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quinta-feira, 27 de março de 2025

1406 - Epidemias bizarras: danças e risos

Danças. Entre julho e setembro de 1518, a cidade de Estrasburgo, Alsácia (hoje parte da França) testemunhou um dos fenômenos de massa mais bizarros da história. Tudo começou com uma mulher chamada Frau Troffea dançando incontrolavelmente na rua por vários dias. Em uma semana, outras 34 se juntaram a ela e, em um mês, o número havia crescido para 400 pessoas.
Muitos dançarinos continuaram seus movimentos frenéticos por dias sem descanso, alguns supostamente dançando até desmaiar de exaustão ou até morrer. Médicos locais diagnosticaram como "sangue quente" e recomendaram mais dança como tratamento, até mesmo construindo um palco de madeira e contratando músicos para encorajar os aflitos. Teorias modernas sobre a causa variam de doença psicogênica em massa a envenenamento por fungo ergot de grãos contaminados. O evento continua sendo um dos casos mais bem documentados de histeria em massa da história e continua a confundir especialistas médicos e historiadores.

Risos. Em 1962, um fenômeno realmente bizarro atingiu a vila de Kashasha, perto do Lago Vitória, no que hoje é a Tanzânia. Começando em uma escola para meninas, um surto de riso incontrolável se espalhou como um incêndio pela comunidade. O riso não era breve ou comum — as vítimas tinham crises de riso que duravam horas ou até dias, geralmente acompanhadas de choro, desmaios e dor.
A epidemia forçou a escola a fechar quando aproximadamente 95 dos 159 alunos foram afetados. Conforme os alunos afetados voltavam para suas casas, a condição se espalhava para as vilas vizinhas. Nos 18 meses seguintes, a "doença do riso" afetou entre 1.000 e 4.000 pessoas em várias comunidades. Nenhuma causa física foi identificada, levando os especialistas a classificá-la como doença psicogênica em massa — uma resposta coletiva ao estresse que se manifesta como sintomas físicos. A epidemia finalmente diminuiu em 1964, deixando para trás um dos estudos de caso mais intrigantes da medicina.

Fonte: TudoPorEmail

quinta-feira, 16 de julho de 2020

1158 - Astrologia médica

Carlos Orsi *
A despeito da migração milenar do foco de interesse da astrologia, do coletivo para o individual, a ideia de ligação entre estrelas e desastres coletivos seguiu firme na consciência popular. O nome "oficial" da gripe, influenza (literalmente, “influência”), por exemplo, vem de uma epidemia da doença que começou na Itália em 1743 e que, segundo diversas fontes, foi considerada uma "influência dos astros" (o linguista Deonísio da Silva registra uma derivação diferente, influenza della stagione, "influência da estação", no caso, o inverno).
A "Encyclopedia of Medical Astrology" ("Enciclopédia de Astrologia Médica"), publicada nos Estados Unidos em 1933, tem verbetes para "pandemias" ("causadas por um máximo de influência planetária, por exemplo uma conjunção de vários planetas superiores num signo do ar") e "epidemias" ("causadas pelos planetas maiores em periélio, especialmente Saturno e Júpiter, e também por Marte em perigeu"). E avisa: "Pessoas nascidas sob o signo de Escorpião são muito suscetíveis a epidemias".
A astrologia médica atingiu um alto grau de sofisticação — e com isso, quero dizer requinte retórico e imaginação poética, nada a ver com eficácia ou relação com a realidade — entre a Idade Média e o Renascimento.
 Por meio de uma teia de correspondências mitológicas e metafóricas ligando partes do corpo humano aos quatro elementos clássicos da cultura greco-romana (terra, fogo, água e ar), aos planetas, ao Zodíaco e a animais, plantas e minerais, o médico chegava a diagnósticos e receitas. O guia de ervas medicinais publicado na Inglaterra por Nicholas Culpeper (1616-1654) , por exemplo, diz o seguinte sobre a margarida: "Esta erva é do signo de Câncer, e sob a regência de Vênus, e portanto é excelente para feridas no peito".
* Carlos Orsi é jornalista e editor-chefe da Revista Questão de Ciência, onde pode ser lido a íntegra do artigo.

sábado, 10 de junho de 2017

989 - Google já é o médico mais popular

As autoridades sanitárias não precisam esperar por relatórios médicos para detectar a ocorrência de epidemias ou surtos de doenças periódicas como a gripe: basta consultar os algoritmos do Google e identificar as palavras que estão sendo mais pesquisadas.
 O "Doutor Google" é a nova estrela na paisagem da saúde: 49% dos usuários espanhóis da Internet, com idades entre 16 e 74 anos, têm procurado informações sobre medicamentos ou doenças nos últimos três meses, segundo um estudo realizado pelo Eurostat. Uma década atrás, esta taxa apenas alcançava 19%.
Os temas mais consultados estão relacionados com lesões, doenças, nutrição e dicas para melhorar a saúde. Mas a Espanha não é o país que mais rastreia na Europa informações sobre questões médicas. Está em sétimo lugar, a uma distância considerável de Luxemburgo (71%), Dinamarca (65%) e Alemanha (63%).
Entre as razões para este aumento do uso do Google como um oráculo médico estão: a maior facilidade de acessar a Internet, a maior sensibilidade social para manter a boa saúde e as pessoas afetadas pelas doenças que não mais querem ser pacientes passivos.
Siga lendo em Economía Digital.
No Acta:
535 - Sugestões do Google para "pulmão"
604 - Google Flu Trends
744 - Um mundo mais acessível para todos

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

193 - O voo de Lévy

O matemático francés Paul Pierre Lévy estabeleceu um padrão matemático conhecido pelo poético nome de “voo de Lévy”. Para entender o padrão temos que imaginar uma gaivota que busca alimento.
Podemos imaginá-la na orla marítima, caçando caranguejos, e ali permanecendo durante horas. Até que a maré muda. Então, é possível que a gaivota vá a outro local em busca de mais alimento.
Este padrão de muitos voos curtos que se alternam com poucos voos compridos é o modo como, atualmente, se propagam as enfermidades entre as pessoas. Antes não era assím. Por exemplo, na Europa do século XIV, a peste não se propagava muito rapidamente, de uma cidade a outra, porque as pessoas não conseguiam se deslocar mais do que alguns quilômetros por dia. As pessoas apenas interagiam com aquelas que viviam nas proximidades.
Calcula-se que, naquele tempo, uma praga levava mais de 3 anos para se deslocar do sul da Europa às regiões setentrionais, a uma velocidade de 4 a 5 quilômetros por dia, tal como informa o estudo de S. Scott e C. Duncan, Biology of Plagues: Evidence from Historial Populations.
Agora comparemos essa forma de propagação com a de uma nova enfermidade, surgida em 2003, a pneumonia asiática ou Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS, em inglês). Devido a que as pessoas hoje em dia se deslocam muito mais, fazendo viagens de longas distâncias inclusive, e com isso aumentam a propagação dos agentes patógenos, é que se pôde comprovar o seguinte:
Um dos afetados pela epidemia de SARS transportou a infecção por quase 13.000 quilômetros (da China ao Canadá) em somente 24 horas. Sem dúvida um voo de Lévy de funestas consequências.

Traduzido de El vuelo de Lévy: cómo se transmiten actualmente las enfermedades, de Sergio Parra. In: GENCIENCIA

Publicado em EntreMentes

domingo, 14 de fevereiro de 2010

13 - Com quem ficou a varíola?

A varíola já foi uma doença de grande impacto na saúde mundial. Ao matar em surtos e epidemias 25 a 30 por cento das pessoas infectadas que não estavam imunizadas. Contudo, foi graças à vacina de Jenner que se conseguiu interromper a circulação da doença em escala mundial. Registrou o Brasil o seu último caso de varíola em 1971; o mundo, em 1977 (na Somália). Portanto, desde 1977 é uma doença mundialmente erradicada.
O Guia de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde (ano 2005, páginas 768 – 777) informa que, oficialmente, apenas dois laboratórios conservam estoques do vírus da varíola: um, nos Estados Unidos da América; o outro, na Rússia. Mas há receio quanto à possibilidade de existirem outros estoques em locais desconhecidos.
A relativa estabilidade e a alta transmissibilidade do vírus, a suscetibilidade geral das pessoas com relação a ele, a moléstia com alta letalidade que ocasiona, sem que haja um tratamento específico eficaz preenchem as condições para o retorno - artificial - da varíola. Como uma arma biológica a serviço do terrorismo.

Revolta da Vacina - Charge publicada, em 1904, sobre o motim popular no Rio de Janeiro contra as medidas sanitárias de Oswaldo Cruz, que incluíam a obrigatoriedade da vacinação anti-variólica

Publicado em EntreMentes