quinta-feira, 18 de junho de 2026

1472 - Vecina e a vacina do Butantan suspensa

O Ministério da Saúde (MS) anunciou na segunda-feira (08/06) a suspensão temporária da vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan e que estava sendo aplicada em profissionais de saúde e em moradores de alguns municípios brasileiros, após casos de reações severas — incluindo mortes suspeitas e ainda sob investigação. O MS já havia vacinado 500 mil pessoas entre profissionais de saúde do país — e posteriormente vacinou parte da população nos municípios de Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) e na região de Araguaína, no Tocantins. No entanto, houve registro de 42 casos de reações raras e inesperadas, que segundo o governo correspondem a 0,008% do total. Essas reações não haviam sido identificadas em estudos clínicos e não estão previstas na bula da vacina. Entre os 42 casos, três foram considerados graves — e dois deles resultaram em mortes. Nenhuma das mortes aconteceu nas três cidades e na região onde a vacinação foi ampliada para a população. A vacina do Butantan contra a dengue começou a ser disponibilizada em dezembro do ano passado, após aprovação da Anvisa. (*)  Segundo o MS, o Instituto Butantan trabalhou no desenvolvimento da sua vacina por aproximadamente 20 anos, e licenciou sua tecnologia ao Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH). Foram realizados estudos clínicos de fase 1, 2 e 3, conforme os protocolos vigentes. Mais de 11 mil voluntários foram vacinados e acompanhados por 5 anos. A vacina apresentou eficácia geral de 65% contra a doença e eficácia de 80% para casos mais graves.

(*) Antes disso, a vacina Qdenga havia sido incorporada no Programa Nacional de Imunizações (PNI) de forma gratuita. Produzida pela farmacêutica japonesa Takeda, esta vacina segue sendo oferecida no SUS a jovens entre 10 e 14 anos. Cerca de 8 milhões de doses desse imunizante já foram aplicadas no Brasil desde 2024.

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O médico sanitarista Gonzalo Vecina, que foi o primeiro presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e que fez parte do conselho da Fundação Butantan na época em que a vacina contra a dengue entrou em fase de pesquisa clínica, disse que a vacina do Instituto Butantan contra a dengue que foi suspensa seria, na sua visão, "aprovada em qualquer lugar do mundo."

"Dos quase 16 mil pacientes, algo em torno de 11 mil receberam a vacina e 5 mil receberam o placebo", disse Vecina à BBC News Brasil. "Desses que tomaram a vacina, não tivemos nenhuma internação e os efeitos colaterais apresentados foram os esperados."

"Acredito que esta vacina seria aprovada em qualquer lugar do mundo, com uma dose única, o que é uma grande vantagem frente à vacina Qdenga, que foi aprovada também com nenhuma contraindicação." 

"Segundo a OMS, as vacinas salvaram 154 milhões de vidas nos últimos 50 anos, cerca de 3 milhões por ano. No Brasil, as vacinas ajudaram a erradicar a poliomielite (paralisia infantil), a varíola e a rubéola e, no caso do sarampo, o país está livre da doença." 

quinta-feira, 11 de junho de 2026

1471 - "Vou-me embora pro passado"

Por Jessier Quirino
NO PASSADO tem remédio
Pra tudo que precisar
Lá tem doutor de família
Que tem prazer de curar
Lá tem Água de Rubinat
Melpoejo, Asmapen
Bromil e Capivarol
Arnica, Phimatosan
Regulador Xavier
Tem Saúde da Mulher
Tem Aguardente Alemã
Tem também Capiloton
Pentide e Terebentina
Xarope de Limão Bravo
Pílulas de Vida do Dr. Ross
Tem também aqui pra nós
Uma tal Robusterina
A saúde feminina.

Trecho de uma paródia de "Vou-me embora pra Pasárgada, de Manoel Bandeira.

quinta-feira, 4 de junho de 2026

1470 - A criação da Faculdade de Medicina do Ceará

Dr. Paulo Gurgel Carlos da Silva, CREMEC 1405
Graduado em 1971 na 19.ª Turma da FM/UFC
Apenas em 1939 foi lançada a ideia de fundar uma Faculdade de Medicina em Fortaleza. "Foi quando da visita a esta cidade do Prof. Antonio Austragésilo, grande nome da medicina nacional, hóspede do Dr. Jurandyr Marães Picanço, seu antigo e querido aluno", como lembra o médico Elias Boutala.
Mas o projeto foi adiado por causa da eclosão da 2.ª Guerra Mundial; tendo sido retomado apenas em 1946, durante o I Congresso de Médicos Católicos. Para este evento vieram/regressaram à cidade médicos cearenses (formados em outros centros) e que também estagiaram no exterior, com seus “jovens sonhares”.
Então, foi fundada em 1947 a Sociedade Promotora da Faculdade de Medicina do Ceará, constituída por César Cals de Oliveira (presidente de honra); Jurandir Marães Picanço (presidente); Antonio Jorge de Queiroz Jucá (1º secretário); Alber Furtado de Vasconcelos (2º secretário) e Eliezer Studart da Fonseca (tesoureiro). Além da diretoria, compunham as comissões organizadoras: Haroldo Gondim Juaçaba, Juvenil Hortêncio de Medeiros, Walter de Moura Cantídio, Raimundo Vieira Cunha, Waldemar de Alcântara e Silva, Josa Magalhães, João Batista Saraiva Leão, Tarcísio Soriano Aderaldo e Fernando Leite.
O trabalho deles surtiu efeito e, no dia 13 de abril de 1948, o então Presidente da República, Eurico Gaspar Dutra, e o Ministro da Educação, Clemente Mariani, assinaram o Decreto que dava ao Ceará o privilégio de ter um curso médico. E foi criado o Instituto de Ensino Médico do Ceará, tendo como diretor João Batista Saraiva Leão.
Sua primeira sede foi na Praça José de Alencar, ao lado do Theatro, em prédio cedido pelo governo do Estado do Ceará.
Neste prédio histórico atualmente está instalada a Superintendência no Ceará do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Foto Nirez
No dia 12 de maio de 1948, o Prof. Alfredo Monteiro, Diretor da Faculdade Nacional de Medicina, proferiu a aula de sapiência, ficando instalada a Faculdade de Medicina a ser mantida pelo Instituto de Ensino Médico. No futuro, esta data inclusive daria nome ao Centro Acadêmico da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará.
O primeiro exame vestibular para Medicina, no Ceará, foi realizado ainda em 1948, nas dependências do casarão em que estava instalada a Faculdade. E as provas foram realizadas com a presença de público para demonstrar a lisura e a transparência do concurso. Concorreram 85 candidatos para 60 vagas, sendo classificados apenas 10.
Em 27 de março de 1951, foi divulgado Decreto no qual o Presidente Getúlio Vargas e o Ministro da Educação Simões Filho reconheciam o curso de Medicina, que passou a se chamar Faculdade de Medicina do Ceará.
Dos dez alunos da primeira turma apenas três colaram o grau em dezembro de 1953: Ana Nogueira Gondim, Hilda de Souza Magalhães e Raimundo Hélio Cirino Bessa. Um dos três concludentes, Raimundo Hélio Cirino Bessa, veio a se tornar posteriormente professor de cardiologia da Faculdade.
Em 1954, a Faculdade de Medicina passou a pertencer à Universidade Federal do Ceará (UFC). Como uma autarquia vinculada ao Ministério da Educação, foi o resultado de um amplo movimento de opinião pública. Criada pela Lei nº 2.373, em 16 de dezembro de 1954, foi instalada em 25 de junho do ano seguinte.
Em 1954, segundo Alencar Araripe, colaram grau 13 alunos; em 1955, 8 alunos; em 1956, 13 alunos; e em 1957, 18 alunos. Neste último ano, a Faculdade de Medicina foi transferida da Praça José de Alencar para Porangabuçu.
Imagem  histórica do Hospital-Escola no campus do Porangabuçu, que se tornou o núcleo da Faculdade de Medicina do Ceará. Aproveitando as obras interrompidas do Hospital Carneiro de Mendonça, em julho de 1957, as atividades da Faculdade foram oficialmente transferidas para este local. É a foto do prédio deu origem ao que hoje conhecemos como o Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), vinculado à Universidade Federal do Ceará (UFC).
No início, sob a direção do Prof. Antônio Martins Filho, fundador e primeiro reitor da UFC (de 1955 a 1967), a UFC era constituída pelos seguintes estabelecimentos federais de ensino superior:
a) Faculdade de Direito (Decreto-lei nº 8.827, de 24 de janeiro de 1946);
b) Faculdade de Farmácia e Odontologia (Lei nº 1.254, de 4 de dezembro de 1950);
c) Escola de Agronomia (Lei número 1.055, de 16 de janeiro de 1950);
d) Faculdade de Medicina do Ceará (Decreto nº 22.397, de 7 de março de 1951).
https://www.diariodasleis.com.br/legislacao/federal/99534-cria-a-universidade-do-cearu-com-sede-em-fortaleza-e-du-outras-providuncias.html
Até o ano de 1970, entrava apenas uma turma de alunos por ano através de seu concurso vestibular. A partir de 1971, passaram a entrar duas turmas por ano, o que acontece até hoje.
Em 1973, uma reforma universitária tornou a Faculdade de Medicina um curso do Centro de Ciências da Saúde (CCS). Mas, em 1997, na gestão do Prof. Elias Salomão Boutala, o curso de Medicina da UFC foi desvinculado do CCS e voltou a ser chamado de Faculdade de Medicina da UFC (FM-UFC).
Desde então, a Faculdade de Medicina da UFC se consolidou como uma das principais instituições de ensino de Medicina do Brasil, formando profissionais altamente qualificados e contribuindo para o avanço da ciência médica em todo o país. ChatGPT
Fontes 
Silva, Marcelo Gurgel Carlos da (org). I Congresso Brasileiro de Médicos Católicos: textos e contextos. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2010.
Araripe, José Caminha Alencar. A Faculdade de Medicina e sua Ação Renovadora. Expressão Gráfica
http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/60966
http://www.diariodasleis.com.br/legislacao/federal/99534-cria-a-universidade-do-cearu-com-sede-em-fortaleza-e-du-outras-providuncias.html (indisponível)
http://famedufc.blogspot.com/p/historia.html
http://www.ufc.br/noticias/noticias-de-2013/3587-historia-e-homenagens-abrem-comemoracoes-dos-65-anos-da-faculdade-de-medicina
Cronologia 
1939: Ideia de Antonio Austragésilo sobre a criação da FM (para Jurandyr Picanço)
1946: I Congresso de Médicos Católicos, em Fortaleza
1947: Fundação no Ceará da Sociedade Promotora da Faculdade de Medicina
1948: Decreto e criação do curso de Medicina. Aula de sapiência em 12 de maio. Primeira sede na Praça José de Alencar; e primeiro exame vestibular (com 10 classificados)
1951: Decreto reconhecendo o curso de Medicina, que passou a se chamar Faculdade de Medicina do Ceará.
1953: Turma Prima (com 3 concludentes)
1954: Criação da autarquia UFC e FM passou a pertencer à UFC
1955: Instalação da UFC (reitor Antonio Martins Filho)
1957: Instalação da FM no Campus de Porangabussu
1966: Turma Andreas Vesalius; 1971: Turma Carlos Chagas /
1973: Reforma universitária. FM tornou-se um curso do CCS
1997: FM-UFC