quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

233 - Como engarrafar uma molécula de água

Nos últimos dias, um grupo de químicos conseguiu criar um frasco bem pequeno e nele engarrafar uma única molécula de água.
Saiba como você também pode fazer isso em casa.
Inicialmente, você vai precisar de um fulereno. Mas não é um fulereno qualquer, é um da classe dos esféricos, conhecidos pelo nome de buckminsterfulerenos. Pode ser, por exemplo, o fulereno C60 que tem 60 átomos de carbono. A molécula dele é bem redonda e oca.
O passo seguinte é abrir um orifício no C60 com tamanho suficiente para permitir a entrada de uma molécula de água. A seguir, colocar essa molécula de água - com todo cuidado para evitar o transbordamento - no interior do frasco de fulereno.
E, para finalizar, você deve fechar o oríficio que criou em seu frasco antes de introduzir a água. O ânion fosfato se presta muito bem a esse tipo de vedação. E pode ser tirado e reposto quantas vezes você desejar.

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Agora é sério
"Muito bem, para que esta experiência?", alguns podem perguntar. A resposta é: para o transporte e a liberação de moléculas em locais escolhidos do corpo humano, uma propriedade que poderá ser aproveitada em tratamentos médicos.
Pode se interessar em ver
A dureza e a beleza, Moléculas divertidas e o Doodle que o Google dedicou aos fulerenos.

domingo, 26 de dezembro de 2010

232 - Guia de Vacinas Complementares

Se o paciente tem alguma destas morbidades (asma, cardiopatia crônica, diabetes, doença neurológica, doença hematológica, HIV, imunodepressão, nefropatia crônica, pneumopatia crônica, transplantado etc) ele pode estar necessitando das chamadas vacinas complementares.
Confira quais são essas vacinas, por patologia, no Guia de Vacinas Complementares, que foi organizado pelo Medical Services.
As vacinas são gratuitamente aplicadas nos Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIEs). Clique aqui para saber onde fica o CRIE de seu Estado.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

231 - Confissões durante a colonoscopia

Colonoscopia não é brincadeira, mas o que se comenta durante o exame pode ser engraçado.
Um médico anotou estes comentários, feitos por seus pacientes (predominantemente do sexo masculino), enquanto executava suas colonoscopias:
1. "Com calma, doutor. Você está indo aonde nenhum homem jamais esteve!"
2. "Encontrou Amelia Earhart?"
3. "Você pode me ouvir agora?"
4. "Somos nós aí? Somos nós aí? Somos nós aí?"
5. "Você sabe, no Arkansas, nós agora estamos legalmente casados."
6. "Algum sinal dos mineiros presos, chefe?"
7. "Você põe sua mão esquerda, você tira sua mão esquerda ..."
8. "Ei! Agora sei como um Muppet sente!"
9. "Se sua mão não se encaixa, você deve desistir!"
10. "Doutor, vamos ver se você encontra a minha dignidade."
11. "Você já foi um executivo da Enron, não foi?"
E um dos melhores de todos:
12. "Você poderia escrever um bilhete para minha esposa dizendo que a minha cabeça não está lá em cima?"

Colonoscopy humor, Bits and Pieces

sábado, 18 de dezembro de 2010

230 - Acidentes com RMN

A tecnologia da ressonância magnética nuclear (RMN) está sendo cada vez mais aplicada na medicina pela riqueza de detalhes das imagens (em muitas situações, fornece mais informações do que a tomografia computadorizada), pela sua segurança (por não emitir radiação ionizante e, por conseguinte, não causar efeito prejudicial conhecido à saúde) e pela sua capacidade de realizar ensaios dinâmicos quanto ao funcionamento do corpo humano (como a RMN no cérebro).
Como qualquer tecnologia também apresenta seus inconvenientes. Um deles é que os aparelhos de RMN são basicamente ímãs gigantescos e superpotentes (capazes de criar campos magnéticos de 15.000 a 100.000 vezes maiores do que o da Terra). Por isso, é absolutamente proibido haver qualquer objeto metálico ferromagnético na sala de RMN, durante o funcionamento do aparelho.
Deixando-se um desses objetos na sala, podemos imaginar o que possa acontecer. Mas o vídeo, a seguir, dá uma ideia melhor sobre a catástrofe.


Especialmente dramático foi o caso (mencionado no vídeo) de uma criança nova-iorquina de 6 anos de idade. Morreu em uma sala de ressonância magnética como resultado do impacto brutal de um cilindro de oxigênio em sua cabeça. O objeto de natureza metálica havia sido introduzido no ambiente por uma anestesista que negligenciou o fato de ser ali uma sala de RMN.
Cadeiras de rodas, enceradeiras e macas são outros objetos metálicos que já foram atraídos pelos poderosos ímãs dos aparelhos de RMN, causando danos variáveis a pacientes que estavam se submetendo a exames.
Felizmente, há metais que não são atraídos por ímãs - como o titânio. Sendo não ferromagnético, o titânio tem sido muito utilizado na fabricação de dispositivos (marcapassos, stents, próteses etc) que são implantados em pacientes, os quais não ficam sujeitos ao risco descrito durante a realização de exames de ressonância magnética.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

229 - A melioidose no Ceará

Em fevereiro de 2003, na zona rural do município de Tejuçuoca, Estado do Ceará, ocorreu um surto de formas graves de uma doença desconhecida em quatro adolescentes de uma mesma família. Três foram a óbito no início de março. O quadro clínico, segundo os infectologistas que assistiram aos pacientes, foi de pneumonia fulminante com septicemia.
Extensas investigações epidemiológica, clínica, laboratorial e ambiental foram realizadas, resultando no diagnóstico conclusivo de melioidose, a partir do isolamento da bactéria Burkholderia pseudomallei em hemoculturas.
Em 2004, novo caso da doença foi diagnosticado no município de Banabuiu - CE, em uma paciente de 39 anos com quadro clínico de abscesso em região genital e septicemia. O agente etiológico da meliodose foi também identificado em hemocultura dessa paciente.
A Burkholderia pseudomallei é um microrganismo de vida livre, saprófita em alguns tipos de solo, e que também sobrevive em águas superficiais por períodos prolongados. Pessoas e animais podem adquirir a infecção em contato com o solo e a água onde a bactéria está presente. É levantada a hipótese de que a sua inalação por hospedeiros suscetíveis é que responde pelas formas graves (pulmonares e sistêmicas) da enfermidade.
A meliodose é um problema de saúde pública em alguns países do mundo (os quais estão principalmente situados nas regiões tropical e subtropical), sendo endêmica no Sudeste da Ásia, no Norte da Austrália e no subcontinente indiano. No Brasil, até o surto de Tejuçuoca, não havia registros da ocorrência dessa doença.

Fonte: Secretaria da Saúde do Estado do Ceará. Manual de Coleta de Amostras Ambientais da Burkholderia pseudomallei, Agente Etiológico da Melioidose, 2006.

Notas
(1) A pequena cidade de Tejuçuoca, distante 140 km da capital Fortaleza, é conhecida como a capital cearense do bode. Anualmente, a cidade realiza a Tejubode, feira de ovinos e caprinos que atrai cerca de 100 mil pessoas a este município de menos de 15 mil habitantes. Fonte: Blog do Guto Mota.
(2) Em 2005 e anos subsequentes, outros casos da doença têm sido informados. Oriundos dos municípios de Aracoiaba e Granja e do litoral cearense (este último, um turista holandês que veio a falecer em seu país). Fonte: internet (diversas).
(3) Ceftazidima (antibiótico que existe apenas na forma injetável) é a droga de primeira escolha para o tratamento da melioidose. Fonte: 2010 - Current Medical Diagnosis and Treatment, de Stephen J. McPhee e Maxine A. Papadakis.

07/11/2012 - Atualizando...
Francisco Fernando Pimenta Lima e colaboradores publicaram o relato de um caso de melioidose na Revista Científica do Instituto Dr. José Frota, nº. 15, de maio de 2011, sob o título de ABSCESSO ESPLÊNICO CAUSADO POR MELIOIDOSE.
Paciente FLR, 48, masculino, natural e procedente de Fortaleza/CE, portador de doença falciforme. Apresentava febre baixa, hipodinamia e dor no hipocôndrio esquerdo. TC mostrou baço aumentado com abscesso no órgão. Inicialmente medicado com ampicilina-sulbactam. A seguir, o paciente se submeteu a uma laparotomia exploradora. Realizada  esplenectomia e coletados 2.000 mL de secreção purulenta. Nesta secreção, isolou-se a Burkholderia pseudomallei. Instituído meropenem 6g/dia EV por 14 dias. O paciente recebeu alta hospitalar, clinicamente estável.
Esta revista é indexada no site http://geodados.pg.utfpr.edu.br

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

228 - Vagina dentata

Esta expressão latina significa vagina com dentes. Várias culturas têm lendas populares sobre mulheres que possuem vaginas com dentes, contadas como histórias de moral e que avisam sobre os perigos do sexo com mulheres desconhecidas.
O mito sintetiza a ameaça que as relações sexuais representam para os homens que, apesar de entrarem triunfalmente, saem delas sempre "cabisbaixos".
A vagina dentata provou ser também um tema interessante para alguns escritores, particularmente aqueles de obras surrealistas ou sobre a psicanálise.
Em 2005, Sonette Ehlers criou o Rapex, um preservativo feminino anti-violação que é inserido no canal vaginal, tal como um diafragma. Este produto apresenta farpas que o prendem ao pênis do violador, e do qual só pode ser removido cirurgicamente. Num artigo sobre o Rapex, Ehlers comentou que foi inspirada a inventar o aparelho depois de um encontro com uma vítima que lhe disse: "Se eu tivesse dentes aqui em baixo...."

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

227 - Querida, estiquei os insetos



As libélulas gigantes da Terra antiga, com envergaduras de até 70 centímetros, têm suas dimensões atribuídas a altos níveis de oxigênio atmosférico na atmosfera da época. Recentes experiências, com libélulas criadas em atmosferas enriquecidas de oxigênio, confirmam que esses insetos crescem mais em situações de hiperóxia.

Vandenbrooks, JM, Atmospheric Oxygen and the Evolution of Insect Gigantism

sábado, 27 de novembro de 2010

226 - Antibióticos: só com receita sob retenção na farmácia

A partir de amanhã (28/11), os antibióticos vendidos nas farmácias e drogarias do país só poderão ser entregues ao consumidor mediante receita de controle especial em duas vias. A primeira via ficará retida no estabelecimento farmacêutico e a segunda deverá ser devolvida ao paciente com carimbo para comprovar o atendimento.
A nova norma da Anvisa definiu, também, o prazo de validade para essas receitas, que passa a ser de 10 dias, devido às especificidades dos mecanismos de ação dos antimicrobianos. E os prescritores devem estar atentos, para a necessidade de entregar, de forma legível e sem rasuras, as duas vias do receituário especial a seus pacientes.
Isto vale para mais de 90 substâncias antimicrobianas, que abrangem todos os antibióticos com registro no país, com exceção dos que têm uso exclusivo em ambiente hospitalar. O objetivo da Anvisa, ao ampliar o controle sobre esses produtos, é contribuir para a redução da resistência bacteriana na comunidade.

A íntegra da resolução da Anvisa.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

225 - O ser humano infectado por vírus da informática

Parece utópico, mas Mark Gasson pode ser considerado como o primeiro ser humano infectado por um vírus de informática. Gasson, um cientista da University of Reading's School of Systems Engineering (Inglaterra), tem um chip implantado em uma das mãos, a qual ele usa para ativar telefones móveis e atravessar portas de segurança.
Em experimentos, o cientista demonstrou que o chip nele implantado, como qualquer dispositivo do gênero, pode ser infectado por um vírus de informática. E que o chip, nessa situação, torna-se capaz de transmitir esse vírus para sistemas externos.
Isto serve para alertar os cientistas sobre a vulnerabilidade dos implantes biotecnológicos, um dos horizontes mais ambiciosos da medicina, dentre os quais estarão futuramente incluídas as sofisticadas versões dos marcapassos cardíacos e implantes cocleares. Uma infecção em um chip implantado em ser humano põe em risco o funcionamento, não somente de uma unidade em questão, mas de todo o ambiente tecnológico em que estas funcionam.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

224 - "Fazendas de papagaios"

Devido à intensidade do tráfico de animais, principalmente de psitacídeos, estas "fazendas" foram criadas.
Um casal de papagaios vive a vida inteira junto, não se separa; a separação só ocorre quando há a morte de um deles, caso contrário viverão por mais de SETENTA/OITENTA anos juntos, em fidelidade total.
Quando um casal escolhe o seu ninho para reprodução, o ninho escolhido também tende a ser para o resto da vida, salvo se o mesmo for destruído. O homem, observando e usando sua inteligência e "racionalidade" em prol do mal, aprendeu que um casal choca seus ovos todos os anos no mesmo ninho.
Em posse desta descoberta, por que destruir o ninho? Afinal, aquele casal e aquele ninho serão fonte de renda por muitos anos... bastando, para isso, o apanhador/traficante de filhotes realizar um mapeamento dos ninhos em determinada região e, na época de reprodução da espécie, observar o período de incubação e nascimento dos filhotes. Depois, é só retirar os mesmos dos ninhos e aguardar a próxima "safra".
Papai e mamãe papagaios servem apenas de máquina reprodutora de filhotes, para atender à GANÂNCIA DE GENTE INESCRUPULOSA. Jamais poderão ver seus filhotes crescerem.
É desta forma que são criadas as "fazendas de papagaios", onde traficantes detêm a "propriedade" sobre os ninhos desta ave, bastando todo ano apenas se dar ao trabalho de tirar os filhotes e vendê-los.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

223 - Verde que não te quero verde

A cor verde é adotada pela Ecologia. São muitos os artigos e produtos a ela relacionados em que esta cor é ressaltada para lembrar a questão do meio ambiente. No entanto, num comunicado ao New York Times, o químico alemão Michael Braungart disse que tingir plástico de verde ou imprimir tinta verde sobre papel são atividades poluidoras.
O coautor do livro Cradle to Cradle, Braungart, explicou que o verde é uma cor difícil de ser obtida; muitas vezes, substâncias tóxicas têm de ser usadas para estabilizá-la. E que plástico e papéis verdes não podem ser reciclados de forma segura, pois poluem tudo com que estejam em contato.
O Pigmento Verde 7, o tipo de verde mais usado, é um pigmento orgânico, porém contém cloro; o Pigmento Verde 36 inclui átomos de cloro e bromo enquanto o Pigmento Verde 50 tem cobalto, titânio, níquel e zinco.
Muitas tintas, populares nos séculos 18 e 19, continham arsênio. Aparentemente, uma delas, o Verde de Scheele, criado na Suécia na década de 1770, é considerada por alguns historiadores como a causa da morte de Napoleão Bonaparte, em 1821. Um papel com o Verde de Scheele revestia sua úmida cela na ilha de Santa Helena. E outra das vítimas desta tinta foi o próprio Scheele, falecido aos 44 anos, sem suspeitar de que ela fosse tóxica.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

222 - Pinturas microbianas

Sir Alexander Fleming tornou-se célebre pela descoberta da penicilina em 1928, ao observar o efeito inibitório de colônias de fungos do gênero Penicillium sobre o crescimento de colônias de estafilococos. Devido a este fato, em 1945, ele foi um dos ganhadores do Prêmio Nobel de Fisiologia/Medicina.
Fleming foi também um dos primeiros a apostar no "potencial artístico" dos micróbios. Ao lado, está um exemplo de uma das pinturas microbianas de sua coleção.

Imagem: Kevin Brown, do Alexander Fleming Laboratory Museum


Pode se interessar em ler Quem criou esta imagem?

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

220 - Doenças respiratórias no Brasil. Pesquisa por entrevistas

Com o objetivo de levantar junto à população brasileira mais informações sobre o seu conhecimento acerca da saúde respiratória e dos males que a atingem, a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) encomendou uma pesquisa ao Instituto Datafolha. Na pesquisa realizada, foram entrevistados 2.242 brasileiros com 16 anos ou mais, em 143 municípios, sendo obedecidas as proporções de classes sociais, sexo, local de residência e escolaridade existentes hoje no país.
Logo no início, surgiram alguns dados alarmantes. Indagados sobre as doenças pulmonares que conheciam, 15 por cento não souberam citar uma única. E a média, entre os entrevistados, foi de 2,1 doenças conhecidas.
Depois, foi-lhes apresentado uma lista com os principais males que atingem o sistema respiratório: gripe e resfriado, asma, pneumonia, tuberculose, embolia pulmonar, câncer de pulmão, enfisema pulmonar, bronquite, rinite alérgica, hipertensão pulmonar, distúrbios do sono, DPOC e fibrose cística.
Eis, pelas frequências com que foram apontadas, as doenças mais conhecidas da população brasileira:
gripe e resfriado: 99%
asma: 96%
pneumonia: 96%
bronquite: 95%
tuberculose: 94%
câncer de pulmão: 90%
rinite alérgica: 72%
enfisema pulmonar: 58%
distúrbios do sono: 53%
Extraído do editorial do Boletim da SBPT (3º trimestre de 2010).

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

219 - O sanatório voador

No início do século XX, apesar de já ser conhecido o bacilo da tuberculose (Robert Koch, 1882), a luta contra a tuberculose ainda era uma obsessão da comunidade científica.
Naquela época, as medidas de tratamento da doença à disposição dos médicos eram insatisfatórias. E a internação dos enfermos em sanatórios, geralmente localizados em regiões de clima tido como favorável para a cura da doença, era a mais popular delas.
O objetivo desses sanatórios era isolar os doentes, para quebrar a cadeia de transmissão da doença, enquanto lhes oferecia um ambiente de repouso, dieta, ar fresco e luz solar.
Nesse contexto, em 1930, o renomado engenheiro Karl Arnstein, que já havia projetado mais de cem modelos de dirigíveis, idealizou este imenso sanatório voador (na imagem) destinado ao tratamento dos pacientes tuberculosos.

A grande aeronave (um dirigível de 184 mil metros cúbicos) teria condições de permanecer no ar por semanas, voando acima das nuvens, para que os pacientes respirassem ar fresco e tomassem banhos de sol, medidas então indicadas para o tratamento da tuberculose. Nela, haveria tudo que um hospital costuma ter: quartos, salas de consulta, de esterilização, cozinha, refeitório etc. A mais, um pequeno avião para ir buscar suprimentos em terra, quando houvesse necessidade.
Essa idéia do engenheiro Arnstein, que hoje pode parecer estranha, foi considerada aplicável e avançada.
Somente em 1952, com o desenvolvimento da droga isoniazida, é que a tuberculose começou a ser uma doença curável na maioria dos casos.

Traduzido da nota "Una bestial nave volante como hospital para la tuberculosis (1930)", publicada em La Aldea Irreductible.

domingo, 17 de outubro de 2010

218 - A espirometria na prática médica

"A avaliação da função pulmonar é indispensável à rotina assistencial em saúde, especializada ou não, sendo a espirometria o teste utilizado com maior frequência. Tem grande importância, principalmente, para a avaliação de pacientes com DPOC, asma, infiltrações pulmonares difusas e outras doenças respiratórias, de risco operatório e ocupacional. Portanto, a espirometria deve ser um exame sempre disponível, assim como os conhecimentos e treinamento deste setor aos interessados." Luiz Carlos Corrêa da Silva e colaboradores.

Link para este trabalho no Scribd, publicado anteriormente na revista AMRIGS em 2005.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

217 - Dia Mundial da Espirometria

As enfermidades respiratórias
Pode-se predizer que, no ano de 2030, haverá 74 milhões de mortes no mundo e que, de acordo com essa estimativa, 12,5 milhões de pessoas (17%) morrerão por doenças respiratórias.
As enfermidades respiratórias, por conta das necessidades assistenciais e dos dias de afastamento do trabalho, apresentam um alto impacto socioeconômico e constituem um problema de Saúde Pública de primeira grandeza em todo o mundo. E esta situação é particularmente preocupante nas regiões mais pobres do planeta, nas quais as enfermidades respiratórias são muito mais frequentes. Por exemplo, em extensas zonas da América Latina, onde a exposição à fumaça de lenha em ambientes fechados, para cozinhar e para fazer a calefação, é uma das causas de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).
No entanto, é o tabagismo a principal causa de enfermidades respiratórias, pois responde por 90% dos casos de DPOC e por 85% dos casos de câncer de pulmão.
Doença pulmonar obstrutiva crónica
Cerca de 210 milhões de pessoas no mundo apresentam DPOC. Na realidade, os portadores desta doença devem se encontrar em maior número porque há muitos casos não diagnosticados. As informações disponíveis sobre a DPOC na América Latina são provenientes de dois estudos: o PREPOCOL (na Colômbia) e o PLATINO (em cinco cidades: São Paulo, Cidade do México, Montevidéu, Caracas e Santiago do Chile).
Estes dois estudos mostraram que quase 90% dos indivíduos com DPOC ignoravam ter esse diagnóstico e que a enfermidade ocorria entre 7 e 19,7% em indivíduos acima dos 40 anos.
Por ano, a DPOC é responsável pela morte de 3 milhões de pessoas (é hoje a quarta causa de morte no mundo) e se prevê um crescimento de 30% em sua morbidade para 2030. A doença atualmente predomina nos homens, mas vem aumentando consideravelmente nas mulheres, nas quais ocorre após um menor consumo de tabaco.
Os portadores de DPOC têm com maior frequência enfermidades associadas. Ainda que todos os fumantes deixassem de fumar, a partir de agora, teríamos de aguardar décadas pela diminuição do número de casos de DPOC.
A espirometria é o padrão ouro para medir a função pulmonar
Assim como a medida da pressão arterial é útil no rastreamento (screening) das doenças cardiovasculares, a espirometria é de utilidade no diagnóstico das enfermidades respiratorias quando os sintomas são pouco reconhecidos e quando a doença ainda não se manifestou plenamente.
Recomenda-se realizar a espirometria nos fumantes e ex-fumantes com mais de 40 anos de idade. Um estudo recente demonstrou que os fumantes com espirometria anormal apresentam maiores riscos para o câncer de pulmão.
A medida da função pulmonar pela espirometria, em etapas precoces e de forma repetida ao longo do tempo, particularmente nas pessoas sob risco de desenvolver a enfermidade, permitirá realizar um diagnóstico adequado (antes que ocorram danos pulmonares importantes) e, com isso, retardar a progressão da doença.
Neste 14 de outubro de 2010, em todo o mundo, o pessoal de saúde realizará uma jornada dirigida à população, baseada na realização gratuita de ESPIROMETRIAS, para avaliar a saúde respiratoria e identificar riscos para a enfermidade.
O Día Mundial da Espirometria é um evento marcante do “2010 - Ano do Pulmão”. É patrocinado pelo Fórum das Sociedades Respiratórias, o qual integra a Associação Latinoamericana de Tórax (ALAT).
O seu objetivo é alertar, agir e educar sobre a importância das enfermidades respiratórias com os fins de melhorar a prevenção, o diagnóstico e o tratamento das mesmas. PGCS

Versão feita por mim de um documento em espanhol divulgado pela ALAT. 

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

216 - O médico e o advogado

Um médico e um advogado encontram-se numa festa. Começam a conversar. Mas a conversa é interrompida, várias vezes, por clientes que desejam orientações médicas.
Irritado, o médico pergunta ao advogado:
"Diga-me, o que você faz para impedir que as pessoas lhe peçam orientações jurídicas quando você está fora do escritório?"
"Quando pedem, eu lhes dou essas orientações", respondeu o advogado, "e, na manhã seguinte, cobro-lhes meus honorários".
O médico decidiu seguir o conselho do advogado e, no resto da noite, anotou os nomes e os endereços de todos as pessoas que se aproximaram dele pedindo orientações.
Na manhã seguinte, a lista de cobranças estava para ser enviada, quando a secretária entrou em seu consultório e entregou-lhe... a conta do advogado.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

215 - Inventos malucos em medicina - 1

O blog Life Suport tem imagens e descrições de dez inventos médicos incomuns e que eram inúteis ou perigosos para quem quisesse usá-los. Por isso, nunca "pegaram"
Entre eles, está o Old Age Rejuvenator Centrífuge, de 1935, que pretendia reverter os efeitos do envelhecimento nas pessoas. O Rejuvenator (um nome que certamente agradaria a turma do Casseta & Planeta) era uma grande centrifugadora que, ao ser posta em funcionamento, "neutralizava" os efeitos da gravidade sobre o corpo humano.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

214 - A camisinha que morde

No triste ranking das mulheres violentadas a África do Sul ocupa o primeiro lugar no mundo. De acordo com um levantamento recente feito no país, 28 por cento dos homens sul-africanos já violaram uma mulher (ou uma menina). Porém, mais do que a contundência destes números, foi o contato com uma das vítimas que fez Sonnet Ehlers, uma médica sul-africana, desenvolver o protótipo de uma camisinha anti-violação.
A ideia partiu de uma confidência que a vítima fez à médica:
"Quem me dera ter dentes lá em baixo."
A ser usada como um preservativo feminino, a camisinha se fixa através de farpas ao pênis (muito dolorosamente) e do qual só pode ser retirada através de uma cirurgia.

Vídeo

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

213 - O Dia Mundial Sem Carro

O objetivo dessa data não é unicamente o de deixar o automóvel na garagem de casa no dia 22 de setembro. É o de refletir que, todos os dias, a gente pode ir a muitos lugares sem ele.
A propósito do assunto, os símbolos da meritória campanha - tanto em 2008 (à esquerda) quanto em 2009 (à direita) - foram extremamente criativos.














Publicado em EntreMentes

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

212 - O poeta e a bactéria

O poeta canadense Christian Bök deseja que sua poesia sobreviva por bilhões de anos. Como? Inserindo um de seus poemas diretamente no DNA de uma bactéria, o Deinococcus radiodurans. Se funcionar, o poema vai durar mais do que a espécie humana. Mas é um processo complexo e Bök está fazendo o que pode para torná-lo ainda mais complicado. Por querer introduzir no DNA da bactéria uma sequência de nucleotídeos que produza uma proteína a ser interpretada como um poema.
E o poeta tenta criar um código que relacione os nucleotídeos (adenosina, citosina, guanina e timina, conhecidos por suas iniciais ACGT)) com as letras do alfabeto. No qual cada trinca de nucleotídeos corresponda a uma letra, de modo que, digamos, ACT represente a letra "a", AGT a letra "b", e assim por diante.

Christian Bök ainda não sabe. Mas teria o seu trabalho muito facilitado se recorresse a uma bactéria que é endêmica no Brasil. Qual? O Sonetococcus brasiliensis. PGCS

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

211 - Animais habilidosos

Por séculos, filósofos alegaram que a capacidade de fazer ferramentas separava os homens dos outros animais. Mas, em 1960, uma jovem pesquisadora da vida selvagem, Jane Goodall, contou a seu chefe, o antropólogo Louis Leakey, que ela vira chimpanzés arrancando folhas de galhos e, a seguir, usando-as para "pescar" cupins.
O atônito Leakey respondeu:
"Agora nós teremos de redefinir o que é ferramenta e o que é homem ou, então, aceitar os chimpanzés como seres humanos."
Claro, hoje nós sabemos que os chimpanzés foram apenas o começo...

ELEFANTES BEBEM ÁGUA ENGARRAFADA
GOLFINHOS DISFARÇAM SUAS BOCAS COM ESPONJAS
CHIMPANZÉS FABRICAM QUEBRA-NOZES
CORUJAS APROVEITAM O ESTRUME DAS VACAS
CORVOS PRODUZEM E ADAPTAM FERRAMENTAS
COM PEDRAS ABUTRES QUEBRAM OVOS DE AVESTRUZES
GARÇAS PESCADORAS

Conheça essas habilidades dos animais, lendo o artigo The Handiest Creatures in the Animal Kingdom, de David Goldenberg, republicado no Neatorama.

sábado, 4 de setembro de 2010

210 - Quarentena


Tradução
Permaneça em casa se você estiver doente até ficar livre dos sintomas por 24 horas ou 7 dias, o que for mais tempo. Isto evitará que você infecte os outros.

Ver + em AmyOops!: In Need of Medical Help?

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

209 - Rumo à imortalidade

A salamandra, caso aconteça de perder uma das extremidades, tem a capacidade de criá-la novamente. O fenômeno é conhecido pelos biólogos e pelas pessoas em geral (muitas das quais insistem em provocar a tal perda para o sofrimento da salamandra).
Essa propriedade regenerativa é chamada de transdiferenciação e deve-se ao fato de que, na espécie, existem células que se transformam espontaneamente em células diferenciadas, as quais, por sua vez, reconstroem a parte amputada do corpo do animal.
Superiormente dotada do recurso da transdiferenciação do que a salamandra, a medusa Turritopsi nutricola (uma espécie de água-viva, mostrada na figura abaixo), apresenta uma capacidade de regeneração ilimitada. Regenera todo o corpo de forma sistemática, invertendo inclusive o processo de envelhecimento.


Eis o Santo Graal da biotecnologia no século XXI: a juventude eterna, a imortalidade. Mas, como tudo na vida, apresenta também um preço: a superpopulação. Segundo a Dra. Mary Miglietta, do Smithsonian Tropical Marine Institute, essas medusas imortais, um dia habitantes exclusivos das águas do Caribe, já se espalharam por todo os oceanos.

Bryan, Nelson. The world's only immortal animal. In: Yahoo! Green

sábado, 28 de agosto de 2010

208 - Escalpelamentos na Amazônia

O escalpelamento é o arrancamento brusco e acidental do escalpo humano. Pode acontecer por diversos agentes, dentre eles por motores de barcos. Nesta situação, o acidente ocorre quando a vítima (do sexo feminino, geralmente), ao se aproximar do motor, tem seus cabelos repentinamente puxados pelo eixo. A forte e ininterrupta rotação do motor faz enrolar os cabelos em torno do eixo, arrancando inexoravelmente todo ou parte do escalpo da vítima, inclusive orelhas, sobrancelhas e, por vezes, uma grande parte da pele do rosto e do pescoço, levando a deformações graves e até à morte.
É um problema recorrente na Amazônia brasileira. No período de 1974-75, em que trabalhei em Benjamin Constant - AM, no Alto Solimões, eu ouvia de colegas médicos formados em Manaus os relatos de tais acidentes e de como eram frequentes. Apesar de evitáveis (pela cobertura das partes móveis dos motores de barcos), esses acidentes continuam a acontecer, o que é extremamente lamentável.

O Dia Nacional de Combate e Prevenção ao Escalpelamento é 28 de agosto (hoje), conforme a Lei 12.199, sancionada a 14/01/10.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

207 - Piada de pneumologista

Uma paciente retorna a seu médico. É asmática e vem chiando com o resultado de seu tratamento.

video

Vídeo sugerido por Nelson Cunha

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

206 - Uma viagem [quase] até o Sol

A que distância alguém pode se aproximar do Sol sem ser por ele carbonizado?
Alessandra Calderin, do Popular Science, fez essa pergunta ao engenheiro da NASA Ralph McNutt. Eis a sua resposta:
A cerca de uns cinco milhões de quilômetros. O que pode parecer muito (ou pouco) mas, tendo em conta que a distância entre a Terra e o Sol é de uns 150 milhões de quilômetros, isso significa dizer que alguém, que tentasse ir para lá, viajando numa nave espacial, conseguiria aproveitar 97 por cento da viagem.

Numa tradução livre de How Close Could a Person Get to the Sun and Survive?, Neatorama.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

205 - Pica

Wang Xianjun, da província de Sichuan, China, tem o hábito de incluir lâmpadas em seus lanches. De acordo com o Diário do Povo, esse chinês de 54 anos já comeu até hoje cerca de 1.500 unidades.
"Quando ele tinha 12 anos, acidentalmente engoliu uma espinha de peixe, e seus pais ficaram muito preocupados. Para a surpresa de todos, Wang não sentiu nenhum desconforto. Então, por curiosidade, ele corajosamente engoliu um pedaço de vidro quebrado e não sentiu qualquer efeito adverso..."
No entanto, ele não come muitas lâmpadas diariamente. Às vezes, ele só come algumas lascas de um bulbo no café da manhã, e, no máximo, come uma lâmpada cada vez.


Mas Wang Xianjun é café pequeno diante do que o francês Michel Lotito costumava fazer. A respeito das proezas do francês, encontrei esta passagem em "Mesa farta para todos", de João Ubaldo Ribeiro, um artigo que foi republicado em "Releituras".
"Leio no Guinness que o francês Michel Lotito, nascido em 1950, come metal e vidro desde os 9 anos de idade. Um quilo por dia, quando está disposto. Informa-se ainda que, de 1966 para cá, ele já comeu dez bicicletas, um carrinho de supermercado, sete aparelhos de televisão, seis candelabros e um avião Cessna leve — este ingerido em Caracas, embora o livro não revele por quê. Sim, e comeu um caixão de defunto, com alça e tudo, a fim de garantir um lugar na História como o primeiro homem a ter um caixão de defunto por dentro, e não por fora."
Pessoas que consideram lâmpadas e bicicletas como iguarias são, em verdade, portadoras de um distúrbio psiquiátrico conhecido pelo termo PICA.

Bônus
"Pau de arara" (o comedor de gilete), de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, na voz de Ary Toledo.



(Recitado) "Foi aí que eu resolvi a comer gilete. Tinha um cumpadre meu lá de Quixeramobim que ganhou um dinheirão comendo gilete na praia de Copacabana. (...) Eu não sei não, mas eu acho que ele comeu tanta, mas tanta, que quando eu cheguei lá aquele pessoal todo já estava até com indigestão, de tanto ver o cabra comer gilete."

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terça-feira, 24 de agosto de 2010

204 - A Super Noni

Retornando de Acarape, onde estivemos visitando tia Tatinha (que se encontra muito enferma), Germano parou o carro em Água Verde, num estabelecimento à beira da estrada. Sugestão de Sérgio. O irmão advogado queria que conhecêssemos os quitutes da casa.
Descemos do veículo. Anoitecia. Éramos ali cinco dos irmãos da família Gurgel Carlos: Luciano, Márcia, eu, além dos já citados Germano e Sérgio.
Enquanto aguardávamos ser atendidos com café, tapiocas e queijo assado, Sérgio nos mostrou uma estranha árvore que existia ao lado do estabelecimento. Era uma árvore de pequeno porte, carregada de frutas também estranhas. Afora Sérgio, jamais tínhamos visto um exemplar da espécie. Tratava-se da noni, uma planta cujas primeiras mudas vieram para o Brasil trazidas das Polinésias Francesas.
Até brinquei dizendo que o pintor Paul Gauguin, em sua temporada no Taiti, devia ter comido muito dessas frutas (além das nativas que ele retratava em suas telas).
Vendo o interesse do grupo pela noni, o dono da casa se apressou em nos dizer que tinha à venda o suco da fruta engarrafado. Não era ele quem o produzia. Pelo rótulo de uma das garrafas, constatei que o produto vinha de Tibau do Sul, Rio Grande no Norte, e que também apresentava algumas "propriedades medicinais". O rótulo não devia relacionar todas, já que o dono da casa, respaldado em sua experiência pessoal, cuidava de aumentar a lista dos benefícios da noni para a saúde.
Foi bom conhecer a noni. Mas não comprei daquele suco engarrafado. Médico que sou, preciso saber das evidências científicas antes de acreditar em qualquer remédio.

Aspectos legais e científicos
Em 2004, a FDA (Food and Drug Administration) dos Estados Unidos enviou uma carta de alerta à empresa Flora, Inc., devido às promoções desta no seu website sobre o sumo de noni (no Brasil, suco de noni), no contexto de vários testemunhos e reivindicações de estudos científicos. A FDA não aprovou, no que respeita a efeitos médicos ou terapêuticos, o sumo de noni e das substâncias a ela relacionadas. Na União Europeia, o sumo de noni está registrado como ingrediente alimentar e, segundo o documento dessa decisão, o comitê científico da alimentação humana, perante os dados que lhes foram fornecidos, concluiu que o sumo de noni não é superiormente benéfico para a saúde quando comparado a outros sumos de frutas.
Este registro como ingrediente alimentar é válido apenas para o sumo de noni, não abrangendo quaisquer outros produtos alimentares feitos a partir de noni. Portanto, é proibido, por lei, vender outros produtos alimentares feitos a partir desta planta e fruto. É também ilegal reivindicar qualquer efeito médico ou terapêutico, de qualquer produto derivado de noni na União Europeia, uma vez que não foram aprovados pelas autoridades competentes.
O significado legal da classificação de noni como suplemento dietético, deve-se ao fato de a classificação como remédio exigir a realização de estudos que mostram segurança e, principalmente, eficácia de um produto para o tratamento de alguma doença. É possível que com o tempo, princípios ativos sejam isolados do fruto e, que estes (como a xeronina, por exemplo), sejam testados para o tratamento de patologias, mas até o momento não há um número suficiente de estudos demonstrando eficácia no tratamento de patologias para as quais este sumo vem sendo recomendado. Estudos in vitro e em camundongos sugerem que o uso de componentes de noni possam ser úteis no tratamento de diversas patologias, mas esses dados ainda não podem ser transpostos para o uso clínico.

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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

203 - O Centro de Estudos do Hospital de Messejana

Histórico
No ano de 1963, o corpo clínico do Hospital de Messejana, após considerar que a instituição necessitava de um órgão responsável pela promoção de eventos científicos, pelo aperfeiçoamento dos profissionais de saúde e por intercâmbios culturais, decidiu sobre a fundação de seu Centro de Estudos. E, na reunião em que se deliberou sobre a sua fundação, também foi aceita – por unanimidade – a proposta do nome do professor Manuel de Abreu para patrono do Centro de Estudos. Era a homenagem do corpo clínico deste hospital (na época, Sanatório de Messejana) ao ilustre médico brasileiro, o inventor da abreugrafia, o qual havia falecido no ano anterior.
Aos vinte e cinco dias do mês de maio do ano de 1965, aconteceu a sessão solene de instalação do Centro de Estudos Professor Manuel de Abreu. Com a tomada de posse da sua primeira diretoria: Dr. Carlos Alberto Studart Gomes – presidente (e também diretor deste hospital durante 39 anos), Dr. Trajano Augusto de Almeida – vice-presidente e Dr. Jorge Alberto de Abreu Matos – secretário.
Na década de 1970, com a progressiva transformação deste tisiosanatório, então administrado pela Previdência Social, em um hospital especializado em doenças do tórax, e com a ampliação de sua área de atuação para abranger as especialidades médicas da Pneumologia, Cirurgia Torácica, Cardiologia e Cirurgia Cardiovascular, o Centro de Estudos Manuel de Abreu, através de suas sucessivas diretorias, também cresceu e se diversificou em responsabilidades e realizações.
Com a cessão do hospital ao Governo do Estado do Ceará, o que ocorreu no início dos anos 90, esta instituição passou a integrar a rede hospitalar pública estadual. Nesta nova esfera de gestão, como se acha previsto no organograma da instituição, compete o exercício da presidência do Centro de Estudos ao chefe da Seção de Estudos e Aperfeiçoamento (SEAP), um cargo de indicação do diretor do Hospital de Messejana.
Presidentes
Dr. Carlos Alberto Studart Gomes – 1965 – 1968
Dr. Jorge Alberto de Abreu Matos – 1969
Dr. Alarico Leite – 1970
Dr. Trajano Augusto de Almeida – 1971
Dr. Amaury Teófilo Brasil – 1972
Dr. Eduardo Régis Monte Jucá – 1973 – 1974
Dr. Francisco de Paiva Freitas – 1975 - 1976
Dra. Márcia Alcântara Holanda – 1976 - 1977
Dr. Raimundo César Barbosa Gondim – 1977 - 1978
Dr. Fernando Freire Maia – 1978 – 1979
Dr. Emanuel de Carvalho Melo - 1980 - 1981
Dr. Sérgio Gomes de Matos – 1981 - 1982
Dr. Francisco Sampaio de Oliveira – 1983 – 1984
Dr. João Petrola de Melo Jorge - 1984 - 1985
Dr. José Augusto Araújo Rocha - 1985 - 1986
Dr. José Sábados Pereira Pontes - 1986 - 1987
Dr. Geraldo Madeira Sobrinho - 1988 - 1989
Dr. Francisco Waldeney Rolim - 1990 - 1991
Dra. Rosalinda Aparecida Famochi Camillo - 1991 - 1992
Dr. José Ronaldo Mont’Alverne - 1993 - 1995
Dr. Juvêncio Paiva Câmara Júnior – 1996 – 1998
Dr. José Milad Karbage – 1998 – 1999
Dr. Antonio Prudêncio de Almeida – 1999 – 2002
Dr. Paulo Gurgel Carlos da Silva – 2003 – 2006
Dra. Célia Maria Felix Cirino - 2007 - 2009
Dr. Filadélfo Rodrigues Filho - 2009 - 2010
Agradecimentos
A Vinício Firmeza e Elany Moreira, do Hospital de Messejana, que me repassaram alguns dados mais recentes para que eu completasse a relação acima.

domingo, 22 de agosto de 2010

202 - O orgasmo feminino

An apple a day keeps the doctor away.

Este provérbio inglês que recomenda consumir uma maçã diariamente para não vir a precisar de cuidados médicos é bastante antigo. Já se lia na edição de fevereiro de 1866 da revista Notes and Queries, por exemplo.
Com razão, as maçãs ajudam a manter a saúde. Contêm vitamina C, que é importante para o sistema imunológico, e fenóis que reduzem o colesterol. Diminuem a queda dos dentes ao mantê-los limpos e deixá-los menos sujeitos à ação das bactérias da cavidade oral. E pesquisadores da Cornell University também acreditam que a quercitina, encontrada nas maçãs, também protegem os neurônios de doenças degenerativas como o mal de Alzheimer.
Ainda sobre o provérbio: ele tem dado origem a algumas variantes. Uma delas a gente deve à Mae West:
An orgasm a day keeps the doctor away.
A norte-americana Mae West (1892-1980) foi atriz e um símbolo sexual. Tendo vivido 88 anos, parece que ela tinha razão.

Postagem recomendada
The Female Orgasm: by the Numbers

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sábado, 21 de agosto de 2010

201 - E na contramão...

O assunto de hoje parece estar na contramão do que foi o de ontem. Mas...
Cientistas da Universidade de Manchester anunciam ter descoberto a fórmula para o aperto de mão perfeito. Após recentes estudos em que eles identificaram os doze fatores que exercem influência sobre ele. Veja três deles abaixo:
  • Vigor
  • Olho no olho
  • Temperatura da mão
Os cientistas também anotaram os problemas que mais comumente prejudicam um bom aperto de mão. Destacam-se:
  • Mão úmida
  • Pulso sem firmeza
  • Uma "pegada" muito forte
Ler + em Discovery News.

E glória ao professor Geoffrey Beattie, da Universidade de Manchester, que desenvolveu a fórmula para calcular o aperto de mão perfeito:


(e) is eye contact (1=none; 5=direct) 5; (ve) is verbal greeting (1=totally inappropriate; 5=totally appropriate) 5; (d) is Duchenne smile - smiling in eyes and mouth, plus symmetry on both sides of face, and slower offset (1=totally non-Duchenne smile (false smile); 5=totally Duchenne) 5; (cg) completeness of grip (1=very incomplete; 5=full) 5; (dr) is dryness of hand (1=damp; 5=dry) 4; (s) is strength (1= weak; 5=strong) 3; (p) is position of hand (1=back towards own body; 5=other person's bodily zone) 3; (vi) is vigour (1=too low/too high; 5=mid) 3; (t) is temperature of hands (1=too cold/too hot; 5=mid) 3; (te) is texture of hands (5=mid; 1=too rough/too smooth) 3; (c) is control (1=low; 5=high) 3; (du) is duration (1= brief; 5=long) 3.
Formula for the Perfect Handshake, Neatorama

- Alguém precisa chamar o Homer para uma conversa a respeito.


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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

200 - O cumprimento saudável (2)

Nestes tempos gripais o que um brasileiro deve fazer para se proteger da doença?
Em nota aqui publicada, em 15/08/09 (há exato um ano), formulei essa pergunta. A seguir, dei como resposta, além das medidas sanitárias que estavam sendo recomendadas pelo Ministério da Saúde, uma proposta de um parlamentar.
Nessa proposta, ele recomendava a substituição do aperto de mão, estilo ocidental, pelo cumprimento indiano. Inspirado, possivelmente, no "Caminho das Índias", uma novela da Globo que vinha tendo grande audiência e cujos personagens indianos só se cumprimentavam à distância.
Mas... o sucesso alcançado pela novela não foi suficiente para fazer o namastê prosperar no Brasil.
Felizmente, alguém inventou um equipamento que permite que continuemos a nos cumprimentar à moda ocidental - e sem risco de pegar gripe.

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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

199 - Tem remédio?

Para que tudo fique bem claro começarei do PRIMODIAN. VALDA (vê-la divina e graciosa no reclame ao lado) e eu, muito além daquele chavão de onde cabe um CAMBEM dois, juntos vivíamos. Éramos um casal PLENUM de amor. Como se a vida, em vez de um VALIUM de lágrimas, fosse apenas um CONMEL. TANTUM que nada abalava a nossa felicidade, nem mesmo uma rara e casual BRIDINA. E eu só podia GABAX quão afeiçoados um ao outro éramos. SIRBEN que, entre nós, a mútua renúncia não fosse a condição SINEQUAN para nada.
Mas, eis que um dia, numa praia de grande movimento, ela se decidiu por INOVAL. E, ante a um monte de olhares lascivos, fez um despudorado TOPLEXIL. Eu REAGIN, evidentemente (o que viria depois, o nu FRONTAL?). E, durante dias, lhe fiz um grande SERMION de advertência, sem que - detalhe CAP-TAL - ela se mostrasse uma MADALEN arrependida. Pois ficou em SILENCIUM, só ouvindo como se não fosse, DIABETAL, com ela a reprimenda.
Ah, eu devia ter entendido aquele seu MUTIL como um deixe ESTAC! Pois logo, logo ela partiu PARALON. SOBEE inclusive que foi para viver uma nova experiência, uma NOVARRUTINA. Não para abraçar o teatro BESEROL, mas porque lhe havia eu cansado a BELEXA. E que o UVILON disso tudo fora a minha incompreensão. Como se um homem INTAL situação não pudesse reagir, devesse SERTAL um desfibrado que tudo suporta calado.
Ora, não foi porque eu possuísse um humor LABEL, eu fiquei fulo porque ela DESOBESI-M. Ao armar COFASOL na praia, um lugar onde as pessoas de boa índole vão apenas FLANAX. Mas o importante é que hoje eu tento ser FORTEN, me libertar desse maldito COMPLEXO B. E procuro cair na REALAN, o que não é FA-CYL no transe em que me acho. Porém é preciso, antes que me venham ideias de DUOCIDE, já que desaprovo as soluções violentas. Por natureza, sou MANSIL de espírito e tenho de sobra o NOBRIUM sentimento do perdão.
É ESSEN o meu compromisso: quando um ser FEMINIL aprontar outra, haja o que houver, eu vou me conservar SERENIUM. TOTALENS. Isto é, pelo menos enquanto não VOLTAREN os meus incontroláveis ciúmes... PGCS

Crônica publicada em "O POVO - CULTURA", em 20/05/89, e no "Jornal da Associação Médica Brasileira - JAMB", em data incerta. Alguns dos remédios citados no texto não são mais produzidos pela indústria farmacêutica brasileira.

Assuntos relacionados: Tudo tem remédio, Benzetacil.

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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

198 - O conselho 17

Pode um homem ter mais de uma esposa e não adquirir AIDS através do sexo?

Sim, se o homem não faz sexo com outras mulheres, além das esposas, e se nenhuma delas tem amante. Se um homem é fiel às esposas e estas a ele, durante toda a vida, a AIDS não tem como ser transmitida pelo sexo a alguém do grupo.
Mas, nas regiões da Uganda onde o homem pode ter sexo com a esposa do irmão, esse costume não é seguro. Porque ele não tem como saber se o irmão foi fiel à esposa e esta a seu irmão. Portanto, isto não é seguro, principalmente se o irmão tiver morrido de AIDS.
(tradução livre por PGCS)

Pode gostar de (re)ver:

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terça-feira, 17 de agosto de 2010

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

196 - Piada de oculista

Noite alta, um oftalmologista, chegando de viagem, toma um táxi no aeroporto e pede ao motorista para levá-lo para casa.
No caminho, vê uma senhora, muito bem vestida, entrando uma boate. Reconhecendo a mulher, ele pede ao taxista que pare à porta da boate.
Tira do bolso um maço de notas e diz:
- Aqui estão dois mil reais. São seus se você tirar de dentro da boate aquela mulher vestida de vermelho que acaba de entrar. Mas vá tirando e cobrindo de porrada, sem contemplações, porque aquela desgraçada é minha esposa.
O taxista, que andava numa "dureza daquelas", aceita a proposta e entra na boate.
Cinco minutos depois, ele sai, arrastando uma mulher pelos cabelos, toda desgrenhada, e gritando com ela os maiores impropérios.
O senhor no táxi vê a cena e percebe, horrorizado, que a mulher está vestida de verde e sai correndo para alertar o taxista sobre o erro.
- Pare! Pare! O senhor errou. Como o senhor confundiu vermelho com verde? O senhor é discromata?
Ao que o taxista retruca:
- Discromata é o cacete! Esta é a minha mulher... E já volto lá pra pegar a sua!

Esta piada tinha de vir de um oftalmologista. No caso, ela foi enviada pelo oftalmologista Nelson Cunha, um grande colaborador do blogue. E discromata, se o leitor não sabe o que a palavra significa, é o portador de uma discromatopsia. Em sua forma mais comum, o discromata (ou daltônico) confunde o vermelho com verde. E não consegue ler o número que existe na gravura ao lado.
A consulta foi grátis. PGCS

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domingo, 15 de agosto de 2010

195 - Abstrações

Nos campos de um microscópio, os germes da tuberculose apresentam-se, ao esfregaço do escarro corado pela técnica de Ziehl-Neelsen, como traços e vírgulas em meio a um emaranhado de trabéculas de fibrina e mucina. O que fez com que o pneumologista José Rosemberg comparasse uma cena microscópica do referido exame com uma tela abstrata (imagem abaixo) do pintor norte-americano Jack Pollock.


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sábado, 14 de agosto de 2010

194 - Albert Camus

Albert Camus (Mondovi, 7 de novembro de 1913 — Le Petit-Villeblevin, 4 de janeiro de 1960) foi um escritor e filósofo francês nascido na Argélia. Em sua terra natal viveu sob o signo da guerra, fome e miséria, elementos que, aliados ao sol, formam alguns dos pilares que orientaram o desenvolvimento do pensamento do escritor.
O absurdo da existência humana se manifestou por diversas vezes na vida do escritor franco-argelino. Numa destas, quando concluiu seu doutoramento, Camus se viu impedido de ser professor por haver adoecido de tuberculose. Esta doença inclusive lhe deu a real dimensão da possibilidade cotidiana de morrer, o que foi fundamental no desenvolvimento de sua obra filosófica /literária.
A tuberculose também o impediu de continuar a praticar um esporte que tanto amava: o futebol. Camus era o goleiro da seleção universitária (conta-se que um bom goleiro). E o seu amor ao futebol seguiu-o durante toda a vida. Muito o impressionava a paixão do brasileiro pelo futebol. Por isso, ao visitar o Brasil em 1949, logo pediu que o levassem para assistir a uma partida de futebol.
Em 1957, Albert Camus recebeu o Prêmio Nobel de Literatura "pelo conjunto de sua obra que punha em evidência os problemas que surgem na consciência do homem moderno".

Ler algumas de suas frases mais conhecidas em EntreMentes.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

193 - O voo de Lévy

O matemático francés Paul Pierre Lévy estabeleceu um padrão matemático conhecido pelo poético nome de “voo de Lévy”. Para entender o padrão temos que imaginar uma gaivota que busca alimento.
Podemos imaginá-la na orla marítima, caçando caranguejos, e ali permanecendo durante horas. Até que a maré muda. Então, é possível que a gaivota vá a outro local em busca de mais alimento.
Este padrão de muitos voos curtos que se alternam com poucos voos compridos é o modo como, atualmente, se propagam as enfermidades entre as pessoas. Antes não era assím. Por exemplo, na Europa do século XIV, a peste não se propagava muito rapidamente, de uma cidade a outra, porque as pessoas não conseguiam se deslocar mais do que alguns quilômetros por dia. As pessoas apenas interagiam com aquelas que viviam nas proximidades.
Calcula-se que, naquele tempo, uma praga levava mais de 3 anos para se deslocar do sul da Europa às regiões setentrionais, a uma velocidade de 4 a 5 quilômetros por dia, tal como informa o estudo de S. Scott e C. Duncan, Biology of Plagues: Evidence from Historial Populations.
Agora comparemos essa forma de propagação com a de uma nova enfermidade, surgida em 2003, a pneumonia asiática ou Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS, em inglês). Devido a que as pessoas hoje em dia se deslocam muito mais, fazendo viagens de longas distâncias inclusive, e com isso aumentam a propagação dos agentes patógenos, é que se pôde comprovar o seguinte:
Um dos afetados pela epidemia de SARS transportou a infecção por quase 13.000 quilômetros (da China ao Canadá) em somente 24 horas. Sem dúvida um voo de Lévy de funestas consequências.

Traduzido de El vuelo de Lévy: cómo se transmiten actualmente las enfermedades, de Sergio Parra. In: GENCIENCIA

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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

192 - Esculturas virais

Luke Jerram é um artista multidisciplinar e cientista amador da Universidade de Southampton, Inglaterra. Em sua galeria virtual, Infectious Beauty, ele exibe as imagens das esculturas que criou, em colaboração com uma equipe de sopradores de vidro, sobre as formas apresentadas por diferentes tipos de vírus.
O artista contou com a orientação do Dr. Andrew Davidson, virologista da Universidade de Bristol, Inglaterra, durante a realização de seu trabalho.
Através de suas esculturas, Luke Jerram revela a tensão entre o belo e o perigoso para a humanidade, qualidades existentes nesses microscópicos seres.

Vídeo


Documentário de uma peça (escultura do HIV)
sendo feita pelo soprador de vidro Kim George.

Nelson Cunha sugeriu este assunto.
Republicado de EntreMentes

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

191 - OlhO gOrdO

Circula pela internet, na categoria das curiosidades, a "informação" de que o olho humano é um órgão que não cresce após o nascimento. Assim, de recém-nato a adulto, os olhos de uma pessoa teriam, em situação de normalidade, as mesmas dimensões. Resolvi provocar o colega Nelson José Cunha, médico oftalmologista em João Monlevade - MG, sobre a veracidade disso. E o texto que ele me enviou é uma aula, além de ser bem divertido. Está sendo aqui publicado - com umas notas minhas no "rodapost".

Paulo,
O olho de um recém-nascido mede 16 mm (axial) e o de um adulto emétrope 23 mm (axial) . Talvez daí venha o mito de que o olho não cresce porque as outras dimensões do corpo aumentam muito mais. As razões do pequeno crescimento são: limitação imposta pela órbita, necessidade de ajustar o foco do mundo exterior à retina com o conjunto óptico córnea-cristalino que tem limites. Observe que, nos míopes axiais, o olho ao crescer meros 2 -3 mm ocasiona uma queda drástica da visão - mais de 90% de perda para longe. Hoje, medimos obrigatoriamente as dimensões dos olhos nos pacientes que vão se operar de catarata, porque faz parte da fórmula do poder dióptico da lente que vai ser colocada no lugar do cristalino. Vemos a extrema semelhança dimensional dos olhos das pessoas. Não importa se são altas e fortes ou pequenas e frágeis. O mesmo acontece com o pênis (1). Felizmente, a minha especialidade me poupa do constrangimento de ter que medi-los. Nos casos dos olhos e do pênis o tamanho do dedo não revela o gigante.
Notamos grandes diferenças no "tamanho" dos olhos entre as pessoas, mas isso decorre da posição dos olhos dentro das órbitas e não do seu tamanho real. Uma órbita profunda com pouca gordura retro-orbitária dá a impressão de olho pequeno. O inverso também acontece e simula um olho grande. Somos inclinados a achar um olho grande quando é maior a fenda palpebral e mais esclera fica visível.
Entre os animais notamos grande desproporção entre o tamanho dos olhos e as dimensões gerais, especialmente daqueles de hábitos noturnos, porque precisam de um elevado número de células retinianas (bastonetes). Há um lêmure em que o volume dos dois olhos é maior do que o restante da cabeça (2). Não me lembro do nome da espécie (2).
Nesse pequenino e agilíssimo animal, os olhos estão 80 % fora da órbita.
Olho grande é figura poética e o é de uma conhecida minha que matou meu limoeiro com uma simples olhada seguida de elogio (3).
Nelson
rOdapOst
(1) Aqui começa o processo de esvaziamento de outro mito, não é?
(2) Seria o Maurice (na imagem ao lado), um aye-aye do filme Madagascar? Ele é da família Daubentoniidae.
(3) Daí a importância, Nelson, de a gente sempre olhar a folha corrida das pessoas. Essa sua conhecida talvez já fosse, desde a época em que ela militava no Partido Verde, uma seca-pimenteira da marca maior. PGCS

Post scriptum
Paulo,
O lêmure é um tarsier. Há muitas referências sobre ele na net. Digite "tarsier skull" e verá o tamanho de suas órbitas com relação à cabeça.
Nelson


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terça-feira, 10 de agosto de 2010

190 - Sobre a homeopatia

A homeopatia não funciona nos céticos
Estes, a fim de demonstrar a falta de efeito da homeopatia, já consumiram diante do público grandes quantidades de medicamentos homeopáticos. Alguns, como James Randi, Richard Saunders e Peter Bowditch consumiram caixas inteiras de pílulas homeopáticas para dormir no começo de suas palestras. E outros, como um grupo de céticos belgas, deram uma entrevista à imprensa, durante a qual tentaram cometer suicídio coletivo tomando diluições homeopáticas de veneno. Ninguém passou mal.
A homeopatia funciona nos crédulos
Como toda e qualquer crença.

Vídeo
O legendário cético James Randi toma em pleno palco 32 comprimidos de Calms Forte, uma medicação homeopática a que se atribui a propriedade de fazer dormir, e dá início a 17 minutos de fortes críticas e acusações às crenças irracionais.
Clique em “View Subtitles” e escolha “Portuguese (Brazil)” para ter acesso às legendas em nosso idioma.



Para ler mais
No blog: Lembram-se de Uri Geller?
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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

189 - Malhando em água fria

A preocupação com a forma física não existe apenas nas pessoas.
No vídeo abaixo, você pode ver um simpático camarão correndo sobre uma esteira subaquática ao som de The Benny Hill Theme.



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domingo, 8 de agosto de 2010

188 - "Dr. Auschwitz"

As "pesquisas" do médico nazista Josef Mengele foram abomináveis. Em sua obsessão para conhecer os segredos que pudessem aumentar as taxas de natalidade da "raça ariana", ele realizava suas "experiências" em crianças gêmeas, principalmente.
In anima nobile - e sempre sem anestesia - ele comandou no campo de concentração de Auschwitz a prática de inúmeras atrocidades pseudocientíficas, tais como:
extração de fragmentos ósseos, produção artificial de xipófagos (irmãos siameses), injeção de produtos químicos nos olhos (para lhes mudar a cor), transfusões de sangue, infecções e submersões em água gelada (para testar a resistência), remoção de órgãos, castrações, amputações e promoção de gravidezes incestuosas.
Dos aproximadamente três mil gêmeos que passaram por suas mãos, apenas 26 sobreviveram. Mengele correspondeu de fato ao epíteto de "Anjo da Morte".
Após a guerra, ele se refugiou na América do Sul, onde viveu na clandestinidade e (aparentemente) sem remorsos o resto de sua vida. Morreu por afogamento acidental em Bertioga, no litoral paulista, aos 68 anos.

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sábado, 7 de agosto de 2010

187 - Filatelia Médica

O médico do trabalho e neurologista Élvio Armando Tuoto edita, desde 2007, o Filatelia Médica. Como o nome indica, é um blogsite que apresenta imagens de selos postais relacionados à medicina: personalidades, descobertas, eventos e instituições médicas. E Dr. Élvio torna mais proveitosa a visita ao blog, incluindo informações históricas em suas postagens.
Após uma visita geral ao Filatelia Médica, retornei para dar uma atenção especial a estes tópicos: tuberculose, Robert Koch (médico alemão que descobriu os bacilos da tuberculose e da cólera), Calmette (médico francês que, trabalhando com Guérin, criou a vacina BCG) e Cruz de Lorena.


A Cruz de Lorena (na figura ao lado) é uma cruz com dois braços transversais. Foi adotada, a partir de 1902, como símbolo internacional da "cruzada" contra a tuberculose, por sugestão do médico francês Gilbert Sersiron. A escolha dessa insígnia inspirou-se na cruz usada pelo Duque Godofredo de Bouillon, da região de Lorena, por ocasião da Primeira Cruzada para Jerusalém.

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Post scriptum
Transcrevo este comentário de Marcelo Gurgel:
Caro Paulo,
Vale lembrar que o pneumologista José Rosemberg era filatelista, possuindo uma rica e inigualável coleção de selos relacionada à tuberculose, que ficou sob à custódia da sua viúva Ana Margarida.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

186 - Ciência x pseudociência

Confunde-se o ceticismo com a atitude de não acreditar em nada. É falso. Todos nós temos o direito e, às vezes, a necessidade de acreditar em algo. Mas é no ceticismo onde está a ferramenta mais eficaz para separar a pseudociência (o joio) da ciência (do trigo).

1. Enquanto o pensamento pseudocientífico estabelece esquemas estáticos, o pensamento científico encontra-se aberto a conflitos cognitivos. Isto quer dizer que a ciência, mediante conflitos conceituais e revoluções científicas, evolui sempre.

2. Nesta linha de conduta, a pseudociência não aceita fatos que sejam contrários a seus princípios. Já a ciência busca essas anomalias, as quais inclusive podem trazer revoluções científicas que ampliem o seu campo de estudo.

3. A pseudociência se cerca de mistérios sem explicá-los com razoabilidade. A ciência, que não os busca, analisa-os. Observar que um mistério, ao ter a causa explicada, passa ao plano da ciência e deixa de interessar à pseudociência.

4. A pseudociência não se atualiza ao longo dos tempos, é anacrônica. E aqui novamente aparece a ideia do progresso como sendo um dos motores da ciência.

5. A pseudociência recorre a explicações esotéricas ligadas a forças estranhas e indetectáveis. A ciência busca as explicações de acordo com os resultados de suas experiências.

6. As hipóteses pseudocientíficas não podem falhar, o que pode acontecer comumente no argumento científico.

7. Os estudos pseudocientíficos oferecem apenas relatos isolados. A ciência busca a reprodutibilidade dos fenômenos e, até que ela aconteça, não pode emitir hipóteses plausíveis e, muito menos, teorias e leis.

8. A pseudociência permanece no século XVII: pretende dar como certo um argumento porque uma pessoa "importante" o emitiu. A ciência trabalha através da contínua contestação e o argumento de uma autoridade não é um critério científico.

de Eugenio Manuel. In: Ciencia en el XXI

Publicado em EntreMentes