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quinta-feira, 12 de março de 2026

1458 - Imunidade de rebanho

Quando alguém é vacinado, é muito provável que esteja protegido contra a doença alvo. Mas nem todos podem ser vacinados. Pessoas com problemas de saúde preexistentes que enfraquecem o sistema imunológico (como câncer ou HIV) ou que têm alergias graves a alguns componentes da vacina podem não ser elegíveis para determinadas vacinas. Essas pessoas ainda podem estar protegidas se viverem em contato com outras que estejam vacinadas.

Quando muitas pessoas em uma comunidade são vacinadas, o patógeno tem dificuldade em circular porque a maioria das pessoas com quem entra em contato está imune. Portanto, quanto mais pessoas forem vacinadas, menor a probabilidade de pessoas que não podem ser protegidas pelas vacinas correrem o risco de serem expostas a patógenos nocivos. Isso é chamado de imunidade de rebanho.

Isso é especialmente importante para as pessoas que não só não podem ser vacinadas, como também podem ser mais suscetíveis às doenças contra as quais nos vacinamos. Nenhuma vacina isolada oferece 100% de proteção, e a imunidade coletiva não garante proteção total àqueles que não podem ser vacinados com segurança. Mas, com a imunidade coletiva, essas pessoas terão uma proteção substancial, graças à vacinação daqueles ao seu redor.

A vacinação não só protege você, como também protege aqueles na comunidade que não podem ser vacinados. Se você puder, vacine-se.

https://www.who.int/news-room/feature-stories/detail/how-do-vaccines-work

Agência Brasil - A pneumologista e pesquisadora Margareth Dalcolmo (foto), da Fundação Oswaldo Cruz, recebeu nesta sexta-feira (13) a medalha de mérito Oswaldo Cruz, honraria concedida pela Presidência da República a personalidades e iniciativas que tenham contribuído com o bem-estar e a saúde física e mental dos brasileiros. Enfrentando os discursos negacionistas, Margareth Dalcolmo se tornou uma das principais vozes de orientação durante a pandemia de Covid-19. Desde o início da emergência sanitária, a pesquisadora da Fiocruz fez alertas sobre a importância das medidas de isolamento e em defesa da vacinação. A concessão oficial da medalha foi feita em setembro de 2024, mas a pesquisadora não pode participar da cerimônia em Brasília. Por isso, recebeu a medalha, das mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante um evento no Hospital do Andaraí, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A saudação da homenageada foi proferida pela ex-ministra da Saúde Nísia Trindade, colega de Margaret na Fiocruz e que presidiu a instituição durante a pandemia.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

1443 - A vacina que previne bronquiolite em bebês

O Ministério da Saúde anunciou que mulheres grávidas poderão receber a partir de dezembro a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), principal causador de bronquiolite em bebês. O imunizante será oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a gestantes a partir da 28ª semana da gestação.
O primeiro lote já começou a ser distribuído aos estados. A orientação do ministério é que, com a chegada das doses às unidades básicas de saúde (UBS), as equipes verifiquem e atualizem a situação vacinal de gestantes, incluindo ainda a imunização contra a covid-19 e a influenza, já que a vacina contra o VSR pode ser administrada junto a outras doses.
Como funciona a vacina?
A bronquiolite é causada principalmente por infecções virais, sendo o VSR o agente infeccioso mais comum. Acomete principalmente crianças menores de 2 anos, causando dificuldade para respirar, febre e tosse.
A vacina que será oferecida às gestantes oferece proteção imediata a recém-nascidos, reduzindo a necessidade de hospitalizações quando os bebês são infectados pelo vírus sincicial.
De acordo com estudos, a vacinação materna demonstrou uma eficácia de 81,8% na prevenção de doenças respiratórias graves causadas pelo VSR nos bebês durante os primeiros 90 dias após o nascimento.
Quem pode se vacinar?
Todas as gestantes, a partir da 28ª semana de gravidez. Não há restrição de idade para a mãe. A recomendação é tomar dose única a cada nova gestação.
Bronquiolite
O vírus sincicial respiratório é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e por 40% dos casos de pneumonia entre crianças com até 2 anos.
De acordo com o ministério, o Brasil registrou 43,1 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causados por VSR em 2025, considerando dados até 15 de novembro. Desse total, 82,5% foi registrado em menores de 2 anos.
Como a maioria dos casos é provocado por infecção viral, não há tratamento específico para bronquiolite. O manejo é feito apenas com base no tratamento de sinais e sintomas e incluem terapia de suporte, suplementação de oxigênio, hidratação e uso de broncodilatadores, sobretudo quando há chiado evidente.
https://agenciabrasil.ebc.com.br/

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

1433 - Uma história de logística

Jonas Salk desenvolveu a primeira vacina contra a poliomielite bem-sucedida e recebe a maior parte do crédito por derrotar a doença. Mas ele foi uma das dezenas de equipes nos EUA que trabalharam nesse problema na década de 1950. A vacina de Salk continha o vírus da poliomielite que havia sido inativado (morto) e era administrado por injeção. Pouco tempo depois, Albert Sabin criou uma vacina oral que usava o vírus vivo da poliomielite, porém enfraquecido, que agia através dos intestinos, onde a poliomielite selvagem ataca primeiro. Então, como levar a vacina a milhões de americanos rapidamente? Na década de 1950, tinham seringas descartáveis, mas elas não eram comuns e certamente eles não tinham milhões delas. Seringas comuns eram dolorosas e precisavam ser esterilizadas após cada uso. Colocar a vacina oral em um cubo de açúcar e administrá-la a todos era uma tarefa enorme, mas funcionava.
"Minha escola fazia fila com todos os alunos e nos levava ao auditório duas ou três vezes por ano para sermos vacinados contra alguma coisa. Sempre esperávamos que fosse o cubo de açúcar, é claro. Três cubos de açúcar misturados com a vacina contra a poliomielite, ao longo do tempo, dariam imunidade vitalícia, e isso significava muito para todos nós, já que conhecíamos alunos mais velhos que mancavam ou tinham uma perna mais curta por causa da poliomielite. Não conhecíamos aqueles que não sobreviveram."
Phil Edwards nos conta o processo de desenvolvimento da vacina e os enormes problemas logísticos para distribuí-la a um número suficiente de pessoas para derrotar a doença.
P.S. Há um anúncio de 110 segundos no vídeo, que pode ser pulado nos 3:55.

quinta-feira, 3 de julho de 2025

1420 - Herpes-zóster

O herpes-zóster é uma doença infecciosa causada pelo vírus varicela-zóster - o mesmo responsável pela catapora. Geralmente adquirido na infância - momento em que a maioria dos brasileiros manifesta as feridas clássicas e o prurido da catapora -, ele pode ficar dormente por anos no organismo humano e "acordar" a qualquer fase da vida. Quando desperta, o vírus faz surgir dolorosas vesículas no corpo.
"O vírus fica alojado em gânglios nas regiões do tórax ou do abdômen e um dia, por causa da queda da imunidade ou por que a pessoa está mais velha, ele aparece como herpes-zoster", explica Maisa Kairalla, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.
Embora tenham o mesmo nome, herpes e herpes-zóster são doenças totalmente distintas. A primeira é provocada pelo germe HSV-1, enquanto a segunda é resultado da ação do vírus da varicela/catapora.
A doença é mais comum após os 50 anos. O estresse, diz a médica, é um dos fatores que vem mudando o perfil daqueles afetados pela infecção, fazendo a doença aparecer mais cedo.
Tudo o que diminui a imunidade pode levar ao herpes-zoster. O estresse acorda o vírus."
Tratamento
O tratamento envolve medicamentos antivirais e analgésicos e, quanto mais cedo o paciente buscar o hospital, maiores as chances de sucesso. O princípio ativo utilizado para conter a herpes-zoster, o aciclovir, evita a expansão das lesões, mas só tem efeito se tomado até 72 horas após o aparecimento dos sintomas. Por isso, rapidez na busca de ajuda é essencial.
Prevenção
A única forma de prevenir o herpes-zóster é por meio da vacina em adultos (em geral administrada após os 50 anos). No Brasil, a mais usada é a Shingrix, produzida pela GlaxoSmithKline (GSK). Promete uma eficácia de 90% contra a doença, além de evitar a ocorrência da neuralgia pós-herpética. A vacina está disponível apenas na rede privada e custa, em média, 1 mil reais por dose. São administradas duas doses com o intervalo de 60 dias.

Vacina contra herpes zoster pode reduzir risco de Alzheimer e demência, apontam estudos com mais de 500 mil participantes. Marcelo Valadares, neurocirurgião da Unicamp comenta achados promissores para a prevenção das condições e reforça a importância da cautela diante de dados ainda preliminares. Via Press Manager (releases@releases.pressmanager.com.br)

quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

1397 - Vírus Sincicial Respiratório

O vírus sincicial respiratório (VSR) é um ortopneumovírus que pertence à família Pneumoviridae, existindo nos subgrupos A e B. Suas proteínas de ligação (G) e de fusão (F) são essenciais para a infectividade do vírus, sendo a proteína F o principal alvo para vacinas e anticorpos devido à sua alta conservação entre os subgrupos e eficácia na indução de anticorpos neutralizantes.
O VSR impacta significativamente tanto em crianças, causando bronquiolite, quanto em adultos, especialmente idosos e pessoas com comorbidades, podendo levar a infecções graves do trato respiratório inferior, exacerbações de doenças crônicas, hospitalizações e até óbito.
Os resultados de um estudo demonstram que o VSR é uma causa importante de síndrome respiratória grave em indivíduos com 60 anos ou mais. Algumas informações de destaque no estudo são: 5,7 por cento dos casos foram em pessoas com idade de 60 anos ou mais, porém este subgrupo representou 48 por cento de todos os óbitos notificados por SRA-VSR.
Portanto, o estudo destaca a necessidade de aumentar a conscientização sobre a importância do VSR em indivíduos mais velhos, especialmente à medida que as vacinas para prevenção da doença de trato respiratório causada pelo VSR estão se tornando disponíveis.
Informativo GSK por e-mail.

quarta-feira, 8 de março de 2023

1298 - O Museu da Vacina

A cidade de São Paulo ganha hoje (8) o primeiro museu da América Latina dedicado exclusivamente à vacina. Este equipamento cultural faz parte do Parque da Ciência, do Instituto Butantan, e constitui um espaço interativo onde se explica como os imunizantes foram desenvolvidos, ao longo dos anos, e  qual a importância deles para a humanidade.
No espaço, os visitantes poderão conhecer, de forma cronológica, a evolução da ciência no desenvolvimento das vacinas.
A ideia do Museu da Vacina nasceu em 2018 e sofreu atrasos em sua execução por conta da pandemia. Ele foi construído na Casa Rosa (foto), prédio que foi a primeira sede da Fazenda Butantan.
Serviço
Onde fica: Instituto Butantan, na Avenida Vital Brasil, 1.500 - São Paulo (SP)
Funcionamento: terça a domingo, das 9h às 16h45
Ingressos: R$6 adultos; R$2,50 estudantes; crianças até 7 anos, idosos e alunos de escolas públicas em grupo agendado e pessoas com deficiência não pagam.

quinta-feira, 24 de março de 2022

1248 - Imunogenicidade e segurança da vacina da chikungunya

A chikungunya é uma doença infecciosa causada pelo vírus de mesmo nome que pode ser transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus (mesmos mosquitos que transmitem a dengue e a febre amarela, respectivamente). Os sintomas incluem febre acima de 38,5°C, de início repentino, e dores intensas nas articulações dos pés e mãos, além de dor de cabeça, nos músculos e manchas vermelhas na pele. Cerca de 30% dos casos são assintomáticos.
A circulação do vírus foi identificada no Brasil pela primeira vez em 2014 e ele já está presente em mais de 120 países. Como a transmissão ocorre por mosquitos, é fundamental reforçar as medidas de eliminação dos criadouros de mosquitos nas residências. As recomendações são as mesmas aplicadas à prevenção da dengue.
Imunizante desenvolvido por farmacêutica parceira do Butantan
Os resultados finais do ensaio clínico de fase 3 da vacina contra a chikungunya (VLA1553), desenvolvida em parceria entre o Instituto Butantan e a empresa de biotecnologia franco-austríaca Valneva, mostraram que a imunogenicidade alcançada após a vacinação permaneceu por ao menos seis meses, com manutenção da produção de anticorpos durante esse período em 96,3% dos indivíduos avaliados. Além disso, o imunizante é seguro e causa reações adversas mínimas
Resumo de nota publicada pelo Instituto Butantan em 15/03/2022.
Arquivo Nova Acta


quinta-feira, 3 de março de 2022

1245 - Os efeitos maravilhosos da nova inoculação

O criador da primeira vacina, contra a varíola, foi Edward Jenner. Naquela época, as pessoas tinham pavor da vacina porque corria o boato de que alguns vacinados haviam se transformado por inteiro em gado leiteiro, em outros apareceram chifres e, nos casos menos dramáticos, um rabo havia crescido.
O britânico James Gillray ilustrou os “efeitos adversos da vacina” numa gravura satírica:
Gillray, 1802. Acervo da Biblioteca Nacional de Medicina (Bethesda)
Resumo:
Em uma sala lotada, um médico (Jenner) se prepara para vacinar uma jovem sentada em uma cadeira; a cena é um caos, com vários ex-pacientes demonstrando os efeitos adversos da vacina com vacas brotando de várias partes de seus corpos.

quinta-feira, 8 de abril de 2021

1197 - Vacinação pode ter evitado 2.ª onda da Covid-19 em profissionais da saúde no Ceará

Levantamento realizado pela Escola de Saúde Pública do Ceará Paulo Marcelo Martins Rodrigues (ESP/CE), vinculada à Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), aponta uma relação direta entre a vacinação e a diminuição do número de casos de Covid-19 entre profissionais de saúde cearenses. A leitura dos dados indica que a imunização seria um dos possíveis fatores responsáveis por evitar os efeitos de uma segunda onda da doença neste grupo.
A análise dos indicadores foi feita considerando as informações da plataforma IntegraSUS. A cientista de dados da ESP/CE, Camila Colares, ficou encarregada de gerar um gráfico baseado nos resultados percebidos no comparativo das curvas de contágio entre a população em geral e profissionais de saúde do Ceará.
Ela explica que, no período referente à primeira onda da Covid-19 no Estado, principalmente entre abril e junho de 2020, houve aumento paralelo dos casos registrados em trabalhadores da saúde e de outros grupos da sociedade.Entretanto, analisando os indicadores de janeiro a março de 2021, nota-se que as curvas dos dois grupos adotam comportamentos distintos. "Enquanto a curva da população geral indica a ocorrência da segunda onda de Covid-19, a dos profissionais de saúde permanece estável", argumenta a cientista.
O cientista-chefe da Saúde do Ceará, José Xavier Neto, ressaltou a eficácia da vacinação como um possível resultado que impactou diretamente na imunização dos profissionais de saúde e na consequente diminuição dos números de trabalhadores infectados. "Isso significa que a vacina funciona e, quanto mais pessoas forem vacinadas, mais indivíduos protegidos teremos".
O consultor em infectologia da ESP/CE, Keny Colares, associa a celeridade no processo de imunização desse grupo também aos planos de operacionalização da vacinação, tanto na escala municipal quanto na estadual. "O gráfico mostra uma mudança na curva bem interessante e é um dado ilustrativo dos primeiros benefícios da vacinação, já que essa população dos profissionais de saúde tem tido acesso à vacinação mais rapidamente", afirma.
http://www.esp.ce.gov.br/2021/04/05/vacinacao

quinta-feira, 1 de abril de 2021

1196 - Covid-19: o que muda depois que eu tomar a vacina?

Prof. Julio Abreu, médico e Doutor em Pneumologia:

Eula Biss:
1 - Se imaginarmos a ação de uma vacina não apenas em termos de como ela afeta um único corpo, mas também em termos de como ela afeta o corpo coletivo de uma comunidade, é justo pensar na vacinação como uma espécie de banco de imunidade.
2 - As contribuições para este banco são doações para aqueles que não podem ou não serão protegidos por sua própria imunidade. Este é o princípio da imunidade de rebanho, e é por meio desta que a vacinação em massa se torna muito mais eficaz do que a vacinação individual.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

1179 - Monumento a Jupille





Em 1885, Jean Baptiste Jupille, de 15 anos, foi severamente mordido enquanto matava com as próprias mãos um cão raivoso para proteger cinco outros jovens pastores em Villers-Farley, França.
--- Monumento a Jupille (escultura de d'Athanase Fossé, Wikimedia Commons)

Ele teve a sorte de ser levado ao laboratório de Louis Pasteur onde se tornou a segunda pessoa a ser tratada pela vacina experimental contra a raiva. Emile Roux, o colaborador de Pasteur, havia atenuado o poder da infecção viral expondo ao ar seco e estéril tiras de medula espinhal retirada de um coelho morto pela raiva. A vacina era um pequeno pedaço de medula triturada e suspensa em caldo esterilizado. Fora usada pela primeira vez em Joseph Meister, em 6 de julho de 1885.

Em 12 de abril de 1886, 726 pessoas já haviam sido tratadas por esta vacina.

quinta-feira, 21 de maio de 2020

1150 - A vacina BCG e o acidente de Lübeck

A vacinação intradérmica com o BCG (Bacilo de Calmetti-Guérin) é uma medida importante no controle da tuberculose. Introduzida em 1921, esta vacina teve uma trajetória tortuosa e controvertida condicionada a diversos fatos, dos quais os mais importantes são:
  • O acidente de Lübeck (Alemanha), em 1930, quando, de 251 crianças vacinadas por via oral, 77 faleceram de tuberculose no primeiro ano e outras desenvolveram processos que se tornaram crónicos. Na verdade, após exaustivas investigações, ficou demonstrado que a vacina usada foi contaminada por germes da tuberculose e as crianças receberam, por engano, emulsões contendo um terço de BCG e dois terços de micobactérias causadoras da tuberculose.
  • Diversos estudos sobre a proteção da vacina, realizados nas décadas de 50 e 60, mostraram uma proteção diferente, variando entre 80 a 0%. A criteriosa análise destes estudos mostrou que as diferenças estavam relacionadas à potência das vacinas usadas (principalmente nas que deram baixa ou nenhuma proteção); a presença nas regiões estudadas de micobactérias não tuberculosas que estimulariam nas pessoas defesas cruzadas com a vacinação BCG; diferenças de técnicas de aplicação da vacina (o uso de injecções intradérmicas é superior ao de aplicações por multipuntura); e erros de metodologia do estudo.
  • Os resultados do estudo em Chingleput, na Índia, em que se comparou a vacina BCG contra "placebo", realizado exatamente para reavaliar as controvérsias anteriores, mostrou uma proteção nula no primeiro relatório, após 7 anos e meio. A última avaliação, entretanto, com 15 anos de observação, revelou fatos inesperados, com uma protecção média de 17%, sendo de 45% nos primeiros 5 anos e de 16% nos 5 anos seguintes entre os vacinados abaixo de 15 anos. A proteção para a população acima de 15 anos continuou a ser nula. A particularidade desta região, além da presença de micobactérias não tuberculosas, é de apresentar uma variedade do bacilo da tuberculose (variedade Sul-Índia), de baixa virulência, que provoca adoecimento tardio, portanto a proteção vacinal observada também deve ser tardia.
Com os estudos acumulados sobre a vacina BCG, podemos afirmar que ela protege o adoecimento imediatamente após a infecção tuberculosa (tuberculose de primo-infecção ou primária), sobretudo as formas graves observadas em crianças, como as formas trnsmitidas e as meningoencefálicas (tuberculose do sistema nervoso central e meninges) e formas extrapulmonares. Este fato fica bem claro quando se compara, no Brasil, os resultados da acentuada queda de notificação de meningite tuberculosa nos primeiros anos de vida nos estados que usavam a vacina logo após o nascimento contra a ocorrência desta forma da doença no Estado do Rio Grande do Sul, que só vacinava as crianças em idade de início da escola. Um recente trabalho retrospectivo realizado no país parece indicar que a vacinação BCG também oferece alguma protecção para os contatantes de tuberculose com bacilos multirresistentes.
O Brasil adota a vacinação BCG como uma das medidas de controle da tuberculose, prioritariamente indicada para as crianças da faixa etária de 0 a 4 anos, sendo obrigatória para os menores de um ano, como dispõe a portaria n.º. 452, de 06/12/76, do Ministério da Saúde (MS). O Ministério da Saúde recomenda vacinar os recém-nascidos, ainda na maternidade, com peso igual ou superior a 2 Kg e sem intercorrências clínicas. Para filhos de mães portadoras de HIV/AIDS, a vacinação deve ser aplicada, desde que não apresentem sintomas da doença e acompanhadas pelas unidade de referência para AIDS. É também recomendada para trabalhadores da saúde com prova tuberculínica negativa, que atendem habitualmente tuberculose e SIDA.
Em conclusão, a vacina BCG tem uma proteção específica e não para todas as formas da tuberculose, de tal sorte que uma pessoa vacinada pode adoecer de tuberculose. Principalmente das formas pós-primárias que aparecem tardiamente, depois da infecção tuberculosa e da própria vacinação, provocada por uma reativação dos bacilos hibernantes no organismo (reativação endógena) ou por uma nova infecção externa com uma carga de bacilos que superem a proteção imunológica da própria vacinação ou da primo-infecção sem adoecimento (reinfecção exógena).
Leitura recomendada
Do acidente de Lubeck ao advento do BCG recombinante com maior poder protetor e polivalente
Autor: José Rosenberg
Pulmão-RJ. Vol 4 - n.º 1; 29 a 46; 1994

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

1068 - A composição da vacina contra a influenza para 2019

Foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) da última sexta-feira (5/10) a Resolução RE 2.714 (http://portal.anvisa.gov.br/documents/10181/2718376/RE_2714_2018_.pdf/6a3990d4-53cf-489f-b944-7e6ddbf4657c) da Anvisa, com a composição das vacinas influenza a serem utilizadas no Brasil no próximo ano.
Segundo a Resolução, as vacinas influenza trivalentes que devem ser utilizadas a partir de fevereiro de 2019 deverão conter, obrigatoriamente, três tipos de cepas de vírus em combinação, e deverão estar dentro das seguintes especificações:
- Um vírus similar ao vírus influenza A/Michigan/45/2015 (H1N1) pdm09.
- Um vírus similar ao vírus influenza A/Switzerland/8060/2017 (H3N2).
- Um vírus similar ao vírus influenza B/Colorado/06/2017 (linhagem B/Victoria/2/87).
As vacinas influenza quadrivalentes (contendo dois tipos de cepas do vírus influenza B) deverão conter um vírus similar ao vírus influenza B/Phuket/3073/2013 (linhagem B/Yamagata/16/88), adicionalmente aos três tipos de cepas especificadas acima.
As vacinas da influenza sazonal são geralmente modificadas a cada ano, para proteção contra as cepas virais de gripe em circulação. Normalmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulga, no mês de setembro, a recomendação das cepas de vírus influenza que devem ser utilizadas na produção das vacinas para o Hemisfério Sul.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

972 - Vacinação contra a gripe em 2017

A campanha nacional de vacinação contra a gripe, com início a partir de 17 de abril, apresenta a seguinte população-alvo em 2017:
  • adultos de 60 anos de idade ou mais
  • crianças de seis meses a cinco anos de idade
  • trabalhadores da saúde
  • gestantes e puérperas até 45 dias após o parto
  • indígenas
  • presos e adolescentes que cumprem medidas socioeducativas
  • funcionários do sistema prisional
  • portadores de doenças crônicas (diabetes, cardiopatias, pneumopatias etc.) com prescrição médica
  • professores da rede pública e privada (incluídos a partir deste ano)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

939 - Brasil em alerta para a febre amarela

A febre amarela (CID-10: A95) é provocada por um vírus transmitido pela picada de mosquitos infectados. No ciclo silvestre, em áreas florestais, o vetor da febre amarela é principalmente o mosquito do gênero Haemagogus. A maior preocupação das autoridades sanitárias é evitar o retorno da forma urbana da doença, feita por meio da transmissão do Aedes aegypti, cujo número de criadouros no País é considerado alto. O último caso registrado de febre amarela urbana no Brasil ocorreu no Acre, em 1942.
A infecção se instala quando uma pessoa que nunca tenha contraído a febre amarela ou tomado a vacina contra a doença é picada por um mosquito infectado.
As primeiras manifestações dessa doença são repentinas: febre alta, calafrios, cansaço, dor de cabeça, dor muscular, náuseas e vômitos por cerca de três dias. A forma mais grave da doença é rara e costuma aparecer após um breve período de bem-estar (até dois dias), quando podem ocorrer insuficiências hepática e renal, icterícia (olhos e pele amarelados), manifestações hemorrágicas e cansaço intenso. A maioria dos infectados se recupera bem e adquire imunização permanente contra a febre amarela.
As mortes de duas pessoas e de vários macacos contaminados pela febre amarela puseram o país em alerta e fizeram o Ministério da Saúde reforçar a orientação sobre a importância da vacinação. A vacina contra a febre amarela é ofertada no Calendário Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) e deve ser dada a qualquer pessoa que reside ou vai viajar para regiões silvestres, rurais ou de mata.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

935 - Já existe uma vacina eficaz contra uma variante do Ebola

Uma vacina experimental (VSVD-ZEBOV) contra o vírus Ebola mostrou ser 100 por cento eficaz, de acordo com um estudo publicado em The Lancet, nesta quinta-feira.
Esses resultados oferecem a esperança de proteção contra a doença que atingiu a África Ocidental em 2014, matando mais de 11 mil pessoas.
A vacina foi administrada em pessoas na Guiné que estiveram em contato com doentes de Ebola. Poucos meses após os primeiros testes, a Organização Mundial de Saúde disse que os resultados preliminares foram "extremamente promissores".
De um total de 5.837 pessoas que receberam vacina nenhuma apresentou o Ebola depois de 10 dias ou mais, de acordo com o estudo. Entre as que não receberam a vacina imediatamente, houve 23 casos.

domingo, 31 de janeiro de 2016

824 - Parceria Brasil–EUA para a vacina contra o vírus Zika

A presidente Dilma Rousseff e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, decidiram criar um grupo de alto nível para o desenvolvimento de uma vacina contra o vírus Zika. Os dois conversaram dia 29, por telefone, e concordaram em unir esforços para produzir a vacina e produtos terapêuticos contra o vírus. O Zika está relacionado à ocorrência de microcefalia em recém-nascidos.
A base das pesquisas será a cooperação já existente entre o Instituto Butantan e o National Institute of Health (NIH), que já estudam uma vacina contra a dengue, também transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.
Durante a ligação, Dilma e Obama determinaram que o ministro da Saúde brasileiro, Marcelo Castro, e o Departamento de Saúde dos Estados Unidos mantenham contato a fim de aprofundar a cooperação bilateral na área.
Nesta semana, o governo federal intensificou as ações de mobilização para eliminar criadouros do Aedes aegypti. Outro vírus transmitido pelo mosquito, o chikungunya, provocou a morte de uma pessoa no Recife. de 17 anos, que teve miosite aguda associada ao vírus.
07/02/2016 - Atualizando ...
A melhor e única medida protetiva contra o Aedes ainda é a prevenção. Conforme recomenda a Fiocruz, basta dedicarmos dez minutos semanais para identificação e eliminação dos possíveis criadouros do mosquito transmissor em nossos domicílios. Dos gestores, espera-se que saiam de sua procrastinação e estabeleçam programas bem planejados e eficazes de controle do mosquito. Aliemo-nos, como rigorosos fiscais de nós mesmos, e confiemos no empenho científico exitoso. Celina Côrte Pinheiro, em OPINIÃO, O POVO online

domingo, 24 de maio de 2015

741 - A "amnésia imunológica" do sarampo

Já se sabia que o vírus do sarampo abala o sistema imunológico das crianças temporariamente, deixando-as expostas ao contágio de outras doenças oportunistas. Até agora, os cientistas acreditavam que essa vulnerabilidade se estendia por um ou dois meses após a infecção. Mas um novo estudo mostra que o sarampo pode enfraquecer as defesas do organismo das crianças por até três anos — deixando-as altamente suscetíveis a outras doenças mortais ao longo desse tempo. A pesquisa, realizada por cientistas da Universidade de Princeton (Estados Unidos), foi publicado neste mês (dia 8) na revista Science.
Com base nas conclusões do artigo, os autores afirmam que a vacinação contra o sarampo não oferece proteção apenas contra o vírus dessa doença, mas também impede que diversas outras doenças infecciosas tirem proveito do enfraquecimento do sistema imunológico causado por ela. De acordo com eles, a descoberta ajuda a explicar porque as campanhas de vacinação contra o sarampo têm impedido muito mais mortes do que se previa.
Para o autor principal do artigo, Michael Mina, da Universidade Emory, que participou do estudo como pesquisador pós-doutorando em Princeton, "o sarampo acaba aumentando a predisposição das pessoas às doenças mais prevalentes na população".
— Na maior parte, são infecções respiratórias bacterianas, como a pneumonia, a sepse, a bronquite e a bronquiolite. Mas o sarampo também abre caminho, em menor número, para doenças como diarreia e disenteria.
Segundo Mina, o estudo apresenta provas epidemiológicas de que o sarampo leva o organismo, por longo tempo, a um estado de "amnésia imunológica". As células de memória do sistema imunológico — capazes de identificar as partículas infecciosas que já tiveram contato com o organismo — são parcialmente exterminadas.
Outra dos autores do estudo, Jessica Metcalf, professora de Ecologia e Biologia Evolutiva de Princeton, disse que "já sabíamos que o sarampo ataca a memória imunológica — e que a doença enfraquece o sistema imunológico por algum tempo".
— Mas esse artigo sugere que a supressão imunológica dura muito mais do que se suspeitava. Em outras palavras, se você pegar sarampo, ao longo de três anos você poderia morrer de algo que não seria capaz de matá-lo sem a infecção por sarampo.
De acordo com Mina, a descoberta sugere que a vacinação contra o sarampo traz benefícios bem maiores que a proteção contra a própria doença. "É uma das intervenções com melhor custo benefício para a saúde global", disse ele sobre as campanhas de vacinação.
Extra dividends from measles vaccine
Science 8 May 2015: Vol. 348 no. 6235 pp. 694-699 DOI: 10.1126/science.aaa3662

quinta-feira, 2 de abril de 2015

724 - A gripe em adultos e em crianças

Um novo estudo sugere que adultos só têm uma gripe a cada cinco anos.
Apesar de muitos ficarem doentes com uma frequência maior do que essa, infecções parecidas à gripe geralmente são as responsáveis por esses episódios, segundo uma equipe internacional de cientistas.
Em um estudo feito na China, os cientistas examinaram amostras de sangue de 151 voluntários com idades entre 7 e 81 anos para analisar a frequência da ocorrência de gripe.
A pesquisa, publicada na revista especializada PLoS Biology, analisou as nove principais variedades de gripe conhecidas e em circulação no mundo entre os anos de 1968 e 2009.
Todas estas variedades eram do vírus da influenza A (H3N2).
Os pesquisadores, do Imperial College de Londres e de institutos nos Estados Unidos e China, procuraram anticorpos no sangue dos voluntários para tentar descobrir se eles realmente tinham sido infectados com os vírus da gripe e com qual frequência.
Eles descobriram que, enquanto as crianças pegaram gripe a cada dois anos aproximadamente, as infecções ficavam menos frequentes com o passar dos anos.
Steven Riley, um dos autores do estudo, do Centro de Pesquisa Médica para Análise de Epidemias, do Imperial College, a frequência exata dessas infecções está sujeita a variantes como os níveis de vacinação contra a doença.
Para Ron Eccles, do Centro de Resfriado Comum da Universidade de Cardiff, na Grã-Bretanha, "existe muita confusão entre resfriados e gripe".
Resfriado ou gripe?
Resfriados e gripes são causados por vírus, mas pode ser difícil diferenciar as duas doenças levando em conta apenas os sintomas. As duas doenças podem causar febre e dor de garganta, além de tosse e espirros. Aliás, ambas são transmitidas de pessoa para pessoa através de espirros e tosse.
O que uma pessoa considera gripe, outra pode chamar de um resfriado forte, por exemplo.
No caso do resfriado comum, os sintomas chegam de forma gradual e, geralmente, são mais suaves e afetam principalmente o nariz e a garganta.
A gripe é mais grave e normalmente faz com que a pessoa queira ficar na cama. Os sintomas incluem dores, nariz entupido ou escorrendo.
A gripe é desagradável, mas não é uma ameaça para a maioria dos adultos saudáveis. No entanto, pode trazer consequências graves para idosos e pessoas com outros problemas crônicos de saúde, como asma.
Por isso, os médicos recomendam que os grupos da população que correm mais riscos se vacinem contra a gripe todos os anos.
O problema é que o vírus da gripe está em constante mutação, o que torna mais difícil a previsão de qual variedade deva ser usada na vacina.
Fonte: Michelle Roberts, Editora de Saúde do site BBC