quinta-feira, 27 de setembro de 2018

1064 - Cabine de amamentação

Tive uma ótima ideia: uma cabine de amamentação. Como vocês sabem, tem gente que se incomoda com a amamentação em público, e pensei na cabine como uma solução para o aborrecimento por que essas pessoas injustamente incomodadas passam.
Funciona assim: a cabine é tipo um banheiro público, um container de plástico com as paredes opacas. Aí, caso uma mãe tenha que amamentar em público, o processo é simples: você pega a pessoa incomodada e tranca-a lá dentro, enquanto a mãe estiver amamentando (ou talvez um pouco mais para ver se ela aprende a conviver em sociedade).
Startups, a ideia está disponível aí, podem me contatar.
Empreendedorismo a gente vê por aqui.
Yuri Portugal Serrão Ramos
Ler também:
788 - Uma resposta à altura do insulto
798 - O protesto das mães lactantes

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

1063 - Um monumento ao rato de laboratório




Esta escultura, do artista Andrew Kharkevich, encontra-se perto do Instituto de Citologia e Genética da Rússia, em Novosibirsk, a terceira cidade mais populosa do país e a cidade mais populosa da Sibéria. Destina-se a homenagear os animais de laboratório que foram sacrificados nas pesquisas científicas.
O monumento feito de bronze mostra um rato de jaleco e óculos tecendo a dupla hélice do DNA com agulhas.
Mantendo as características anatômicas de um rato, o escultor optou pelo meio termo entre um personagem de desenho animado e um rato da vida real.
Lembra um pouco a Sra. Frisby, o que pode ser intencional, quem sabe.

Também na Rússia: Um monumento ao enema.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

1062 - Os cartões McBee no Hospital de Messejana

Os cartões perfurados McBee eram um sistema de classificação de dados desenvolvido antes dos computadores. Inventado em 1896, eles estiveram em uso comum até a década de 1980. Esses cartões tinham orifícios perfurados em intervalos regulares ao redor das bordas, e você podia escrever mais informações no meio do cartão. Cada buraco correspondia a uma determinada categoria de dados predeterminada pelo usuário. Para indicar que o cartão pertencia a uma categoria específica, você estendia um buraco até a borda do cartão, criando um entalhe.
Depois de alinhar todos os cartões, você inseria um longo estilete no buraco que representava a categoria desejada. Ao ser levantado o conjunto dos cartões, aqueles que não pertenciam à categoria ficavam suspensos no estilete, enquanto os cartões que pertenciam à categoria, como tinham o entalhe naquele ponto, destacavam-se do estilete e eram recuperados. O estreitamento adicional dos resultados poderia ser realizado usando o estilete em orifícios que representavam outras categorias.
Este conjunto de cartões perfurados foi usado no Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas pelos Drs. Joseph Bell, Robert Huebner, Robert Chanock e Albert Kapikian para armazenar, analisar e agrupar dados. Eles realizaram muitos estudos epidemiológicos em hospitais, orfanatos e prisões sobre vírus como gripe e hepatite, no final dos anos 50 e início dos anos 60.
MEMÓRIA
Ao assumir a chefia da Seção de Documentação Estatística (equivalente a um Serviço de Arquivo Médico e Estatística) do Hospital de Messejana, tomei conhecimento da existência desses cartões perfurados McBee. Impressos na cor amarela, eram adaptados às peculiaridades de um sanatório para o diagnóstico e o tratamento da tuberculose. E havia, na Seção, uma tesoura especial que uma funcionária manuseava para picotar as fichas, além do já citado estilete, claro.
Com a transformação do sanatório em um hospital dedicado à cardiologia e à pneumologia, bem como às cirurgias que são realizadas nestas especialidades, as fichas de McBee se tornaram obsoletas. E tivemos de implantar um novo sistema em que dispúnhamos de quatro modelos de fichas para o armazenamento de dados (Diagnóstico, Cirurgia, Médico e Óbito).
Adiante, no fim da década de 1980, a começar pela Seção de Documentação Científica, o armazenamento de dados no Hospital de Messejana entrou na era digital. Contando com a colaboração de um dedicado funcionário da própria Seção, o Haroldo, diversos programas de informática foram criados para armazenar e processar os dados de interesse da administração e do corpo clínico do Hospital. ~ Paulo Gurgel

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

1061 - Mundo dos raros

"Quando meu primeiro filho nasceu [com mucopolissacaridose do tipo 6, doença metabólica causada por erro inato do metabolismo], não tinha informação, não existia nada que pudesse nos ajudar como pais a saber exatamente com o que a gente estava lidando. Não havia diagnóstico preciso e não havia tratamento", conta Regina Próspero. Regina é uma das entrevistadas do documentário “Mundo dos Raros”, lançado em fevereiro no YouTube, com depoimentos de quem sofre tanto por doenças raras quanto pela jornada na busca de informações e tratamentos.
No mundo, em torno de 560 milhões de pessoas são portadoras de alguma doença rara, uma categoria que abrange mais de 8 mil tipos, normalmente crônicas, progressivas, incapacitantes e sem cura — não há tratamento específico para 95% delas. No Brasil, são consideradas raras as doenças que atingem um máximo de 65 pessoas a cada 100 mil habitantes (Radis 149).
"No dia em que descobri que tinha hepatite autoimune, me lembro de descer do consultório, sentar na praça e ficar sem conseguir pensar em nada do que iria fazer dali por diante", relata Andrea Soares. Mas, seis anos depois do diagnóstico, foi ela quem idealizou e ajudou a produzir o documentário, "para incluir pela arte os 15 milhões de raros que vivem em exclusão no país". "Queria mostrar que a gente existe", diz ela à Radis. O vídeo foi dirigido por Sergio Spina e produzido pela NaVeia Filmes.
Nos depoimentos, são especialmente frequentes as falas que apontam o problema da falta de informação. "Há uma grande dificuldade de encontrar caminhos. Se a doença é rara para mim, é para você, para o médico, para todo mundo", observa Andrea. A escolha por disponibilizar o filme no YouTube também parte da intenção de derrubar as barreiras de acesso: "Assim, podemos chegar a mais gente e fazer com que as pessoas com doenças raras se sintam olhadas como pessoas e não como portadoras de determinada doença".
O filme tenta aproximar a sociedade desse universo: mostra como levam a vida tentando se adaptar às novas condições, a se inserirem no mundo dos "não" doentes, a serem reconhecidos e respeitados. A psicóloga Angélica Rente levanta a questão: "Como não deixar que as diferenças se sobreponham tanto e as pessoas vivendo nessa circunstância deixam de pertencer?". A resposta, para ela, é a empatia. "Empatia não é um sentimento, mas uma qualidade de ação. Podemos viver mais coletivamente, de maneira mais comunitária".
Bruno Domingues
Revista Radis, nº. 190, julho de 2018
Assista em mundodosraros.com