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quinta-feira, 19 de maio de 2022

1256 - A natureza probabilística da Medicina

Em Medicina, existe uma limitação poucas vezes confessada em consultório (porque isso quase que invariavelmente se traduz em demonstração de fraqueza): é que esse é um ofício de incerteza.
Neste fio, eu discorro sobre a natureza probabilística da Medicina. - José Alencar

A Medicina é uma ciência da incerteza porque:
1. Trabalhamos com incerteza na interpretação de exames
2. Trabalhamos com incerteza na interpretação da resposta dos pacientes às terapias
Vou explicar ambas.

1. Incerteza na interpretação de exames:
Nas mãos de um médico minimamente bem formado, a interpretação de um exame não é “positivo x negativo”, mas “verdadeiro x falso positivo, verdadeiro x falso negativo”.
Só isso já acrescenta uma camada de dificuldade maior à profissão.

Mas há outra camada ainda mais profunda: a maioria dos médicos acredita que “sensibilidade” e “especificidade”, duas características presentes em todos os testes da Medicina, são úteis para a interpretação de exames.

O problema disso é que, ao usar esses parâmetros, o médico não leva em consideração a clínica do paciente. É que, como expliquei diversas vezes, a interpretação de qualquer exame OBRIGATORIAMENTE tem que partir da probabilidade clínica da doença.

É literalmente impossível avaliar exames de outra forma que não seja essa. O que significa que “bateria de exames”, “check-ups”, exames solicitados antes da consulta, exames solicitados pelo paciente...
Tudo isso funciona muito pouco ou nada. Lamento ser eu a te dizer isso.

E uma limitação real da Medicina (e não do método) é que às vezes o médico simplesmente desconhece uma variável da fórmula: a probabilidade pré-teste.
De novo: essa é uma limitação da vida, não do método.
Não se justifica usar o método errado porque a vida te impõe um problema.

2. Incerteza na interpretação da resposta a tratamentos:
Na vida real, dificilmente pode-se dizer que houve cura de um paciente.
- A mortalidade de um infarto sem aspirina e sem reperfusão é de 13% e com eles é de 8%. Como saber se um sobrevivente não é um daqueles 87%?

- No NINDS 2, sem medicação, 39% dos pacientes com AVC melhoraram. Com medicação, 47%.
Se um paciente fica sem sequelas, como afirmar que foi o trombolítico que levou a esse desfecho e o paciente não seria um dos 39% que já ficaria bem?

- A probabilidade de morrer por coronavírus tem sido de 2,8% (no Brasil). Se alguém tomou ivermectina/cloroquina/qualquer bizarrice e se curou, como afirmar que foi a bizarrice que lhe curou? Como afirmar que ele não seria um dos 97,2% que sobrevivem?

A única forma de saber isso é com estudos científicos, como o dois primeiros exemplos em que se comprova que há uma REDUÇÃO DE PROBABILIDADES quando se usa o remédio.
Medicina de verdade é isso: uma arte das probabilidades.

A medicina é a ciência da incerteza e a arte da probabilidade.
A variabilidade é a lei da vida, e como duas faces não são iguais, não há dois corpos iguais e dois indivíduos não reagem e se comportam da mesma forma sob as condições anormais que conhecemos como doença.
Quanto maior a ignorância, maior o dogmatismo.
A dúvida é o travesseiro do médico.

quinta-feira, 16 de julho de 2020

1158 - Astrologia médica

Carlos Orsi *
A despeito da migração milenar do foco de interesse da astrologia, do coletivo para o individual, a ideia de ligação entre estrelas e desastres coletivos seguiu firme na consciência popular. O nome "oficial" da gripe, influenza (literalmente, “influência”), por exemplo, vem de uma epidemia da doença que começou na Itália em 1743 e que, segundo diversas fontes, foi considerada uma "influência dos astros" (o linguista Deonísio da Silva registra uma derivação diferente, influenza della stagione, "influência da estação", no caso, o inverno).
A "Encyclopedia of Medical Astrology" ("Enciclopédia de Astrologia Médica"), publicada nos Estados Unidos em 1933, tem verbetes para "pandemias" ("causadas por um máximo de influência planetária, por exemplo uma conjunção de vários planetas superiores num signo do ar") e "epidemias" ("causadas pelos planetas maiores em periélio, especialmente Saturno e Júpiter, e também por Marte em perigeu"). E avisa: "Pessoas nascidas sob o signo de Escorpião são muito suscetíveis a epidemias".
A astrologia médica atingiu um alto grau de sofisticação — e com isso, quero dizer requinte retórico e imaginação poética, nada a ver com eficácia ou relação com a realidade — entre a Idade Média e o Renascimento.
 Por meio de uma teia de correspondências mitológicas e metafóricas ligando partes do corpo humano aos quatro elementos clássicos da cultura greco-romana (terra, fogo, água e ar), aos planetas, ao Zodíaco e a animais, plantas e minerais, o médico chegava a diagnósticos e receitas. O guia de ervas medicinais publicado na Inglaterra por Nicholas Culpeper (1616-1654) , por exemplo, diz o seguinte sobre a margarida: "Esta erva é do signo de Câncer, e sob a regência de Vênus, e portanto é excelente para feridas no peito".
* Carlos Orsi é jornalista e editor-chefe da Revista Questão de Ciência, onde pode ser lido a íntegra do artigo.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

1067 - A profissão médica e as ciências

1
José Ortega y Gasset (1883-1955), filósofo, ensaísta, jornalista e ativista político espanhol.
Ele oferece esta lúcida caracterização das diferenças entre a profissão médica e as ciências das quais esta profissão se utiliza.
La medicina no es ciencia. Es precisamente una profesión, una actividad práctica. Como tal, significa un punto de vista diferente de la ciencia. Se propone curar o mantener la salud en la especie humana. A este fin hecha mano de cuanto parezca a propósito: entra en la ciencia y toma de sus resultados cuanto considera eficaz, pero deja el resto. Deja de la ciencia sobre todo lo que es más característico: la fruición por lo problemático. Bastaría esto para diferenciar radicalmente la medicina de la ciencia. Ésta consiste en un “prurito” de plantear problemas. Cuanto más sea esto, más puramente cumple su misión. Pero la medicina está ahí para aprontar soluciones. Si son científicas, mejor. Pero no es necesario que lo sean. Pueden proceder de una experiencia milenaria que la ciencia aún no ha explicado ni siquiera consagrado. 
[Ortega y Gasset J. Misión de la universidad. Obras completas. Tomo IV. Cuarta Edición. Madrid: Revista de Occidente. 1957, p 340]. Via
2
Segundo Georges Canguilhem, autor de LE NORMAL ET LE PATHOLOGIQUE (O NORMAL E O PATOLOGICO), a medicina, muito mais do que uma ciência propriamente dita, é uma técnica ou uma arte situada na encruzilhada de várias ciências.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

967 - Receita para disseminar a peste

"No século XIV, os fanáticos guardiães da fé católica declararam guerra contra os gatos nas cidades europeias. Os gatos, animais diabólicos, instrumentos de Satã, foram crucificados, empalados, desossados vivos ou jogados nas chamas. Então os ratos, liberados de seus piores inimigos, se fizeram donos das cidades. E a peste negra, transmitida pelos ratos, matou trinta milhões de europeus." In: "Os filhos dos dias", de Eduardo Galeano
As condições sanitárias da Europa Medieval provocaram a maior e a mais trágica das epidemias na história: a Peste Bubônica, mais conhecida por Peste Negra. Ela foi a responsável pela morte de milhões de pessoas no século 14. Historiadores estimam que um terço da população do continente não resistiu ao poder letal da bactéria Yersinia pestis.
Becos cobertos de lama, sujeira, lixo, animais mortos - as condições eram subumanas na Europa Medieval. Tanta falta de higiene e saneamento dava origem a ratos e pulgas, os grandes transmissores da bactéria da Peste Negra. E a medicina daquela época era um misto de crença popular, magia e astrologia.
Leitura complementar: Lenda do vinagre dos quatro ladrões

sexta-feira, 24 de março de 2017

963 - Medicina tibetana e a passagem da luz

Certa vez visitei o Hospital de Medicina Tradicional, em Lhasa, onde as paredes são revestidas com 76 thangkas enormes - imagens que ilustram os processos pelos quais o corpo humano se supõe funcionar, e que são usados ​​como um auxílio no diagnóstico e tratamento. O chefe do hospital explicou o seu uso, que nestes dias é complementado por técnicas como raios-X e ultrassom. Apesar do fato de que eles não se encaixam com a nossa concepção ocidental de como o corpo funciona, foi surpreendente como muitas vezes o seu uso levou a um diagnóstico correto.
Um dia vou escrever um livro sobre eles - ou, pelo menos, vou terminá-lo já que foi iniciado. Nele, vou comparar o uso tibetano dos thangkas com a maneira pela qual o físico escocês Jame Clerk Maxwell diagnosticou corretamente a passagem das ondas eletromagnéticas (como ondas de luz ou ondas de rádio) através do espaço, apesar de usar um modelo que agora sabemos ser absurdo.
O modelo de Maxwell retratava o espaço como sendo preenchido com uma substância tênue, invisível e fluida, chamada de éter. Ele imaginou que o éter estaria cheio de vórtices de contra-rotação que agiriam como rodas de engrenagem para fazer passar uma perturbação ao longo do mesmo, e seu diagnóstico consistiu em escrever um conjunto de quatro equações para descrever este modelo em termos matemáticos.
Ainda hoje usamos essas equações. Elas são tão corretas quanto as medições podem provar, e até mesmo diante dos efeitos relativistas, ainda que Einstein só tenha desenvolvido suas teorias da relatividade algumas décadas mais tarde.
Mas, como sabemos agora, o éter não existe. O que só mostra que a correção de um diagnóstico não significa que a imagem que usamos para alcançá-lo também esteja correta. Meu único artigo publicado na filosofia expande essa ideia, mas não precisa de uma filosofia profunda para captar o ponto principal: modelos e imagens são uma grande ajuda para o pensamento, mas o fato de que eles funcionem não significa que devemos segui-los literalmente - na ciência, na medicina, ou mesmo pela vida inteira.
In: lenfisherscience.com, traduzido por PGCS

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

907 - O Prêmio Nobel de Medicina de 2016

De acordo com o anúncio feito nesta segunda-feira (3), o cientista japonês Yoshinori Ohsumi foi laureado com o Prêmio Nobel de Medicina de 2016 por sua descoberta do mecanismo de autofagia, processo pelo qual as células "digerem" partes de si mesmas.
"As descobertas de Ohsumi levaram a um novo paradigma em nosso entendimento de como a célula recicla seu conteúdo", declarou a Assembleia do Nobel do Instituto Karolinska, na Suécia,
Em organismos de seres desnutridos, a autofagia é uma das estratégias de sobrevivência e permite que as células redistribuam os nutrientes para conseguir executar as atividades mais essenciais à vida.
O conceito de autofagia já tinha sido descoberto em 1960, quando cientistas observaram que as células eram capazes de destruir seus próprios componentes e transportá-los para uma unidade subcelular chamada de lisossomo.
(Kyodo/Reuters)
O Nobel de Medicina é oferecido desde 1901, e o pesquisador mais jovem a receber o prêmio foi Frederick G. Banting, que tinha 32 anos em 1923 e descobriu a insulina

quinta-feira, 14 de julho de 2016

879 - A revisão do Código de Ética Médica

Está aberta à participação dos médicos e das entidades da sociedade civil a revisão do atual Código de Ética Médica.
As contribuições para a revisão, que já podem ser enviadas e apresentadas por meio do hotsite www.rcem.cfm.org.br, são muito importantes para discutir e aperfeiçoar a prática profissional, frente às necessidades da sociedade brasileira e aos avanços científicos e tecnológicos.
Atualmente, o Código de Ética Médico, revisto e atualizado em 2009, é composto de um preâmbulo com seis incisos, além de 25 incisos de princípios fundamentais, 10 incisos de normas diceológicas (direitos profissionais), 118 artigos de normas deontológicas (deveres) e quatro incisos de disposições gerais.
A Linha do Tempo do Código
1867 - Gazeta Médica da Bahia publica uma tradução portuguesa do Código de Ética Médica da Associação Médica Americana.
1929 - O Boletim do Sindicato Médico Brasileiro publica o Código de Moral Médica, uma tradução do código de mesmo nome aprovado pelo VI Congresso Médico Latino Americano.
1931 - É aprovado no I Congresso Médico Sindicalista o Código de Deontologia Médica, que também estabeleceu a criação de um “Conselho de Disciplina Profissional”.
1945 - Surge o primeiro Código de Ética Médica oficialmente reconhecido pelo Governo brasileiro (Decreto-lei nº 7.955). Além de pôr em vigor o citado Código, o texto, aprovado no IV Congresso Médico Sindicalista, criou os Conselhos Federal e Regionais de Medicina.
1953 - É elaborado o Código de Ética da Associação Médica Brasileira, baseado no juramento de Hipócrates e na declaração de Genebra, adotada pela Organização Mundial de Saúde, e no Código Internacional de Ética Médica.
1965 - Já no âmbito dos Conselhos de Medicina, foi inspirado em códigos sueco, americano e inglês.
1984 - Com algumas modificações, entra em vigor um novo Código, agora Código de Deontologia Médica.
1988 - Como parte do processo de redemocratização, o novo Código resultou da 1ª Conferência Nacional de Ética Médica. O texto foi considerado bastante avançado para a época, por contemplar questões amplas no âmbito da medicina, da saúde e da sociedade.
2009 - Trouxe avanços que envolveram áreas importantes como conflitos de interesses, ensino médico, terminalidade da vida, novas tecnologias e autonomia profissional.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

849 - Tatuagens tecnológicas

A companhia estadunidense Chaotic Moon acaba de apresentar uma nova técnica de tatuagem chamada Tech Tats para fins estritamente médicos e esportivos. Como explicam seus criadores, essa tatuagem eletrônica ao ser colocada na pele proporciona informações médicas do seu portador, em tempo real, que podem ser usadas tanto para o controle de enfermidades crônicas como para a detecção dos sinais vitais durante a prática de esportes. A tatuagem eletrônica não produz dor durante a execução, pois prescinde do uso de máquina e agulhas para introduzir pigmentos na pele. Ao invés das tintas vegetais ou acrílicas, comumente utilizadas pelos tatuadores tradicionais, emprega-se na Tech Tats uma tinta eletrocondutora especial que é depositada sobre a pele por um aplicador ou transferida a partir de um adesivo.
A tatuagem se complementa com um microcontrolador e LEDs que dão uma aparência de circuito eletrônico personalizado a ela. Os dados coletados são transmitidos para o smartphone do usuário através de um aplicativo projetado para essa fim.

A empresa, com sede em Austin, pretende aperfeiçoar a tecnologia Tech Tats, tendo em vista a futura comercialização do produto. Será personalizado e configurado com as funções desejadas pelo usuário. Assim, além da estética futurista e da novidade dos microLEDs aderidos à pele, a tatuagem poderá ajudar a controlar  a glicose, os hormônios tiroidianos etc. Inclusive realizar a geolocalização de portadores de Alzheimer que tenham se perdido.
Fonte: http://blogthinkbig.com/tech-tats-tatuajes-electronicos-con-fines-medicos-y-deportivos c/ vídeo
93 - Uma revista feita nas coxas
346 - Não ressuscitar
688 - Henna com PPD
706 - A tatuagem paramédica
766 - Paizão
810 - É verão!
Poderá também gostar de ver
O homem tablatura | Wood tattoo | A estupidez de óculos

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

566 - Companheiros de espírito

Em 1966, instado a descrever a pessoa com menos probabilidade de desenvolver aterosclerose, Alan N. Howard, pesquisador da Cambridge respondeu: "Uma mulher anã, na pré-menopausa, ciclista, não fumante, desempregada, hipotensa, hipo-beta-lipoproteínica, hiper-alfa-lipoproteínica, vivendo na ilha de Creta antes de 1925 e sobrevivendo com com uma dieta de cereais não revestidos, óleo de cártamo e água."
E o médico Alan Norton, de Oxford, acrescentou a contrapartida masculina: "Um Bantu ectomórfico que trabalhava como motorista de ônibus em Londres, tinha passado a guerra em um campo de prisioneiros na Noruega, nunca comeu açúcar refinado, nunca bebeu café, sempre comeu cinco ou mais pequenas refeições por dia, e estava tomando grandes doses de estrogênio para deter o crescimento de um câncer de próstata."
"Todas essas características resultam de correlações estabelecidas, nos últimos anos, no campo das pesquisas médicas que, pelo menos em quantidade, mostra-se insuperável", observou Richard Mould, em Mould’s Medical Anecdotes. "O conflito de evidências é inigualável também."

Soulmates, Futility Closet

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

545 - Os vencedores do Nobel de Medicina e Fisiologia em 2013

A Real Academia de Ciências da Suécia anunciou, nesta semana (dia 7), os nomes dos vencedores do Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 2013.
Foram os americanos James E. Rothman, Randy W. Schekman e o alemão Thomas C. Südhof, por suas descobertas sobre a regulação do transporte de moléculas pelas vesículas, um importante subsistema celular.
Distúrbios neste subsistema podem causar doenças neurológicas, distúrbios imunológicas e diabetes.
Lista dos ganhadores do Prêmio nos anos anteriores
2012: John B. Gurdon (Inglaterra) e Shinya Yamanaka (Japão)
2011: Bruce A. Beutler (Estados Unidos), Jules A. Hoffmann (Luxemburgo) e Ralph M. Steinman (Canadá)
2010: Robert Edwards (Grã-Bretanha)
2009: Elizabeth Blackburn (Austrália-Estados Unidos), Carol Greider e Jack Szostak (Estados Unidos)
2008: Harald zur Hausen (Alemanha), Françoise Barré-Sinoussi e Luc Montagnier (França)
2007: Mario Capecchi (Estados Unidos), Oliver Smithies (Estados Unidos) e Martin Evans (Grã-Bretanha)
2006: Andrew Z. Fire (Estados Unidos) e Craig C. Mello (Estados Unidos)
2005: Barry J. Marshall (Austrália) e J. Robin Warren (Austrália)
2004: Richard Axel (Estados Unidos) e Linda B. Buck (Estados Unidos)
2003: Paul C. Lauterbur (Estados Unidos) e Peter Mansfield (Grã-Bretanha)
2002: Sydney Brenner (Grã-Bretanha), John E. Sulston (Grã-Bretanha) e Robert Horvitz (Estados Unidos)
2001: Leland H. Hartwell (Estados Unidos), R. Timothy Hunt (Grã-Bretanha) e Paul M. Nurse (Grã-Bretanha).

quinta-feira, 4 de abril de 2013

483 - Lunático

Lunático agora está fora da lei
Numa votação por 398 a 1, a Câmara dos EUA aprovou a lei que retira a palavra lunatic (lunático) de todas as leis do país. O único voto "não" veio do deputado selenita Louie Gohmert (R-Texas).
O termo lunático
Deriva da palavra latina para Lua. Antes da era moderna, foi usado para descrever uma pessoa que sofria de doença mental por se acreditar que os ciclos lunares tinham impacto sobre o funcionamento do cérebro. Com a evolução dos conhecimentos médicos, a sociedade passou a compreender que tal influência não existe.
TOUR A LIVING MONUMENT
Welcome to the Trans-Allegheny Lunatic Asylum located in Weston, WV. Formerly known as the Weston State Hospital, this West Virginia facility served as a sanctuary for the mentally ill in the mid-1800’s. 
A influência da Lua na poesia brasileira
Círculo Vicioso, Ismália e, last but not the leastMicropoemas do infortúnio - 10

sexta-feira, 20 de julho de 2012

398 - Nervos cranianos

Não era fácil para o estudante da área de saúde, ao passar pela cadeira de Anatomia, conseguir gravar os nomes de todos os nervos cranianos. São doze pares de nervos e, para memorizá-los, o estudante tinha de recorrer a algum processo mnemônico.
Usava-se muito esta frase:
Ora, ó meu pateta, tu mandas fazer a guerra porque és grande!

I - n. olfactivo
II - n. óptico
III - n. motor ocular comum
IV - n. patético
V - n. trigémeo
VI - n. motor ocular externo
VII - n. facial
VIII - n. auditivo
IX - n. glossofaríngeo
X - n. pneumogástrico ou vago
XI - n. espinhal
XII - n. grande hipoglosso
Bem, ninguém contava com vídeos especiais, como o que foi produzido por Barb A. Puder e Locke Scarth (abaixo), cujo final chega a ser apoteótico.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

325 - As ideias do Dr. Kellogg

Nos anos finais de 1800, o Dr. John Harvey Kellogg era o médico-chefe do famoso sanatório de Battle Creek, em Michigan (EUA), uma estância de saúde de alta qualidade que inspirou ao filme "The Road to Wellville." Dr. Kellogg, foi quem inventou o alimento à base de flocos de milho, tornando-se mais adiante um dos fundadores da Kellogg's. O outro dos fundadores desta empresa de processamento de cereais  foi o seu irmão Will Keith Kellogg.
Se, por um lado, o Dr. Kellogg pregava ideias que são amplamente aceitas pela medicina de hoje, tais como a dieta, o exercício, o consumo de fibras e do iogurte probiótico, a abstenção do fumo e a prevenção das doenças venéreas, por outro lado, defendia algumas ideias heterodoxas. Dentre estas, o celibato, a mutilação genital feminina, a terapia do eletrochoque, a eugenia, a segregação racial e a terapia da imersão em água gelada e irradiada.
Dr. Kellogg também criava equipamentos especiais. Como esta cadeira (imagem) que ele, utilizando-se de seus conhecimentos sobre a eletricidade (recém-descoberta), inventou em 1900. Era uma cadeira vibradora para ajudar a esvaziar os intestinos, aliviar as dores lombares e tonificar os músculos de seus pacientes. Por ser muito desconfortável ninguém se habilitava a usá-la.

Machines That Exercise for You, Collectrors Weekly

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

303 - Inventos malucos em medicina - 3

Em seu pedido de patente (nº. 3216423, nos Estados Unidos), o inventor desta centrífuga para parturientes argumentava que era uma forma de tornar o parto mais fácil.
Fundamento
Deitada no aparelho (figura), que giraria a 33, 45 ou a 76 RPM, a mãe contaria com a ajuda da força centrífuga para puxar o bebê para fora do canal de parto.
Este projeto ficou apenas na concepção concepção, jamais foi construído.


A propósito...
Dance Flick Baby Part

domingo, 4 de setembro de 2011

294 - Um microscópio de baixo custo

Muitas vezes quando ouvimos falar de algum instrumento científico novo, pensamos em tecnologias caras, especialmente se a notícia se refere a um microscópio que é capaz de detectar microrganismos usando a holografia. Embora esse dispositivo seja surpreendente, pois a sua premissa é interessante, por ter custos de fabricação abaixo de 100 dólares, ele abre possibilidades de ser empregado em países de economias emergentes.
Este microscópio foi fabricado por cientistas da Universidade da Califórnia (UCLA), em Los Angeles. O aparelho é composto por duas partes principais: a primeira é um módulo de "transmissão", através do qual se analisam fluidos, tais como água ou sangue, e a segunda, um módulo de "reflexão", que é capaz de produzir hologramas de superfícies mais densas. A holografia, lembremos aqui, já vem sendo usada com outros fins médicos, como no monitoramento da atividade neurológica.

O protótipo de LUCAS: Lensless Ultra-wide Cell
monitoring Array platform based on Shadow imaging

O ponto alto é que esse microscópio utiliza componentes eletrônicos em vez de lentes, o que reduz significativamente o seu custo de produção. Na verdade, os sensores de foto deste dispositivo já são  encontrados nas câmaras de alguns smartphones, a um custo de produção que não ultrapassa os 15 dólares.
O microscópio é responsável por capturar as informações, que são enviadas para o segundo dispositivo, com maior poder de processamento, um telefone celular ou um computador, que criam imagens 3D.
Os cientistas da UCLA acreditam que esse microscópio venha a ser uma ferramenta útil para detectar surtos de bactérias de difícil monitoramento, como a E. coli , responsável por gastroenterites. Tais condições, comuns em países em desenvolvimento, representam um problema epidemiológico que, detectado a tempo, poderia ser tratado de uma forma mais eficaz. Sem dúvida, um avanço no campo da medicina por um custo bem acessível.

Microscopio de bajo costo emplea hologramas para detectar bacterias, por Pepe Flores. In: ALT1040
Field-portable reflection and transmission microscopy based on lensless holography, por Myungjun Lee, Oguzhan Yaglidere and Aydogan Ozcan In: www.opticsinfobase.org

quinta-feira, 19 de maio de 2011

261 - Inventos malucos em medicina - 2

O blog Life Suport tem imagens e descrições de dez inventos médicos incomuns que não "prosperaram". Outro deles foi a máscara facial antigulodice. Fabricada com uma série de ganchos, fios, correias, fechaduras e um protetor de boca, esta invenção se parecia com algo mais apropriado a Hannibal Lecter (personagem de "O Silêncio dos Inocentes") do que a um fanático por dietas que emagrecem.

quinta-feira, 31 de março de 2011

250 - Clichês médicos (1)

Saúde: precária; de ferro; melhor do que a minha.
Doença: imaginária, raríssima, contagiosa; de notificação obrigatória.
Tratamento: sintomático, drástico, paliativo; de suporte; se bem não fizer...
Emergência: lotada; sem médicos; com pacientes nos corredores; um caos!
Exames: complementares; vamos repetir.
Paciente: ansioso, rebelde, terminal; caso clínico; o próximo!
Diagnóstico: provisório, confirmado, diferencial; ouvir uma segunda opinião.
Prognóstico: sombrio, incerto, reservado; pode surpreender.
Atestado: gracioso; para os devidos fins; com o CID.
História clínica: anamnese; convocar os familiares.
Dor: contínua, intermitente, progressiva; com radiação; vai doer só um pouquinho.
Morte: êxito letal; insucesso terapêutico; óbito (morte, nunca).
PGCS

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

240 - Medidas para a segurança no ar

A Câmara Técnica (CT) de Medicina Aeroespacial do Conselho Federal de Medicina (CFM) divulga recomendações aos médicos, aos passageiros e aos tripulantes de empresas aéreas. São advertências que podem evitar o agravamento de quadros de saúde pré-existentes durante os voos. A preocupação do grupo, criado este ano pelo CFM, é contribuir com orientações que aumentem a segurança da população que usa o transporte aéreo.
As orientações produzidas pela Câmara Técnica têm forte caráter preventivo, isto porque o grupo já detectou alguns problemas, dentre eles o limitado conhecimento do assunto, até mesmo pela comunidade médica, das alterações fisiológicas provocadas nos seres humanos pelo voo, bem como a insuficiente estrutura de atendimento dentro das aeronaves.
A partir dos relatos das companhias, identifica-se um caso de morte súbita a bordo em cada grupo de 5,7 milhões de passageiros. Fatores como doenças pré-existentes, alteração da rotina de ingestão de medicamentos para doenças já estabelecidas anteriormente ao voo, a imobilidade, o meio e tempo de voo contribuem sobremaneira para essas ocorrências. De acordo com a Infraero, por ano, embarcam no país 125 milhões de pessoas. Dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) apontam que em todo o mundo o número de passageiros que voaram, em 2009, ultrapassou 2,5 bilhões.
Image Getty
blogdopg
PRINCIPAIS ORIENTAÇÕES
Quem não deve voar - Portadores de:
- Insuficiência cardíaca grave e descompensada
- Angina instável
- Taquicardia ventricular ou supraventricular não controladas
- Infecções pulmonares contagiosas (tuberculose e pneumonia)
- Quadros graves, instáveis ou de hospitalização recente de asma
- Dor abdominal ou sangramento, se gestante
Quem deve aguardar para voar - Portadores de:
- Infarto do miocárdio não complicado (2 semanas) e complicado (6 semanas)
- Revascularização do miocárdio (6 semanas)
- AVC isquêmico pequeno (4 dias), em progressão (7 dias), hemorrágico (7 dias) e hemorrágico operado (14 dias)
- Pneumotórax (2 semanas de remissão pela drenagem)
Quem pode viajar sob condições especiais - Portadores de:
- Insuficiência cardíaca moderada (com O2 suplementar)
- Doença pulmonar obstrutiva crônica (com O2 suplementar)
- Epilepsia (doença controlado e sob medicação)
- Psicoses (doença controlada e sob medicação)
- Gestação, a partir da 36ª semana (com declaração do médico) e a partir da 38ª semana (com acompanhamento do médico)
Quem pode voar - Portadores de
- Marcapassos e desfibriladores implantáveis.

Medicina Aeroespacial, Jornal do CFM de novembro de 2010

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

233 - Como engarrafar uma molécula de água

Nos últimos dias, um grupo de químicos conseguiu criar um frasco bem pequeno e nele engarrafar uma única molécula de água.
Saiba como você também pode fazer isso em casa.
Inicialmente, você vai precisar de um fulereno. Mas não é um fulereno qualquer, é um da classe dos esféricos, conhecidos pelo nome de buckminsterfulerenos. Pode ser, por exemplo, o fulereno C60 que tem 60 átomos de carbono. A molécula dele é bem redonda e oca.
O passo seguinte é abrir um orifício no C60 com tamanho suficiente para permitir a entrada de uma molécula de água. A seguir, colocar essa molécula de água - com todo cuidado para evitar o transbordamento - no interior do frasco de fulereno.
E, para finalizar, você deve fechar o oríficio que criou em seu frasco antes de introduzir a água. O ânion fosfato se presta muito bem a esse tipo de vedação. E pode ser tirado e reposto quantas vezes você desejar.

ALT1040

Agora é sério
"Muito bem, para que esta experiência?", alguns podem perguntar. A resposta é: para o transporte e a liberação de moléculas em locais escolhidos do corpo humano, uma propriedade que poderá ser aproveitada em tratamentos médicos.
Pode se interessar em ver
A dureza e a beleza, Moléculas divertidas e o Doodle que o Google dedicou aos fulerenos.

sábado, 18 de dezembro de 2010

230 - Acidentes com RMN

A tecnologia da ressonância magnética nuclear (RMN) está sendo cada vez mais aplicada na medicina pela riqueza de detalhes das imagens (em muitas situações, fornece mais informações do que a tomografia computadorizada), pela sua segurança (por não emitir radiação ionizante e, por conseguinte, não causar efeito prejudicial conhecido à saúde) e pela sua capacidade de realizar ensaios dinâmicos quanto ao funcionamento do corpo humano (como a RMN no cérebro).
Como qualquer tecnologia também apresenta seus inconvenientes. Um deles é que os aparelhos de RMN são basicamente ímãs gigantescos e superpotentes (capazes de criar campos magnéticos de 15.000 a 100.000 vezes maiores do que o da Terra). Por isso, é absolutamente proibido haver qualquer objeto metálico ferromagnético na sala de RMN, durante o funcionamento do aparelho.
Deixando-se um desses objetos na sala, podemos imaginar o que possa acontecer. Mas o vídeo, a seguir, dá uma ideia melhor sobre a catástrofe.


Especialmente dramático foi o caso (mencionado no vídeo) de uma criança nova-iorquina de 6 anos de idade. Morreu em uma sala de ressonância magnética como resultado do impacto brutal de um cilindro de oxigênio em sua cabeça. O objeto de natureza metálica havia sido introduzido no ambiente por uma anestesista que negligenciou o fato de ser ali uma sala de RMN.
Cadeiras de rodas, enceradeiras e macas são outros objetos metálicos que já foram atraídos pelos poderosos ímãs dos aparelhos de RMN, causando danos variáveis a pacientes que estavam se submetendo a exames.
Felizmente, há metais que não são atraídos por ímãs - como o titânio. Sendo não ferromagnético, o titânio tem sido muito utilizado na fabricação de dispositivos (marcapassos, stents, próteses etc) que são implantados em pacientes, os quais não ficam sujeitos ao risco descrito durante a realização de exames de ressonância magnética.