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quinta-feira, 25 de julho de 2024

1371 - Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica. Revisão

A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é caracterizada por um declínio persistente da função pulmonar que está associado a sintomas progressivos, comprometimento funcional e propensão a infecções e exacerbações respiratórias. Estima-se que entre 300 e 400 milhões de pessoas vivam atualmente com DPOC em todo o mundo, e esta já é a terceira principal causa de morte em todo o mundo. Dispneia, tosse e/ou produção de expectoração são os sintomas mais comuns. A maioria dos pacientes com DPOC apresenta comorbidades significativas, o que aumenta ainda mais a morbimortalidade. O diagnóstico e o tratamento precoces são fundamentais para retardar a progressão da doença e maximizar os resultados.

A principal causa da DPOC é a exposição à fumaça do tabaco. No geral, o tabagismo é responsável por até 90% do risco de DPOC. No entanto, a DPOC ocorre em indivíduos que nunca fumaram. A síndrome de Marfan, bem como outras doenças hereditárias do tecido conjuntivo, como a síndrome de Ehlers-Danlos e Cutis laxa, têm sido associadas ao desenvolvimento da DPOC. Além disso, certos fatores ambientais (por exemplo, poluição, produtos químicos, poeira ou gases de escapamento), deficiência de alfa1-antitripsina, uso de drogas intravenosas, síndromes de imunodeficiência (por exemplo, HIV) e síndromes de vasculite também têm sido associados à DPOC.

No geral, a prevalência da DPOC é maior nos homens do que nas mulheres. No entanto, a doença grave e de início precoce representa um fenótipo clínico distinto e é mais comum em mulheres do que em homens. Aqueles com histórico familiar de DPOC, assim como os negros, também apresentam risco aumentado para esse tipo específico de DPOC.

De acordo com as diretrizes atuais da Iniciativa Global para Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, a tosse crônica que piora pela manhã e produz uma pequena quantidade de expectoração incolor é frequentemente o primeiro sinal de DPOC e é frequentemente descartada pelos pacientes como resultado do tabagismo ou de exposições ambientais. Os indivíduos podem inicialmente sentir uma tosse intermitente, mas eventualmente esta progride para uma tosse diária, muitas vezes ao longo do dia. A tosse associada à DPOC pode ser produtiva ou improdutiva. Fadiga e inchaço no tornozelo são sintomas típicos de DPOC grave e avançada.

A DPOC está associada à hipoxemia progressiva . Medicamentos orais e inalados são usados ​​para reduzir a dispneia e melhorar a tolerância ao exercício em pacientes com doença estável, mas não têm como alvo a hipoxemia progressiva. A administração de oxigênio tem efeitos favoráveis ​​na hemodinâmica pulmonar e, como resultado, reduz as taxas de mortalidade em pacientes com DPOC avançada. A oxigenoterapia de longo prazo melhora a sobrevida em duas ou mais vezes em pacientes hipoxêmicos com DPOC. Portanto, os especialistas recomendam oxigenoterapia de longo prazo para pacientes com PaO 2 < 55 mm Hg, PaO 2 < 59 mm Hg com evidência de policitemia ou cor pulmonale.

A maioria dos medicamentos orais e inalados usados para a DPOC são direcionados às seguintes causas de limitação do fluxo aéreo que podem ou não ser reversíveis:

  • Contração do músculo liso brônquico
  • Congestão e edema da mucosa brônquica
  • Inflamação das vias aéreas
  • Aumento das secreções das vias aéreas

Foi demonstrado que a reabilitação pulmonar melhora os níveis de atividade em pacientes com DPOC e pode melhorar as capacidades funcionais mais do que um inalador sozinho.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

879 - A revisão do Código de Ética Médica

Está aberta à participação dos médicos e das entidades da sociedade civil a revisão do atual Código de Ética Médica.
As contribuições para a revisão, que já podem ser enviadas e apresentadas por meio do hotsite www.rcem.cfm.org.br, são muito importantes para discutir e aperfeiçoar a prática profissional, frente às necessidades da sociedade brasileira e aos avanços científicos e tecnológicos.
Atualmente, o Código de Ética Médico, revisto e atualizado em 2009, é composto de um preâmbulo com seis incisos, além de 25 incisos de princípios fundamentais, 10 incisos de normas diceológicas (direitos profissionais), 118 artigos de normas deontológicas (deveres) e quatro incisos de disposições gerais.
A Linha do Tempo do Código
1867 - Gazeta Médica da Bahia publica uma tradução portuguesa do Código de Ética Médica da Associação Médica Americana.
1929 - O Boletim do Sindicato Médico Brasileiro publica o Código de Moral Médica, uma tradução do código de mesmo nome aprovado pelo VI Congresso Médico Latino Americano.
1931 - É aprovado no I Congresso Médico Sindicalista o Código de Deontologia Médica, que também estabeleceu a criação de um “Conselho de Disciplina Profissional”.
1945 - Surge o primeiro Código de Ética Médica oficialmente reconhecido pelo Governo brasileiro (Decreto-lei nº 7.955). Além de pôr em vigor o citado Código, o texto, aprovado no IV Congresso Médico Sindicalista, criou os Conselhos Federal e Regionais de Medicina.
1953 - É elaborado o Código de Ética da Associação Médica Brasileira, baseado no juramento de Hipócrates e na declaração de Genebra, adotada pela Organização Mundial de Saúde, e no Código Internacional de Ética Médica.
1965 - Já no âmbito dos Conselhos de Medicina, foi inspirado em códigos sueco, americano e inglês.
1984 - Com algumas modificações, entra em vigor um novo Código, agora Código de Deontologia Médica.
1988 - Como parte do processo de redemocratização, o novo Código resultou da 1ª Conferência Nacional de Ética Médica. O texto foi considerado bastante avançado para a época, por contemplar questões amplas no âmbito da medicina, da saúde e da sociedade.
2009 - Trouxe avanços que envolveram áreas importantes como conflitos de interesses, ensino médico, terminalidade da vida, novas tecnologias e autonomia profissional.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

807 - Efeitos do tabagismo passivo na morbidade da asma

 O tabagismo passivo (TP) pode desencadear exacerbações da asma em crianças. Diferentes estudos têm relacionado o aumento dos sintomas da asma, o uso dos cuidados de saúde e as mortes em crianças expostas ao tabagismo passivo, mas o risco não foi quantificado de maneira uniforme em todos os estudos.
O objetivo deste estudo, publicado no Annals of Allergy, Asthma and Immunology, foi realizar uma revisão sistemática e meta-análise para avaliar e quantificar a gravidade da asma e a utilização dos cuidados de saúde em crianças expostas ao TP.
Uma revisão sistemática foi realizada para avaliar a associação entre a gravidade da asma em crianças e o TP. Os critérios de inclusão incluíram os estudos que avaliavam as crianças com exposição ao TP e relatavam os desfechos de interesse como a gravidade da asma, incluindo as exacerbações. Os modelos de efeitos aleatórios foram usados para combinar os resultados de interesse (consultas no pronto socorro ou internações, sintomas graves de asma, sibilância e provas de função pulmonar) dos estudos incluídos.
Um total de 1.945 estudos foram identificados e 25 estudos preencheram os critérios de inclusão. As crianças com asma e exposição ao TP tiveram duas vezes mais chances de internação por asma (odds ratio [OR] 1,85, 95% intervalo de confiança [IC] 1,20-2,86, P = 0,01) do que as crianças com asma, mas sem exposição ao TP. A exposição ao TP também foi significativamente associada com as consultas no pronto socorro (OR 1,66, IC 95% 1,02-2,69, P = 0,04), com a sibilância (OR 1,32, IC 95% 1,24, 1,41, P <0 nbsp="" p="">Os pesquisadores concluíram que as crianças com asma e exposição ao TP possuem quase duas vezes mais chances de internação por exacerbação da asma e são mais propensas a ter pior prova de função pulmonar.
Fonte: Efeitos do tabagismo passivo na morbidade da asma e na utilização dos cuidados de saúde em crianças: uma revisão sistemática e meta-análise, Annals of Allergy, Asthma and Immunology
Autores: Wang Z, May SM, Charoenlap S, Pyle R, Ott NL, Mohammed K, Joshi AY.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

729 - Os resultados das pesquisas nos meios de comunicação

Em 2003, em um artigo na revista JAMA (Journal of American Medicine) pesquisadores escreveram algo que deveria mudar a forma como você recebe as notícias médicas. Eles revisaram 101 estudos, publicados nas principais revistas científicas entre 1979 e 1983, que anunciavam como muito promissora uma nova terapia ou uma nova tecnologia médica . Apenas cinco, descobriram eles, haviam chegado ao mercado dentro de uma década. E apenas um, formado pelo grupo dos inibidores da ECA (enzima conversora da angiotensina), ainda era amplamente utilizado no momento da revisão.
"Há uma grande, grande diferença entre a forma como a mídia pensa sobre as notícias e como os cientistas pensam sobre notícias," Naomi Oreskes , um professor de Harvard da história da ciência, me disse recentemente em uma entrevista:
"Para você, o que faz ser notícia é o que há de novo – o que cria um viés nos meios de comunicação em sua busca pelos resultados novíssimos. Em meu ponto de vista, os resultados novíssimos com maior probabilidade vão estar errados."
This is why you shouldn’t believe that exciting new medical study, por Julia Belluz. In; Vox, 23/03/2015
Tudo o que comemos pode causar ou prevenir câncer

Atualização
Esta nota foi republicada, em 22/05/2015, no Jornal GGN. Foi comentada por 3 leitores do portal.

domingo, 4 de janeiro de 2015

695 - O uso dos calçados na prevenção das doenças tropicais negligenciadas


REVISÃO SISTEMÁTICA E METANÁLISE 
Resumo
O uso consistente de calçados pode ajudar a prevenir ou retardar a progressão de muitas doenças tropicais negligenciadas (DTN).
Foi realizada uma revisão sistemática e metanálise para avaliar a associação entre o uso de calçados e o risco de adoecimento para aquelas DTN em que a via de transmissão ou de ocorrência se dão através dos pés.
Nós descobrimos que o uso de calçados reduz o risco de úlcera de Buruli, tungíase, ancilostomíase, estrongiloidíase, e leptospirose. Nenhuma associação significativa entre o uso de calçados e podoconiose foi encontrada e não havia dados disponíveis para micetoma, miíase ou picada de cobra.
Recomendamos que, ao lado das intervenções já existentes (água adequada, saneamento e higiene pessoal), o acesso aos calçados deve ser priorizado para acelerar o controle e a eliminação de várias DTN, e assim garantir uma redução das mesmas.
Referência
Association between Footwear Use and Neglected Tropical Diseases: A Systematic Review and Meta-Analysis
Autores: Sara Tomczyk, Kebede Deribel, Simon J. Brooker, Hannah Clark, Khizar Rafique, Stefanie Knopp, Jürg Utzinger, Gail Davey  | Publicação: 13/11/2014 | DOI: 10.1371/journal.pntd.0003285
Ilustração: Jeca Tatuzinho, por Belmonte
folheto do Biotônico Fontoura
Site recomendado
http://www.literaturaeshow.com.br/2010/08/jeca-tatuzinho-e-o-biotonico-fontoura.html

domingo, 18 de maio de 2014

618 - Homeopatia - O relatório do NHMRC

A homeopatia é uma forma de medicina alternativa com cerca de 200 anos de existência. É sustentada pelo princípio da similitude ("o semelhante cura o semelhante"); ou seja, substâncias que causam sintomas em uma pessoa saudável têm a capacidade de tratar uma pessoa doente com os mesmos sintomas (quando administradas em potências homeopáticas). A homeopatia é também baseada na crença de que as moléculas de substâncias altamente diluídas retêm uma "memória" da substância original. Especificamente, os remédios homeopáticos são repetidamente diluídos e agitados em um processo conhecido como "potencialização" ou "dinamização".
A homeopatia é incluída em inúmeros sistemas de saúde pública ao redor do mundo. É, portanto, essencial que suas evidências clínicas sejam regularmente revistas e que seus resultados sejam fornecidos em um formato que facilite a tomada de decisões pelos formuladores das políticas de saúde e pelas próprias comunidades. Na Austrália, o National Health and Medical Research Council (NHMRC), que tem a responsabilidade legal de fornecer orientações sobre a saúde, após identificar relatos conflitantes sobre a eficácia da homeopatia, decidiu realizar uma revisão da literatura sobre a sua eficácia em muitas condições clínicas.
O relatório final do NHMRC, com 301 páginas, pode ser lido aqui. Adianto a conclusão:
There is a paucity of good-quality studies of sufficient size that examine the effectiveness of homeopathy as a treatment for any clinical condition in humans. The available evidence is not compelling and fails to demonstrate that homeopathy is an effective treatment for any of the reported clinical conditions in humans. 
Há uma escassez de estudos de boa qualidade de tamanho suficiente que examinam a eficácia da homeopatia como tratamento para qualquer condição clínica em seres humanos. A evidência disponível não é convincente e não consegue demonstrar que a homeopatia é um tratamento eficaz para nenhuma das condições clínicas relatadas em seres humanos.
190 - Sobre a homeopatia, 427 - Sucussão e 540 - O caso Benveniste

quinta-feira, 16 de maio de 2013

497 - Comparando estratégias de baciloscopias do escarro no diagnóstico da tuberculose pulmonar

Acurácia diagnóstica da baciloscopia no mesmo dia contra BAAR padrão para tuberculose pulmonar: uma revisão sistemática e meta-análise
A pesquisa de bactérias ácido-álcool resistentes no escarro (BAAR), é o exame mais amplamente disponível para tuberculose pulmonar em países com alta carga da doença. Melhorar a sua precisão é crucial para a realização das metas de detecção de casos estabelecidas pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Infelizmente, muitos pacientes são incapazes de apresentar todos os espécimes necessários para o exame ou de voltar para o tratamento devido a resultados negativos, e relatórios requerem várias visitas à clínica.
Para informar recomendações de política para um Grupo de Especialistas convocado pela OMS, pesquisadores publicaram, recentemente, no Lancet Infectious Diseases, um estudo que avaliou a acurácia do exame de escarro, comparando as estratégias para a obtenção de escarro em 1 dia com as estratégias para a obtenção de escarro em mais de 2 dias.
Os pesquisadores conduziram uma revisão sistemática e meta-análise de artigos de pesquisa comparando a acurácia da microscopia de amostra preparada anteriormente ou no mesmo dia e do exame de BAAR padrão para o diagnóstico da tuberculose pulmonar confirmada por cultura. Eles pesquisaram nas bases Medline, Embase, Biosis e Web of Science, para artigos publicados entre 1 de janeiro de 2005 e 14 de fevereiro, 2012. Dois investigadores identificaram artigos elegíveis e dados extraídos de locais de estudo individuais. Eles geraram estimativas de síntese de dados agrupados (intervalos de confiança de 95%) para a sensibilidade e especificidade, usando meta-análise de efeitos aleatórios, quando quatro ou mais estudos estavam disponíveis.
Foram identificados oito estudos relevantes a partir de cinco artigos registrando 7.771 pacientes com suspeita de tuberculose nos países de baixa renda. Comparado com o método padrão de análise de dois esfregaços com microscopia de luz de Ziehl-Neelsen em 2 dias, o exame de dois esfregaços tomadas no mesmo dia, tinham a mesma sensibilidade (64% [IC95% 60 a 69], para microscopia padrão contra 63 % [58-68] para microscopia no mesmo dia) e especificidade (98% [97 a 99] contra 98% [97 a 99]). Observaram-se resultados semelhantes para os estudos de microscopia de fluorescência empregando diodo emissor de luz e para estudos examinando três lâminas, se estes foram comparados com estratégias de 2 esfregaços ou um com o outro.
Os pesquisadores concluíram que a baciloscopia no mesmo dia é tão precisa quanto o exame de BAAR padrão. Mais dados são necessários para documentar as mudanças necessárias no sistema de saúde para implementar com sucesso a estratégia e avaliar seus efeitos.
Autores: J Lucian Davis MD; Adithya Cattamanchi MD; Prof Luis E Cuevas MD; Prof Philip C Hopewell MD; Karen R Steingart MD.
Uma resenha a cargo de Medical Services de:
Diagnostic accuracy of same-day microscopy versus standard microscopy for pulmonary tuberculosis: a systematic review and meta-analysis - The Lancet Infectious Diseases; Vol 13, Issue 2, Pags 147-154, Feb 2013