Durante os 12 meses de projeto, Hugo Farias,42, repetiu o mesmo trajeto nas ruas de Americana, no interior de São Paulo. A distância era sempre a mesma: 42,195 km, o equivalente exato a uma maratona. Não havia linha de largada, placas de quilometragem ou torcida. As corridas não faziam parte de eventos oficiais nem contavam com a estrutura de provas organizadas. Quando viajava, Hugo ajustava o percurso à cidade onde estivesse. O compromisso era com a distância, e não com a competição.
A escolha por correr em ritmo leve a moderado foi feita antes da primeira maratona. A equipe do InCor orientou que a frequência cardíaca se mantivesse entre 130 e 150 bpm, próxima do primeiro limiar ventilatório. A velocidade média de corrida ficava em torno de 10 a 11 km/h, e o foco era a regularidade. O objetivo não era bater um recorde de tempo, era preservar o corpo para que ele conseguisse cumprir a tarefa todos os dias. Os dados coletados mostraram que Hugo atingiu o estado de economia de corrida —equilíbrio fisiológico que permite manter o esforço com menor desgaste físico.
O acompanhamento médico foi feito mensalmente. A cada quatro semanas, Hugo passava por uma bateria de exames: testes cardiopulmonares de esforço, ecocardiogramas, eletrocardiogramas e análises laboratoriais para avaliação de biomarcadores inflamatórios e cardíacos. Esse monitoramento periódico permitia à equipe detectar variações sutis e antecipar riscos. Nenhum dos exames apresentou alterações que justificassem a interrupção do protocolo.
A maratona de número 366 foi concluída em agosto de 2023. Em junho de 2024, o Guinness World Records oficializou que Hugo havia quebrado um recorde mundial. O próximo passo já está em planejamento para 2026: correr de Prudhoe Bay, no Alasca, até Ushuaia, na Argentina, cruzando o continente americano em 300 dias.
Extraído de: O que a ciência aprendeu com o estudo do brasileiro que correu 366 maratonas em um ano, Medscape
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