por Nelson José Cunha, médico
A maioria dos meus ídolos está entre médicos abnegados, inventivos e corajosos. Os heróis dos esportes e das artes também ocupam seu lugar no meu panteão particular, mas um só degrau abaixo.O Dr. Clarence Walton Lillehei foi um desses médicos extraordinários.
Em 1954, no Hospital da Universidade de Minnesota, ele realizou uma das mais ousadas intervenções da história da medicina: utilizou uma "bomba humana" — o próprio pai do paciente.
A equipe cirúrgica anestesiou pai e filho em mesas de operação lado a lado. Os sistemas circulatórios de ambos foram conectados por tubos plásticos e uma bomba mecânica de calibração precisa.
O sangue venoso do filho, pobre em oxigênio, era conduzido para a circulação do pai. Os pulmões paternos o oxigenavam naturalmente. Em seguida, a bomba devolvia esse sangue, agora rico em oxigênio, às artérias da criança. Dessa forma, o coração do pequeno paciente podia ser completamente parado, aberto e reparado, geralmente para corrigir graves malformações congênitas, como a Tetralogia de Fallot o coracão não pode se mexer.
Enquanto isso, o cérebro e os demais órgãos da criança continuavam recebendo oxigênio através da circulação do pai, numa situação que lembrava a dependência vital do bebê no útero materno.
Na época, a técnica foi duramente criticada por muitos colegas. O principal questionamento ético era evidente: Lillehei poderia estar criando uma operação com risco de morte para ambos os pacientes. Afinal, não apenas a vida da criança estava em jogo, mas também a do pai.
Mas a coragem, quando acompanhada de responsabilidade e competência, frequentemente encontra sua recompensa.
Funcionou!
Vieram então dezenas de procedimentos bem-sucedidos, salvando vidas que a medicina da época considerava perdidas. Poucos anos depois, as máquinas de circulação extracorpórea seriam aperfeiçoadas e substituiriam aquela solução improvisada e genial.
Foi um momento de pura audácia cirúrgica — um daqueles raros instantes em que a inteligência, a coragem e a compaixão se unem para ampliar os limites do possível.
N. do E.
Era o tipo de cirurgia em que poderia haver uma mortalidade de 200%, mas funcionava. E a maioria de seus pacientes de circulação cruzada conseguiu sobreviver.
A equipe cirúrgica anestesiou pai e filho em mesas de operação lado a lado. Os sistemas circulatórios de ambos foram conectados por tubos plásticos e uma bomba mecânica de calibração precisa.
O sangue venoso do filho, pobre em oxigênio, era conduzido para a circulação do pai. Os pulmões paternos o oxigenavam naturalmente. Em seguida, a bomba devolvia esse sangue, agora rico em oxigênio, às artérias da criança. Dessa forma, o coração do pequeno paciente podia ser completamente parado, aberto e reparado, geralmente para corrigir graves malformações congênitas, como a Tetralogia de Fallot o coracão não pode se mexer.
Enquanto isso, o cérebro e os demais órgãos da criança continuavam recebendo oxigênio através da circulação do pai, numa situação que lembrava a dependência vital do bebê no útero materno.
Na época, a técnica foi duramente criticada por muitos colegas. O principal questionamento ético era evidente: Lillehei poderia estar criando uma operação com risco de morte para ambos os pacientes. Afinal, não apenas a vida da criança estava em jogo, mas também a do pai.
Mas a coragem, quando acompanhada de responsabilidade e competência, frequentemente encontra sua recompensa.
Funcionou!
Vieram então dezenas de procedimentos bem-sucedidos, salvando vidas que a medicina da época considerava perdidas. Poucos anos depois, as máquinas de circulação extracorpórea seriam aperfeiçoadas e substituiriam aquela solução improvisada e genial.
Foi um momento de pura audácia cirúrgica — um daqueles raros instantes em que a inteligência, a coragem e a compaixão se unem para ampliar os limites do possível.
N. do E.
Era o tipo de cirurgia em que poderia haver uma mortalidade de 200%, mas funcionava. E a maioria de seus pacientes de circulação cruzada conseguiu sobreviver.

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