quinta-feira, 23 de julho de 2026
1477 - Classificação de risco dos sistemas de inteligência artificial
Sistemas administrativos sem impacto clínico direto
Exemplos: agendamento, organização de prontuários
Controle: monitoramento periódico básico
Médio risco
Sistemas que apoiam decisões mas não as executam autonomamente
Exemplos: análise de exames, sugestões diagnósticas
Controle: supervisão humana ativa, validação médica obrigatória
Alto risco
Sistemas que tomam decisões terapêuticas ou executam ações críticas
Exemplos: bombas de infusão controladas por IA
Controle: supervisão e acompanhamento contínuos, auditorias regulares
A classificação determina o nível de controle exigido. Quanto maior o risco, mais rigorosos devem ser os processos de validação, auditoria e monitoramento contínuo da ferramenta. Aplicações de alto risco não podem operar sem supervisão humana.
quinta-feira, 16 de julho de 2026
1476 - A relação da Campylobacter jejuni com a síndrome de Guillain-Barré
Esta relação pode ser explicada por três pilares principais: a epidemiologia, o mecanismo biológico e as características clínicas.
A ligação entre a infecção e a síndrome é estabelecida por dados que mostram uma forte correlação:
Precedência da infecção. A C. jejuni é a infecção antecedente mais comum da SGB. Estima-se que de 30% a 40% dos casos de SGB sejam precedidos por uma infecção por essa bactéria.
Incidência. Embora a infecção por C. jejuni seja comum, o desenvolvimento da SGB é um evento raro.
Período de latência: Os sintomas neurológicos da SGB geralmente começam de 5 dias a 3 semanas após o início da infecção gastrointestinal causada pela bactéria.
2. Mecanismo fisiopatológico
O principal mecanismo que explica como uma infecção intestinal pode levar a uma doença neurológica é o mimetismo molecular. Este processo ocorre em etapas:
Infecção. A pessoa é infectada por C. jejuni, que causa uma gastroenterite (diarreia).
Resposta imune. O sistema imunológico do paciente produz anticorpos para combater a bactéria.
Reação Cruzada. A parede celular de algumas cepas de C. jejuni contém uma estrutura chamada lipooligossacarídeo (LOS) que é muito semelhante aos gangliosídeos (moléculas presentes na superfície das células nervosas periféricas humanas).
3. Características clínicas
A SGB desencadeada por C. jejuni frequentemente apresenta características clínicas distintas, que a tornam mais grave: a forma axonal. Está mais associada à forma axonal motora aguda da SGB, um subtipo que lesa diretamente os axônios (no qual o quadro clínico é mais grave) em vez da bainha de mielina. Na forma axonal, os portadores tendem a apresentar um quadro puramente motor (sem perda de sensibilidade), com fraqueza muscular mais severa, um processo de recuperação mais lento e com um risco maior de deficiência residual grave.
Os filhotes de cães e gatos destacam-se como transmissores da bactéria C. jejuni.
quinta-feira, 9 de julho de 2026
1475 - A criação de uma interface de comunicação para um paciente paralisado
Profissional da área de Tecnologia da Informação, de 38 anos e sem doenças preexistentes, ele apresentou inicialmente sintomas gripais. Pouco tempo depois, foi diagnosticado com Síndrome de Guillain-Barré (SGB) com envolvimento bulbar. A ptose palpebral bilateral impedia a comunicação por meio dos olhos.
O principal mérito na condução do caso foi a criação de uma interface de comunicação para um paciente com uma apresentação atípica da SGB. Segundo ele, entre 85% e 90% dos casos seguem o padrão clássico de início distal, com fraqueza que começa nos pés e progride de forma ascendente pelo corpo. Além disso, nem todos os pacientes evoluem para quadros tão graves quanto o descrito. Em muitos casos, há redução da força muscular, mas não sua perda completa, o que permite a comunicação por meio dos dedos das mãos ou dos movimentos oculares.
A primeira estratégia de comunicação foi bastante simples: a equipe pediu à família que levasse um pequeno sino, que foi preso ao pé do paciente. A partir daí, estabeleceu-se um código básico de respostas: um movimento para indicar “sim” e dois movimentos para indicar “não”.
Rapidamente, os pesquisadores estabeleceram uma parceria com a Natal Makers, empresa especializada em prototipagem e automação. Em apenas um mês, a equipe multidisciplinar desenvolveu o dispositivo batizado de “Podovox” (podo = pé; vox = voz). Composto por peças de acrílico, conectores metálicos, componentes Arduino, fiação, alto-falantes e controlado por um software personalizado, o Podovox possibilitou a comunicação entre o paciente, a família e a equipe de saúde.
Citação deste artigo: Como um sonho ajudou a criar uma interface de comunicação para um paciente paralisado - Medscape - 29 de junho de 2026.
quinta-feira, 2 de julho de 2026
1474 - Índice de Desenvolvimento Humano
Ele varia de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, mais desenvolvido é o local.
Ele se baseia em três pilares fundamentais:
- Saúde: medida pela expectativa de vida ao nascer.
- Educação: calculada pelos anos de escolaridade esperados (para crianças) e a média de anos de estudo (para adultos).
- Renda: medida pelo PIB per capita (Produto Interno Bruto por habitante) para refletir o padrão de vida.
quinta-feira, 25 de junho de 2026
1473 - Walton Lillehei, o pioneiro da circulação extracorpórea
O Dr. Clarence Walton Lillehei foi um desses médicos extraordinários.
A equipe cirúrgica anestesiou pai e filho em mesas de operação lado a lado. Os sistemas circulatórios de ambos foram conectados por tubos plásticos e uma bomba mecânica de calibração precisa.
O sangue venoso do filho, pobre em oxigênio, era conduzido para a circulação do pai. Os pulmões paternos o oxigenavam naturalmente. Em seguida, a bomba devolvia esse sangue, agora rico em oxigênio, às artérias da criança. Dessa forma, o coração do pequeno paciente podia ser completamente parado, aberto e reparado, geralmente para corrigir graves malformações congênitas, como a Tetralogia de Fallot o coracão não pode se mexer.
Enquanto isso, o cérebro e os demais órgãos da criança continuavam recebendo oxigênio através da circulação do pai, numa situação que lembrava a dependência vital do bebê no útero materno.
Na época, a técnica foi duramente criticada por muitos colegas. O principal questionamento ético era evidente: Lillehei poderia estar criando uma operação com risco de morte para ambos os pacientes. Afinal, não apenas a vida da criança estava em jogo, mas também a do pai.
Mas a coragem, quando acompanhada de responsabilidade e competência, frequentemente encontra sua recompensa.
Funcionou!
Vieram então dezenas de procedimentos bem-sucedidos, salvando vidas que a medicina da época considerava perdidas. Poucos anos depois, as máquinas de circulação extracorpórea seriam aperfeiçoadas e substituiriam aquela solução improvisada e genial.
Foi um momento de pura audácia cirúrgica — um daqueles raros instantes em que a inteligência, a coragem e a compaixão se unem para ampliar os limites do possível.
N. do E.
Era o tipo de cirurgia em que poderia haver uma mortalidade de 200%, mas funcionava. E a maioria de seus pacientes de circulação cruzada conseguiu sobreviver.
quinta-feira, 18 de junho de 2026
1472 - Vecina e a vacina do Butantan suspensa
O Ministério da Saúde (MS) anunciou na segunda-feira (08/06) a suspensão temporária da vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan e que estava sendo aplicada em profissionais de saúde e em moradores de alguns municípios brasileiros, após casos de reações severas — incluindo mortes suspeitas e ainda sob investigação. O MS já havia vacinado 500 mil pessoas entre profissionais de saúde do país — e posteriormente vacinou parte da população nos municípios de Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) e na região de Araguaína, no Tocantins. No entanto, houve registro de 42 casos de reações raras e inesperadas, que segundo o governo correspondem a 0,008% do total. Essas reações não haviam sido identificadas em estudos clínicos e não estão previstas na bula da vacina. Entre os 42 casos, três foram considerados graves — e dois deles resultaram em mortes. Nenhuma das mortes aconteceu nas três cidades e na região onde a vacinação foi ampliada para a população. A vacina do Butantan contra a dengue começou a ser disponibilizada em dezembro do ano passado, após aprovação da Anvisa. (*) Segundo o MS, o Instituto Butantan trabalhou no desenvolvimento da sua vacina por aproximadamente 20 anos, e licenciou sua tecnologia ao Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH). Foram realizados estudos clínicos de fase 1, 2 e 3, conforme os protocolos vigentes. Mais de 11 mil voluntários foram vacinados e acompanhados por 5 anos. A vacina apresentou eficácia geral de 65% contra a doença e eficácia de 80% para casos mais graves.
(*) Antes disso, a vacina Qdenga havia sido incorporada no Programa Nacional de Imunizações (PNI) de forma gratuita. Produzida pela farmacêutica japonesa Takeda, esta vacina segue sendo oferecida no SUS a jovens entre 10 e 14 anos. Cerca de 8 milhões de doses desse imunizante já foram aplicadas no Brasil desde 2024.
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O médico sanitarista Gonzalo Vecina, que foi o primeiro presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e que fez parte do conselho da Fundação Butantan na época em que a vacina contra a dengue entrou em fase de pesquisa clínica, disse que a vacina do Instituto Butantan contra a dengue que foi suspensa seria, na sua visão, "aprovada em qualquer lugar do mundo."
"Dos quase 16 mil pacientes, algo em torno de 11 mil receberam a vacina e 5 mil receberam o placebo", disse Vecina à BBC News Brasil. "Desses que tomaram a vacina, não tivemos nenhuma internação e os efeitos colaterais apresentados foram os esperados."
"Acredito que esta vacina seria aprovada em qualquer lugar do mundo, com uma dose única, o que é uma grande vantagem frente à vacina Qdenga, que foi aprovada também com nenhuma contraindicação."
"Segundo a OMS, as vacinas salvaram 154 milhões de vidas nos últimos 50 anos, cerca de 3 milhões por ano. No Brasil, as vacinas ajudaram a erradicar a poliomielite (paralisia infantil), a varíola e a rubéola e, no caso do sarampo, o país está livre da doença."
quinta-feira, 11 de junho de 2026
1471 - "Vou-me embora pro passado"
Pra tudo que precisar
Lá tem doutor de família
Que tem prazer de curar
Lá tem Água de Rubinat
Melpoejo, Asmapen
Bromil e Capivarol
Arnica, Phimatosan
Regulador Xavier
Tem Saúde da Mulher
Tem Aguardente Alemã
Tem também Capiloton
Pentide e Terebentina
Xarope de Limão Bravo
Pílulas de Vida do Dr. Ross
Tem também aqui pra nós
Uma tal Robusterina
A saúde feminina.
Trecho de uma paródia de "Vou-me embora pra Pasárgada, de Manoel Bandeira.
quinta-feira, 4 de junho de 2026
1470 - A criação da Faculdade de Medicina do Ceará
Mas o projeto foi adiado por causa da eclosão da 2.ª Guerra Mundial; tendo sido retomado apenas em 1946, durante o I Congresso de Médicos Católicos. Para este evento vieram/regressaram à cidade médicos cearenses (formados em outros centros) e que também estagiaram no exterior, com seus “jovens sonhares”.
Então, foi fundada em 1947 a Sociedade Promotora da Faculdade de Medicina do Ceará, constituída por César Cals de Oliveira (presidente de honra); Jurandir Marães Picanço (presidente); Antonio Jorge de Queiroz Jucá (1º secretário); Alber Furtado de Vasconcelos (2º secretário) e Eliezer Studart da Fonseca (tesoureiro). Além da diretoria, compunham as comissões organizadoras: Haroldo Gondim Juaçaba, Juvenil Hortêncio de Medeiros, Walter de Moura Cantídio, Raimundo Vieira Cunha, Waldemar de Alcântara e Silva, Josa Magalhães, João Batista Saraiva Leão, Tarcísio Soriano Aderaldo e Fernando Leite.
O trabalho deles surtiu efeito e, no dia 13 de abril de 1948, o então Presidente da República, Eurico Gaspar Dutra, e o Ministro da Educação, Clemente Mariani, assinaram o Decreto que dava ao Ceará o privilégio de ter um curso médico. E foi criado o Instituto de Ensino Médico do Ceará, tendo como diretor João Batista Saraiva Leão.
Sua primeira sede foi na Praça José de Alencar, ao lado do Theatro, em prédio cedido pelo governo do Estado do Ceará.
No dia 12 de maio de 1948, o Prof. Alfredo Monteiro, Diretor da Faculdade Nacional de Medicina, proferiu a aula de sapiência, ficando instalada a Faculdade de Medicina a ser mantida pelo Instituto de Ensino Médico. No futuro, esta data inclusive daria nome ao Centro Acadêmico da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará.
O primeiro exame vestibular para Medicina, no Ceará, foi realizado ainda em 1948, nas dependências do casarão em que estava instalada a Faculdade. E as provas foram realizadas com a presença de público para demonstrar a lisura e a transparência do concurso. Concorreram 85 candidatos para 60 vagas, sendo classificados apenas 10.
Em 27 de março de 1951, foi divulgado Decreto no qual o Presidente Getúlio Vargas e o Ministro da Educação Simões Filho reconheciam o curso de Medicina, que passou a se chamar Faculdade de Medicina do Ceará.
Dos dez alunos da primeira turma apenas três colaram o grau em dezembro de 1953: Ana Nogueira Gondim, Hilda de Souza Magalhães e Raimundo Hélio Cirino Bessa. Um dos três concludentes, Raimundo Hélio Cirino Bessa, veio a se tornar posteriormente professor de cardiologia da Faculdade.
Em 1954, a Faculdade de Medicina passou a pertencer à Universidade Federal do Ceará (UFC). Como uma autarquia vinculada ao Ministério da Educação, foi o resultado de um amplo movimento de opinião pública. Criada pela Lei nº 2.373, em 16 de dezembro de 1954, foi instalada em 25 de junho do ano seguinte.
Em 1954, segundo Alencar Araripe, colaram grau 13 alunos; em 1955, 8 alunos; em 1956, 13 alunos; e em 1957, 18 alunos. Neste último ano, a Faculdade de Medicina foi transferida da Praça José de Alencar para Porangabuçu.
No início, sob a direção do Prof. Antônio Martins Filho, fundador e primeiro reitor da UFC (de 1955 a 1967), a UFC era constituída pelos seguintes estabelecimentos federais de ensino superior:
a) Faculdade de Direito (Decreto-lei nº 8.827, de 24 de janeiro de 1946);
b) Faculdade de Farmácia e Odontologia (Lei nº 1.254, de 4 de dezembro de 1950);
c) Escola de Agronomia (Lei número 1.055, de 16 de janeiro de 1950);
d) Faculdade de Medicina do Ceará (Decreto nº 22.397, de 7 de março de 1951).
https://www.diariodasleis.com.br/legislacao/federal/99534-cria-a-universidade-do-cearu-com-sede-em-fortaleza-e-du-outras-providuncias.html
Até o ano de 1970, entrava apenas uma turma de alunos por ano através de seu concurso vestibular. A partir de 1971, passaram a entrar duas turmas por ano, o que acontece até hoje.
Em 1973, uma reforma universitária tornou a Faculdade de Medicina um curso do Centro de Ciências da Saúde (CCS). Mas, em 1997, na gestão do Prof. Elias Salomão Boutala, o curso de Medicina da UFC foi desvinculado do CCS e voltou a ser chamado de Faculdade de Medicina da UFC (FM-UFC).
Desde então, a Faculdade de Medicina da UFC se consolidou como uma das principais instituições de ensino de Medicina do Brasil, formando profissionais altamente qualificados e contribuindo para o avanço da ciência médica em todo o país. ChatGPT
Fontes
Araripe, José Caminha Alencar. A Faculdade de Medicina e sua Ação Renovadora. Expressão Gráfica
http://www.diariodasleis.com.br/legislacao/federal/99534-cria-a-universidade-do-cearu-com-sede-em-fortaleza-e-du-outras-providuncias.html (indisponível)
http://www.ufc.br/noticias/noticias-de-2013/3587-historia-e-homenagens-abrem-comemoracoes-dos-65-anos-da-faculdade-de-medicina
Cronologia
1946: I Congresso de Médicos Católicos, em Fortaleza
1947: Fundação no Ceará da Sociedade Promotora da Faculdade de Medicina
1948: Decreto e criação do curso de Medicina. Aula de sapiência em 12 de maio. Primeira sede na Praça José de Alencar; e primeiro exame vestibular (com 10 classificados)
1951: Decreto reconhecendo o curso de Medicina, que passou a se chamar Faculdade de Medicina do Ceará.
1953: Turma Prima (com 3 concludentes)
1954: Criação da autarquia UFC e FM passou a pertencer à UFC
1955: Instalação da UFC (reitor Antonio Martins Filho)
1957: Instalação da FM no Campus de Porangabussu
1966: Turma Andreas Vesalius; 1971: Turma Carlos Chagas /
1973: Reforma universitária. FM tornou-se um curso do CCS
1997: FM-UFC
quinta-feira, 28 de maio de 2026
1469 - Síndrome de Kartagener
A Síndrome de Kartagener é classicamente definida por uma tríade:
- Situs Inversus (totalis): órgãos internos do tórax e abdômen espelhados (ex: coração à direita, fígado à esquerda).
- Bronquiectasias: dilatação permanente dos brônquios, causando tosse crônica e infecções pulmonares.
- Sinusite Crônica/Pansinusite: inflamação crônica dos seios paranasais.
- Causa: Defeito genético hereditário que afeta a motilidade dos cílios, frequentemente devido à deficiência da proteína dineína.
-
Epidemiologia: Prevalência estimada em cerca de 1:25.000 a 1:32.000, representando cerca de 50% dos casos de Discinesia Ciliar Primária.
Sintomas respiratórios: Devido à depuração mucociliar deficiente, os pacientes sofrem de tosse produtiva, infecções pulmonares de repetição (pneumonias), bronquite crônica e congestão nasal constante. - Infertilidade: A deficiência na motilidade ciliar também afeta a cauda dos espermatozoides, causando infertilidade na maioria dos homens, e pode causar infertilidade/subfertilidade feminina devido a cílios ineficientes nas tubas uterinas.
- Diagnóstico: Baseado em exames de imagem (radiografia/tomografia revelando situs inversus e bronquiectasias) e confirmado por biópsia da mucosa nasal/bronquial para avaliação da ultraestrutura ciliar por microscopia eletrônica.
- Tratamento: Não há cura. O tratamento foca em gerir os sintomas e complicações, incluindo fisioterapia respiratória para higiene brônquica, antibióticos para infecções e, raramente, cirurgia.
quinta-feira, 21 de maio de 2026
1468 - Artrose: "Seus dias estão contados!"
Ontem, assisti a uma aula silenciosa de perfeição biomecânica. Ele espreitava um pássaro com paciência felina, imóvel como uma estátua viva. Num reflexo magistral, saltou de costas e garantiu o jantar. Meu olhar era de pura admiração. Gatos e lontras exibem uma sinfonia perfeita de músculos, articulações e reflexos - uma harmonia biomecânica que parece desafiar o tempo.
O segredo dessa graça toda reside na cartilagem. Essa fina camada lisa, elástica e resiliente que reveste as extremidades dos ossos, impedindo que se esfreguem uns contra os outros como pedras de amolar. Funciona como um amortecedor biológico de altíssima eficiência, capaz de suportar cargas repetidas ao longo de décadas. Mas aqui começa o drama. A cartilagem possui um metabolismo delicado, com pouquíssimas células especializadas - os condrócitos - responsáveis por sua manutenção. Para agravar, não possui irrigação sanguínea direta. É nutrida de forma difusa, como a córnea - quase precária. Trata-se de um tecido solitário, silencioso e vulnerável, projetado mais para durar do que para se regenerar.
Com o passar dos anos, essa capacidade de renovação se esgota.
Surge então a artrose - o calvário silencioso de milhões. Só no Brasil, cerca de 15 milhões de pessoas convivem com a doença. No mundo, o número se aproxima de 600 milhões, segundo estimativas recentes. Entre os idosos, os dados são ainda mais contundentes: aproximadamente 80% apresentam algum grau de degeneração articular, ainda que nem todos sejam sintomáticos.
Vértebras, ombros, quadris e joelhos começam a doer. A vida passa a ranger como uma porta antiga. Os movimentos tornam-se difíceis, lentos, hesitantes. A amplitude articular diminui, a musculatura também perde força, e até gestos banais - levantar-se de uma cadeira, subir um degrau, amarrar os sapatos - transformam-se em pequenas batalhas diárias.
Ficamos velhos.
Em estágios avançados, resta, muitas vezes, apenas a solução mecânica: próteses de joelho ou de quadril, verdadeiras obras-primas da engenharia médica, capazes de devolver o simples e precioso prazer de caminhar sem dor.
Mas convém suspender o ceticismo por um instante. As boas notícias começam a surgir - e são, de fato, animadoras.
Pesquisadoras da Universidade de Stanford publicaram, em novembro de 2025, na prestigiosa revista Science, uma descoberta que pode alterar profundamente o curso dessa história. Elas identificaram uma enzima específica, a 15-PGDH, que se acumula na cartilagem envelhecida e atua como um freio biológico da regeneração. Em termos simples, ela impede que o tecido se recupere.
Ao bloquear essa enzima com um inibidor específico, em modelos experimentais com camundongos idosos, algo notável ocorreu: a cartilagem voltou a crescer espontaneamente. Sem células-tronco, sem engenharia tecidual complexa, sem intervenções cirúrgicas invasivas. Apenas a remoção de um obstáculo molecular.
É como se a natureza tivesse instalado um limitador interno, talvez para evitar que organismos envelhecidos, com ossos mais frágeis, se comportassem como jovens imprudentes. Uma espécie de prudência biológica embutida.
A coordenadora do estudo, Nidhi Bhutani, foi direta:
“Nenhum medicamento até hoje tratou a causa raiz da perda de cartilagem. Nosso inibidor provocou uma regeneração dramática, superior a qualquer abordagem já relatada.”A afirmação é ousada, mas respaldada por dados experimentais consistentes.
Se os resultados se confirmarem em humanos - e aqui reside o passo mais delicado - poderemos estar diante de uma mudança de paradigma. A expectativa, ainda que cautelosa, aponta para algo entre dois e cinco anos para ensaios clínicos mais robustos e eventual disponibilização terapêutica.
Provavelmente na forma de injeções intra-articulares, com ação local e efeitos sistêmicos mínimos.
Convém acrescentar que outras frentes de pesquisa caminham em paralelo. Terapias com fatores de crescimento, uso de PRP - plasma rico em plaquetas -, engenharia de biomateriais e até edição genética vêm sendo exploradas. No entanto, nenhuma delas, até o momento, demonstrou a mesma simplicidade conceitual e o mesmo potencial impacto clínico que a inibição da 15-PGDH.
E então surge uma imagem curiosa: uma futura legião de idosos superágeis, com articulações rejuvenescidas, movendo-se com leveza quase felina. Mas há um detalhe que não pode ser ignorado. A cartilagem pode se renovar, porém o restante do organismo continua submetido ao tempo. A densidade óssea diminui, o equilíbrio piora, os reflexos se tornam mais lentos. Uma queda banal ainda pode resultar em uma fratura, com consequências graves.
A medicina, como sempre, avança em mosaico. Resolve um problema e revela outro. Prolonga a função, mas não suspende a condição humana.
Ainda assim, há motivos para entusiasmo. Pela primeira vez, vislumbra-se não apenas o alívio dos sintomas da artrose, mas a possibilidade concreta de reversão estrutural do dano. Não é pouco. É, em termos médicos, quase revolucionário.
Por enquanto, resta acompanhar, com prudência e interesse, os próximos capítulos dessa história. E, quem sabe, continuar observando, com certa inveja, gatos e lontras em seus contorcionismos.
Pensando bem - talvez estejamos testemunhando, discretamente, uma das mais importantes viradas da medicina moderna.
quinta-feira, 14 de maio de 2026
1467 - II Encontro Científico da ACM
quinta-feira, 7 de maio de 2026
1466 - Existe radioatividade na água mineral engarrafada?
Diversos estudos internacionais mediram a concentração de radionuclídeos em águas minerais engarrafadas. Os valores são geralmente baixos, mas variam conforme a marca e a origem da água.
Isso representa algum risco à saúde?
Para a grande maioria da população, o consumo de água mineral não representa um risco radiológico significativo. As agências de saúde, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a União Europeia (UE), estabelecem limites de segurança. Um dos principais parâmetros é a Dose Total Indicativa (TID) , que é a dose de radiação recebida pelo consumo de água durante um ano. O limite recomendado é de 0,1 mSv/ano (100 µSv/ano).
Estudos mostram que, na maioria dos casos, a dose anual calculada para adultos e crianças a partir do consumo de água mineral fica abaixo desse limite de 0,1 mSv/ano.
Um estudo recente na Espanha encontrou duas amostras de água de aquíferos graníticos com dose anual estimada em até 179 µSv/ano, superando o limite de referência. No entanto, a avaliação do risco de câncer ao longo da vida para essas amostras concluiu que não representavam um risco à saúde.
O que influencia os níveis de radiação?
- Origem Geológica: A principal causa da radiação na água mineral é a dissolução de minerais radioativos das rochas do aquífero. Águas de regiões com rochas graníticas, por exemplo, tendem a apresentar níveis mais elevados de urânio e rádio.
- Resíduo Seco: Existe uma forte correlação entre o teor de radiação e o resíduo seco da água (a quantidade de minerais dissolvidos). Quanto mais mineralizada a água, maior a probabilidade de ela conter também níveis mais altos de radioatividade natural.
DeepSeek, em 15/03/2026
quinta-feira, 30 de abril de 2026
1465 - Reconhecimento de paternidade on-line
Por que escolher o reconhecimento on-line?
Acesso Facilitado. As mães podem iniciar o seu atendimento, visualizar os registros de seus filhos e iniciar o pedido de reconhecimento. Flexibilidade para Pais. O pai receberá notificação para assinatura do termo de reconhecimento.
Segurança e Eficiência. Tecnologia de ponta garantindo segurança dos dados e dos direitos.
Processo 100% on-line. Sem necessidade de deslocamento ao cartório.
Como funciona o reconhecimento digital?
01.
O procedimento pode ser iniciado diretamente pela plataforma oficial dos Cartórios de Registro Civil, onde pai ou mãe podem solicitar o reconhecimento de forma eletrônica.
02.
O processo segue as mesmas garantias jurídicas do ato presencial, incluindo a necessidade de consentimento das partes envolvidas — como a mãe, no caso de filhos menores, ou o próprio filho, quando maior de idade.
03.
Após a solicitação, o pedido é encaminhado ao Cartório de Registro Civil responsável, que analisará a documentação e dará continuidade ao procedimento até a conclusão do ato.
04.
No caso da indicação do suposto pai pela mãe, o sistema permite a identificação automática dos registros de nascimento vinculados à mãe que ainda não possuem paternidade reconhecida.
05.
A partir disso, a mãe pode inserir os dados do suposto pai e anexar os documentos necessários. O Cartório então encaminha o caso ao juiz para dar início ao processo de investigação de paternidade, conforme previsto na legislação.
quinta-feira, 23 de abril de 2026
1464 - Regime preventivo para a tuberculose latente (ultra-curto)
A terapia preventiva de curta duração para tuberculose com isoniazida e rifapentina (HP) é amplamente recomendada, mas a aceitabilidade e a segurança de um mês de HP diário (1HP) em comparação com três meses de HP semanal (3HP) são incertas. Comparamos o tratamento com esses dois regimes em pessoas com teste positivo para infecção latente por tuberculose e sem infecção pelo HIV. Nossa hipótese era de que o 1HP apresentaria maior taxa de conclusão do tratamento e menos eventos adversos do que o 3HP.
Métodos e resultados
Realizamos um ensaio clínico randomizado de Fase 4 comparando o esquema 1HP com o esquema 3HP em adolescentes e adultos sem infecção pelo HIV, com exposição recente à tuberculose e teste positivo para infecção latente por tuberculose, em dois centros no Brasil. Os desfechos primários foram a conclusão bem-sucedida de >90% da medicação, verificada por autorrelato, contagem de comprimidos e monitoramento farmacológico, e a segurança. A segurança do tratamento foi definida como a ocorrência de eventos adversos de Grau > 2 ou a interrupção do tratamento devido a efeitos colaterais. Randomizamos 500 indivíduos para o esquema 1HP (249) e para o esquema 3HP (251); 193 homens e 307 mulheres, com mediana de idade de 39 anos. A taxa de conclusão do tratamento foi de 89,6% para os receptores do esquema 1HP versus 84,1% para os receptores do esquema 3HP (diferença de risco ajustada por centro de 5,2%, [IC 95%: [−0,1%, 11,2%], p = 0,10). Eventos adversos de segurança de grau > 2 ou descontinuação do tratamento ocorreram em 16,1% dos receptores de 1HP e 10,4% dos receptores de 3HP (diferença de risco ajustada por centro de 6,1%, [IC 95%: [−0,04%, 12,3%], p = 0,05). As proporções de pacientes que descontinuaram o tratamento devido a qualquer efeito colateral foram de 7,2% para 1HP e 4,4% para 3HP. A diferença de risco para o desfecho primário de segurança, ajustada por centro e covariáveis demográficas e clínicas basais, foi de 3,4% (IC 95% [−2,3%, 9,1%], p = 0,24). O estudo não foi desenhado para avaliar a eficácia.
Conclusão
Tanto o regime 1HP quanto o 3HP apresentaram altas taxas de sucesso no tratamento. Os participantes alocados ao grupo 1HP apresentaram mais eventos adversos específicos, em sua maioria de baixa intensidade. Nenhum dos regimes se mostrou superior ao outro. Esses resultados irão subsidiar as diretrizes globais para a terapia preventiva da tuberculose. NCT04703075 ( clinicaltrials.gov ).
quinta-feira, 16 de abril de 2026
1463 - Hospital Universitário do Ceará
A estrutura é distribuída em três torres (Clínico, Cirúrgico e Materno-Infantil) e sete pavimentos. Atualmente, conta com 498 leitos em funcionamento, sendo 218 destinados à área materno-infantil e 80 leitos de UTI adulto e neonatal.
quinta-feira, 9 de abril de 2026
1462 - A Rede SESA do Ceará
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Hospitais da Rede criados no período de 1928 a 1963:
Hospital Geral Cesar Cals (HGCC) Fortaleza 1928
Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes (HM) Fortaleza 1933
Hospital Infantil Albert Sabin (HIAS) Fortaleza 1952
Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto (HFP) Fortaleza 1963
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Hospitais da Rede criados no período de 1964 a 1985:
Hospital Geral de Fortaleza (HGF) Fortaleza 1969
Hospital São José (HSJ) Fortaleza 1970
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Hospitais da Rede criados no período de 1988 a 2026:
Hospital Geral Dr. Waldemar Alcântara (HGWA) Fortaleza 2004
Hospital Regional do Cariri (HRC) Juazeiro do Norte 2011
Hospital Regional Norte (HRN) Sobral 2013
Hospital Regional do Sertão Central (HRSC) Quixeramobim 2016
Hospital Regional do Vale do Jaguaribe (HRVJ) Limoeiro do Norte 2021
Hospital Estadual Leonardo Da Vinci (HELV) Fortaleza 2020
Hospital Universitário do Ceará (HUC) Fortaleza 2025
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Hospitais polos e estratégicos
O governo do Ceará libera recursos financeiros para apoiar municípios no atendimento à saúde da população. São 85 hospitais públicos e filantrópicos que recebem este apoio.
http://www.saude.ce.gov.br/wp-content/uploads/sites/9/2022/02/hospitais_polo_estrategicos-1.pdf
quinta-feira, 2 de abril de 2026
1461 - O pão mofado na antiga medicina egípcia
Sem saber nada sobre a existência das bactérias, eles perceberam — por meio de pura observação empírica — que as feridas cicatrizavam mais rápido quando cobertas com pão mofado.
O ponto de virada ocorreu em 1928, quando Alexander Fleming descobriu acidentalmente, em uma placa de Petri, que as colônias de um fungo chamado Penicillium notatum produzia uma substância capaz de matar bactérias. Dessa descoberta nasceu a penicilina, o primeiro antibiótico da história, destinado a revolucionar a medicina e salvar milhões de vidas em todo o mundo.
No entanto, não seria razoável (como já se divulgou pela internet) a opção de alimentar as pessoas infectadas com alimentos mofados, já que isso pode lhes causar náuseas, vômitos e diarreia, além de efeitos tóxicos acumulativos no fígado e rins. E, no caso do Aspergillus flavus, lembrar ainda que suas aflatoxinas são cancerígenas.
Para finalizar, eis o que disse Daniele Cozzoli, professor de História da Ciência da Universidade Pompeu Fabra:
"Penicillum notatum é um bolor que, em muitas culturas, foi utilizado para curar feridas. No entanto, uma coisa é usar um remédio, que não se sabe até que ponto ele poderia funcionar, e outra coisa é extrair a penicilina da cultura, o que requer o conhecimento de um complexo sistema de extração bioquímica que os antigos egípcios evidentemente não tinham”.
quinta-feira, 26 de março de 2026
1460 - Bolhas de sabão para o autismo
Benefícios das bolhas de sabão para o autismo:
- comunicação e interação
- coordenação motora
- desenvolvimento visual
- regulação sensorial
- linguagem
O Mestre das Bolhas de Sabão
http://youtu.be/QseWXpkaGTYbr
Não lembro de ter visto alguém fazer bolhas de sabão como este artista de Taiwan. Ele pode soprar 15 bolhas, uma dentro das outras e produzir imagens quase inacreditáveis. Assista a este vídeo e divirta-se (segurando o queixo)
quinta-feira, 19 de março de 2026
1459 - O modelo do queijo suíço
O modelo foi originalmente proposto formalmente por James T. Reason da Universidade de Manchester e, desde então, ganhou ampla aceitação. As aplicações incluem seguranças da aviação, engenharia, saúde, computação e defesa em profundidade.
O modelo é utilizado em áreas da saúde. Por exemplo, uma falha latente poderia ser a embalagem semelhante de dois medicamentos que são armazenados próximos um do outro em uma farmácia. Essa falha seria um fator que contribui para a administração do medicamento errado a um paciente. Essa pesquisa levou à constatação de que um erro médico pode ser resultado de "falhas do sistema, não de falhas de caráter", e que ganância, ignorância, malícia ou preguiça não são as únicas causas de erro.
quinta-feira, 12 de março de 2026
1458 - Imunidade de rebanho
Quando alguém é vacinado, é muito provável que esteja protegido contra a doença alvo. Mas nem todos podem ser vacinados. Pessoas com problemas de saúde preexistentes que enfraquecem o sistema imunológico (como câncer ou HIV) ou que têm alergias graves a alguns componentes da vacina podem não ser elegíveis para determinadas vacinas. Essas pessoas ainda podem estar protegidas se viverem em contato com outras que estejam vacinadas.
Quando muitas pessoas em uma comunidade são vacinadas, o patógeno tem dificuldade em circular porque a maioria das pessoas com quem entra em contato está imune. Portanto, quanto mais pessoas forem vacinadas, menor a probabilidade de pessoas que não podem ser protegidas pelas vacinas correrem o risco de serem expostas a patógenos nocivos. Isso é chamado de imunidade de rebanho.
Isso é especialmente importante para as pessoas que não só não podem ser vacinadas, como também podem ser mais suscetíveis às doenças contra as quais nos vacinamos. Nenhuma vacina isolada oferece 100% de proteção, e a imunidade coletiva não garante proteção total àqueles que não podem ser vacinados com segurança. Mas, com a imunidade coletiva, essas pessoas terão uma proteção substancial, graças à vacinação daqueles ao seu redor.
A vacinação não só protege você, como também protege aqueles na comunidade que não podem ser vacinados. Se você puder, vacine-se.
https://www.who.int/news-room/feature-stories/detail/how-do-vaccines-work
Agência Brasil - A pneumologista e pesquisadora Margareth Dalcolmo (foto), da Fundação Oswaldo Cruz, recebeu nesta sexta-feira (13) a medalha de mérito Oswaldo Cruz, honraria concedida pela Presidência da República a personalidades e iniciativas que tenham contribuído com o bem-estar e a saúde física e mental dos brasileiros. Enfrentando os discursos negacionistas, Margareth Dalcolmo se tornou uma das principais vozes de orientação durante a pandemia de Covid-19. Desde o início da emergência sanitária, a pesquisadora da Fiocruz fez alertas sobre a importância das medidas de isolamento e em defesa da vacinação. A concessão oficial da medalha foi feita em setembro de 2024, mas a pesquisadora não pode participar da cerimônia em Brasília. Por isso, recebeu a medalha, das mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante um evento no Hospital do Andaraí, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A saudação da homenageada foi proferida pela ex-ministra da Saúde Nísia Trindade, colega de Margaret na Fiocruz e que presidiu a instituição durante a pandemia.
quinta-feira, 5 de março de 2026
1457 - A Sonata do Raio
O caso de um médico nos EUA que estava com a família em um piquenique quando foi atingido por um raio.
Duas semanas depois, ele passou a sentir uma vontade incontrolável de ouvir música de piano. Aos poucos, isso foi virando uma obsessão – afetando sua vida familiar - e ele não só aprendeu a tocar piano como se tornou compositor.
O livro "Alucinações Musicais" de Oliver Sacks, trata desse fenômeno.
Em 2013, Tony Cicoria apresentou sua "Lightning-Sonata" (Sonata do Raio) na Casa de Mozart, em Viena.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
1456 - Hugo "366 maratonas" Farias
A escolha por correr em ritmo leve a moderado foi feita antes da primeira maratona. A equipe do InCor orientou que a frequência cardíaca se mantivesse entre 130 e 150 bpm, próxima do primeiro limiar ventilatório. A velocidade média de corrida ficava em torno de 10 a 11 km/h, e o foco era a regularidade. O objetivo não era bater um recorde de tempo, era preservar o corpo para que ele conseguisse cumprir a tarefa todos os dias. Os dados coletados mostraram que Hugo atingiu o estado de economia de corrida —equilíbrio fisiológico que permite manter o esforço com menor desgaste físico.
O acompanhamento médico foi feito mensalmente. A cada quatro semanas, Hugo passava por uma bateria de exames: testes cardiopulmonares de esforço, ecocardiogramas, eletrocardiogramas e análises laboratoriais para avaliação de biomarcadores inflamatórios e cardíacos. Esse monitoramento periódico permitia à equipe detectar variações sutis e antecipar riscos. Nenhum dos exames apresentou alterações que justificassem a interrupção do protocolo.
A maratona de número 366 foi concluída em agosto de 2023. Em junho de 2024, o Guinness World Records oficializou que Hugo havia quebrado um recorde mundial. O próximo passo já está em planejamento para 2026: correr de Prudhoe Bay, no Alasca, até Ushuaia, na Argentina, cruzando o continente americano em 300 dias.
Extraído de: O que a ciência aprendeu com o estudo do brasileiro que correu 366 maratonas em um ano, Medscape
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
1455 - Entrevista de Dr. Paulo Nyemeyer Filho
O programa Conexões JBFM recebe Dr. Paulo Niemeyer Filho, referência da neurocirurgia brasileira, para um bate-papo esclarecedor sobre os principais desafios e avanços no cuidado com o cérebro.
"Nos anos 1960s, existia uma empresa britânica, a EMI, que era a gravadora dos Beatles. Eles ganharam tanto dinheiro com esta banda britânica que resolveram investir na área médica e desenvolveram a primeira tomografia computadorizada do mundo. Isso transformou a medicina ao permitir que os órgãos fossem visualizados: o cérebro, o pulmão, tudo. Eu tinha ido estudar em Londres e, quando cheguei lá e vi aquilo, mandei uma carta para meu pai. 'Pai, aqui tem um aparelho com que a gente vê o cérebro'. Meu pai ficou entusiasmado e, por uma coincidência, naquele mesmo ano, ele operou a filha do presidente Geisel. Que teve um problema sério, estava perdendo a visão... e o resultado foi muito bom. E o Geisel quis retribuir de alguma maneira. Meu pai disse: 'Olha, traz um tomografia para a Santa Casa (era onde a gente trabalhava)'. E a primeira tomografia nossa foi na Santa Casa da Misericórdia, uma doação que o Geisel conseguiu com um armador chinês."
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
1454 - A maravilhosa máquina de pensar
O cérebro não é um chip de memória, nem uma gaveta onde o que se coloca permanece intacto para sempre. Se fosse, seríamos escravos de cada detalhe inútil que já cruzou o nosso caminho. Ele é um escultor admirável: recebe toneladas de mármore bruto todos os dias e decide o que vira arte e o que vira pó.
Nada que entra fica imaculado. Cada experiência é pesada, comparada com o que já existe, reescrita com o cuidado de um grande escritor - e, se não acrescentar nada de novo, vai direto para o lixo do esquecimento. O que fica é o lapidado, não a lembrança literal. Assim você constrói a sua essência.
Ele é também um tradutor inigualável. Uma vivência inunda o cérebro de sons, cores e cheiros que chegam pelas mais variadas vias e formatos. Só no fim tudo isso é traduzido no que chamamos de “experiência”. O você de hoje é diferente do você de ontem.
O que realmente se fixa, portanto, não é a memória literal. As leituras, as conversas, as aulas, os encontros - tudo isso produz um efeito invisível na sua personalidade. Você é único e inimitável. É esse patrimônio secreto que cresce dentro de nós, mesmo quando já esquecemos de onde veio.
Dentro do crânio, os neurônios reforçam as trilhas já usadas e deixam as outras desaparecerem, como caminhos na floresta que se fecham quando ninguém mais passa por eles. Quanto mais você usa uma ideia, um gesto, uma emoção, mais larga e rápida fica a trilha.
À noite, quando você adormece profundamente, o cérebro ativa o (*) sistema glinfático - nome pomposo para dizer “faxina”. Ele abre as torneiras, lava os resíduos do dia e leva embora o que não presta.
Álcool, drogas, estresse crônico, noites mal dormidas, pensamentos que giram em círculos venenosos - tudo isso é como jogar areia nos rolamentos dessa maravilha. Ela funciona, mas cada vez com menos brilho. Funções que a gente acha “simples” - equilíbrio, coordenação, humor, digestão - começam a falhar e mostram que a conta já está sendo cobrada.
Esse tesouro de apenas três quilos de tecido, que contém mais conexões do que estrelas na Via Láctea - a estrutura mais complexa que se conhece no Universo -, é seu.
Cuide dele com carinho - e ele lhe devolverá o melhor da vida: lembranças, escolhas e sabedoria.
(*) P.S. O sistema glinfático usa o líquido cefalorraquidiano (LCR) - o que banha o cérebro - para lavar e remover toxinas e resíduos metabólicos acumulados, como as proteínas associadas ao Alzheimer. Um conhecimento novo revelado em 2012 pela pesquisadora dinamarquesa Maiken Nedergaard.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
1453 - A Lei 30/60
Os pacientes com câncer no Brasil têm na legislação uma aliada: a Lei 30/60, que impõe ao Sistema Único de Saúde um prazo de 30 dias para o diagnóstico e de 60 dias para o início do tratamento.
Pontos principais da Lei 30/60 Dias (Câncer):
- Lei dos 30 Dias (Diagnóstico) (13.896/19): Pacientes com suspeita de câncer no SUS têm direito à realização de exames para confirmar ou descartar o diagnóstico em no máximo 30 dias, contados da solicitação médica fundamentada.
- Lei dos 60 Dias (Tratamento) (12.732/12): O tratamento (cirurgia, radioterapia ou quimioterapia) deve iniciar no máximo 60 dias após o laudo patológico confirmar a doença.
- Contagem do Prazo: O prazo de 60 dias começa a contar a partir da data em que o laudo patológico é emitido, não da data da consulta inicial.
- Direitos do Paciente: Além dos prazos, o paciente tem direito a tratamento integral, incluindo medicamentos, acompanhamento médico e, se necessário, internação domiciliar.
- Descumprimento: Caso os prazos não sejam cumpridos, a recomendação é buscar a Ouvidoria do SUS, o Ministério Público ou a Defensoria Pública para garantir o atendimento.
domingo, 1 de fevereiro de 2026
1452 - Fórum de Neonatologia
I FÓRUM DE NEONATOLOGIA DO CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA
Desafios e Ética na Assistência Neonatal: Qualidade, Tecnologia e Humanização
30.01.2026, das 8h30 às 14h (ao vivo)
quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
1450 - A fumigação "alemã"
Sim, você leu corretamente, eles sopravam na bunda.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
1449 - Quais os adoçantes mais indicados para pacientes diabéticos?
A Associação Americana de Diabetes (ADA) e outras entidades endossam o uso moderado de alguns adoçantes não nutritivos (sem calorias e sem efeito no açúcar no sangue). A escolha depende também do perfil individual, como presença de outras condições (ex.: hipertensão, doença renal) e preferências de sabor.
Aqui está uma análise dos principais tipos:
✅Adoçantes mais indicados (não afetam a glicemia)
Estes são considerados seguros para diabéticos quando consumidos dentro dos limites diários aceitáveis:
1. Stevia
Origem: planta Stevia rebaudiana. Vantagens: natural, zero calorias, não afeta glicemia ou insulina. Pode ser usado em bebidas e algumas receitas.
2. Sucralose
Origem: derivada da cana-de-açúcar, mas não metabolizada pelo corpo. Vantagens: estável ao calor (pode ser usado em cozimento), não afeta glicemia. Observação: em altas temperaturas (>120°C) pode perder parte da doçura.
3. Acessulfame-K
Vantagens: estável ao calor, frequentemente combinado com outros adoçantes para melhor sabor. Observação: Evitar em casos de doença renal avançada (contém potássio).
4. Aspartame
Vantagens: sabor próximo ao açúcar. Contraindicações: Não deve ser usado por fenilcetonúricos (contém fenilalanina). Pode perder doçura com calor alto.
⚠️ Adoçantes que exigem cautela ou devem ser evitados
1. Frutanos ou Xaropes "Naturais" (ex.: mel)
Contêm frutose/glicose e elevam a glicemia. Não são adequados para controle glicêmico.
2. Açúcares Álcoois (Poliois)
Exemplos: Eritritol, xilitol e sorbitol.
🥇 Melhores escolhas para uso diário (resumo)
Stevia e Sucralose
Lembre-se: o objetivo principal no diabetes é o controle glicêmico global, com uma dieta equilibrada, e não apenas a substituição do açúcar. O uso de adoçantes deve ser parte de um plano alimentar personalizado.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
1448 - Aneurisma da Aorta Abdominal
Causa: A causa mais comum é a aterosclerose, que é o acúmulo de placas de gordura nas artérias.
Fatores de risco: Incluem tabagismo, idade avançada, hipertensão e pertencer ao sexo masculino.
Indicação cirúrgica: A reparação cirúrgica é recomendada para aneurismas com diâmetro superior a 5,5 cm ou para aneurismas de qualquer tamanho que apresentem crescimento rápido.
Risco: A dilatação pode levar à ruptura da artéria, o que pode causar hemorragia interna grave e ser fatal.
quinta-feira, 1 de janeiro de 2026
1447 - Desejos dos especialistas para 2026
do ginecologista: tudo a seu tempo, sem corrimento;
do cardiologista: deixar tudo no ritmo;
do dermatologista: não criar rugas de preocupação;
do psiquiatra: força para enfrentar as loucuras do dia a dia;
do ortopedista: manter sempre as boas articulações em seu cotidiano;
do pneumologista: incentivar e cultivar as melhores inspirações;
do urologista: retirar as pedras do caminho;
do pediatra: manter os sonhos jovens e pueris; bebê com moderação;
do geriatra: resolver os velhos problemas;
do otorrino: desvencilhar dos labirintos da vida;
do oftalmologista: olhar sempre pra frente e , se necessário, mudar o ponto de vista;
do radiologista: curtir um ultrassom, que tenha grande ressonância nas pessoas, transmitindo sempre uma imagem positiva;
do neurologista: cuidar bem de si para evitar dor de cabeça;
do anestesiologista: o desejo de um ano sem dor;
do gastroenterologista: ter estômago para suportar as agruras;
do hematologista: enfrentar tudo com calma, sem uma sangria desatada!
do angiologista: dieta balanceada com muitas frutas e a Veia;
do cirurgião geral: cortar o que puder e suturar as feridas abertas;
do mastologista: encarar a vida sempre de peito aberto!
quinta-feira, 25 de dezembro de 2025
1446 - A cura pelo toque do rei
Como parte da aprovação divina, o rei adquiria esse poder milagroso em sua coroação, e era considerado um dever dos reis da França realizar cerimônias quatro vezes ao ano (Páscoa, Pentecostes, Dia de Todos os Santos e Natal) nas quais usavam o toque real para curar seus súditos da escrófula.
Esse costume atingiu seu auge na Idade Média e na Idade Moderna, destacando-se especialmente durante os reinados de Henrique IV da Inglaterra e Luís XIV da França.
Henrique VII da Inglaterra (r. 1485-1509), o primeiro rei da Casa de Tudor, preocupado em legitimar sua ascensão ao trono, estabeleceu firmemente o procedimento com base no precedente de monarcas anteriores, que consistia em quatro elementos:
1. O rei tocava (ou roçava) o rosto ou o pescoço da pessoa doente.A cerimônia do toque real, pública e com elementos teatrais, possuía um importante componente simbólico. Acreditava-se firmemente que o poder do monarca tinha o potencial de influenciar diretamente a saúde das pessoas. A cura percebida através do toque real é hoje considerada como resultado de fatores psicológicos, como a fé e a esperança daqueles afetados ao serem tocados pelo monarca, uma figura de autoridade com um possível dom divino para desencadear a cura.
2. O rei usava uma medalha no pescoço.
3. Eram lidas certas passagens dos evangelhos (Marcos 16:14-20 e João 1:1-14) que faziam alusão à imunidade dos reis a doenças infecciosas.
4. Eram feitas orações a Deus, à Virgem Maria e aos santos.
Há evidências de que o toque real não era o único poder de cura atribuído à realeza europeia. Por exemplo, acreditava-se que os Habsburgos curavam a gagueira com um beijo na boca. Os reis de Castela, durante a Idade Média, realizavam exorcismos fazendo o sinal da cruz e invocando a Deus para libertar os possuídos (um termo muito genérico que incluía doenças hoje diagnosticadas como mentais ou somáticas). Dizia-se também que os reis da Hungria curavam a icterícia.
Fonte: Dermatol Rev Mex. 2024; 68 (4): 554-558.
http://doi.org/10.24245/drm/bmu.v68i4.9945
quinta-feira, 18 de dezembro de 2025
1445 - Expectativa de vida ao nascer para os homens no Brasil. 1948 x 2025
De acordo com os dados históricos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a expectativa de vida ao nascer para os homens no Brasil em 1948 era de aproximadamente 45,5 anos.
Para contexto, a expectativa de vida geral (ambos os sexos) naquele ano estava em torno de 48,3 anos, refletindo as condições de saúde, acesso a serviços médicos e níveis de mortalidade infantil da época. Vale notar que, a partir da segunda metade do século XX, esse indicador começou a melhorar significativamente no Brasil.
Em 2025, qual é a expectativa de vida ao nascer para os homens no Brasil?
Atualmente, os dados oficiais mais recentes para a expectativa de vida no Brasil são de 2022, publicados pelo IBGE em 2023.
Em 2022, a expectativa de vida ao nascer para homens no Brasil era de 73,1 anos.
Para 2025, ainda não há projeções oficiais divulgadas, mas considerando a tendência de aumento gradual observada nas últimas décadas (cerca de 0,3 a 0,4 anos por ano, em média), é possível estimar um valor próximo a 74 a 74,5 anos para homens nascidos em 2025.
Fontes oficiais como o IBGE e a OMS costumam atualizar essas projeções periodicamente, portanto, para um dado exato, seria necessário consultar as próximas publicações oficiais.
Observação: A expectativa de vida pode variar conforme região, condições socioeconômicas e acesso a serviços de saúde, sendo este um valor médio nacional.
(DeepSeek)
quinta-feira, 11 de dezembro de 2025
1444 - Invenção e evolução do marcapasso
1930: Albert Hyman inventa o primeiro dispositivo de estimulação cardíaca artificial. Era um aparelho pesado, externo, que precisava ser movido manualmente e era implantado por meio de uma agulha (fotos).
1958: Acontece o primeiro implante de marcapasso totalmente implantável, graças ao trabalho do engenheiro sueco Rune Elmqvist e do cirurgião Ake Senning. O paciente, Arne H.W. Larsson, viveu muitos anos com a tecnologia e se tornou um símbolo da esperança para pacientes cardíacos.1962: A tecnologia de eletrodos permanentes é desenvolvida, permitindo que os cabos de estimulação fossem inseridos pelas veias do paciente até o coração.1973: Surgem os primeiros marcapassos recarregáveis comercialmente, aumentando a vida útil do aparelho de cerca de um ano e meio para 20 anos.1978: É lançado o primeiro marcapasso com chip único, o que reduziu o tamanho do dispositivo e aumentou a sua confiabilidade.Anos seguintes: O desenvolvimento contínuo da tecnologia levou ao surgimento de marcapassos baseados em microprocessadores, com capacidade para telemetria bidirecional (comunicação sem fio com o computador do médico) e modelos mais complexos, como os de câmara dupla, que imitam melhor o ritmo natural do coração.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2025
1443 - A vacina que previne bronquiolite em bebês
O primeiro lote já começou a ser distribuído aos estados. A orientação do ministério é que, com a chegada das doses às unidades básicas de saúde (UBS), as equipes verifiquem e atualizem a situação vacinal de gestantes, incluindo ainda a imunização contra a covid-19 e a influenza, já que a vacina contra o VSR pode ser administrada junto a outras doses.
Como funciona a vacina?
A bronquiolite é causada principalmente por infecções virais, sendo o VSR o agente infeccioso mais comum. Acomete principalmente crianças menores de 2 anos, causando dificuldade para respirar, febre e tosse.
A vacina que será oferecida às gestantes oferece proteção imediata a recém-nascidos, reduzindo a necessidade de hospitalizações quando os bebês são infectados pelo vírus sincicial.
De acordo com estudos, a vacinação materna demonstrou uma eficácia de 81,8% na prevenção de doenças respiratórias graves causadas pelo VSR nos bebês durante os primeiros 90 dias após o nascimento.
Quem pode se vacinar?
Todas as gestantes, a partir da 28ª semana de gravidez. Não há restrição de idade para a mãe. A recomendação é tomar dose única a cada nova gestação.
Bronquiolite
O vírus sincicial respiratório é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e por 40% dos casos de pneumonia entre crianças com até 2 anos.
De acordo com o ministério, o Brasil registrou 43,1 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causados por VSR em 2025, considerando dados até 15 de novembro. Desse total, 82,5% foi registrado em menores de 2 anos.
Como a maioria dos casos é provocado por infecção viral, não há tratamento específico para bronquiolite. O manejo é feito apenas com base no tratamento de sinais e sintomas e incluem terapia de suporte, suplementação de oxigênio, hidratação e uso de broncodilatadores, sobretudo quando há chiado evidente.
https://agenciabrasil.ebc.com.br/
quinta-feira, 27 de novembro de 2025
1442 - O chá da vovó
Curiosamente, é também assim que começam muitos remédios: cientistas extraem, isolam e purificam o princípio ativo de uma planta, para transforma-lo em comprimidos. Da infusão doméstica à indústria farmacêutica, muda apenas o grau de rigor - e o lucro, que no meu caso era nenhum, mas na indústria faz dos seus donos milionarios.
Em casa, contudo, não dispomos de centrífugas, solventes nem métodos de purificação. Mergulhamos tudo - o que cura e o que envenena - na mesma água fervente.
Acreditamos, por tradição, que a natureza é sempre benigna, quando na verdade ela é apenas exuberante, complexa e, às vezes fatal.
O uso de plantas medicinais é milenar e atravessa todas as civilizações. Mas a recente moda dos chás "naturais" como panaceia tem obscurecido um princípio elementar da farmacologia: toda substância biologicamente ativa pode ser também potencialmente tóxica, conforme a dose.
Ao preparar uma infusão, extraímos um coquetel de compostos - alcaloides, flavonoides, taninos, saponinas e outros metabólitos secundários. Alguns oferecem benefícios reais; outros, porém, podem irritar mucosas, lesar o fígado, sobrecarregar rins ou interferir em processos bioquímicos vitais. A ausência de controle sobre a concentração final desses componentes transforma o inocente chá caseiro num experimento cego - sobretudo perigoso para gestantes, crianças e portadores de doenças crônicas.
A farmacologia moderna surgiu precisamente para domar essa complexidade. Nos laboratórios, cada molécula é isolada e estudada com método: avaliam-se doses eficazes mínimas, doses letais medianas ,índices terapêuticos e suas interações com o sistema que nos mantêm vivos, mas nem sempre inteligentes. Só após esse percurso rigoroso o princípio ativo é administrado em níveis seguros, capazes de curar sem ferir.
Ter cautela com o chá da vovó, portanto, não é renegar sua sabedoria, nem desprezar os saberes ancestrais - é reconhecer que "natural" não significa "inócuo". A diferença entre o remédio e o veneno, como já advertia Paracelso, médico suiço da idade média, está na dose.
N. do E.
A Natureza é a mestre do médico, já que ela é mais antiga do que ele e ela existe dentro e fora do homem. ~ Paracelso
quinta-feira, 20 de novembro de 2025
1441 - Pesquisadores da Unicamp desenvolvem filtros que removem substâncias tóxicas da água
O novo sistema em desenvolvimento na Faculdade de Engenharia Química (FEQ) da Unicamp elimina os resíduos da água que não são excluídos pelos métodos convencionais. Nele entra o material que é produzido a partir da casca de tacumã (tucumã), um fruto típico da Amazônia, e do tronco da bananeira. Transformados em biocarvões com partículas de ferro, que são capazes de remover as substâncias tóxicas que, em interação com outros poluentes como os metais pesados e os microplásticos, podem trazaer riscos para a saúde humana e o ambiente.Testado com sucesso em escala de laboratório, os testes realizados na FEQ serão agora conduzidos para uma escala maior (escala piloto).
Coordena esta pesquisa minha sobrinha Melissa Gurgel, professora da Faculdade de Engenharia Química da Unicamp.quinta-feira, 13 de novembro de 2025
1440 - Desengasgo: novas diretrizes
A partir de agora, a recomendação da American Heart Association (AHA) para vítimas conscientes de engasgos — crianças e adultos — é alternar cinco pancadas nas costas com cinco compressões abdominais (a conhecida manobra de Heimlich).
Até então, o protocolo orientava começar diretamente pelas compressões.
“A atualização consolida décadas de estudos e testes clínicos. É um retorno às evidências que mostram que as pancadas nas costas ajudam a deslocar o objeto antes mesmo das compressões abdominais”, explica Ashish Panchal, médico e coordenador do comitê de emergência cardiovascular da AHA. Para bebês com menos de 1 ano, o procedimento também foi ajustado: deve-se alternar cinco pancadas nas costas e cinco compressões no peito, usando a base da palma da mão, até que o corpo estranho seja expulso ou até que o bebê perca a consciência.
Segundo a AHA, o objetivo é aumentar a eficácia e reduzir o risco de lesões. Vale reforçar que, nos menores de um ano, as compressões abdominais estão proibidas por poderem ferir órgãos internos.
Siga lendo em g1.
quinta-feira, 6 de novembro de 2025
1439 - Velocidade de Onda de Pulso (VOP)
Imagine que você dá uma pancada em uma extremidade de um cano longo cheio de água. A "onda" desse impacto viaja pelo cano até a outra extremidade. A velocidade com que essa onda viaja é análoga à Velocidade de Onda de Pulso. Quanto mais rígido o cano, mais rápido a onda viaja.
A VOP é um indicador da rigidez arterial. É considerada um "padrão ouro" não invasivo para avaliar a saúde das artérias.
- Artérias Rígidas (como canos de metal): a onda viaja mais rápido.
- Artérias Flexíveis e Saudáveis (como mangueiras de borracha): a onda viaja mais devagar.
Como é medida?
A medição mais comum é a VOP Carótido-Femoral. Ela é feita da seguinte forma:
Dois sensores são colocados no corpo: um sobre a artéria carótida (pescoço) e outro sobre a artéria femoral (virilha).
Mede-se o tempo que a onda de pulso leva para percorrer a distância entre esses dois pontos.
A velocidade é calculada pela fórmula: Velocidade = Distância / Tempo.
Um valor de VOP considerado normal para um adulto saudável é geralmente inferior a 10 m/s. Valores acima disso indicam rigidez arterial aumentada.
Em resumo, a Velocidade de Onda de Pulso funciona como um "medidor de idade vascular". Artérias rígidas (envelhecidas ou doentes) têm uma VOP alta (> 10m/s), enquanto artérias jovens e saudáveis têm uma VOP baixa (< 10m/s).
quinta-feira, 30 de outubro de 2025
1438 - A Lancêta
A Lancêta: Jornal de Medicina, Physiologia, Cirurgia, Chimica, Pharmacia, Litteratura e Noticioso (CE) – 1863. 25/03/1863. n. 5. Custódia: Biblioteca Nacional (Brasil)
quinta-feira, 23 de outubro de 2025
1437 - Colesterol nova diretriz brasileira
- Baixo risco: menor que 115 mg/dL (antes era menor que 130 mg/dL)
- Intermediário: menor que 100 mg/dL (antes era menor que 100 mg/dL)
- Alto: menor que 70 mg/dL (sem alteração)
- Muito alto: menor que 50 mg/dL (antes era menor que 70 mg/dL)
- Extremo: menor que 40 mg/dL (nao existia na diretriz anterior)
O colesterol é um tipo de lipídio ("gordura") que compõe a membrana das células do nosso corpo e que também é precursor da formação de hormônios e vitaminas. Ele é essencial para diversas funções, mas seu excesso está associado a diversos problemas de saúde, especialmente doenças cardiovasculares como AVC e infarto.
Como definir o risco do paciente
Cardiologista e coordenador da Unidade Coronária do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (IDPC), Italo Menezes Ferreira lembra que não existe um valor ideal único de colesterol para todos.
"Primeiro é preciso estratificar o risco cardiovascular do paciente. Só a partir daí se define a meta de LDL adequada", diz Ferreira.Para definir as metas para cada paciente, a diretriz passa a recomendar o uso de cálculos mais completos de risco cardiovascular em 10 anos, como o escore Prevent, da American Heart Association. Esse modelo considera, além de idade, sexo e histórico clínico, fatores como função dos rins e índice de massa corporal (IMC), oferecendo uma estimativa mais precisa da chance de infarto ou AVC.
Na prática, um escore funciona como uma nota que resume o risco. O médico insere dados como idade, sexo, pressão arterial e função renal, e o sistema calcula a probabilidade de infarto ou AVC em 10 anos.
Meta: evitar infartos
Cirurgião cardiovascular do Hospital Beneficência Portuguesa, Ricardo Kazunori Katayose detalha que a mudança parte do entendimento de que reduzir ainda mais o LDL pode evitar novos infartos em pacientes já comprometidos.
"Ao criar a categoria de risco extremo, a diretriz reconhece que pacientes que já tiveram múltiplos eventos precisam de metas mais agressivas", explica.Cardiologista e coordenador da Unidade Coronária do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (IDPC), Italo Menezes Ferreira lembra que não existe um valor ideal único de colesterol para todos.
"Primeiro é preciso estratificar o risco cardiovascular do paciente. Só a partir daí se define a meta de LDL adequada", diz Ferreira.Para definir as metas para cada paciente, a diretriz passa a recomendar o uso de cálculos mais completos de risco cardiovascular em 10 anos, como o escore Prevent, da American Heart Association. Esse modelo considera, além de idade, sexo e histórico clínico, fatores como função dos rins e índice de massa corporal (IMC), oferecendo uma estimativa mais precisa da chance de infarto ou AVC.
Na prática, um escore funciona como uma nota que resume o risco. O médico insere dados como idade, sexo, pressão arterial e função renal, e o sistema calcula a probabilidade de infarto ou AVC em 10 anos.
Meta: evitar infartos
Cirurgião cardiovascular do Hospital Beneficência Portuguesa, Ricardo Kazunori Katayose detalha que a mudança parte do entendimento de que reduzir ainda mais o LDL pode evitar novos infartos em pacientes já comprometidos.
"Ao criar a categoria de risco extremo, a diretriz reconhece que pacientes que já tiveram múltiplos eventos precisam de metas mais agressivas", explica.Katayose relembra que parte das dislipidemias é de origem genética. O termo se refere a alterações nos níveis de gorduras no sangue — como colesterol e triglicerídeos — que aumentam o risco de entupimento das artérias.
"Muitas vezes o histórico familiar de infarto se explica por dificuldade de metabolizar o colesterol. Nesses casos, a detecção precoce é crucial para adotar mudanças de estilo de vida ou iniciar medicação", afirma.Terapia combinada como primeira escolha
Para pacientes de alto, muito alto e extremo risco, a diretriz recomenda iniciar já com terapia combinada. Entre as principais opções estão:
- Estatina + ezetimiba.
- Estatina + terapia anti-PCSK9.
- Estatina + ácido bempedoico.
- Estratégias triplas, como estatina + ezetimiba + anti-PCSK9, que podem reduzir o LDL em até 85%.
Katayose ressalta que o aumento da expectativa de vida e os hábitos atuais — sedentarismo, alimentação rica em ultraprocessados, sono ruim e estresse — têm impacto direto nos níveis de colesterol da população.
Impacto esperado
A expectativa da SBC é que a atualização contribua para reduzir a mortalidade cardiovascular no país, orientando tanto a prática clínica quanto políticas públicas. Para especialistas, a diretriz chega em um momento crucial diante do crescimento da obesidade, do sedentarismo e do estresse crônico na população brasileira.
Ver também:
Homem 'vaza' colesterol pelas mãos após aderir a dieta carnívora (G1)
Um segmento do painel "Tratamento da Tuberculose". Poty, óleo sobre madeira, 1957. Acervo do Centro de Referência Professor Hélio Fraga (Rio de Janeiro, Brasil).
Quem sou eu
- Paulo Gurgel
- 72 anos, natural de Fortaleza (onde resido), Ceará, Brasil. Casado com Elba, pai de Érico e Natália, avô de Matheus e Renan. Médico aposentado do Ministério da Saúde. Curriculum vitae na Plataforma Lattes. Blogs que publico: EntreMentes, Linha do Tempo, Nova Acta, Preblog e Slideshows do PG.
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“A vida é curta, a arte é difícil e longo tempo é necessário empregar-se na sua aprendizagem. A oportunidade é fugidia; a experiência, cheia de encruzilhadas, e o julgamento trabalhoso de formular. Ante problemas tão árduos e situações tão perigosas o médico deve ser modesto e ter a mínima convicção de que não são só seus cuidados que podem fazer voltar a saúde perdida, porque a experiência demonstra como, muitas vezes, as enfermidades se curam por si mesmas." HipócratesOutras Citações
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