sábado, 28 de agosto de 2010

208 - Escalpelamentos na Amazônia

O escalpelamento é o arrancamento brusco e acidental do escalpo humano. Pode acontecer por diversos agentes, dentre eles por motores de barcos. Nesta situação, o acidente ocorre quando a vítima (do sexo feminino, geralmente), ao se aproximar do motor, tem seus cabelos repentinamente puxados pelo eixo. A forte e ininterrupta rotação do motor faz enrolar os cabelos em torno do eixo, arrancando inexoravelmente todo ou parte do escalpo da vítima, inclusive orelhas, sobrancelhas e, por vezes, uma grande parte da pele do rosto e do pescoço, levando a deformações graves e até à morte.
É um problema recorrente na Amazônia brasileira. No período de 1974-75, em que trabalhei em Benjamin Constant - AM, no Alto Solimões, eu ouvia de colegas médicos formados em Manaus os relatos de tais acidentes e de como eram frequentes. Apesar de evitáveis (pela cobertura das partes móveis dos motores de barcos), esses acidentes continuam a acontecer, o que é extremamente lamentável.

O Dia Nacional de Combate e Prevenção ao Escalpelamento é 28 de agosto (hoje), conforme a Lei 12.199, sancionada a 14/01/10.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

207 - Piada de pneumologista

Uma paciente retorna a seu médico. É asmática e vem chiando com o resultado de seu tratamento.



Vídeo sugerido por Nelson Cunha

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

206 - Uma viagem [quase] até o Sol

A que distância alguém pode se aproximar do Sol sem ser por ele carbonizado?
Alessandra Calderin, do Popular Science, fez essa pergunta ao engenheiro da NASA Ralph McNutt. Eis a sua resposta:
A cerca de uns cinco milhões de quilômetros. O que pode parecer muito (ou pouco) mas, tendo em conta que a distância entre a Terra e o Sol é de uns 150 milhões de quilômetros, isso significa dizer que alguém, que tentasse ir para lá, viajando numa nave espacial, conseguiria aproveitar 97 por cento da viagem.

Numa tradução livre de How Close Could a Person Get to the Sun and Survive?, Neatorama.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

205 - Pica

Wang Xianjun, da província de Sichuan, China, tem o hábito de incluir lâmpadas em seus lanches. De acordo com o Diário do Povo, esse chinês de 54 anos já comeu até hoje cerca de 1.500 unidades.
"Quando ele tinha 12 anos, acidentalmente engoliu uma espinha de peixe, e seus pais ficaram muito preocupados. Para a surpresa de todos, Wang não sentiu nenhum desconforto. Então, por curiosidade, ele corajosamente engoliu um pedaço de vidro quebrado e não sentiu qualquer efeito adverso..."
No entanto, ele não come muitas lâmpadas diariamente. Às vezes, ele só come algumas lascas de um bulbo no café da manhã, e, no máximo, come uma lâmpada cada vez.


Mas Wang Xianjun é café pequeno diante do que o francês Michel Lotito costumava fazer. A respeito das proezas do francês, encontrei esta passagem em "Mesa farta para todos", de João Ubaldo Ribeiro, um artigo que foi republicado em "Releituras".
"Leio no Guinness que o francês Michel Lotito, nascido em 1950, come metal e vidro desde os 9 anos de idade. Um quilo por dia, quando está disposto. Informa-se ainda que, de 1966 para cá, ele já comeu dez bicicletas, um carrinho de supermercado, sete aparelhos de televisão, seis candelabros e um avião Cessna leve — este ingerido em Caracas, embora o livro não revele por quê. Sim, e comeu um caixão de defunto, com alça e tudo, a fim de garantir um lugar na História como o primeiro homem a ter um caixão de defunto por dentro, e não por fora."
Pessoas que consideram lâmpadas e bicicletas como iguarias são, em verdade, portadoras de um distúrbio psiquiátrico conhecido pelo termo PICA.

Bônus
"Pau de arara" (o comedor de gilete), de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, na voz de Ary Toledo.



(Recitado) "Foi aí que eu resolvi a comer gilete. Tinha um cumpadre meu lá de Quixeramobim que ganhou um dinheirão comendo gilete na praia de Copacabana. (...) Eu não sei não, mas eu acho que ele comeu tanta, mas tanta, que quando eu cheguei lá aquele pessoal todo já estava até com indigestão, de tanto ver o cabra comer gilete."

Publicado em EntreMentes

terça-feira, 24 de agosto de 2010

204 - A Super Noni

Retornando de Acarape, onde estivemos visitando tia Tatinha (que se encontra muito enferma), Germano parou o carro em Água Verde, num estabelecimento à beira da estrada. Sugestão de Sérgio. O irmão advogado queria que conhecêssemos os quitutes da casa.
Descemos do veículo. Anoitecia. Éramos ali cinco dos irmãos da família Gurgel Carlos: Luciano, Márcia, eu, além dos já citados Germano e Sérgio.
Enquanto aguardávamos ser atendidos com café, tapiocas e queijo assado, Sérgio nos mostrou uma estranha árvore que existia ao lado do estabelecimento. Era uma árvore de pequeno porte, carregada de frutas também estranhas. Afora Sérgio, jamais tínhamos visto um exemplar da espécie. Tratava-se da noni, uma planta cujas primeiras mudas vieram para o Brasil trazidas das Polinésias Francesas.
Até brinquei dizendo que o pintor Paul Gauguin, em sua temporada no Taiti, devia ter comido muito dessas frutas (além das nativas que ele retratava em suas telas).
Vendo o interesse do grupo pela noni, o dono da casa se apressou em nos dizer que tinha à venda o suco da fruta engarrafado. Não era ele quem o produzia. Pelo rótulo de uma das garrafas, constatei que o produto vinha de Tibau do Sul, Rio Grande no Norte, e que também apresentava algumas "propriedades medicinais". O rótulo não devia relacionar todas, já que o dono da casa, respaldado em sua experiência pessoal, cuidava de aumentar a lista dos benefícios da noni para a saúde.
Foi bom conhecer a noni. Mas não comprei daquele suco engarrafado. Médico que sou, preciso saber das evidências científicas antes de acreditar em qualquer remédio.

Aspectos legais e científicos
Em 2004, a FDA (Food and Drug Administration) dos Estados Unidos enviou uma carta de alerta à empresa Flora, Inc., devido às promoções desta no seu website sobre o sumo de noni (no Brasil, suco de noni), no contexto de vários testemunhos e reivindicações de estudos científicos. A FDA não aprovou, no que respeita a efeitos médicos ou terapêuticos, o sumo de noni e das substâncias a ela relacionadas. Na União Europeia, o sumo de noni está registrado como ingrediente alimentar e, segundo o documento dessa decisão, o comitê científico da alimentação humana, perante os dados que lhes foram fornecidos, concluiu que o sumo de noni não é superiormente benéfico para a saúde quando comparado a outros sumos de frutas.
Este registro como ingrediente alimentar é válido apenas para o sumo de noni, não abrangendo quaisquer outros produtos alimentares feitos a partir de noni. Portanto, é proibido, por lei, vender outros produtos alimentares feitos a partir desta planta e fruto. É também ilegal reivindicar qualquer efeito médico ou terapêutico, de qualquer produto derivado de noni na União Europeia, uma vez que não foram aprovados pelas autoridades competentes.
O significado legal da classificação de noni como suplemento dietético, deve-se ao fato de a classificação como remédio exigir a realização de estudos que mostram segurança e, principalmente, eficácia de um produto para o tratamento de alguma doença. É possível que com o tempo, princípios ativos sejam isolados do fruto e, que estes (como a xeronina, por exemplo), sejam testados para o tratamento de patologias, mas até o momento não há um número suficiente de estudos demonstrando eficácia no tratamento de patologias para as quais este sumo vem sendo recomendado. Estudos in vitro e em camundongos sugerem que o uso de componentes de noni possam ser úteis no tratamento de diversas patologias, mas esses dados ainda não podem ser transpostos para o uso clínico.

Publicado em Linha do Tempo

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

203 - O Centro de Estudos do Hospital de Messejana

Histórico
No ano de 1963, o corpo clínico do Hospital de Messejana, após considerar que a instituição necessitava de um órgão responsável pela promoção de eventos científicos, pelo aperfeiçoamento dos profissionais de saúde e por intercâmbios culturais, decidiu sobre a fundação de seu Centro de Estudos. E, na reunião em que se deliberou sobre a sua fundação, também foi aceita – por unanimidade – a proposta do nome do professor Manuel de Abreu para patrono do Centro de Estudos. Era a homenagem do corpo clínico deste hospital (na época, Sanatório de Messejana) ao ilustre médico brasileiro, o inventor da abreugrafia, o qual havia falecido no ano anterior.
Aos vinte e cinco dias do mês de maio do ano de 1965, aconteceu a sessão solene de instalação do Centro de Estudos Professor Manuel de Abreu. Com a tomada de posse da sua primeira diretoria: Dr. Carlos Alberto Studart Gomes – presidente (e também diretor deste hospital durante 39 anos), Dr. Trajano Augusto de Almeida – vice-presidente e Dr. Jorge Alberto de Abreu Matos – secretário.
Na década de 1970, com a progressiva transformação deste tisiosanatório, então administrado pela Previdência Social, em um hospital especializado em doenças do tórax, e com a ampliação de sua área de atuação para abranger as especialidades médicas da Pneumologia, Cirurgia Torácica, Cardiologia e Cirurgia Cardiovascular, o Centro de Estudos Manuel de Abreu, através de suas sucessivas diretorias, também cresceu e se diversificou em responsabilidades e realizações.
Com a cessão do hospital ao Governo do Estado do Ceará, o que ocorreu no início dos anos 90, esta instituição passou a integrar a rede hospitalar pública estadual. Nesta nova esfera de gestão, como se acha previsto no organograma da instituição, compete o exercício da presidência do Centro de Estudos ao chefe da Seção de Estudos e Aperfeiçoamento (SEAP), um cargo de indicação do diretor do Hospital de Messejana.
Presidentes
Dr. Carlos Alberto Studart Gomes – 1965 – 1968
Dr. Jorge Alberto de Abreu Matos – 1969
Dr. Alarico Leite – 1970
Dr. Trajano Augusto de Almeida – 1971
Dr. Amaury Teófilo Brasil – 1972
Dr. Eduardo Régis Monte Jucá – 1973 – 1974
Dr. Francisco de Paiva Freitas – 1975 - 1976
Dra. Márcia Alcântara Holanda – 1976 - 1977
Dr. Raimundo César Barbosa Gondim – 1977 - 1978
Dr. Fernando Freire Maia – 1978 – 1979
Dr. Emanuel de Carvalho Melo - 1980 - 1981
Dr. Sérgio Gomes de Matos – 1981 - 1982
Dr. Francisco Sampaio de Oliveira – 1983 – 1984
Dr. João Petrola de Melo Jorge - 1984 - 1985
Dr. José Augusto Araújo Rocha - 1985 - 1986
Dr. José Sábados Pereira Pontes - 1986 - 1987
Dr. Geraldo Madeira Sobrinho - 1988 - 1989
Dr. Francisco Waldeney Rolim - 1990 - 1991
Dra. Rosalinda Aparecida Famochi Camillo - 1991 - 1992
Dr. José Ronaldo Mont’Alverne - 1993 - 1995
Dr. Juvêncio Paiva Câmara Júnior – 1996 – 1998
Dr. José Milad Karbage – 1998 – 1999
Dr. Antonio Prudêncio de Almeida – 1999 – 2002
Dr. Paulo Gurgel Carlos da Silva – 2003 – 2006
Dra. Célia Maria Felix Cirino - 2007 - 2009
Dr. Filadélfo Rodrigues Filho - 2009 - 2010
Agradecimentos
A Vinício Firmeza e Elany Moreira, do Hospital de Messejana, que me repassaram alguns dados mais recentes para que eu completasse a relação acima.

domingo, 22 de agosto de 2010

202 - O orgasmo feminino

An apple a day keeps the doctor away.

Este provérbio inglês que recomenda consumir uma maçã diariamente para não vir a precisar de cuidados médicos é bastante antigo. Já se lia na edição de fevereiro de 1866 da revista Notes and Queries, por exemplo.
Com razão, as maçãs ajudam a manter a saúde. Contêm vitamina C, que é importante para o sistema imunológico, e fenóis que reduzem o colesterol. Diminuem a queda dos dentes ao mantê-los limpos e deixá-los menos sujeitos à ação das bactérias da cavidade oral. E pesquisadores da Cornell University também acreditam que a quercitina, encontrada nas maçãs, também protegem os neurônios de doenças degenerativas como o mal de Alzheimer.
Ainda sobre o provérbio: ele tem dado origem a algumas variantes. Uma delas a gente deve à Mae West:
An orgasm a day keeps the doctor away.
A norte-americana Mae West (1892-1980) foi atriz e um símbolo sexual. Tendo vivido 88 anos, parece que ela tinha razão.

Postagem recomendada
The Female Orgasm: by the Numbers

Publicado em EntreMentes

sábado, 21 de agosto de 2010

201 - E na contramão...

O assunto de hoje parece estar na contramão do que foi o de ontem. Mas...
Cientistas da Universidade de Manchester anunciam ter descoberto a fórmula para o aperto de mão perfeito. Após recentes estudos em que eles identificaram os doze fatores que exercem influência sobre ele. Veja três deles abaixo:
  • Vigor
  • Olho no olho
  • Temperatura da mão
Os cientistas também anotaram os problemas que mais comumente prejudicam um bom aperto de mão. Destacam-se:
  • Mão úmida
  • Pulso sem firmeza
  • Uma "pegada" muito forte
Ler + em Discovery News.

E glória ao professor Geoffrey Beattie, da Universidade de Manchester, que desenvolveu a fórmula para calcular o aperto de mão perfeito:


(e) is eye contact (1=none; 5=direct) 5; (ve) is verbal greeting (1=totally inappropriate; 5=totally appropriate) 5; (d) is Duchenne smile - smiling in eyes and mouth, plus symmetry on both sides of face, and slower offset (1=totally non-Duchenne smile (false smile); 5=totally Duchenne) 5; (cg) completeness of grip (1=very incomplete; 5=full) 5; (dr) is dryness of hand (1=damp; 5=dry) 4; (s) is strength (1= weak; 5=strong) 3; (p) is position of hand (1=back towards own body; 5=other person's bodily zone) 3; (vi) is vigour (1=too low/too high; 5=mid) 3; (t) is temperature of hands (1=too cold/too hot; 5=mid) 3; (te) is texture of hands (5=mid; 1=too rough/too smooth) 3; (c) is control (1=low; 5=high) 3; (du) is duration (1= brief; 5=long) 3.
Formula for the Perfect Handshake, Neatorama

- Alguém precisa chamar o Homer para uma conversa a respeito.


Publicado em EntreMentes

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

200 - O cumprimento saudável (2)

Nestes tempos gripais o que um brasileiro deve fazer para se proteger da doença?
Em nota aqui publicada, em 15/08/09 (há exato um ano), formulei essa pergunta. A seguir, dei como resposta, além das medidas sanitárias que estavam sendo recomendadas pelo Ministério da Saúde, uma proposta de um parlamentar.
Nessa proposta, ele recomendava a substituição do aperto de mão, estilo ocidental, pelo cumprimento indiano. Inspirado, possivelmente, no "Caminho das Índias", uma novela da Globo que vinha tendo grande audiência e cujos personagens indianos só se cumprimentavam à distância.
Mas... o sucesso alcançado pela novela não foi suficiente para fazer o namastê prosperar no Brasil.
Felizmente, alguém inventou um equipamento que permite que continuemos a nos cumprimentar à moda ocidental - e sem risco de pegar gripe.

Publicado em EntreMentes

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

199 - Tem remédio?

Para que tudo fique bem claro começarei do PRIMODIAN. VALDA (vê-la divina e graciosa no reclame ao lado) e eu, muito além daquele chavão de onde cabe um CAMBEM dois, juntos vivíamos. Éramos um casal PLENUM de amor. Como se a vida, em vez de um VALIUM de lágrimas, fosse apenas um CONMEL. TANTUM que nada abalava a nossa felicidade, nem mesmo uma rara e casual BRIDINA. E eu só podia GABAX quão afeiçoados um ao outro éramos. SIRBEN que, entre nós, a mútua renúncia não fosse a condição SINEQUAN para nada.
Mas, eis que um dia, numa praia de grande movimento, ela se decidiu por INOVAL. E, ante a um monte de olhares lascivos, fez um despudorado TOPLEXIL. Eu REAGIN, evidentemente (o que viria depois, o nu FRONTAL?). E, durante dias, lhe fiz um grande SERMION de advertência, sem que - detalhe CAP-TAL - ela se mostrasse uma MADALEN arrependida. Pois ficou em SILENCIUM, só ouvindo como se não fosse, DIABETAL, com ela a reprimenda.
Ah, eu devia ter entendido aquele seu MUTIL como um deixe ESTAC! Pois logo, logo ela partiu PARALON. SOBEE inclusive que foi para viver uma nova experiência, uma NOVARRUTINA. Não para abraçar o teatro BESEROL, mas porque lhe havia eu cansado a BELEXA. E que o UVILON disso tudo fora a minha incompreensão. Como se um homem INTAL situação não pudesse reagir, devesse SERTAL um desfibrado que tudo suporta calado.
Ora, não foi porque eu possuísse um humor LABEL, eu fiquei fulo porque ela DESOBESI-M. Ao armar COFASOL na praia, um lugar onde as pessoas de boa índole vão apenas FLANAX. Mas o importante é que hoje eu tento ser FORTEN, me libertar desse maldito COMPLEXO B. E procuro cair na REALAN, o que não é FA-CYL no transe em que me acho. Porém é preciso, antes que me venham ideias de DUOCIDE, já que desaprovo as soluções violentas. Por natureza, sou MANSIL de espírito e tenho de sobra o NOBRIUM sentimento do perdão.
É ESSEN o meu compromisso: quando um ser FEMINIL aprontar outra, haja o que houver, eu vou me conservar SERENIUM. TOTALENS. Isto é, pelo menos enquanto não VOLTAREN os meus incontroláveis ciúmes... PGCS

Crônica publicada em "O POVO - CULTURA", em 20/05/89, e no "Jornal da Associação Médica Brasileira - JAMB", em data incerta. Alguns dos remédios citados no texto não são mais produzidos pela indústria farmacêutica brasileira.

Assuntos relacionados: Tudo tem remédio, Benzetacil.

Publicado em EntreMentes

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

198 - O conselho 17

Pode um homem ter mais de uma esposa e não adquirir AIDS através do sexo?

Sim, se o homem não faz sexo com outras mulheres, além das esposas, e se nenhuma delas tem amante. Se um homem é fiel às esposas e estas a ele, durante toda a vida, a AIDS não tem como ser transmitida pelo sexo a alguém do grupo.
Mas, nas regiões da Uganda onde o homem pode ter sexo com a esposa do irmão, esse costume não é seguro. Porque ele não tem como saber se o irmão foi fiel à esposa e esta a seu irmão. Portanto, isto não é seguro, principalmente se o irmão tiver morrido de AIDS.
(tradução livre por PGCS)

Pode gostar de (re)ver:

Publicado em EntreMentes

terça-feira, 17 de agosto de 2010

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

196 - Piada de oculista

Noite alta, um oftalmologista, chegando de viagem, toma um táxi no aeroporto e pede ao motorista para levá-lo para casa.
No caminho, vê uma senhora, muito bem vestida, entrando uma boate. Reconhecendo a mulher, ele pede ao taxista que pare à porta da boate.
Tira do bolso um maço de notas e diz:
- Aqui estão dois mil reais. São seus se você tirar de dentro da boate aquela mulher vestida de vermelho que acaba de entrar. Mas vá tirando e cobrindo de porrada, sem contemplações, porque aquela desgraçada é minha esposa.
O taxista, que andava numa "dureza daquelas", aceita a proposta e entra na boate.
Cinco minutos depois, ele sai, arrastando uma mulher pelos cabelos, toda desgrenhada, e gritando com ela os maiores impropérios.
O senhor no táxi vê a cena e percebe, horrorizado, que a mulher está vestida de verde e sai correndo para alertar o taxista sobre o erro.
- Pare! Pare! O senhor errou. Como o senhor confundiu vermelho com verde? O senhor é discromata?
Ao que o taxista retruca:
- Discromata é o cacete! Esta é a minha mulher... E já volto lá pra pegar a sua!

Esta piada tinha de vir de um oftalmologista. No caso, ela foi enviada pelo oftalmologista Nelson Cunha, um grande colaborador do blogue. E discromata, se o leitor não sabe o que a palavra significa, é o portador de uma discromatopsia. Em sua forma mais comum, o discromata (ou daltônico) confunde o vermelho com verde. E não consegue ler o número que existe na gravura ao lado.
A consulta foi grátis. PGCS

Publicado em EntreMentes

domingo, 15 de agosto de 2010

195 - Abstrações

Nos campos de um microscópio, os germes da tuberculose apresentam-se, ao esfregaço do escarro corado pela técnica de Ziehl-Neelsen, como traços e vírgulas em meio a um emaranhado de trabéculas de fibrina e mucina. O que fez com que o pneumologista José Rosemberg comparasse uma cena microscópica do referido exame com uma tela abstrata (imagem abaixo) do pintor norte-americano Jack Pollock.


Publicado em EntreMentes

sábado, 14 de agosto de 2010

194 - Albert Camus

Albert Camus (Mondovi, 7 de novembro de 1913 — Le Petit-Villeblevin, 4 de janeiro de 1960) foi um escritor e filósofo francês nascido na Argélia. Em sua terra natal viveu sob o signo da guerra, fome e miséria, elementos que, aliados ao sol, formam alguns dos pilares que orientaram o desenvolvimento do pensamento do escritor.
O absurdo da existência humana se manifestou por diversas vezes na vida do escritor franco-argelino. Numa destas, quando concluiu seu doutoramento, Camus se viu impedido de ser professor por haver adoecido de tuberculose. Esta doença inclusive lhe deu a real dimensão da possibilidade cotidiana de morrer, o que foi fundamental no desenvolvimento de sua obra filosófica /literária.
A tuberculose também o impediu de continuar a praticar um esporte que tanto amava: o futebol. Camus era o goleiro da seleção universitária (conta-se que um bom goleiro). E o seu amor ao futebol seguiu-o durante toda a vida. Muito o impressionava a paixão do brasileiro pelo futebol. Por isso, ao visitar o Brasil em 1949, logo pediu que o levassem para assistir a uma partida de futebol.
Em 1957, Albert Camus recebeu o Prêmio Nobel de Literatura "pelo conjunto de sua obra que punha em evidência os problemas que surgem na consciência do homem moderno".

Ler algumas de suas frases mais conhecidas em EntreMentes.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

193 - O voo de Lévy

O matemático francés Paul Pierre Lévy estabeleceu um padrão matemático conhecido pelo poético nome de “voo de Lévy”. Para entender o padrão temos que imaginar uma gaivota que busca alimento.
Podemos imaginá-la na orla marítima, caçando caranguejos, e ali permanecendo durante horas. Até que a maré muda. Então, é possível que a gaivota vá a outro local em busca de mais alimento.
Este padrão de muitos voos curtos que se alternam com poucos voos compridos é o modo como, atualmente, se propagam as enfermidades entre as pessoas. Antes não era assím. Por exemplo, na Europa do século XIV, a peste não se propagava muito rapidamente, de uma cidade a outra, porque as pessoas não conseguiam se deslocar mais do que alguns quilômetros por dia. As pessoas apenas interagiam com aquelas que viviam nas proximidades.
Calcula-se que, naquele tempo, uma praga levava mais de 3 anos para se deslocar do sul da Europa às regiões setentrionais, a uma velocidade de 4 a 5 quilômetros por dia, tal como informa o estudo de S. Scott e C. Duncan, Biology of Plagues: Evidence from Historial Populations.
Agora comparemos essa forma de propagação com a de uma nova enfermidade, surgida em 2003, a pneumonia asiática ou Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS, em inglês). Devido a que as pessoas hoje em dia se deslocam muito mais, fazendo viagens de longas distâncias inclusive, e com isso aumentam a propagação dos agentes patógenos, é que se pôde comprovar o seguinte:
Um dos afetados pela epidemia de SARS transportou a infecção por quase 13.000 quilômetros (da China ao Canadá) em somente 24 horas. Sem dúvida um voo de Lévy de funestas consequências.

Traduzido de El vuelo de Lévy: cómo se transmiten actualmente las enfermedades, de Sergio Parra. In: GENCIENCIA

Publicado em EntreMentes

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

192 - Esculturas virais

Luke Jerram é um artista multidisciplinar e cientista amador da Universidade de Southampton, Inglaterra. Em sua galeria virtual, Infectious Beauty, ele exibe as imagens das esculturas que criou, em colaboração com uma equipe de sopradores de vidro, sobre as formas apresentadas por diferentes tipos de vírus.
O artista contou com a orientação do Dr. Andrew Davidson, virologista da Universidade de Bristol, Inglaterra, durante a realização de seu trabalho.
Através de suas esculturas, Luke Jerram revela a tensão entre o belo e o perigoso para a humanidade, qualidades existentes nesses microscópicos seres.

Vídeo


Documentário de uma peça (escultura do HIV)
sendo feita pelo soprador de vidro Kim George.

Nelson Cunha sugeriu este assunto.
Republicado de EntreMentes

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

191 - OlhO gOrdO

Circula pela internet, na categoria das curiosidades, a "informação" de que o olho humano é um órgão que não cresce após o nascimento. Assim, de recém-nato a adulto, os olhos de uma pessoa teriam, em situação de normalidade, as mesmas dimensões. Resolvi provocar o colega Nelson José Cunha, médico oftalmologista em João Monlevade - MG, sobre a veracidade disso. E o texto que ele me enviou é uma aula, além de ser bem divertido. Está sendo aqui publicado - com umas notas minhas no "rodapost".

Paulo,
O olho de um recém-nascido mede 16 mm (axial) e o de um adulto emétrope 23 mm (axial) . Talvez daí venha o mito de que o olho não cresce porque as outras dimensões do corpo aumentam muito mais. As razões do pequeno crescimento são: limitação imposta pela órbita, necessidade de ajustar o foco do mundo exterior à retina com o conjunto óptico córnea-cristalino que tem limites. Observe que, nos míopes axiais, o olho ao crescer meros 2 -3 mm ocasiona uma queda drástica da visão - mais de 90% de perda para longe. Hoje, medimos obrigatoriamente as dimensões dos olhos nos pacientes que vão se operar de catarata, porque faz parte da fórmula do poder dióptico da lente que vai ser colocada no lugar do cristalino. Vemos a extrema semelhança dimensional dos olhos das pessoas. Não importa se são altas e fortes ou pequenas e frágeis. O mesmo acontece com o pênis (1). Felizmente, a minha especialidade me poupa do constrangimento de ter que medi-los. Nos casos dos olhos e do pênis o tamanho do dedo não revela o gigante.
Notamos grandes diferenças no "tamanho" dos olhos entre as pessoas, mas isso decorre da posição dos olhos dentro das órbitas e não do seu tamanho real. Uma órbita profunda com pouca gordura retro-orbitária dá a impressão de olho pequeno. O inverso também acontece e simula um olho grande. Somos inclinados a achar um olho grande quando é maior a fenda palpebral e mais esclera fica visível.
Entre os animais notamos grande desproporção entre o tamanho dos olhos e as dimensões gerais, especialmente daqueles de hábitos noturnos, porque precisam de um elevado número de células retinianas (bastonetes). Há um lêmure em que o volume dos dois olhos é maior do que o restante da cabeça (2). Não me lembro do nome da espécie (2).
Nesse pequenino e agilíssimo animal, os olhos estão 80 % fora da órbita.
Olho grande é figura poética e o é de uma conhecida minha que matou meu limoeiro com uma simples olhada seguida de elogio (3).
Nelson
rOdapOst
(1) Aqui começa o processo de esvaziamento de outro mito, não é?
(2) Seria o Maurice (na imagem ao lado), um aye-aye do filme Madagascar? Ele é da família Daubentoniidae.
(3) Daí a importância, Nelson, de a gente sempre olhar a folha corrida das pessoas. Essa sua conhecida talvez já fosse, desde a época em que ela militava no Partido Verde, uma seca-pimenteira da marca maior. PGCS

Post scriptum
Paulo,
O lêmure é um tarsier. Há muitas referências sobre ele na net. Digite "tarsier skull" e verá o tamanho de suas órbitas com relação à cabeça.
Nelson


Publicado em EntreMentes

terça-feira, 10 de agosto de 2010

190 - Sobre a homeopatia

A homeopatia não funciona nos céticos
Estes, a fim de demonstrar a falta de efeito da homeopatia, já consumiram diante do público grandes quantidades de medicamentos homeopáticos. Alguns, como James Randi, Richard Saunders e Peter Bowditch consumiram caixas inteiras de pílulas homeopáticas para dormir no começo de suas palestras. E outros, como um grupo de céticos belgas, deram uma entrevista à imprensa, durante a qual tentaram cometer suicídio coletivo tomando diluições homeopáticas de veneno. Ninguém passou mal.
A homeopatia funciona nos crédulos
Como toda e qualquer crença.

Vídeo
O legendário cético James Randi toma em pleno palco 32 comprimidos de Calms Forte, uma medicação homeopática a que se atribui a propriedade de fazer dormir, e dá início a 17 minutos de fortes críticas e acusações às crenças irracionais.
Clique em “View Subtitles” e escolha “Portuguese (Brazil)” para ter acesso às legendas em nosso idioma.



Para ler mais
No blog: Lembram-se de Uri Geller?
Publicado em EntreMentes

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

189 - Malhando em água fria

A preocupação com a forma física não existe apenas nas pessoas.
No vídeo abaixo, você pode ver um simpático camarão correndo sobre uma esteira subaquática ao som de The Benny Hill Theme.



Publicado em EntreMentes

domingo, 8 de agosto de 2010

188 - "Dr. Auschwitz"

As "pesquisas" do médico nazista Josef Mengele foram abomináveis. Em sua obsessão para conhecer os segredos que pudessem aumentar as taxas de natalidade da "raça ariana", ele realizava suas "experiências" em crianças gêmeas, principalmente.
In anima nobile - e sempre sem anestesia - ele comandou no campo de concentração de Auschwitz a prática de inúmeras atrocidades pseudocientíficas, tais como:
extração de fragmentos ósseos, produção artificial de xipófagos (irmãos siameses), injeção de produtos químicos nos olhos (para lhes mudar a cor), transfusões de sangue, infecções e submersões em água gelada (para testar a resistência), remoção de órgãos, castrações, amputações e promoção de gravidezes incestuosas.
Dos aproximadamente três mil gêmeos que passaram por suas mãos, apenas 26 sobreviveram. Mengele correspondeu de fato ao epíteto de "Anjo da Morte".
Após a guerra, ele se refugiou na América do Sul, onde viveu na clandestinidade e (aparentemente) sem remorsos o resto de sua vida. Morreu por afogamento acidental em Bertioga, no litoral paulista, aos 68 anos.

Publicado em EntreMentes

sábado, 7 de agosto de 2010

187 - Filatelia Médica

O médico do trabalho e neurologista Élvio Armando Tuoto edita, desde 2007, o Filatelia Médica. Como o nome indica, é um blogsite que apresenta imagens de selos postais relacionados à medicina: personalidades, descobertas, eventos e instituições médicas. E Dr. Élvio torna mais proveitosa a visita ao blog, incluindo informações históricas em suas postagens.
Após uma visita geral ao Filatelia Médica, retornei para dar uma atenção especial a estes tópicos: tuberculose, Robert Koch (médico alemão que descobriu os bacilos da tuberculose e da cólera), Calmette (médico francês que, trabalhando com Guérin, criou a vacina BCG) e Cruz de Lorena.


A Cruz de Lorena (na figura ao lado) é uma cruz com dois braços transversais. Foi adotada, a partir de 1902, como símbolo internacional da "cruzada" contra a tuberculose, por sugestão do médico francês Gilbert Sersiron. A escolha dessa insígnia inspirou-se na cruz usada pelo Duque Godofredo de Bouillon, da região de Lorena, por ocasião da Primeira Cruzada para Jerusalém.

Publicado em EntreMentes


Post scriptum
Transcrevo este comentário de Marcelo Gurgel:
Caro Paulo,
Vale lembrar que o pneumologista José Rosemberg era filatelista, possuindo uma rica e inigualável coleção de selos relacionada à tuberculose, que ficou sob à custódia da sua viúva Ana Margarida.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

186 - Ciência x pseudociência

Confunde-se o ceticismo com a atitude de não acreditar em nada. É falso. Todos nós temos o direito e, às vezes, a necessidade de acreditar em algo. Mas é no ceticismo onde está a ferramenta mais eficaz para separar a pseudociência (o joio) da ciência (do trigo).

1. Enquanto o pensamento pseudocientífico estabelece esquemas estáticos, o pensamento científico encontra-se aberto a conflitos cognitivos. Isto quer dizer que a ciência, mediante conflitos conceituais e revoluções científicas, evolui sempre.

2. Nesta linha de conduta, a pseudociência não aceita fatos que sejam contrários a seus princípios. Já a ciência busca essas anomalias, as quais inclusive podem trazer revoluções científicas que ampliem o seu campo de estudo.

3. A pseudociência se cerca de mistérios sem explicá-los com razoabilidade. A ciência, que não os busca, analisa-os. Observar que um mistério, ao ter a causa explicada, passa ao plano da ciência e deixa de interessar à pseudociência.

4. A pseudociência não se atualiza ao longo dos tempos, é anacrônica. E aqui novamente aparece a ideia do progresso como sendo um dos motores da ciência.

5. A pseudociência recorre a explicações esotéricas ligadas a forças estranhas e indetectáveis. A ciência busca as explicações de acordo com os resultados de suas experiências.

6. As hipóteses pseudocientíficas não podem falhar, o que pode acontecer comumente no argumento científico.

7. Os estudos pseudocientíficos oferecem apenas relatos isolados. A ciência busca a reprodutibilidade dos fenômenos e, até que ela aconteça, não pode emitir hipóteses plausíveis e, muito menos, teorias e leis.

8. A pseudociência permanece no século XVII: pretende dar como certo um argumento porque uma pessoa "importante" o emitiu. A ciência trabalha através da contínua contestação e o argumento de uma autoridade não é um critério científico.

de Eugenio Manuel. In: Ciencia en el XXI

Publicado em EntreMentes

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

185 - Farmácia Popular do Brasil

Em junho de 2004, com o objetivo de levar medicamentos essenciais a baixo custo para a população brasileira, o Governo Federal criou o Programa Farmácia Popular do Brasil. É um Programa que atua sobre dois eixos de ação: as UNIDADES PRÓPRIAS, que são desenvolvidas em parceria com Municípios e Estados, e o SISTEMA DE COPAGAMENTO, desenvolvido em parceria com farmácias e drogarias privadas.
As UNIDADES PRÓPRIAS são operacionalizadas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que coordena a sua estruturação, executa a compra dos medicamentos, abastece as unidades e capacita seus profissionais. Contam estas unidades, atualmente, com um elenco de 107 medicamentos mais o preservativo masculino, os quais, sendo dispensados pelo valor de custo, apresentam uma redução de até 90 por cento em seus preços. A única condição para a aquisição dos medicamentos disponíveis nas unidades, neste caso, é a apresentação de receita médica ou odontológica. De 27 unidades próprias, que foram implantadas em 2004, a quantidade delas cresceu para 510 (dados de março de 2010).
Já no SISTEMA DE COPAGAMENTO, o Governo paga uma parte do valor dos medicamentos e o cidadão complementa o restante. O valor pago pelo Governo é fixo. Por esse motivo, o cidadão pode pagar menos para alguns medicamentos do que para outros, de acordo com a marca e o preço praticado pela farmácia. Mas, em geral, a população pode pagar até um décimo do preço de mercado do medicamento. Para ter acesso a essa economia, basta que a pessoa procure uma drogaria com a marca “Aqui tem Farmácia Popular” e apresente a receita médica acompanhada do seu CPF e documento com foto. Há 11.832 empresas credenciadas (dados de março de 2010) em todo o território nacional.

Saiba onde encontrar uma das unidades da rede própria da Farmácia Popular em seu Estado.

Publicado em EntreMentes

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

184 - O mais eficiente firewall do mundo

Uma célula humana contém 75 MB de informação genética.
Um espermatozóide contém a metade dessa informação, isto é, 37,5 MB.
Um mililitro de sêmen contém 100 milhões de espermatozóides.
Em média, a ejaculação tem a duração de 5 segundos e contém 2,25 mililitros de sêmen.
Portanto, a taxa de transferência que o homem apresenta é igual a 37,5 MB x 100.000.000 x 2,25 / 5 = 1.687.500.000.000.000 bytes por segundo = 1.687 terabytes por segundo.
Resistindo a um ataque de 1,5 TB por segundo e só deixando passar um pequeno pacote de dados, dispõe a mulher do mais eficiente firewall do mundo.
Só que este pequeno pacote de dados que ela deixa passar trava o sistema para o conjunto por 9 meses!
Publicado em EntreMentes

terça-feira, 3 de agosto de 2010

183 - A doença dos caçadores de tatus

Na sessão do Serviço de Pneumologia do Hospital de Messejana, realizada em 14/11/06, o colega Fabrício Costa apresentou 2 casos clínicos semelhantes com o mesmo diagnóstico. Em comum o fato de os portadores da doença, ambos procedentes do município de Aiuaba - CE, serem praticantes da caça de tatus. Procurados como fonte alimentar, os tatus são perseguidos em suas tocas pelos caçadores que, para capturar esses animais, também precisam de cavar. Nesse procedimento, poeiras que contêm grandes quantidades de fungos são levantadas do chão e inaladas pelos caçadores. Os fungos, que são da espécie Coccidioides immitis, o agente causal da coccidioidomicose - a doença que esses dois pacientes apresentavam - e que se mostram abundantes em certos tipos de solo. Notadamente naqueles que são encontrados nas regiões semi-áridas.
A coccidioidomicose, que é uma doença endêmica em regiões dos Estados Unidos, México e América Central, há cerca de 30 anos também começou a ser descrita no Brasil. Na Bahia, no Piauí e no Ceará, distribuída em casos isolados ou em pequenos surtos, e quase sempre relacionada com a atividade de caçar tatus. No Ceará, os casos foram registrados em Crato (1), Aiuaba (4) e Boa Viagem(1). O deste último município, que foi também acompanhado pelo Fabrício Costa no Hospital de Messejana, em que houve a evolução para o óbito, recebeu publicação em 2000, no Jornal de Pneumologia.
No XXXIII Congresso Nacional de Pneumologia e Tisiologia, acontecido recentemente em Fortaleza, tive a oportunidade de conversar com Antônio de Deus Filho, emérito pneumologista de Teresina - PI, responsável pela descoberta da relação da silicose com a ocupação de cavar poços. E ouvir dele a informação sobre a ocorrência no Piauí de dezenas de casos de coccidioidomicose em caçadores de tatus. Com a oportuna conclusão de que revolver terras, em perfuração de poços ou na captura de tatus, é um ato de duplo risco: para silicose e para coccidioidomicose. Por isso, o pneumologista nordestino esteja sempre preparado para lidar com as duas enfermidades, inclusive quando associadas.



Publicado em EntreMentes

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

182 - Bulas




NOVE ENTRE DEZ
BULAS DE REMÉDIOS
SÃO OTIMISTAS. PGCS

Publicado em EntreMentes

domingo, 1 de agosto de 2010

181 - Surpresa evolucionária

Um grupo de cientistas liderado por Keizo Tomonaga, da Universidade de Ozaka, identificou um tipo de vírus que, por volta de 40 milhões de anos atrás, deixou incorporado o seu código genético ao DNA humano. O código deste vírus, um bornavirus, que causa uma forma de esquizofrenia, pode ser transmitido de geração em geração, por estar situado no núcleo celular (no qual preenche 8% do código genético humano) .
A assimilação da sequência viral pelo genoma de um hospedeiro é um processo conhecido pelo nome de endogenização. Ocorre sempre que um DNA viral passa a integrar um dos cromossomas das células reprodutoras e, subsequentemente, pode ser transmitido para a descendência do hospedeiro. Anteriormente, sabia-se que os retrovírus tinham essa propriedade de criar cópias endogênicas nas células dos animais vertebrados. Agora, já se tem o conhecimento de que outras espécies de vírus, como os bornavírus, podem fazer o mesmo.
O bornavírus tem esta designação retirada do nome da cidade de Borna (Alemanha), onde uma epidemia pelo vírus aniquilou, em 1885, um grande número de cavalos. Além do homem e do cavalo, este vírus neurotrópico infecta outros mamíferos e muitas espécies de pássaros.


Comentário
Caso não seja suscetível a crises existenciais, leia também neste blog a nota Você e as bactérias.

Publicado em EntreMentes