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quinta-feira, 30 de julho de 2026

1478 - A popularidade das faixas de aquecimento

Você não pode simplesmente descartar o calor no verão dizendo isto: "Ora, sempre fez calor no verão". Basta observar o gráfico de barras que compara as temperaturas de cada ano, comparando a temperatura registrada anualmente desde 1850 com a média de 1971 a 2000, usando tons progressivamente mais escuros de vermelho para anos mais quentes e azul para anos mais frios. Acredito que o climatologista Ed Hawkins, do Centro Nacional de Ciências Atmosféricas, Departamento de Meteorologia, Universidade de Reading, Reino Unido, teve uma ideia brilhante ao criá-lo em 2018. Os gráficos impressionam pela sua simplicidade. Não há números, datas ou estatísticas, mas talvez justamente por isso, sua mensagem seja ainda mais poderosa e difícil de contestar.
Além do aquecimento global causado pela atividade humana, outro fenômeno natural e recorrente deverá amplificar o aumento das temperaturas e a frequência de eventos climáticos extremos este ano: o El Niño. Esse aquecimento periódico das águas superficiais do Oceano Pacífico influencia outros oceanos, correntes oceânicas e a atmosfera, com repercussões sentidas em todo o mundo, de forma semelhante ao conhecido "efeito borboleta". Os maiores impactos são geralmente observados na Ásia e nas Américas, mas a Europa também é afetada, particularmente em anos como este, quando se prevê que as temperaturas do Oceano Pacífico subam pelo menos 2°C acima da média, levando alguns especialistas a descrevê-lo como um "Super El Niño".
O clima da Terra está aquecendo: 2024 foi o ano mais quente já registrado e o primeiro a ficar mais de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais (OMM 2025). É provável que estejamos vivendo o período mais quente de toda a civilização humana, e os riscos relacionados ao clima aumentam a cada grau de aquecimento adicional (IPCC 2021). Cientistas, formuladores de políticas, educadores e ativistas precisam de uma ampla variedade de ferramentas para comunicar essa realidade científica de forma eficaz ao público em geral.
Como uma visualização de dados simples e acessível, as faixas de aquecimento têm sido uma ilustração eficaz e onipresente usada para comunicar esses conceitos. Elas representam as mudanças observadas na temperatura média global próxima à superfície, condensando mais de um bilhão de medições individuais de termômetros em um conjunto de faixas coloridas simples para indicar a temperatura média em cada ano desde 1850. As faixas são coloridas com tons de azul para anos mais frios e vermelho para anos mais quentes, escolhidos para serem inclusivos para pessoas com daltonismo e para representar intuitivamente o frio e o calor, facilitando a compreensão. Normalmente, a temperatura média global é representada devido à sua relevância para a formulação de políticas internacionais, mas versões regionais e de cidades também estão disponíveis, ilustrando como as mudanças climáticas já estão afetando a todos, onde quer que vivam. Permitir que os indivíduos vejam suas próprias faixas locais possibilita uma conexão mais profunda com os dados e as mudanças que eles representam.
Esses gráficos, e diferentes versões do conceito, têm sido usados ​​por meteorologistas, bandas de rock, estilistas, times esportivos, autores, artistas, grupos comunitários e muitos outros para iniciar conversas sobre mudanças climáticas em todo o mundo. Em contraste com os estilos gráficos tradicionais, a simplicidade e a clareza das faixas de aquecimento facilitam o compartilhamento e a adaptação. Essa visualização pode naturalmente suscitar engajamento e iniciar conversas sobre seu significado, o que, importante ressaltar, costuma acontecer em locais e comunidades onde as mudanças climáticas não são normalmente discutidas. Seu design também comunica de forma eficaz como a tendência de longo prazo se relaciona com as variações usuais de temperatura de ano para ano em cada local. As faixas de aquecimento rompem com muitas convenções da representação gráfica científica. Por exemplo, elas não incluem eixos ou escalas para indicar o momento ou a magnitude da mudança. A incerteza não é representada. No entanto, essa simplicidade ajuda a explicar a popularidade das faixas: não é preciso saber ler um gráfico científico para entender sua mensagem subjacente. Elas chegaram a ser consideradas "arte", uma forma de comunicação capaz de criar conexões emocionais com a imagem.
A origem desses gráficos de grande sucesso também é atípica. Em 2017, a professora Ellie Highwood, cientista climática da Universidade de Reading, fez um cobertor listrado colorido de crochê, usando as mudanças observadas na temperatura global para definir as cores de cada listra. Essa representação física da mudança climática, criada como um presente para um colega, foi uma das inspirações para a criação e o desenvolvimento subsequentes dos gráficos de listras de aquecimento por um colega, o professor Ed Hawkins. O cobertor de Ellie foi parcialmente inspirado por muitos tricoteiros que fazem cobertores meteorológicos anuais usando as temperaturas medidas diariamente em suas localidades.
Publicação impressa: 1.º de maio de 2025
Extraído de: AMS - Journals
DOI: https://doi.org/10.1175/BAMS-D-24-0212.1

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

652 - Fazendo os seres humanos menores

Um recurso notável da engenharia humana é a possibilidade de fazer os seres humanos menores. Nossas pegadas ecológicas (1) (2) são, em parte, relacionadas com o o tamanho que temos. Nós precisamos de uma certa quantidade de alimentos e nutrientes para manter cada quilo de massa corporal. Isso significa que, ceteris paribus, quanto maior se é, mais comida e mais energia são requeridas. De fato, a taxa metabólica basal (que determina a quantidade de energia necessária em repouso) relaciona-se linearmente com massa e comprimento (Mifflin et al.,1990). Assim como a necessidade de comer mais, as pessoas maiores também consomem mais energia em formas menos óbvias. Por exemplo, um carro consome mais combustível por quilômetro para transportar uma pessoa mais pesada do que uma pessoa mais leve; mais tecido é necessário para vestir as pessoas grandes do que as pequenas; as pessoas mais pesadas desgastam sapatos, tapetes e móveis mais rapidamente do que as pessoas mais leves, e assim por diante.
Uma maneira de reduzir a pegada ecológica, então, seria a de reduzir o tamanho. Como o peso aumenta com o cubo de comprimento, até mesmo uma pequena redução na altura, por exemplo, e mantendo-se as outras características iguais, pode produzir um efeito significativo no tamanho. (Para reduzir o tamanho, pode-se também tentar reduzir o peso ou o peso e a altura, mas para manter a discussão simples, vamos usar apenas o exemplo de altura). Reduzir a altura em 15 centímetros significaria uma redução de massa de 23% para os homens e de 25% para as mulheres, com as correspondentes reduções de suas taxas metabólicas (15% / 18%), uma vez que menos tecidos significam também menos necessidades de nutrientes e de energia.
Como poderia tal redução ser alcançada?
A altura é determinada, em parte, por fatores genéticos e, em parte, através da dieta e do estresse. Enquanto o controle genético é poligenético, com muitos genes contribuindo para a altura total, o próprio processo de crescimento é, em grande parte, controlado pelo hormônio somatotropina (hormônio de crescimento humano). Diante disso, existem várias maneiras pelas quais poderíamos reduzir a altura adulta em seres humanos.
Uma maneira é através do diagnóstico genético pré-implantacional (PGD, em inglês). Enquanto modificações genéticas para controlar a altura são bastante complexas, e além dos conhecimentos técnicos atuais, no entanto, parece possível usar-se o PGD para selecionar as crianças menores. Isto não significaria intervir no material genético dos embriões por métodos inusitados. Seria simplesmente repensar os critérios de seleção de embriões para os implantes.
Outro método de interferir na altura é usar um tratamento hormonal para afetar os níveis de somatotropina ou para provocar o fechamento da placa epifisária mais cedo do que o normal. Isto, por vezes, ocorre acidentalmente através de overdoses da vitamina A (Rothenberg et al., 2007). Tratamentos hormonais são utilizados para a redução do crescimento em crianças excessivamente altas (Bramswig et al., 1988; Grüters et al., 1989) . Atualmente, a somatostatina (um inibidor do hormônio do crescimento) está sendo estudada como uma alternativa mais segura (Hindmarsh et al., 1995) .
Finalmente, uma forma mais especulativa e controversa de reduzir a altura adulta é reduzir o peso ao nascer. Existe uma correlação entre o peso e a altura adulta (Sorensen et al. de 1999), de acordo com a qual o peso ao nascer, encontrando-se no limite inferior da distribuição normal tende a resultar em ser o adulto ≈ 5 centímetros mais baixo. Quanto à altura ao nascer, tem um efeito ainda mais forte sobre a altura do adulto. A altura ao nascer encontrando-se no limite inferior da distribuição normal de altura tende a produzir uma altura adulta ≈ 15 centímetros mais curta. O imprinting genômico (também conhecido como imprinting parental, onde alguns genes se expressam em apenas um alelo, enquanto o outro é inativado) também afeta o tamanho como resultado de competição evolutiva entre genes paternal e maternalmente impressos (Burt e Trivers 2006). e drogas ou nutrientes, ora reduzindo a expressão de genes paternalmente impressos, ora aumentando a expressão de genes maternalmente impressos, poderiam regular o tamanho de nascimento.
Extraído do trabalho Human engineering and climate change, publicado em 2012 na revista "Ethics, Policy and the Environment", em que os autores. S Matthew Liao (professor de Bioética da Universidade de Nova Iorque), Anders Sandberg e Rebecca Roache (bolsistas da Universidade de Oxford) põem em debate a redução do tamanho dos seres humanos como uma das medidas para se lidar com as mudanças climáticas.
Compensação
Este invento (figura), patenteado pelo marceneiro Henry Addison, que é particularmente útil para as pessoas de baixa estatura quando estão em jogos de futebol e corridas de cavalos:
A Step Up, Futility Closet