quinta-feira, 20 de agosto de 2026

1481 - O que acontece se você respirar oxigênio puro?

O gás oxigênio é fundamental para o ser vivo porque ele permite a produção de energia nas células, mantém o funcionamento dos órgãos e garante a sobrevivência das funções vitais. Sem ele, as células não conseguem gerar a energia necessária para o corpo se manter vivo. Mas respirar oxigênio puro (100%) em condições normais faz mal e é tóxico para o corpo humano, pois o ar que respiramos tem apenas 21% de oxigênio. É quando parte deste elemento químico se transforma em radicais de oxigênio, que danificam as proteínas, gorduras e o DNA principalmente dos pulmões e dos olhos.
O oxigênio não é o único gás presente no ar atmosférico. Na verdade, o ar é composto principalmente de nitrogênio (21%), que desempenha uma função muito importante, e de outros gases (1%). O nitrogênio retarda o processo de combustão, permitindo que você obtenha aos poucos a energia suficiente ao longo do dia. Contudo, respirá-lo com oxigênio puro às vezes pode ser necessário.
Astronautas e mergulhadores de águas profundas podem necessitar de concentrações maiores de oxigênio. Com a quantidade e o tempo em que respiram sendo cuidadosamente controlados para que não sejam prejudicados. Outras pessoas, nas emergências, enfermarias e UTIs, podem receber um oxigênio adicional, além do que já está presente no ar.
De forma geral, o uso de oxigênio puro se divide em duas grandes categorias: a oxigenoterapia em pressão normal e a oxigenoterapia hiperbárica.
1. Oxigenoterapia em pressão normal (uso mais comum)
O principal objetivo aqui é corrigir a hipoxemia, que é a baixa concentração de oxigênio no sangue. Isso é necessário quando uma doença ou condição impede os pulmões de captar oxigênio suficiente do ar.
As principais indicações incluem:
Doenças pulmonares graves: como pneumonia, asma grave, DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica) e a COVID-19 em seus quadros mais severos.
Insuficiência cardíaca: quando o coração não consegue bombear sangue adequadamente, podendo levar ao acúmulo de líquido nos pulmões (edema pulmonar) e dificultar a oxigenação.
Emergências médicas: em situações como traumatismos ou parada cardíaca, para garantir o fornecimento de oxigênio aos órgãos vitais.
Oxigenoterapia domiciliar prolongada: para pacientes com doenças crônicas que precisam de suplementação contínua de oxigênio para realizar atividades diárias.
2. Oxigenoterapia hiperbárica (em câmara pressurizada)
Nesta modalidade, o paciente respira oxigênio puro dentro de uma câmara com pressão atmosférica superior à normal. O aumento da pressão faz com que uma quantidade muito maior de oxigênio seja dissolvida no sangue, alcançando tecidos com má circulação. Utiliza-se em condições específicas tais como doença descompressiva (acidente do mergulho), embolias gasosas, intoxicação por monóxido do carbono ou pela fumaça, gangrena gasosa e infecções necrotizantes de tecidos moles, feridas de difícil cicatrização, lesões por esmagamentos etc.
Em resumo:
O oxigênio puro é indicado apenas para tratar condições médicas específicas que levam à falta de oxigênio no sangue ou que se beneficiam dos efeitos terapêuticos da hiperbaria câmara pressurizada). Seu uso sem necessidade, como visto anteriormente, é perigoso e pode ser tóxico.

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