sábado, 20 de maio de 2017

982 - Galeria bacteriana

O biólogo sintético Tal Danino lava as mãos constantemente, um dos riscos ocupacionais de trabalhar com bactérias o dia todo no Synthetic Biological Systems Lab, que ele dirige na Universidade de Columbia, em Nova Iorque. Danino passa a maior parte do seu tempo tentando aproveitar certas propriedades das bactérias - as mesmas propriedades que podem torná-las tão perigosas para os seres humanos - com a finalidade de transformá-las em poderosas agentes do combate ao câncer.
Mas, quando ele não está programando bactérias para combater o câncer, ele as está programando para fazer arte. "É bom usar as artes visuais para ajudar a comunicar a ciência", diz ele, "e isso porque a arte realmente transcende os limites da linguagem e do conhecimento".
Para seu mais recente projeto, Microuniverse, ele produziu em discos de Petri uma série de deslumbrantes imagens abstratas com diferentes espécies de bactérias, após deixá-las crescendo sob diferentes condições ambientais e por vários períodos de tempo.
Bacteria Gallery
Notavelmente, as bactérias podem crescer dentro de tumores, onde mesmo o sistema imunológico humano não pode chegar, e elas também podem ser programadas para produzir toxinas que causam a morte de células tumorais. Usando a clonagem molecular, Danino programa bactérias para que revelem tumores no corpo e, uma vez dentro deles, liberem toxinas de combate ao câncer. "É quase como uma situação do tipo cavalo de tróia", explica ele. "Bactérias entram no tumor e, em seguida, começam a produzir drogas que fazem o tumor entrar em regressão".
No Acta:
179 - Quem criou esta imagem?
503 - Uma homenagem a Petri
631 - A arte bacteriográfica
785 - Arte no ágar
914 - Adaptar-se ou morrer

quarta-feira, 17 de maio de 2017

981 - Laconismo

A história sobre o Dr. Abernethy e uma de suas pacientes é um clássico. Ele era um homem de poucas palavras e a paciente, uma senhora de meia idade, sabia disso.
Entrando em seu consultório, ela descobriu o braço e disse, simplesmente, "queimadura".
"Um emplastro", indicou-lhe o médico.
No dia seguinte, ela retornou, mostrou-lhe o braço e disse "melhor".
"Manter..."
Alguns dias se passaram até Dr. Abernethy vê-la outra vez. Então, ela disse:
"Ótimo. E seus honorários?"
"Nada", respondeu o médico, explodindo numa loquacidade incomum. "Você é a mulher mais sensata que eu já conheci em minha vida!"
William Walsh Shepard, Handy-Book of Literary Curiosities, 1892

domingo, 14 de maio de 2017

980 - A confusão mental dos idosos

Arnaldo Lichtenstein é médico, clínico-geral do Hospital das Clínicas e professor colaborador do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Ele tem algumas recomendações simples, porém muito importantes.
"Durante as aulas de clínica médica que ministro aos estudantes do quarto ano de Medicina, a certa altura, faço a seguinte pergunta:
- Quais as causas mais comuns de confusão mental nas pessoas idosas?
Alguns tentam adivinhar: "Tumor no cérebro".
Eu respondo: "Não".
Outros arriscam: "Mal de Alzheimer".
Novamente, respondo: "Não".
A cada negativa os alunos vão demonstrando espanto.... E ficam ainda mais boquiabertos quando menciono os três motivos mais comuns:
  • Diabetes fora de controle;
  • Infecção urinária;
  • A família foi passear e deixou o avô e a avó em casa, para não se cansarem.
Embora pareça brincadeira, não é não! Como o avô e a avó não sentiram sede, não ingeriram líquidos.
Quando não há ninguém mais em casa para lembrá-los de tomar água, chá ou sucos, eles desidratam-se rapidamente.
A desidratação pode vir a ser grave, afetando todo o organismo. Pode causar confusão mental repentina, queda de pressão arterial, aumento dos batimentos cardíacos, angina (dor no peito), coma e até o óbito.
O processo natural de envelhecimento faz com que, na terceira idade - que começa aos 60 anos - tenhamos pouco mais de 50% de água no organismo. Portanto, os idosos têm menor reserva de líquidos. Para complicar mais o quadro, mesmo desidratados, eles não sentem vontade de tomar água porque, muitas vezes, há certa disfunção nos seus mecanismos de equilíbrio interno.
Conclusão:
As pessoas idosas desidratam-se com mais facilidade não apenas porque têm menos reserva de água, mas também porque não se dão conta de que necessitam de água. Mesmo que o idoso seja saudável, a falta de líquido reduz o desempenho das reações químicas e funcionais de todo o organismo.
Por esse motivo, aqui estão dois alertas:
O primeiro é para as pessoas idosas: fiquem bem conscientes do hábito de tomar líquidos, mesmo no inverno.
O segundo alerta é endereçado aos familiares: ofereçam, com bastante frequência, líquidos aos idosos. Ao mesmo tempo, prestem atenção. Caso percebam que estão rejeitando líquidos e, que, de repente, ficam confusos, irritadiços, alheios ao que se passa ao redor, cuidado! É quase certo que sejam sintomas de desidratação. Deem-lhes líquidos e procurem logo atendimento médico".
Fonte: TudoPorEmail

quinta-feira, 11 de maio de 2017

979 - Livro: Doença ocupacional

Atualizado até maio de 2016
Resenha
Produzida na Coordenação de Edições Técnicas (Coedit), esta obra proporciona ao leitor o rápido acesso a um conjunto de normas sobre saúde, previdência e segurança no ambiente laboral, fundadas nos preceitos constitucionais relativos à redução dos riscos intrínsecos ao trabalho, sobretudo em atividades penosas, insalubres ou perigosas.
Os dispositivos relacionados ao assunto estão presentes, entre outras, na Lei nº 8.213/1991, que dispõe sobre os planos de benefícios da Previdência Social; na Lei nº 8.112/1990, que trata do regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais; e na Lei nº 8.080/1990, que dispõe sobre as condições para a promoção, a proteção e a recuperação da saúde, e sobre a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes.
Além das disposições constitucionais pertinentes ao tema, o leitor encontra na obra três atos internacionais: o Convênio de Seguridade Social entre a República Federativa do Brasil e o Reino da Espanha, que, firmado em 1991, atualiza as normas convencionais que regulamentam as relações em matéria de Seguridade Social entre os dois países; a Convenção sobre a Inspeção do Trabalho de 1947, também conhecida como Convenção no 81 da OIT; e o Projeto de Convenção Concernente à Indenização das Moléstias Profissionais, de 1934, que obriga todos os membros da OIT a garantir às vítimas de moléstias profissionais uma indenização baseada nos princípios gerais da legislação nacional relativa à indenização dos acidentes de trabalho.
Mais de cinquenta das 112 páginas da obra reproduzem anexos do Decreto nº 3.048/1999, que aprovou o Regulamento da Previdência Social. Entre eles, destaca-se o Anexo II, que contém um vasto rol dos agentes patogênicos causadores de doenças profissionais e as modalidades de trabalho que apresentam riscos.
Baixe gratuitamente este livro em formato digital; AQUI.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

978 - Pulmões e plaquetas

O pulmão é um local de biogênese plaquetária e um reservatório para progenitores hematopoéticos
doi:10.1038/nature21706
As plaquetas são fragmentos celulares presentes no sangue críticos para a hemostasia, trombose e respostas inflamatórias, mas os eventos que levam à produção plaquetária madura permanecem incompletamente compreendidos.
A medula óssea tem sido proposta como um importante local de produção de plaquetas, embora haja evidência indireta de que os pulmões também podem contribuir para a biogênese plaquetária. Aqui, por imagem direta da microcirculação pulmonar em ratinhos, mostramos que um grande número de megacariócitos circulam pelos pulmões, onde libertam plaquetas dinamicamente.
Os megacariócitos que libertam plaquetas nos pulmões originam-se de locais extrapulmonares tais como a medula óssea. Observamos grandes megacariócitos migrando para fora do espaço da medula óssea. A contribuição dos pulmões para a biogênese plaquetária é substancial, representando aproximadamente 50% da produção total de plaquetas ou 10 milhões de plaquetas por hora. Além disso, identificamos populações de megacariócitos maduros e imaturos juntamente com progenitores hematopoiéticos nos espaços extravasculares dos pulmões.
Em condições de trombocitopenia e deficiência relativa de células estaminais na medula óssea, estes progenitores podem migrar para fora dos pulmões, repovoar a medula óssea, reconstituir completamente a contagem de plaquetas sanguíneas e contribuir para múltiplas linhagens hematopoiéticas. Estes resultados identificam os pulmões como um local primário de produção de plaquetas terminal e um órgão com considerável potencial hematopoiético.
http://www.nature.com/nature/journal/v544/n7648/full/nature21706.html

sexta-feira, 5 de maio de 2017

977 - Como funciona a pressão sanguínea

Um vídeo TED informativo sobre o funcionamento da pressão sanguínea, sugerido pelo colaborador Jaime Nogueira.
Para colocar neste vídeo as legendas em português, siga as dicas do TudoPorEmail.

terça-feira, 2 de maio de 2017

976 - O risco do suicídio em jovens

A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Associação Psiquiátrica da América Latina (APAL) e Conselho Federal de Medicina (CFM) vem a público se manifestar a respeito do risco de suicídio em jovens.
Nos últimos dias, "jogos" praticados por usuários da internet, os quais envolvem tarefas cujo ato final inclui a tentativa de suicídio (o jogo suicidário Baleia Azul, por exemplo), têm sido destaque na mídia e motivo de grande preocupação para pais, educadores e profissionais de saúde. No entanto, os acontecimentos atuais apenas trouxeram à luz um grave problema de saúde pública, ignorado por muitos, mas motivo de preocupação e trabalho contínuo da ABP e de suas federadas.
O suicídio, há anos, é a segunda causa de morte em jovens dos 15 aos 29 anos de idade. Em mulheres, é a principal causa de mortalidade na faixa etária dos 15 aos 19 anos. Apesar de ser o desfecho trágico de um conjunto de fatores – é equivocado e simplista associar o suicídio a uma única causa – estudos mostram que mais de 90% das vítimas apresentavam pelo menos um transtorno psiquiátrico, especialmente a depressão, considerada o principal fator de risco para o suicídio.
Embora faça parte da adolescência, a formação de grupos com símbolos e rituais em comum merece cuidado e atenção quando práticas abusivas e/ou danosas para si ou terceiros são compartilhadas. De fato, a participação do jovem nesses grupos, reais ou "virtuais", pode indicar uma vulnerabilidade prévia a atos impulsivos, além da presença de sintomas depressivos. Mudanças bruscas de comportamento, isolamento social e abandono de atividades prazerosas, tristeza persistente, alterações do sono e apetite, queda no rendimento escolar, lesões sem explicação aparente (sugerindo autoagressão) e mensagens que caracterizam desesperança, despedida ou com conteúdo de morte nas mídias sociais, são um sinal de alerta e não podem ser negligenciadas. Pais, escolas e profissionais de saúde devem estar atentos e capacitados para identificar as transformações que apontam para condutas de risco. É comum que esses adolescentes, fragilizados pela doença psiquiátrica, como depressão, transtorno de estresse pós-traumático ou abuso de substâncias, ao procurar na internet informações que o ajudem a entender o que estão sentindo, entrem em contato com conteúdo não apenas inadequado, como também criminoso. Especial atenção deve ser dada aos adolescentes que sofreram maus tratos na infância (incluindo negligência, abuso emocional e sexual), vítimas de bullying e violência, além daqueles que apresentem automutilação e, principalmente, história prévia de tentativa de suicídio. A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), a Associação Psiquiátrica da América Latina (APAL) e Conselho Federal de Medicina (CFM) orientam, tanto aos meios de comunicação, quanto à sociedade em geral, que quaisquer intenções de propagação de descrições pormenorizadas dos métodos utilizados pelas vítimas, bem como a divulgação de fatos e cenas chocantes, sejam substituídas por informações responsáveis, que reforcem e disseminem o conhecimento associado à prevenção do suicídio.
Em meio a todas essas notícias alarmantes, a ABP gostaria de passar uma mensagem de esperança: a grande maioria dos suicídios são evitáveis. Embora pensamentos de morte e de suicídio sejam relativamente frequentes em pessoas passando por problemas difíceis, a imensa maioria das pessoas encontra formas mais adequadas de lidar e superar os problemas. O enfrentamento dos problemas, a busca de apoio em familiares, amigos, grupos sociais como os religiosos e a procura de ajuda junto a profissionais de saúde estão entre as estratégias de um enfrentamento bem sucedido. Dentre as estratégias de prevenção, a identificação e o tratamento dos transtornos psiquiátricos são as mais eficazes. Nessa perspectiva, dois aspectos são fundamentais: 1) a disponibilidade de uma assistência integral à saúde mental, que envolva todos os níveis de atendimento, da atenção primária a leitos psiquiátricos de internação durante a crise para o atendimento de casos graves; 2) o combate ao estigma em relação aos transtornos psiquiátricos, certamente a principal barreira entre a desesperança causada pela doença e a busca por ajuda. Em relação ao combate ao estigma, é importante ressaltar: é uma ação vital, que está ao alcance de todo cidadão.
Reforçamos nosso compromisso perante a sociedade para auxiliar na disseminação do conhecimento e de estratégias eficazes para a prevenção do suicídio. Nesse sentido, recomendamos o manual elaborado pela ABP/CFM e dirigido à imprensa: "Comportamento suicida: conhecer para prevenir", da ABP.
Carmita Abdo, Antônio Geraldo da Silva e Carlos Vital - Presidente da ABP, Presidente eleito da APAL e Presidente do CFM
Grato a Fernando Gurgel Filho por trazer o assunto à lembrança.