Mostrando postagens com marcador invento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador invento. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

1289 - O brasileiro que criou a abreugrafia

Ela é conhecida por vários nomes mundo afora. Roentgenfluorografia, na Alemanha; radiofotografia, na França; schermografia, na Itália; fotorradioscopia, na Espanha; fotofluorografia, na França e na Suécia; e microrradiografia, em Portugal. No Brasil, é chamada de abreugrafia e quem tem 50 anos ou mais deve ter feito uma para poder se matricular na escola ou ingressar num novo emprego.
Este exame do pulmão, que começou a ser desenvolvido há cerca de 100 anos e revolucionou o diagnóstico e o tratamento da tuberculose, foi inventado pelo médico brasileiro Manoel Dias de Abreu — daí o seu nome — e que, por isso, ele foi indicado três vezes ao Prêmio Nobel, em 1946, 1951 e 1953.
A ideia, que demorou mais de uma década para ser desenvolvida, consistia em fotografar com um filme comum, bem mais barato, pois a fotografia com câmeras portáteis já era uma prática disseminada no começo do século passado.
"Assim, a imagem dos raios-x atravessando a pessoa examinada era gerada em uma tela de material fluorescente, que fazia parte do aparelho", explica Schulz. "E essa imagem, agora em luz visível, era fotografada da mesma forma como fotografamos uma paisagem qualquer."
Segundo o médico radiologista Cesar Higa Nomura, presidente da Sociedade Paulista de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (SPR), "a abreugrafia era um método rápido e eficiente para diagnóstico de tuberculose com baixo custo, uma vez que os filmes fotográficos eram mais baratos que os radiográficos. Além disso, era um método portátil que permitiu o uso em larga escala", acrescenta. Enquanto um filme radiográfico tem um tamanho de 30 x 40 cm, os usados nas câmeras comuns — e na abreugrafia, portanto — medem apenas 35 mm ou 70 mm.
Abreu nasceu na cidade de São Paulo, no dia 4 de janeiro de 1892, terceiro filho do português da Província do Minho, Júlio Antunes de Abreu, e da paulista Mercedes da Rocha Dias, de Sorocaba. Ele ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro com apenas 15 anos e se formou aos 21, em 1913. Pouco depois ele e a família partiram para Paris, onde Abreu pretendia continuar e aperfeiçoar seus estudos. Por causa da 1ª Guerra Mundial, no entanto, teve de ficar em Lisboa até 1915, quando enfim se mudou para a capital francesa, onde permaneceu por 8 anos.
Em Paris, Abreu se convenceu de que a fotografia da tela fluorescente, o écran, nos exames feitos com raios-x, poderia ser uma forma barata de diagnosticar a tuberculose em massa. Ele até tentou, por volta de 1919, fazer a fotografia da tela, mas esbarrou em obstáculos técnicos. A luminosidade da fluorescência do écran era muito fraca, longe de ser suficiente para ficar marcada nos filmes com sais de prata das máquinas fotográficas comuns em tão mínima fração de segundo.
Finalmente em 1936, no Rio de Janeiro, ele conseguiu obter a radiofotografia do écran, então com nova tecnologia que dava maior fluorescência à tela. Abreu batizou seu invento de roentgenfotografia, em homenagem ao descobridor dos raios x (Wilhelm Conrad Röntgen). O nome foi usado no Brasil até 1939, quando o presidente do 1º Congresso Brasileiro de Tuberculose, Ary Miranda, propôs a mudança para abreugrafia, em honra de seu inventor. A proposta foi aprovada por unanimidade.
"A invenção ganhou destaque internacional", diz o médico Fabiano Reis, da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. "A técnica rapidamente se disseminou e foi incorporada pelos serviços públicos de saúde do Brasil e de outros países." Na época, ela era 100 vezes mais barata que uma radiografia tradicional.
A médica e mestre em Saúde Coletiva, Dilene Raimundo do Nascimento, da área de Pesquisa em História das Ciências e da Saúde, da Casa de Oswaldo Cruz da Fiocruz, lembra que na época a abreugrafia só tinha vantagens. "Pelo seu custo baixo e pela facilidade de operar, tornou possível o exame em massa para o diagnóstico precoce da tuberculose", explica."O diagnóstico precoce da doença possibilitou iniciar o tratamento antes que fosse tarde demais, reduzindo assim o número de mortes".
De acordo com Nomura, a inovação de Abreu teve impacto grande na saúde pública brasileira da época, que lutava contra a tuberculose, com grande número de acometidos pela doença, diagnosticados em estágio avançado e crescente número de mortes. "Só no Rio de Janeiro no início da década de 1920 as estimativas apontavam cerca de 300 mortes por grupo de 100 mil pessoas", diz.
Aparelho de abreugrafia e técnicos (Vitória, ES)
Com a diminuição progressiva da incidência da tuberculose e os progressos no seu tratamento, os programas de triagem em massa foram sendo interrompidos a partir anos 1970. "Afinal, no começo daquele século a incidência era de 150 casos por 100 mil habitantes (semelhante à covid-19 em algumas ondas em alguns países), mas em 1970 já era de apenas 5 casos por 100 mil", explica Schulz.
Por isso, em 1974, a Organização Mundial da Saúde (OMS) se pronunciou contra o uso da abreugrafia em massa, por expor desnecessariamente a população a doses de radiação. "Atualmente, o exame para detecção de tuberculose é feito pela pesquisa do bacilo de Koch no escarro", conta Reis. "Para rastreamento de algumas patologias pulmonares, são preconizados estudos tomográficos dque permitem detecção de eventuais lesões em seus estágios iniciais."
Apesar disso, a abreugrafia continua sendo lembrada, pelo menos no Brasil, onde o seu Dia Nacional é comemorado em 4 de janeiro, data do nascimento de seu inventor. A homenagem foi estipulada pelo presidente Juscelino Kubitschek, por meio do Decreto nº 42.984, de 3 de janeiro de 1958. Por uma ironia de destino, Abreu viria a morrer quatro anos depois, no dia 30 abril, por causa de uma doença do pulmão — no caso, câncer.
P.S. Em 1963, o corpo clínico do Hospital de Messejana, em Fortaleza-CE, homenageou o insigne médico paulista ao colocar seu nome no Centro de Estudos da instituição. Tive a honra de presidir durante quatro anos (2003 - 2006) o referido Centro de Estudos, contando com a imprescindível colaboração do Sr. Vinício Firmeza de Brito.
Texto extraído de: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-62695479
Em arquivo: Post 11 - Abreu, inventor da abreugrafia, blog Nova Acta

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

937 - Wilhelm Röntgen

Wilhelm Conrad Röntgen (Lennep, 27 de março de 1845 — Munique, 10 de fevereiro de 1923)
Foi um físico alemão que, em 8 de novembro de 1895, produziu a radiação electromagnética nos comprimentos de onda correspondentes aos atualmente chamados raios X.
Em 28 de dezembro, ele anunciou na Universidade de Würzburg, através do artigo "Ein neue Art von Strahlen" (Sobre uma nova espécie de Raios), ter feito uma fotografia de raios X da mão de sua esposa (imagem ao lado).
Em janeiro, ele já era famoso. Ao longo de 1896, cerca de 50 livros e 1000 artigos apareceram sobre o assunto. E uma revista dedicada ao assunto foi fundada em maio de 1896.
Até os dias atuais, nenhuma das suas conclusões foi considerada falsa. Atualmente, Röntgen é considerado o pai da radiologia, a especialidade médica que se utiliza de imagens para o diagnóstico das doenças.
Ver também:
11 - Abreu, inventor da abreugrafia
42 - Como se fosse fotografia
464 - Werner Forssmann
A primeira fotografia de raios X nos EUA foi feita pelo Dr. Henry Louis Smith, um professor de física e astronomia da Davidson College. Mostrou a localização de uma bala na mão de um cadáver, usando uma exposição de 15 minutos. Imediatamente depois que ele ouviu pela primeira vez a descoberta de Röntgen na Alemanha, Smith pegou a mão do cadáver e disparou uma bala nela, para essa experiência. Em fevereiro de 1896, ele publicou essa fotografia de raios X no Charlotte Observer.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

932 - A pulseira que neutraliza os tremores do Parkinson

O Parkinson é uma doença que afeta o sistema nervoso, causando falta de coordenação e tremores. Nos casos mais comuns, a enfermidade é reconhecida pelos tremores nos braços e pernas, o que faz com que o portador necessite da assistência de outras pessoas para realizar as tarefas mais simples do quotidiano.
A ciência tenta ajudar os portadores desta enfermidade de várias maneiras, embora a mais importante e prioritária continue sendo a busca da cura. Enquanto não se chega a esse ponto, há invenções que tentam tornar mais fácil a vida dos enfermos, como esta pulseira que lhes permite escrever e, até mesmo, desenhar.
É um projeto da Microsoft Research para o programa BBC2 The Life Big Fix. Liderados por Haiyan Zhang, diretora de inovação do programa, seus pesquisadores criaram uma pulseira ou bracelete que contrabalança os tremores das mãos. O dispositivo se baseia no funcionamento de pequenos motores que emitem microvibrações contrárias aos movimentos involuntários do braço. Assim, compensando seus  tremores na medida do possível, é que as pessoas afetadas pelo Parkinson podem voltar a escrever.
A primeira pessoa a usá-la foi Emma Lawton, uma ilustradora e escritora de 33 anos, que tem o diagnóstico de mal de Parkinson desde os 29. Graças a esta pulseira, não muito maior do que um SmartWatch, ela pôde voltar a escrever com boa qualidade.
É um conceito, ainda não é um produto final a ser vendido. A ideia e seu desenvolvimento está nas mãos da Microsoft, a qual poderá torná-la disponível a qualquer empresa do mercado.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

780 - Óculos inteligentes para cegos

Imagem: veio daqui
Os óculos inteligentes do pernambucano Marcos Antônio da Penha, 27, foram os vencedores do WSYA 2014 (World Summit Youth Awards 2014), na noite de 17/06/2015. Com a finalidade de auxiliar pessoas com deficiência visual a se locomoverem, o dispositivo competiu com mais 18 projetos em seis categorias.
Para o presidente do WSYA, Peter Bruck, o projeto do brasileiro "é realmente um salto em inovação tecnológica".
O que você achou do Brasil?
"O que eu acho incrível, e que é completamente diferente de dez anos atrás, é como os jovens são cosmopolitas, falam bem inglês e têm um pensamento progressista, muito mais que gerações passadas."
(trecho da entrevista de Peter Bruck para A Folha)
N. do E.
Os óculos inteligentes, segundo Marcos Antônio, não substituirão a bengala "que tem um aspecto psicológico tátil". Mas, ao identificar os objetos que ficam na "zona cega" da bengala (como os orelhões de telefone, por exemplo), auxiliarão os cegos em suas caminhadas pela cidade.
Poderá também gostar de VER
168 - Óculos autoajustáveis
235 - Exames de vista pelo celular
414 - Multióculos
557 - O "eye-phone"

sábado, 29 de novembro de 2014

683 - O desfibrilador voador

Um estudante holandês de 23 anos apresentou um protótipo de um drone ambulância, um desfibrilador voador capaz de chegar a uma vítima de ataque cardíaco dentro daqueles preciosos minutos em que uma vida pode ser salva.
Desenvolvido pelo estudante de graduação de engenharia Alec Momont, ele pode voar em velocidades de até 100 quilômetros por hora. Pintado em amarelo (cor característica dos serviços de emergência na União Europeia - UE) e impulsionado por seis hélices, o drone ambulância pode transportar uma carga de quatro quilogramas - neste caso, um desfibrilador.
"Cerca de 800 mil pessoas sofrem uma parada cardíaca na UE a cada ano e apenas 8 por cento delas sobrevivem. E a principal razão para isso é o tempo de resposta relativamente longo dos serviços de emergência - de cerca de 10 minutos, enquanto a morte cerebral pode ocorrer entre quatro e seis minutos", diz Momont. "O drone ambulância pode fazer um desfibrilador chegar a um paciente situado em uma área de 12 quilômetros quadrados dentro de um minuto, aumentando a sua chance de sobrevivência de 8 para 80 por cento."
Nerdoholic

sábado, 13 de setembro de 2014

657 - Sorrir ou não?

Muito tempo atrás, eu li que era preciso algo como 43 músculos para franzir a testa, mas apenas 17 músculos para sorrir.
Ergo, deveríamos apenas sorrir (porque seria mais fácil).
Numa aula de anatomia na Faculdade, foi que eu percebi que esses números poderiam não estar certos. Tanto quanto eu aprendi, existem apenas 36 músculos chamados de músculos da expressão facial, e eles não estão todos envolvidos em sorrir e franzir a testa.
Na ilustração ao lado, os músculos de franzir a testa e os músculos de sorrir apresentam-se em quantitativos diferentes e enfrentam-se com um escore de 50 x 13.
Já neste fórum em que fiz uma "revisão sistemática", eu encontrei os seguintes resultados: 33 x 13, 100 x 10, 64 x 50, 317 x 20, 43 x 17, 37 x 1, 35 x 4, 65 x 15 e 72 x 14.
Afinal,
Quantos músculos são responsáveis ​​por sorrir e por franzir a testa?
Eu poderia arriscar um palpite, mas vou transferir a responsabilidade de responder para o Dr. David H. Song, cirurgião plástico e professor associado da Universidade de Chicago:
"Contando apenas os músculos que fazem contribuições significativas, concluo que sorrir usa um músculo a mais do que franzir o cenho (são 12 contra 11). Isso não significa, necessariamente, que o ato de sorrir seja mais difícil de realizar. Talvez seja, talvez não seja. Eu suponho que seria preferível comparar suas massas musculares: "músculos sorridentes" versus "músculos carrancudos" – para obter uma estimativa aproximada do consumo de energia (assumindo que todos os músculos consomem energia na mesma taxa por unidade de massa)." – The Straight Dope
Facial Fitness Pao
Atualize-se aqui sobre este interessante dispositivo de exercício facial inventado no Japão: クリスティアーノ・ロナウドがイメージキャラクターのMTG新商品 FACIAL FITNESS PAO(フェイシャルフィットネス パオ)のCMです。 「世界一の笑顔へ、もっと鍛えよう。1日2回、1回30秒からの集中ト
Tudo o que você tem a fazer é colocá-lo na boca e sair com ele por aí. Agitando-o um par de horas por dia, em pouco tempo você terá adquirido um sorriso, digamos, muscular.

sábado, 15 de junho de 2013

507 - Aviões de guerra e lentes intraoculares

Muitas descobertas e invenções científicas já ocorreram por obra do acaso ou por terem sido ajudadas por erro ou acidente.
O caso mais conhecido é o da descoberta da penicilina por Alexander Fleming, em 1928, quando um fungo (Penicillium notatum) contaminou acidentalmente placas de cultura de bactérias. Outro caso, em que o acidente aliou-se novamente ao estudo e ao conhecimento, foi o da invenção das lentes intraoculares.
A pessoa certa : o oftalmologista britânico Harold Lloyd Nicholas Ridley.
O timing: a Segunda Guerra Mundial.
O resultado: a concepção e o desenvolvimento das lentes intraoculares para a substituição do cristalino nas modernas operações de catarata.
Hoje, cerca de 6 milhões de pessoas em todo o mundo recebem anualmente os implantes dessas lentes intraoculares.
Ler este fascinante artigo de Guillermo - La curiosa relación entre el avión de guerra “Spitfire” y las lentes intraoculares - no NAUKAS, um site de ciência, ceticismo e humor.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

502 - Buck Duke

O homem que inventou a arma mais letal do século
por Edivaldo Dias de Oliveira, Portal Luis Nassif
Ele parece pequeno e inofensivo - branco e com apenas oito centímetros de tamanho. Mas o cigarro é visto como um dos grandes males da saúde pública e repudiado como poucos produtos.
Mas quem o inventou e como essa pessoa pode ser responsabilizada pelas inúmeras mortes provocadas pelo cigarro?
O cirurgião americano Alton Ochsner lembra que, quando ainda era estudante de medicina em 1919, sua turma foi chamada para assistir a uma autópsia de uma vítima de câncer de pulmão. Na época, a doença era tão rara que os estudantes acharam que não teriam outra chance de testemunhar algo parecido.
Quase um século depois, estima-se que 1,1 milhão de pessoas morram por ano da doença. Cerca de 85% dos casos são relacionados a apenas um fator: tabaco.
 "O cigarro é o artefato mais mortal da história da civilização humana", diz Robert Proctor, da Universidade de Stanford. "Ele matou cerca de 100 milhões de pessoas no século 20."
Fenômeno 
Jordan Goodman, autor do livro "Tabaco na História" disse que, como historiador, ele teve o cuidado de não apontar o dedo a nenhum indivíduo, "mas na história do tabaco eu me sinto confiante em dizer que James Buchanan Duke - conhecido como Buck Duke (foto)- foi responsável pelo fenômeno do século 20 conhecido como cigarro".
Em 1880, aos 24 anos, Duke entrou em um nicho da indústria do tabaco - os cigarros já enrolados. Uma equipe pequena de Durham, no Estado da Carolina do Norte, enrolava a mão os cigarros Duke of Durham.
Dois anos depois, Duke percebeu uma chance de ganhar dinheiro. Ele começou a trabalhar com um jovem mecânico chamado James Bonsack, que disse que poderia construir uma máquina para fabricar cigarros.
Duke estava convencido que as pessoas estariam dispostas a fumar os cigarros perfeitamente simétricos produzidos pela máquina.
O equipamento revolucionou a indústria do tabaco.
"Trata-se, essencialmente, de um cigarro de tamanho enorme, cortado em comprimentos apropriados, por lâminas rotativas", diz Robert Proctor. Mas, como as pontas ficavam abertas, o tabaco precisava ser umedecido, para ficar rígido, e não cair do cigarro. Isso era feito com ajuda de aditivos químicos, como glicerina, açúcar e melaço.
Mas esse não era o único desafio. Antigamente, as funcionárias enrolavam cerca de 200 cigarros por turno. A nova máquina produzia 120 mil cigarros por dia - um quinto do consumo de todos os Estados Unidos, na época. "O problema é que ele era capaz de produzir muito mais cigarros do que conseguia vender", diz Goodman. "Ele precisava entender como conquistar esse mercado."
Marketing e publicidade
A resposta estava na publicidade e no marketing. Duke patrocinou corridas, distribuiu cigarros gratuitamente em concursos de beleza e colocou anúncios nas revistas da época. Ele também percebeu que a inclusão de figurinhas colecionáveis nas carteiras de cigarro era tão importante quanto trabalhar na qualidade do produto. Em 1889, ele gastou US$ 800 mil em marketing (ou US$ 25 milhões, em valores de hoje em dia).
Bonsack ficou com a patente da máquina, mas, em gratidão ao apoio de Duke, deu 30% de desconto no seu aluguel ao industrial. A vantagem competitiva - aliada à promoção vigorosa - foi fundamental para o sucesso de Duke.
Como suspeitava, as pessoas gostavam dos cigarros feitos pela máquina. Eles tinham aparência mais moderna e higiênica. Uma das campanhas enfatizava o fato de que cigarros manuais eram feitos com contato da mão e da saliva de outras pessoas. Mas, apesar de o número de fumantes ter quadruplicado nos 15 anos até 1900, o mercado ainda era um nicho, já que a maioria das pessoas mascava tabaco ou fumava usando cachimbos ou charutos. Duke - que também era fumante - viu o potencial competitivo dos cigarros em relação aos demais produtos. Uma das vantagens era a facilidade para acendê-los, ao contrário dos cachimbos. "O cigarro, realmente, era usado de forma diferente", diz Proctor. "E uma das grandes ironias é que os cigarros eram considerados mais seguros do que os charutos porque eram vistos como apenas 'pequenos charutinhos'." 
Mas um elo direto com câncer de pulmão não foi encontrado até 1957 na Grã-Bretanha e 1964 nos Estados Unidos. Os cigarros chegaram a ser promovidos como benéficos à saúde. Eles eram listados nas enciclopédias farmacêuticas até 1906 e indicados por médicos para casos de tosse, resfriado e tuberculose - uma doença que é agravada pelo fumo.
Moralidade 
No começo dos anos 1900, houve um movimento antitabagismo, mas ele estava mais relacionado à moralidade do que à saúde. O crescimento no número de crianças e mulheres fumantes era parte de um debate sobre o declínio moral da sociedade. Os cigarros foram proibidos em 16 Estados americanos entre 1890 e 1927. A atenção de Duke voltou-se para o exterior. Em 1902, ele formou a empresa britânica British American Tobacco. As embalagens e o marketing foram ajustados para mercados consumidores diferentes, mas o produto era basicamente o mesmo. "Para ele, todos os cigarros eram iguais. Toda a globalização que hoje nos é familiar, com marcas como McDonalds e Starbucks - tudo isso foi antecipado por Duke e seus cigarros."
A indústria do cigarro continua em expansão até hoje. Apesar de ela estar em queda em determinados países desenvolvidos, no mundo emergente, a demanda por cigarros cresce 3,4% por ano. Em números globais, a indústria ainda está crescendo. A Organização Mundial da Saúde alerta que, caso não sejam adotadas medidas preventivas, 100 milhões de pessoas morrerão de doenças relacionadas ao tabaco nos próximos 30 anos - um número superior à soma de vítimas da Aids, tuberculose, acidentes de carros e suicídios.
Mas Buck Duke pode ser responsabilizado por isso? Afinal de contas, ninguém é obrigado a fumar. Em um ensaio recente para a revista Tobacco Control, Robert Proctor argumenta que todos na indústria tabagista têm sua parcela de culpa. "Nós temos que perceber que anúncios podem ser cancerígenos, junto com as lojas de conveniência e até farmácias que vendem cigarros. Os executivos que trabalham na indústria tabagista causam câncer, assim como os artistas que desenham as carteiras e as empresas de relações públicas e marketing que lidam com essas contas", diz Proctor.
Buck Duke morreu em 1925, antes da era dos grandes processos e da responsabilização do tabaco por doenças como câncer de pulmão. "Eu não o culparia pelo [crescimento do] consumo de cigarros", diz Bob Durden, que é biógrafo do industrial. Ele aponta que Duke também foi responsável por ações positivas, como doações de mais de US$ 100 milhões para o Trinity College, na Carolina do Norte, que foi rebatizado de Duke University, em sua homenagem. "Ele foi tanto um herói quanto um vilão ", diz Goodman. "Buck Duke é um herói em termos de sua compreensão do mercado e da psicologia humana, da formação de preço, da publicidade. Nesse sentido, ele não é vilão. Mas ele fez o mundo fumar cigarros. E os cigarros são o grande problema do século 20."
31 DE MAIO: DIA MUNDIAL SEM TABACO

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

458 - Morre o inventor do bafômetro

Morreu na segunda-feira (14) em Anglesey, norte de Gales, aos 77 anos, o Dr. Tom Jones Parry (foto), o inventor do bafômetro eletrônico. O dispositivo inventado pelo Dr. Jones, em 1974, é capaz de informar o nível de álcool no sangue de uma pessoa com base em uma amostra do ar por ela respirado. A proporção do álcool no ar respirado para o álcool no sangue é 2.100: 1. Isto significa que 2.100 mL de ar irá conter a mesma quantidade de álcool que existe em 1 mL de sangue. Pela contribuição que deu à segurança rodoviária Dr. Jones fora homenageado com a Ordem do Império Britânico.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

411 - iPhone. Máscara


O designer João Lammoglia criou uma máscara que, a partir da respiração humana, gera energia suficiente para carregar pequenos dispositivos eletrônicos. Lammoglia diz que essa máscara pode ser usada enquanto você dorme, anda, corre ou lê um livro, entre outras atividades. Ainda em fase de conceito, a AIRE (o nome da máscara) dispõe de pequenas turbinas eólicas que convertem os fluxos respiratorios em eletricidade, a qual, por sua vez, poderá ser capaz de carregar um iPhone, por exemplo.
Não há estudos conclusivos sobre até que ponto o mau hálito matinal compromete a eficiência da máscara.

terça-feira, 15 de maio de 2012

376 - Silêncio, Biblioteca


Este produto (acima) desenvolvido por cientistas japoneses não pertence ao mundo da fantasia. É uma arma que afeta a capacidade de falar das pessoas. Funciona a até 30 metros de distância.
O dispositivo inventado produz um áudio com um atraso de 0,2 segundos que dificulta a capacidade humana de gerar palavras e frases corretamente. A técnica que ele emprega, chamada de realimentação auditiva atrasada, não apresenta impacto físico que cause danos, além da frustração gerada pela incapacidade de se comunicar.
Não neutraliza gritos. Mas se prevê o emprego dessa ferramenta nos locais em que as pessoas devam permanecer em silêncio. Como nas bibliotecas.
SpeechJammer: A System Utilizing Artificial Speech Disturbance with Delayed Auditory Feedback

sábado, 13 de fevereiro de 2010

11 - Abreu, inventor da abreugrafia

Médico brasileiro, Manuel Dias de Abreu nasceu em São Paulo, em 4 de janeiro de 1894. Formou-se pela Faculdade de Medicina da UFRJ, em 1914, nesse mesmo ano seguindo para Paris a fim de aprofundar os seus conhecimentos de clínica médica. Em 1916, já dirigia o serviço de radiologia da Santa Casa de Paris.
De volta ao Brasil, continuou a dedicar-se ativamente a investigações sobre radiologia e radiogeometria. Suas pesquisas conduziram-no a importantes descobertas, que culminaram com a invenção, em 1936, de um novo processo de obtenção de radiografias do tórax. O método foi por ele denominado roentgenfotografia, por tratar-se de uma combinação de raios X (raios Roentgen) com fotografia, ou, ainda, fluorofotografia. Em 1939, durante o I Congresso Brasileiro de Tuberculose, o novo método foi designado abreugrafia em homenagem a seu inventor.
A abreugrafia é um método que consiste em registrar em filme de 35, 70 ou 100 milímetros a fotografia da tela radioscópica de uma radiografia de tórax. É, portanto, uma radiografia indireta e seu principal objetivo é mostrar, de forma rápida e com baixo custo, a existência de doenças torácicas ocultas ou inaparentes. Durante algumas décadas, por possibilitar a realização em massa do cadastro torácico, foi (não é mais) um importante instrumento da luta anti-tuberculose.
Manuel de Abreu também escreveu trabalhos literários. Entre os quais: “Não Ser”, “Substância”, “Meditações” e “Mensagem Etérea”. E foi, com a reconhecível veia poética, com que descreveu a emoção experimentada ao ver os primeiros resultados do método radiológico que recém inventara:
“No filme revelado, estavam as primeiras fluorografias; olhei-as longamente; eram flores para mim, eram pássaros, cantavam um canto matinal que me extasiava”.
Falecido em 1962, o ano em que também faleceu Portinari, “o gênio das cores”, o inventor da abreugrafia recebeu do mestre Edmundo Blundi o carinhoso título de “o gênio das sombras”. E, do corpo clínico do Hospital de Messejana, recebeu Manuel de Abreu, em 1963, a homenagem póstuma de ter o seu nome colocado no do centro de estudos da referida instituição.
O Decreto de nº 42.984, de 03/01/58, consagrou o dia 4 de janeiro (data de aniversário do nascimento de Manuel de Abreu) como o Dia Nacional da Abreugrafia.

Publicado em EntreMentes