretário Geral do CREMEC
PROGRAMA
Público-alvo: Médicos
Data: 27 de maio de 2017 (Sábado)
Local: Auditório do CREMEC
Inscrições limitadas à capacidade máxima do auditório.
8h Abertura: Dr. Ivan de Araújo Moura Fé.
Coordenação da mesa: Dra. Roberta Santos Silva Luiz. Infectologista do Hospital Universitário Walter Cantídio da UFC - Ministério da Saúde, Coordenadora da Câmara Técnica de Infectologia do CREMEC.
8h15 Epidemiologia atual no mundo, Br e Ce.
Palestrante: Prof. Luciano Pamplona G. Cavalcanti. Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva. Departamento de Saúde Comunitária – UFC.
8h45 Epidemiologia da Infecção por CKG em Fortaleza.
Palestrante: Dr. Antônio Lima, Coordenador da Vigilância Epidemiológica da SMS de Fortaleza.
9h15 Fisiopatogenia da Infecção por CKG e Espectro clínico.
Palestrante: Prof. Keny Colares, Coordenador do Programa de Pós-graduação em Ciências Médicas – UNIFOR. Programa de Pós-graduação em Patologia - DPML-UFC.
9h45 Dúvidas
10h Intervalo
10h30 Manejo da Infecção por CKG, formas atípicas e graves.
Palestrante: Dra. Roberta Santos S. Luiz. Infectologista do HUWC UFC - Ministério da Saúde, Doutoranda em Medicina Tropical Fiocruz RJ- IOC-UFC.
11h Proposta de Ações para Contenção da Epidemia.
Palestrante: Prof Dr. Ivo Castelo Branco Coelho, Coordenador do Núcleo de Medicina Tropical da UFC.
11h30 Dúvidas
12h Deliberações do Fórum
12h30 Encerramento.

sábado, 20 de maio de 2017

982 - Galeria bacteriana

O biólogo sintético Tal Danino lava as mãos constantemente, um dos riscos ocupacionais de trabalhar com bactérias o dia todo no Synthetic Biological Systems Lab, que ele dirige na Universidade de Columbia, em Nova Iorque. Danino passa a maior parte do seu tempo tentando aproveitar certas propriedades das bactérias - as mesmas propriedades que podem torná-las tão perigosas para os seres humanos - com a finalidade de transformá-las em poderosas agentes do combate ao câncer.
Mas, quando ele não está programando bactérias para combater o câncer, ele as está programando para fazer arte. "É bom usar as artes visuais para ajudar a comunicar a ciência", diz ele, "e isso porque a arte realmente transcende os limites da linguagem e do conhecimento".
Para seu mais recente projeto, Microuniverse, ele produziu em discos de Petri uma série de deslumbrantes imagens abstratas com diferentes espécies de bactérias, após deixá-las crescendo sob diferentes condições ambientais e por vários períodos de tempo.
Bacteria Gallery
Notavelmente, as bactérias podem crescer dentro de tumores, onde mesmo o sistema imunológico humano não pode chegar, e elas também podem ser programadas para produzir toxinas que causam a morte de células tumorais. Usando a clonagem molecular, Danino programa bactérias para que revelem tumores no corpo e, uma vez dentro deles, liberem toxinas de combate ao câncer. "É quase como uma situação do tipo cavalo de tróia", explica ele. "Bactérias entram no tumor e, em seguida, começam a produzir drogas que fazem o tumor entrar em regressão".
No Acta:
179 - Quem criou esta imagem?
503 - Uma homenagem a Petri
631 - A arte bacteriográfica
785 - Arte no ágar
914 - Adaptar-se ou morrer

quarta-feira, 17 de maio de 2017

981 - Laconismo

A história sobre o Dr. Abernethy e uma de suas pacientes é um clássico. Ele era um homem de poucas palavras e a paciente, uma senhora de meia idade, sabia disso.
Entrando em seu consultório, ela descobriu o braço e disse, simplesmente, "queimadura".
"Um emplastro", indicou-lhe o médico.
No dia seguinte, ela retornou, mostrou-lhe o braço e disse "melhor".
"Manter..."
Alguns dias se passaram até Dr. Abernethy vê-la outra vez. Então, ela disse:
"Ótimo. E seus honorários?"
"Nada", respondeu o médico, explodindo numa loquacidade incomum. "Você é a mulher mais sensata que eu já conheci em minha vida!"
William Walsh Shepard, Handy-Book of Literary Curiosities, 1892

domingo, 14 de maio de 2017

980 - A confusão mental dos idosos

Arnaldo Lichtenstein é médico, clínico-geral do Hospital das Clínicas e professor colaborador do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Ele tem algumas recomendações simples, porém muito importantes.
"Durante as aulas de clínica médica que ministro aos estudantes do quarto ano de Medicina, a certa altura, faço a seguinte pergunta:
- Quais as causas mais comuns de confusão mental nas pessoas idosas?
Alguns tentam adivinhar: "Tumor no cérebro".
Eu respondo: "Não".
Outros arriscam: "Mal de Alzheimer".
Novamente, respondo: "Não".
A cada negativa os alunos vão demonstrando espanto.... E ficam ainda mais boquiabertos quando menciono os três motivos mais comuns:
  • Diabetes fora de controle;
  • Infecção urinária;
  • A família foi passear e deixou o avô e a avó em casa, para não se cansarem.
Embora pareça brincadeira, não é não! Como o avô e a avó não sentiram sede, não ingeriram líquidos.
Quando não há ninguém mais em casa para lembrá-los de tomar água, chá ou sucos, eles desidratam-se rapidamente.
A desidratação pode vir a ser grave, afetando todo o organismo. Pode causar confusão mental repentina, queda de pressão arterial, aumento dos batimentos cardíacos, angina (dor no peito), coma e até o óbito.
O processo natural de envelhecimento faz com que, na terceira idade - que começa aos 60 anos - tenhamos pouco mais de 50% de água no organismo. Portanto, os idosos têm menor reserva de líquidos. Para complicar mais o quadro, mesmo desidratados, eles não sentem vontade de tomar água porque, muitas vezes, há certa disfunção nos seus mecanismos de equilíbrio interno.
Conclusão:
As pessoas idosas desidratam-se com mais facilidade não apenas porque têm menos reserva de água, mas também porque não se dão conta de que necessitam de água. Mesmo que o idoso seja saudável, a falta de líquido reduz o desempenho das reações químicas e funcionais de todo o organismo.
Por esse motivo, aqui estão dois alertas:
O primeiro é para as pessoas idosas: fiquem bem conscientes do hábito de tomar líquidos, mesmo no inverno.
O segundo alerta é endereçado aos familiares: ofereçam, com bastante frequência, líquidos aos idosos. Ao mesmo tempo, prestem atenção. Caso percebam que estão rejeitando líquidos e, que, de repente, ficam confusos, irritadiços, alheios ao que se passa ao redor, cuidado! É quase certo que sejam sintomas de desidratação. Deem-lhes líquidos e procurem logo atendimento médico".
Fonte: TudoPorEmail

quinta-feira, 11 de maio de 2017

979 - Livro: Doença ocupacional

Atualizado até maio de 2016
Resenha
Produzida na Coordenação de Edições Técnicas (Coedit), esta obra proporciona ao leitor o rápido acesso a um conjunto de normas sobre saúde, previdência e segurança no ambiente laboral, fundadas nos preceitos constitucionais relativos à redução dos riscos intrínsecos ao trabalho, sobretudo em atividades penosas, insalubres ou perigosas.
Os dispositivos relacionados ao assunto estão presentes, entre outras, na Lei nº 8.213/1991, que dispõe sobre os planos de benefícios da Previdência Social; na Lei nº 8.112/1990, que trata do regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais; e na Lei nº 8.080/1990, que dispõe sobre as condições para a promoção, a proteção e a recuperação da saúde, e sobre a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes.
Além das disposições constitucionais pertinentes ao tema, o leitor encontra na obra três atos internacionais: o Convênio de Seguridade Social entre a República Federativa do Brasil e o Reino da Espanha, que, firmado em 1991, atualiza as normas convencionais que regulamentam as relações em matéria de Seguridade Social entre os dois países; a Convenção sobre a Inspeção do Trabalho de 1947, também conhecida como Convenção no 81 da OIT; e o Projeto de Convenção Concernente à Indenização das Moléstias Profissionais, de 1934, que obriga todos os membros da OIT a garantir às vítimas de moléstias profissionais uma indenização baseada nos princípios gerais da legislação nacional relativa à indenização dos acidentes de trabalho.
Mais de cinquenta das 112 páginas da obra reproduzem anexos do Decreto nº 3.048/1999, que aprovou o Regulamento da Previdência Social. Entre eles, destaca-se o Anexo II, que contém um vasto rol dos agentes patogênicos causadores de doenças profissionais e as modalidades de trabalho que apresentam riscos.
Baixe gratuitamente este livro em formato digital; AQUI.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

978 - Pulmões e plaquetas

O pulmão é um local de biogênese plaquetária e um reservatório para progenitores hematopoéticos
doi:10.1038/nature21706
As plaquetas são fragmentos celulares presentes no sangue críticos para a hemostasia, trombose e respostas inflamatórias, mas os eventos que levam à produção plaquetária madura permanecem incompletamente compreendidos.
A medula óssea tem sido proposta como um importante local de produção de plaquetas, embora haja evidência indireta de que os pulmões também podem contribuir para a biogênese plaquetária. Aqui, por imagem direta da microcirculação pulmonar em ratinhos, mostramos que um grande número de megacariócitos circulam pelos pulmões, onde libertam plaquetas dinamicamente.
Os megacariócitos que libertam plaquetas nos pulmões originam-se de locais extrapulmonares tais como a medula óssea. Observamos grandes megacariócitos migrando para fora do espaço da medula óssea. A contribuição dos pulmões para a biogênese plaquetária é substancial, representando aproximadamente 50% da produção total de plaquetas ou 10 milhões de plaquetas por hora. Além disso, identificamos populações de megacariócitos maduros e imaturos juntamente com progenitores hematopoiéticos nos espaços extravasculares dos pulmões.
Em condições de trombocitopenia e deficiência relativa de células estaminais na medula óssea, estes progenitores podem migrar para fora dos pulmões, repovoar a medula óssea, reconstituir completamente a contagem de plaquetas sanguíneas e contribuir para múltiplas linhagens hematopoiéticas. Estes resultados identificam os pulmões como um local primário de produção de plaquetas terminal e um órgão com considerável potencial hematopoiético.
http://www.nature.com/nature/journal/v544/n7648/full/nature21706.html

sexta-feira, 5 de maio de 2017

977 - Como funciona a pressão sanguínea

Um vídeo TED informativo sobre o funcionamento da pressão sanguínea, sugerido pelo colaborador Jaime Nogueira.
Para colocar neste vídeo as legendas em português, siga as dicas do TudoPorEmail.

terça-feira, 2 de maio de 2017

976 - O risco do suicídio em jovens

A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Associação Psiquiátrica da América Latina (APAL) e Conselho Federal de Medicina (CFM) vem a público se manifestar a respeito do risco de suicídio em jovens.
Nos últimos dias, "jogos" praticados por usuários da internet, os quais envolvem tarefas cujo ato final inclui a tentativa de suicídio (o jogo suicidário Baleia Azul, por exemplo), têm sido destaque na mídia e motivo de grande preocupação para pais, educadores e profissionais de saúde. No entanto, os acontecimentos atuais apenas trouxeram à luz um grave problema de saúde pública, ignorado por muitos, mas motivo de preocupação e trabalho contínuo da ABP e de suas federadas.
O suicídio, há anos, é a segunda causa de morte em jovens dos 15 aos 29 anos de idade. Em mulheres, é a principal causa de mortalidade na faixa etária dos 15 aos 19 anos. Apesar de ser o desfecho trágico de um conjunto de fatores – é equivocado e simplista associar o suicídio a uma única causa – estudos mostram que mais de 90% das vítimas apresentavam pelo menos um transtorno psiquiátrico, especialmente a depressão, considerada o principal fator de risco para o suicídio.
Embora faça parte da adolescência, a formação de grupos com símbolos e rituais em comum merece cuidado e atenção quando práticas abusivas e/ou danosas para si ou terceiros são compartilhadas. De fato, a participação do jovem nesses grupos, reais ou "virtuais", pode indicar uma vulnerabilidade prévia a atos impulsivos, além da presença de sintomas depressivos. Mudanças bruscas de comportamento, isolamento social e abandono de atividades prazerosas, tristeza persistente, alterações do sono e apetite, queda no rendimento escolar, lesões sem explicação aparente (sugerindo autoagressão) e mensagens que caracterizam desesperança, despedida ou com conteúdo de morte nas mídias sociais, são um sinal de alerta e não podem ser negligenciadas. Pais, escolas e profissionais de saúde devem estar atentos e capacitados para identificar as transformações que apontam para condutas de risco. É comum que esses adolescentes, fragilizados pela doença psiquiátrica, como depressão, transtorno de estresse pós-traumático ou abuso de substâncias, ao procurar na internet informações que o ajudem a entender o que estão sentindo, entrem em contato com conteúdo não apenas inadequado, como também criminoso. Especial atenção deve ser dada aos adolescentes que sofreram maus tratos na infância (incluindo negligência, abuso emocional e sexual), vítimas de bullying e violência, além daqueles que apresentem automutilação e, principalmente, história prévia de tentativa de suicídio. A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), a Associação Psiquiátrica da América Latina (APAL) e Conselho Federal de Medicina (CFM) orientam, tanto aos meios de comunicação, quanto à sociedade em geral, que quaisquer intenções de propagação de descrições pormenorizadas dos métodos utilizados pelas vítimas, bem como a divulgação de fatos e cenas chocantes, sejam substituídas por informações responsáveis, que reforcem e disseminem o conhecimento associado à prevenção do suicídio.
Em meio a todas essas notícias alarmantes, a ABP gostaria de passar uma mensagem de esperança: a grande maioria dos suicídios são evitáveis. Embora pensamentos de morte e de suicídio sejam relativamente frequentes em pessoas passando por problemas difíceis, a imensa maioria das pessoas encontra formas mais adequadas de lidar e superar os problemas. O enfrentamento dos problemas, a busca de apoio em familiares, amigos, grupos sociais como os religiosos e a procura de ajuda junto a profissionais de saúde estão entre as estratégias de um enfrentamento bem sucedido. Dentre as estratégias de prevenção, a identificação e o tratamento dos transtornos psiquiátricos são as mais eficazes. Nessa perspectiva, dois aspectos são fundamentais: 1) a disponibilidade de uma assistência integral à saúde mental, que envolva todos os níveis de atendimento, da atenção primária a leitos psiquiátricos de internação durante a crise para o atendimento de casos graves; 2) o combate ao estigma em relação aos transtornos psiquiátricos, certamente a principal barreira entre a desesperança causada pela doença e a busca por ajuda. Em relação ao combate ao estigma, é importante ressaltar: é uma ação vital, que está ao alcance de todo cidadão.
Reforçamos nosso compromisso perante a sociedade para auxiliar na disseminação do conhecimento e de estratégias eficazes para a prevenção do suicídio. Nesse sentido, recomendamos o manual elaborado pela ABP/CFM e dirigido à imprensa: "Comportamento suicida: conhecer para prevenir", da ABP.
Carmita Abdo, Antônio Geraldo da Silva e Carlos Vital - Presidente da ABP, Presidente eleito da APAL e Presidente do CFM
Grato a Fernando Gurgel Filho por trazer o assunto à lembrança.