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quinta-feira, 4 de junho de 2026

1470 - A criação da Faculdade de Medicina do Ceará

Dr. Paulo Gurgel Carlos da Silva, CREMEC 1405
Graduado em 1971 na 19.ª Turma da FM/UFC
Apenas em 1939 foi lançada a ideia de fundar uma Faculdade de Medicina em Fortaleza. "Foi quando da visita a esta cidade do Prof. Antonio Austragésilo, grande nome da medicina nacional, hóspede do Dr. Jurandyr Marães Picanço, seu antigo e querido aluno", como lembra o médico Elias Boutala.
Mas o projeto foi adiado por causa da eclosão da 2.ª Guerra Mundial; tendo sido retomado apenas em 1946, durante o I Congresso de Médicos Católicos. Para este evento vieram/regressaram à cidade médicos cearenses (formados em outros centros) e que também estagiaram no exterior, com seus “jovens sonhares”.
Então, foi fundada em 1947 a Sociedade Promotora da Faculdade de Medicina do Ceará, constituída por César Cals de Oliveira (presidente de honra); Jurandir Marães Picanço (presidente); Antonio Jorge de Queiroz Jucá (1º secretário); Alber Furtado de Vasconcelos (2º secretário) e Eliezer Studart da Fonseca (tesoureiro). Além da diretoria, compunham as comissões organizadoras: Haroldo Gondim Juaçaba, Juvenil Hortêncio de Medeiros, Walter de Moura Cantídio, Raimundo Vieira Cunha, Waldemar de Alcântara e Silva, Josa Magalhães, João Batista Saraiva Leão, Tarcísio Soriano Aderaldo e Fernando Leite.
O trabalho deles surtiu efeito e, no dia 13 de abril de 1948, o então Presidente da República, Eurico Gaspar Dutra, e o Ministro da Educação, Clemente Mariani, assinaram o Decreto que dava ao Ceará o privilégio de ter um curso médico. E foi criado o Instituto de Ensino Médico do Ceará, tendo como diretor João Batista Saraiva Leão.
Sua primeira sede foi na Praça José de Alencar, ao lado do Theatro, em prédio cedido pelo governo do Estado do Ceará.
Neste prédio histórico atualmente está instalada a Superintendência no Ceará do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Foto Nirez
No dia 12 de maio de 1948, o Prof. Alfredo Monteiro, Diretor da Faculdade Nacional de Medicina, proferiu a aula de sapiência, ficando instalada a Faculdade de Medicina a ser mantida pelo Instituto de Ensino Médico. No futuro, esta data inclusive daria nome ao Centro Acadêmico da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará.
O primeiro exame vestibular para Medicina, no Ceará, foi realizado ainda em 1948, nas dependências do casarão em que estava instalada a Faculdade. E as provas foram realizadas com a presença de público para demonstrar a lisura e a transparência do concurso. Concorreram 85 candidatos para 60 vagas, sendo classificados apenas 10.
Em 27 de março de 1951, foi divulgado Decreto no qual o Presidente Getúlio Vargas e o Ministro da Educação Simões Filho reconheciam o curso de Medicina, que passou a se chamar Faculdade de Medicina do Ceará.
Dos dez alunos da primeira turma apenas três colaram o grau em dezembro de 1953: Ana Nogueira Gondim, Hilda de Souza Magalhães e Raimundo Hélio Cirino Bessa. Um dos três concludentes, Raimundo Hélio Cirino Bessa, veio a se tornar posteriormente professor de cardiologia da Faculdade.
Em 1954, a Faculdade de Medicina passou a pertencer à Universidade Federal do Ceará (UFC). Como uma autarquia vinculada ao Ministério da Educação, foi o resultado de um amplo movimento de opinião pública. Criada pela Lei nº 2.373, em 16 de dezembro de 1954, foi instalada em 25 de junho do ano seguinte.
Em 1954, segundo Alencar Araripe, colaram grau 13 alunos; em 1955, 8 alunos; em 1956, 13 alunos; e em 1957, 18 alunos. Neste último ano, a Faculdade de Medicina foi transferida da Praça José de Alencar para Porangabuçu.
Imagem  histórica do Hospital-Escola no campus do Porangabuçu, que se tornou o núcleo da Faculdade de Medicina do Ceará. Aproveitando as obras interrompidas do Hospital Carneiro de Mendonça, em julho de 1957, as atividades da Faculdade foram oficialmente transferidas para este local. É a foto do prédio deu origem ao que hoje conhecemos como o Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), vinculado à Universidade Federal do Ceará (UFC).
No início, sob a direção do Prof. Antônio Martins Filho, fundador e primeiro reitor da UFC (de 1955 a 1967), a UFC era constituída pelos seguintes estabelecimentos federais de ensino superior:
a) Faculdade de Direito (Decreto-lei nº 8.827, de 24 de janeiro de 1946);
b) Faculdade de Farmácia e Odontologia (Lei nº 1.254, de 4 de dezembro de 1950);
c) Escola de Agronomia (Lei número 1.055, de 16 de janeiro de 1950);
d) Faculdade de Medicina do Ceará (Decreto nº 22.397, de 7 de março de 1951).
https://www.diariodasleis.com.br/legislacao/federal/99534-cria-a-universidade-do-cearu-com-sede-em-fortaleza-e-du-outras-providuncias.html
Até o ano de 1970, entrava apenas uma turma de alunos por ano através de seu concurso vestibular. A partir de 1971, passaram a entrar duas turmas por ano, o que acontece até hoje.
Em 1973, uma reforma universitária tornou a Faculdade de Medicina um curso do Centro de Ciências da Saúde (CCS). Mas, em 1997, na gestão do Prof. Elias Salomão Boutala, o curso de Medicina da UFC foi desvinculado do CCS e voltou a ser chamado de Faculdade de Medicina da UFC (FM-UFC).
Desde então, a Faculdade de Medicina da UFC se consolidou como uma das principais instituições de ensino de Medicina do Brasil, formando profissionais altamente qualificados e contribuindo para o avanço da ciência médica em todo o país. ChatGPT
Fontes 
Silva, Marcelo Gurgel Carlos da (org). I Congresso Brasileiro de Médicos Católicos: textos e contextos. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2010.
Araripe, José Caminha Alencar. A Faculdade de Medicina e sua Ação Renovadora. Expressão Gráfica
http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/60966
http://www.diariodasleis.com.br/legislacao/federal/99534-cria-a-universidade-do-cearu-com-sede-em-fortaleza-e-du-outras-providuncias.html (indisponível)
http://famedufc.blogspot.com/p/historia.html
http://www.ufc.br/noticias/noticias-de-2013/3587-historia-e-homenagens-abrem-comemoracoes-dos-65-anos-da-faculdade-de-medicina
Cronologia 
1939: Ideia de Antonio Austragésilo sobre a criação da FM (para Jurandyr Picanço)
1946: I Congresso de Médicos Católicos, em Fortaleza
1947: Fundação no Ceará da Sociedade Promotora da Faculdade de Medicina
1948: Decreto e criação do curso de Medicina. Aula de sapiência em 12 de maio. Primeira sede na Praça José de Alencar; e primeiro exame vestibular (com 10 classificados)
1951: Decreto reconhecendo o curso de Medicina, que passou a se chamar Faculdade de Medicina do Ceará.
1953: Turma Prima (com 3 concludentes)
1954: Criação da autarquia UFC e FM passou a pertencer à UFC
1955: Instalação da UFC (reitor Antonio Martins Filho)
1957: Instalação da FM no Campus de Porangabussu
1966: Turma Andreas Vesalius; 1971: Turma Carlos Chagas /
1973: Reforma universitária. FM tornou-se um curso do CCS
1997: FM-UFC

quinta-feira, 14 de março de 2024

1352 - Descobertas acidentais na história da medicina

A história da medicina está repleta de descobertas inovadoras que alteraram a forma como percebemos e tratamos as doenças. Curiosamente, muitas dessas descobertas médicas foram resultado do acaso, e não de um projeto completo ou de experimentação rigorosa, mas mudaram para sempre o rumo da medicina.
1772, Joseph Priestly: Óxido nitroso (gás hilariante; para uso em anestesiologia na década de 1840)
1895, Wilhelm Conrad Roentgen: Raios-X
1928, Alexander Fleming: Penicilina
1930, Karl Paul Link: Varfarina (anticoagulante)
1956, Wilson Greatbatch: Marca-passo cardíaco implantável 
1996, Lab. Pfizer: Sildenafil (patente para uso na disfunção erétil)
Os exemplos aqui apresentados demonstram não apenas a natureza imprevisível do avanço científico, mas também a necessidade de estar preparado para aproveitar oportunidades inesperadas na busca por uma saúde melhor.
TudoPorEmail

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

1117 - A Seção de Documentação Científica do Hospital de Messejana

Período 1965-1977
No início de 1965, em uma sala situada no pavimento térreo do recentemente reformado Pavilhão Central, foi instalada a Seção de Documentação Científica (SDC), para dar continuidade aos trabalhos do Serviço de Arquivo Médico e Estatística (SAME) do então Sanatório de Messejana.
Chefes da SDC:
Dr. Abner Cavalcante Brasil
Dr. Francisco Sampaio de Oliveira
Dr. Amaury Teófilo Brasil
Dr. Abner Cavalcante Brasil (2.ª vez)
Depois dos trabalhos realizados pelo Dr. Pope Figueiredo, no Sanatório Santa Maria, da Prefeitura do Rio de Janeiro, e publicados em revistas especializadas, o Sanatório de Messejana passou a usar um sistema de fichas de dados exclusivamente direcionados à tuberculose. Essas fichas eram chamadas de cartões McBee.[link]
Na última gestão deste período, uma parte dos prontuários foi transformada em slides pelo fotógrafo Milton Nascimento, ao tempo que se planejou uma futura microfilmagem.
Fonte: "Sanatório de Messejana: uma história a ser contada", do tisiopneumologista Dr. Carlos Alberto Studart Gomes que, por 39 anos, dirigiu esta instituição. [link]
Período 1978-1994
Chefe da SDC: Dr. Paulo Gurgel Carlos da Silva
Em 1977, quando cheguei ao Hospital de Messejana, então dirigido pelo Dr. Carlos Alberto Studart Gomes, a SDC ocupava a casa que, no período dessa instituição como Sanatório, fora o local de repouso dos médicos plantonistas.
Designado pelo Dr. Carlos Studart para auxiliar o Dr. Abner Brasil na SDC, com o afastamento do colega Abner para exercer o cargo de Secretário de Saúde do Piauí, em 1998, assumi a chefia da Seção.
Como estava previsto, iniciou-se, através da firma Gustavo Silva, a execução da microfilmagem de alguns lotes de prontuários do Hospital de Messejana. Contando com a anuência do Dr. Carlos Studart, decidi que, inicialmente, seriam microfilmados os prontuários: 1) de pacientes falecidos; 2) de antigos pacientes que não tinham retornado para atendimento no Hospital de Messejana, nos últimos cinco anos. Máquinas leitoras foram instaladas em vários pontos do Hospital de Messejana e uma máquina copiadora permaneceu à disposição dos interessados na SDC.
A experiência com a microfilmagem de prontuários e radiografias, que não vinha alcançando bons resultados, foi encerrada alguns anos após por falta de recursos financeiros com esta destinação.
Crescendo o problema da falta de espaço para o arquivamento da documentação médica, optei por implantar o prontuário de ambulatório, o qual tinha a vantagem de apresentar dimensões reduzidas. Este modelo de prontuário era exclusivamente utilizado no atendimento de pacientes externos que não haviam passado por alguma internação no Hospital de Messejana.
Adiante, houve a necessidade de construir uma SDC mais ampla. Durante a administração do Dr. Jorge Matos, que sucedeu a Dr. Carlos Studart, um  novo prédio foi construído, em comunicação com as Unidades de Pacientes Externos e de Emergência. Tivemos alguma dificuldade para torná-lo aceitável pelos funcionários do setor, pois a climatização não constava do projeto.
Por determinação da Administração Central do INPS, passamos a usar na SDC, em substituição aos cartões McBee, as fichas de Médico Assistente, Diagnóstico, Operação e Óbito para coletar os dados dos pacientes que recebiam alta hospitalar.
Finalmente, entramos na era de processamento de dados. Havia um computador CP 500, que se encontrava ocioso no Centro Cirúrgico, e para o qual o anestesiologista Henrique Torres, a nosso pedido montou o programa CID para receber os dados da Classificação Internacional de Doenças..
Foi pela Documentação Científica que, de fato, o processamento de dados entrou no Hospital de Messejana. Com a chegada do funcionário Haroldo de Castro Araújo, em 1989, quando a SDC já reunia uma estrutura mais adequada na área da informática, diversos programas foram implantados.
Ressalte-se que alguns deles, trinta anos depois, ainda continuam sendo operacionais.
A partir de 1990, quando esta instituição passou a integrar a rede de hospitais da Secretaria de Saúde do Ceará, a SDC, em parceria com o setor de Contas Médicas e a assessoria da firma Hospidados, foram responsáveis pela implantação no Hospital de Messejana da AIH - Autorização de Internação Hospitalar.
Em 1992, a SDC teve o nome mudado para Centro de Arquivo Médico e Estatística (CAME) pela SESA-CE.
Período 1995-2019
Chefes da SDC:
Dr. Abelardo Soares de Aguiar  [link]
Dr. Leandro Cruz Demétrio de Souza
Dra. Ana Lúcia Araújo Nocrato
Em 20/09/2019, atendendo a um convite da colega Ana Lúcia Araújo Nocrato, visitei a Unidade de Documentação Científica (UNDOC, nome atual da SDC). Uma oportunidade para rever antigos funcionários do setor, como o Marcos Aurélio, o João Soares e o José Marcelo, e conhecer os novos funcionários. Haroldo Araújo, que atualmente é o chefe das Contas Médicas, foi lá para me abraçar. E fui conduzido para uma sessão de fotos próximo a uma placa lisonjeira.
Foto: vejo-me, entre Marcos Aurélio e Ana Nocrato, coordenadores administrativo e médico da UNDOC - Unidade de Documentação Científica
Percorrendo as instalações pude observar algumas mudanças: a abertura de uma saída de emergência (indispensável em situação de incêndio) com a porta dando para uma rampa; modernas estantes com seções móveis para os prontuários, em substituição às fixas que antes existiam, e a criação de um jardim (de onde veio o capim santo para o chá que me foi servido com sequilhos).
Fui informado de que o arquivamento de uma grande parte dos prontuários encontra-se terceirizado (fora do Hospital). Numa prova de que um arquivo de documentos hospitalares está sempre a enfrentar o problema da falta de espaço para o cumprimento de sua missão.
Auxiliares (que trabalharam comigo):
Eronita, Leda, Antônio Medeiros, Antônio Serpa, Tarcísio, Erialdo, Clécio, Helena, Francisco Tertulino (Chiquinho), Fco. José (MS), Ana, Malveira, Haroldo de Castro Araújo (programador, chefe das Contas), Lúcia de Fátima (Farm.), Pedro, Dilma Bastos (Enf.ª, nora de Zivaldo) [link], Regina Cleide Ximenes (Enf.ª), Evandro (analista de sistema), João Soares, Marcos Aurélio, Eduardina (Dudu), Leônia Solon. Fizeram o curso superior enquanto trabalhavam na SDC: Lúcia (Farmácia), Dilma (Enfermagem) e Regina (Enfermagem).

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

1025 - O espirômetro de Hutchinson



A silhueta de J. Hutchinson (1811 - 1861) e seu espirômetro, ilustrando a posição correta para a medida da Capacidade Vital
- Th. Similowski y col. Rev Mal Respir 1997

Contribuições de J. Hutchinson
- Projeto do primeiro espirômetro moderno
- Conceito e nome da Capacidade Vital (CV)
- Impacto da CV nas enfermidades
- Relação da CV com a altura (não com o peso)
- Mais de 4 mil espirometrias realizadas
No Scribd 
HISTÓRIA DA ESPIROMETRIA
HISTÓRIAS DA HISTÓRIA DA ESPIROMETRIA

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

441 - Febre amarela e sangrias

A febre amarela é conhecida por trazer uma coloração amarela característica (icterícia) para a pele e os olhos e por causar "vômitos pretos" relacionados com sangramentos no estômago.
O vírus causal é transmitido por mosquitos infectados, porém, por muito tempo, se acreditou ser uma doença miasmática originária da matéria vegetal em decomposição e das putrefações em geral.


"Nunca antes experimentei tão sublime satisfação como a que eu sinto agora, contemplando o sucesso dos meus tratamentos (sangrias). Graças a Deus, de uma centena de pacientes que eu visitei ou prescrevi no dia de hoje, não perdi nenhum." 

Benjamin Rush

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

437 - A termometria clínica

Como o termômetro passou a ser usado na medicina
A observação clínica, o conhecimento fisiológico e o desenvolvimento técnico trabalharam juntos para aperfeiçoar um instrumento que se tornou indispensável na profissão médica: o termômetro.
A importância da observação da temperatura do corpo humano era conhecida desde a Grécia de Hipócrates (século V a.C.). Os médicos gregos, entretanto, precisavam de muito tato para tomar a temperatura de seus pacientes. Literalmente, pois só dispunham das mãos para fazer essa avaliação.
Já na Idade Média, a constatação da febre era considerada muito importante na prática médica, mas ainda não existia uma medição científica para a temperatura corporal.
O termômetro clínico, como o conhecemos hoje, só surgiria em 1852, quando Sir William Aitken (1825-1892), médico escocês de Edimburgo, inventou o chamado termômetro de máxima. Ao idealizar um estrangulamento no tubo de vidro, logo acima do bulbo de mercúrio. Assim, depois que o mercúrio se dilatava, estacionava na graduação correspondente à temperatura máxima registrada, o que permitia que ele próprio, com a calma de um bom clínico geral, lesse a temperatura mesmo algum tempo após a medição. E, para o mercúrio descer a fim de fazer uma nova leitura, só era preciso sacudir o termômetro, como se faz até hoje.
Mas, não se chegou ao atual termômetro clínico, apenas com a invenção de Aitken. Houve, em épocas diferentes, os precursores deste instrumento:
  • O termoscópio a ar, criado no fim do século XVI, para indicar as variações de temperatura no ambiente. Em 1611, o médico italiano Santorio acrescentou-lhe uma escala de temperatura, dando-lhe aplicação médica.
  • Por volta de 1632, o médico francês Jean Rey inventou o termômetro a líquido, que usava água em vez de ar como indicador de mudanças na temperatura.
  • Em 1654, Ferdinando II de Medici, grão-duque da Toscana, construiu o primeiro termômetro selado. Tratava-se de um tubo de vidro fechado hermeticamente e contendo álcool que, como foi descoberto, se dilata mais rapidamente do que a água.
  • Em 1709, descontente com a imprecisão dos termômetros de sua época, o físico alemão Gabriel Daniel Fahrenheit, fabricou um termômetro a álcool com uma escala confiável. Em substituição aos que usavam referências muito imprecisas como o ponto de derretimento da manteiga, por exemplo.
  • Em 1714, ao descobrir que o mercúrio se dilata mais uniformemente do que o álcool, Fahrenheit inventou o primeiro termômetro de mercúrio fechado a vácuo, driblando com isso a influência da pressão atmosférica sobre a medição. Graças aos trabalhos de Fahrenheit, o termômetro ganhava status de instrumento científico.
  • Em 1742, o astrônomo sueco Anders Celsius fez um termômetro de mercúrio com escala de zero a cem graus, em que a temperatura normal do corpo correspondia a 36,7 graus (98,6º F), logo incorporado à prática médica, pois a escala centígrada é mais fácil de ser lida.
super.abril.com.br

Instruções de uso
Antes de utilizar o termômetro, verifique se a coluna de mercúrio está abaixo do início da escala. Estando acima, sacuda com firmeza o termômetro até que a coluna fique abaixo.
Coloque o bulbo do termômetro sob o braço, no centro da axila. E o braço deve ficar bem colado ao tronco enquanto durar a medição.
O tempo em que o termômetro deve permanecer na axila é de 3 a 5 minutos.
Retirado para a leitura, o termômetro deve ser girado em busca de uma posição que melhor visualize a coluna de mercúrio.
A temperatura axilar normal de uma pessoa é de 36,5 ºC. No entanto, pode variar um pouco conforme a hora do dia.
Atenção - Em caso de quebra do vidro do termômetro, evite se expor ao mercúrio líquido contido nele. É tóxico.

domingo, 30 de maio de 2010

118 - A fumigação em seres humanos

A fumigação, que é o ato de expor a fumaças um determinado ambiente com o propósito de desinfetá-lo, numa certa época foi também aplicada em seres humanos. A partir de 1745, quando o médico inglês Richard Mead passou a recomendar o uso de enemas à base de fumaças do tabaco no tratamento das vítimas de afogamento, até o ano de 1835, quando esses fumigatórios entraram em descrédito na medicina.
Richard Mead, que aprendera essa prática com os índios norte-americanos, e outros médicos de sua época acreditavam que a fumaça, ao ser aplicada por via retal, graças ao calor e à presença da nicotina (cujas propriedades estimulantes já eram conhecidas), tinha a capacidade de ressuscitar as pessoas afogadas do estado de morte aparente. A esta indicação, posteriormente, outras foram sendo acrescentadas, como as indicações de usá-la na constipação, no cólera e nas convulsões.
Também se empregava o enema de fumaça com o objetivo de determinar se um paciente ainda se encontrava vivo. Com a reação do paciente ao fumigatório sendo interpretada como sinal de vida.
Obviamente, não há qualquer evidência científica que, em qualquer ocasião, autorize o emprego da fumigação per anum. E nas vítimas de afogamento, a utilização dessa prática, ao tirar de foco as medidas de reanimação cardiorrespiratória (que são insubstituíveis), pode ainda se mostrar terrivelmente danosa.
E, como vestígios dessa prática bizarra, restou apenas a expressão to blow smoke up one's ass, ainda em voga na língua inglesa.

Exemplo de um dispositivo (dos mais simples) usado na fumigação

Texto dedicado ao jornalista Nonato Albuquerque que, após trazer à baila o assunto em Antena Paranóica, solicitou a opinião deste escriba. PGCS

Publicado em EntreMentes

sexta-feira, 28 de maio de 2010

116 - O Juramento de Hipócrates

Hipócrates (Cós, 460 - Tessália, 377 a.C.) foi um observador de raro talento que, fugindo das explicações sobrenaturais, deixou-nos acuradas descrições para enfermidades à época desconhecidas e, com isso, abriu caminho para uma medicina baseada em evidências. Além disso legou a nós, médicos, um juramento (texto original em grego, ao lado) que contém princípios éticos louváveis a serem seguidos em nosso relacionamento profissional com os pacientes.
Esse juramento, porém, tem visão corporativista e submete aos que atualmente o proferem a idéias antiquadas e inaceitáveis. É supérfluo em vários aspectos; lacunoso, em outros.
Ei-lo (com algumas emendas supressivas por mim colocadas):

"Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higéia e Panacéia, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue: estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.
Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva.
Conservarei imaculada minha vida e minha arte.
Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.
Em toda a casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário
e de toda a sedução sobretudo longe dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.
Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.
Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça."

Leituras sugeridas
O juramento de Hipócrates, do Dr. Drauzio Varella
Juramento de Hipócrates - Caminhos da Medicina, do Dr. Celso, no site www.clinicaclim.com

Publicado em EntreMentes

sexta-feira, 5 de março de 2010

32 - Os bebedores de limão

Estima-se que o escorbuto, entre 1500 e 1800, haja causado a morte de cerca de um milhão de marinheiros. Relacionados com a falta da vitamina C no corpo humano (que não sintetiza a vitamina e necessita dos alimentos para obtê-la), os sintomas e sinais desta doença são sangramentos gengivais e outras hemorragias, perdas dentárias, letargia, anemia, dores articulares, feridas de difícil cicatrização e tendência a infecções. Em suas longas viagens oceânicas, nas quais não dispunham de verduras e frutas frescas para a alimentação, eram as tripulações dos navios as maiores vítimas da doença.
E, durante séculos, por não se conhecer a causa do escorbuto, a doença não era evitada nem corretamente tratada. Foi preciso que James Lind, médico da marinha britânica, provasse que isso era possível. Depois de realizar um estudo comparativo em doze marinheiros afetados pela doença, submetendo-os a dietas diferentes. E, ao final, observar que havia uma evolução favorável apenas naqueles que consumiam sucos de laranja e de limão.
Apesar de não identificar na época o escorbuto como ocasionado pela carência de ácido ascórbico (vitamina C) no corpo humano, uma substância que só posteriormente foi isolada, Lind demonstrou em 1747 como tratar e prevenir a doença: pela ingestão de sucos de laranja e de limão. E escreveu isso em seu relatório de 1753, embora a marinha britânica só adotasse o que Lind preconizou cerca de 40 anos após. Mas, ao adotar a medida, fez também com que os seus marinheiros ficassem conhecidos pelo apelido de limeys (bebedores de limão).
Com a realização deste trabalho, James Lind foi o pioneiro dos ensaios controlados na Medicina.

Quadro: James Lind a bordo do H.M.S. Salisbury

Publicado em EntreMentes